27.2.04
25.2.04
Quarta Feira de Cinzas
Hoje começa a Quaresma. Preparemo-nos para a Páscoa que se avizinha. Para variar, e a título excepcional, gostava hoje de estar nos Estados Unidos. Estreia o novo filme de Mel Gibson. Uma visão das últimas horas de Cristo filmada, segundo quem já viu, de forma brutal e hiper realista. Um acto de coragem de Gibson que, contra tudo e contra todos, filmou em aramaico e sem concessões ao politicamente correcto. Poderá não ser grande cinema, mas certamente irei a correr quando estrear em Portugal.
Carnaval
Passou outro Carnaval. Foi como uma brisa matinal, fez-se notar mas foi fugaz. Aderi à depressão colectiva e não tentei exorcizá-la. Deixei-me estar, aproveitando os dias numa placidez melancólica. O Carnaval passou, e então?
Comboio
Há algo de fascinante num comboio com a noite a entrar pelas janelas. As presenças fugazes que povoam a atmosfera de conversas vagas e vazias, num significado nunca profundo. São conversas reveladoras na sua insignificância, são caracteres escondidos que se antevêem entre palavras.
O exercício fantástico de olhar em volta e pensar como são as nossas companhias de viagem. Olhar a roupa, a cara, os modos, detectar cicatrizes - físicas ou da vida. Imaginar as suas casas e famílias, deixarmo-nos enredar pelo seu olhar com o tempo a passar. Não se pode conhecer ninguém só pelo olhar, é no entanto curioso tentar.
E tudo passa, o tempo, a paisagem, a viagem. Viagem e paisagem, a rima não é ocasional, é embrionária e fatal, complementar.
O exercício fantástico de olhar em volta e pensar como são as nossas companhias de viagem. Olhar a roupa, a cara, os modos, detectar cicatrizes - físicas ou da vida. Imaginar as suas casas e famílias, deixarmo-nos enredar pelo seu olhar com o tempo a passar. Não se pode conhecer ninguém só pelo olhar, é no entanto curioso tentar.
E tudo passa, o tempo, a paisagem, a viagem. Viagem e paisagem, a rima não é ocasional, é embrionária e fatal, complementar.
Links
Os links aqui do lado foram actualizados. Novas companhias, entretanto encontradas, foram adicionadas.
D. Sebastião, Rei de Portugal
Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?
Fernando Pessoa in “Mensagem”
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?
Fernando Pessoa in “Mensagem”
20.2.04
17.2.04
Santana e Marcelo
Ataques e Contra-Ataques. A política portuguesa anima-se em duelos e este promete. A seguir com interesse e, mais do que isso, com diversão. Na falta de conteúdo ao menos que haja show-off. Na falta discussão política que os políticos se estimulem com ataques e, com sorte, com insultos. Assim talvez passemos da depressão para a agressão.
Branco
Chegou a neve branca, alva, fria.
Via-te de olhos abertos, bem abertos.
Abertos à luz da lua, depois à luz do sol.
Fugiste, não eras tu.
Deslizando no branco, saltaste num belo salto de anjo.
Chegando à água ela era turva, um pântano.
No alto da colina nós víamos-te, longe demais para te estender a mão pois tu não procuravas as árvores para subir.
É duro, triste, olhar o pântano sobrevoado de abutres que esperam carne.
Assim te vi partir.
Levado por abutres, destruído pelo cansaço.
Não quiseste lutar na hora certa, perdeste a corda para a colina.
A montanha da vida é alta, escarpada e fria, e tu não quiseste subir.
Via-te de olhos abertos, bem abertos.
Abertos à luz da lua, depois à luz do sol.
Fugiste, não eras tu.
Deslizando no branco, saltaste num belo salto de anjo.
Chegando à água ela era turva, um pântano.
No alto da colina nós víamos-te, longe demais para te estender a mão pois tu não procuravas as árvores para subir.
É duro, triste, olhar o pântano sobrevoado de abutres que esperam carne.
Assim te vi partir.
Levado por abutres, destruído pelo cansaço.
Não quiseste lutar na hora certa, perdeste a corda para a colina.
A montanha da vida é alta, escarpada e fria, e tu não quiseste subir.
13.2.04
Que dia!
Gosto por norma de sextas-feiras 13. Não ligo muito a superstições - tirando uma ou duas que não vou referir - e divirto-me com a forma com que as pessoas olham estes dias. Hoje, no entanto, vai ser uma excepção, a manhã não promete nada de bom e não sei o que ainda aí virá.
Acordo com a TSF, comme d’habitude, e subitamente quase tenho uma convulsão em plena cama. A voz de Vasco Gonçalves leva-me a duvidar se estou acordado ou num qualquer limbo existencial. Belisco-me, sem muita força, e continuo a ouvir essa voz acusando o actual governo de ser de extrema-direita. Afinal é real, esta múmia está viva e, ao contrário do que eu pensava, não está internada numa qualquer clínica para doentes mentais. Ouço o restante depoimento em que diz que o 25 de Novembro foi culpa dos reaccionários liderados por Mário Soares, senhor que prestou um mau serviço ao país interrompendo o brilhante processo revolucionário.
Divido-me, não sei se deva estar feliz por confirmar que este senhor continua parado num tempo distante (confirmando o que dele pensava), ou se deva temer por um país que deixa alguém neste estado sem um tratamento psiquiátrico adequado. Espero que, nestes tempos em que se fala de mudanças, o PCP não se lembre de reciclar este ex-primeiro ministro para a direcção do partido. Já o imagino em pleno parlamento vociferando, ao mesmo tempo que gesticulava furiosamente quase dando um estalo ao seu vizinho de bancada Francisco Louça: "Não há terceira via, ou se é pela revolução, ou se é contra a revolução."
Como já disse em anterior posta não sou da geração de Abril. A revolução e o PREC são acontecimentos por mim conhecidos através de documentários e comentários, de livros e de pessoas. O companheiro Vasco era alguém que eu quando criança julgava ser um grande actor cómico, senhor de uma mímica prodigiosa e um portento da comédia física. O problema foi quando descobri que ele era um louco furioso que, por motivos estranhos, liderou uns governos provisórios e foi herói de certa esquerda. Só em Portugal alguém que quase arruinou o país continua a ter palavra viva e, imagino eu, a ser ouvido por alguma esquerda que se diz inteligente.
Bolas!!! Acordar assim já era mau mas além disso olho à janela e só vejo branco, branco e o parapeito da varanda. Terá Lisboa desaparecido ou estará o companheiro Vasco a tomar São Bento e esta é a sua muralha de Aço?
Acordo com a TSF, comme d’habitude, e subitamente quase tenho uma convulsão em plena cama. A voz de Vasco Gonçalves leva-me a duvidar se estou acordado ou num qualquer limbo existencial. Belisco-me, sem muita força, e continuo a ouvir essa voz acusando o actual governo de ser de extrema-direita. Afinal é real, esta múmia está viva e, ao contrário do que eu pensava, não está internada numa qualquer clínica para doentes mentais. Ouço o restante depoimento em que diz que o 25 de Novembro foi culpa dos reaccionários liderados por Mário Soares, senhor que prestou um mau serviço ao país interrompendo o brilhante processo revolucionário.
Divido-me, não sei se deva estar feliz por confirmar que este senhor continua parado num tempo distante (confirmando o que dele pensava), ou se deva temer por um país que deixa alguém neste estado sem um tratamento psiquiátrico adequado. Espero que, nestes tempos em que se fala de mudanças, o PCP não se lembre de reciclar este ex-primeiro ministro para a direcção do partido. Já o imagino em pleno parlamento vociferando, ao mesmo tempo que gesticulava furiosamente quase dando um estalo ao seu vizinho de bancada Francisco Louça: "Não há terceira via, ou se é pela revolução, ou se é contra a revolução."
Como já disse em anterior posta não sou da geração de Abril. A revolução e o PREC são acontecimentos por mim conhecidos através de documentários e comentários, de livros e de pessoas. O companheiro Vasco era alguém que eu quando criança julgava ser um grande actor cómico, senhor de uma mímica prodigiosa e um portento da comédia física. O problema foi quando descobri que ele era um louco furioso que, por motivos estranhos, liderou uns governos provisórios e foi herói de certa esquerda. Só em Portugal alguém que quase arruinou o país continua a ter palavra viva e, imagino eu, a ser ouvido por alguma esquerda que se diz inteligente.
Bolas!!! Acordar assim já era mau mas além disso olho à janela e só vejo branco, branco e o parapeito da varanda. Terá Lisboa desaparecido ou estará o companheiro Vasco a tomar São Bento e esta é a sua muralha de Aço?
M.A.D.N.
O dia dos namorados é já amanhã e nesta irritante data temos de nos unir para acabar com esta palhaçada. As importações americanas invadem-nos e o pobre são Valentim deve estar a dar voltas na tumba.
Basta! Chega de corações pendurados e de montras cor-de-rosa apelando a um consumo desenfreado em tempos de contenção. Acabem com esses sorrisos idiotas de felicidade que inundarão as ruas.
Malvado dia este em que jantar fora é impossível, com os restaurantes cheios de mesas com parezinhos à luz de velas a falar de modo delicodoce e a ocupar os lugares que nós precisamos para jantar com os amigos.
E as rádios, é um pesadelo, só se ouve Michael Bolton e Céline Dion, com intervalos para declarações de amor de namorados...um nojo. A programação da televisão ainda não vi, mas imagino que à noite passem "O Senhor das Marés", "Vai onde te leva coração" ou sucedâneos do género lamechas de pior ou menos má qualidade.
Pobres livrarias sérias que só conseguem vender Susanas Tamaros e Margaridas Rebelos Pintos.
O mundo não é cor-de-rosa, eu nem sequer gosto do cor-de-rosa.
Fundemos o Movimento Anti Dia dos Namorados - MADN.
Não me dirijo só aos solteiros, todos temos de nos unir, esta história de decretar que cada par de namorados têm de comemorar no mesmo dia é totalitária e anti-democrática. Deixem cada um comemorar quando quer, no dia em que se conheceram, no dia em que começaram, no dia em que...Ao menos assim incomodam menos aqueles que não têm nada para comemorar.
Ao menos criem o Dia do Divorciado, Dia das Amantes, o Dia dos Unidos de Facto, o Dia dos Solteiros e até o Dia dos Viúvos. Lutemos contra a globalização dos dias de.
A este ritmo qualquer dia vamos ter dias de tudo, já imagino por exemplo: o Dia das Pessoas Doentes com Rinite Alérgica com Menos de 35 Anos (este eu podia comemorar), o Dia das Loiras com Olhos Azuis que Gostam de Arroz de Pato, o Dia das Mulheres Trabalhadoras com Mais de 2 Filhas com o nome Maria, o Dia dos Casais que Namoraram Menos de 1 Ano antes de Casarem
O leque de possibilidades é infinito, mas julgo que a realidade sempre o vai superar.
Juntos venceremos. Temos agora um ano pela frente para conseguirmos, no próximo 14 de Fevereiro, organizar uma gigantesca manifestação anti DN num qualquer bar civilizado deste país, no qual seja proibida a entrada a corações, objectos cor de rosas e gigantescos ramos de flores.
Basta! Chega de corações pendurados e de montras cor-de-rosa apelando a um consumo desenfreado em tempos de contenção. Acabem com esses sorrisos idiotas de felicidade que inundarão as ruas.
Malvado dia este em que jantar fora é impossível, com os restaurantes cheios de mesas com parezinhos à luz de velas a falar de modo delicodoce e a ocupar os lugares que nós precisamos para jantar com os amigos.
E as rádios, é um pesadelo, só se ouve Michael Bolton e Céline Dion, com intervalos para declarações de amor de namorados...um nojo. A programação da televisão ainda não vi, mas imagino que à noite passem "O Senhor das Marés", "Vai onde te leva coração" ou sucedâneos do género lamechas de pior ou menos má qualidade.
Pobres livrarias sérias que só conseguem vender Susanas Tamaros e Margaridas Rebelos Pintos.
O mundo não é cor-de-rosa, eu nem sequer gosto do cor-de-rosa.
Fundemos o Movimento Anti Dia dos Namorados - MADN.
Não me dirijo só aos solteiros, todos temos de nos unir, esta história de decretar que cada par de namorados têm de comemorar no mesmo dia é totalitária e anti-democrática. Deixem cada um comemorar quando quer, no dia em que se conheceram, no dia em que começaram, no dia em que...Ao menos assim incomodam menos aqueles que não têm nada para comemorar.
Ao menos criem o Dia do Divorciado, Dia das Amantes, o Dia dos Unidos de Facto, o Dia dos Solteiros e até o Dia dos Viúvos. Lutemos contra a globalização dos dias de.
A este ritmo qualquer dia vamos ter dias de tudo, já imagino por exemplo: o Dia das Pessoas Doentes com Rinite Alérgica com Menos de 35 Anos (este eu podia comemorar), o Dia das Loiras com Olhos Azuis que Gostam de Arroz de Pato, o Dia das Mulheres Trabalhadoras com Mais de 2 Filhas com o nome Maria, o Dia dos Casais que Namoraram Menos de 1 Ano antes de Casarem
O leque de possibilidades é infinito, mas julgo que a realidade sempre o vai superar.
Juntos venceremos. Temos agora um ano pela frente para conseguirmos, no próximo 14 de Fevereiro, organizar uma gigantesca manifestação anti DN num qualquer bar civilizado deste país, no qual seja proibida a entrada a corações, objectos cor de rosas e gigantescos ramos de flores.
Porto
Depois de Portugal o Porto. A depressão ao que parece está a ser mais sentida pelo Norte. A "Grande Reportagem" de Sábado trazia artigo de fundo sobre a depressão portista, ontem um encontro discutiu estes problemas.
O Porto sofre, há muito, de algum complexo de inferioridade. Certo que é a segunda metrópole (que não cidade) do país, mas a sua insistência - para além do normal - em colar-se a Lisboa sempre me levou à seguinte pergunta: Deverão Coimbra, ou Braga, reclamar para se aproximarem do Porto? A dúvida é entre bipolarizar na primeira cidade ou na segunda. Custa-me que num país tão pequeno se questione a existência de uma capital destacada, querendo à força que a segunda cidade esteja ao seu nível.
Até aqui poderia parecer um ataque cerrado ao Porto, nada mais errado. O Porto é uma cidade muito particular, na sua arquitectura e clima, nas suas gentes. Gosto do Porto, gosto particularmente por ver nele uma quase antítese de Lisboa, uma complementaridade. O que me leva a mim, e alguns outros mais, a vociferar contra um certo Porto, é a postura adoptada por energúmenos como Pinto da Costa ou Fernando Gomes, sempre ao ataque contra Lisboa como se ela fosse a cidade do inferno. Tudo ao Sul é mau, contra eles, contra um Porto perfeito, contra a capital da virtude. Sempre me irritei com superioridades morais (daí me irritar com certa esquerda) e esta é repugnante. Não confundo estes senhores com o Porto, nem com as gentes do Porto, mas infelizmente há quem confunda. A regionalização foi disso exemplo, no dia de boa memória do referendo. Não duvidemos que a derrota da regionalização teve por base o Porto e a sua atitude interesseira de querer criar um segundo centralismo. Sim, alguém terá dúvidas que os Ayatholas do Norte queriam uma capital centralizadora do Tejo para cima? A regionalização não ia descentralizar, ia centralizar em mais locais, apenas isso.
Enquanto do Porto se ouvir "querer ver Lisboa arder" com a anuência de pessoas com responsabilidades, Lisboa nunca os verá muito a sério, e o país também não.
O Porto sofre, há muito, de algum complexo de inferioridade. Certo que é a segunda metrópole (que não cidade) do país, mas a sua insistência - para além do normal - em colar-se a Lisboa sempre me levou à seguinte pergunta: Deverão Coimbra, ou Braga, reclamar para se aproximarem do Porto? A dúvida é entre bipolarizar na primeira cidade ou na segunda. Custa-me que num país tão pequeno se questione a existência de uma capital destacada, querendo à força que a segunda cidade esteja ao seu nível.
Até aqui poderia parecer um ataque cerrado ao Porto, nada mais errado. O Porto é uma cidade muito particular, na sua arquitectura e clima, nas suas gentes. Gosto do Porto, gosto particularmente por ver nele uma quase antítese de Lisboa, uma complementaridade. O que me leva a mim, e alguns outros mais, a vociferar contra um certo Porto, é a postura adoptada por energúmenos como Pinto da Costa ou Fernando Gomes, sempre ao ataque contra Lisboa como se ela fosse a cidade do inferno. Tudo ao Sul é mau, contra eles, contra um Porto perfeito, contra a capital da virtude. Sempre me irritei com superioridades morais (daí me irritar com certa esquerda) e esta é repugnante. Não confundo estes senhores com o Porto, nem com as gentes do Porto, mas infelizmente há quem confunda. A regionalização foi disso exemplo, no dia de boa memória do referendo. Não duvidemos que a derrota da regionalização teve por base o Porto e a sua atitude interesseira de querer criar um segundo centralismo. Sim, alguém terá dúvidas que os Ayatholas do Norte queriam uma capital centralizadora do Tejo para cima? A regionalização não ia descentralizar, ia centralizar em mais locais, apenas isso.
Enquanto do Porto se ouvir "querer ver Lisboa arder" com a anuência de pessoas com responsabilidades, Lisboa nunca os verá muito a sério, e o país também não.
11.2.04
Anatomia de um Crime
As maravilhas dos DVD permitem isto, a revisitação dos clássicos em noites paradas e calmas. Ontem foi a vez de "Anatomia de um Crime" de Otto Preminger. Um filme de moral duvidosa, mesmo amoral, em que a distinção entre bem e mal é ténue.
O filme narra a história de um advogado (James Stewart) que se depara com a defesa de um homem (Bem Gazzara) que matou o suposto violador da sua mulher (Lee Remick). Entre dúvidas sobre a efectiva violação, a motivação do crime, a defesa de um criminoso ou a libertação de um inocente, vagueamos por entre um belíssimo filme.
James Stewart está, como sempre, irrepreensível. Lee Remick é um poço de sedução inocente, ou talvez não. Bem Gazzara um enigmático criminoso. A banda sonora é de antologia e compra, ou gravação, obrigatória, Mr. Duke Ellington no seu melhor.
O filme narra a história de um advogado (James Stewart) que se depara com a defesa de um homem (Bem Gazzara) que matou o suposto violador da sua mulher (Lee Remick). Entre dúvidas sobre a efectiva violação, a motivação do crime, a defesa de um criminoso ou a libertação de um inocente, vagueamos por entre um belíssimo filme.
James Stewart está, como sempre, irrepreensível. Lee Remick é um poço de sedução inocente, ou talvez não. Bem Gazzara um enigmático criminoso. A banda sonora é de antologia e compra, ou gravação, obrigatória, Mr. Duke Ellington no seu melhor.
Curtas
O PS está cada vez melhor. Jorge Coelho e João Soares disponibilizaram-se para a liderança do partido. Carrilho e Mega discutem para a Câmara de Lisboa. Tanta disponibilidade é estranha, será uma cabala?
O Ministério da Educação anunciou que vai criar cursos de Medicina nos Açores e na Madeira. A concretizar-se esta intenção está dado um passo real e efectivo uma descentralização e para o aumento das vagas em Medicina. Bravo.
O Ministério da Educação anunciou que vai criar cursos de Medicina nos Açores e na Madeira. A concretizar-se esta intenção está dado um passo real e efectivo uma descentralização e para o aumento das vagas em Medicina. Bravo.
9.2.04
Reverendo Marcelo
Ontem em jantar de família, enquanto debicava uma empadinhas, dei por mim quase só na casa de jantar. Como o jantar era informal segui até à sala para ver o que se passava. A televisão ligada surgia como que sobre um altar, e dentro dela saía a missa semanal do Professor Marcelo. Tentei perguntar algo mas logo me mandaram calar. Os Domingos ganham assim contornos de insanidade, pois sou católico e missas para mim são na igreja e com padre. Não reconheço ao Professor o estatuto de sacerdote e os sermões dominicais são, de semana para semana, mais vácuos e desinteressantes. Hoje já não me lembro de nada que o Professor tenha falado, excepto talvez a referência a um livro sobre o parto ou o pós-parto.
5.2.04
País deprimido
A queixa é generalizada, Portugal é um país de pedófilos, não tem auto-estima, está deprimido. Devo ser dos poucos que acham que o momento é bom. Todos os escândalos de pedofilia remontam há alguns anos, todos percorreram várias governações. Foram agora descobertos e investigados, porque nos há de deprimir este facto. Claro que é deprimente que tudo isto exista, mas devemos estar felizes, muito felizes, por se estar a investigar, a combater, a descobrir e, esperemos, a castigar. Foi uma impunidade de muitos anos mas agora podemos exultar, tudo está a ser desmascarado. Não partilho da visão pessimista (no que me estranho) generalizada, Portugal está num bom momento. Até o sol está a brilhar.
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