16.7.04

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Palácio dos Marqueses de Fronteira

Curta

Perante a hipótese de ir aos Jogos Olímpicos, Simão Sabrosa disse que primeiro estava o Benfica. Aparentemente as boas lições do Euro não foram compreendidas por todos, ás vezes umas reguadas à antiga...

15.7.04

Curtas

António José Seguro não se vai candidatar a secretário-geral do PS, afinal parece que ainda lhe restou um pouco de bom senso.
A escolha de Bagão Félix para Ministro das Finanças foi veementemente criticada por Carvalho da Silva, óptimo sinal para ter esperança no seu trabalho.

Televisão

Ontem estava decidido a passar a noite a ver tranquilamente televisão. Pura esperança perante o desastroso zapping por entre os canais de cabo. A salvação chegou uma vez mais pelos DVD, ontem com o quarto e quinto episódio de “Reviver o passado em Brideshead”. Cada vez vejo menos televisão, mas há dias em que mais do que um livro, o que apetece é a posição horizontal sobre o sofá e um hipnótico ecran em frente.

14.7.04

PS

Vitorino optou por não avançar e com isso o PS perde o seu D. Sebastião. A opção mais certa será Sócrates, porta-voz do neo-guterrismo com laivos populistas. Os debates da RTP vão então transferir-se para a ribalta da política portuguesa. O PS ganhará argúcia e popularidade, quanto a consistência...o tempo o dirá.

P.S. Terá António José Seguro a distinta lata de se candidatar?

13.7.04

Governo

A formação do governo de Santana ameaça contornos de semelhança com as últimas pré-épocas do Benfica. Explico. O clube da Luz começa todos os anos com uma enorme lista de estrelas que, putativamente, estarão prestes a assinar pelo clube. Com o correr do tempo sobram alguns nomes que, de facto, assinam pelo clube. Os que chegam, a juntar-se ao que permanecem, formam sempre uma equipa maravilha que, seguramente, levará o clube aos tempos idos de Eusébio e Coluna.
Sobre Santana começa por se falar de grandes nomes como Ernâni Lopes, o messiânico António Borges ou António Lobo Xavier. Esperemos que ninguém comece a chamar o futuro governo de "dream-time", é que os resultados dos últimos anos do Benfica estiveram longe de serem bons.

12.7.04

Decisão

Sampaio finalmente decidiu e resolveu chamar o diabólico Santana ao poder. A esquerda radical e populista revolve-se guinchando contra a democraticidade da decisão. Ferro Rodrigues aproveita a boleia e escapa-se ao pântano em que transformou o PS. Ana Gomes - que eu já julgava em Bruxelas - esteve no seu melhor, praticamente ameaçando Sampaio de um par de estalos ou pior. Miguel Veiga – que a generalidade dos portugueses deve perguntar: quem é Miguel Veiga? – voltou a manifestar-se contra a sucessão de Durão. Santana, em entrevista à SIC, aparece com a pose para o futuro, um ar levemente enfadado e um fato “a la” Paulo Portas. A coligação será ao que tudo indica um embrulho de invólucro “Conservative” e acção populista. Espero algo de bom mas temo o pior. Espero por um Santana mais à moda da Figueira do que à moda de Lisboa. Veremos. Nada vai ser igual, o que até poderá ser divertido

9.7.04

Preocupado

Ainda não fui chamado para a audiência com o Sr. Presidente da República. Estou preocupado, como poderá decidir o Sr. Sampaio sem a minha imprescindível opinião?

Centrão

Diz muita gente que politicamente se deve dissolver a Assembleia da República porque na prática se vota em pessoas e não em partidos. Mais uma vez se me eriçam os pelos pois se a lei eleitoral que existe não foi mudada de quem é a culpa? Claro que é dos dois irritantes partidos do centrão que sempre se esforçam por parecer querer mudar, mas que no fundo não mudam nada. De facto votamos em partidos, é assim que vem no boletim de voto, não é uma fotografia de Ferro Rodrigues, é mesmo a rosa ou punho do PS. Insistirão que politicamente não é assim, mas se acham que devia ser mudem a lei. O que a realidade diz é que, infelizmente, votamos sempre em partidos excepto nas presidenciais. O resto é conversa usada quando convém e esquecida quando não interessa. Assim funciona o “centrão”, usando os seus erros como virtudes ou omissões conforme as circunstâncias. Por isso voto cada vez menos.

8.7.04

A importância de se chamar Europa

O nosso ex-primeiro-ministro resolveu fugir, achou por bem abandonar o país que governava por um suposto interesse maior, a Europa.
No Euro o país saiu à rua, inundando-se de bandeiras portuguesas entre as quais o único azul descortinável era o de algumas bandeiras monárquicas que surgiram de braço dado com o encarnado e verde. Bandeiras da Europa nem sinal, nem umas fugazes estrelinhas surgiram senão em alinhamentos oficiais de bandeiras.
Durão achou a Europa mais importante, os portugueses não. Talvez o Euro tenha sido padrasto para os europeístas, demonstrando que ainda existimos como país. Assim o foi para Durão, após o fumo inicial que cobriu a sua saída com uma suposta aura de orgulho nacional, agora todos começamos a estar certos do egoísmo da decisão, apenas tomada por vaidades e interesses pessoais.
Ainda há quem argumente com o que Portugal irá ganhar com o novo cargo de Durão, para eles uma pergunta, ganhou algo a Itália nos últimos anos por Romano Prodi ser o Presidente da Comissão Europeia? Que Europa será a nossa em que os cargos de decisão não são neutrais em relação aos países? Durão tem a obrigação de ser o que nós exigimos que sejam os outros comissários: isento. Não acreditar nisto – e eu não digo que acredite – é não acreditar no funcionamento da Europa – que eu de facto não acredito.
Como português, acuso Durão de falta de patriotismo e de não olhar o interesse nacional, apenas desculpável se, atacado por uma crise de humildade, achasse que o seu trabalho estava a ser mau e que o melhor era ser substituído – ou seja remodelado. Claro que não acredito nesta versão até pelos emproados discursos que se seguiram.
Posso até pensar que para o país será melhor que ele vá para Bruxelas, não pelo que poderá fazer lá, mas pelo que não irá fazer cá. Talvez ganhemos um melhor governo, mas, em abstracto, a fuga foi anti-patriótica demonstrando que já há quem ponha a Europa à frente de Portugal e isso é muito, mas muito, perigoso.

7.7.04

De besta a bestial

Falar de Manuela Ferreira Leite era, há uns dias atrás, falar do demónio. Ela era a criatura que empurrava Portugal para a estagnação económica, para a contenção desmedida, para a desigualdade social. O "Monstro do Pântano" seria o mínimo que qualquer opositor do governo lhe chamaria.
Hoje, que Santana como primeiro-ministro é uma possibilidade, o que dizem estas pessoas? Que o presidente não pode chamar um novo governo sem eleições porque se porá em causa a política económica do governo. Com Santana virá o fim da contenção, contra a qual gritaram durante meses a fio, e aumentará o investimento público.
Extraordinário como alguém passa de besta a bestial sem mudar uma linha na postura e pelos mesmos motivos.

P.S. Será que ainda se lembram do famoso choque fiscal que fazia parte do programa de Governo?

De bestial a besta

Os actuais tempos no futebol deixaram de fora bonitos conceitos como o amor à camisola, dando lugar à crua linguagem do dinheiro. Mas ontem, ao ver a apresentação de Quaresma como jogador do Porto, esqueci-me desse facto. Por isso o bestial jogador que era Quaresma passou a ser mais uma besta que, tendo começado no Sporting, ousou voltar para Portugal para outro clube. A racionalidade que vá ás malvas porque depois do jogo com os Greg.. tenho de passar a raiva para alguém.

6.7.04

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Igreja do Bom Jesus, Velha Goa, Goa, 2004

Realidade

Tento a custo voltar à realidade do dia a dia. O Euro, para o bem ou para o mal, mudou o nosso quotidiano deixando aquele sentimento pós-férias de difícil convivência.

5.7.04

Pátria

Numa entrevista de rua:
Está na rua porquê? O que é que ganhámos?
Ganhámos uma pátria.

Passe o exagero, porque pátria já temos há muito tempo, o Euro devolveu aos portugueses esse conceito de patriotismo que parecia estar apenas no país aqui ao lado.
A absurda, e abundante, confusão entre patriotismo e nacionalismo pode ser agora destrinçada, podemos todos dizer de mão no peito que somos patriotas sem que logo venham os guardiões da liberdade de dedo apontado acusando-nos de fascismo.

Obrigado

Aos jogadores por terem feito o seu melhor para que fossemos campeões.
A Scolari por ter feito uma equipa de um conjunto de jogadores.
Aos organizadores do Euro por transformarem um país desorganizado no responsável pelo melhor Euro de sempre com uma impecável festa de quase um mês.
Aos portugueses por me terem feito de novo acreditar que podemos continuar um país apesar da Europa.

Selecção

Por uma vez, apenas um punhado de idiotas persistiu em “clubizar” a selecção, falando apenas dos jogadores do seu clube e verberando Scolari por esta ou outra convocatória. Hoje já li quem falasse de novo da estrutura do Porto, de que o mérito passa por aí, insistindo em que a selecção é do F.C.P. e que a eles devemos o sucesso de chegar à final. A quem interessa isso, para quê esticarem os bicos dos pés para que se fale do seu clube, para quê aproveitar a selecção?
Quem jogou foram os jogadores de Portugal, sejam de que clube forem jogaram por Portugal, não jogaram por Mourinho, Pinto da Costa, Dias da Cunha ou Vieira. Por isso se uniu o país. Por isso apenas uma minoria de fanáticos pensa assim. Por isso foi bom este europeu.

Política

Perdemos a final e o Euro acabou. Teremos de voltar a falar de política. Apetece de facto chorar ao som de um triste fado de Amália.

1.7.04

Democracia relativa

Fosse outro o vice-presidente do PSD e as vozes que clamam por um congresso não estariam caladas?
Os laranjas que se indignam com Santana não farão parte da lista em congresso aprovada na qual ele ficou número 2 de Durão?

Consequências

Uma voz que faz parecer Tom Waits um cantor de voz límpida qual Crystal Gayle.
Uma preguiça desmesurada com um tentáculo gigante que me tenta puxar para a praia.
Uma segura noção de que os portugueses estão possuídos por um vírus de patriotismo inimaginável, e a muitos difícil de engolir.
Uma certeza que Figo é um dos melhores do mundo por muito que haja quem teime em não concordar.
Um agradecimento a Scolari que realmente só pode ter muita sorte ao ganhar tanta vez.
Um enorme gozo em poder entrar na festa louca em que este país se entrou.
Um total esquecimento, até há uns minutos, de que não temos primeiro-ministro e governo.