22.7.04
21.7.04
Medo
20.7.04
A/C
Mas ontem, ao fazer uma viagem com um calor insuportável, em que tinha de manter, pelo menos um mínimo, das janelas abertas na auto-estrada e em que o ruído do vento se cruzava com a telefonia em altos berros para que algo fosse audível, aí tive alguma vontade de me auto-martirizar por não ter um carro com ar condicionado. Mas pensei um pouco e imaginei-me com o nariz a pingar, a respirar um ar horroroso, a fumar e deixar o carro numa nuvem espessa. Enfim, se calhar o sofrimento seria igual, mas sinto-me melhor a sofrer sem essa inovação, no meu carro já respeitável de idade (para os padrões actuais, pois para os do meu tempo de criança é ainda uma novidade) do que a utilizar modernices que resolvem uns problemas mas que não nos deixam necessariamente melhores.
Governo
Claro que teria de falar do novo governo numas curtas notas:
Pontos positivos
ESPERANÇA - No primeiro-ministro pela sua dinâmica e coragem, que me levam a acreditar em algumas reformas importantes.
INDEPENDÊNCIA - O elevado número de pessoas com carreiras feitas na sociedade civil. (que obviamente a oposição usou para atacar a sua falta de prática política, se fosse ao contrário seria obviamente um governo carreirista)
QUALIDADE - A qualidade de boa parte dos nomes (surpreendendo que achava que seria um governo de yes-men).
FINANÇAS - Bagão Félix pela sua seriedade, competência e preocupação social.
CULTURA - Maria João Bustorff que, pelo seu trabalho numa importante fundação, pode dar mais esperança ao património português (e talvez menos a filmes feitos para o umbigo e que ninguém vê)
Pontos negativos
MEDO - O primeiro-ministro pela sua inconsequência e irresponsabilidade que me levam a ter algum medo da sua actuação.
PERIGO - A delirante nomeação de Nobre Guedes para o ambiente.
DEPRESSÃO - Com a divisão entre Ordenamento do Território e Planeamento será de esperar o pior para este país já desordenado.
ESCURO - José Luís Arnaud nas Cidades, depois da recolha de fundos nas construtoras para o partido, agora a distribuição de fundos para as Câmaras (onde tanto ganham as construtoras).
CONFUSÃO - A incompreensível mudança de nomes nas pastas, que vai levar meses até que tudo esteja organizado, uma irresponsabilidade de quem apenas tem 2 anos para governar.
CAPITAL - O Trabalho no Ministério da Economia, numa medida de ultra-liberalismo com que não posso concordar.
16.7.04
15.7.04
Curtas
A escolha de Bagão Félix para Ministro das Finanças foi veementemente criticada por Carvalho da Silva, óptimo sinal para ter esperança no seu trabalho.
Televisão
14.7.04
PS
P.S. Terá António José Seguro a distinta lata de se candidatar?
13.7.04
Governo
Sobre Santana começa por se falar de grandes nomes como Ernâni Lopes, o messiânico António Borges ou António Lobo Xavier. Esperemos que ninguém comece a chamar o futuro governo de "dream-time", é que os resultados dos últimos anos do Benfica estiveram longe de serem bons.
12.7.04
Decisão
9.7.04
Preocupado
Centrão
8.7.04
A importância de se chamar Europa
No Euro o país saiu à rua, inundando-se de bandeiras portuguesas entre as quais o único azul descortinável era o de algumas bandeiras monárquicas que surgiram de braço dado com o encarnado e verde. Bandeiras da Europa nem sinal, nem umas fugazes estrelinhas surgiram senão em alinhamentos oficiais de bandeiras.
Durão achou a Europa mais importante, os portugueses não. Talvez o Euro tenha sido padrasto para os europeístas, demonstrando que ainda existimos como país. Assim o foi para Durão, após o fumo inicial que cobriu a sua saída com uma suposta aura de orgulho nacional, agora todos começamos a estar certos do egoísmo da decisão, apenas tomada por vaidades e interesses pessoais.
Ainda há quem argumente com o que Portugal irá ganhar com o novo cargo de Durão, para eles uma pergunta, ganhou algo a Itália nos últimos anos por Romano Prodi ser o Presidente da Comissão Europeia? Que Europa será a nossa em que os cargos de decisão não são neutrais em relação aos países? Durão tem a obrigação de ser o que nós exigimos que sejam os outros comissários: isento. Não acreditar nisto – e eu não digo que acredite – é não acreditar no funcionamento da Europa – que eu de facto não acredito.
Como português, acuso Durão de falta de patriotismo e de não olhar o interesse nacional, apenas desculpável se, atacado por uma crise de humildade, achasse que o seu trabalho estava a ser mau e que o melhor era ser substituído – ou seja remodelado. Claro que não acredito nesta versão até pelos emproados discursos que se seguiram.
Posso até pensar que para o país será melhor que ele vá para Bruxelas, não pelo que poderá fazer lá, mas pelo que não irá fazer cá. Talvez ganhemos um melhor governo, mas, em abstracto, a fuga foi anti-patriótica demonstrando que já há quem ponha a Europa à frente de Portugal e isso é muito, mas muito, perigoso.
7.7.04
De besta a bestial
Hoje, que Santana como primeiro-ministro é uma possibilidade, o que dizem estas pessoas? Que o presidente não pode chamar um novo governo sem eleições porque se porá em causa a política económica do governo. Com Santana virá o fim da contenção, contra a qual gritaram durante meses a fio, e aumentará o investimento público.
Extraordinário como alguém passa de besta a bestial sem mudar uma linha na postura e pelos mesmos motivos.
P.S. Será que ainda se lembram do famoso choque fiscal que fazia parte do programa de Governo?
De bestial a besta
6.7.04
5.7.04
Pátria
Está na rua porquê? O que é que ganhámos?
Ganhámos uma pátria.
Passe o exagero, porque pátria já temos há muito tempo, o Euro devolveu aos portugueses esse conceito de patriotismo que parecia estar apenas no país aqui ao lado.
A absurda, e abundante, confusão entre patriotismo e nacionalismo pode ser agora destrinçada, podemos todos dizer de mão no peito que somos patriotas sem que logo venham os guardiões da liberdade de dedo apontado acusando-nos de fascismo.
Obrigado
A Scolari por ter feito uma equipa de um conjunto de jogadores.
Aos organizadores do Euro por transformarem um país desorganizado no responsável pelo melhor Euro de sempre com uma impecável festa de quase um mês.
Aos portugueses por me terem feito de novo acreditar que podemos continuar um país apesar da Europa.
Selecção
Quem jogou foram os jogadores de Portugal, sejam de que clube forem jogaram por Portugal, não jogaram por Mourinho, Pinto da Costa, Dias da Cunha ou Vieira. Por isso se uniu o país. Por isso apenas uma minoria de fanáticos pensa assim. Por isso foi bom este europeu.
Política
1.7.04
Democracia relativa
Os laranjas que se indignam com Santana não farão parte da lista em congresso aprovada na qual ele ficou número 2 de Durão?
Consequências
Uma preguiça desmesurada com um tentáculo gigante que me tenta puxar para a praia.
Uma segura noção de que os portugueses estão possuídos por um vírus de patriotismo inimaginável, e a muitos difícil de engolir.
Uma certeza que Figo é um dos melhores do mundo por muito que haja quem teime em não concordar.
Um agradecimento a Scolari que realmente só pode ter muita sorte ao ganhar tanta vez.
Um enorme gozo em poder entrar na festa louca em que este país se entrou.
Um total esquecimento, até há uns minutos, de que não temos primeiro-ministro e governo.
Alvalade XXI
30.6.04
Inveja
Não, não está à venda, apesar de a partir de 500 contos ser possível sentar-me a uma esplanada a ver o Tejo numa dura negociação que me privaria de um grande jogo mas permitiria uns bons dias de férias e um écran de plasma. Mas não, o dinheiro não compra tudo e apetece-me mesmo ir ver o jogo. A quem não tem bilhete, temos pena! (desculpem a crueldade, deve ser do calor)
29.6.04
Melhor que o silêncio
O disco "João Gilberto in Tokyo" é mais do mesmo, e ainda bem. João é genial porque a sua voz é única e as suas interpretações sempre diferentes, este "in Tokyo" repete várias músicas do "in Montreaux" mas a igualdade fica por aí. João é um génio na música e vive a vida como génio, daí os seus caprichos como a lendária entrada em palco em Portugal onde deu dois acordes e saiu do palco por o som não estar do seu agrado. Claro que tudo tem graça quando não nos toca, por isso a minha pequena raiva de ter tido - durante seis longos meses - bilhetes para um concerto seu no Coliseu, duas vezes adiado e por fim cancelado. As datas eram próximas deste concerto em Tóquio. Grr!!!
28.6.04
Duas costelas
A costela conservadora leva-me neste momento a achar que Durão devia ter ficado em nome da estabilidade, a duvidar da legitimidade de outro Primeiro-ministro tomar posse sem eleições, a assustar-me com Santana pela sua enorme inconsequência e a achar tudo isto uma maçada que só vem perturbar o meu quotidiano e o Euro 2004. Tremo ao pensar em túneis que esburaquem o país inteiro levando a irresponsabilidade até ao mais recôndito interior. Acho incrível que a Kapital venha a ser declarada local de interesse cultural (até porque os seus tempos já eram) e poder utilizar o navio escola Sagres para os seus cruzeiros a Ibiza. Ver o Gerês transformado em Parque Temático para atrair espanhóis ou a Serra da Estrela com um projecto de Montanhas Tropicais parece-me demais. Tenho medo, muito medo, que Santana escreva a Camões convidando-o para Ministro da Justiça ou a Eça de Queiroz para a pasta das Ciências.
A costela mais anárquica acha que Durão era um chato que faz bem em ir para terra do ditos (Bruxelas) e que eleições antecipadas seriam um bom prolongamento da festa do Euro. Acha também que a substituição por Santana tornaria Portugal num país infinitamente mais divertido e decorativo (venham a nós as "Santanettes"). Tenho já um gozo delicioso ao ver os intelectuais a revolverem-se qual epilépticos com a mera hipótese de Santana ser primeiro-ministro, comparando-o a Bush ou Hittler como um louco perigoso que tornaria Portugal numa República de Bananas desgovernada. Sonho já com um Portugal sempre em festa, nem que seja a organizar concursos de "Miss Sul da Europa", "Galas de Cantoras Louras" e "Festivais de Teatro Feminino do Novo Leste Europeu". Regozijo-me com a incorrecção política que Santana traria a este país onde quase todos os políticos são medíocres, chatos, desinteressantes e incompetentes. (a Santana ninguém poderá chamar chato ou desinteressante)
Este blogue está rasgado ao pelo meio de duas costelas e apetecia-lhe, já agora, comer uma costoletinhas de borrego panadas que são bem mais unânimes e pacíficas.
25.6.04
Remodelling Durão
The Game
Bravo Scolari, por ter os tom.... de substituir daquela maneira, de trocar o trinco e o lateral direito por avançados, de tirar o exausto Figo, de mandar tudo para a frente. Quantos treinadores portugueses ousariam isto?
Bravo Postiga, pelo golo e pelo inadjectivável penalty, a bola a saltitar para o meio da baliza é digna do próprio Marques de Sade.
Bravo Rui Costa pelo golo, o fabuloso remate quase me fez bater com a cabeça no tecto com o salto que me obrigou a dar.
Bravo Ricardo, pela defesa sem luvas e pelo golo de raiva e convicção que mandou os ingleses para casa. Alguém ainda se lembra de Baía?
Bravo a todos pelo fantástico jogo que fizeram. Bravo e obrigado.
Heart Attack
Claro que tanto sofrimento teria de ter uma consequente explosão de alegria que levou todos para a rua entupindo as cidades com buzinas, bandeiras e gritos. Mas não foi só em Portugal, comovente mesmo foi ver hoje imagens de alegria em Timor ou Moçambique, lembrando-nos que ainda há quem goste de nós, e vibre por nós, e festeje connosco.
Lisboa ontem parecia dominada por uma loucura colectiva, à qual obviamente aderi. Confesso que sou muito português e que, como tal, gosto muito de festa, de comemorar, de sair, de me divertir. Vale a pena ver uma cidade em festa e ainda mais por bons motivos. Se é necessário o futebol para alegrar um povo e para que haja algum patriotismo, então aproveite-se o futebol. Ao menos que haja algo que nos desperte da modorra que são estes dias de Europa cinzenta e de mentalidades politicamente correctas.
Day-after
23.6.04
Há uns meses
Há uns meses atrás não se imaginaria que Portugal poderia passar a ser governado por um José Luís Arnaud saído em ombros após o sucesso do Euro ou pelo sempre truculento Morais Sarmento, e Santana Lopes, que anda em pré-campanha Presidencial, nunca pensaria ser primeiro-ministro de Portugal. Qualquer uma destas possibilidades seria aparentemente viável pelo actual posicionamento destes senhores no Governo e no partido, tudo depende da decisão de Durão e dos parceiros europeus.
Há uns meses todos sorriam perante a hipótese de ter Ferro Rodrigues como credível líder da oposição com possibilidades de ganhar eleições, hoje, apesar da anunciada concorrência, tudo se encaminha para a realidade.
Há uns meses estaríamos esquecidos de Freitas do Amaral, hoje é lançado pelo candidato à liderança do PS, João Soares, como candidato presidencial. A mera sugestão de um embate entre Freitas e Cavaco, aliado ás especulações acima expressas, aumenta em mim a hipótese de emigrar, e Espanha aqui tão perto.
Não sei se é do Euro ou se o nosso país foi invadido por alguém com um sentido de humor demasiado Monthy-Pythoniano, é que na televisão é uma coisa, já na realidade...
21.6.04
Aljubarrota XXI
O que sei é que aquilo que há muito se esperava que já tivesse acontecido surgiu ontem em Aljubarrota (perdão Alvalade); o que sei é que foram várias cervejas e muitos cigarros numa adrenalina permanente ao longo dos 90 minutos; o que sei é que foi uma irracional explosão de alegria individual e colectiva; o que sei é que o povo português perdeu a cabeça e saiu para a rua cantando o hino que muitos queriam que ninguém soubesse; o que sei é que o Marquês estava cheio e a Avenida da Liberdade se descia agradavelmente com os carros parados a buzinar; o que sei é que vi japoneses atónitos perante esta festa; o que sei é que no Rossio se tomava banho como se de uma piscina se tratasse; o que sei é que dizem que não somos patriotas (ui! serei já acusado de Nacionalismo) mas bastava ir ontem à rua para ver o contrário; o que sei é que se fosse uma selecção da Europa ninguém sairia sequer à janela; o que sei é que o Figo ainda é grande; o que sei é que me deu um enorme prazer ganhar e passear alegremente por Lisboa; o que sei é que na quinta-feira vou estar ansioso a desejar que joguemos como ontem e depois, depois logo se verá.
17.6.04
Lá ganhámos
Curioso mesmo foi a saída desmesurada do povo para as ruas, fazendo com que um "alien" que ontem aterrasse em Lisboa nos julgasse campeões da Europa. A verdade é que o país não tem tido muito para comemorar, mas entupir o Rossio após uma singela e normal vitória parece-me um pouco excessivo. Mas é disto que o meu povo gosta e, depois do Santo António e antes do São João, há que arranjar pretextos para mais umas bebedeiras (como se para actividade tão nobre fossem precisos motivos).
No Domingo relembremos Aljubarrota e marchemos com boa táctica, a do quadrado talvez já tenha passado de moda, e com a vontade de derrotar os espanhóis que nos devia correr no sangue há muitos e muitos anos. Pelo vermelho da nossa bandeira.
(E depois desta tirada nacionalista me vou, antes que a brigada da esquerda politicamente correcta me apanhe e me apedreje com acusações de fascista).
14.6.04
1,2,3
Porque não votei
Claro que a minha abstenção se poderia dever ao facto das eleições serem europeias. Durante a campanha pouco se falou de Europa, agora, como sempre, os políticos ignoram olimpicamente qualquer explicação ao povo sobre o que se passa na Europa, e sobre o que lá se decide quanto ao nosso futuro. Há anos que estamos na Europa e duvido que um qualquer inquérito consiga mais de 3 ou 4% de respostas correctas sobre qual o nosso papel na Europa, quais as competências do Parlamento Europeu, o que foram os Tratados de Maastricht e de Nice e o que poderá vir a ser a constituição europeia. A posição dos partidos do "centrão" é igual e talvez resida aí a pouca democraticidade que sempre rodeou a nossa integração na Europa. Para quê explicar ao povo, é que se souberem o que é poderão ser contra, assim é mais fácil enganá-los. Por muitas correcções de posição que os partidos tenham feito eu permaneço um pouco Euro-céptico. Não sou, hoje, contra estarmos na Europa, mas continuo com muitas dúvidas que nenhum partido se esforçou por esclarecer. Com tudo isto ninguém fez por merecer o meu voto, mas claro que isto não interessa nada, a culpa foi do sol de Sagres onde me apetecia estar agora.
10.6.04
Fim-de-Semana
Lusíadas
destemperada e a voz enrouquecida,
e não do canto, mas de ver que venho
cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
não no dá a Pátria, não que está metida
no gosto da cobiça e na rudeza
duma austera, apagada e vil tristeza.
E não sei por que influxo de destino
não tem um ledo orgulho e geral gosto,
que os ânimos levanta de contino
a ter para vós, o Rei, que por posto,
olhai que sois (e vede as outras gentes)
Senhor só de vassalos excelentes…
Fazei, Senhor, que nunca, os admirados
alemães, galos, ítalos e ingleses,
possam dizer que são para mandados,
mais que para mandar, os Portugueses.
Mas eu que falo, humilde, baixo e rudo,
de vós não conhecido nem sonhado?
Da boca dos pequenos sei, contudo,
que o louvor sai às vezes acabado.
Luís Vaz de Camões, “Os Lusíadas”, Canto X
9.6.04
Norah Jones
A primeira tentação seria dizer que me senti fechado num elevador durante quase duas horas. Ou na sala de espera de um qualquer consultório, ou no lobby de um hotel. Não seria totalmente injusto, mas um pouco cruel. O concerto foi de facto um longo bocejo, a música de Jones fica sempre num indefinível limbo entre um pseudo-jazz, o easy-listening e uns pozinhos de country. A banda, que até não era má, estava espartilhada e dava a constante sensação de que queria, e ia, explodir. Ficava no entanto numa interpretação tão exageradamente cool e tão suave que perdia qualquer interesse.
A menina Jones destacou-se pela sua simpatia e simplicidade, dizendo constantes graças bem dispostas para a audiência, no que foi o seu ponto mais alto. Este e quando abandonou o seu piano delicodoce e, em pé, cantou algumas música mais country onde o timbre da sua voz se encontra mais livre e com mais força interpretativa.
Passaram duas horas e saí como entrei, com a interrogação de como é que uma música tão sonífera consegue atrair tanta gente e vender tantos discos.
3.6.04
Dentistas
2.6.04
Outro blogue que abandona. Os blogues pioneiros começam a abandonar a blogosfera, é pena para quem ainda anda por aqui.
1.6.04
Dicionário do Diabo
Marginal
Campanha
2
Luz ténue, quebrada.
Fogo fátuo e efémero.
Indefinível claridade que passa o tempo.
Eternidade volátil.
Motor da vida.
Elemento.
27.5.04
Parabéns
Serve a ocasião para saudar a sucessão de comemorações por entre os blogues pioneiros que já fazem um ano. Destaco aqueles que mais companhia me fazem e que, por esse motivo, já figuram na coluna do lado. Parabéns atrasados para a Bomba, o Almocreve, o Jaquinzinhos, o Mar Salgado, o Quinto dos Impérios, o Crítico e para todos aqueles de que me continuo a esquecer.
Camisa-de-forças
Marxismos (dos bons)
Groucho Marx
25.5.04
Benfica
Quanto à extraordinária entrada do presidente do Benfica num programa em directo distribuindo ameaças e insultos a toda a gente, apenas um comentário: "É disto que o meu povo gosta".
Globos de Ouro
Fim-de-semana
Por terras de Espanha o casamento chamou todas as atenções, lembro Natália Correia que dizia ser monárquica por razões estéticas (a confirmar perante o vestido da nossa primeira dama). Eu acrescentaria mais algumas, mas agora sinceramente não me apetece. A ver uma posta imparcial no Blasfémias.
21.5.04
Positivo
Substituição
Continuam insondáveis os motivos que levam Durão Barroso a surpreender na escolha dos seus ministros, parece que escolhe as pessoas e depois faz um jogo de cadeiras à volta da mesa do Conselho de Ministros, é que são tantas as trocas e os erros de casting.
18.5.04
Comentários
Scolari
Baía obviamente não foi convocado, para quem ainda não tinha percebido – por burrice ou obstinação – a sua ausência não se deve a questões técnicas, claramente os problemas são outros, talvez advindos da "maravilhosa" campanha no último mundial. Scolari foi coerente com as escolhas anteriores e assume a total responsabilidade pelos resultados, um bom exemplo para os portugueses tão habituados a culpas sem culpados.
Rumsfeld
14.5.04
Fé
Madredeus
Excerto de uma entrevista a Pedro Ayres de Magalhães no DN Música, a propósito do novo disco dos Madredeus. Pelas suas palavras percebemos porque são os Madredeus o projecto mais interessante e consistente da actual música portuguesa. Poucas vezes a alma portuguesa foi expressa com tanta genuinidade como através dos acordes destes senhores e da voz de Teresa Salgueiro. Ainda não ouvi o novo disco - algo que conto fazer em breve - mas agora, depois de escrever estas linhas, vou substituir o "Koln Concert" de Keith Jarrett pelo "Espírito da Paz". Apetece-me alguma alma para enfrentar o resto da tarde.
Petição
Confiram e assinem aqui.
Primavera
13.5.04
Primavera-Verão
11.5.04
Sintra
Europeias
10.5.04
Imagem
5.5.04
FCP
Notas de viagem - Índia
O motorista deambula em S's por entre os carros, sempre impávido perante tangentes micrométricas a tudo o que passa. Isto é a Índia, e no dia seguinte iremos perceber isto maximizado por um trânsito intenso e caótico. A segurança do volante só é compreendida após horas em trânsito, de facto a placidez dos motoristas é justificada. Tudo funciona numa anarquia organizada. Como se do caos surgisse uma incompreensível ordem por todos assumida."
3.5.04
Televisão
Sporting
Para o ano há mais, e espero que melhor.
29.4.04
O buraco de Santana
Quando os políticos começam a brincar com os Elementos teme-se o pior. Maus exemplos não faltam, quem se esqueceu de um metro que já devia estar pronto e continua a meter água. Construir uma cidade passa antes por compreendê-la e também para isso servem os Estudos de Impacte Ambiental. Perante tudo isto estou cada vez com mais medo de Monsanto. Será que o Hipódromo, a Feira Popular, e todas as outras diversões de Santana também vão ser feitas sem os devidos estudos?
27.4.04
Condecorações e a Liberdade
Após alguma reflexão percebi estarmos perante um delírio MonthyPhythoniano do senhor Presidente, afinal o seu sentido de humor inglês já é famoso. Só assim se explica esta extraordinária ideia, que foi aplaudida na plateia por outro grande defensor da Liberdade, Otelo. Assim vai esta democracia da Liberdade.
26.4.04
O meu 25 de Abril
"Vivam os 25 e abaixo o 26 de Abril."
Esta frase poderia sintetizar o que penso sobre a revolução e o PREC. Portugal vivia em 1974 numa ditadura cinzenta e decadente, a revolução terminou com este suplício. No dia seguinte tudo se começou a coordenar para que uma nova ditadura fosse imposta, agora sob a cobertura de uma falsa liberdade marxista. Por isso não posso exultar com o PREC e com alguns dos denominados ideais de Abril. A liberdade, palavra que tanto se usa ao falar da revolução, apenas foi assegurada a 25 de Novembro. No meio fica um caminho que quase nos conduziu à desgraça, para além de ter conseguido atrasar mais - o que pareceria impossível - o país. Descolonização (inevitável mas irresponsável), Nacionalizações, Saneamentos, Intimidação. Não consigo ver nada de bom em tudo isto.
Comemoremos a revolução, mas não com gente pouco recomendável a ser louvada em público. Nada devo como português a Otelos e camaradas Vascos. Nada devo a quem nos quis levar para o fundo do poço. Acredito que a Europa e os EUA não nos deixassem cair no comunismo, mas assim a luta não se teria resumido a esta revolução de bananas que foi Abril. Comemoremos a liberdade, a evolução do país e a revolução, mas apenas ela, sem o que veio depois.
23.4.04
22.4.04
Filmes
Paixão
Por entre acusações de anti-semitismo e de violência gratuita um ponto importante se pode tirar do filme. O perigo das multidões, em particular quando acicatadas organizadamente. Não foram Os Judeus a entregar Jesus, foram aqueles homens, aquela multidão que, sim, era constituída por judeus. Isto faz toda a diferença, não foi um Povo a entregar Jesus, foi aquele povo naquele local. As multidões são assim, e o preocupante é pensar que ainda poderão ser assim, não para Jesus já sacrificado, mas para qualquer um de nós. Os grandes fenómenos fundamentalistas têm a sua génese neste ponto e é aqui que nasce a intolerância. As multidões são facilmente manipuláveis e, infelizmente, há muita gente a saber isso. Se para mais nada servir, pelo menos para reflectir sobre isto sirva o filme, a crentes e não-crentes.
20.4.04
Futebol
19.4.04
Al Qaeda 3 – Espanha 0
2-0 O PSOE ganha as eleições numa reviravolta inesperada causada pela reacção dúbia do governo PP à autoria dos atentados.
3-0 Zapatero manda retirar o contingente espanhol no Iraque.
Independentemente da justiça na intervenção no Iraque, a mudança da posição espanhola só vem provar uma coisa, o terrorismo pode ganhar. Zapatero terá as motivações mais certas e justas, mas recuar neste momento apenas mostra fraqueza. O terrorismo pode combater-se com guerra mas, mais importante, combate-se mantendo a normalidade, ainda que aparente, nas nossas vidas. Foi assim que o PP conseguiu reduzir a ETA a uma sombra do que já foi.
O PSOE era contra a intervenção no Iraque e estava no seu direito. O PSOE acha que a guerra devia acabar e está no seu direito. O que é tremendamente irresponsável e cobarde é abandonar um processo que ainda está a decorrer e no qual a normalidade está longe de ser estabelecida. O que Espanha mostra aqui é o total desprezo pela população iraquiana, abandonando-a à sua sorte.
Eu nem sequer sou um adepto incondicional da intervenção no Iraque, tenho até poucas certezas sobre este assunto, agora uma vez começado o processo não se pode sair dele em andamento. A responsabilidade de um governo e de um país vê-se em atitudes como esta e, aqui ao lado, podemos esperar o pior.
15.4.04
Viagem
Panjim, Goa, 2004
Panjim, Goa 2004
Blogosfera
13.4.04
Regresso
O frio impressiona-me, as paragens distantes por onde alegremente passei a Páscoa queimaram-me os sentidos e penso estar numa qualquer Sibéria. A luz é ainda assim igual, a brilhante e pura luz de Lisboa que obsessivamente nos ilumina o espírito.
Navego um pouco pela blogosfera onde felizmente encontro os habitantes usuais. Ameaças de fecho de blogs em dia de mentiras e as habituais polémicas entre direitos e canhotos. O Iraque e Saramago causam no entanto algum enjoo, pode ser do jet-lag ou talvez não.
O trabalho chega, temível e aterrador, destronando a alegria insana que nos deixam as férias. Queixamo-nos, mas sem estes momentos penosos não teríamos o mesmo gozo em tempos de evasão. Pode ser uma grande mentira mas prefiro pensar assim, e pensar no destino da próxima viagem. Gosto de encarar a vida como uma sucessão de viagens entremeada por alguns momentos de trabalho. Gosto de escapar mas sempre de voltar. Portugal é um pequeno e mesquinho país mas - tal como com as mulheres - é impossível viver sem ele. Por isso é bom regressar mesmo pensando já em sair.
26.3.04
Até já
Bons dias e boas noites para todos e até depois da Páscoa.
22.3.04
Eva Cassidy
Descobri um culto, uma obsessão musical. Com estes discos apaixonei-me irremediavelmente por esta senhora loura e de ar cândido, infelizmente já desaparecida. As suas interpretações têm aquele toque indefinível que as faz únicas, que distingue um bom técnico de um grande artista. Basta ouvir a subtileza de "Over the Rainbow" ou "Anniversary Song" para não querer outra coisa.
A sua voz cantou do Jazz aos Blues, passando por "covers" de êxitos Pop adaptadas ao seu estilo sereno e melodioso. Músicas como "Autumn Leaves", "What a Wonderful World", "Tennessee Waltz", "Danny Boy" ou "Fever", dão-nos a conhecer uma voz única e inconfundível.
Recentemente, e motivo porque me lembrei de fazer esta posta, saiu mais um disco de inéditos: "American Tune". Talvez este seja o mais fraco de todos os seus discos, essencialmente pela má qualidade de algumas gravações, mas que ainda assim vale a pena pelas recriações de "True Colors" ou "Yesterday".
Ouçam, por certo não se vão arrepender. E não digam que vão daqui.
Chá
- Por favor, é um Earl Grey para mim e um Darjeeling para o Sr. Laden.- disse Mário, virando-se depois para o seu barbudo acompanhante - Pois é Bin, acho que esta conversa vai ser muito produtiva. Temos mesmo de conseguir negociar com os americanos, não pode continuar assim. Sabe, eu não gosto deles, mas também andar a matá-los parece um pouco excessivo.
- Mário, eu sei que você é um amigo da nossa causa, que tem defendido todas as nossas intervenções e que ainda odeia mais o Bush do que eu, mas nós trabalhamos assim.
- Mas concretamente o que é que vocês pretendem?
- Mário, Mário, isso nem eu sei. Queremos é matar todos os aliados do imperialismo americano, todos os opressores do povo árabe.
- Espere um pouco Bin, vem aí a minha amiga Ana.
- Olá Mário, finalmente conseguiu encontrar-se com o Sr. Laden.
- Ana, deixe-me apresentar-lhe o meu amigo Laden, estamos a negociar.
- Encantado minha senhora, tenho ouvido falar muito de si.
- Oh! Sr. Laden - disse Ana corando um pouco - o prazer é todo meu, não é todos os dias que encontramos alguém que passa à prática o nosso ódio pelos americanos imperialistas.
- Mas sente-se, tome um chá connosco. Penso que me vai ser muito útil, agora que vai para o parlamento europeu.
- É um chá de Tília para a Sra. Gomes. Por favor.
16.3.04
15.3.04
Cavaco I
Cavaco foi muito mais do que isso, aliás o muito mais é o que conta no seu caso. Durante dez anos de poder, exercidos de forma dura ao nível de algumas ditaduras democráticas, instalou-se uma clientela sem nível, surgia do vácuo, que passeou o seu poder por este país com uma sobranceria e arrogância a toda a prova. Nunca entendi as desculpabilizações de que o Sr. estava mal rodeado, que a culpa não era dele. Como se na altura Cavaco não tivesse todo o poder possível no partido para impor que quer que lhe desse na real gana. Parece que o Sr. era um ente superior, vagueando num limbo de virtudes, sem possibilidade de banir os incompetentes sedentos de poder que o rodeavam.
Cavaco marcou uma geração, especialmente na forma como projectou um país. Mais do que pequenas questiúnculas de propinas ou regalias de médicos. O que Cavaco criou foi uma mentalidade nova em Portugal, um quase Homem Novo à imagem do seu ideal. O que Cavaco criou, e isso eu não esqueço, foi uma cultura popular em que todos eram ricos e com poder de compra, que o endividamento era algo sem consequências e de que bens, até então quase de luxo - electrodomésticos de toda a espécie, carros novos e, particularmente, casa próprias novas - eram bens ao alcance de todos. Antes fossem.
O novo-riquismo que a conjuntura económica propiciou alastrou-se ás classes mais baixas e o país endividou-se. Tudo correria bem, não fosse uma questão óbvia, a economia tem ciclos e depois da bonança vem a tempestade. Hoje Portugal é um país endividado, com famílias a viver no limiar da pobreza à custa das prestações mensais. Todos temos legitimamente a vontade de viver bem, de ser ricos, mas temos de ter noção do que podemos comprar, do que o nosso dinheiro pode suportar. O que Cavaco criou foi um optimismo exacerbado na população que a fez crer rica, quando no fundo isso não passou de uma fase momentânea. O que Cavaco criou foi uma mentalidade generalizada que o dinheiro e o poder são algo fácil de conseguir, e que os bens acessórios são, afinal, algo atingível por todos. Ainda hoje nos ressentimos disto. Os governos PS foram maus, isso poucos questionarão, mas era impossível manter a economia como ela vinha detrás, pelo motivo simples de que em economia não dependemos só da nossa vontade e do nosso querer, dependemos de uma conjuntura internacional que não dominamos, e à qual nos temos de sujeitar.
Os governos cavaquistas foram como pais que não sabem educar os seus filhos, achando-se no entanto educadores natos. Cavaco inundou o povo português de presentes, mas quem veio depois não teve, obviamente, dinheiro para continuar a festa. Acredito que para muitos os anos laranjas foram de prosperidade e de boa vida, mas tenho a certeza que para uma imensa maioria os anos seguintes foram de grandes apertos.
Mais do que criticar medidas avulsas, o que detesto em Cavaco é esta irresponsabilidade que foi enganar o povo português durante anos, falando de miragens e de oásis. Hoje em Portugal até a sociedade pode ter em geral um nível de vida aceitável, mas não consegue, de forma alguma, ter dinheiro para sustentar o nível a que se julga de direito. Enganar um povo é grave e o grande responsável tem um nome, Aníbal Cavaco Silva.
O regresso de Cavaco ás bocas do país tem apenas uma vantagem, para quem escreve
ou pensa, é que voltamos a ter uma "bête noire" para desancar, sem dó nem piedade. "O Independente", que foi o jornal da minha geração, viveu muito em função desta criatura política, alimentando-se do seu regime para fazer o melhor jornal português que eu tenho memória. O meu único e solitário aplauso a um regresso de Cavaco é o de poder ter alguém de quem dizer mal, convictamente mal, por muito e muito tempo. Acho mesmo assim que o meu prazer individual não se deve sobrepor aos interesses do meu país, por isso, na dúvida, Professor fique em casa com a Sra. Maria, deixe-se estar a comer bolo-rei no Natal com a família e não perturbe, uma vez mais, o seu país. Obrigado.
Espanha
Tudo me fez confusão porque o atentado foi de enorme gravidade para o país e para a Europa e durante dois dias isso foi esquecido em nome de interesses eleitorais. Não compreendo os festejos do PSOE (como não compreenderia se fossem do PP) e acho da maior falta de gosto que se comemore em dias que deveriam ser de luto.
O PSOE ganhou porque o PP apoiou os Estados Unidos na guerra do Iraque. Será que com o PSOE a Espanha não teria apoiado a guerra? Lembremo-nos dos tempos de Felipe Gonzalez.