30.9.04
Sol de Outono
Assim sigo romanceando a doença, será uma atitude discutível, mas parece-me melhor do que a simples lamentação. Ás carpideiras prefiro o humor negro dos hipocondríacos.
29.9.04
Hoje
27.9.04
PS - O recaldo
Uma primeira vantagem é que a linguagem oficial voltará aos domínios do aceitável e os chavões "abrilistas" vão cessar e, a curto prazo, desaparecer. Os históricos jacobinos perderam terreno e o rumo agora é outro. O país ganhará em estabilidade e ponderação o que perderá em animação e genuinidade das ideias. Hoje o que interessa é ganhar eleições e - não fora a iprevisibilidade de Santana e o seu posicionamento um pouco mais à direita - estaríamos entregues a um modorrento Bloco Central, tais as semelhanças de um PS com Sócrates com o PSD.
Mais desagradável vai ser o consequente crescimento do Bloco e, imagine-se, do PCP. Sem um PS de esquerda alguns eleitores vão demonstrar o seu desgrado e alguns votos irão para a nossa extrema-esquerda. Quem serão os novos deputados? Depois de Drago, Rosas, Louçã ou Fazenda quem virá depois? Manterão eles o nível de massacre intelectual sobre as massas?
Uma palavra para Soares, que se tudo correr bem passará longo tempo sem falar, o mesmo acontecesse ao pai e todos viveríamos mais tranquilos.
23.9.04
Animais
PS - A escolha
Escolher Sócrates é escolher a gelatina política, o absoluto vazio de ideias disfarçado por citações abundantes (inesquecível a entrevista à Revista do Expresso). A onda de Sócrates é a abominável onda do politicamente correcto, em que a política não é um debate de ideias e da maneira de as por em prática, mas sim a pretensamente subtil arte de chegar ao poder a qualquer preço. A grande vantagem de Sócrates é que ao nível do país poderia funcionar como um placebo, tal como Guterres, fingindo governar e no entanto não fazendo nada. Claro que os placebos também são perigosos pois induzem a ideia de uma cura que não chega, isto enquanto a doença se vai agravando.
Escolher Alegre poderia ser uma forma de elogiar a qualidade – quase sempre boa – da sua poesia, mas aqui está em causa a política e não um prémio literário. Politicamente Alegre é mais perigoso, a sua obsessão pelos denominados “valores de Abril” deixam-me com arrepios a subir pela espinha. Tentamos há trinta anos normalizar a nossa democracia e limpá-la de traumas e recalcamentos, Alegre representa o oposto, representa essa geração de indiscutível valor na queda da ditadura, mas que não consegue passar disso. Com Alegre teríamos um debate político muito mais interessante, e a esse nível é indiscutivelmente o melhor, o problema seria passar isso à prática. O cenário de um governo de Alegre e dos seus “compagnons de route” em coligação com esquerda de Carvalhas e Louçã deixa qualquer pessoa prudente em estado de catalepsia. O país a recuar até 1976 com delírios de nacionalizações, as acusações de fascismo a todos os que não sejam de esquerda, as perseguições em nome de uma pretensa liberdade. Se Sócrates é um placebo, Alegre será uma droga estimulante mas de feitos potencialmente devastadores.
Escolher Soares é uma incógnita, a dúvida permanece ao olhar para um político indiscutivelmente corajoso mas agarrado a valores por vezes caducos. João Soares não é da geração de Alegre, mas herdou do pai todos os tais “valores de Abril”, os mesmos que lhe permitem insultar adversários políticos (lembram-se de Santana nas autárquicas) e qualificá-los pelo seu grau de intervenção na revolução. Em Lisboa não resultou e, apesar de até nem ter feito mau lugar, perdeu talvez “pour cause” da sua arrogância da obra feita e das marchas em fim de campanha com o “pessoal” revolucionário verberando um fascismo que já ninguém encontra a não ser eles. Soares é aquele remédio misterioso, até nem é absolutamente mau, mas o seu fenómeno de adição não está bem estudado e pode levar-nos ao inferno. A sua coligação em Lisboa abriu ideias de Ana Drago como Ministra da Saúde ou Ilda Figueiredo nos Negócios Estrangeiros, facto que deixa os sensatos num sobreaviso aterrorizado.
Afinal eu nada tenho a ver com isso, eles que escolham que depois cá estaremos para ver, e comentar.
Postal atrasado
Delos, Grécia, 2004
20.9.04
Vida
Miguel Esteves Cardoso in "DNA", 17 de Setembro de 2004
Notas de Viagem – Grécia I
A final olímpica de futebol foi então a escolha - relegando hipóteses mais interessantes como um dia de finais de atletismo ou ginástica - saindo na rifa um Argentina-Paraguai. O jogo foi banal, apenas quebrado pelos bons pormenores de alguns argentinos e pela boa vontade Paraguaia. Foi ainda assim agradável assistir a uma cerimónia de medalhas olímpicas, um daqueles eventos a que não imaginaria assistir e que me habituei a ver por televisão. Mais ainda valeu a pena por entrar num belíssimo estádio, com uma beleza que, infelizmente, esmaga a maioria dos que foram executados no nosso país. Pode-se gostar ou não de Calatrava, mas é inegável a harmonia que emprega ás suas formas, a subtileza com que une arquitectura e engenharia, a originalidade dos conjuntos. O Estádio Olímpico é assim, um subtil rasgo de dois anéis de bancadas, em que a de cima é quebrada nos topos – local para os fantástico ecráns gigantes -, com uma cobertura para cada lado que parece apenas se unir em dois pontos – um em cada topo do estádio. A descrição não faz de todo justiça ao monumento branco que Calatrava aqui plantou, como não o faz à “nova Agora”, passeio pedestre com uma cobertura de semi-ensombramento em estrutura metálica branca de uma enorme elegância e profundidade. O OAKA, complexo olímpico central, apenas pecava pela pouca atenção aos pavimentos e a falta de concretização de alguns pormenores, numa clara marca latina do país organizador.
Guardo para o fim a experiência com maior carga de misticismo, estar ao lado da chama olímpica, da chama que liga estes Jogos aos Jogos antigos, este símbolo de um olimpismo cada vez mais caído em desgraça, este vestígio de uma bela ideia que os tempos modernos se encarregam de destruir. Ou talvez não, talvez este espírito esteja vivo agora, nos pouco mediáticos – apesar da surpreendente cobertura das nossas televisões – Paralímpicos, onde participar com honra e dignidade é ainda um valor que se sobrepõe à fúria de vencer a todo o custo e à custa de tudo.
17.9.04
14.9.04
Spleen
O país já encontrou o Outono, temo mesmo que raras vezes descubra a existência do Verão. As pessoas continuam aborrecidas e até o Primeiro-Ministro se acinzentou. Talvez não seja mau assim, ao menos há esta tranquilidade chata da qual podemos dizer mal e sobre a qual podemos gritar – ou escrever – chorrilhos de disparates.
10.9.04
Actualizações
O Barco do Aborto e a Farmácia Gaspar
“Ao princípio da tarde deparo com grande agitação, mas com os olhos ainda meio fechados pelo sono – e pelos Valiums de prevenção – lá vou até à rua do Casino para um brunch retemperador. No exacto momento em que eu entro na Caçarola para comer um prego, vejo o Dr. Louçã bebendo regalado uma imperial ao balcão, enquanto seis câmaras de televisão esperam pela entrevista da praxe. Saio esbaforido e volto a deslocar-me à recomendável Farmácia Gaspar, agora para uma caixa de Primperan e duas de Kompensan. Posto isto, mais calmo, sigo para a Caravela em demanda de uma Água das Pedras que me acalme – ainda mais – o estômago, mas sou surpreendido por um discreto Miguel Portas tentando passar despercebido por entre os sorrisos das tias. Tudo bem, não fora a entrada de Luís Fazenda – acompanhado por Ana Drago e outros bloquistas – chamando Portas para a Manif, aí o stock de Água das Pedras é delapidado por tias e restantes e um telefonema urgente para a recomendável Farmácia Gaspar traz um carregamento em Take-away – por questão de rapidez – de Kompensans, Vomidrine e Primperan.
Ao deparar com tamanho despautério, volto à simpática Farmácia Gaspar para comprar tampões eficientes para os ouvidos, acto fundamental antes de tentar encontrar uma esplanada livre para uma rápida leitura ao jornal. Claro que corro sérios riscos de atropelamento pelos carros furiosos que apitam – sem que eu os possa ouvir – ao longo da rua das árvores ou da marginal. Procuro então o escondido restaurante da exuberante Rosa Amélia, no Clube de Ténis, mas ao chegar – e devido à proximidade da Doca – encontro a Arq. Helena Roseta a falar de tudo menos de arquitectura, conspirando com olhos de raiva com mais algumas senhoras que destilavam tudo menos simpatia. O pânico apodera-se de mim pois a praia estaria, em princípio, fora de questão com a nortada que elevava o extenso areal como se do deserto do Sahara se tratasse. Onde ir sem me cruzar com essa horda invasora que sitiou os meus sítios e me está a deixar com uma intoxicação de medicamentos.
Apesar do vento resolvo a praia, o extenso areal talvez me separe dos bárbaros. Na marginal passa Manuel Alegre depois de estacionar e, não fora os tampões – eficientes, em mais um prestimoso serviço da Farmácia Gaspar – e por certo o meu grau de surdez se elevaria para os Himalaias, a julgar pelo esbaforimento do senhor e pela vibração visível das suas potentes cordas vocais. A praia finalmente – após uma travessia dura até ao café azul –, mas eis que me começa a chegar o cheiro de erva queimada, algo estranho por aqui. Não!!! Até o café da praia está invadido por manifestantes do bloco com lenços palestinianos e um ar pouco devedor à higiene íntima. Os olhos brilham e gritam ofensivos slogans contra quase todos os valores da civilização ocidental. Não!!!
O desespero, para onde ir, a dúvida entre um mergulho suicida num mar de marés vivas ou uma corrida à beira mar até à Celeste Russa. Opto pela segunda hipótese e encontro um efusivo Ministro Portas regozijando-se por conseguir dar utilidade ás Fragatas. Viro-me de costas e, com a ajuda tampões – abençoada Farmácia Gaspar –, consigo comer sossegado umas ameijoazinhas e uma bela sapateira. Depois disto apenas a possibilidade de me refugiar no Casino, esse antro capitalista onde as forças revolucionárias talvez temam entrar, onde talvez deixem em paz quem apenas queira descansar, onde encontro muitos amigos em redor da televisão tentando saber o que se passa mesmo ali ao lado, onde adormeço regalado num sofá após a overdose de medicamentos salvadores da Farmácia Gaspar.”
P.S. A Farmácia Gaspar não patrocinou este artigo, nem a ela me ligam quaisquer laços que não os de cliente habitual. Só para não haver confusões nem provocações.
9.9.04
Regresso a casa
O Anarcoconservador regressa a uma assiduidade um pouco mais regular, ainda assim livre para transgressões pontuais. As férias deixam ideias e temas para postas, o que é bom, especialmente agora que o tema dominante é a “socratização” do PS que me deixa com poucas palavras.
6.9.04
Ferias
Debato-me com um teclado grego, agora que as ferias foram uma realidade e ameacam terminar. Os acentos sao acessorios dificeis de encontrar, entre sigmas e omegas estranhos que nos baralham o raciocinio.
Soa a estranho postar desde Hydra, onde o calor do sol e levado por um potente "Meltemi" que agita o mar. Portugal foi distante por uns dias, numa desconeccao da realidade que de facto define a palavra ferias. Tirando o vento, tudo e calmo nesta ilha e o tempo vai-se escoando tranquilamente.
Falta pouco e este blogue retomara o seu ritmo, sempre intermitente mas com persistecia, com acentos e ces de cedilha.
16.8.04
Crónicas da Figueira VII
11.8.04
Crónicas da Figueira VI
Revolta sempre, o simples facto de pensar numa vida curta em risco de terminar - abruptamente. Tornam-se vãs as palavras perante o espanto, perante a tristeza.
Crónicas da Figueira V
E ela continua, sempre a cumprimentar educadamente, sejam três da tarde ou quatro da manhã em fins-de-semana. Há mais vendedores das mesmas tentações junto a ela, mas aquela esquina é a minha, como em todos os hábitos duradouros que não se tornam vício. Nunca soube o seu nome, prefiro mesmo não saber, mas continuarei no entanto a passar e a comprar, a vê-la encher a medida e completar o saco com mais alguns a vulso. A reconhecer-me quando o mês começa, sem saber o meu nome, ano após ano.
10.8.04
Crónicas da Figueira IV
O mar zangou-se e fez lembrar velhos tempos. Na praia apenas destemidos - e conhecidos - lobos-do-mar e alguns adolescentes inconscientes ousaram um mergulho, na espuma e entre a areia, como convém. A Figueira é assim, entre velhos conhecidos e a modorra da rotina, por isso gosto dela.
6.8.04
Crónicas da Figueira III
Crónicas da Figueira II
Faz-me falta o cheiro das bolachas dos cones dos gelados do Tamariz, ali na esplanada junto à praia, onde passava de mão dada com o meu pai, quando ainda concebia e praticava a praia pela manhã. Relembro a máquina de marionetas na Luna, onde passei longos minutos a dançar ao ritmo do Pinóquio - olhando temeroso para a maldosa bruxa que agitava a vassoura -, e que perdurou enquanto o fazia com primos ou sobrinhos, quando a bruxa mais não era que um emaralhado de madeira e tecido e a sua expressão apenas risível. Até ao ano em que desapareceu, como desaparecem tantas coisas da vida, sem aviso nem notícia deixando o lugar vazio e apenas perdurando nas memórias de caturras que teimam em viver de braço dado com o passado.
A nostalgia toma conta destas crónicas ao ritmo que as memórias assaltam o pensamento, olhando o mar calmo e morno, pensando nos tempos de mares temíveis e ondas que transportavam consigo a cólera sempre bela do mar.
3.8.04
Crónicas da Figueira I
O blogue seguirá ao ritmo das nortadas ou dos dias maravilhosos como o de hoje - não é ironia, o país está debaixo de água e eu só agora saí da praia - conforme este microclima permita. A assiduidade será essa, imprevisível, lutando entre crónicas de Verão e a preguiça de fins de tarde luminosos e longos.
29.7.04
Estreias
28.7.04
Fogos III
Os campos sujos, rastilho de quase todos os fogos, e o errado planeamento florestal, cada vez mais assente no milagroso eucalipto, em muito contribuem para o desastre. Os proprietários são também responsáveis, assim como já se fazem obras coercivas por decisão das câmaras, o mesmo deviam fazer no que à limpeza dos campos e à realização de aceiros diz respeito. Os proprietários choram dizendo que não têm dinheiro para limpar o mato, mas são os primeiros a correr ao subsídio mesmo que com a falta de limpeza tenham ajudado a arruinar os vizinhos. Não conseguem por mesquinhez compreender que a limpeza custa X, mas se um fogo passar terão prejuízos de 100X, continuando numa mentalidade retrógrada que tanto tem ajudado a arruinar a exploração do espaço rural português.
Os bombeiros, os pobres bombeiros que sempre servem de bode expiatório, seja por demorarem a chegar, seja não saberem combater os fogos, seja por estarem descoordenados, seja por falta de meios. Os bombeiros são talvez a profissão que mais admiro, em especial os voluntários que estão ali a dar a vida – sim, quantos morrem a cada ano que passa – não pelo dinheiro, não por uma carreira, não por promoção social, apenas para nos ajudar, para ajudar um país que não os ajuda, que continua a preferir comprar F16 a comprar mais Cannadair, que prefere metralhadoras, apesar de obsoletas, a mangueiras, que prefere carros topo de gama todos os anos para os directores gerais e em que não há dinheiro para auto-tanques (não, não é uma divagação demagoga de esquerda, é a realidade). Todo o dinheiro seria pouco para pagar um corpo de bombeiros a sério em que, mais do que a (enorme) boa vontade dos bombeiros, os meios fossem pelo menos em metade da qualidade das pessoas. Claro que erram, mas quantas vezes por uma desorganização dos comandos que têm nas mãos ás dezenas de corporações. Continua a ser ridículo que os militares não patrulhem as florestas, não digo apagar os fogos pois isso requer conhecimento e excede as suas competências, mas fazer patrulhas por esse país ajudando a detectar prontamente fogos em vez de brincarem aos tiros nos quartéis fingindo que matam inimigos imaginários com G3 ferrugentas e boas para o caixote do lixo.
Portugal enquanto não tomar os incêndios como a sua guerra e se perder em jogos florais de submarinos e ordenamento selvagem será irremediavelmente um país do terceiro mundo. Fogos sempre houve e continuarão a haver, haja calor e criminosos acendedores, o que podemos e devemos por obrigação moral é fazer com que sejam detectados e apagados de pronto, minorando assim a devastação que por vezes se dá por atrasos de minutos.
27.7.04
Fogos II
No ano passado estava numa quinta cercada por três frentes, que os caprichos dos ventos afastaram, mas que vistas do alto de uma encosta faziam o inferno de Dante parecer uma canção para embalar crianças. Tudo isto enquanto impotentes apenas podíamos retirar as botijas de gás, regar a envolvente da casa e esperar, esperar numa angústia de quem pode de um momento para o outro perder o que uma vida construiu. E aqui todos os valores se misturam, o económico mas também o afectivo das pequenas coisas cercadas pela fome voraz de um fogo com origem sabe-se lá onde.
Foram muitas as histórias de amigos que, no malfadado incêndio na Chamusca que no verão passado em escassas horas cercou a vila, tudo perderam. Também me lembro de quem apenas salvou a casa destruindo um anexo com um tractor – impedindo assim o fogo de alastrar – ajudado por ter uma piscina, mas que viu a casa ficar como que suspensa no campo negro, todo ele consumido, desde as hortas aos arbustos junto à casa.
Chorar de nada vale quando no dia seguinte o que há é que reconstruir, procurar as ajudas que sempre surgem, mobilizar a família e os amigos e olhar de frente, quando um peso nos puxa a cabeça para baixo querendo desanimar e entregar tudo ao inferno que venceu, como quase sempre vence quando usa destes argumentos.
26.7.04
Fogos I
Conversa entre bloggers
- Vou, tem de ser, ainda por cima não tenho portátil para levar comigo.
Uns segundos depois desatámos a rir em simultâneo com o ridículo da pergunta.
Fresco
22.7.04
Pré-época
O Benfica comprou, e comprou, e ainda parece que vai comprar. Apenas saiu Tiago e a equipa caminha para a maravilha habitual, até já Luís Filipe Vieira joga à bola. O treinador escolhido foi Trappatoni, um Jackpot com um treinador simpático e vencedor mas que faz equipas chatas, mas chatas. Claro que é candidato a todas as competições em que joga.
O Sporting, até há dois dias era uma pobre equipa, que não comprava jogadores, que deixava fugir os que lhe interessavam para o Porto, que modestamente seria quanto muito candidata ao terceiro lugar. A SAD era já uma cambada de incompetentes que parecia que andavam a dormir. Em dois dias tudo parece ter mudado, a tal SAD adormecida apareceu com três reforços e parece que ainda não acabou. Hugo Viana apareceu a dizer o que Quaresma devia ter sentido: “para Portugal só o Sporting, o resto foi especulação”. Esperemos que continuem a achar esta, uma equipa de coitadinhos, eu por mim vou comprar outra vez o bilhete de época e depois veremos.
21.7.04
Medo
20.7.04
A/C
Mas ontem, ao fazer uma viagem com um calor insuportável, em que tinha de manter, pelo menos um mínimo, das janelas abertas na auto-estrada e em que o ruído do vento se cruzava com a telefonia em altos berros para que algo fosse audível, aí tive alguma vontade de me auto-martirizar por não ter um carro com ar condicionado. Mas pensei um pouco e imaginei-me com o nariz a pingar, a respirar um ar horroroso, a fumar e deixar o carro numa nuvem espessa. Enfim, se calhar o sofrimento seria igual, mas sinto-me melhor a sofrer sem essa inovação, no meu carro já respeitável de idade (para os padrões actuais, pois para os do meu tempo de criança é ainda uma novidade) do que a utilizar modernices que resolvem uns problemas mas que não nos deixam necessariamente melhores.
Governo
Claro que teria de falar do novo governo numas curtas notas:
Pontos positivos
ESPERANÇA - No primeiro-ministro pela sua dinâmica e coragem, que me levam a acreditar em algumas reformas importantes.
INDEPENDÊNCIA - O elevado número de pessoas com carreiras feitas na sociedade civil. (que obviamente a oposição usou para atacar a sua falta de prática política, se fosse ao contrário seria obviamente um governo carreirista)
QUALIDADE - A qualidade de boa parte dos nomes (surpreendendo que achava que seria um governo de yes-men).
FINANÇAS - Bagão Félix pela sua seriedade, competência e preocupação social.
CULTURA - Maria João Bustorff que, pelo seu trabalho numa importante fundação, pode dar mais esperança ao património português (e talvez menos a filmes feitos para o umbigo e que ninguém vê)
Pontos negativos
MEDO - O primeiro-ministro pela sua inconsequência e irresponsabilidade que me levam a ter algum medo da sua actuação.
PERIGO - A delirante nomeação de Nobre Guedes para o ambiente.
DEPRESSÃO - Com a divisão entre Ordenamento do Território e Planeamento será de esperar o pior para este país já desordenado.
ESCURO - José Luís Arnaud nas Cidades, depois da recolha de fundos nas construtoras para o partido, agora a distribuição de fundos para as Câmaras (onde tanto ganham as construtoras).
CONFUSÃO - A incompreensível mudança de nomes nas pastas, que vai levar meses até que tudo esteja organizado, uma irresponsabilidade de quem apenas tem 2 anos para governar.
CAPITAL - O Trabalho no Ministério da Economia, numa medida de ultra-liberalismo com que não posso concordar.
16.7.04
15.7.04
Curtas
A escolha de Bagão Félix para Ministro das Finanças foi veementemente criticada por Carvalho da Silva, óptimo sinal para ter esperança no seu trabalho.
Televisão
14.7.04
PS
P.S. Terá António José Seguro a distinta lata de se candidatar?
13.7.04
Governo
Sobre Santana começa por se falar de grandes nomes como Ernâni Lopes, o messiânico António Borges ou António Lobo Xavier. Esperemos que ninguém comece a chamar o futuro governo de "dream-time", é que os resultados dos últimos anos do Benfica estiveram longe de serem bons.
12.7.04
Decisão
9.7.04
Preocupado
Centrão
8.7.04
A importância de se chamar Europa
No Euro o país saiu à rua, inundando-se de bandeiras portuguesas entre as quais o único azul descortinável era o de algumas bandeiras monárquicas que surgiram de braço dado com o encarnado e verde. Bandeiras da Europa nem sinal, nem umas fugazes estrelinhas surgiram senão em alinhamentos oficiais de bandeiras.
Durão achou a Europa mais importante, os portugueses não. Talvez o Euro tenha sido padrasto para os europeístas, demonstrando que ainda existimos como país. Assim o foi para Durão, após o fumo inicial que cobriu a sua saída com uma suposta aura de orgulho nacional, agora todos começamos a estar certos do egoísmo da decisão, apenas tomada por vaidades e interesses pessoais.
Ainda há quem argumente com o que Portugal irá ganhar com o novo cargo de Durão, para eles uma pergunta, ganhou algo a Itália nos últimos anos por Romano Prodi ser o Presidente da Comissão Europeia? Que Europa será a nossa em que os cargos de decisão não são neutrais em relação aos países? Durão tem a obrigação de ser o que nós exigimos que sejam os outros comissários: isento. Não acreditar nisto – e eu não digo que acredite – é não acreditar no funcionamento da Europa – que eu de facto não acredito.
Como português, acuso Durão de falta de patriotismo e de não olhar o interesse nacional, apenas desculpável se, atacado por uma crise de humildade, achasse que o seu trabalho estava a ser mau e que o melhor era ser substituído – ou seja remodelado. Claro que não acredito nesta versão até pelos emproados discursos que se seguiram.
Posso até pensar que para o país será melhor que ele vá para Bruxelas, não pelo que poderá fazer lá, mas pelo que não irá fazer cá. Talvez ganhemos um melhor governo, mas, em abstracto, a fuga foi anti-patriótica demonstrando que já há quem ponha a Europa à frente de Portugal e isso é muito, mas muito, perigoso.
7.7.04
De besta a bestial
Hoje, que Santana como primeiro-ministro é uma possibilidade, o que dizem estas pessoas? Que o presidente não pode chamar um novo governo sem eleições porque se porá em causa a política económica do governo. Com Santana virá o fim da contenção, contra a qual gritaram durante meses a fio, e aumentará o investimento público.
Extraordinário como alguém passa de besta a bestial sem mudar uma linha na postura e pelos mesmos motivos.
P.S. Será que ainda se lembram do famoso choque fiscal que fazia parte do programa de Governo?
De bestial a besta
6.7.04
5.7.04
Pátria
Está na rua porquê? O que é que ganhámos?
Ganhámos uma pátria.
Passe o exagero, porque pátria já temos há muito tempo, o Euro devolveu aos portugueses esse conceito de patriotismo que parecia estar apenas no país aqui ao lado.
A absurda, e abundante, confusão entre patriotismo e nacionalismo pode ser agora destrinçada, podemos todos dizer de mão no peito que somos patriotas sem que logo venham os guardiões da liberdade de dedo apontado acusando-nos de fascismo.
Obrigado
A Scolari por ter feito uma equipa de um conjunto de jogadores.
Aos organizadores do Euro por transformarem um país desorganizado no responsável pelo melhor Euro de sempre com uma impecável festa de quase um mês.
Aos portugueses por me terem feito de novo acreditar que podemos continuar um país apesar da Europa.
Selecção
Quem jogou foram os jogadores de Portugal, sejam de que clube forem jogaram por Portugal, não jogaram por Mourinho, Pinto da Costa, Dias da Cunha ou Vieira. Por isso se uniu o país. Por isso apenas uma minoria de fanáticos pensa assim. Por isso foi bom este europeu.
Política
1.7.04
Democracia relativa
Os laranjas que se indignam com Santana não farão parte da lista em congresso aprovada na qual ele ficou número 2 de Durão?
Consequências
Uma preguiça desmesurada com um tentáculo gigante que me tenta puxar para a praia.
Uma segura noção de que os portugueses estão possuídos por um vírus de patriotismo inimaginável, e a muitos difícil de engolir.
Uma certeza que Figo é um dos melhores do mundo por muito que haja quem teime em não concordar.
Um agradecimento a Scolari que realmente só pode ter muita sorte ao ganhar tanta vez.
Um enorme gozo em poder entrar na festa louca em que este país se entrou.
Um total esquecimento, até há uns minutos, de que não temos primeiro-ministro e governo.
Alvalade XXI
30.6.04
Inveja
Não, não está à venda, apesar de a partir de 500 contos ser possível sentar-me a uma esplanada a ver o Tejo numa dura negociação que me privaria de um grande jogo mas permitiria uns bons dias de férias e um écran de plasma. Mas não, o dinheiro não compra tudo e apetece-me mesmo ir ver o jogo. A quem não tem bilhete, temos pena! (desculpem a crueldade, deve ser do calor)
29.6.04
Melhor que o silêncio
O disco "João Gilberto in Tokyo" é mais do mesmo, e ainda bem. João é genial porque a sua voz é única e as suas interpretações sempre diferentes, este "in Tokyo" repete várias músicas do "in Montreaux" mas a igualdade fica por aí. João é um génio na música e vive a vida como génio, daí os seus caprichos como a lendária entrada em palco em Portugal onde deu dois acordes e saiu do palco por o som não estar do seu agrado. Claro que tudo tem graça quando não nos toca, por isso a minha pequena raiva de ter tido - durante seis longos meses - bilhetes para um concerto seu no Coliseu, duas vezes adiado e por fim cancelado. As datas eram próximas deste concerto em Tóquio. Grr!!!
28.6.04
Duas costelas
A costela conservadora leva-me neste momento a achar que Durão devia ter ficado em nome da estabilidade, a duvidar da legitimidade de outro Primeiro-ministro tomar posse sem eleições, a assustar-me com Santana pela sua enorme inconsequência e a achar tudo isto uma maçada que só vem perturbar o meu quotidiano e o Euro 2004. Tremo ao pensar em túneis que esburaquem o país inteiro levando a irresponsabilidade até ao mais recôndito interior. Acho incrível que a Kapital venha a ser declarada local de interesse cultural (até porque os seus tempos já eram) e poder utilizar o navio escola Sagres para os seus cruzeiros a Ibiza. Ver o Gerês transformado em Parque Temático para atrair espanhóis ou a Serra da Estrela com um projecto de Montanhas Tropicais parece-me demais. Tenho medo, muito medo, que Santana escreva a Camões convidando-o para Ministro da Justiça ou a Eça de Queiroz para a pasta das Ciências.
A costela mais anárquica acha que Durão era um chato que faz bem em ir para terra do ditos (Bruxelas) e que eleições antecipadas seriam um bom prolongamento da festa do Euro. Acha também que a substituição por Santana tornaria Portugal num país infinitamente mais divertido e decorativo (venham a nós as "Santanettes"). Tenho já um gozo delicioso ao ver os intelectuais a revolverem-se qual epilépticos com a mera hipótese de Santana ser primeiro-ministro, comparando-o a Bush ou Hittler como um louco perigoso que tornaria Portugal numa República de Bananas desgovernada. Sonho já com um Portugal sempre em festa, nem que seja a organizar concursos de "Miss Sul da Europa", "Galas de Cantoras Louras" e "Festivais de Teatro Feminino do Novo Leste Europeu". Regozijo-me com a incorrecção política que Santana traria a este país onde quase todos os políticos são medíocres, chatos, desinteressantes e incompetentes. (a Santana ninguém poderá chamar chato ou desinteressante)
Este blogue está rasgado ao pelo meio de duas costelas e apetecia-lhe, já agora, comer uma costoletinhas de borrego panadas que são bem mais unânimes e pacíficas.
25.6.04
Remodelling Durão
The Game
Bravo Scolari, por ter os tom.... de substituir daquela maneira, de trocar o trinco e o lateral direito por avançados, de tirar o exausto Figo, de mandar tudo para a frente. Quantos treinadores portugueses ousariam isto?
Bravo Postiga, pelo golo e pelo inadjectivável penalty, a bola a saltitar para o meio da baliza é digna do próprio Marques de Sade.
Bravo Rui Costa pelo golo, o fabuloso remate quase me fez bater com a cabeça no tecto com o salto que me obrigou a dar.
Bravo Ricardo, pela defesa sem luvas e pelo golo de raiva e convicção que mandou os ingleses para casa. Alguém ainda se lembra de Baía?
Bravo a todos pelo fantástico jogo que fizeram. Bravo e obrigado.
Heart Attack
Claro que tanto sofrimento teria de ter uma consequente explosão de alegria que levou todos para a rua entupindo as cidades com buzinas, bandeiras e gritos. Mas não foi só em Portugal, comovente mesmo foi ver hoje imagens de alegria em Timor ou Moçambique, lembrando-nos que ainda há quem goste de nós, e vibre por nós, e festeje connosco.
Lisboa ontem parecia dominada por uma loucura colectiva, à qual obviamente aderi. Confesso que sou muito português e que, como tal, gosto muito de festa, de comemorar, de sair, de me divertir. Vale a pena ver uma cidade em festa e ainda mais por bons motivos. Se é necessário o futebol para alegrar um povo e para que haja algum patriotismo, então aproveite-se o futebol. Ao menos que haja algo que nos desperte da modorra que são estes dias de Europa cinzenta e de mentalidades politicamente correctas.
Day-after
23.6.04
Há uns meses
Há uns meses atrás não se imaginaria que Portugal poderia passar a ser governado por um José Luís Arnaud saído em ombros após o sucesso do Euro ou pelo sempre truculento Morais Sarmento, e Santana Lopes, que anda em pré-campanha Presidencial, nunca pensaria ser primeiro-ministro de Portugal. Qualquer uma destas possibilidades seria aparentemente viável pelo actual posicionamento destes senhores no Governo e no partido, tudo depende da decisão de Durão e dos parceiros europeus.
Há uns meses todos sorriam perante a hipótese de ter Ferro Rodrigues como credível líder da oposição com possibilidades de ganhar eleições, hoje, apesar da anunciada concorrência, tudo se encaminha para a realidade.
Há uns meses estaríamos esquecidos de Freitas do Amaral, hoje é lançado pelo candidato à liderança do PS, João Soares, como candidato presidencial. A mera sugestão de um embate entre Freitas e Cavaco, aliado ás especulações acima expressas, aumenta em mim a hipótese de emigrar, e Espanha aqui tão perto.
Não sei se é do Euro ou se o nosso país foi invadido por alguém com um sentido de humor demasiado Monthy-Pythoniano, é que na televisão é uma coisa, já na realidade...
21.6.04
Aljubarrota XXI
O que sei é que aquilo que há muito se esperava que já tivesse acontecido surgiu ontem em Aljubarrota (perdão Alvalade); o que sei é que foram várias cervejas e muitos cigarros numa adrenalina permanente ao longo dos 90 minutos; o que sei é que foi uma irracional explosão de alegria individual e colectiva; o que sei é que o povo português perdeu a cabeça e saiu para a rua cantando o hino que muitos queriam que ninguém soubesse; o que sei é que o Marquês estava cheio e a Avenida da Liberdade se descia agradavelmente com os carros parados a buzinar; o que sei é que vi japoneses atónitos perante esta festa; o que sei é que no Rossio se tomava banho como se de uma piscina se tratasse; o que sei é que dizem que não somos patriotas (ui! serei já acusado de Nacionalismo) mas bastava ir ontem à rua para ver o contrário; o que sei é que se fosse uma selecção da Europa ninguém sairia sequer à janela; o que sei é que o Figo ainda é grande; o que sei é que me deu um enorme prazer ganhar e passear alegremente por Lisboa; o que sei é que na quinta-feira vou estar ansioso a desejar que joguemos como ontem e depois, depois logo se verá.
17.6.04
Lá ganhámos
Curioso mesmo foi a saída desmesurada do povo para as ruas, fazendo com que um "alien" que ontem aterrasse em Lisboa nos julgasse campeões da Europa. A verdade é que o país não tem tido muito para comemorar, mas entupir o Rossio após uma singela e normal vitória parece-me um pouco excessivo. Mas é disto que o meu povo gosta e, depois do Santo António e antes do São João, há que arranjar pretextos para mais umas bebedeiras (como se para actividade tão nobre fossem precisos motivos).
No Domingo relembremos Aljubarrota e marchemos com boa táctica, a do quadrado talvez já tenha passado de moda, e com a vontade de derrotar os espanhóis que nos devia correr no sangue há muitos e muitos anos. Pelo vermelho da nossa bandeira.
(E depois desta tirada nacionalista me vou, antes que a brigada da esquerda politicamente correcta me apanhe e me apedreje com acusações de fascista).
14.6.04
1,2,3
Porque não votei
Claro que a minha abstenção se poderia dever ao facto das eleições serem europeias. Durante a campanha pouco se falou de Europa, agora, como sempre, os políticos ignoram olimpicamente qualquer explicação ao povo sobre o que se passa na Europa, e sobre o que lá se decide quanto ao nosso futuro. Há anos que estamos na Europa e duvido que um qualquer inquérito consiga mais de 3 ou 4% de respostas correctas sobre qual o nosso papel na Europa, quais as competências do Parlamento Europeu, o que foram os Tratados de Maastricht e de Nice e o que poderá vir a ser a constituição europeia. A posição dos partidos do "centrão" é igual e talvez resida aí a pouca democraticidade que sempre rodeou a nossa integração na Europa. Para quê explicar ao povo, é que se souberem o que é poderão ser contra, assim é mais fácil enganá-los. Por muitas correcções de posição que os partidos tenham feito eu permaneço um pouco Euro-céptico. Não sou, hoje, contra estarmos na Europa, mas continuo com muitas dúvidas que nenhum partido se esforçou por esclarecer. Com tudo isto ninguém fez por merecer o meu voto, mas claro que isto não interessa nada, a culpa foi do sol de Sagres onde me apetecia estar agora.
10.6.04
Fim-de-Semana
Lusíadas
destemperada e a voz enrouquecida,
e não do canto, mas de ver que venho
cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
não no dá a Pátria, não que está metida
no gosto da cobiça e na rudeza
duma austera, apagada e vil tristeza.
E não sei por que influxo de destino
não tem um ledo orgulho e geral gosto,
que os ânimos levanta de contino
a ter para vós, o Rei, que por posto,
olhai que sois (e vede as outras gentes)
Senhor só de vassalos excelentes…
Fazei, Senhor, que nunca, os admirados
alemães, galos, ítalos e ingleses,
possam dizer que são para mandados,
mais que para mandar, os Portugueses.
Mas eu que falo, humilde, baixo e rudo,
de vós não conhecido nem sonhado?
Da boca dos pequenos sei, contudo,
que o louvor sai às vezes acabado.
Luís Vaz de Camões, “Os Lusíadas”, Canto X
9.6.04
Norah Jones
A primeira tentação seria dizer que me senti fechado num elevador durante quase duas horas. Ou na sala de espera de um qualquer consultório, ou no lobby de um hotel. Não seria totalmente injusto, mas um pouco cruel. O concerto foi de facto um longo bocejo, a música de Jones fica sempre num indefinível limbo entre um pseudo-jazz, o easy-listening e uns pozinhos de country. A banda, que até não era má, estava espartilhada e dava a constante sensação de que queria, e ia, explodir. Ficava no entanto numa interpretação tão exageradamente cool e tão suave que perdia qualquer interesse.
A menina Jones destacou-se pela sua simpatia e simplicidade, dizendo constantes graças bem dispostas para a audiência, no que foi o seu ponto mais alto. Este e quando abandonou o seu piano delicodoce e, em pé, cantou algumas música mais country onde o timbre da sua voz se encontra mais livre e com mais força interpretativa.
Passaram duas horas e saí como entrei, com a interrogação de como é que uma música tão sonífera consegue atrair tanta gente e vender tantos discos.
3.6.04
Dentistas
2.6.04
Outro blogue que abandona. Os blogues pioneiros começam a abandonar a blogosfera, é pena para quem ainda anda por aqui.
1.6.04
Dicionário do Diabo
Marginal
Campanha
2
Luz ténue, quebrada.
Fogo fátuo e efémero.
Indefinível claridade que passa o tempo.
Eternidade volátil.
Motor da vida.
Elemento.
27.5.04
Parabéns
Serve a ocasião para saudar a sucessão de comemorações por entre os blogues pioneiros que já fazem um ano. Destaco aqueles que mais companhia me fazem e que, por esse motivo, já figuram na coluna do lado. Parabéns atrasados para a Bomba, o Almocreve, o Jaquinzinhos, o Mar Salgado, o Quinto dos Impérios, o Crítico e para todos aqueles de que me continuo a esquecer.
Camisa-de-forças
Marxismos (dos bons)
Groucho Marx
25.5.04
Benfica
Quanto à extraordinária entrada do presidente do Benfica num programa em directo distribuindo ameaças e insultos a toda a gente, apenas um comentário: "É disto que o meu povo gosta".
Globos de Ouro
Fim-de-semana
Por terras de Espanha o casamento chamou todas as atenções, lembro Natália Correia que dizia ser monárquica por razões estéticas (a confirmar perante o vestido da nossa primeira dama). Eu acrescentaria mais algumas, mas agora sinceramente não me apetece. A ver uma posta imparcial no Blasfémias.
21.5.04
Positivo
Substituição
Continuam insondáveis os motivos que levam Durão Barroso a surpreender na escolha dos seus ministros, parece que escolhe as pessoas e depois faz um jogo de cadeiras à volta da mesa do Conselho de Ministros, é que são tantas as trocas e os erros de casting.
18.5.04
Comentários
Scolari
Baía obviamente não foi convocado, para quem ainda não tinha percebido – por burrice ou obstinação – a sua ausência não se deve a questões técnicas, claramente os problemas são outros, talvez advindos da "maravilhosa" campanha no último mundial. Scolari foi coerente com as escolhas anteriores e assume a total responsabilidade pelos resultados, um bom exemplo para os portugueses tão habituados a culpas sem culpados.
Rumsfeld
14.5.04
Fé
Madredeus
Excerto de uma entrevista a Pedro Ayres de Magalhães no DN Música, a propósito do novo disco dos Madredeus. Pelas suas palavras percebemos porque são os Madredeus o projecto mais interessante e consistente da actual música portuguesa. Poucas vezes a alma portuguesa foi expressa com tanta genuinidade como através dos acordes destes senhores e da voz de Teresa Salgueiro. Ainda não ouvi o novo disco - algo que conto fazer em breve - mas agora, depois de escrever estas linhas, vou substituir o "Koln Concert" de Keith Jarrett pelo "Espírito da Paz". Apetece-me alguma alma para enfrentar o resto da tarde.
Petição
Confiram e assinem aqui.