7.1.05
A Dream of Death
Near no accustomed hand;
And they had nailed the boards above her face
The peasants of that land,
And, wondering, planted by her solitude
A cypress and a yew:
I came, and wrote upon a cross of wood,
Man had no more to do:
She was more beautiful than thy first love,
The lady by the trees:
And gazed upon the mournful stars above,
And heard the mournful breeze.
William Butler Yeats
Os meus livros
Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.
Jorge Luís Borges
4.1.05
Novo Parlamento
Há imagens de sonho que me acorrem ao olhar as listas a deputados para as próximas eleições. Pensar ter na Assembleia da República o mau fadista Nuno da Câmara Pereira, esse asno andante que persiste em dizes inanidades sobre todos os assuntos e a quem Santana deu a mão, é uma visão do inferno. Já agora gostava de poder sugerir a Santana os nomes de Artur Garcia e de Maria José Valério, é que já que estamos em maré de incompetências e disparates, ao menos tornemos o parlamento num local divertido. Assim até se podem fazer teatrinhos tipo Quinta das Alarvidades com a Odete Santos e o cortejo revisteiro do PSD. Aproveitando a onda até Sócrates pode repescar alguns elementos como Roberto Leal, Mónica Sintra ou Ana Gomes. O Bloco para não se ficar atrás, e na onda da protecção das minorias, podia arranjar um travesti para fazer playbacks do género “I Will Survive”. O PP pode continuar a colaboração com a Dina, que já vejo a cantar para Mota Amaral: “Peguei trinquei, meti-te na cesta…”.
Já que vai ser mau, ao menos era original conseguir um parlamento Kitsch à séria.
Timoneiro de quem?
Cavaco recusou aparecer num cartaz eleitoral do PSD em que apareciam todos os primeiros-ministros do partido. Tem todo o direito a isso. O que talvez seja estranho é que foi com este partido, do qual tantas vezes parece manifestamente não gostar, que chegou e se manteve no poder. Os laranjas insistem em admirar cegamente quem mais fez por destruir o seu partido com cenas como o tabu – que ajudou a massacrar Nogueira e entregou o poder de mão beijada a Guterres –, o demolidor artigo no Expresso – que foi mais um motivo para Sampaio dissolver o parlamento –, e esta recusa. Será que o partido ainda venera alguém que o despreza e apenas olha para o próprio umbigo? Merecerá Cavaco o apoio do PSD a uma candidatura presidencial? Eu não sou laranja – excepto no que à Ucrânia concerne –, mas tenho dúvidas. A arrogância moral de Cavaco lembra a postura de uma certa esquerda que se julga dona e senhora da moral, que se sente uma ilha de virtudes no meio de um pântano de defeitos. A verdade é que o nosso país é cada vez mais um bar pouco frequentável e com bebidas maradas, mas não me parece que a arrogância distante seja a melhor forma de o melhorar.
3.1.05
Reviver o Passado em Salamanca

Sem Arrependimento
Jamón Ibérico, Payo del Lomo, Pinchos morunos, Tapas, Batatas bravas, Palomas con ensalada, Tortillas con calabacín, Pimientos Rellenos, Lechazo, Solomillos de Morucha, Chuletones de Ternera, Pesquera, Emilio Moro, Cacique-Cola, Vodka-Tónico e outros tantos.
Culpados de um crime assumido, o de gostar mesmo de comer e beber. Afinal para que serve a vida senão para os pequenos prazeres e que melhor forma de atravessar a fronteira entre dois anos do que a comer e beber bem.
Ásia
A desgraça causada pelo terramoto na Indonésia passou ao lado das postas deste blogue, não por indiferença, mas porque perante o sucedido todas as palavras são escassas, inconsequentes e inúteis.
29.12.04
Novo Ano
Não me apetece fazer balanços ou listas dos melhores do ano. Quanto aos blogues, são certamente os que estão aqui ao lado, os que mais gosto, os que mais leio. Quanto ao resto, tenho boas memórias do ano, só que o trabalho que dava pensar e alinhar os melhores é suplantado por este frio fim de tarde e por um Kousmichoff bem quente. Quanto ao próximo ano, o ideal era que fosse melhor que todos os que já passaram, mas num assomo religioso, que seja como Deus quiser. Um Bom Ano para todos.
Dias Provincianos
Gosto destes dias, em que deixo que o tempo seja um apêndice de uma existência completa e visceral com o que nos pertence, afectivamente. O frio cortante mas familiar, que nos obriga à recolha em redor de braseiras ou olhando a lenha a desaparecer nas lareiras. As cartas interrompidas por conversas dispersas, onde se salta subtilmente do último divórcio para o défice, da mais recente criança para os indescritíveis horrores do último terramoto. Os passeios na rua entre cumprimentos de quem não nos lembramos e a passagem pelas poucas lojas da nossa infância que sobreviveram à voracidade da globalização. Aqui sentimos uma aura de protecção, uma alienação quase infantil do mundo.
Amanhã a terra será outra, e no país aqui ao lado espero saltar para um novo ano com boas tapas e uns Riberas, com mais optimismo do que é possível neste comboio descarrilado que se tornou Portugal. O pior será a volta, mas pode ser que a ressaca me impeça de ver o óbvio e que acorde segunda-feira num novo ano sem descer à realidade que nos rodeia.
26.12.04
Outro Natal
Feliz Natal
O Anarcoconservador espera que o Natal dos seus leitores tenha sido excelente e deseja uma continução de Boas Festas para todos.
22.12.04
Natal I
21.12.04
Fair-Play
20.12.04
Uma ideia
Domingo
Re-linque
Com covinhas na cara e um rubor embaraçado, reparo que a Grande Senhora me contradisse e não só não me ostracizou como me re-lincou. Resta-me agradecer, comovido, este meu primeiro re-linque. A posta sobre o deslinque já me valeu uma acusação de choradeira pouco digna por um blogger amigo, fico então num misto de alegria e vergonha, sem saber se me arrependa ou não da mesma. Enfim, como diria o nosso Fugitivo I (novo cognome a usar para primeiros-ministros que fogem): é a vida…
17.12.04
Deslinque
O acto de deslincar é firme, ás vezes ainda mais firme do que o lincar, ás vezes mais fundamentado. Dá trabalho deslincar, só se dá a esse trabalho quem acha que vale a pena. O deslinque é um cartão amarelo, que só não é vermelho porque se pode voltar atrás e re-lincar, algo muito raro. Não conheço re-linques, acho que normalmente quando se deslinca se vota ao desprezo mais profundo o blogue em causa, numa consequência óbvia da desilusão.
A primeira reacção a um deslique é a indignação, a segunda, mais pensada, é a humilhação. Particularmente quando o deslincador é alguém que admiramos, e respeitamos, o deslinque é esmagador, e aí percebemos que a culpa tem mesmo de ser nossa. Para ser deslincado por certo defraudámos um leitor, mais, um leitor do qual somos leitores, mais, um leitor na opinião do qual confiamos. Algo está mal, mas é connosco. Estaremos a escrever pior, a ser chatos e desinteressantes, a ter pouca regularidade? Se calhar tudo isto, se calhar o blogue está mesmo a transformar-se numa merda, se calhar o melhor é fechar para balanço. Aí percebemos que não é bem assim - ou melhor até é, mas negamos a realidade – e então mandamos os deslinques para as urtigas e decidimos continuar. Afinal o blogue só serve para me divertir e esticar os dedos no teclado e não vai ser um simples deslinque – apesar de vir de uma Senhora – a estragar tudo isto.
Como acho que no meio de tudo isto a culpa não é da deslincadora – e tenho de me vingar em qualquer coisa –, vou também deslincar, alguém tem de pagar. Opto então pela versão irónica do Barnabé, que entretanto parece ter acabado. Ele é que paga, e a Grande Senhora continuará aqui ao lado – com a urbanidade aqui apregoada –, pelo menos até ao dia em que acorde como…Ana Gomes.
16.12.04
Já agora
