Deve ser lembrado que houve no mundo, há tão pouco tempo, gente capaz dos mais soezes massacres. Deve ser lembrado que o homem, animal aparentemente racional e civilizado, pode tornar-se num monstro sem que nada o faça prever. Deve ser lembrada a história, sempre um dos melhores meios para aprender e apreender a sociedade. Deve ser lembrado que naqueles campos foram chacinados homens, como qualquer um de nós, que apenas carregavam consigo estigmas rácicos e religiosos. Deve ser lembrado. Hoje. Sempre.
27.1.05
Auschwitz
Deve ser lembrado que houve no mundo, há tão pouco tempo, gente capaz dos mais soezes massacres. Deve ser lembrado que o homem, animal aparentemente racional e civilizado, pode tornar-se num monstro sem que nada o faça prever. Deve ser lembrada a história, sempre um dos melhores meios para aprender e apreender a sociedade. Deve ser lembrado que naqueles campos foram chacinados homens, como qualquer um de nós, que apenas carregavam consigo estigmas rácicos e religiosos. Deve ser lembrado. Hoje. Sempre.
Ontem a Taça
P.S. A lamentar apenas a idiotia de João Pereira que merecia um castigo de alguns jogos – ao contrário da óbvia despenalização do Hugo Viana.
26.1.05
Eleições II
Como céptico militante, já lá vão muitos anos em que insisti em não votar nos grandes partidos. Não por uma necessidade de afirmar a diferença, não por uma atitude obstinada em ser do contra, não para ser original. O voto é um direito que temos e o meu não é fácil de “sacar”, até porque simpatizo grandemente com o branco, numa perspectiva pouco virginal mas antes protestativa. Quando ninguém faz por merecer o meu voto recuso a utilidade, esse conceito desprezível de votar apenas em quem pode ganhar. A simples ideia de olhar para a vitória como um fim absoluto revolve-me as entranhas. Talvez seja o meu fair-play olímpico que ainda ache que participar com convicção é melhor muitas vezes que ganhar. Na política, a convicção devia valer qualquer coisa, pelo menos ainda vivo na vã esperança que assim seja.
Eleições I
Entre um Palhaço Triste – sempre com ar de vítima, mas pronto a fazer as maiores alarvidades – e uma réplica do Homem Invisível – que tudo faz para que ninguém dê por ele – teremos de escolher o nosso próximo primeiro-ministro. Eu obviamente já decidi, não escolho.
24.1.05
Debates
Curioso
20.1.05
A Praça
Aqui tudo se pode passar e tudo se passa. O amanhecer com a chegada dos jornais aos quiosques e a preparação dos cafés e esplanadas para o pequeno-almoço. Os primeiros transeuntes que passam apressados em direcção ao trabalho ou ao pão. Um pouco mais tarde os estudante que fazem o caminho típico, cruzando a Praça na diagonal. A esta hora o bulício já é intenso, espectáculo para a plateia de esplanadas que, seja em que época for, sempre tem turistas ou locais como espectadores. A manhã passa e as pessoas também, uma certa acalmia vai tranquilizando as arcadas, quebrada inapelavelmente aquando da saída para almoço antecedida por uma tapa. O Cervantes atrai como íman gente para o seu primeiro andar com vista sobre a Praça, do Real sai, sempre que alguém abre a porta, um cheiro apetitoso que nos desafia a um “pincho-moruno”, a Praça torna-se frenética e no centro grupos de jovens sentam-se nos bancos ou no chão, desafiando o tempo em conversas intermináveis sempre observados pelas pedras brilhantes e camaleónicas que os rodeiam. A pouco e pouco todos vão almoçar e - durante a larga hora de pausa que inclui sesta - a Praça é quase abandonada aos turistas, que se espantam com o facto de a cidade inteira fechar para sesta, lojas incluídas. São eles que tomam conta do terreno, com as suas máquinas, as suas exclamações extasiadas, a sua rendição incondicional a uma beleza tão harmoniosa como esmagadora, tão serena como excitante. De repente, quase como se algum despertador tocasse, almas apressadas entram por todos os arcos e cruzam determinadas a Praça. A tarde de trabalho vai começar, ou as aulas como se vê por jovens de mochilas ou capas na mão. A partir daqui é um gradual crescendo em que senhoras de casaco de peles passam em direcção ás lojas ou ao café de meio da tarde e os estudantes vão a pouco e pouco reaparecendo. Tudo se encaminha para que por volta das oito horas a Praça seja um enorme concerto de almas andantes, quase todas em busca de um vinho e da tapa de fim de tarde, outros optando por um chá ou uma infusão mesmo ali ao lado no “La Regenta”. Os bares enchem-se e o barulho torna-se ensurdecedor. Cá fora, por entre os bancos, passa gente sem fim no carrossel do anoitecer da cidade. Após as tapas começa o regresso a casa generalizado, contrastado pelos que insistem em que o tempo não passe, alongando bebidas e conversas. Depois do jantar o ponto mais importante da Praça é o relógio, essa sentinela que durante o dia apenas guia o tempo, passa a ser o ponto de encontro de todos. Em Salamanca não se combina um sítio, combina-se uma hora, porque já se sabe que é por baixo do relógio. Tanto assim é que por vezes é difícil encontrar quem buscamos no meio de tanta gente. Daqui sai toda a gente para a noite, essa parte enorme da vida desta cidade. Aqui se cruzam pares de namorados, bêbados eufóricos cantando, aqui se sentam os desamparados. Aqui se dão românticos beijos e quentes abraços. Por aqui se regressa a casa, divertido, acompanhado, triste e deprimido, sóbrio ou cambaleante. Cedo ou tarde, cruzando já os olhares com quem limpa o chão ou traz os jornais com as notícias de um novo dia.
A Praça é mais que tudo uma vida, uma vida que são várias vidas, vários momentos. Alegrias, tristezas e euforias. Para além disso é bela, belíssima, e a sua pedra acompanha os movimentos das gentes mudando de cor conforme está sol ou uma neblina gelada de Inverno. Aqui a arte é o espaço, uma obra-prima que cruza a escultura com o urbanismo real e vivido, aqui a arte é vivida, é vida.
Inauguração de Salamanca 2002-Capital Europeia da Cultura
Els Comediants
Plaza Mayor, Salamanca, 2002
19.1.05
Campanha
17.1.05
Paula Rego
A melhor forma de seriamente ver uma exposição é com mais uma ou duas pessoas, preferencialmente com os mesmos interesses. Não foi o caso, mas também é divertido dessacralizar os museus e ir acompanhado por um grupo improvável. Vale a pena ouvir “bocas” de quem não entende, não se esforça por entender e faz ainda gala disso. Talvez espicace um pouco as nossas análises, nos obrigue a ir mais além na abordagem ao que vimos, apesar de que com isso se calhar perdemos alguns quadros ou nos envolvemos em estéreis discussões. Divirto-me então em exagerar os meus comentários e estabelecer teorias e análises que extravasam qualquer realidade. A exposição torna-se um divertido duelo de elaboradas expressões assumidamente pretensiosas e alarvidades inenarráveis ditas em voz alta, gerando uma enorme discussão entre amigos. Quem melhor que Paula Rego com a sua arte forte e incomodativa, incapaz de consensos, para se passar uma óptima tarde sempre a oscilar entre a séria visita a uma exposição e uma desconcertante desconversa com um grupo que se conhece bem. Lembro expressões como “não abordas a temática de uma forma construtiva”, em resposta a um “mas o que é isto, nuns quadros a cegonha tem o bico dentro da cabeça e noutros trespassa e saem miolos”, ou a um “é doentio, a velha (avó) está a dar beijos na boca à neta” entre outras pérolas que acabaram num definitivo “tens a sensibilidade de um rinoceronte”. Pode não ter sido brilhante para uma visão mais séria, mas foi infinitamente mais divertido.
Já agora a exposição era muito boa quanto aos conteúdos mas estava arrumada de forma um pouco…desarrumada e com um critério – se é que o houve – pouco compreensível. Valeu pela qualidade dos quadros e da obra de uma artista que não deixa indiferença por onde passa.
14.1.05
Before
Aqui ouve-se Julie Delpy, talvez procurando manter o espírito sonhador de “Before Sunrise”- “Antes do Amanhecer”, revisto após “Before Sunset”-“Até ao anoitecer”. Dois filmes simples, mas simplesmente deliciosos. Porque se procura tanta vez o bizarro e o elaborado quando um excelente argumento, dois bons actores e um realizador inspirado são suficientes para nos deixar a sonhar acordados.
P.S: Estes filmes deviam ser de visão obrigatória nas nossas escolas de cinema, talvez ajudassem a que o nosso cinema não fosse simples, mas de uma forma geral simplesmente detestável por pretensioso.
Odisseias
Antes da deslocação consegui – após quase hora e meia de tentativas, e vários números errados – falar com o serviço informativo que me disse ter simplesmente de preencher o Modelo 2, pagando em seguida o valor. Entrei assim directo no R/C, onde se situa a tesouraria, que estranhamente estava vazia. Expliquei a minha situação à senhora e ela, ao ver que não era a minha repartição e estava fora de prazo, logo me disse simpaticamente: “Tem de ir ao primeiro andar”. Pronto, lá teria de ser. Subi as escadas e comecei a entrar na neura típica – uma fila que se previa para meia hora. Esperei, estoicamente e sem fumar, e chegando a minha vez expus, outra vez, a minha situação. Resposta pronta: “Se o senhor não é esta repartição não está aqui a fazer nada”. Explosão sustida, respirar fundo: “Tem a certeza?”. Ao ver que não me ia embora com facilidade: “Vou ali perguntar a uma colega”. E foi, e também deve ter perguntado como estava a família e se tinha dormido bem. Ao chegar: “Tem de ir ao andar de cima ás execuções fiscais, aí consegue resolver o assunto”. Respirar fundo, e aí vou para mais um lance de escadas e… uma outra fila de mais de meia hora. Aqui penso: fumo ou não fumo. Opto pela segunda, afinal ainda era de manhã. Quando chego ao balcão um funcionário novo e simpático – sem ironias – ouve a minha explicação – sempre podia ter gravado uma cassete –, vai ao telefone falar com a minha repartição, e chega com a sentença final: “Só tem de ir à tesouraria pagar, depois a sua repartição vai ter acesso ao pagamento e envia-lhe a coima.” Agradeci, apesar de que enquanto descia as escadas não ter a certeza de o dever ter feito. Afinal sempre paguei, rapidamente, só com uma pessoa à minha frente. Algo que poderia ter feito quase duas horas atrás, sem ter que conhecer todos os departamentos da repartição, sem perder quase uma manhã inteira no Portugal real. Bom seria que a esquerda percebesse que isto é terceiro mundo, muito mais do que as viagens do Ministro Sarmento a São Tomé. Podemos fazer o que quisermos, mas enquanto o serviço público não funcionar neste país, tudo o resto não vai melhorar o suficiente. Afinal era só mudar um funcionário para fazer triagem à entrada, agora o que diriam os sindicatos de mudar um Técnico de Atendimento Personalizado e Específico para o cargo de Técnico Atendimento e Triagem. Um ultraje, um cercear dos direitos dos trabalhadores, um abuso da entidade patronal, um desrespeito pelas atribuições técnicas do lugar.
13.1.05
Realidade
O mundo que nos rodeia está miserável, cheio de dor e tristeza. Olho à volta e tudo me parece uma etapa para o Purgatório, ou para um Juízo Final inclemente. Nos dias em que desço ao realismo mais perturbante, subitamente acordo, e volto para o cínico – apesar de lúcido – autismo do meu casulo. Não o faço por egoísmo, apenas por uma clara noção de impotência perante a realidade. A existência é cada vez mais experiência alienante, marcada por um distanciamento perturbador.
12.1.05
Vá lá
Família
David Trueba, "Abierto toda la noche"
10.1.05
O Saco de Plástico
Sábado
7.1.05
A Dream of Death
Near no accustomed hand;
And they had nailed the boards above her face
The peasants of that land,
And, wondering, planted by her solitude
A cypress and a yew:
I came, and wrote upon a cross of wood,
Man had no more to do:
She was more beautiful than thy first love,
The lady by the trees:
And gazed upon the mournful stars above,
And heard the mournful breeze.
William Butler Yeats
Os meus livros
Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.
Jorge Luís Borges
4.1.05
Novo Parlamento
Há imagens de sonho que me acorrem ao olhar as listas a deputados para as próximas eleições. Pensar ter na Assembleia da República o mau fadista Nuno da Câmara Pereira, esse asno andante que persiste em dizes inanidades sobre todos os assuntos e a quem Santana deu a mão, é uma visão do inferno. Já agora gostava de poder sugerir a Santana os nomes de Artur Garcia e de Maria José Valério, é que já que estamos em maré de incompetências e disparates, ao menos tornemos o parlamento num local divertido. Assim até se podem fazer teatrinhos tipo Quinta das Alarvidades com a Odete Santos e o cortejo revisteiro do PSD. Aproveitando a onda até Sócrates pode repescar alguns elementos como Roberto Leal, Mónica Sintra ou Ana Gomes. O Bloco para não se ficar atrás, e na onda da protecção das minorias, podia arranjar um travesti para fazer playbacks do género “I Will Survive”. O PP pode continuar a colaboração com a Dina, que já vejo a cantar para Mota Amaral: “Peguei trinquei, meti-te na cesta…”.
Já que vai ser mau, ao menos era original conseguir um parlamento Kitsch à séria.
Timoneiro de quem?
Cavaco recusou aparecer num cartaz eleitoral do PSD em que apareciam todos os primeiros-ministros do partido. Tem todo o direito a isso. O que talvez seja estranho é que foi com este partido, do qual tantas vezes parece manifestamente não gostar, que chegou e se manteve no poder. Os laranjas insistem em admirar cegamente quem mais fez por destruir o seu partido com cenas como o tabu – que ajudou a massacrar Nogueira e entregou o poder de mão beijada a Guterres –, o demolidor artigo no Expresso – que foi mais um motivo para Sampaio dissolver o parlamento –, e esta recusa. Será que o partido ainda venera alguém que o despreza e apenas olha para o próprio umbigo? Merecerá Cavaco o apoio do PSD a uma candidatura presidencial? Eu não sou laranja – excepto no que à Ucrânia concerne –, mas tenho dúvidas. A arrogância moral de Cavaco lembra a postura de uma certa esquerda que se julga dona e senhora da moral, que se sente uma ilha de virtudes no meio de um pântano de defeitos. A verdade é que o nosso país é cada vez mais um bar pouco frequentável e com bebidas maradas, mas não me parece que a arrogância distante seja a melhor forma de o melhorar.
3.1.05
Reviver o Passado em Salamanca

Sem Arrependimento
Jamón Ibérico, Payo del Lomo, Pinchos morunos, Tapas, Batatas bravas, Palomas con ensalada, Tortillas con calabacín, Pimientos Rellenos, Lechazo, Solomillos de Morucha, Chuletones de Ternera, Pesquera, Emilio Moro, Cacique-Cola, Vodka-Tónico e outros tantos.
Culpados de um crime assumido, o de gostar mesmo de comer e beber. Afinal para que serve a vida senão para os pequenos prazeres e que melhor forma de atravessar a fronteira entre dois anos do que a comer e beber bem.
Ásia
A desgraça causada pelo terramoto na Indonésia passou ao lado das postas deste blogue, não por indiferença, mas porque perante o sucedido todas as palavras são escassas, inconsequentes e inúteis.
29.12.04
Novo Ano
Não me apetece fazer balanços ou listas dos melhores do ano. Quanto aos blogues, são certamente os que estão aqui ao lado, os que mais gosto, os que mais leio. Quanto ao resto, tenho boas memórias do ano, só que o trabalho que dava pensar e alinhar os melhores é suplantado por este frio fim de tarde e por um Kousmichoff bem quente. Quanto ao próximo ano, o ideal era que fosse melhor que todos os que já passaram, mas num assomo religioso, que seja como Deus quiser. Um Bom Ano para todos.
Dias Provincianos
Gosto destes dias, em que deixo que o tempo seja um apêndice de uma existência completa e visceral com o que nos pertence, afectivamente. O frio cortante mas familiar, que nos obriga à recolha em redor de braseiras ou olhando a lenha a desaparecer nas lareiras. As cartas interrompidas por conversas dispersas, onde se salta subtilmente do último divórcio para o défice, da mais recente criança para os indescritíveis horrores do último terramoto. Os passeios na rua entre cumprimentos de quem não nos lembramos e a passagem pelas poucas lojas da nossa infância que sobreviveram à voracidade da globalização. Aqui sentimos uma aura de protecção, uma alienação quase infantil do mundo.
Amanhã a terra será outra, e no país aqui ao lado espero saltar para um novo ano com boas tapas e uns Riberas, com mais optimismo do que é possível neste comboio descarrilado que se tornou Portugal. O pior será a volta, mas pode ser que a ressaca me impeça de ver o óbvio e que acorde segunda-feira num novo ano sem descer à realidade que nos rodeia.
26.12.04
Outro Natal
Feliz Natal
O Anarcoconservador espera que o Natal dos seus leitores tenha sido excelente e deseja uma continução de Boas Festas para todos.
22.12.04
Natal I
21.12.04
Fair-Play
20.12.04
Uma ideia
Domingo
Re-linque
Com covinhas na cara e um rubor embaraçado, reparo que a Grande Senhora me contradisse e não só não me ostracizou como me re-lincou. Resta-me agradecer, comovido, este meu primeiro re-linque. A posta sobre o deslinque já me valeu uma acusação de choradeira pouco digna por um blogger amigo, fico então num misto de alegria e vergonha, sem saber se me arrependa ou não da mesma. Enfim, como diria o nosso Fugitivo I (novo cognome a usar para primeiros-ministros que fogem): é a vida…
17.12.04
Deslinque
O acto de deslincar é firme, ás vezes ainda mais firme do que o lincar, ás vezes mais fundamentado. Dá trabalho deslincar, só se dá a esse trabalho quem acha que vale a pena. O deslinque é um cartão amarelo, que só não é vermelho porque se pode voltar atrás e re-lincar, algo muito raro. Não conheço re-linques, acho que normalmente quando se deslinca se vota ao desprezo mais profundo o blogue em causa, numa consequência óbvia da desilusão.
A primeira reacção a um deslique é a indignação, a segunda, mais pensada, é a humilhação. Particularmente quando o deslincador é alguém que admiramos, e respeitamos, o deslinque é esmagador, e aí percebemos que a culpa tem mesmo de ser nossa. Para ser deslincado por certo defraudámos um leitor, mais, um leitor do qual somos leitores, mais, um leitor na opinião do qual confiamos. Algo está mal, mas é connosco. Estaremos a escrever pior, a ser chatos e desinteressantes, a ter pouca regularidade? Se calhar tudo isto, se calhar o blogue está mesmo a transformar-se numa merda, se calhar o melhor é fechar para balanço. Aí percebemos que não é bem assim - ou melhor até é, mas negamos a realidade – e então mandamos os deslinques para as urtigas e decidimos continuar. Afinal o blogue só serve para me divertir e esticar os dedos no teclado e não vai ser um simples deslinque – apesar de vir de uma Senhora – a estragar tudo isto.
Como acho que no meio de tudo isto a culpa não é da deslincadora – e tenho de me vingar em qualquer coisa –, vou também deslincar, alguém tem de pagar. Opto então pela versão irónica do Barnabé, que entretanto parece ter acabado. Ele é que paga, e a Grande Senhora continuará aqui ao lado – com a urbanidade aqui apregoada –, pelo menos até ao dia em que acorde como…Ana Gomes.
16.12.04
Já agora

Arte
15.12.04
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14.12.04
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Não é fácil mudar o mundo com palavras, mas mudar alguém é, nas suas idiossincrasias, muito mais importante. A força das palavras é difícil de definir, mas existe sempre, queiramos ou não.
Definitivamente Insanidade
13.12.04
Tremores de sono
9.12.04
Insanidades VI
Por causa dos rebuçados
O Sr. Pombo era uma mercearia mínima, daquelas em que o arroz se equilibra instavelmente sobre a farinha e o detergente da roupa, em que cada milímetro é ocupado pelos mais diversos produtos, em que é difícil movermo-nos sem atirar as alfaces para cima dos rabanetes. Esta não era a nossa mercearia de mão – saudoso Sr. António –, mas aqui comprava-se, inquestionavelmente, o fiambre. A marca era importante, mas mais do que isso o que o tornava especial era o corte, as lâminas finíssimas de bom fiambre, com a gordura transparente, tudo embrulhado em papel vegetal. Para mim este factor era importante – tinha de pensar nas tostas mistas –, mas aquilo que me fazia rejubilar quando a senhora minha mãe me incumbia da tarefa do fiambre, era uma fantástica vitrina rotativa cheia de rebuçados. Lá em casa os rebuçados não eram unânimes, minha mãe pedia sempre um embrulhinho em papel pardo cheio dos mais caramelizados Santo Onofre, enquanto eu enchia os bolsos com os anizados Dr. Bayard. Ambos eram, e felizmente ainda são, excelentes, longe dos concentrados de corantes e conservantes que inundam as grandes superfícies de hoje. Graças ao Dr. Bayard, a sempre odiada tarefa de fazer recados aos pais era aqui um gosto, talvez por isso tantas memórias me tenham chegado ao ver a taça destes rebuçados naquele café de bairro, talvez por isso mais uma vez tenha enchido gulosamente os bolsos de rebuçados.
2.12.04
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Insanidades V
Os imbecis que nos governavam queriam proibir de fumar em espaços públicos, nos quais incluíam restaurantes, bares ou discotecas. Será que temos esperança de que com a queda do governo esta inanidade não vá em frente?
Que país magnífico é o nosso, com tanta coisa em que se preocuparem, os políticos resolveram decretar guerra aos fumadores. O ministro da Saúde (agora ex-), que continua sem resolver as filas de espera nos hospitais, que continua ás apalpadelas sobre os sistemas de gestão hospitalar a usar, resolveu aparecer, e que boa maneira de o fazer.
Esclarecendo já, sou fumador. Compreendo todo o incómodo que o fumo causa a quem não fuma. Acho que os não fumadores têm todo o direito a espaços livres de fumo.
O que está em causa é o direito de opção. Todos os locais onde a população em geral se tenha de deslocar devem ser livres de fumo na sua generalidade, mas também devem, sempre que possível, ter zonas de fumadores desde que as mesmas estejam devidamente delimitadas e assinaladas. Restaurantes, bares ou discotecas não são sítios de presença obrigatória dos cidadãos, ninguém é obrigado a levar com fumo, basta escolher um restaurante com zona de não fumadores – não há muitos, mas lembro os McDonalds e os Tibetanos. O que o Estado deveria fazer, se realmente quer fazer algo pelos não fumadores, é estabelecer a classificação obrigatória dos restaurantes, bares ou discotecas em fumadores, não fumadores e fumadores, ou estritamente não fumadores. Assim toda a gente poderia escolher o que mais lhe conviesse sem incomodar os outros. Isto sim era uma medida de um regime de liberdade. O que este governo queria era aderir à tendência fascizante do um certo mundo de hoje, colhendo com os ensinamentos dessa estranha sociedade norte-americana que já tem cidades onde nem na rua se pode fumar.
Hittler quis criar o ser perfeito, a raça pura ariana, saudável e bela. Teremos nós que aceitar que nos imponham uma visão semelhante na sociedade de hoje? Os gordos são olhados de lado, os feios ignorados, agora são os fumadores. Será possível sonhar com uma sociedade tolerante em que o Estado não insista em se meter na vida das pessoas?
Insanidades IV
26.11.04
Insanidades III
O presidente da Câmara de Lisboa, apesar da figura cinzenta que ostenta, trazia consigo uma certa imagem de competência. Não obstante ser amigo de Santana, as suas passagens por Câmara e Governo deixaram um rasto do mínimo de sensatez. Mero engano!
Foi anunciada a transferência da Feira Popular para o Jardim do Tabaco. Pobre Jardim do Tabaco, já o ameaçaram com um Casino, já deitaram armazéns abaixo, e agora querem lá pôr o antro do barulho e do néon.
Eu sei muito bem onde é que mandava o Presidente meter a Feira Popular, era até no mesmo sítio onde o mandava meter o túnel do Marquês, claro que se completaria isto com um açoitamento na praça pública e imediato exílio compulsivo.
Primeiro foi Monsanto, essa réstia verde sobre a qual pairam ameaças constantes e para onde os gulosos olhares de Santana e desta criatura não param de se virar. Até lá porem qualquer coisa não vão descansar, se não for a feira vai ser o Jockey, se não for o Jockey hão-de arranjar uma Torre do Siza, se não for a Torre…se calhar ainda propõem uma gigantesca estátua do Timoneiro Santana, erguida pela cidade em agradecimento à iluminada criatura.
Voltando ao Jardim – que para o tabaco haverá outra posta – é melhor o presidente não me aparecer à frente. Outrora um pacifista, dia a dia a minha furiosa esquizofrenia leva-me a instintos agressivos – conquanto ainda não homicidas. Pois bem, a Feira Popular mesmo junto ao rio, os belíssimos néons reflectidos na água, as magníficas músicas dos carrosséis, uma noite feérica em versão de qualidade – segundo a criatura, queira isso dizer o que queira. Será que ele não conhece Alfama, será que o animal nunca foi ao Miradouro de Santa Luzia, ou a Santo Estêvão, será que animal não percebe que Alfama é, na sua genuinidade, a Lisboa mais pura que temos e que as suas vistas sobre o rio são dos melhores cartões de visita que a cidade pode apresentar. Será que o animal não vê que quase todos os turistas passam e adoram Alfama, será que o animal ainda não percebeu o que vai ser a vista de S. Vicente de Fora com “Rodas Gigantes e o Poço da Morte”, será que o animal não percebe a vista nocturna de luzes roxas e verdes reflectidas por entre o fumo das castanhas, será que o animal não percebe que uma estrutura como a feira popular tem que estar numa zona fora do centro histórico e de preferência moderna, será que o animal acha possível aproveitar o Champ-du-Mars (junto à Torre Eiffel em Paris) para roullotes de minis e diversões ruidosas. Que país é este em que inconscientes e idiotas conseguem ser presidentes da Câmara da capital.
Aproveito até para lhe dar mais uma ideia de aproveitamento, vejo o Terreiro do Paço tão desocupado que até se podia aproveitar para lá instalar a pista de carrinhos de choque, com uma ligação ao Jardim do Tabaco em passadeira rolante sobrelevada junto ao rio! E nem me apetece falar do túnel do Marqués, o que até é bom para não partir directamente para o insulto.
Sanidade
Insanidades II
As mulas da maioria parlamentar, assustadas com a mera hipótese de o “Não” ter votos – apesar de apenas os partidos da extrema-esquerda terem esta posição – criaram um delírio frásico que nem os próprios entenderão. Continuo ingenuamente a acreditar que Democracia é o poder do povo, claro que as mulas não. Fazer uma pergunta tão europeia – aqui louvemos a coerência burocrática – implica que apenas estritas elites a possam responder em consciência, o que faz do referendo uma total inutilidade. Para decidir em “petit comité” decidam os deputados como o têm feito até agora em relação à “maravilhosa Europa”.
Imaginem só os habitantes de Carqueijas-de-cima – que já dificilmente percebem o que é a Europa – a votar na “regra das votações por maioria qualificada” – “Oh! Menina, maioria eu sê o que é, agora qualificada só me alembra do mê clube na Taça. O que é que isso têm a ver com Europa”
A alucinação tomou conta do parlamento e, ou eles enlouqueceram, ou perderam toda a vergonha de manipular a opinião pública, ou andam a distribuir erva da boa pelos corredores de São Bento.
Aqui vai-se votar não, independentemente da pergunta esta gente tem de ter um sinal. Como diriam os nossos revolucionários “Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz Não”.
Insanidades I
As duas últimas semanas trouxeram consigo uma alucinante sucessão de disparates que me fazem duvidar sobre uma revolução “Monthy Phythoniana” no nosso país. Antes assim fosse pois seria inconsequente e muito mais divertida.
A tontaria é tanta que nem a consigo resumir numa posta, segue-se então uma série sobre o que me leva a olhar para uma clínica de repouso na Suiça como uma solução para mim, ou para “os outros”.
18.11.04
Sítios
“Hoje presenciei o enterro de alguém que nasceu, viveu e morreu numa casa velha.
A velhice das casas embora seja muito incómoda tem o seu significado e daí a sua felicidade.
A estética, a vivência e os cheiros de uma casa velha não se explicam, sentem-se, saboreiam-se e vivem-se.
Eu também tenho a sorte de ter uma casa velha, onde a passaram os meus bisavós, avós, tios e mãe, e onde ainda posso encontrar vestígios da sua presença e da sua maneira de ser.
Mas esse alguém cujo enterro presenciei teve outra grande felicidade, a sua morte foi celebrada numa igreja velha e com as vozes dos seus irmãos e sobrinhos.
Não imaginam o amor e a ternura que pode transparecer dumas paredes velhas com caliça a cair.
Não há de facto sítio com melhor acústica.
Na verdade até as tomadas já nem deixam entrar as fichas dos aquecedores modernos que ajudei a arrumar para que não sentíssemos o frio e a humidade daquele sítio velho.
Quando morrer espero que ainda hajam igrejas velhas para poderem celebrar a minha morte, e vozes da minha família para cantarem a subida da minha alma ao céu (ou ao inferno!).”
Lenços de pano
Acredito que esta posta e a anterior sirvam para um imediato carimbar da minha pessoa como um perigoso reaccionário provinciano de cinquenta e tal anos. Tudo errado, mas enfim!
Continuo persistentemente a usar lenços de pano, acho mais bonito, mais agradável ao assoar, mais personalizado nos seus monogramas. Hoje já percorri várias cores, desde os usuais brancos até aos mais esporádicos azuis, recorri ainda a um verde militar de tamanho XL usado quando o desespero surge. O problema é quando as constipações ou ataques de rinite alérgica chegam em força. No caso de agora, em que começo a desesperar pois o monte que está na gaveta começa a descer impiedosamente, mais, tenho de começar a usar os de algodão mais áspero, aqueles que se evitam até ao fim devido aos perigosos efeitos secundários que envolvem narizes ardidos e uma espécie de cieiro nasal que dura como uma pilha Duracell. Usar lenços de papel, pois sim, de vez em quando e com nariz quase em sangue lá cedo, mas só mesmo de vez em quando. Qual Velho do Restelo não abdico das minhas idiossincrasias, e – desculpem, mas tenho de ir buscar mais um pois a torneira nasal reabriu - assim insisto neste hábito que já vai sendo visto de soslaio, como um resquício de viveres arcaicos e desadequados.
Feiras
Cedo me habituei a dividir o ano em etapas, em marcos que pautavam o avanço do tempo, isto no tempo em que ainda queríamos que o tempo corresse. O verão na Figueira e o S. Martinho na Golegã eram em definitivo o ameaço de um Natal próximo, do final de mais um ano. Não sendo criatura de grandes hábitos, pontualidades ou rigores, respeito ainda hoje estes marcos, que como outros me ajudam a passar o ano, a dividi-lo não em meses mas em acontecimentos, não na científica medida dos dias mas em horas passadas em locais previsíveis e de maneiras repetitivas.
Voltando ao fim de semana e voltando, uma vez mais, à Golegã, a minha romaria foi a habitual. Em redor a costumeira multidão, mas onde dantes passeavam cavalos e trajes curtos, agora surgem adolescentes cambaleando ao ritmo do álcool. Sempre foi local de copos, de grandes e históricas bebedeiras, de confusões e pancadarias, mas entre poucos, sempre os mesmos. Os cavalos, afinal sempre o motivo da feira, são cada vez menos, cada vez mais mal montados, rareando como o oxigénio. A feira de vaidades que começou há uns anos, com a praga incontrolável dos acolchoados, encerados e afins, foi hoje substituída por um generalizado estilo desportivo e uma réstia de clássicos capotes e samarras. Agora invasão é outra, depois dos novos-ricos de Lisboa que achavam necessária a sua presença – mesmo sem saberem o que é um cavalo – que deambulavam com os seus trajes de campo, como imagens tiradas de caçadas retratadas nas “Holas” do momento, novos, sempre novos pois apenas eram usados nesta ocasião. Demasiado campestres e populares para outras ocasiões. Os “magníficos” anos do cavaquismo trouxeram esta fase da Golegã, a fase em que a “manga” mais parecia uma passerelle em que senhoras de penas de perdiz em chapéus de feltro e casacos austríacos passeavam enquanto olhavam visivelmente enojadas com a presença de cavalos que, incomodativos, teimavam e circular pelas ruas e, imagine-se a indignidade, atreviam-se a sujá-las. O desprezo de alguns pelo evento começou aqui, e compreende-se.
Hoje são os bárbaros “teenagers”, fartos das noites citadinas, que sobem ao campo com o digno, e edificante, propósito de beber até à morte, ou, sem exagero, até cair. Onde antes pontuavam forcados provocadores e quantas vezes violentos, estão hoje “pseudo-surfistas”, “dreads” ou “skaters” num aparente erro de “casting”.
Pouco democrática é o que parecerá a alguns toda esta verborreia. Não será essa a ideia, mas para quem se habitua a certos rituais e os olha como assumido conservador, o destruir do nosso imaginário é sempre algo que nos revolta. Acho muito bem que todos possam fazer o que lhes apetece, agora reservo-me o direito de não gostar que essa liberdade choque com a minha, assumo que restritiva, liberdade. Claro que apesar de tudo isto teimo em cumprir o ritual, em reencontrar amigos muitas vezes esquecidos, em passar divertidas noites com longas conversas regadas a água-pé (quando se descobre alguma boa) por entre a neblina das castanhas assadas, em ver belos cavalos passeando na manga, em ver – quando consigo – a derriba na festa de campo, em passar horas de genuína diversão, em ver magníficas meninas de samarra e com ar desempoeirado isto, é claro, apesar das invasões dos bárbaros.
17.11.04
Cabala
15.11.04
S. Martinho
Sporting II
11.11.04
Tarde
9.11.04
Sporting
Consta que o Sporting jogou ontem nas Antas (perdão, no Dragão). Não dei por isso. Houve de facto uma equipa de verde e branco que se passeou com calma e aparente serenidade pelo relvado, sem garra. Houve uma equipa que olhou impotente para um claro domínio dos azuis. Não me parece no entanto que fosse o Sporting.
Sempre achei que a negação era uma forma fácil de não ficarmos irritados.
5.11.04
Bush
O mundo pode indignar-se, mas a democracia mostrou que apesar de tudo não é assim tão manipulável e que o Quarto Poder ás vezes é fraco. No outro dia, José Manuel Fernandes perguntava em entrevista a António Barreto se ele se sentia – como comentador – mais poderoso do que um Ministro, a resposta de Barreto foi negativa. Os americanos nestas eleições responderam também negativamente a essa mesma questão. Podemos gostar ou não, concordar ou não, mas as eleições americanas foram uma vitória dos eleitores simples contra a Opinião politicamente correcta.
A Europa tem medo de Bush, e para a Europa o problema era entre Bush ou Kerry. As eleições americanas têm de facto uma influência indesmentível no mundo actual. Para mim no entanto a questão não era entre os dois candidatos, ou o perigo de Bush, a questão era como é que deixámos que o mundo seja tão dependente dos americanos que encaramos umas eleições nacionais como um problema mundial. A questão é pensar porque é que os E.U.A. são hoje de facto a “Grande Potência Mundial” e pensar se é isso que de facto queremos. Porque se calhar o ideal era que as eleições americanas mais não fossem que um distante fait-divers político nacional.
Esta semana
28.10.04
Parabéns
Sons
.
27.10.04
Comissão
Caminhamos para que alguém católico, heterossexual, que acredite no casamento e no cumprimento da fidelidade do mesmo, que eduque os seus filhos com valores próximos dos seus e baseados nos fundamentos cristãos, seja considerado um alvo a abater, um conservador sem direito a viver e muito menos a ter vida pública numa sociedade moderna.
O que a esquerda não compreende nem aceita é que alguém, conservador na sua vida privada, possa ser tolerante com valores que não sejam os seus. Para quem não conhece a Igreja e os seus fundamentos, para quem não entende o espírito cristão, pode ser difícil acreditar que para os cristãos a tolerância é um valor fundamental. A maior intolerância nem sempre vem dos sectores conservadores, quantas vezes é mais intolerante quem fala em nome das liberdades e das supostas minorias.
Neste mundo em que vivemos vou tendo cada vez mais dificuldade em perceber os critérios de "normalidade". Preparo-me já para que como católico, heterossexual e conservador, venha a ser vítima de actos difamatórios, até de ameaças físicas. Tenho pena, porque acho que liberdade é poder continuar a ser aquilo que sou.
Jantar
25.10.04
Fim-de-semana
Sobra ainda o excelente concerto de Caetano Veloso ontem no Pavilhão Atlântico. Mais frio do que é costume, quer pelo espaço quer pelo mal amado disco em que se baseava, o concerto esteve ao nível habitual de Caetano, ou seja, a genialidade posta em música. A sua voz refina qual Vintage do Porto e atinge timbres realmente emocionantes. Valeu a pena, como sempre vale, a deslocação, Caetano já conseguiu que me recuse a perder algum concerto seu em Portugal.
Sobra também a revelação da saída de Vasco Pulido Valente do DN. Tenho pena pois tinha nas suas crónicas uma perene referência. Parece que continuará no Público, algo não me alegra particularmente dada a minha pequena embirração com este jornal, assim sendo lá o terei de comprar ou consultar a partir de agora com mais regularidade.
21.10.04
Estudantes
Qualquer jornal de esquerda poderia, e se calhar até o fez, descrever os acontecimentos de ontem desta maneira. A Brigada do Politicamente Correcto cada vez mais está contra toda e qualquer forma de autoridade, mesmo que a mesma sirva para manter a mínima ordem em vias de ser quebrada por estudantes em fúria. Todos temos o direito à manifestação, à indignação, mas a lei existe e há formas de intervenção que não são permitidas. Os estudantes quiseram invadir de forma massiva uma reunião do Senado, entre eles e o Senado estava uma brigada policial para os impedir, o que esperavam que os polícias fizessem. Talvez correrem para buscar uma passadeira vermelha, ajudando e acompanhando as senhoras, anunciando os senhores à medida que interrompiam a reunião, do tipo: “este é o Sr. Matias, eminente dirigente estudantil na sua 12ª matrícula em Direito, membro da tuna”. Podiam, e se calhar deviam, ter umas camilhas à entrada em que serviam chás e cafés antes dos estudantes entrarem. Ou então, perante a carga estudantil – que essa de facto existiu que eu vi na televisão –, deixarem-se espezinhar alegremente ao mesmo tempo que pediam desculpa aos estudantes que iam tropeçando neles.
18.10.04
Sad Mondays
Segunda-feira, lá fora o céu escuro e impenetrável anuncia chuva, Alberto João conseguiu a oitava maioria absoluta na Madeira. Nada neste dia traz animação, do fim-de-semana a reter o primeiro bom jogo do Sporting nesta época, na Luz o nível desceu, até ás masmorras.
Apetece uma deslocação ao novo Ritz, no bar pedir um sempre favorito Tullamore Dew, copo baixo e três gelos. Atenciosamente ouvir a música ambiente, o melancólico jazz a envolver a mente distraindo-a da obscura realidade.
14.10.04
Um ano
Francis Bacon - Unfinished Self-Portrait, 1992
Fez ontem um ano que este blog publicou a primeira posta. Tal como em relação aos outros, só hoje me lembrei da data, num atraso costumeiro de quem persiste em esquecer estas coisas. Há um ano atrás resolvi começar com a brincadeira de criar um blog, ir escrevendo umas postas, desabafando comigo próprio e com quem me quisesse ler. Nada esperava que não fosse o pretexto de poder escrever, divagar.
Nunca procurei homogeneizar o blog, criar uma linha de continuidade entre as postas. Persisti, e continuarei a persistir, em escrever sobre o que me dava na real gana: postas políticas ou textos pessoais, notas de viagem ou fotografias avulsas do meu arquivo.
Passado um ano espanto-me por ter mantido alguma continuidade nesta aventura, ainda me custa acreditar que tenha vencido o braço forte da preguiça e que hoje o blog ainda exista. Durante um ano fui controlando as audiências, não com um vontade feroz de as aumentar, mas sim avaliando se alguém me dava atenção e lia, gostando ou não, este blog. Até hoje sempre houve quem por aqui passasse e nem que fosse apenas um leitor, aliado ao prazer que me vai dando escrever aqui, procuraria continuar com este blog. Um dia virá em que a preguiça ou a real falta de tempo me poderão levar a acabar com este blog, ou a alargar - ainda mais – a periodicidade do mesmo. Esse dia ainda não chegou, e para quem ainda encontra neste canto algo que valha a pena – o que sem falsa humildade ás vezes me surpreende –, o blog continuará. O conteúdo permanecerá anárquico - numa clara correspondência com o seu autor - e falarei do que tenho falado, talvez alargando para outros interesses ainda não implicitamente referidos.
A todos os que por aqui passam e que tem levado este blog a continuar, um sincero obrigado.
Fumadores
Pessimismo
Do outro lado temos Sócrates e o próximo presidente poderá ser Cavaco. Descontando os exageros começo a dar razão a Sousa Tavares, emigrar pode ser uma opção.
12.10.04
Promessas
11.10.04
Domingo
7.10.04
PCP
Loucura
A atitude de Marcelo surge em reacção a uma deliciosa expressão do Ministro Gomes da Silva sobre as suas intervenções dizendo que, apesar de mediadas por um jornalista, não davam margem ao contraditório, algo que obviamente sucede em todas as intervenções públicas de líderes de opinião. Parece evidente que todos os jornais acompanham artigos de opinião com outros de ideias contrárias, é de facto uma praxis comum em todos os países democráticos que qualquer opinião tem de vir acompanhada de um contraditório. Gomes da Silva mostrou o seu brilhantismo de raciocínio e deixa os portugueses ainda mais confiantes do seu papel preponderante no governo.
A TVI é uma televisão privada e independente, como tal tem todo o direito de escolher os seus comentadores e critérios editoriais. Tudo isto é verdade, mas a provar-se que houve pressões efectivas do governo o problema não está na televisão, mas sim no simples facto de um governo se arrogar do direito de se ingerir nos critérios jornalísticos de uma entidade privada. Saber quais foram as armas de pressão e quais as contrapartidas que o Estado mostrou à TVI é a pergunta que se deve fazer.
Marcelo é brilhante na intriga e o ponto que deu não foi de certo sem um forte nó que mais tarde viremos a descobrir. O Marcelo-Narciso que adora holofotes e câmaras cedeu ao Marcelo-Político, também ele narciso, que por certo acha que o seu futuro de entertainer deverá ceder espaço a um qualquer objectivo político. A bofetada de luva branca que deu ao governo e que, com a inestimável ajuda da comunicação social, gerou uma bomba mediática, vai decerto ter consequências e a amplitude das mesmas estará ainda por medir. Rangel uma vez disse que poderia fabricar um Presidente da República, ao que parece a sua profecia está a ser posta em prática não pela SIC per si, mas por um “sindicato” de jornais e televisão.
Quanto a mim, que com pouca paciência andava para os sermões dominicais do Reverendo Marcelo, a medida do professor nada me afecta, ou por outro lado talvez sim, pode ser que os jantares de Domingo sejam mais calmos sem alguém aos gritos a dizer que quer ouvir o Marcelo.
6.10.04
Luto
Os anos da 1ª República foram o equivalente moderno das trevas da Idade Média. Por muito que oficialmente se gritem loas aos senhores que acabaram com a Monarquia após terem assassinado – ou mandado assassinar – o Rei a sangue frio, quem com seriedade ler algo sério sobre esta época (que não os panfletos do Prof. Rosas) percebe facilmente o embuste. O que está em causa até nem é Monarquia/República em sensu latu, mas sim o seu exemplo em Portugal, e o estado a que o Jacobinismo posto em prática levou o país.
Muito mal se fala da Monarquia, mas vale a pena pensar no século XX português e ver de que época podemos orgulhar-nos, se das trevas da primeira República, se da ditadura cinzenta que nos parou no tempo, se dos excessos revolucionários e das ocupações. Apenas no final do século conseguimos um regime normal, ou pelo menos civilizado, passados oitenta anos sobre o supostamente magnífico e libertador 5 de Outubro de 1910.
4.10.04
Ponte
Lisboa é hoje uma cidade tranquila, para quem trabalha uma calma impera. Os dias poderiam mais vezes ser assim, com o frensim urbano trocado por uma animação fluida e alegre.
Mau
Tudo poderá ser possível num programa que promete ser viciante enquanto divertimento sádico – em relação aos concorrentes, e masoquista – em relação ao uso do nosso tempo. Talvez seja de facto aditivo, na dúvida tentarei fazer o que cada vez mais faço com a televisão em geral, consumir em doses moderadas. Porque sim, confesso que não resistirei a voltar a ver, o meu Eu mais básico por certo o irá exigir. Há coisas que custam confessar, mas aquilo é mau demais e, talvez por isso, terei de voltar a ver.
P.S. Continuo a não perceber o que faz Avelino Ferreira Torres no meio daquela gente. Parece que a Câmara de Amarante não estará assim tão fácil, ou será que a Quinta é zona franca na qual não poderá ser preso?
30.9.04
Sol de Outono
Assim sigo romanceando a doença, será uma atitude discutível, mas parece-me melhor do que a simples lamentação. Ás carpideiras prefiro o humor negro dos hipocondríacos.
29.9.04
Hoje
27.9.04
PS - O recaldo
Uma primeira vantagem é que a linguagem oficial voltará aos domínios do aceitável e os chavões "abrilistas" vão cessar e, a curto prazo, desaparecer. Os históricos jacobinos perderam terreno e o rumo agora é outro. O país ganhará em estabilidade e ponderação o que perderá em animação e genuinidade das ideias. Hoje o que interessa é ganhar eleições e - não fora a iprevisibilidade de Santana e o seu posicionamento um pouco mais à direita - estaríamos entregues a um modorrento Bloco Central, tais as semelhanças de um PS com Sócrates com o PSD.
Mais desagradável vai ser o consequente crescimento do Bloco e, imagine-se, do PCP. Sem um PS de esquerda alguns eleitores vão demonstrar o seu desgrado e alguns votos irão para a nossa extrema-esquerda. Quem serão os novos deputados? Depois de Drago, Rosas, Louçã ou Fazenda quem virá depois? Manterão eles o nível de massacre intelectual sobre as massas?
Uma palavra para Soares, que se tudo correr bem passará longo tempo sem falar, o mesmo acontecesse ao pai e todos viveríamos mais tranquilos.
23.9.04
Animais
PS - A escolha
Escolher Sócrates é escolher a gelatina política, o absoluto vazio de ideias disfarçado por citações abundantes (inesquecível a entrevista à Revista do Expresso). A onda de Sócrates é a abominável onda do politicamente correcto, em que a política não é um debate de ideias e da maneira de as por em prática, mas sim a pretensamente subtil arte de chegar ao poder a qualquer preço. A grande vantagem de Sócrates é que ao nível do país poderia funcionar como um placebo, tal como Guterres, fingindo governar e no entanto não fazendo nada. Claro que os placebos também são perigosos pois induzem a ideia de uma cura que não chega, isto enquanto a doença se vai agravando.
Escolher Alegre poderia ser uma forma de elogiar a qualidade – quase sempre boa – da sua poesia, mas aqui está em causa a política e não um prémio literário. Politicamente Alegre é mais perigoso, a sua obsessão pelos denominados “valores de Abril” deixam-me com arrepios a subir pela espinha. Tentamos há trinta anos normalizar a nossa democracia e limpá-la de traumas e recalcamentos, Alegre representa o oposto, representa essa geração de indiscutível valor na queda da ditadura, mas que não consegue passar disso. Com Alegre teríamos um debate político muito mais interessante, e a esse nível é indiscutivelmente o melhor, o problema seria passar isso à prática. O cenário de um governo de Alegre e dos seus “compagnons de route” em coligação com esquerda de Carvalhas e Louçã deixa qualquer pessoa prudente em estado de catalepsia. O país a recuar até 1976 com delírios de nacionalizações, as acusações de fascismo a todos os que não sejam de esquerda, as perseguições em nome de uma pretensa liberdade. Se Sócrates é um placebo, Alegre será uma droga estimulante mas de feitos potencialmente devastadores.
Escolher Soares é uma incógnita, a dúvida permanece ao olhar para um político indiscutivelmente corajoso mas agarrado a valores por vezes caducos. João Soares não é da geração de Alegre, mas herdou do pai todos os tais “valores de Abril”, os mesmos que lhe permitem insultar adversários políticos (lembram-se de Santana nas autárquicas) e qualificá-los pelo seu grau de intervenção na revolução. Em Lisboa não resultou e, apesar de até nem ter feito mau lugar, perdeu talvez “pour cause” da sua arrogância da obra feita e das marchas em fim de campanha com o “pessoal” revolucionário verberando um fascismo que já ninguém encontra a não ser eles. Soares é aquele remédio misterioso, até nem é absolutamente mau, mas o seu fenómeno de adição não está bem estudado e pode levar-nos ao inferno. A sua coligação em Lisboa abriu ideias de Ana Drago como Ministra da Saúde ou Ilda Figueiredo nos Negócios Estrangeiros, facto que deixa os sensatos num sobreaviso aterrorizado.
Afinal eu nada tenho a ver com isso, eles que escolham que depois cá estaremos para ver, e comentar.
Postal atrasado
Delos, Grécia, 2004
20.9.04
Vida
Miguel Esteves Cardoso in "DNA", 17 de Setembro de 2004
Notas de Viagem – Grécia I
A final olímpica de futebol foi então a escolha - relegando hipóteses mais interessantes como um dia de finais de atletismo ou ginástica - saindo na rifa um Argentina-Paraguai. O jogo foi banal, apenas quebrado pelos bons pormenores de alguns argentinos e pela boa vontade Paraguaia. Foi ainda assim agradável assistir a uma cerimónia de medalhas olímpicas, um daqueles eventos a que não imaginaria assistir e que me habituei a ver por televisão. Mais ainda valeu a pena por entrar num belíssimo estádio, com uma beleza que, infelizmente, esmaga a maioria dos que foram executados no nosso país. Pode-se gostar ou não de Calatrava, mas é inegável a harmonia que emprega ás suas formas, a subtileza com que une arquitectura e engenharia, a originalidade dos conjuntos. O Estádio Olímpico é assim, um subtil rasgo de dois anéis de bancadas, em que a de cima é quebrada nos topos – local para os fantástico ecráns gigantes -, com uma cobertura para cada lado que parece apenas se unir em dois pontos – um em cada topo do estádio. A descrição não faz de todo justiça ao monumento branco que Calatrava aqui plantou, como não o faz à “nova Agora”, passeio pedestre com uma cobertura de semi-ensombramento em estrutura metálica branca de uma enorme elegância e profundidade. O OAKA, complexo olímpico central, apenas pecava pela pouca atenção aos pavimentos e a falta de concretização de alguns pormenores, numa clara marca latina do país organizador.
Guardo para o fim a experiência com maior carga de misticismo, estar ao lado da chama olímpica, da chama que liga estes Jogos aos Jogos antigos, este símbolo de um olimpismo cada vez mais caído em desgraça, este vestígio de uma bela ideia que os tempos modernos se encarregam de destruir. Ou talvez não, talvez este espírito esteja vivo agora, nos pouco mediáticos – apesar da surpreendente cobertura das nossas televisões – Paralímpicos, onde participar com honra e dignidade é ainda um valor que se sobrepõe à fúria de vencer a todo o custo e à custa de tudo.
17.9.04
14.9.04
Spleen
O país já encontrou o Outono, temo mesmo que raras vezes descubra a existência do Verão. As pessoas continuam aborrecidas e até o Primeiro-Ministro se acinzentou. Talvez não seja mau assim, ao menos há esta tranquilidade chata da qual podemos dizer mal e sobre a qual podemos gritar – ou escrever – chorrilhos de disparates.
10.9.04
Actualizações
O Barco do Aborto e a Farmácia Gaspar
“Ao princípio da tarde deparo com grande agitação, mas com os olhos ainda meio fechados pelo sono – e pelos Valiums de prevenção – lá vou até à rua do Casino para um brunch retemperador. No exacto momento em que eu entro na Caçarola para comer um prego, vejo o Dr. Louçã bebendo regalado uma imperial ao balcão, enquanto seis câmaras de televisão esperam pela entrevista da praxe. Saio esbaforido e volto a deslocar-me à recomendável Farmácia Gaspar, agora para uma caixa de Primperan e duas de Kompensan. Posto isto, mais calmo, sigo para a Caravela em demanda de uma Água das Pedras que me acalme – ainda mais – o estômago, mas sou surpreendido por um discreto Miguel Portas tentando passar despercebido por entre os sorrisos das tias. Tudo bem, não fora a entrada de Luís Fazenda – acompanhado por Ana Drago e outros bloquistas – chamando Portas para a Manif, aí o stock de Água das Pedras é delapidado por tias e restantes e um telefonema urgente para a recomendável Farmácia Gaspar traz um carregamento em Take-away – por questão de rapidez – de Kompensans, Vomidrine e Primperan.
Ao deparar com tamanho despautério, volto à simpática Farmácia Gaspar para comprar tampões eficientes para os ouvidos, acto fundamental antes de tentar encontrar uma esplanada livre para uma rápida leitura ao jornal. Claro que corro sérios riscos de atropelamento pelos carros furiosos que apitam – sem que eu os possa ouvir – ao longo da rua das árvores ou da marginal. Procuro então o escondido restaurante da exuberante Rosa Amélia, no Clube de Ténis, mas ao chegar – e devido à proximidade da Doca – encontro a Arq. Helena Roseta a falar de tudo menos de arquitectura, conspirando com olhos de raiva com mais algumas senhoras que destilavam tudo menos simpatia. O pânico apodera-se de mim pois a praia estaria, em princípio, fora de questão com a nortada que elevava o extenso areal como se do deserto do Sahara se tratasse. Onde ir sem me cruzar com essa horda invasora que sitiou os meus sítios e me está a deixar com uma intoxicação de medicamentos.
Apesar do vento resolvo a praia, o extenso areal talvez me separe dos bárbaros. Na marginal passa Manuel Alegre depois de estacionar e, não fora os tampões – eficientes, em mais um prestimoso serviço da Farmácia Gaspar – e por certo o meu grau de surdez se elevaria para os Himalaias, a julgar pelo esbaforimento do senhor e pela vibração visível das suas potentes cordas vocais. A praia finalmente – após uma travessia dura até ao café azul –, mas eis que me começa a chegar o cheiro de erva queimada, algo estranho por aqui. Não!!! Até o café da praia está invadido por manifestantes do bloco com lenços palestinianos e um ar pouco devedor à higiene íntima. Os olhos brilham e gritam ofensivos slogans contra quase todos os valores da civilização ocidental. Não!!!
O desespero, para onde ir, a dúvida entre um mergulho suicida num mar de marés vivas ou uma corrida à beira mar até à Celeste Russa. Opto pela segunda hipótese e encontro um efusivo Ministro Portas regozijando-se por conseguir dar utilidade ás Fragatas. Viro-me de costas e, com a ajuda tampões – abençoada Farmácia Gaspar –, consigo comer sossegado umas ameijoazinhas e uma bela sapateira. Depois disto apenas a possibilidade de me refugiar no Casino, esse antro capitalista onde as forças revolucionárias talvez temam entrar, onde talvez deixem em paz quem apenas queira descansar, onde encontro muitos amigos em redor da televisão tentando saber o que se passa mesmo ali ao lado, onde adormeço regalado num sofá após a overdose de medicamentos salvadores da Farmácia Gaspar.”
P.S. A Farmácia Gaspar não patrocinou este artigo, nem a ela me ligam quaisquer laços que não os de cliente habitual. Só para não haver confusões nem provocações.
9.9.04
Regresso a casa
O Anarcoconservador regressa a uma assiduidade um pouco mais regular, ainda assim livre para transgressões pontuais. As férias deixam ideias e temas para postas, o que é bom, especialmente agora que o tema dominante é a “socratização” do PS que me deixa com poucas palavras.