9.5.05

Ontem II

A malta charro juntou-se para proclamar que é o único partido decente em Portugal. A humildade não passa por lá e a presunção abunda. Enfim, a habitual superioridade moral da extrema-esquerda.

Ontem

Passaram 60 anos da libertação da Europa. Talvez muito, talvez pouco tempo. O suficiente para que a Europa deva olhar para o passado e ser prudente nas Uniões de hoje.

6.5.05

Pergunta

Será que agora em vez dos problemas sérios do país se vai falar de futebol? Ao menos seria mais interessante do que falar obsessivamente sobre o aborto.

Grande Sporting

Pelo menos a final já é nossa. Para variar ontem foi um jogo para matar, duas horas de sofrimento para poder explodir em saltos e gritos no último minuto. Não há necessidade de ser assim. Claro que no dia a seguir até gozamos com as angústias da véspera, mas é muito violento suportar jogos destes. Pelo menos a final já é nossa, o campeonato e a UEFA ainda podem ser. Haja alma, Sporting!

5.5.05

Tarde

Esperar o grande jogo do dia ao som de Camarón de la Isla e de Paco de Lucia (“Castillos de Arena”, 1977). Lá fora o Tejo, sempre o Tejo: azul, entre o ultramarino e o Prússia. Pela janela turistas passam, calções de caqui e camisas verdes, máquinas a tiracolo, olhares de espanto.

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Monsanto, 2004

3.5.05

80


Graças ao Sinédrio, entro em recordações dos idos anos 80. Fico na dúvida se os deva achar cruéis por me fazerem ver o tempo que passou, se me deva divertir numa onda de nostalgia alegre. Na dúvida, lembro os desenhos animados do Marco e a sua trágica música, ainda existente lá em casa, num single de vinil estimado como uma raridade. Para ouvir aqui, a letra segue já abaixo:

É num porto italiano
Mesmo ao pé das montanhas
Que vive o nosso amigo Marco
Numa humilde casinha
Ele acorda muito cedo
Para ajudar a sua querida Mamã

Mas um dia a tristeza
Chega ao seu coração
A Mamã tem que partir
Cruzando o mar pra outro país

Foste embora Mamã
Não me deixes aqui
Adeus Mamã
Pensaremos em ti

E tu vais recordar
Como gosto de ti
Se não voltas eu irei

À procura em toda parte
Não importa se for longe
Hei-de encontrar-te

2.5.05

Cartazes

O filósofo Carrilho entrou em campanha. Os seus cartazes parecem vindos dos anos 80 e só faltava a sua troca com um Cavaco de gravata estreita e colarinhos longos. Mau gosto? Não creio. Acho que Carrilho sabe que para a generalidade da população é um intelectual (palavra assassina em Portugal) pedante e insuportável, somente tolerado por ser casado com quem é. Para a “inteligentzia” é um herói, um dos seus que, por entre a Bica do Sapato e as inaugurações, os pode proteger e a quem eles protegem. Só que isto não dá votos. Os cartazes – que Carrilho abominará com toda a certeza – são inteligentes na tentativa de o aproximar do povo, do que vota e faz ganhar eleições. A “inteligentzia” já está ganha, afinal ainda foram uns anos como Ministro da Cultura.

Pini-gol-gol-gol

Ontem mais uma prova superada. Para o Sporting este fim de época é dramático, nos próximos quatro (ou, esperemos, cinco) jogos tudo pode oscilar entre o bestial e a besta, entre a euforia desmedia e a desilusão absoluta. Na dúvida optaria pelas primeiras, que assim seja.

28.4.05

Artigo

Com algum atraso, uma imprescindível referência ao artigo do Miguel Esteves Cardoso no Diário de Notícias de Domingo. Depois de o ler sinto-me um bicho menos raro, ou talvez raro mas bem acompanhado.

Agradecimentos

Novos links de novos blogs. Obrigado ao Cápsula do Sul, ao It’s Our Pleasure, ao Makejeite, ao Barbara Bela e ao Quietista.

26.4.05

Fim-de-semana

Por terras do Alentejo não vi expropriações, apenas ouvi os malditos morteiros que me acordaram – ainda ressacado – na manhã de ontem. Em momentos como estes tenho de conter a vontade de sair para a rua e gritar a plenos pulmões “Viva Salazar”, apenas para provocar a populaça e ter desculpa para começar a distribuir cacetada pelos energúmenos que me acordaram. Claro que, por debaixo do quentinho dos cobertores, me acobardo e acabo com estas veleidades reaccionárias.

Futebol

Numa Liga em que os jogos estão à venda, hesito entre perder o interesse em ser campeão ou ganhar vontade insana de mandar para a cadeia os delinquentes que mandam no nosso futebol. Fair-play só podia ser uma palavra inglesa, e sem tradução à altura.

CDS

No congresso deste fim-de-semana ganhou Ribeiro e Castro, mas ganhou também a política portuguesa. Telmo Correia foi incensado líder pelo aparelho partidário que o “obrigou”, com o seu óbvio consentimento, a suceder a Paulo Portas. Durante dois meses estendeu um tabu, do qual iria emergir como o Messias do partido em pleno congresso (que mania esta de todos os partidos quererem o seu D. Sebastião). Claro que errou, ao conceber a política de forma tão táctica perdeu, e perdeu bem. Não segui o congresso – afinal era fim-de-semana grande –, mas é bom para Portugal que ganhe um candidato contra a estrutura do partido, contra os “sindicalistas do poder” que cada vez mais dominam os nossos partidos. Não sei se Ribeiro e Castro vai ser bom presidente do partido, não sei se me irá levar a votar ou não. Sei que, pela maneira como ganhou, inspira pelo menos uma palavra cada vez mais rara: seriedade. Talvez as suas ideias não sejam as minhas – aliás desconfio que não são –, mas ser eleito para um partido querendo que o mesmo tenha uma doutrina definida é bom, pelo menos sabemos com o que contamos, no meio do pântano político de um país em que as ideias vão sendo raras.

21.4.05

Semana

Tem sido uma semana de confusão mansa, daquela feita de uma sucessão subtil de situações, de alterações à rotina de não ter rotina. A vida altera-se ao sabor de um tempo forçado pelos acontecimentos ou pelas notícias nem sempre boas.

19.4.05

Celtas

Retomo a ala de música celta da minha prateleira, há uns tempos repousada por pouco uso. Na minha reduzida – sempre assim a acho – discoteca, a sua presença é significativa. Ontem voltei a alguns Chieftains, lembrando os pastos verdes e os “pints” de Guiness. Hoje passo por Mary Black, De Dannan ou Clannad. Volto também à voz magnífica de Sean Keane. Penso em pubs de madeira - perdidos em terras isoladas - com o fumo (foi assim que os conheci) entranhado e famílias em bebidas de fim de tarde. Apetece um tele-transporte para Connemara ou Galway.

Futebol

Na modorra desta primavera indecisa valha-nos o futebol. O Sporting lá segue, finalmente estável, com hipóteses de ganhar duas competições. Ontem mais uma vitória. Haja alegria por algum lado e que assim se mantenha.

15.4.05

Grande Sporting

Não é facil aguentar jogos como de ontem. O estádio, apesar de não estar cheio, estava magnífico de animação. O jogo foi de uma intensidade que tirou anos de vida a quem lá estava. Por estranho que pareça, os adeptos sempre acreditaram na vitória impossível, apesar dos brindes arrepiantes da defesa. Na segunda parte a equipa foi buscar forças não se percebe bem onde. Agora só faltam dois jogos até à final de Alvalade, joguem eles com a mesma garra e tudo parece possível. Haja esperança.

14.4.05

Coisas da Vida Boa

Olhar pecaminosamente para um recém-chegado boião de Dulce de Leche, abrir cuidadosamente e atacar, com volúpia, o seu conteúdo à colherada.