6.6.05
Telemóvel
2.6.05
Nee
E agora, qual será a desculpa? Mais uma vez o descontentamento com o governo? Excesso de haxixe? Demasiado tempo de exposição a quadros de Van Gogh? Falta de montanhas? Será óbvio que assumir democraticamente o “Não” como um simples Não é algo que não passará pela cabeça dos anjos democráticos de Bruxelas.
31.5.05
Pergunta
Humildemente pergunto: e porquê?
Coisas da Vida Boa
30.5.05
Diálogos Imaginários
– Falta de tempo, Charles. Falta de tempo.
24.5.05
Não
19.5.05
Treinador de Bancada
Peseiro conseguiu, é certo que só a partir de meio do campeonato, que a equipa jogasse bom futebol, sem dúvida o melhor de Portugal. Fraco consolo. Mais do que a equipa, quem falhou nestes dois jogos foi Peseiro que, depois de conseguir quase tudo, borrou a pintura com asneiras incompreensíveis.
No jogo da Luz entra sem ponta de lança, supostamente deixando Sá Pinto – que não entendo como ainda pode ser titular regular no Sporting – como jogador mais avançado. Claro que não resultou e o Sporting foi absolutamente inofensivo. Até admito que se jogue para o empate, mas pode-se, e deve-se, segurar o jogo de outra forma sem permitir que a outra equipa ganhe confiança e avance no terreno. Foi frango do Ricardo? Claro que foi. Foi falta? Talvez sim, mas não censuro o árbitro por não a marcar. Perdemos bem contra um equipa miserável que sem saber como – mas com vários apoios – ainda vai acabar campeã.
Ontem Peseiro voltou a inventar na equipa inicial. Enakarhire - que até é o melhor central do Sporting - vem de uma lesão e o normal era não ter ritmo de jogo – o que bem se notou na segunda parte –, enquanto Polga, que até já se cansou de disparatar, estava a jogar bem melhor. Tello é dos jogadores em melhor forma, seria justificado remetê-lo a defesa esquerdo? Os russos tinham como maior perigo o contra ataque, facto que até eu que não estudei a equipa sabia, não seria de ter isso em conta? Em todos os cantos ou livres ficava Enakarhire sozinho contra o Love, claro que não podia dar bom resultado e no estádio foi fácil adiantar dois dos golos antes deles acontecerem. Foi confrangedor ver no estádio que equipa teve o jogo na mão e entrou na segunda parte a vir a menos, ao mesmo tempo que Peseiro impassível no banco nada fazia. Parecia óbvio a todos que Custódio devia ter entrado para segurar o jogo pois Rochemback – para mim o melhor em campo – não podia ter pernas para aguentar o ritmo no ataque e na defesa. Lá à frente Sá Pinto foi um total zero durante todo o jogo e só saiu aos 71 minutos. Barbosa não estava em dia sim – e quando assim é já se sabe que é de esperar só meio tempo –, mas Peseiro parece que não viu e ele ficou até ao fim. Douala é – apesar de trapalhão – o desequilibrador do banco do Sporting e só entrou quando tudo estava praticamente perdido.
Peseiro transmite para o público, e imagino que também para os jogadores, uma imagem de nervos e de medo como se o mundo estivesse em vias de acabar. Peseiro teve um trabalho meritório durante a época mas mostrou numa semana aquilo que é, um treinador competente e esforçado, mas sem a garra e o rasgo de um Grande Treinador. Peseiro mostrou que com mediocridade não se chega lá, ficamos quase…
UEFA

18.5.05
Agradecimentos I
Delírio
Ontem foi o Dia do Iogurte. Os iogurtes são muito importantes, são mesmo um elemento essencial ao mundo, fundador do mesmo. O que seria de nós sem iogurtes. Sócrates é nosso primeiro-ministro por causa do Iogurte. O Iogurte é como a Força da Guerra das Estrelas, algo de indefinível e poderoso. Eu comemorei o dia do Iogurte, fiz até um desmedido esforço por encontrar Iogurtes, apenas os preferi trocar, mesmo quando os encontrei, por outros produtos. Sou um pouco anarca e não quis seguir a onda, apesar de saber que ontem todos os portugueses comeram Iogurte, aparecendo mesmo brigadas nas escolas a controlar se o Iogurte era ou não comido. Proponho até criar um verbo Iogurtar – Eu Iogurto, Tu Iogurtas, Ele Iogurta, Nós Iogurtamos, Vós Iogurtais, Eles Iogurtam – que se aplicaria à acção de criar factos (vulgo dias) idiotas a pretexto de tudo e de nada: por exemplo, alguém propõe que haja (se é que já não há) o dia da mulher que sofre maus tratos físicos de maridos mais velhos do que as mesmas e com o recurso ás mãos, eu logo responderia estás a Iogurtar!
15.5.05
Campeonato
13.5.05
Coisas da Vida Boa
11.5.05
Diálogos Imaginários
– Com certeza, menino.
Sobreiros
9.5.05
Teste
1-Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
2-Já alguma vez ficaste apanhado por um personagem de ficção?
3-Qual foi o último livro que compraste?
“El Viajero Sedentario” de Raphael Chirbes, “La Deshumanización del Arte y otros Ensayos de Estética” de José Ortega y Gasset, “Harry Potter and the Half-Blod Prince” de J.K.Rowling (encomendado).
4-Qual o último que leste?
“A Handful of Dust” de Evelyn Waugh
5-Que livros estás a ler?
“A Loja do Ourives” de Karol Wojtyla (Andrzej Jawien), “Por Tierras de Portugal y de España” de Miguel de Unamuno.
6-Que 5 livros levarias para uma ilha deserta?
A “Bíblia”, “Antologia Poética “ de Vinicius de Moraes,”Toda a Mafalda” de Quino, os "Lusíadas" de Luís Vaz de Camões e a “Cidade e as Serras” de Eça de Queiroz.
Ou, na perspectiva de livros que SÓ leria numa ilha deserta: “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago, “Anjos e Demónios” de Dan Brown, “O Zahír” de Paulo Coelho, “Querido Papá” de Danielle Steel, o “Manifesto Eleitoral do Bloco de Esquerda”.
7-A que 3 pessoas vais passar este testemunho?
Não vou passar, sempre gostei de romper estas cadeias.
Ontem III
Ontem II
Ontem
6.5.05
Pergunta
Grande Sporting
5.5.05
Tarde
3.5.05
80

Graças ao Sinédrio, entro em recordações dos idos anos 80. Fico na dúvida se os deva achar cruéis por me fazerem ver o tempo que passou, se me deva divertir numa onda de nostalgia alegre. Na dúvida, lembro os desenhos animados do Marco e a sua trágica música, ainda existente lá em casa, num single de vinil estimado como uma raridade. Para ouvir aqui, a letra segue já abaixo:
É num porto italiano
Mesmo ao pé das montanhas
Que vive o nosso amigo Marco
Numa humilde casinha
Ele acorda muito cedo
Para ajudar a sua querida Mamã
Mas um dia a tristeza
Chega ao seu coração
A Mamã tem que partir
Cruzando o mar pra outro país
Foste embora Mamã
Não me deixes aqui
Adeus Mamã
Pensaremos em ti
E tu vais recordar
Como gosto de ti
Se não voltas eu irei
À procura em toda parte
Não importa se for longe
Hei-de encontrar-te
2.5.05
Cartazes
Pini-gol-gol-gol
28.4.05
Artigo
Agradecimentos
Novos links de novos blogs. Obrigado ao Cápsula do Sul, ao It’s Our Pleasure, ao Makejeite, ao Barbara Bela e ao Quietista.
26.4.05
Fim-de-semana
Futebol
CDS
21.4.05
Semana
19.4.05
Celtas
Futebol
15.4.05
Grande Sporting
14.4.05
Coisas da Vida Boa
Casa da Música
E não se calou
13.4.05
Artigo
«O "non" das sondagens gaulesas, que está a assustar a Europa, vai marcar as intervenções da visita de Estado de Jorge Sampaio a França, que não hesitou em sublinhar, mesmo no banquete ontem oferecido por Jacques Chirac no Eliseu, que, "no processo de ratificação da Constituição, joga-se o nosso futuro colectivo".»
A assustar a Europa? Eu sou europeu – logo faço parte da Europa – e não estou assustado, estou antes esperançado. Que critérios jornalísticos seguiu esta criatura para achar que, num assunto que em tantos países nunca foi referendado (Portugal por exemplo), a opinião da maioria da população pode ser de susto!
«Afinal, o "cartel" do "non" não se limita apenas aos comunistas e trotsquistas, à extrema-direita e aos soberanistas, mas divide de tal forma o próprio PS que, ontem, o Libération levantava a hipótese da polémica entre os socialistas franceses que são "pró" e "anti" Constituição estar a fazer nascer o "espectro de uma implosão" daquele partido centenário.»
O cartel? Vale mesmo tudo. Agora quem é contra a Europa pertence a uma estrutura organizada de supostos malfeitores. Que pérola do jornalismo. Percebo que num artigo de opinião se possam ter opiniões extremas (basta lembrar Luís Delgado), mas numa peça jornalística não me parece adequado que quase se insultem pessoas. Aliás, até sobre o PS francês – que, goste-se ou não dele, é um partido democrático – se fala como se de um bando de loucos perigosos se tratasse. Com jornalismo assim…
E que tal se se calasse
A propósito do referendo da Europa, o senhor decidiu ir a França (em visita de Estado) dar uma perninha na campanha pelo “sim”, tomando parte activa com as suas convictas opiniões. Reacção em Portugal? Nenhuma. A nação assiste impávida ao nosso neutral presidente a fazer campanha eleitoral à nossa custa – sim, não consta que uma visita de Estado a França seja privada –, num assunto que também irá ser referendado por cá. Será que havia silêncio caso o Presidente fizesse campanha pelo “não”?
A Europa permite tudo e os referendos mais vão parecer eleições do Antigo Regime, só que os “democratas” de outrora estão agora na barricada que tenta, por todos os meios, obrigar a populaça a votar nas suas ideias. A Europa é hoje mais do que uma religião, é uma imposição em que vale tudo, e que se vale de tudo. Os políticos perderam toda a vergonha e usam métodos que há uns anos valeriam a qualquer um ser acusado na praça pública de fascista, a ter as paredes de casa pintadas com impropérios capazes de fazer corar senhoras de má vida. Os “democratas” de ontem são os sub-reptícios ditadores de hoje, e o senhor Sampaio melhor faria em estar calado e ficar a passear nos bonitos jardins de Belém, em vez de se passear em campanha por França. Belém não é Versailles, mas haja decência.
12.4.05
11.4.05
PSD
A oposição já tem um novo líder. A avaliar pelo enorme entusiasmo do congresso parece que não vamos precisar de calmantes para adormecer facilmente em Portugal.
Campeonato
7.4.05
Coisas da Vida Boa
Diálogos Imaginários
– Charles, estou atrasado e vou chegar em cima da hora do jogo. Como vou levar uns amigos, por favor organize os sofás em volta do plasma e prepare uns patês e uns queijos. Confirme também como estamos de vinho branco e de cerveja.
– Não se preocupe menino, vou já tratar disso.
5.4.05
A Noiva
Podia ser um filme independente, assente na metáfora bíblica do casamento, na fuga ás convenções e aos compromissos. Era apenas um episódio da nova telenovela da TVI. A qualidade está à vista.
Tenho a mania de passar a vista pelos primeiros episódios das telenovelas, fico a par da história e posso assim, em dias de alienação televisiva, ver alguns bocados. O mesmo se passou com esta – “Ninguém como tu” – da qual já sei o que é necessário: há uma família rica que ficou pobre devido a um desfalque na empresa; há a irmã pobre que convenceu a sobrinha a não casar por dinheiro; a irmã rica é má e rancorosa – apesar de bonita, pois é a Alexandra Lencastre; há ainda uma outra irmã. O resto vai andar à volta disto, ou seja, o costume. Não tenciono seguir, mas espero ter o gosto de apanhar mais cenas como a desta noiva, fugida de fresco de um casamento de conveniência, à deriva pelas ruas de Lisboa. Há realmente coisas que vale a pena ver de tão más que são.
Viagem
A nova mania de os jornais e revistas servirem de pretexto para vender DVD’s, enciclopédias e dicionários, coleccionáveis de todo o tipo e até, imagine-se, faqueiros e serviços de pratos, é estranha. Confesso que me irrita um pouco chegar à tabacaria e ficar a hesitar se compro ou não mais um DVD e se começo ou não uma certa colecção, perante as meninas que já me vão conhecendo e tentam impingir tudo o que vai saindo. Hoje é uma praga e, se fizermos contas e comprarmos tudo o que até nos apetece, uma renda ao fim do mês a acrescentar à habitualmente dispendida em jornais e revistas per si. É o novo marketing de imprensa, em que o jornal é o que começa a contar menos. Claro que é chato, mas também é bom conseguir edições difíceis de encontrar e por um preço mais simpático. Ontem foi Londres, daqui a umas semanas será um Houaiss completo e pronto a consultar.
4.4.05
Parabéns
Jacinto chiclana(1965)
Me acuerdo. Fue en Balvanera,
en una noche lejana
que alguien dejo caer el nombre
de un tal Jacinto Chiclana.
Algo se dijo también
de una esquina y un cuchillo;
los años no dejan ver
el entrevero y el brillo
Quién sabe por qué razón
me anda buscando ese nombre;
me gustaría saber
cómo habrá sido aquél hombre.
Alto lo veo y cabal,
con el alma comedida,
capaz de no alzar la voz
y de jugarse la vida.
Nadie con paso mas firme
habrá pisado la tierra;
nadie habrá habido como el
en el amor y en la guerra.
Sobre la huerta y el patio
las torres de Balvanera
y aquella muerte casual
en una esquina cualquiera.
Sólo Dios puede saber
la laya fiel de aquel hombre;
señores, yo estoy cantando
lo que se cifra en el nombre.
Siempre el coraje es mejor,
la esperanza nunca es vana;
vaya pues esta milonga
para Jacinto Chiclana.
1.4.05
Coisas da vida boa
Coisas da vida boa
31.3.05
Iogurtes
30.3.05
Referendos II
Referendos I
Diálogos Imaginários
– Com certeza menino.
28.3.05
Páscoa passada
Sexta-feira
Chegada a tempo da tradicional procissão do enterro, cada vez mais humilde mas sempre emocionante. Este ano sem o barulho das matracas que abriam o cortejo, avisando o povo que ia passar, que o enterro de Cristo ia passar. As matracas que em pequeno temia e me deixavam quase em êxtase reverencial perante a passagem da procissão. Os tempos mudam. Permanece a espera silenciosa, respeitosa, acendendo velas ás janelas. A passagem da procissão, com os seus cantos tristes, com a solenidade devida ao momento. Para quem não crê, talvez só as procissões majestáticas de Sevilha possam despertar algo, para quem crê, um momento simples de devoção pode ser suficiente para deixar algo.
Sábado
Acto de insanidade, resolvo arrumar gavetas e armários atulhados. Animadamente vou juntando postais ou selos de colecções esquecidas, encontrando papéis que me remetem para tempos passados. Espanto-me com a quantidade de coisas que podem estar numa gaveta, nas memórias que se guardam sob as mais variadas formas. A meio da tarde grito sozinho, em volta o caos está instalado e começo a recear que afinal vou acabar a atirar tudo para os armários sem ordem nem arrumação. Sustenho o desespero e lá consigo melhorar o estado das coisas. Sou um desarrumado por excelência e só concebo arrumações radicais, do estilo tirar tudo e ser forçado a organizar, custe o que custar.
Domingo
Descanso sereno. A província deixa o tempo ser arrastado com calma, muita calma. O jantar será o habitual caos familiar, a tarde um vagabundear pela casa tranquila.
23.3.05
Televisão
O Tempo
Parabéns
21.3.05
A chuva
17.3.05
Sol
16.3.05
Cuidado
Santana parece envolto numa qualquer loucura, que hesito a atribuir a álcool ou drogas, desde que se tornou Presidente da Câmara de Lisboa. As suas decisões são erráticas, incompreensíveis, disparatadas. Obviamente que se deveria remeter a um silêncio cauteloso e a deixar o tempo passar. Assim não quis. Pagará Lisboa, pois com apenas alguns meses de mandato – até a uma provável recandidatura – vão-se avolumar as medidas em cima do joelho, as tontarias mediáticas, os outdoors a crescerem como cogumelos. Lisboa pagará, pois é a vítima mais fácil para que a Vítima se vingue que quem o vitimizou. O Guerreiro-Menino precisa de guerra e a capital irá ser um belo palco de batalha. Vamos esperar avisados, começando já a estruturar guerrilhas urbanas para impedir torres em Alcântara e mais túneis disparatados, e a criar uma brigada anti-outdoor com o objectivo de dar um prémio a quem mais outdoors conseguir deitar abaixo.
14.3.05
Bom sinal
Regresso
O nosso país está diferente, com um novo governo PS a tomar posse com Freitas do Amaral como ministro e com o Porto a perder em casa 4-0 (vou alegar amnésia para não falar do jogo de ontem em Alvalade). O sol primaveril continua e a seca ameaça ser longa e catastrófica. Falando em ameaças, parece possível que Santana volte à Câmara de Lisboa e fala-se num referendo sobre o enorme buraco do Marquês.
Diálogos Imaginários
– Como está menino? As férias foram boas?
– Excelentes Charles, excelentes.
– Deixe ver as malas para tratar das suas coisas
– Obrigado Charles, bem sabe que odeio desfazer malas.
4.3.05
Férias
Diálogos Imaginários
– Não é necessário Charles, confio em si. Pode fechar as malas.
2.3.05
Coisas da Vida Boa
Um pequeno-almoço tranquilo, em frente ao computador e em passeio pela blogosfera. Na mesa um Kousmichoff Prince Wladimir bem quente e umas torradinhas de pão saloio com manteiga e queijo da Ilha. A ser assim, o começo de um dia até pode ser uma actividade suportável.
Diálogos imaginários
- Deixe ai ao lado Charles, quando acabar o pequeno-almoço já os vou ler.
1.3.05
Masoquismo
Acho que todos teremos um pouco saudável de masoquista, pelo menos assim o espero. Ao ver a quantidade de gente que estava ontem em Alvalade, percebo que rapidamente esgotaríamos todos os psiquiatras de Portugal e Espanha se assim não fosse: saudável, apesar de masoquismo. Até a alma se me gelou. Ao menos foram quatro golos e lá voltámos ao primeiro lugar.
Blogosfera
Actualizações aqui ao lado. Boas vindas a novos blogs. Agradecimentos ao Insurgente e ao Lobi do Chá pelos respectivos links. Ao segundo aproveito para invejar o nome, isto enquanto decido entre um Darjeeling (segunda colheita) e um Assam.
28.2.05
Clint
Ontem o grande vencedor dos Óscares foi Clint Eastwood por “Million Dollar Baby”. Ontem o canal Hollywood fez o favor de passar “Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal”. Obrigado Clint.
Não gosto de boxe, torna-se-me mesmo difícil de perceber como se pode gostar deste desporto. Talvez por isso tenha ido com a minha profunda fé Eastwoodiana um pouco abalada ver “Million Dollar Baby”. Claro que deveria saber que a fé, quando existe, devia ser quase inabalável. O filme é um prodígio e, quanto ao Clint, acho que se devia aprovar a clonagem para perpetuar o seu talento. O argumento levava a prever um lacrimal espectáculo indicado para donas de casa urbanas, de vidas frustradas, poderem carpir a sua vida ao longo do filme. Claro que isto se passaria caso fosse entregue a outro realizador, nas mãos de Eastwood transforma-se em pura magia. Para além de muito mais méritos que se lhe podem apontar, há um que o distingue: a capacidade de fazer um filme inteiro na corda bamba do emocional e do lacrimal, sem que nunca caia para o lado lamechas; basta lembrar “Um Mundo Perfeito” e “As Pontes de Madison County”.
Ao rever “Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal” lembrei-me de que este filme, ao contrário do que ontem triunfou, conseguiu dividir opiniões que oscilaram entre o excelente e o chatíssimo. Confesso que o acho magnífico, uma subtil crítica social ás pequenas cidades onde tudo pode o que pode acontecer, de facto acontece, mesmo que não se saiba. Aqui Clint não moralizou e deixou um ambíguo final onde pensamos se o mal triunfou, ou se realmente era mal, ou se estávamos na meia-noite que separa o mal do bem.
Óscares
Para o melhor actor a vitória foi óbvia, digo isto sem ter visto o filme, mas para saber quem ganhava não era preciso, a Academia é muito previsível nestas coisas.
Pena que o argumento de “Before Sunset” não tenha ganho, sempre era uma menção honrosa para esse filme maravilhoso.
Diálogos Imaginários
- Com certeza menino, e faço sumo de tangerina ou fica só pelo chá.
Coisas da Vida Boa
24.2.05
Presente
22.2.05
Blogs
21.2.05
Fim-de-semana em curtas
Ontem falou-se muito de emigração. Sugestões de uma ilha comprada colectivamente no Brasil ou uma proposta de sociedade para abrir uma livraria de viagens em Bath ou Brighton. Claro que tudo se manterá, pelo menos por agora, como uma vaga miragem a que falta a necessária dinâmica para concretizar.
Portugal foi embalado no vácuo. Lentamente abriremos a embalagem e então vamos perceber o que nos espera. Começou ontem no discurso de vitória, se continuar assim prevejo o pior.
A vitória do PS foi retumbante, incontestável, arrasadora. As comemorações modorrentas e tristes. Em Lisboa costa que umas centenas passaram no Rato, na minha terra duas fugazes buzinas interromperam o silêncio da noite. Lembro que há uns anos – nas vitórias de Cavaco – as ruas foram entupidas por aglomerações de milhares de pessoas e caravanas intermináveis.
A noite passada foi intranquila devido a uma crise de asia, fica por perceber se devido aos resultados das eleições ou ao whisky com Castelo, ou talvez a ambos.
17.2.05
Eleições
Ainda assim há quem pense votar neles, com tudo isto ainda há quem fale em votos úteis, com tudo isto ainda há quem deixe de lado o voto convicto, com tudo isto eles continuam, e continuarão a ser, os donos e senhores do poder em Portugal.
Não conheço ninguém – fora dos partidos – capaz de ver quaisquer superiores qualidades em Sócrates ou Santana, no entanto sei que muitos votarão neles. No final, em frente ás urnas, insistem em dar o voto a quem, pelo menos eu assim acho, não o merece.
O voto em branco é sempre uma opção, por aqui muito apreciada. O protesto é dobrado em papel e expresso contra todos. Votar em branco é dizer que ninguém nos convenceu, que ninguém merece o nosso voto, mas que nos damos ao trabalho de nos deslocar para votar e mostrar o nosso desagrado. Agrada-me. Fora esta opção, tenho para mim que o voto inteligente e óbvio de alguém das direitas teria de passar pelo CDS. Nas esquerdas as opções até são mais vastas, desde a demagogia radical do BE ao comunismo humano do PCP de Jerónimo de Sousa, passando pelo sempre pertinente PCTP/MRPP de Garcia Pereira. Opções até não faltam, não fora a obsessão de todos quererem votar num primeiro-ministro não se contentando com um voto convicto para um parlamento, que, no fundo, é o que de facto estamos a eleger.
Breves de campanha (2)
Sócrates resumiu tudo sobre a sua candidatura a primeiro-ministro quando no debate disse (referindo-se à reforma da Segurança Social): “Mas nós não propomos nada, nós não propomos nada. Apenas propomos que se estude…”
Insisto que, à medida que a campanha avança, aumenta a minha simpatia por Jerónimo de Sousa. Acabemos depressa com este disparate.
Momento delicioso quando Paulo Portas apresentou no debate o esquema com bonequinhos sobre o sistema de saúde. Talvez este seja o caminho, apresentar as ideias políticas na forma de livros infantis, pelo menos seria menos enfadonho e mais esclarecedor.
Carmelinda Pereira ainda existe, assim como o POUS. Fantástico.
Inverno
15.2.05
Este Inverno
Voltava eu à banalidade da minha vida, quando mais um desastre me sobressaltou a existência: a minha mulher-a-dias está de gripe. Não bastava eu, não bastavam alguns amigos, até a pobre da senhora tinha de cair de cama. Controlo os instintos mais egoístas e insensíveis e desejo sinceramente as melhoras. Claro que por dentro estou tão abalado como uma vara de vime: a pilha de roupa acumulada, o pó por limpar, a casa de pantanas. Como diria o desgraçado, e irritante, Calimero: E´ un´ingiustizia però!
14.2.05
Fumadores
10.2.05
Breves de campanha
As certezas na vida são poucas, mas eu agora tenho uma, absoluta. Vamos ter um mau primeiro-ministro a partir de 20 de Fevereiro. Por outras palavras: vamos ficar entregues (uma vez mais) à bicharada.
Votem meus amigos, votem. Agora não se enganem, as iniciais PS são de Puro Sacrilégio (mesmo que seguidas por outras letras).
A brigada SS vai-nos governar. Socorro.
A desgraça é tal que dou por mim a olhar com candura para Jerónimo de Sousa. Durasse a campanha muito mais tempo e auto interditava-me para não correr o risco de votar nele.







