
Figueira da Foz, 2005
em Portugal
Temos um capachinho na Petrogal, um aldrabão na CGD, um Tiranossaurus Rex a disputar a presidência com um mamute, só nos faltava o Mister Bean no Tribunal de Contas.
O “meu” banco lançou uma campanha publicitária com uma música de Pedro Abrunhosa, a avaliar pela originalidade e qualidade da letra (a repetição exaustiva da frase “Eu estou aqui”) temo pelo meu dinheirinho. Dantes os bancos davam o exemplo de sobriedade e competência, hoje competem com detergentes e margarinas. Enfim, estas modernices do marketing atingem pontos de disparate tais que nos fazem duvidar dos produtos. Ainda não é suficiente para mudar de banco, mas ficarei de sobreaviso.
Bela noite de sábado pelas bandas de Alvalade. O jogo não foi brilhante, mas o Sporting até esteve bem e mereceu, acima de qualquer discussão, a vitória. De destacar o bom jogo da defesa do Sporting – em especial o Tonel –, os excelentes golos, Luís Loureiro e João Moutinho. Menos bem apenas Deivid e Sá Pinto (a eterna pergunta que me atormenta: “como é que ele é titular?”). O único ponto realmente negativo esteve numa cambada de energúmenos que insistiu em rebentar petardos do princípio ao fim do jogo. O fascínio dos portugueses pelo barulho não cansa de me surpreender, qualquer festinha de aldeia faz parecer que estamos em Beirute ou Bagdad tal é a quantidade de morteiros rebentados. Fogo de artifício sim, percebo que se goste apesar do barulho, agora morteiros ou petardos são fenómenos que me ultrapassam.
Ontem foi onze de Setembro. Há quatro anos o mundo foi chocado com algo inimaginável, com um acto acima de qualquer adjectivo possível. É preciso lembrar, sem “mas”.
– Charles, já sabe o que o espera. Não tenho pressa, mas quando puder desmanche as malas, deixe a roupa em dia, reabasteça a despensa, enfim, ponha a casa em ordem.
– Com certeza menino, eu sei o quanto detesta lidar com chegadas e partidas.
– Charles, por favor esqueça as minhas manias contra o ar condicionado e arranje um logo que possível. Antes uns ataques de rinite do que sufocar neste inferno.
– Com certeza menino, ainda hoje estará a funcionar.
O Verão, apesar do calor. Aliás, se não fosse o calor contra o que é que podíamos resmungar, e sem resmungar como suportar uma existência calma e sem razões de queixa.
Chegou pelo correio o novo Harry Potter, agora o “Bartleby y compañia” do Enrique Vila-Matas terá de seguir a ritmo mais lento.
Releio o post anterior (Votar Bloco?) e assusto-me um pouco com o tom panfletário e inflamado. Acho que entusiasmei e procuro uma justificação. Olho pela janela o sol brilhante sobre as colinas de Lisboa, as calçadas brancas a irradiar luz. É fácil gostar desta cidade e deixarmo-nos tolher pela utopia de achar que ela pode sobreviver muito tempo à voragem dos irresponsáveis. E tentar lutar por isso.
A pergunta poderia ser completamente descabida neste blog, infelizmente não é. Nas eleições para a Câmara de Lisboa, o mais interessante candidato vem mesmo dai, ou melhor, com o seu apoio. José Sá Fernandes apresentou uma candidatura que muitos desejavam. Ele tem sido o chato que todas as Câmaras deviam ter, aquele que acompanha as sessões e deliberações da Câmara, que anda em cima de todas as medidas e obras. Nos pequenos municípios há sempre alguém assim, a maior parte das vezes – quase sempre – apartidário, batendo-se apenas por amor à terra, publicando artigos em jornais locais, promovendo acesas discussões de café. Nas terras pequenas é mais fácil ter este papel, acompanhar toda a actividade camarária, saber das necessidades da população. Em Lisboa é muito mais difícil, não só por questões de escala, mas também pela maior visibilidade ao nível nacional, o que leva também a uma maior manipulação por parte dos partidos. Durante anos foi Gonçalo Ribeiro Telles o paladino da luta por uma Lisboa melhor, porfiou, pensou, escreveu, falou. Tentou por quase todos os meios que Lisboa não caminhasse para ser uma capital terceiro-mundista, sem a qualidade de vida que podia, e devia, ter. Muitas asneiras foram ainda impedidas por ele, por ele e por um grupo de pessoas que sempre o seguiu nesta missão – a memória é grata ao pensar no Movimento Alfacinha. O que sempre faltou a Ribeiro Telles foi a agressividade e acutilância que a idade e a sua postura de Gentleman não lhe permitia. Muitas vezes foi, é, acusado de ser um velho sonhador. Pena é que os seus sonhos se revelem necessidades anos depois de ele os ter revelado, pois é sempre complicado ter razão antes de tempo.
As dúvidas que ainda tivesse dispersaram-se com a entrevista de Maria João Avillez a José Sá Fernandes. A começar pela forma como surgiu a candidatura, não com uma personalidade a avançar e um séquito de apoiantes que nem sabem o que apoiam, mas sim com um conjunto de ideias que colheu contributos de um conjunto de personalidades como Gonçalo Ribeiro Telles, António Barreto e Miguel Esteves Cardoso e que se tornou num programa concreto para a cidade de Lisboa. Depois porque esse programa – vivamente questionado no debate – se baseia numa postura perante a Cidade que não poderia ser mais do agrado de um empedernido conservador inglês, ou seja, uma visão do urbanismo e da vida na cidade mais baseada na “conservação” do que está bem e na óptica do cidadão, do que em obras de fachada dominadas pelo betão.
Não consigo encarar as autárquicas como eleições partidárias, muito antes pelo contrário (tema que desenvolverei noutro post), daí que em Lisboa, tendo em conta os dados conhecidos, votaria – sem olhar para o símbolo se ele aparecer no boletim de voto – na candidatura de Sá Fernandes. Não por mim, não por ele, mas por Lisboa. Como conservador não vejo outra alternativa.

Ontem foi o Dia do Iogurte. Os iogurtes são muito importantes, são mesmo um elemento essencial ao mundo, fundador do mesmo. O que seria de nós sem iogurtes. Sócrates é nosso primeiro-ministro por causa do Iogurte. O Iogurte é como a Força da Guerra das Estrelas, algo de indefinível e poderoso. Eu comemorei o dia do Iogurte, fiz até um desmedido esforço por encontrar Iogurtes, apenas os preferi trocar, mesmo quando os encontrei, por outros produtos. Sou um pouco anarca e não quis seguir a onda, apesar de saber que ontem todos os portugueses comeram Iogurte, aparecendo mesmo brigadas nas escolas a controlar se o Iogurte era ou não comido. Proponho até criar um verbo Iogurtar – Eu Iogurto, Tu Iogurtas, Ele Iogurta, Nós Iogurtamos, Vós Iogurtais, Eles Iogurtam – que se aplicaria à acção de criar factos (vulgo dias) idiotas a pretexto de tudo e de nada: por exemplo, alguém propõe que haja (se é que já não há) o dia da mulher que sofre maus tratos físicos de maridos mais velhos do que as mesmas e com o recurso ás mãos, eu logo responderia estás a Iogurtar!