20.10.05

Humor Negro

Será que podemos encomendar uma gripe das aves exclusiva para os pombos? Lisboa precisava tanto disso…

12.10.05

Apetece comprar para dar estalos II

Júlia Pinheiro. Para além de tudo, aquela voz devia ser proibida.

Apetece comprar para dar estalos I

(Pessoa que nos irrita tanto que dá vontade de ter em casa para ir espancando a nosso belo prazer.)

Manuel Maria Carrilho

10.10.05

Momentos altos de ontem

A “narigada” da comovida Bárbara perante a frígida indiferença de Manuel Maria. Foi pena o pequeno Diniz não ter também aparecido, seria um fecho com chave de ouro para esta memorável campanha de Carrilho.

A competência inequívoca do STAPE que deixou os jornalistas à beira de um ataque de nervos.

Sousa Tavares a falar de futebol Deviam ser feitas leis – reconheço que um pouco censórias – que impedissem as pessoas de falar de forma tão fanática e irracional. Ao nível de Ferreira Torres.

As genuínas, e ruidosas, gargalhadas no estúdio da TVI aquando da intervenção de Valentim Loureiro. Os momentos que precederam o discurso do Major foram dignos de um sketch dos bons tempos do mudo, por instantes parecia que ninguém o impediria de espancar o senhor que lhe tentava dar o microfone. Seria catarse ou excesso de álcool?

Gostei ontem

Das vitórias de Rio, Capucho, Campelo e de alguns (realmente) Independentes.
Das derrotas de Carrilho, Soares (pai e filho) e Avelino. E também do PS.
Da eleição de Sá Fernandes e de Maria José Nogueira Pinto.
Da não eleição de Teixeira Lopes.
Da educação e subtileza de Carmona no seu discurso, dando uma enorme bofetada de luva branca a Carrilho.
Apesar de tudo da emissão da TVI.
Da chuva.
De ficar no sofá numa alegre abstenção. Não voto em Lisboa e na minha terra nada havia a decidir num cenário eleitoral desinteressante.

Não gostei ontem

Obviamente das vitórias de Isaltino, Valentim e Felgueiras. E também de Mesquita Machado e Isabel Damasceno.
De ver, constrangido, o mau perder e falta de educação de Carrilho. Será que o podemos mandar para um pós-pós-pós doutoramento na Sibéria?
Dos ilegíveis resultados da SIC, que teimavam em ocupar metade do écran sem que lhes pudéssemos dar algum uso.
Da sonífera emissão da RTP.
Do choque tecnológico do STAPE.

9.10.05

Facto

Chove. Finalmente chove. Cheira a terra molhada e há humidade no ar. O sol parece ter-se evaporado. Chove. Finalmente chove.

Coisas da Vida Boa

Lá fora a chuva. Cá dentro, um sofá confortável com jornais e revistas ao lado. Ouvem-se as Bachianas Brasileiras de Villa-Lobos ás quais se seguirão uns madrigais de Monteverdi.

7.10.05

Eleições

Pronto, a campanha está a chegar ao fim. Agora é só esperar pelos resultados no Domingo para ver o povo a entregar o poder ás Fátimas Felgueiras deste país. Para depois, rogamos por uma amnésia que nos ajude a esquecer que, durante alguns dias, fomos mais terceiro-mundistas do que muitos países sul-americanos, com candidatos à espera de julgamento e presidentes de Junta barbaramente assassinados. Perderemos algum assunto de conversa, mas poderemos descansar e voltar à doce ilusão de que vivemos num país civilizado. Por pouco tempo, é claro, já que depois vão chegar as aguardadas e “sábias” palavras do professor Aníbal e voltaremos ao folclore eleitoral. Claro que o país continuará à deriva, mas isso, afinal, não interessa nada.

6.10.05

Tempo

O calor insano lá fora baralha qualquer raciocínio. As estações, que desde a primária aprendemos a conhecer, são hoje uma imensa confusão. Já dizia o poeta: “o mundo é composto de mudança”.

5 do 10 - II

A propósito do post anterior apetece-me lembrar um poema de João Ferreira Rosa – cantado pelo próprio – que é um dos raros, e curiosos, exemplos de música de intervenção monárquica.

Portugal Foi-nos Roubado

Portugal foi-nos roubado
há que dize-lo a cantar
para isso nos serve o fado
para isso e para não chorar

Cinco de Outubro de treta
o que foi isso afinal
dona Lisboa de opereta
muito chique e por sinal

Sou português e por tal
nunca fui republicano
o que eu quero é Portugal
para desfazer o engano

Os heróis republicanos
banqueiros, tropa, doutores
no estado em que ainda estamos
só lhes devemos favores

Outubro Maio e Abril
cinco dois oito dois cinco
reina a canalha mais vil
neste branco verde e tinto

Sou português e por tal
nunca fui republicano
o que eu quero é Portugal
para desfazer o engano

5 do 10

Ontem feriado. Comemoração da implantação da república. Mas comemorar o quê? Os anos de desgoverno que se seguiram a 1910 e deixaram o país à beira da bancarrota? A ditadura que se seguiu e penosamente arrastou o país por longos anos? As consequências de uma revolução pacífica que se reflectem até hoje numa constituição socialista? Os brilhantes últimos governos que vão dando ao país o que ele precisa deixando-o no recomendável estado a que chegámos?

3.10.05

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Morte estúpida. Será correcto usar tal redundância quando a morte é por si só tão estúpida? Perante a brutalidade, tudo se torna estúpido, incomensuravelmente estúpido. O fim é estúpido, ainda mais quando atingido de forma abrupta, inesperada e chocante. Perante toda esta estupidez tornam-se desprezíveis as expressões “é a vida”, “não somos nada”. Nem quando o fim é o culminar de um caminho conhecido estamos preparados, nem quando a idade ou a doença traçaram um destino o aguardamos serenamente. O que dizer então quando surge súbito, sem avisos nem sinais, num golpe trágico, repentino e cruel. Faltam as palavras, as justificações. Resta-nos a Fé.

27.9.05

Coisas da Vida Boa

Acabar um livro, satisfeito, e olhar a pilha em frente para escolher o próximo, ou próximos.

Presidenciais

Afinal Alegre avança. Independentemente do triste espectáculo de avanços e recuos, a sua candidatura pode ser um facto interessante, mais não seja por ser a única não partidária numas eleições que assim deveriam ser. A esquerda já vai com seis candidatos (incluindo a estupenda Carmelinda Pereira), dos quais quatro são líderes de partido e um o candidato oficial do PS. Cavaco, por muito que o tente negar, será o candidato oficial do PSD com o envergonhado apoio do CDS. No meio da partidocracia dominante, resta a independência poética de Alegre para trazer alguma novidade, já que à direita não se vislumbra gente com coragem para aparecer contra Cavaco (a não ser que Portas e Santana queiram fazer uma surpresa).

Reality-shows

A rentrée televisiva trouxe, como seria de esperar, mais um chorrilho de lixo. Para variar resolvi dar uma espreitadela, não sei se por voyeurismo ou por puro masoquismo. Na SIC, homens transformam-se em mulheres, não sei se patrocinados por um bar de travestis se por um cirurgião especialista em transexualidade. Na TVI, um grupo de homens, mulheres e um ser vão à recruta, provavelmente com o intuito de os transformarem a todos em homens. Parece que agora a onda é mudar as pessoas, o que pode ser temível, basta pensar se a seguir vamos ter futebolistas a apresentar o Telejornal ou debates políticos moderados por cantores pimba.

22.9.05

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Há dias em que até temos saudades de nada.

Impensável

Há dois anos atrás parecer-me-ia impensável estar a dar agora parabéns ao Impensado por se manter impensativo ao longo de dois anos de coisas impensadas.

Estado do país

Fátima Felgueiras – arguida com ordem de prisão preventiva em processo a decorrer, fugitiva da justiça no entretanto – regressa ao país, apresenta-se ao tribunal e sai apenas com termo de identidade e residência e proibição de sair do país (irónico, não?). O povo aclama-a, os jornalistas quase a atropelam, ela passeia um fato bege e um sorriso enorme. Tudo isto já definiria um país, mas há mais, a senhora é candidata à Câmara de Felgueiras. Será preciso mais para definir o estado deste país, é que infelizmente até há.

20.9.05

Tradições


Fim-de-semana no Norte. O encontro com algumas tradições que ainda perduram neste país. As concertinas, os viras, a animação espontânea e genuína de um povo. A festa na rua, sem regras nem imposições, simplesmente os costumes passados por pais que dançam ao lado dos filhos em rodas improvisadas após chegar uma concertina.

16.9.05

Lisboa

Ontem entro a meio do debate da SIC Notícias com Carmona Rodrigues e Carrilho. No geral, lamentável! Apenas uma ocorrência simpática, a constatação que, apesar de tudo, não estamos num país terceiro-mundista e que ainda há políticos civilizados, não fora assim e acho que o debate teria terminado a meio com Carmona a levantar-se e dar um belíssimo par de estalos em Carrilho, independentemente de este nem sequer ter cara para os levar.

Coisas da Vida Boa

Catherine Deneuve a cantar “Toi Jamais”: no filme “Oito Mulheres” ou no recomendável disco “Café de Flore 2”.

15.9.05

Presidenciais

Prevejo penosos tempos até ás eleições presidências. No final teremos de aturar um dos dois, o problema é que até lá vamos levar com os dois ao mesmo tempo e ainda temos brindes tipo fava do bolo-rei. Ai! Não me devia ter lembrado do bolo-rei.

BE

Não resisto a postar este texto que hoje recebi por e-mail. Ao autor, que desconheço, as desculpas pela utilização do texto.
"Medidas do Bloco de Esquerda para acabar com incêndios.
1 - Despenalização imediata dos incêndios.
2 - Tendo em conta que os incendiários são doentes e socialmente marginalizados, devem ser tratados como tal: é preciso criar zonas específicas para poderem incendiar à vontade. Nas "Casas de Incêndio" serão fornecidos fósforos, isqueiros e alguma mata. Sob a supervisão do pessoal habilitado, poderão lutar contra esse flagelo autodestrutivo.
3 - Fazer uma terapia baseada nos Doze Passos, em que o doente possa evoluir do incêndio florestal à sardinhada. O pirómano irá deixando progressivamente o vício: da floresta à mata, da mata ao arbusto, do arbusto à fogueira, da fogueira à lareira, da lareira ao barbecue até finalmente chegar à sardinhada do Santo António e São João.
4 - Quando o pirómano se sentir feliz a acender a vela perfumada em casa, ser-lhe-á dada alta, iniciará a sua reintegração social e perderá o seu subsídio de incendiário."

14.9.05

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Figueira da Foz, 2005

No limiar do bom gosto

Temos um capachinho na Petrogal, um aldrabão na CGD, um Tiranossaurus Rex a disputar a presidência com um mamute, só nos faltava o Mister Bean no Tribunal de Contas.

Publicidade

O “meu” banco lançou uma campanha publicitária com uma música de Pedro Abrunhosa, a avaliar pela originalidade e qualidade da letra (a repetição exaustiva da frase “Eu estou aqui”) temo pelo meu dinheirinho. Dantes os bancos davam o exemplo de sobriedade e competência, hoje competem com detergentes e margarinas. Enfim, estas modernices do marketing atingem pontos de disparate tais que nos fazem duvidar dos produtos. Ainda não é suficiente para mudar de banco, mas ficarei de sobreaviso.

12.9.05

Futebol e petardos

Bela noite de sábado pelas bandas de Alvalade. O jogo não foi brilhante, mas o Sporting até esteve bem e mereceu, acima de qualquer discussão, a vitória. De destacar o bom jogo da defesa do Sporting – em especial o Tonel –, os excelentes golos, Luís Loureiro e João Moutinho. Menos bem apenas Deivid e Sá Pinto (a eterna pergunta que me atormenta: “como é que ele é titular?”). O único ponto realmente negativo esteve numa cambada de energúmenos que insistiu em rebentar petardos do princípio ao fim do jogo. O fascínio dos portugueses pelo barulho não cansa de me surpreender, qualquer festinha de aldeia faz parecer que estamos em Beirute ou Bagdad tal é a quantidade de morteiros rebentados. Fogo de artifício sim, percebo que se goste apesar do barulho, agora morteiros ou petardos são fenómenos que me ultrapassam.

11

Ontem foi onze de Setembro. Há quatro anos o mundo foi chocado com algo inimaginável, com um acto acima de qualquer adjectivo possível. É preciso lembrar, sem “mas”.

7.9.05

Regressar II

Faz-me falta o mar diário, o carro arrumado em lugar esquecido, os gelados de marrons glacés com natas e as sapateiras ao pôr-do-sol.

Regressar I

Os primeiros dias de retorno à rotina habitual, depois de uns tempos de Verão por outras bandas, estão sempre carregados de sentimentos contraditórios. Por um lado voltamos ao nosso cantinho, à nossa cama e aos nossos CD’s, por outro ansiamos recuar no tempo e suspiramos por dias longos e sem horas. Enfim, a velha história de só estarmos bem onde não estamos.

Blogosfera

Pela blogosfera fora algumas novidades e algumas actualizações a fazer. Com muita pena retiro três blogues da coluna aqui ao lado – o “Aviz”, o “Fora do Mundo” e o “Jaquinzinhos” – que resolveram deixar a nossa companhia. A boa notícia é o novo “A Origem das Espécies”. Nos entretantos agradeço os novos links feitos a este blog no “Anatomia Surreal”, no “Duas Cidades” e no “My Guide To Your Galaxy”.

6.9.05

Prioridades

Há neste país quem ande em delírio. Ontem, no “Prós e Contras”, Medeiros Ferreira falava no destino de Portugal como país de eventos e Vítor Martins defendia as grandes obras (Ota e TGV) como veículo indispensável para o desenvolvimento económico. O pior é que parecia que falavam a sério.
Governar é, cada vez mais, definir prioridades e actuar sobre elas. Pena é que neste país as prioridades sejam sempre as erradas e por isso andemos como andamos.

1.9.05

Curtas

O choque tecnológico de José Sócrates ficou ontem visível na apresentação da candidatura de Mário Soares.

Aguardo a altura certa que António Costa sempre invocou para falar sobre as causas dos incêndios deste ano. Suponho que espere que nos esqueçamos lentamente do sucedido até ao próximo ano.

Ontem, a SIC Notícias passou um curioso documentário sobre seres humanos em estado atrasado de evolução, só me questionei porque lhe chamou debate sobre as autárquicas em Amarante.

30.8.05

Normalidade

As festas de Barrancos estão a decorrer na normalidade e nem os habituais “amigos” dos animais apareceram. Haja alguma coisa que se mantenha normal neste país para que haja alguma (tenuíssima) esperança.

29.8.05


Figueira da Foz, 2005

Diálogos Imaginários

– Charles, já sabe o que o espera. Não tenho pressa, mas quando puder desmanche as malas, deixe a roupa em dia, reabasteça a despensa, enfim, ponha a casa em ordem.
– Com certeza menino, eu sei o quanto detesta lidar com chegadas e partidas.

17.8.05

Estado do país

O país continua a arder e o primeiro-ministro continua no Quénia. Enfim, tudo normal neste Portugal entregue - desde há demasiados anos - à bicharada.

Crónicas da Figueira VI

A tranquilidade quase bucólica deste lugar vem sendo barbaramente quebrada. As modernices. As inenarráveis modernices. Há sempre queixas acerca da imutabilidade, mas também o "novo" não tem de irromper como um vulcão.
Por aqui, após anos de lenta - porém agradável - decadência, a modernidade foi aparecendo com a subtileza de um elefante. Aulas de aéróbica na praia, junto à marginal, com música adequada em volume tão discreto que nos hotéis limítrofes se tem de adequar os horários próprios ás horas das mesmas. Concertos em palcos que entopem esquinas nas ruas e obrigam a sorver os cafés nas esplanadas com rapidez para fugir a tempo de evitar a surdez. O "Mundialito" de Futebol de Praia - que nos últimos anos trouxe o inferno a esta praia - rumou, por graças divinas, até ao Algarve, onde espero continue a massacrar inclementemente os veraneantes. No meio de tudo isto, os músicos de rua tornam-se agradáveis presenças pois apenas trazem consigo um pequeno amplificador que acaba a soar a suave flauta perante o resto.
Enfim, tudo estava já mau até surgir o horror, o inferno que até a Dante surpreenderia e que chegou com o último fim de semana. O palco montou-se junto ao Forte de Santa Catarina que - coitado - habituado a bárbaras tempestades de outros tempos, nunca imaginou o que o esperava. Do Brasil lembramos Vinicius, praia, João ou Caetano e preferimos esquecer os forrós, os pseudo-sambas, os sons comerciais que ouvimos em feiras e discotecas de província. Tentem imaginar o drama de um palco a debitar - em contínuo, dia e noite - samba (mau) e forró, com uma intensidade sonora que fez temer pelas paredes de pedra do Forte e que terá, possivelmente, de levar a uma intervenção do IPPAR sobre as mesmas. Mais ainda, complementado - não fosse alguém esquecer o "espectáculo" - por camiões cobertos por colunas e gente a dançar que quase me causaram uma indigestão de uma sapateira que tentava comer numa esplanada.
A visão é de um inferno, de que alguém terá alucinado e prostituído uma cidade em nome de alguns cobres. Na praia, só dentro de água, de preferência em mergulhos longos, conseguíamos por vagos momentos escapar ao ruído.
Nos dias de hoje há quem imagine que o som, a música, são bons por si só. Cada vez mais penso que o silêncio vale a pena e aprecio-o agora, quando o sol se põe e olho para o fim de semana que passou. Algumas crianças brincam civilizadamente e o sol vai caíndo. A paz voltou a esta terra que agora será terreno mais calmo, talvez mais deprimente pela saída de algumas pessoas, mas calmo.

Crónicas da Figueira V

O agradável de surpreender uma longa noite - no interior de uma enorme voragem alcoólica - com uma longa conversa sobre Hitchcock. Poucas conclusões, mas a unânime - porém polémica - decisão de que "Psico" será a obra menor do Mestre.

11.8.05

Estado do País

Inversamente proporcional à qualidade das férias ininterruptas de Sócrates.

Crónicas da Figueira IV

Nuvens, chuva. Uma benção dos céus para acalmar as chamas do país. Por aqui, tempo para umas canastas e lanchinhos. As noites alongam-se mais sob a perspectiva da praia ser uma miragem distante no dia seguinte

6.8.05

Requiem por um país

Todos os anos o mesmo, o de sempre. A tragédia costumeira. Tudo se repete, as causas, as desculpas, as queixas. Mas tudo sempre se repete. O país arde e os incompetentes que nos governam, que nos andam a governar há anos, continuam a demostrar a sua incapacidade e irresponsabilidade, a sua postura criminosa. Porque criminosos não serão apenas os que ateiam os fogos, são também os que permitiram que este país se transformasse numa República de Bananas em que o território se desordenou até ao caos e em que é prioritário fazer obras de fachada como a Ota em vez de se gastar dinheiro em algo muito mais importante: salvar o país.

4.8.05

Crónicas da Figueira III

Chegadas, beijos do mês. As primeiras conversas em tom de ponto da situação. Os que estão, os que virão e os que já não vão estar. Na praia o costume, discussões acesas com os banheiros. Todos os anos começa assim. Porque há menos espaço, porque já temos cadeiras de plástico. As banheiras, de bloco atrapalhado em punho, tentam dizer onde são os lugares de cada um. Nunca é pacífico, porque o lugar não é o mesmo, porque não se quer aquela família com seis crianças ao lado, porque aqueles dois não se falam. A banheira - refém das suas confusões e trapalhadas - atarantada com tanta gente, gesticula que tem de ser assim, que não se pode alterar, que - pronto - se pode chegar um pouco para o lado este chapéu. Sempre assim, todos os anos. Por aqui, o grande drama e tema de conversa dos primeiros dias - a par de divórcios e ausências - é a problemática dos chapéus de sol na praia.

2.8.05

Crónicas da Figueira II

Os posts vão ser ainda mais anárquicos agora, as férias e a necessidade de atravessar a rua para vir ao cibercafé vão tornar a tarefa penosa e cansativa. Enfim, veremos como vai correr. A manter-se a nortada impertinente que tem varrido a praia talvez faça deste cantinho o meu refúgio.

Crónicas da Figueira I

Ontem, viagem via Norte. Este blog deslocalizou-se com as minhas férias e a Figueira da Foz passa a ser a sua sede. No caminho - e em conversa com a minha mãe - recordo esta mesma viagem há uns anos atrás, a família toda, a confusão. O dia era planeado com antecedência e a sua chegada aguardada com nervosismo. As bagagens eram empilhadas em camioneta alugada por entre tomates e batatas. A mudança de casa no sentido literal. A chegada frenética e casa cheia para a qual só faltava levar galinhas. Hoje tudo é mais simples, basta um carro atulhado com malas por certo inutilmente cheias. Mesmo racionalizando e evitando despejar o armário inteiro para dentro das malas - algo feito amiúde em outros anos -, há sempre o hábito herdado da camioneta de tentar mudar de casa, de levar coisas que até podem fazer falta, mesmo que todos os anos digamos que é a última vez.

28.7.05

Diploma

O claustro estava vazio, contudo sons rodeavam a minha cabeça, conversas, suspiros, músicas. Não havia vivalma e atravessei até ao bar para um café; tudo igual, as paredes, o balcão, o Paulo. Há uns tempos que não voltava à minha escola, à minha Universidade. Cinco anos, mais ou menos, desde que o curso se deu, com grande pena, por terminado. Já tinha voltado, várias vezes mesmo, mas hoje a tranquilidade das paredes e falta de burburinho, de gente, de caras conhecidas, tornava o ar estranho, carregado de nostalgia. O diploma, o almejado diploma, estava finalmente pronto, com a rapidez que caracteriza o nosso país demorou quase tanto tempo a ser escrito como demorou a ser acabado. Talvez seja essa a ideia. A secretaria estava diferente, sem os guichets de madeira e os buracos para falar, agora com a entrada toda em vidro e uma cara nova no atendimento. Modernices. Felizmente o edifício é difícil de estragar e o claustro, com o imutável Quercus a meio, esperava tranquilamente, à impiedosa luz do sol, por um Setembro mais animado com praxes e “carne fresca”.
As romagens ao passado marcam sempre. Ao contrário de muitos, para mim a faculdade foi um lugar feliz e de boas (óptimas) recordações. Ganhei vida, mundo e muitos amigos que até hoje perduram. Por isso o diploma foi como que um corte umbilical com a minha escola, um ponto (aparentemente) final numa ligação. Hoje estou nostálgico e tive de ir ás compras. Enfim, há maneiras diferentes de “curtir” a nostalgia, hoje estava fútil e apeteceu-me ir ao Chiado comprar. Podia ter sido pior.

Pré-Época

A Gamebox já cá canta. Este ano seremos cinco a seguir as pisadas do Sporting em Alvalade. Espera-se algo de bom, afinal a esperança sempre foi muito verde. A ver vamos quando for a doer (pré eliminatória da Liga dos Campeões), para já a coisa não vai mal.

27.7.05

Investimentos

Fala-se agora muito dos grandes investimentos e discute-se a sua necessidade e rentabilidade. Soares surge como candidato a Presidente da República e ainda ninguém olhou para este facto como um investimento do país. O facto é que Soares pontuou os seus mandatos anteriores por viagens à volta do mundo, hoje, com a provecta idade a que chegou, não me parece que repita a graça. Isto é tão mais importante quanto será de esperar que agora retribua a hospitalidade dos países que visitou, distribuindo convites para que venham ao seu país. O Palácio de Belém será uma estalagem sempre cheia e contribuirá – imaginando o bem que Soares recebe – mais para a imagem do país do que cem acções do ICEP. Nos tempos de promoção do turismo, nada melhor que um bom cicerone a representar-nos. Falta contudo falar na melhor rentabilidade que poderemos tirar de Soares e da sua obsessão em dialogar com os terroristas. Cedo perceberemos – caso seja eleito – que Portugal será transformado numa zona franca onde os senhores da Al Qaeda virão para tranquilos chás com torradas com o presidente Soares, arrastando negociações enquanto olham o pôr-do-sol no Tejo. Pensando nas enormes quantidades de dinheiro do senhor Bin Laden é líquido que a entrada de divisas no país crescerá exponencialmente.
Muito se tem falado de presidenciais, mas em tempos de défice é bom olhar lucidamente a questão como mais um ponto a discutir da economia e tirar os melhores dividendos disso.

26.7.05

Insónia

Ontem resolvi deitar-me cedo, resolução rara só justificada pela neura e por algum sono. Apetrechado do meu Harry Potter lá fui, esperando apenas durar um capítulo. Enfim, eram três e meia quando, alguns capítulos depois e muitas deduções sobre Horcruxes, em esforço lá me veio uma réstia de sono. Que chatice é gostar de ler, lá terei de voltar à técnica Tv-Shop, essa não falha.

Conversas Imaginárias

– Charles, não se esqueça que no fim-de-semana vamos de férias. Vá preparando a roupa e tudo o resto, já sabe que eu detesto esses números.
– Claro que sim menino, não se preocupe.

Férias

Quase de férias, quase. Este quase é uma última semana que saltita entre o deprimente, a chusma de coisinhas para tratar, os projectos a fechar, as compras que não houve tempo de fazer. Uma canseira! Deviam acabar com esta mania de toda a gente tirar férias ao mesmo tempo. Tudo seria mais fácil e a nossa retirada mais calma, suave, discreta.

Gente

Todos os dias – ao fim da tarde – grita por Inês sem resposta da pobre criança. Ao longo do dia pousa numa esquina, vendo quem passa, entoando de quando em quando um fado desafinado. O seu ar oscila entre uma demência aparente e uma senilidade precoce.

21.7.05

Elefante Branco

A demissão de Campos e Cunha deveu-se, segundo o próprio, a motivos pessoais. Como sabemos do seu diferendo com Sócrates acerca do “Elefante Branco” da Ota será que podemos deduzir que a demissão se deveu a razões morais? Realmente os sítios de má fama sempre estiveram ligados à política - embora de forma muito discreta -, agora que eles sejam responsáveis pela demissão de um ministro, isso sim é uma novidade!

20.7.05

Coisas da Vida Boa

Chá Marco Polo (Mariage Frères) gelado com umas torradinhas de pão de centeio com manteiga do Açores.

Diálogos Imaginários

– Charles, por favor esqueça as minhas manias contra o ar condicionado e arranje um logo que possível. Antes uns ataques de rinite do que sufocar neste inferno.
– Com certeza menino, ainda hoje estará a funcionar.

Coisas da Vida Boa

O Verão, apesar do calor. Aliás, se não fosse o calor contra o que é que podíamos resmungar, e sem resmungar como suportar uma existência calma e sem razões de queixa.

Livros

Chegou pelo correio o novo Harry Potter, agora o “Bartleby y compañia” do Enrique Vila-Matas terá de seguir a ritmo mais lento.

19.7.05

Quase Famosos

Sexta-feira tive o meu primeiro contacto com um ambiente “blogger”. A festa dos “Quase Famosos” no D&D em Lisboa foi o pretexto. Entrei discreto com um grupo de amigos e discreto permaneci. Algumas caras conhecidas, poucas, e muita gente que se calhar já conheço pela escrita, mas que não imagino de todo quem sejam. Estava calor, estava mesmo muito calor e o bar foi pequeno para tanta gente. Cheguei já tarde mas a música esteve irrepreensível. Quanto ao resto, apenas a curiosidade de poder estar entre gente que conheço mas que não faço de facto ideia quem é.

Rugby

A nossa selecção de Rugby (versão Sevens) foi campeã da Europa pela quarta vez consecutiva, nos jornais a notícia apareceu em tímida e magra coluna ao lado de considerações sobre um amigável entre o Benfica e o Chelsea e a chegada de Pinilla do Chile. Gosto muito de futebol, mas seria bom que o mérito do trabalho feito pelas gentes do Rugby fosse reconhecido. São amadores e todos têm outras profissões como advogados ou veterinários; chegam a pagar do seu bolso deslocações que a Federação não pode custear; ficaram no ano passado em primeiro lugar do Torneio das Seis Nações B, sendo que só se pode chegar ao A por convite; são um exemplo do que o desporto ainda pode ser num século XXI subordinado ao dinheiro. Tudo isto e quem é que sabe, onde é que aparece divulgado? Estivéssemos nós num país civilizado e talvez deixássemos de classificar pessoas que se destacam como o “Mourinho” do Fado ou da Bioética e usássemos também os “Tomaz Morais” do Atletismo ou da Geologia Aplicada; estivéssemos nós num país civilizado e os portugueses já deveriam ter ouvido falar do Sebastião Cunha ou do Frederico Sousa, ou do Uva, ou do Pissarra, ou do Malheiro. Ainda há desporto para além do futebol!

15.7.05

Lisboa

Releio o post anterior (Votar Bloco?) e assusto-me um pouco com o tom panfletário e inflamado. Acho que entusiasmei e procuro uma justificação. Olho pela janela o sol brilhante sobre as colinas de Lisboa, as calçadas brancas a irradiar luz. É fácil gostar desta cidade e deixarmo-nos tolher pela utopia de achar que ela pode sobreviver muito tempo à voragem dos irresponsáveis. E tentar lutar por isso.

13.7.05

Imprescindível

A propósito dos 25 anos sobre a morte de Vinicius de Moraes, o Ivan – d’a Praia – está a fazer uma série de posts. Imprescindível, quer pela qualidade dos posts, quer pelo tema. Vinicius é um daqueles personagens maiores que a vida, que as vidas. Por aqui tenho esquecido muitas vezes de escrever sobre ele, sobre a minha pequena obsessão pela sua obra, mas também pela sua vida. Concordo com a sua escolha do disco preferido, a gravação em casa de Amália é a que mais aproxima a sua obra com a sua vida, com a sua maneira de estar na vida. Aproveito para recomendar – se é que não conhece – uma gravação em DVD de um concerto gravado para televisão com Tom Jobim e Miucha. A performance e a gravação não são grande coisa, mas ver Vinicius cantar, sentado a uma mesa – sobre a qual está um balde de gelo e uma garrafa de whisky que vai esvaziando drasticamente – com um ar de gentleman britânico de microfone na mão, é uma imagem inesquecível.

Votar Bloco?

A pergunta poderia ser completamente descabida neste blog, infelizmente não é. Nas eleições para a Câmara de Lisboa, o mais interessante candidato vem mesmo dai, ou melhor, com o seu apoio. José Sá Fernandes apresentou uma candidatura que muitos desejavam. Ele tem sido o chato que todas as Câmaras deviam ter, aquele que acompanha as sessões e deliberações da Câmara, que anda em cima de todas as medidas e obras. Nos pequenos municípios há sempre alguém assim, a maior parte das vezes – quase sempre – apartidário, batendo-se apenas por amor à terra, publicando artigos em jornais locais, promovendo acesas discussões de café. Nas terras pequenas é mais fácil ter este papel, acompanhar toda a actividade camarária, saber das necessidades da população. Em Lisboa é muito mais difícil, não só por questões de escala, mas também pela maior visibilidade ao nível nacional, o que leva também a uma maior manipulação por parte dos partidos. Durante anos foi Gonçalo Ribeiro Telles o paladino da luta por uma Lisboa melhor, porfiou, pensou, escreveu, falou. Tentou por quase todos os meios que Lisboa não caminhasse para ser uma capital terceiro-mundista, sem a qualidade de vida que podia, e devia, ter. Muitas asneiras foram ainda impedidas por ele, por ele e por um grupo de pessoas que sempre o seguiu nesta missão – a memória é grata ao pensar no Movimento Alfacinha. O que sempre faltou a Ribeiro Telles foi a agressividade e acutilância que a idade e a sua postura de Gentleman não lhe permitia. Muitas vezes foi, é, acusado de ser um velho sonhador. Pena é que os seus sonhos se revelem necessidades anos depois de ele os ter revelado, pois é sempre complicado ter razão antes de tempo.
As dúvidas que ainda tivesse dispersaram-se com a entrevista de Maria João Avillez a José Sá Fernandes. A começar pela forma como surgiu a candidatura, não com uma personalidade a avançar e um séquito de apoiantes que nem sabem o que apoiam, mas sim com um conjunto de ideias que colheu contributos de um conjunto de personalidades como Gonçalo Ribeiro Telles, António Barreto e Miguel Esteves Cardoso e que se tornou num programa concreto para a cidade de Lisboa. Depois porque esse programa – vivamente questionado no debate – se baseia numa postura perante a Cidade que não poderia ser mais do agrado de um empedernido conservador inglês, ou seja, uma visão do urbanismo e da vida na cidade mais baseada na “conservação” do que está bem e na óptica do cidadão, do que em obras de fachada dominadas pelo betão.
Não consigo encarar as autárquicas como eleições partidárias, muito antes pelo contrário (tema que desenvolverei noutro post), daí que em Lisboa, tendo em conta os dados conhecidos, votaria – sem olhar para o símbolo se ele aparecer no boletim de voto – na candidatura de Sá Fernandes. Não por mim, não por ele, mas por Lisboa. Como conservador não vejo outra alternativa.

8.7.05

O Nojo

Ontem, mais uma vez, algumas criaturas tentaram relativizar – embora dizendo que não o faziam – os atentados. Tenho em mim um nojo profundo ao ouvir sempre um “mas” quando falam de terrorismo, acabando sempre a referir o Iraque ou o Afeganistão, a pobreza ou a opressão. Claro que há várias causas, mas para os exterminadores elas não são sequer necessárias, a maior causa é o desprezo e ódio com que olham a sociedade ocidental. Isso é suficiente para que matem indiscriminadamente inocentes e isso, isso não tem nem o mais remoto “mas”.

Combate

O maior combate aos terroristas é não nos deixarmos submeter ao terror. Hoje, vivesse eu em Londres, o Metro era o meu transporte.

Gente

Sexta-feira, à porta do Lux. Uma velha, de ar andrajoso e por quem o tempo passara, destoa de tudo o resto. No meio do bulício da noite faz o seu estranho caminho, passo lento, tranquilo, estranhamente decidido. Enquanto espero alguém sigo-a com o olhar. O lenço na cabeça, colorido, os sapatos antigos como ela. Dirigiu-se à porta. Ao longe, na impossibilidade de me transformar em mosca, imaginava conversas delirantes com o porteiro; Quereria entrar? Pediria para ir à casa de banho? Estaria a perguntar por alguma informação? Seria definitivamente louca? Nada compreendi, apenas a vi voltar a fazer o mesmo caminho em sentido contrário, no mesmo passo tranquilo, pausado mas decidido. Como diria uma amiga minha “Quem seria esta velha que ousou entrar nas brumas da noite?”

7.7.05

Londres

Ia escrever sobre os Jogos Olímpicos e sobre a vitória de Londres sobre Paris, ou melhor, da Inglaterra sobre a França. Ontem a boa arrogância britânica deixou os altivos franceses a chuchar no dedo. A actualidade precipitou-se e agora o motivo passou ao luto, a infame Al Qaeda voltou a atacar. Os assassinos escolheram Londres para um novo round de bombas. O mundo é, cada vez mais, um lugar perigoso.

5.7.05

Investimentos

O governo apresentou o “Grande Pacote” de investimento do Estado. Nada de novo, o betão continua a ser o destino messiânico dos nossos dinheiros e as obras públicas continuam a ser a fuga para a frente para ir resolvendo, provisoriamente, a economia e o desemprego. Teremos o que merecemos, depois das auto-estradas de Cavaco, agora o aeroporto da Ota. Talvez no futuro mais duas pontes em Lisboa e uma grande auto-estrada a ligar Vila Real de Santo António a Bragança. Enquanto isto a economia continua estagnada, a indústria decadente e o choque tecnológico vai sendo uma miragem.

4.7.05

Gente

Entrou com a manhã. Com voz rouca pediu um café, e um bagaço. Cumprimentou as caras familiares em seu redor. Os seus olhos traziam restos de vida, de muitas vidas passadas e queimadas. As mãos eram rugosas, com sulcos de dor. Estaria a começar ou a acabar o dia?

Compras Imaginárias

Sair directo para a FNAC e encher sacos sem fim com livros, discos e DVD. Alucinar publicamente e chegar à caixa num gaguejar nervoso perante a estupefacção da menina que hesita em chamar o segurança ou começar o longo registar das compras.

Coisas que maçam

Ainda não ter saído o segundo volume de DVD’s do “Verano Azul”.

30.6.05

.

Se uma gaivota viesse,
Trazer-me o céu de Lisboa
(...)
Alexandre O'Neill

Pergunta

Ainda não percebi se, caso ganhe o referendo, os abortos serão feitos em hospitais públicos e à custa dos contribuintes? Claro que em caso de resposta afirmativa isso não deverá preocupar o Ministro da Saúde.

29.6.05

Coisas que irritam

As repetições das “Desperate Housewives” de terça-feira estarem atrasadas em relação aos episódios de Domingo.

Prioridades

Na blogosfera só se fala da saída de Daniel Oliveira do Barnabé. O governo, após os erros do orçamento, resolveu insistir no referendo ao aborto até ao fim do ano. Enfim, cada qual com as suas prioridades. Em dias assim sinto-me, de facto, fora do mundo.

28.6.05

Carrilho e Santana. Separados à nascença?

Manuel Maria Carrilho sente repulsa por Santana e por tudo o que ele representa, numa relação de quase obsessão. No entanto vejamos:
Santana teve a pasta da Cultura, Carrilho também.
Santana é presidente da Câmara de Lisboa, Carrilho é candidato.
Santana foi Primeiro-ministro, Carrilho ambiciona ser.
Santana é um enfant-terrible no partido, Carrilho também.
Santana sempre teve relações crispadas com a imprensa, Carrilho anda agora a insultar jornalistas.
Santana sempre casou e namorou com mulheres bonitas, Carrilho tem uma mulher bonita.
Santana era o rei da noite lisboeta (em particular da Kapital), Carrilho não lhe fica atrás (apesar de preferir o Lux).
Santana é uma vedeta do jet-set e aparece amiúde em revistas cor-de-rosa, Carrilho – com Bárbara e Diniz – está a tentar destronar José Castelo-Branco (em capas e disparates ditos).
No fim disto tudo uma pequena diferença, de facto Santana não é culto e admito que Carrilho o seja. Não serão no entanto muitas semelhanças? Depois do populismo genuíno de Santana, o populismo rive-gauche de Carrilho.

Coisas da Vida Boa

Casamentos de Amigos. Apesar de uma inegável e leve sensação de perda.

23.6.05

O que é Portugal?

Depois do Presidente pedir autorização a um Embaixador para fazer uma visita dentro do país, agora veio a Ministra da Educação dizer – por outras palavras – que os Açores não fazem parte da República Portuguesa. Qualquer dia para comprar caril no Martim Moniz precisamos de visto do governo indiano.

Greves

Depois das odes a Cunhal e ao inenarrável Vasco, veio o Presidente atirar-se aos bancos. Agora seguem-se as greves. Portugal entrou num tranquilo PREC do qual veremos como vai sair. Se é que vai sair.

Bach

Apesar de o Impensado me recomendar Haedel, parece que refrescou mesmo. Talvez não tenha sido pelos Concertos de Brandenburgo, mas ontem, após Bach, consegui sair à rua sem a sensação de sufoco. Como até nem desgosto do verão, acho que vou deixar o Handel sossegado, afinal ficar com frio em Junho também seria de mais. Voltarei, como em tantas vezes, aos concertos para piano de Rachmaninov interpretados pelo próprio.

21.6.05

Saudações

Daqui saúdo o Exmo. Sr. Ministro da Saúde pela excelente saúde do próprio e de todos os que lhe são próximos, para além da boa capacidade financeira dos mesmos que lhes permite consultar os melhores médicos fora do Serviço Nacional de Saúde. Só isto pode explicar que ache as filas de espera para operações em Portugal um assunto sem interesse.

Hoje

O ar lá fora está irrespirável. Aqui dentro o som de Jack Johnson faz lembrar calor, mas em fins de tarde depois de um dia de praia. Na areia uma guitarra e umas cervejas, em redor bonitas sufistas regressam após a última onda, ao fundo o sol vai-se pondo e o tempo é uma ilusão.

20.6.05

República das Bananas

Jorge Sampaio, por um qualquer acaso Presidente da República Portuguesa, perguntou ao Embaixador de Cabo Verde se era seguro fazer no Sábado a aparatosa visita ao Bairro da Cova da Moura, por acaso situada em território português. Será isto normal?

Coisas da Vida Boa

“Desperate Housewives” na SIC.

Diálogos Imaginários

– Charles, por favor faça uma limonada fresca com açúcar e uma sanduíche de pão de centeio com queijo fresco.
– Com certeza menino, é só um momento.

Portugal no seu pior


Guimarães, 2005

17.6.05

Sonhar

Fim de tarde, quase noite, e o fresco verde em redor transmite calma. A estrada segue ondulando e desemboca numa pequena povoação. Abro a porta e os frescos dezanove graus obrigam a levar uma camisola para a noite. Entro no Pub e, apesar da falta de fumo, o ambiente convida-me a ficar. Peço um “pint” de Guiness e espero o frio anoitecer. A Irlanda é imagem recorrente em tempos de calor insuportável.

Humor negríssimo

(Há dois dias o trânsito em Lisboa estava insuportável, ruas cortadas em redor da Avenida da Liberdade e da Praça do Chile e engarrafamentos por todo o lado.)
Cunhal foi, de facto, sempre incómodo.

O DN de Quarta-feira tinha capa dupla com Álvaro Cunhal de um lado e Eugénio de Andrade do outro. Nos quiosques a que fui era a imagem do poeta que estava por cima. Será que anda uma onda reaccionária pelos vendedores de jornais?

15.6.05

Geração Hippie

Ouço Joan Baez e recuo para um passado para mim mais do que longínquo. Será que, caso fosse mais velho, teria virado Hippie?

Monsanto, 2003

14.6.05

Verano Azul

(Passa um loira estupenda pela praia)
Tito (em resposta a um comentário de Piranha): “Demasiado para mi body”

Fim-de-semana

Calor tropical e arrastões. Bom para não ir à praia. Assim foi.

7.6.05

Bravo

Para Pacheco Pereira no “Prós e Contras” de ontem. Entre a enervante desonestidade intelectual de Vital Moreira e o seu particular despique com Sérgio Ribeiro e a falta de coragem de dizer o que realmente pensa de Ribeiro e Castro, passando pelo legalismo de Jorge Miranda e as “boutades” divertidas mas inconsequentes de Miguel Beleza, Pacheco foi a voz da lucidez e aquele que mais contribuiu para o esclarecimento das pessoas sobre o Tratado Constitucional Europeu. Haja alguém.

6.6.05

Meteorologia

Estado Líquido. A canícula chegou.

Telemóvel

Ontem fui obrigado a largar o meu pequeno e levemente arcaico telemóvel. O estúpido deu em desligar a qualquer toque, comportando-se como uma jovem menina virgem e frígida perante um perigoso predador. Enfim, não há pachorra para esses filmes e só espero poder ressuscitá-lo para tirar alguma informação que ficou lá. Com a compra de um novo, entrei na modernidade do MMS (que acho que nunca vou usar) e da câmara fotográfica (para a qual tenho dificuldade em encontrar uso). Reconheço que o visor a cores é mais agradável, mas faz-me sentir com um complexo de novo-rico que ainda não sei como vou resolver.

2.6.05

Nee

Saiam tulipas em cascata neste quente dia de Primavera. Mais um “Não”.
E agora, qual será a desculpa? Mais uma vez o descontentamento com o governo? Excesso de haxixe? Demasiado tempo de exposição a quadros de Van Gogh? Falta de montanhas? Será óbvio que assumir democraticamente o “Não” como um simples Não é algo que não passará pela cabeça dos anjos democráticos de Bruxelas.

31.5.05

Pergunta

O nosso Presidente da República diz que – mesmo com o “Não” francês – a Europa não pode parar.
Humildemente pergunto: e porquê?

Coisas da Vida Boa

A nova caixa de DVD’s do “Verano Azul”. Esperam-me agora algumas horas da mais pura nostalgia. Que bom!