Ao se ler a posta anterior pode-se ficar com ideia de mim como um espartano com horror ao dinheiro e ás compras. Errado, gosto muito de compras. E gosto muito de dar presentes, e de receber. Dá-me um imenso gozo procurar um presente a pensar em determinada pessoa, tentando encontrar “aquela coisa” que a vai surpreender e agradar. Gosto de rasgar papéis em busca de uma surpresa. Tudo isto é óptimo, mas quando o tempo escasseia e nos tornamos escravos de ter de dar qualquer coisa, e que essa coisa não pode ser uma hilariante brincadeira comprada numa loja de trezentos mas algo que valha 5, ou 15, ou 50 Euros, que foi o que custou o presente da outra irmã. Aí, algo está errado. O dar por obrigação e com obrigação de preço é terrível, e angustiante. Este ano, lá em casa optámos por não dar nada entre os que já trabalham. Não concordei, acho que o que se deve estabelecer é a anarquia nas escolhas que permita por exemplo dar palavras, ou uma fotografia, ou outra coisa que façamos ou que até compremos sem a obsessão do preço e da a aparência aos olhos dos outros. Não é assim tão difícil dar qualquer coisa barata que as pessoas gostem, por exemplo uma colectânea de música feita no computador com uma capa feita e impressa no mesmo – custo: um Euro do Cd e, quanto muito, 1 Euro de folha e de tinta da impressora. Falo por mim, mas preferiria isto a um par de meias de uma cor que não goste, mas que possa custar 15 Euros. Hoje, falta imaginação ás pessoas, criatividade que permita que as coisas não custem fortunas absurdas, que sejam, de facto, indicadas para quem recebe, que sejam mesmo um símbolo de que estávamos a pesar naquela pessoa quando comprámos determinado presente.
22.12.05
19.12.05
Advento
O Natal aproxima-se e só se fala de compras, de presentes. Neste mundo parece que o Natal é unicamente consumo, o clímax de uma época de desenfreado gastar de dinheiro, um hino à superficialidade materialista. Contra as compras nada tenho – até antes pelo contrário –, mas o Natal de hoje é, para a maioria, só e só isso. Que é bom para a economia, pelo dinheiro que circula, não tenho dúvidas, mas que significado atribuirão as pessoas ao Natal? Que é uma simples troca de presentes com dinheiros estabelecidos para cada pessoa como se estivéssemos a passar um cheque de amizade? O mundo que nos rodeia parece esquecer o que é, de facto, o Natal, uma festa religiosa que celebra o nascimento de Jesus Cristo, uma data fundadora do cristianismo. O resto é acessório perante algo de tão essencial, mas o mundo anda enganado em tanta coisa que já não espanta que, também nisto, esqueça o essencial por troca com o acessório dominante.
16.12.05
Frio
Quase acidente
14.12.05
13.12.05
Datas
D.Pedro V (150 anos sobre a entronização)
Aquele de quem podemos dizer que faltou tempo para poder ser, de facto, o real D. Sebastião. Culto e preparado, monástico e moderno. O rei que Portugal precisava e não teve. Passados 150 anos estamos como estamos, talvez assim não estivéssemos não fora ele morrer tão cedo.
Eça de Queiroz (160 anos sobre o nascimento)
Quanto a Eça, enfim, talvez só para o ano, mas proximamente, uma visita a Tormes. Reler, uma vez mais – e porque não –, a “Cidade e as Serras” e passear lado a lado com Jacinto por entre os bosques em redor da casa. Por agora, mais uma data cumprida sobre a vinda ao mundo daquele que é um dos maiores da escrita e do português.
Pessoa (70 anos sobre a morte)
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem de passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
7.12.05
Luzes de Natal I
A Árvore
A gigantesca árvore do Millenium BCP foi este ano colocada no Terreiro do Paço. A beleza da praça funciona bem como enquadramento à árvore hi-tec, o que é de fugir é a música de Natal em mistura de “carrinhos de choque”, “sala de espera de dentista” e “centro comercial suburbano”. Um massacre auditivo para quem ousar passar a pé, ou de vidros abertos, pelo nosso Terreiro do Paço.
Avenida da Liberdade
Aproveitando, e bem, as árvores existentes – das poucas que resistem em Lisboa – foram colocadas bolas simples em luz amarela, proporcionando um belíssimo efeito de alinhamento rua abaixo, ou acima. Aqui apetece passear, caso a chuva inclemente se resolva a parar um pouco.
Rua Áurea
Sinos e fitas em azul e encarnado dão o suficiente ar hi-tec, sem contudo perder a sensatez. Funciona muito bem em alinhamento e dá cor e alegria a uma rua tão massacrada por carros e cada vez com menos motivos, vulgo lojas, que nos façam percorrê-la a pé. Candidata, até agora, à melhor iluminação no estilo moderno.
Rua da Prata
Uns confusos painéis com bolas em azul repetem-se rua fora. O efeito global não é mau, mas as iluminações são por si muito feias.
Príncipe Real
Apenas lâmpadas amarelas nas árvores. Por vezes na simplicidade está a maior beleza. Bonito, barato e eficaz.
Largo do Camões
Enquanto me aproximava, era ofuscado por um encarnado profuso e intenso. Pensei que este ano as modernices de Natal tinham chegado ao Camões. Ao chegar, percebi que não, era apenas o letreiro luminoso da estação de correio. Agora passa por Natal, mas fora de época…Não se poderá desligar?
Coisas da Vida Boa
O bife ancho do “El Ultimo Tango”. E, já agora, também a música, por entre óptimos tangos e milongas.
5.12.05
As atitudes ficam…
2.12.05
Chanel
1 de Dezembro
De cabeça baixa
No outro dia, em conversa deitada fora sobre as presidenciais, concluíamos não perceber o frete a que algumas almas, supostamente livres, se estão a prestar nestas eleições. Ao passar por este site arrepio-me de ver tanta gente que há pouco tempo era capaz de verberar contra o Sr. Silva, convertida por um qualquer milagre do sol ao “novo Messias”. Há algo que me desgosta na política: a necessidade que as pessoas têm de tomar partido e de, a partir daí, se envolverem directamente em campanhas. Podemos optar por um mal menor – eu não pratico, mas compreendo –, agora isso não nos obriga a lavar o cérebro com lixívia e passar de crítico a defensor acérrimo e convicto do que quer que seja. O facto de não haver nenhum candidato de direita a estas eleições – sendo possivelmente o Sr. Silva o menos à esquerda – não implica que alguém de direita tenha de se humilhar ao ponto de esquecer o seu passado de opinião e entoar loas insanas ao profeta.
24.11.05
Estranho
23.11.05
Desmentir
Sócrates desmente Alegre. Alegre desmente Sócrates. Em quem acreditar? Entre os dois acho o nariz de Sócrates mais próximo do de Pinóquio.
Milagre
Parece que os “privados” vão oferecer o Aeroporto da Ota aos portugueses! O acto é de tal forma caridoso e desinteressado que proponho que possam descontar as verbas ao abrigo da lei do mecenato.
22.11.05
Democracia não é só votos
19.11.05
Rever clássicos
A produção cinematográfica é tanta que, ás vezes, esquecemos que existem clássicos, alguns com setenta anos, que suplantam a grande maioria dos filmes actuais. Nos últimos dias fui vasculhar as cassetes de VHS que já tinham criado pó e desencantei dois filmes essenciais que revi com agrado: “A Corda” – “The Rope” de Alfred Hitchcock e “O Extravagante Sr. Ruggles” – “Mr. Ruggles of Red Gap” de Leo MacCarey.
O primeiro é um prodigioso exercício de cinema, em que dez planos contínuos de oito minutos (tamanho das bobines) se juntam para formar uma obra-prima. O argumento é arrepiante, intercalando o humor negro de Brandon Shaw (John Dall) e as divagações filosóficas de Rupert Cadell (James Stewart) com uma situação no mínimo macabra. Farley Granger compõe Philip Morgan, o elo mais fraco de uma cadeia intelectual que se arroga ao direito de uma superioridade moral sem limites. A realização é de Hitchcock, e mais não será necessário dizer. O filme começa no clímax e arrasta-nos no fio da navalha até à cena final. O desconforto é constante durante a refeição servida no altar sacrificial. Tudo nos inquieta e, inteligentemente, são muitos os temas levantados pelo filme.
Do segundo, recordo a cena inicial de antologia, com o patrão – o Earl of Burnstead – com um levíssimo e “very british” desconforto, ainda em ressaca, a anunciar entre conversas que tinha perdido ao Poker o seu fidelíssimo mordomo que, perante tão estranha notícia, reage com uma naturalidade adquirida por anos de serviço. A “família” americana que espera Ruggles em Red Gap, nos confins das Américas, é um delicioso conjunto de personagens que vão desde a nova-rica que pretende ascender até à velha matrona da família mais preocupada em andar a cavalo ou caçar. Charles Laughton é um Ruggles extraordinário que nos faz sorrir em contínuo, mostrando que o seu talento estava muito para lá dos trágicos e sérios personagens que o celebrizaram. Leo MacCarey é muitas vezes esquecido na memória dos grandes do cinema, mas merecia outras lembranças, por exemplo por este filme.
16.11.05
Resmungo Matinal
15.11.05
Coisas da Vida Boa
A luz fria do sol da manhã brilhando no prado molhado. As oliveiras serenas observam, como se toda a beleza do mundo se encontrasse a seus pés.
Procissão
Apesar de estar fora, vi pela televisão Lisboa de ruas cheias. Ninguém protestava contra nada, apenas uma pacífica demonstração de Fé.
Entrevista
Cavaco falou, ou pelo menos assim o fez crer. Ontem só resisti a quinze minutos de banalidade, de fugas ás questões, de uma total vacuidade supostamente em nome da substância. Cavaco diz que não quer retórica, que quer resolver os problemas concretos, que quer ser o “Messias” do país. Claro que não pode explicar como concretizará tais propósitos, pois é óbvio que não terá poderes para tal. Fica a dúvida, ou Cavaco mente, ou ainda não percebeu os poderes de Presidente da República, ou acha que se está a candidatar a Primeiro-Ministro. O discurso anti-retórica num candidato a Presidente da República é o mesmo que um Embaixador verberar contra a diplomacia, um total contra-senso.
9.11.05
Cartazes
8.11.05
França
Coisas da Vida Boa
Os fins de tarde no ginásio com o meu iPod. Até se torna agradável remar para aquecer ao som Morrissey, levantar pesos com Bob Marley ou acabar os alongamentos com Chet Baker. O tempo assim até passa depressa e esquecemos as horas passadas a compensar uma vida sedentária e de horror à prática de qualquer desporto.
Oásis
O programa “Prós e Contras” continua a mostrar que é possível a televisão de ritmo calmo, com qualidade, com sumo. Ontem, os convidados eram, para não variar, excelentes e o Sr. Cardeal Patriarca mostrou mais uma vez, como se tal fora preciso, que a Igreja portuguesa está muitíssimo bem entregue. O seu diálogo sobre a “esperança” com o Professor Barata Moura (não crente) foi tão profundo que pena tive de não o poder ter gravado para rever. Temas difíceis podem, e devem, ser discutidos em televisão.
4.11.05
Emoções
Sem querer parecer uma qualquer Susana Tamaro, reconheço que me sinto mais vivo quando me emociono. No passado fim-de-semana aconteceu-me duas vezes por motivos diferentes. As razões não interessam, mas ainda bem que num mundo tão superficial ainda encontramos dentro de nós resistências de sensibilidade.
Brinquedo II
Há quem diga que as máquinas têm personalidade, que adquirem os defeitos dos donos. Dos iPods já ouvi dizer que eram complicados, que tinham manias. Enfim, nada que me preparasse para o mau feitio do meu brinquedo. Quer dizer, como se não me bastasse o meu mau feitio, tenho agora de aturar um brinquedo com excesso de personalidade.
27.10.05
Brinquedo
Diálogos Imaginários
– Com certeza menino. O que deseja?
– Está a ver esta montanha de Cd’s? Vou-lhe pedir que os vá descarregando para o meu computador através do iTunes para eu depois os poder passar para o meu iPod. Ah! É claro que os pode ir ouvindo.
– Com certeza menino, e vou mesmo tomar a liberdade de ouvir alguns.
25.10.05
Milonga del muerto
entre paredes y puertas.
Dios les permite a los hombres
soñar cosas que son ciertas.
Lo he soñado mar afuera
en unas islas glaciales.
Que nos digan lo demás
la tumba y los hospitales.
Una de tantas provincias
del interior fue su tierra.
(No conviene que se sepa
que muere gente en la guerra).
Lo sacaron del cuartel,
le pusieron en las manos
las armas y lo mandaron
a morir con sus hermanos.
Se obró con suma prudencia,
se habló de un modo prolijo.
Les entregaron a un tiempo
el rifle y el crucifijo.
Oyó las vanas arengas
de los vanos generales.
Vio lo que nunca había visto,
la sangre en los arenales.
Oyó vivas y oyó mueras,
oyó el clamor de la gente.
Él sólo quería saber
si era o si no era valiente.
Lo supo en aquel momento
en que le entraba la herida.
Se dijo No tuve miedo
Cuando lo dejó la vida.
Su muerte fue una secreta
victoria. Nadie se asombre
de que me dé envidia y pena
el destino de aquel hombre.
Jorge Luís Borges
21.10.05
.
Pesadelos
20.10.05
Aleluia
Humor Negro
Será que podemos encomendar uma gripe das aves exclusiva para os pombos? Lisboa precisava tanto disso…
12.10.05
Apetece comprar para dar estalos II
Apetece comprar para dar estalos I
Manuel Maria Carrilho
10.10.05
Momentos altos de ontem
A competência inequívoca do STAPE que deixou os jornalistas à beira de um ataque de nervos.
Sousa Tavares a falar de futebol Deviam ser feitas leis – reconheço que um pouco censórias – que impedissem as pessoas de falar de forma tão fanática e irracional. Ao nível de Ferreira Torres.
As genuínas, e ruidosas, gargalhadas no estúdio da TVI aquando da intervenção de Valentim Loureiro. Os momentos que precederam o discurso do Major foram dignos de um sketch dos bons tempos do mudo, por instantes parecia que ninguém o impediria de espancar o senhor que lhe tentava dar o microfone. Seria catarse ou excesso de álcool?
Gostei ontem
Das derrotas de Carrilho, Soares (pai e filho) e Avelino. E também do PS.
Da eleição de Sá Fernandes e de Maria José Nogueira Pinto.
Da não eleição de Teixeira Lopes.
Da educação e subtileza de Carmona no seu discurso, dando uma enorme bofetada de luva branca a Carrilho.
Apesar de tudo da emissão da TVI.
Da chuva.
De ficar no sofá numa alegre abstenção. Não voto em Lisboa e na minha terra nada havia a decidir num cenário eleitoral desinteressante.
Não gostei ontem
De ver, constrangido, o mau perder e falta de educação de Carrilho. Será que o podemos mandar para um pós-pós-pós doutoramento na Sibéria?
Dos ilegíveis resultados da SIC, que teimavam em ocupar metade do écran sem que lhes pudéssemos dar algum uso.
Da sonífera emissão da RTP.
Do choque tecnológico do STAPE.
9.10.05
Facto
Coisas da Vida Boa
7.10.05
Eleições
Pronto, a campanha está a chegar ao fim. Agora é só esperar pelos resultados no Domingo para ver o povo a entregar o poder ás Fátimas Felgueiras deste país. Para depois, rogamos por uma amnésia que nos ajude a esquecer que, durante alguns dias, fomos mais terceiro-mundistas do que muitos países sul-americanos, com candidatos à espera de julgamento e presidentes de Junta barbaramente assassinados. Perderemos algum assunto de conversa, mas poderemos descansar e voltar à doce ilusão de que vivemos num país civilizado. Por pouco tempo, é claro, já que depois vão chegar as aguardadas e “sábias” palavras do professor Aníbal e voltaremos ao folclore eleitoral. Claro que o país continuará à deriva, mas isso, afinal, não interessa nada.
6.10.05
Tempo
5 do 10 - II
Portugal Foi-nos Roubado
Portugal foi-nos roubado
há que dize-lo a cantar
para isso nos serve o fado
para isso e para não chorar
Cinco de Outubro de treta
o que foi isso afinal
dona Lisboa de opereta
muito chique e por sinal
Sou português e por tal
nunca fui republicano
o que eu quero é Portugal
para desfazer o engano
Os heróis republicanos
banqueiros, tropa, doutores
no estado em que ainda estamos
só lhes devemos favores
Outubro Maio e Abril
cinco dois oito dois cinco
reina a canalha mais vil
neste branco verde e tinto
Sou português e por tal
nunca fui republicano
o que eu quero é Portugal
para desfazer o engano
5 do 10
Ontem feriado. Comemoração da implantação da república. Mas comemorar o quê? Os anos de desgoverno que se seguiram a 1910 e deixaram o país à beira da bancarrota? A ditadura que se seguiu e penosamente arrastou o país por longos anos? As consequências de uma revolução pacífica que se reflectem até hoje numa constituição socialista? Os brilhantes últimos governos que vão dando ao país o que ele precisa deixando-o no recomendável estado a que chegámos?
3.10.05
.
Morte estúpida. Será correcto usar tal redundância quando a morte é por si só tão estúpida? Perante a brutalidade, tudo se torna estúpido, incomensuravelmente estúpido. O fim é estúpido, ainda mais quando atingido de forma abrupta, inesperada e chocante. Perante toda esta estupidez tornam-se desprezíveis as expressões “é a vida”, “não somos nada”. Nem quando o fim é o culminar de um caminho conhecido estamos preparados, nem quando a idade ou a doença traçaram um destino o aguardamos serenamente. O que dizer então quando surge súbito, sem avisos nem sinais, num golpe trágico, repentino e cruel. Faltam as palavras, as justificações. Resta-nos a Fé.
27.9.05
Coisas da Vida Boa
Presidenciais
Reality-shows
A rentrée televisiva trouxe, como seria de esperar, mais um chorrilho de lixo. Para variar resolvi dar uma espreitadela, não sei se por voyeurismo ou por puro masoquismo. Na SIC, homens transformam-se em mulheres, não sei se patrocinados por um bar de travestis se por um cirurgião especialista em transexualidade. Na TVI, um grupo de homens, mulheres e um ser vão à recruta, provavelmente com o intuito de os transformarem a todos em homens. Parece que agora a onda é mudar as pessoas, o que pode ser temível, basta pensar se a seguir vamos ter futebolistas a apresentar o Telejornal ou debates políticos moderados por cantores pimba.
22.9.05
Impensável
Estado do país
20.9.05
Tradições

Fim-de-semana no Norte. O encontro com algumas tradições que ainda perduram neste país. As concertinas, os viras, a animação espontânea e genuína de um povo. A festa na rua, sem regras nem imposições, simplesmente os costumes passados por pais que dançam ao lado dos filhos em rodas improvisadas após chegar uma concertina.
16.9.05
Lisboa
Coisas da Vida Boa
15.9.05
Presidenciais
BE
1 - Despenalização imediata dos incêndios.
2 - Tendo em conta que os incendiários são doentes e socialmente marginalizados, devem ser tratados como tal: é preciso criar zonas específicas para poderem incendiar à vontade. Nas "Casas de Incêndio" serão fornecidos fósforos, isqueiros e alguma mata. Sob a supervisão do pessoal habilitado, poderão lutar contra esse flagelo autodestrutivo.
3 - Fazer uma terapia baseada nos Doze Passos, em que o doente possa evoluir do incêndio florestal à sardinhada. O pirómano irá deixando progressivamente o vício: da floresta à mata, da mata ao arbusto, do arbusto à fogueira, da fogueira à lareira, da lareira ao barbecue até finalmente chegar à sardinhada do Santo António e São João.
4 - Quando o pirómano se sentir feliz a acender a vela perfumada em casa, ser-lhe-á dada alta, iniciará a sua reintegração social e perderá o seu subsídio de incendiário."
14.9.05
No limiar do bom gosto
Temos um capachinho na Petrogal, um aldrabão na CGD, um Tiranossaurus Rex a disputar a presidência com um mamute, só nos faltava o Mister Bean no Tribunal de Contas.
Publicidade
O “meu” banco lançou uma campanha publicitária com uma música de Pedro Abrunhosa, a avaliar pela originalidade e qualidade da letra (a repetição exaustiva da frase “Eu estou aqui”) temo pelo meu dinheirinho. Dantes os bancos davam o exemplo de sobriedade e competência, hoje competem com detergentes e margarinas. Enfim, estas modernices do marketing atingem pontos de disparate tais que nos fazem duvidar dos produtos. Ainda não é suficiente para mudar de banco, mas ficarei de sobreaviso.
12.9.05
Futebol e petardos
Bela noite de sábado pelas bandas de Alvalade. O jogo não foi brilhante, mas o Sporting até esteve bem e mereceu, acima de qualquer discussão, a vitória. De destacar o bom jogo da defesa do Sporting – em especial o Tonel –, os excelentes golos, Luís Loureiro e João Moutinho. Menos bem apenas Deivid e Sá Pinto (a eterna pergunta que me atormenta: “como é que ele é titular?”). O único ponto realmente negativo esteve numa cambada de energúmenos que insistiu em rebentar petardos do princípio ao fim do jogo. O fascínio dos portugueses pelo barulho não cansa de me surpreender, qualquer festinha de aldeia faz parecer que estamos em Beirute ou Bagdad tal é a quantidade de morteiros rebentados. Fogo de artifício sim, percebo que se goste apesar do barulho, agora morteiros ou petardos são fenómenos que me ultrapassam.
11
Ontem foi onze de Setembro. Há quatro anos o mundo foi chocado com algo inimaginável, com um acto acima de qualquer adjectivo possível. É preciso lembrar, sem “mas”.
7.9.05
Regressar II
Regressar I
Blogosfera
6.9.05
Prioridades
Governar é, cada vez mais, definir prioridades e actuar sobre elas. Pena é que neste país as prioridades sejam sempre as erradas e por isso andemos como andamos.
1.9.05
Curtas
Aguardo a altura certa que António Costa sempre invocou para falar sobre as causas dos incêndios deste ano. Suponho que espere que nos esqueçamos lentamente do sucedido até ao próximo ano.
Ontem, a SIC Notícias passou um curioso documentário sobre seres humanos em estado atrasado de evolução, só me questionei porque lhe chamou debate sobre as autárquicas em Amarante.
30.8.05
Normalidade
29.8.05
Diálogos Imaginários
– Charles, já sabe o que o espera. Não tenho pressa, mas quando puder desmanche as malas, deixe a roupa em dia, reabasteça a despensa, enfim, ponha a casa em ordem.
– Com certeza menino, eu sei o quanto detesta lidar com chegadas e partidas.
17.8.05
Estado do país
Crónicas da Figueira VI
Crónicas da Figueira V
11.8.05
Crónicas da Figueira IV
6.8.05
Requiem por um país
4.8.05
Crónicas da Figueira III
2.8.05
Crónicas da Figueira II
Crónicas da Figueira I
28.7.05
Diploma
As romagens ao passado marcam sempre. Ao contrário de muitos, para mim a faculdade foi um lugar feliz e de boas (óptimas) recordações. Ganhei vida, mundo e muitos amigos que até hoje perduram. Por isso o diploma foi como que um corte umbilical com a minha escola, um ponto (aparentemente) final numa ligação. Hoje estou nostálgico e tive de ir ás compras. Enfim, há maneiras diferentes de “curtir” a nostalgia, hoje estava fútil e apeteceu-me ir ao Chiado comprar. Podia ter sido pior.
Pré-Época
27.7.05
Investimentos
Muito se tem falado de presidenciais, mas em tempos de défice é bom olhar lucidamente a questão como mais um ponto a discutir da economia e tirar os melhores dividendos disso.
26.7.05
Insónia
Conversas Imaginárias
– Claro que sim menino, não se preocupe.
Férias
Gente
21.7.05
Elefante Branco
20.7.05
Coisas da Vida Boa
Diálogos Imaginários
– Charles, por favor esqueça as minhas manias contra o ar condicionado e arranje um logo que possível. Antes uns ataques de rinite do que sufocar neste inferno.
– Com certeza menino, ainda hoje estará a funcionar.
Coisas da Vida Boa
O Verão, apesar do calor. Aliás, se não fosse o calor contra o que é que podíamos resmungar, e sem resmungar como suportar uma existência calma e sem razões de queixa.




