15.2.06

Coisas estranhas que acontecem I

Conseguir ter um jantar divertido no dia de S. Valentim. Isto sem ter de suportar os olhares babados dos casais que nos rodeiam, sufocar com um cor-de-rosa opressivo, ler ementas com menus chamados “Amor aos pedaços” ou “Paixões dos sentidos”, achar que o jardim botânico se transferiu para o nosso lado, cortar ás tirinhas os corações em nosso redor. Claro que só foi possível em casa de uma amiga, com um grupo de amigos, e mesmo assim a sofrer com o atraso de um take-away japonês entupido com demasiados pedidos e que parecia ter ido pescar o peixe antes de o preparar em sushi e sashimi.

14.2.06

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Paris, 2001

Convocatória

Depois de aturado e infindável trabalho, consegui por fim elaborar o relatório de contas e enviá-lo junto à convocatória para a Assembleia de Condomínio. A parte técnica está superada, resta agora a Assembleia. Aguardo receoso esse momento, não porque tenha aproveitado o dinheiro do condomínio para umas férias na praia, justificadas em Assembleia como obras provindas do rebentamento de um cano que me inundou a casa, mas pelo momento em si. Entrarei, de maço de folhas na mão, tentando encontrar nas poucas caras presentes uma das que eu conheço, vislumbrando alguma solidariedade. Sentar-me-ei, procederei ao início dos trabalhos e pronto, entrarei em roda livre procurando capacidade de resposta a perguntas sobre a pintura do prédio, a recolha de lixos, a vizinha que anda de elevador com o gato que por vezes se descuida, o namorado da vizinha que chega tarde num carro de tunning e acorda os andares mais baixos, o casal jovem e dinâmico que é subtilmente acusado de excesso de vigor por referências da vizinha de baixo ao chiar desalmado da cama. No meio de tudo há sempre recalcamentos antigos e prevêem-se trocas de palavras amargas cheias de tentativas de polimento que a pouco e pouco caem. Eu estarei calmo, possivelmente por acção de comprimidos, e susterei quaisquer reacções, com especial cuidado aos saltos efusivos e abraços a quem esteja ao lado no momento em que seja eleita a nova administração.

10.2.06

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"Amor? Amor é um fogo que arde um ano e cinzas que duram trinta."
Príncipe de Salina in “Il Gattopardo”

O Leopardo – Beleza

Três horas num museu a ver pintura. Da boa, da melhor, em Technicolor. “O Leopardo”. Há muito para dizer sobre este filme, mas o essencial depois de o ver pela primeira vez no grande ecrã é a descoberta de um tempo em que o cinema era arte levada ao limite. Visconti compunha imagens como quadros ou fotografias em sucessão. Para além da história, para além das mensagens. Um esteta que fazia cinema de beleza incrível. Se filme há que nos mostra o essencial do grande ecrã e a sua vantagem sobre a nossa casa – mesmo contando com mantas, paragens para comer, poder fumar – é este. Conhecia o filme em formato de televisão e já me tinha fascinado, já o achava um conjunto belíssimo: a história, as interpretações, a música. Tudo isto é superado pela visão em cinema. O teatral terço que abre o filme, o piquenique em referência ao “Dejeuner sur l’herbe” de Manet, o quadro em movimento na subida a caminho de Donnafugata, a chegada com família cheia do pó a entrar em comitiva solene na missa, o fabuloso baile final. Não sei qual quadro compraria, talvez a entrada da beleza selvagem e absurdamente sensual de Angelica Sedara (Claudia Cardinale) no palácio em Donnafugata deixando os personagens e o público a suspirar por uma descida à realidade.

O Leopardo – Il Gattopardo

9.2.06

8.2.06

27

Aproveitando a sua ausência “roubei” finalmente a desejada caixa. Sim, a caixa que o meu caro cunhado é feliz proprietário e era, faz um tempo, meu objecto de descarado desejo. 27 discos de Vinicius de Moraes. Sim, vinte de sete discos. E na caixa não estão as fundamentais gravações em Mar del Plata – com Toquinho, Maria Creuza e Maria Bethânia – ou a noite em casa de Amália. Estas já eu tinha, assim como mais algumas, mas vinte sete! Claro que, iTunes aberto e CD’s a entrar, assumo a pirataria de quem não tem possibilidade de ter esta caixa sem de facto a roubar (nunca a vi à venda em Portugal e, a existir, teria um preço por certo proibitivo). Ouço o Soneto da Separação, acompanhado pelo subtil piano de Tom Jobim. Esperam-me longas horas de Vinicius. Que bom!

7.2.06

À estalada

Hoje saí decidido a dar um par de estalos a qualquer criatura de extrema esquerda que encontrasse na rua. Sinto-me ofendido com inanidades lidas nos últimos dias (vide por exemplo Daniel Oliveira). Como esta gente acha que o direito à indignação desculpa irracionalidades e assassinatos, parece-me que um simples par de estalos seria louvado como forma quase pacífica para um católico oprimido reagir aos insultos perpetrados. Saí, pena foi não ter encontrado uma dessas criaturas.

Cartoons

Os cartoons de toda a polémica não eram de bom gosto. Como de bom gosto não seria aquele que enfiava um preservativo no nariz do defunto Papa. Não me lembro, no entanto, de haver gente a incendiar a sede do Expresso, ou a esbofetear desalmadamente António, ou a ameaçar de morte o Arq. Saraiva. Na altura, esses cartoons foram defendidos pelos mesmos que agora criticam os dinamarqueses. Alguma coerência seria saudável. Parece que, para alguns energúmenos, há religiões de primeira e outras de segunda. Umas a que se permitem os mais insanos radicalismos e outras que são atacadas por não crentes ao defenderem condutas para os seus crentes com as quais estes não concordam. Recalcamentos de ex-seminaristas ressabiados e de gente que convive mal com a fé alheia, a não ser que a mesma seja anti-americana, aí, em nome do anti-imperialismo, tudo é defensável e compreensível.

2.2.06

Socorro

Ano funesto o que passou. Uma cruz a carregar e eis-me agora no final do calvário. Administração de Condomínio. Três palavras malignas que sugerem, e são, um inferno na terra. Está quase a acabar, mas falta agora a parte pior – preparar o Relatório de Contas para a Assembleia de Condomínio. Logo eu, que tremo com palavras como balanços e balancetes.

Disparates

As duas lésbicas conseguiram o que queriam. Depois do pedido idiota para casarem, eis que todas as televisões as entrevistam e pouco faltará para serem concorrentes ao próximo reality show da TVI. O seu advogado, em pro bono pois então, ganhou umas horas de publicidade de valor inestimável. E a saga promete continuar com recursos sucessivos. Não haveria da nossa justiça continuar bloqueada, com idiotas como estes, que sabem estar a contrariar a lei, a darem trabalho inútil aos juízes.

1.2.06

Regicídio

Passam hoje 98 anos sobre o assassinato do rei D. Carlos e o do príncipe Luís Filipe. Muitos anos e três repúblicas que transformaram este país. Uma primeira república que de tão má nem os republicanos a fazem lembrar. A segunda, marcada por uma ditadura provinciana que nos enclausurou do mundo. A terceira vai correndo, por vezes tentando ser ainda pior do que as anteriores. Dia triste pois então.

Beleza da simplicidade

O alinhamento de pinheiros mansos junto ao Tejo, na Expo, com o brilho do Mar da Palha emoldurado por troncos e copas.

30.1.06

Fútil

Fala-se de neve e de Bill Gates. Sampaio recebeu Cavaco e o F.C. Porto empatou ontem. Temas profundos que me fazem voltar ao livro de Edith Wharton e ás futilidades da Nova Iorque do princípio do século. Acho que estou a ficar farto de seriedades.

Neve

Ontem, pus a hipótese de descer a Calçada do Combro de saco de plástico caso a neve se fixasse no chão. Hoje, pergunto-me se seria da febre ou de uma adolescência tardia mal resolvida.

Espectral

O “O Espectro” já figura na lista aqui ao lado, mas o surgimento de Vasco Pulido Valente como bloguer justifica mais uma chamada de atenção. A seguir diariamente, esperando curiosamente a chegada do terceiro elemento referido por Constança Cunha e Sá. Imprescindível.

29.1.06

Hoje

Nevou. Estranhamente nevou.

3-1

Não foi mau ontem, parece que se fez Luz. Na Luz.

Fim-de-semana

Uma p… de uma virose – nome chique da actualidade para febres e afins – e a casa como refúgio do frio polar lá fora. Chá verde chinês e torradas com mel da Lousã.

Coisas da Vida Boa

No Telejornal da RTP1 de sexta-feira, a presença de António Rosado em estúdio a tocar alguns temas de Mozart. Comemorando os 250 anos do nascimento do génio, um telejornal diferente em que se descobre o sentido de “serviço público”.

27.1.06

Coisas que irritam

Chegar a um balcão e pedir um café. Puxar de um cigarro e esperar que nos tragam um cinzeiro. Não é lógico ter de pedir, o interesse maior de que não deitemos cinza e beatas para o chão deveria ser dos proprietários ou empregados. Trata-se de não sujar desnecessariamente o chão, de não o transformar num repelente caixote do lixo sobre o qual comemos ou bebemos. Claro que neste original país é raro que haja uma caridosa alma que nos impeça de atirar todo o lixo para o chão. Há hábitos que tiram qualquer pessoa com réstias de civilização do sério.

Esta semana

Semana de balanços e ataques políticos. A esquerda insulta o povo mostrando a concepção profunda que tem sobre a democracia – apenas é louvável quando dá resultados favoráveis. À direita algum prudente silêncio, será hora de pensar no futuro e numa desejável reorganização. No parlamento discutem-se saudáveis medidas desburocratizadoras. Voltámos a uma aparente normalidade que pode durar três anos. Hoje sai mais um gigantesco jackpot do Euromilhões e o tema mais interessante passou a ser o Benfica – Sporting de amanhã. Agora interessa mais discutir as razões da consecutiva titularidade de Sá Pinto e se devia jogar Nani ou Romagnoli do que discutir Cavaco ou Alegre. Ganhar na Luz é preciso, Cavaco já está em Belém, Soares foi copiosamente derrotado e o maquiavélico Sócrates está se a ver livre de todos os seus adversários. Que amanhã surjam motivos para comemorar.

24.1.06

Mail

Os senhores do Hotmail resolveram apagar toda a minha caixa de correio sem aviso prévio. Quer dizer, nas letras pequeninas dos estatutos que aceitamos, obviamente sem ler, parece que diz que ao fim de um mês sem consultar o mail o mesmo será apagado. Enfim, reconheço o autismo de não ler mails do blogue desde antes do Natal. Preguiças minhas. Claro que, como forma de protesto, já mudei para um endereço no Gmail.

23.1.06

Estupor

Sócrates, o José, mostrou ontem a sua índole – falta de educação, mau perder, desrespeito pelos adversários, excesso de mimo, arrogância – ao interromper propositadamente, outra conclusão será minada pela ingenuidade, o discurso de Manuel Alegre.

Sabujos

O facto de Sócrates, o José, interromper o discurso de Alegre é grave, mas não menos grave é que todos os canais de televisão lhe deram som e imagem. Alegre representou ontem 1 124 641 de portugueses, enquanto o candidato apoiado pelo PS teve 778 370 votos. Sócrates, o José, falava como secretário-geral do partido e não como primeiro-ministro. Que critério jornalístico lhe poderia dar prioridade a não ser o rastejar sabujo dos meios de comunicação perante o poder?

Cavaco II

A grande vantagem da vitória de Cavaco é passarmos a ter alguém a jeito para poder dizer mal. Basta uma ténue recordação dos anos de cavaquismo para me começar a deliciar e a afiar a língua.

Cavaco I

Ganhou e parabéns. Conseguiu o feito de tudo resolver à primeira volta.

Alegre

Podem-se arranjar as justificações que quiserem, 1 124 641 votos sem o apoio de partidos é obra! Alegre deu uma sonora e gigantesca bofetada de luva branca no PS, e por seu intermédio em todo o sistema partidário português. Que valha alguma coisa este resultado na reflexão sobre o nosso sistema político e os nossos partidos, talvez os que existem se renovem ou que outros apareçam, o essencial é que deixemos de os ver (e com razão) como puros sindicatos de poder.

Soares

Humilhação é suave, um tranquilo eufemismo, para descrever o score de Soares. Não valerá a pena bater mais com a marreta no homem. Resumindo, perdeu uma boa oportunidade para não sair de casa.

Louça

Desceu, o que foi bom. Teve mais de 5% e não ficou endividado, o que foi mau.

A expressão da noite

Madame Poliéster chegou a Belém.

O melhor da noite eleitoral

O tinto do Douro e o paio do lombo. Muito boas também estavam as empadas e a tarte. Excelente o “cheesecake”.

20.1.06

O “O Independente” outra vez


Cavaca ou o pesadelo. Quarto de leite Vigor na cabeça e boina Rua dos Fanqueiros. Filosele e Poliéster.
E o Palácio de Belém ali, tão bonito...As voltas que darão na tumba D. Maria I ou D. Amélia.

Coisas da Vida Boa

Noite bem dormida em cama de lavado. Lençóis de bom algodão engomados, pijama tirado do armário.

17.1.06

Será o que nos espera?


Reviver os bons tempos de "O Independente", a melhor coisa que o cavaquismo nos deu.

16.1.06

Alegre

Que alegre foi ver Alegre deixar a contenção a que se tem entregue durante a campanha para cilindrar o quase sempre intocável reverendo Louçã. Que alegre foi ver a reacção acossada de menino mimado pouco habituado a ser criticado como gosta de criticar os outros. Que alegre foi Alegre.

13.1.06


in "Tango"

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O Natal passou, assim como os Reis. Terminam as festas e fica o Inverno. Estamos neste interregno inócuo esperando a Primavera. Tempos de braseiras e casas fechadas, de casulos.

Diálogos Imaginários

– Charles, por favor faça as malas para o fim-de-semana.
– Com certeza, menino. Saímos ao fim do dia?
– Sim, Charles. E obrigado.

11.1.06

Tempo

Que sol! E eu aqui sentado, estupidamente frente a este ecrã. Há sol, mas um frio desencorajador deixa-nos tranquilos dentro desta estufa onde nos refugiamos. Falar do tempo como tema recorrente, uma idiotia para onde fugimos quando nos faltam temas, ou vontade de falar nalguns deles. E é o sol, e é o frio, e hoje por azar não há vento, essoutro tema vasto e estimulante. Há momentos em que definitivamente nos julgamos um poço de desinteresse, em que reconhecemos que estas linhas são um pavoroso exercício de encher chouriços com palavras. Enfim, todos temos direito a isso nesta blogosfera de liberdade, afinal sempre é mais inócuo do que desatar a insultar alguém, ou começar a discorrer um chorrilho de asneiras, ou bater à porta da vizinha que odiamos e desatar aos estalos consecutivos até que o nariz sangre e os olhos se molhem e a garganta doa de tanto gritar. E pronto, o sol está lindo e até a selva de betão parece bucólica com o brilho do frio, os pátios de betão parecem jardins de buxo, em desenhos elaborados, e o Tejo, esse, como sempre, parece mar, mas um mar bem transparente e antigo.

9.1.06

Idiossincrasias

“James Lins. O Playboy que não deu certo.”, de Mário Prata, e “O Príncipe e a Lavadeira”, do Padre Nuno Tovar de Lemos, ao mesmo tempo na mesa-de-cabeceira.

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Jardins de Monserrate, Sintra, 2003

Blogosfera

Novos blogues com passagem directa para a coluna do lado: o regresso de Pedro Lomba no “Vício de Forma” e a estreia de “O Espectro” de Constança Cunha e Sá.

6.1.06

Dia de Reis

Fra Angelico, Adoração dos Magos

País

Depois de Pina Moura talvez não falte muito para termos Mário Lino à frente do futuro aeroporto da Ota. Tudo normal, para um país de terceiro mundo em que nos vamos tornando..

Soares

Se é montagem é muito bem feita, tão genial que é impossível, se não é…
Chegou-me via e-mail um filme com declarações de Soares à Sic Notícias em que – a propósito de declarações de Ribeiro e Castro sobre a esquerda e o terrorismo – parece estarmos na presença de John Cleese e de uma das suas personagens do Monthy Python’s Flying Circus.

“- Ficou chocado com o que disse o líder do PP? – pergunta um jornalista.
- Não, não foi o líder do PP que disse isso. Aquela coisa a que eu me referi, do terrorismo, foi o líder do CDS que disse isso, o Dr. Ribeiro e Castro, que é uma coisa inaceitável e impossível. Ele diz aquilo e é ainda por cima deputado do PS, um dos grandes grupos do PS é o PS, o PS europeu, imagine como é que ele se vai entender com os colegas do parlamento a dizer essas coisas aqui no plano interno. E é feio, não é bonito, e é uma pena que seja um dos mais entusiásticos, se não o mais entusiástico, apoiante do Dr. Cavaco nesta eleição.” (sic.)

3.1.06

Agora

Passada a frenética época com que o ano acaba, partindo os amigos emigrantes que por agora à terra voltaram para matar saudades. Passados os balanços do que passou e a determinação para o que há-de vir. Passados os presentes e os ajuntamentos de amigos e familiares. Passado tudo isto, voltemos à normalidade modorrenta do nosso dia-a-dia comezinho e desinteressante. Passada a tormenta voltemos a navegar numa calma bolina, ao largo e sem sobressaltos.

Balanços

Reservo-me o direito de não fazer balanços do ano. Não há tops de melhores ou piores, de favoritos ou detestados. Foi apenas um ano que passou, com coisas boas e más, como todos. Nesta passagem apenas um certo desejo de continuidade, apesar de tudo.

Coisas da Vida Boa

Fim-de-semana com amigos no campo. Sopa de cação e entradas gourmet em barda. Bons vinhos, caipirinhas, champanhe, vodka e whisky. Música sempre a dar, começando em crescendo com um “revival” dos anos 80. Tudo a apontar para um salto para o novo ano seguido de conversa calma à volta da braseira. Animação inesperada, só muito depois seguida da conversa. O ano novo a chegar em casa, espontâneo, entre amigos e a comer e beber bem.

2.1.06

Ano Novo

Regressado da província, o Anarcoconservador deseja a todos os seus leitores um estupendo ano de 2006.

27.12.05

Coisas da Vida Boa

O Natal em família. Para além das birras das crianças, das discussões idiotas dos adultos, das provas de vinhos, dos doces, dos presentes.

23.12.05

Natal

Hans Baldung Grien (1484 – 1545)

O Anarcoconservador deseja um Santo Natal a todos os seus leitores.

Luzes de Natal II

Rua Garret
Uma confusão e excesso de iluminação tão grande que nos faz lembrar Las Vegas. Salva-se por ser, apesar de tudo, o coração do Chiado, ainda o sítio mais civilizado para fazer compras no Natal.

Av. João XXI
O simples aproveitamento dos postes de electricidade para umas árvores de Natal estilizadas funciona muitíssimo bem. Bom efeito.

22.12.05

Surpresa

Com o Bilhete de Identidade caducado vai para quatro meses, lá me resolvi a suportar o inferno da função pública e a via-sacra das senhas e dos impressos e do atendimento mal-humorado. Cheguei ao Areeiro a fazer exercícios respiratórios e a tentar manter-me em zen para não abalar o espírito natalício e começar a descompor as meninas dos “guichets”. Entrei e, sem dar por isso, estava a trocar sorrisos com a simpática senhora dos impressos, estava – sem ter tempo de pensar – a andar eficientemente de um lado para o outro sem esperas. Cheguei num ápice ao “guichet” final onde mais uma simpática senhora me despachou rapidamente e saí atónito. Para rematar vou agora lá buscar o meu renovado BI, três horas depois da minha primeira visita a esse oásis da função pública que é, ou pelo menos foi hoje, o serviço do Arquivo de Identificação de Lisboa no Areeiro.

Presentes

Ao se ler a posta anterior pode-se ficar com ideia de mim como um espartano com horror ao dinheiro e ás compras. Errado, gosto muito de compras. E gosto muito de dar presentes, e de receber. Dá-me um imenso gozo procurar um presente a pensar em determinada pessoa, tentando encontrar “aquela coisa” que a vai surpreender e agradar. Gosto de rasgar papéis em busca de uma surpresa. Tudo isto é óptimo, mas quando o tempo escasseia e nos tornamos escravos de ter de dar qualquer coisa, e que essa coisa não pode ser uma hilariante brincadeira comprada numa loja de trezentos mas algo que valha 5, ou 15, ou 50 Euros, que foi o que custou o presente da outra irmã. Aí, algo está errado. O dar por obrigação e com obrigação de preço é terrível, e angustiante. Este ano, lá em casa optámos por não dar nada entre os que já trabalham. Não concordei, acho que o que se deve estabelecer é a anarquia nas escolhas que permita por exemplo dar palavras, ou uma fotografia, ou outra coisa que façamos ou que até compremos sem a obsessão do preço e da a aparência aos olhos dos outros. Não é assim tão difícil dar qualquer coisa barata que as pessoas gostem, por exemplo uma colectânea de música feita no computador com uma capa feita e impressa no mesmo – custo: um Euro do Cd e, quanto muito, 1 Euro de folha e de tinta da impressora. Falo por mim, mas preferiria isto a um par de meias de uma cor que não goste, mas que possa custar 15 Euros. Hoje, falta imaginação ás pessoas, criatividade que permita que as coisas não custem fortunas absurdas, que sejam, de facto, indicadas para quem recebe, que sejam mesmo um símbolo de que estávamos a pesar naquela pessoa quando comprámos determinado presente.

19.12.05

Advento

O Natal aproxima-se e só se fala de compras, de presentes. Neste mundo parece que o Natal é unicamente consumo, o clímax de uma época de desenfreado gastar de dinheiro, um hino à superficialidade materialista. Contra as compras nada tenho – até antes pelo contrário –, mas o Natal de hoje é, para a maioria, só e só isso. Que é bom para a economia, pelo dinheiro que circula, não tenho dúvidas, mas que significado atribuirão as pessoas ao Natal? Que é uma simples troca de presentes com dinheiros estabelecidos para cada pessoa como se estivéssemos a passar um cheque de amizade? O mundo que nos rodeia parece esquecer o que é, de facto, o Natal, uma festa religiosa que celebra o nascimento de Jesus Cristo, uma data fundadora do cristianismo. O resto é acessório perante algo de tão essencial, mas o mundo anda enganado em tanta coisa que já não espanta que, também nisto, esqueça o essencial por troca com o acessório dominante.

16.12.05

Frio

Está um frio que corta. Lembra-me Salamanca, na Castela do frio seco. As noites longas entre as facas do vento e os fornos onde entrávamos como frangos. Gosto do frio, do frio seco, sério e intenso. Ficar na casa quente ou sair com a minha velha canadiana, cobertor que me isola, cachecol enrolado ao pescoço e o vento que desperta a cara. Sem o frio não podia gostar do calor e sem estações o mundo é uma seca confortável, ou não, mas sempre seca. Gosto quando gosto do Inverno, ou quando gosto e gostando estou a gosto. Estranho em mim tamanho bem-estar, mas até sabe bem, o espírito natalício parece chegar aos poucos, frio e de pantufas.

Quase acidente

Lá ia eu tranquilo no meu carro, a velocidade aceitável e na calma de ouvir Chet Baker, quando olho para o lado e com o sobressalto dou uma guinada, travões e quase me estampo, não fora hora de pouco trânsito e não ter – ainda não sei como – abalroado ninguém. Uns olhos esbugalhados, mas de carneiro mal-morto, num estranho misto que parecia querer sair do outdoor e qual filme de ficção científica série Z me hipnotizar e tele-transportar para o planeta Zorg. Cavaco apareceu finalmente e os meus pesadelos recomeçaram. Depois do anónimo cartaz da bandeira nacional com a esfera estilizada, eis que surge, após óbvias horas de maquilhagem, no seu esplendor. Tudo é normal, eu é que teimo em não me habituar ao regresso da figura e ainda não me preparei com sessões intensas de Ioga para o que me poderá esperar daqui a um mês.

14.12.05

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A luz amarela do Inverno. O falso calor do dia.

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No burburinho que nos trespassa nas ruas, a serenidade de um Natal verdadeiro permanece. Inabalável.

13.12.05

Ainda datas – Chá

Sai um Assam, em bule escaldado, pelos dois anos do Lobi do Chá.

Datas

Como sempre, as datas passam por aqui registadas em atraso. Umas vezes, recupera-se a oportunidade de as referir, outras, envergonhadamente, deixam-se passar como o vento. Até o segundo ano deste blog passou, há uns dois meses, sem que eu desse por isso e só por acaso me apercebi, data passada, da ocorrência. Lembrar datas não é comigo, e só a agenda, a velha manuscrita e gasta, me ajuda a fugir de falhas, ás vezes graves.


D.Pedro V (150 anos sobre a entronização)

Aquele de quem podemos dizer que faltou tempo para poder ser, de facto, o real D. Sebastião. Culto e preparado, monástico e moderno. O rei que Portugal precisava e não teve. Passados 150 anos estamos como estamos, talvez assim não estivéssemos não fora ele morrer tão cedo.

Eça de Queiroz (160 anos sobre o nascimento)

Quanto a Eça, enfim, talvez só para o ano, mas proximamente, uma visita a Tormes. Reler, uma vez mais – e porque não –, a “Cidade e as Serras” e passear lado a lado com Jacinto por entre os bosques em redor da casa. Por agora, mais uma data cumprida sobre a vinda ao mundo daquele que é um dos maiores da escrita e do português.

Pessoa (70 anos sobre a morte)

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem de passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

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Só na simplicidade nos compreendemos.

7.12.05

Luzes de Natal I

A Árvore
A gigantesca árvore do Millenium BCP foi este ano colocada no Terreiro do Paço. A beleza da praça funciona bem como enquadramento à árvore hi-tec, o que é de fugir é a música de Natal em mistura de “carrinhos de choque”, “sala de espera de dentista” e “centro comercial suburbano”. Um massacre auditivo para quem ousar passar a pé, ou de vidros abertos, pelo nosso Terreiro do Paço.

Avenida da Liberdade
Aproveitando, e bem, as árvores existentes – das poucas que resistem em Lisboa – foram colocadas bolas simples em luz amarela, proporcionando um belíssimo efeito de alinhamento rua abaixo, ou acima. Aqui apetece passear, caso a chuva inclemente se resolva a parar um pouco.

Rua Áurea
Sinos e fitas em azul e encarnado dão o suficiente ar hi-tec, sem contudo perder a sensatez. Funciona muito bem em alinhamento e dá cor e alegria a uma rua tão massacrada por carros e cada vez com menos motivos, vulgo lojas, que nos façam percorrê-la a pé. Candidata, até agora, à melhor iluminação no estilo moderno.

Rua da Prata
Uns confusos painéis com bolas em azul repetem-se rua fora. O efeito global não é mau, mas as iluminações são por si muito feias.

Príncipe Real
Apenas lâmpadas amarelas nas árvores. Por vezes na simplicidade está a maior beleza. Bonito, barato e eficaz.

Largo do Camões
Enquanto me aproximava, era ofuscado por um encarnado profuso e intenso. Pensei que este ano as modernices de Natal tinham chegado ao Camões. Ao chegar, percebi que não, era apenas o letreiro luminoso da estação de correio. Agora passa por Natal, mas fora de época…Não se poderá desligar?

Coisas da Vida Boa

O bife ancho do “El Ultimo Tango”. E, já agora, também a música, por entre óptimos tangos e milongas.

5.12.05

As atitudes ficam…

O DN de ontem dedicava grande espaço à morte de Francisco Sá Carneiro, a propósito dos 25 anos volvidos sobre a sua morte, com depoimentos de gente de vários quadrantes – até Soares escreveu umas linhas sobre o assunto. Cavaco? Pois, Cavaco não respondeu ao convite do jornal por “falta de disponibilidade de agenda”. Há atitudes que definem as pessoas, Sá Carneiro foi um líder incontornável e inesquecível do partido de Cavaco e do país, agora ter meia hora para alinhavar vinte linhas de texto, isso seria pedir muito.

25 anos depois



Um tempo em que havia em quem acreditar.

2.12.05

Chanel

Estreou ontem a peça “Mademoiselle Chanel”, um texto sobre a vida de Coco Chanel que mostra a solidão de uma mulher que envelhece e apontamentos sobre a sua vida, ora triste ora frenética. A peça é interessante sem contudo se tornar inesquecível, apesar de Marília Pêra incorporar muito bem a senhora que mudou a moda e de, num belíssimo cenário branco, duas modelos irem passando fantásticos modelos Chanel. Algumas tiradas de Mademoiselle são deliciosas e destaco uma que achei um mimo: “Mulher que não se perfuma não tem futuro”.

1 de Dezembro

Por uma réstia de patriotismo – que por motivos insondáveis ainda mantenho – o dia de ontem foi de festa. Há trezentos e tal anos, um grupo de conjurados restabeleceu a independência deste cantinho separando-nos definitivamente do jugo castelhano. Ganhámos com isso? Na perspectiva mais material e economicista tão em voga a resposta seria claramente não. Melhor estaríamos a acompanhar a desenvolvida democracia espanhola. E então, que motivos para comemorar? Talvez aqueles menos na moda como os de honrar nove séculos de história.

De cabeça baixa

No outro dia, em conversa deitada fora sobre as presidenciais, concluíamos não perceber o frete a que algumas almas, supostamente livres, se estão a prestar nestas eleições. Ao passar por este site arrepio-me de ver tanta gente que há pouco tempo era capaz de verberar contra o Sr. Silva, convertida por um qualquer milagre do sol ao “novo Messias”. Há algo que me desgosta na política: a necessidade que as pessoas têm de tomar partido e de, a partir daí, se envolverem directamente em campanhas. Podemos optar por um mal menor – eu não pratico, mas compreendo –, agora isso não nos obriga a lavar o cérebro com lixívia e passar de crítico a defensor acérrimo e convicto do que quer que seja. O facto de não haver nenhum candidato de direita a estas eleições – sendo possivelmente o Sr. Silva o menos à esquerda – não implica que alguém de direita tenha de se humilhar ao ponto de esquecer o seu passado de opinião e entoar loas insanas ao profeta.

24.11.05

Estranho

Apetecer-me um Tullamore Dew com duas pedras de gelo em copo baixo, ás três da tarde e enquanto trabalho. Culpa do Tom Waits, ninguém me manda estar a ouvi-lo.

23.11.05

Ar Fresco

No blogue Venha o Diabo.

Desmentir

Sócrates desmente Alegre. Alegre desmente Sócrates. Em quem acreditar? Entre os dois acho o nariz de Sócrates mais próximo do de Pinóquio.

Milagre

Parece que os “privados” vão oferecer o Aeroporto da Ota aos portugueses! O acto é de tal forma caridoso e desinteressado que proponho que possam descontar as verbas ao abrigo da lei do mecenato.

22.11.05

Democracia não é só votos

O governo apresentou hoje formalmente o Aeroporto da Ota como um facto consumado. Há pouco tempo foram aprovadas no parlamento verbas para fazer estudos sobre o novo aeroporto para Lisboa. Estudos? Para quê? Afinal a decisão está tomada e os “estudos” serão uma mera formalidade. Tudo cheira muito mal neste processo e começa a ser fácil acreditar nas afirmações que circularam pela Net num texto em nome de Miguel Sousa Tavares (que o mesmo desmentiu veementemente a autoria num artigo no “Público”). A rede de interesses deve ser tanta que justifica que uma obra desta dimensão seja imposta ao país sem a necessária discussão pública. Enfim, tudo na mesma neste país desgovernado insistentemente pelos eleitos da nossa "democracia".

19.11.05

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Jardins das Necessidades, Lisboa, 2003

Rever clássicos

A produção cinematográfica é tanta que, ás vezes, esquecemos que existem clássicos, alguns com setenta anos, que suplantam a grande maioria dos filmes actuais. Nos últimos dias fui vasculhar as cassetes de VHS que já tinham criado pó e desencantei dois filmes essenciais que revi com agrado: “A Corda” – “The Rope” de Alfred Hitchcock e “O Extravagante Sr. Ruggles” – “Mr. Ruggles of Red Gap” de Leo MacCarey.
O primeiro é um prodigioso exercício de cinema, em que dez planos contínuos de oito minutos (tamanho das bobines) se juntam para formar uma obra-prima. O argumento é arrepiante, intercalando o humor negro de Brandon Shaw (John Dall) e as divagações filosóficas de Rupert Cadell (James Stewart) com uma situação no mínimo macabra. Farley Granger compõe Philip Morgan, o elo mais fraco de uma cadeia intelectual que se arroga ao direito de uma superioridade moral sem limites. A realização é de Hitchcock, e mais não será necessário dizer. O filme começa no clímax e arrasta-nos no fio da navalha até à cena final. O desconforto é constante durante a refeição servida no altar sacrificial. Tudo nos inquieta e, inteligentemente, são muitos os temas levantados pelo filme.
Do segundo, recordo a cena inicial de antologia, com o patrão – o Earl of Burnstead – com um levíssimo e “very british” desconforto, ainda em ressaca, a anunciar entre conversas que tinha perdido ao Poker o seu fidelíssimo mordomo que, perante tão estranha notícia, reage com uma naturalidade adquirida por anos de serviço. A “família” americana que espera Ruggles em Red Gap, nos confins das Américas, é um delicioso conjunto de personagens que vão desde a nova-rica que pretende ascender até à velha matrona da família mais preocupada em andar a cavalo ou caçar. Charles Laughton é um Ruggles extraordinário que nos faz sorrir em contínuo, mostrando que o seu talento estava muito para lá dos trágicos e sérios personagens que o celebrizaram. Leo MacCarey é muitas vezes esquecido na memória dos grandes do cinema, mas merecia outras lembranças, por exemplo por este filme.

16.11.05

Resmungo Matinal

Chegaram os acordares ferozes, de olhos brilhantes e espirros convulsivos. A saída do conforto uterino da cama forrada a cobertores é de pronto confrontada com a violência de uma brusca diferença de temperatura, que nem um banho quase turco consegue sanar de imediato. A rinite no Inverno é um inferno, acordar para o mundo torna-se, se possível, ainda mais difícil.

15.11.05

Coisas da Vida Boa

A luz fria do sol da manhã brilhando no prado molhado. As oliveiras serenas observam, como se toda a beleza do mundo se encontrasse a seus pés.

Procissão

Apesar de estar fora, vi pela televisão Lisboa de ruas cheias. Ninguém protestava contra nada, apenas uma pacífica demonstração de Fé.

Entrevista

Cavaco falou, ou pelo menos assim o fez crer. Ontem só resisti a quinze minutos de banalidade, de fugas ás questões, de uma total vacuidade supostamente em nome da substância. Cavaco diz que não quer retórica, que quer resolver os problemas concretos, que quer ser o “Messias” do país. Claro que não pode explicar como concretizará tais propósitos, pois é óbvio que não terá poderes para tal. Fica a dúvida, ou Cavaco mente, ou ainda não percebeu os poderes de Presidente da República, ou acha que se está a candidatar a Primeiro-Ministro. O discurso anti-retórica num candidato a Presidente da República é o mesmo que um Embaixador verberar contra a diplomacia, um total contra-senso.

9.11.05

Cartazes

Ao esfumar-se dos seus cartazes, que são dominados por uma esfera armilar estilizada, Cavaco leva a sua “não campanha” até ao extremo. Elogia-se a atitude, afinal é uma assinalável contribuição para a estética urbana, evitando simultaneamente colisões automóveis devido ao susto e pesadelos tormentosos nas crianças portuguesas.

8.11.05

França

Na exemplar “République Française” – a mais legítima das construções jacobinas – prosseguem os conflitos. Agora até voltamos aos tempos da segunda guerra com o recolher obrigatório. O Estado Social construído pela esquerda tem destas idiossincrasias, torna tudo tão fácil, até os distúrbios e a delinquência.

Coisas da Vida Boa

Os fins de tarde no ginásio com o meu iPod. Até se torna agradável remar para aquecer ao som Morrissey, levantar pesos com Bob Marley ou acabar os alongamentos com Chet Baker. O tempo assim até passa depressa e esquecemos as horas passadas a compensar uma vida sedentária e de horror à prática de qualquer desporto.

Oásis

O programa “Prós e Contras” continua a mostrar que é possível a televisão de ritmo calmo, com qualidade, com sumo. Ontem, os convidados eram, para não variar, excelentes e o Sr. Cardeal Patriarca mostrou mais uma vez, como se tal fora preciso, que a Igreja portuguesa está muitíssimo bem entregue. O seu diálogo sobre a “esperança” com o Professor Barata Moura (não crente) foi tão profundo que pena tive de não o poder ter gravado para rever. Temas difíceis podem, e devem, ser discutidos em televisão.

4.11.05

Emoções

Sem querer parecer uma qualquer Susana Tamaro, reconheço que me sinto mais vivo quando me emociono. No passado fim-de-semana aconteceu-me duas vezes por motivos diferentes. As razões não interessam, mas ainda bem que num mundo tão superficial ainda encontramos dentro de nós resistências de sensibilidade.

Brinquedo II

Há quem diga que as máquinas têm personalidade, que adquirem os defeitos dos donos. Dos iPods já ouvi dizer que eram complicados, que tinham manias. Enfim, nada que me preparasse para o mau feitio do meu brinquedo. Quer dizer, como se não me bastasse o meu mau feitio, tenho agora de aturar um brinquedo com excesso de personalidade.

27.10.05

Definitivamente

A roda do iPod é erótica!

Brinquedo

Tenho passado momentos de criança. O meu novo brinquedo deixou-me babado e distraído, pareço um menino com a sua nova caixa de Mecano ou de Lego – ou, sejamos mais modernos, uma PSP. Um iPod lindo, magnífico, extraordinário. Para além de tudo com uma belíssimas colunas portáteis que me permitem emigrar para a Patagónia sem perder o meu Vinicius, o meu Caetano, o meu Bach, o meu Miles Davis ou a minha Amália e sem ter de arrastar um molho disparatado de discos. Pareço estúpido, aliás, acho mesmo que estou estúpido perante o meu brinquedo, lindo, branco, e com aquela maravilhosa roda.

Diálogos Imaginários

– Charles, deixe o que está a fazer e venha até aqui por favor.
– Com certeza menino. O que deseja?
– Está a ver esta montanha de Cd’s? Vou-lhe pedir que os vá descarregando para o meu computador através do iTunes para eu depois os poder passar para o meu iPod. Ah! É claro que os pode ir ouvindo.
– Com certeza menino, e vou mesmo tomar a liberdade de ouvir alguns.

25.10.05

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(Burgueses de Calais, Rodin)
Salamanca, 2002

Milonga del muerto

Lo he soñado en esta casa
entre paredes y puertas.
Dios les permite a los hombres
soñar cosas que son ciertas.

Lo he soñado mar afuera
en unas islas glaciales.
Que nos digan lo demás
la tumba y los hospitales.

Una de tantas provincias
del interior fue su tierra.
(No conviene que se sepa
que muere gente en la guerra).

Lo sacaron del cuartel,
le pusieron en las manos
las armas y lo mandaron
a morir con sus hermanos.

Se obró con suma prudencia,
se habló de un modo prolijo.
Les entregaron a un tiempo
el rifle y el crucifijo.

Oyó las vanas arengas
de los vanos generales.
Vio lo que nunca había visto,
la sangre en los arenales.

Oyó vivas y oyó mueras,
oyó el clamor de la gente.
Él sólo quería saber
si era o si no era valiente.

Lo supo en aquel momento
en que le entraba la herida.
Se dijo No tuve miedo
Cuando lo dejó la vida.

Su muerte fue una secreta
victoria. Nadie se asombre
de que me dé envidia y pena
el destino de aquel hombre.

Jorge Luís Borges

21.10.05

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O dia está tão húmido e plúmbeo que começa a faltar a vontade de sair para um jantar que se adivinha simpático. A lareira ausente começa a fazer parte do imaginário mais recorrente. Penso em castanhas assadas e lembro o fumo e o cheiro. Parece que por fim é Outono.

Pesadelos

Hoje acordei com a sensação de ter dormido em sobressalto. Não me lembrava porquê, mas acho que posso dizer que a culpa é do Cavaco.

E foi o Horror

Cavaco anunciou ontem a sua candidatura a Belém.

20.10.05

Dia de Horror

Consta que Cavaco anuncia hoje a sua candidatura a Belém.

Aleluia

José Peseiro já não é treinador do Sporting! Dias da Cunha também resolveu ir embora!
Talvez agora se volte a ver futebol pelas bandas de Alvalade.

Humor Negro

Será que podemos encomendar uma gripe das aves exclusiva para os pombos? Lisboa precisava tanto disso…

12.10.05