27.7.06

Loucura

Num acto de insanidade revolucionária este blog trocou o sóbrio preto por um fundo cor de areia.

Diálogos Imaginários

– Charles, aproxima-se a mudança de verão. Pode começar a agrupar as roupas enquanto eu faço a lista de outras coisas que quero levar.
– Com certeza, menino. Tenho também uma lista do que costuma levar.
– Oh! Charles, não sei como suportaria o incómodo da mudança sem a sua ajuda.

25.7.06

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Talvez seja desculpa esfarrapada, mas o verão torna o diletantismo algo de tolerável.

Concurso

Caro Impensado,

Como é evidente, não poderia deixar de concorrer ao Primeiro Concurso de Verão do Impensável. Por isso aqui vai:
O comportamento de Dexter Haven não foi o de um verdadeiro Gentleman, pois este raramente perde as estribeiras por causa de uma mulher. A simples sugestão de uma agressão, ainda mais fora do recolhimento da casa, é simplesmente intolerável. O contacto físico com uma senhora deve ser sempre o caminho para um beijo ou algo mais, nunca para um vulgar empurrão.

Com calorosas saudações,
JAC, o Anarcoconservador

Provocação

A brigada do costume questiona a proporcionalidade do ataque de Israel após o rapto de dois soldados. Não comparando o rapto ao assassínio, recordo que a Primeira Guerra começou por causa de um “simples” e único assassinato. Terá sido proporcional?

24.7.06

Tall Ships


Lisboa esteve (ainda) mais bonita durante passagem da regata Tall Ships.

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No Médio Oriente as coisas estão más, o que é muitíssimo desagradável, para eles e para nós. Eles vão morrendo de um lado e de outro, o que afinal nem tem o picante da novidade pois há anos que se tentam exterminar persistentemente. Nós por cá, quando só queremos pensar em praia, na próxima festa, ou numa esplanada durante a noite em conversas alongadas, lá temos de fingir que nos preocupamos com o mundo sob pena de sentirmos pesos na consciência pela nossa indiferença.

20.7.06

"Época Tola"

Acabou o futebol, começou o calor, falamos de praias. Este blog entra decididamente na “época tola”, durante a qual não será de estranhar um desconhecimento profundo da seriedade e uma profusão de postas sobre inutilidades.

Crítica de Praias – Guincho

Não haja vento – uma manifesta raridade, ao nível do cromo do Hugo Viana – e esta é das melhores praias do país. A serra ao fundo, verde em anos que tenha escapado aos incêndios, o sossego da distância a qualquer povoação. Numa ponta o velho Muxaxo e o humilde barzinho de praia com bons pães com chouriço, do outro lado o mais “arreglado” “Bar do Guincho”, onde pedir algo, em dia concorrido, se pode tornar uma aventura capaz de nos fazer espancar toda uma enorme fila.
A qualidade dos acessos varia um pouco, uma vez que chegar até perto da praia é rápido, mas os carros estacionados por todo o lado entopem desmedidamente a circulação, em especial quando algum autocarro resolve tentar a sorte de passar. Pode haver alguma perda de tempo em estacionamentos, valendo mais a pena parar mais longe e fazer alguns metros a pé. No lado do “Bar do Guincho” há um impecável parque, bem delineado e arranjado, com o senão de ser, obviamente, bem pago e ter um acesso estreito que entope em dias mais concorridos.
O mar costuma ser bravio, com ondulação forte de onda longa propícia ao Surf (e com o habitual vento perfeito para o Windsurf e o Kitesurf). A temperatura da água não costuma ser encorajante, mas antes revigorante, o que, dada a ondulação e a necessidade de movimento, não se torna um obstáculo ao banho.
O ambiente do Guincho é uma das suas maiores vantagens, definiria-o como queque-descontraído-surfista, o que é dizer que quase tudo é gente nova e com ar bonito e divertido. Gente da linha, muitos surfistas e windsurfistas de caras muito queimadas desde Maio. A descontracção pulula entre pequenos biquinis coloridos e calções de banho da Osklen ou de marcas de surf. No céu, os kites rematam o colorido e na água há sempre acção por entre as ondas. Bom spot para ver bonitas meninas (vá, e meninos) de família com ar cool.
Para quem não esteja em boa forma física, uma ida ao Guincho pode ser um pouco irritante, ou mesmo deprimente. A quase inexistência de barrigas proeminentes nos homens e uma enorme densidade por metro quadrado de abdominais bem delineados, pode transformar uma ida ao banho num embaraçoso exercício de contenção da respiração de forma a disfarçar o desleixo de uma barriguita grande. Claro que se pode assumir com descontracção o físico pouco cuidado, mas fica sempre a sensação de que as meninas presentes nos olham com um ar de vago nojo. No que ás meninas diz respeito, posso dizer que a celulite não costuma passar por aqui. Talvez por um fenómeno de selecção natural “à la Darwin”, parece que toda a gordura foi queimada pelo frio da água, que enrijece as coxas e as barrigas descobertas por biquinis reduzidos. Claro que isto é excelente para os olhos que se regalam, mas pode ser motivo para traumas e viagens ao psicanalista ou ao cirugião plástico.

Classificação: Dada a importância do problema, darei a classificação em dias com e sem vento. DCV: 7 (em 10); DSV: 10 (em 10)

Agradecimentos

Aos blogues “A Causa Humana” e “Direita Conservadora” pelos links que fizeram para este estabelecimento.

18.7.06

Boas Notícias?

José Sá Fernandes vai apresentar, para votação da Câmara Municipal, um Plano Verde para a cidade de Lisboa (ver mais aqui), que consiste numa actualização de um plano já elaborado pelo Arq. Gonçalo Ribeiro Telles. Caso seja aprovado e, mais importante, cumprido, este pode ser o primeiro passo para que Lisboa sustenha o caos urbanístico que se tem tornado típico, tomando um caminho de ordenamento do território mais do que desejável.
Lisboa será por certo uma melhor cidade caso este plano seja posto em prática, o problema é que falta uma votação favorável da Câmara. Terá Carmona Rodrigues o discernimento e a coragem de levar por diante esta iniciativa e de tirar o ponto de interrogação ao título deste post?

17.7.06

Praia

Não obstante a quantidade enorme de praias em redor de Lisboa, ao coincidir a canícula agreste com o fim-de-semana, tudo se complica para quem pretenda submergir em água salgada. Contudo ainda há esperança, ainda temos praias onde conseguimos chegar sem esperar hora e meia por um lugar, em fila parada e sob o sol inclemente, no que me faz lembrar a Caparica, e aquela desgraçada vez, uma por ano, em que me convencem à deslocação e de onde regresso com veementes promessas de nunca mais. Este ano tenho cumprido, e graças a isso passei dois deliciosos dias de praia, o primeiro na “mais que civilizada” praia da Comporta e o segundo num Guincho sem vento e com a água a uma temperatura que permitia conversas longas de corpos submersos. Que maravilha de fim-de-semana!

Sonho

Passei vários dias a sonhar com Connemara e o verde fresco da Irlanda, com uma fuga ao abafo em estava. Depois veio o fim-de-semana e a praia, e o abençoar por esta costa atlântica com clima mediterrânico.

Coisa Imaginária

A ausência de postas deve-se a um curto-circuito no teclado do computador causado por fluxos de suor.

12.7.06

Diálogos Imaginários

– Charles, faça qualquer coisa que me estou a sentir dentro de um forno a ser cozinhado como um leitão.
– Com certeza, menino. Vou já fazer uma limonada absurdamente gelada.

Greve

O melhor é fazer greve ou abstinência ao trabalho, até pensar me faz calor.

10.7.06

Mundial

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E ainda guardo, sorridente
Uns belos golos para mim

Cópias

No Mundial em que (quase) todos jogaram “à italiana”, ao menos que a vitória tenha sido do original.

Mas que bem

No dia em que Zidane agride um italiano à cabeçada, a FIFA escolhe-o como melhor jogador do Mundial. E ainda falam da importância do fair-play.

7.7.06

Joga bonito

O Mundial tem gerado uma multitude de reacções, comentários, análises ou dissertações. O tema mais batido tem sido a qualidade dos jogos e do jogo das equipas. Má, muito má. Chata, monótona. As equipas pautaram-se, na generalidade, por uma clara prioridade em não perder que se sobrepõe a qualquer sonhadora ideia de querer ganhar. Os jogos afastam-se então do que entendemos por futebol para se aproximarem mais da postura do xadrez de raciocínio frio e implacável. Argumenta-se que o que interessa é ganhar, que jogar bonito é um conceito ultrapassado, fala-se de produtividade. Em abstracto é verdade, o futebol é um jogo e os jogos existem essencialmente para se ganhar. Esquece-se que este jogo, este negócio, existe e é importante porque tem adeptos, porque milhões de pessoas chamam o dinheiro da publicidade que faz mexer a máquina. O que se passa é que Mundiais como este contribuem vastamente para a diminuição exponencial dos adeptos. Como vou eu convencer os meus sobrinhos das maravilhas do futebol quando todos lá em casa adormecemos aos dez minutos de jogo?
O meu gosto de futebol foi estimulado por Sócrates e Zico, por Maradona e Valdano, por Roger Milla. Foi com este futebol bonito, para alguns inútil e pouco objectivo, que me tornei feroz consumidor de Campeonatos do Mundo, competição onde a variedade de estilos e jogos me apaixonava. Ansiava sempre pela surpresa africana, pelos novos artistas do Brasil, pelo futebol rápido e atlético da Inglaterra ou da Dinamarca. Na altura a nossa selecção era uma inexistência, só esporadicamente quebrada no Europeu em que Chalana passeou o seu futebol. A ausência da nossa selecção aguçava o gosto do jogo pelo jogo, a admiração pela qualidade e pela arte.
Hoje, só dificilmente cedo a ver jogos que não sejam da Selecção Nacional ou do Sporting. Este Mundial reforçou isto com algumas secas a que, por teimosia, me prestei. Se nada mudar, o futebol irá tornar-se nisto, um campo de batalhas nacionais (ou clubísticas) em que só a vitória interessa. Cada vez serão menos a ver jogos em que não entrem as suas equipas, cada vez serão menos os adeptos. O futebol será cada vez mais um negócio chato e desinteressante e menos um desporto estimulante.

4.7.06

Diálogos Imaginários

- Charles, apesar de ainda não saber onde vou ver o jogo amanhã, prepare-me por favor um “kit” futebol.
- Com certeza menino, vou por cervejas e vinho branco no frigorífico e comprar cajus, amendoins e uns queijos.
- Ah! Charles, é melhor ter também uns calmantes à mão, é que os jogos com França trazem-me péssimas recordações.
- Não me poderia esquecer menino, eu também padeço do mesmo mal.

Além do futebol

Não deixa de ser estranho um governo do PS endireitar-se com a saída de um ex-presidente do CDS.

2.7.06

Brasil

Tenho pena de não ter pena por o Brasil ter perdido. Manias de quem gosta de futebol e não de xadrez.

Ricardo

Tal como há dois anos, Ricardo foi gigante e uma parede de betão à frente à baliza. Ainda haverá alguém, tirando o Miguel Sousa Tavares, que se lembre de Vítor Baía?

Meias-finais

E pronto, ontem foi para sofrer outra vez. Não será possível ganhar em jogos tranquilos e previsíveis, sem que o coração salte e a adrenalina dispare ao infinito? Enfim, antes assim, pelo menos de vitória sofrida em vitória sofrida já estamos nas meias-finais.

Scolarizar

A influência de Scolari na população portuguesa pode medir-se pela Scolarização, ou seja, pelo acréscimo desmedido no optimismo e auto-confiança. A acrescentar ao nosso léxico e a usar amiúde em frases sem nada ver com futebol. Exemplos: “Amanhã o teste vai-me correr bem de certeza”, é típica de uma pessoa scolarizada; ou outra (vinda de um administrativo de uma empresa), “se continuar a trabalhar no duro acho que vou chegar a administrador”; ou ainda, “vou sacar de certeza aquela louraça de metro e oitenta”, a que apetece responder “também não scolarizes tanto”.

29.6.06

Coisas da Vida Boa

Descobrir que a falta de uso não inutilizou o meu já antigo gira-discos. Aproveito para voltar a discos há muito esquecidos, a gostos antigos. Ouço os intermináveis solos de Mark Knopfler no histórico “Alchemy” dos Dire Straits, a voz grave de Tanita Tikaram, os princípios de Rui Veloso no “Fora de Moda”. Acho que amanhã vou prolongar esta maré de nostalgia e passar aos singles do Marco ou da Abelha Maia.

Medo

Ontem à noite, ao aproximar-me com um amigo de um táxi, gracejei dizendo que íamos com um skin. Entrámos e subtilmente as mãos agarraram-se aos bancos após o senhor, até então mudo, passar quatro ou cinco sinais encarnados. Num deles ainda insultou outro condutor que apenas lhe fez sinais de luzes, estando eu já à espera que parasse o carro e saísse disparado na sua direcção. O trajecto aproximava-se do fim quando reparámos que não tínhamos dinheiro para pagar, tendo então pedido para que ele parasse num Multibanco. Fiquei no carro à espera e finalmente o homem lá abriu a boca, e é caso para dizer, para não mais a fechar. Começou pela insegurança e por situações que passou, sempre com “pretos” ou “gente do leste”. Caso a seguir a caso e já os tratava por aqueles que não deviam cá estar. O meu amigo lá chegou e o destino também. Antes que pudéssemos sair, continuou a falar. Falou da pistola que tinha no porta-luvas, do tiro que deu no outro dia a uns que o quiseram roubar, no que lhes fazia a todos se os apanhasse a jeito. Siderados, nem coragem tínhamos para sair, no medo de ofender a criatura por não o ouvir até ao fim. Uma brecha foi aproveitada para enfim sair e deixar o homem ir embora, só então respirei fundo. Esta gente é realmente perigosa, muito perigosa. São poucos, por enquanto, mas a sua simples existência dá medo. Gente desta que tem arma e cujos olhos destilam ódio, insanidade, que podem a qualquer momento matar ou ferir sem remorsos, em nome não se sabe bem de quê.

26.6.06

Futebol e Touros

O jogo de ontem assemelhou-se a uma corrida de Miuras ou Vitorinos: o interesse não foi a arte pela arte, o interesse estava na batalha “de morte” entre os oponentes, ambos desejosos de ferir. Estas ganadarias são famosas pela sua ferocidade, pelo seu perigo, por dificultarem em muito a tarefa dos toureiros. São touros imponentes e de génio, que não permitem erros, logo respondendo com investidas para colher, para ferir, para matar. As corridas com estas ganadarias estão sempre esgotadas, por público ávido de seriedade nos touros, de combates mais iguais. Poucas vezes a arte é perfeita, pois os touros não o permitem, mas o domínio do toureiro sobre o touro toma predominância sobre os alardes. São corridas de emoção a que só alguns toureiros comparecem, pois o medo muito pode.
Ontem, lembrei-me destes touros durante o jogo, que não foi uma obra de arte, mas foi emotivo, sério, duro, com muito interesse. Portugal enfrentou ontem um Miura de génio, bravo e pouco nobre, com investidas ordinárias e perigosas. Portugal sobreviveu e conseguiu uma faena plena de emoção e entrega, de coragem. Qual toureiro corajoso enfrentou de peito feito o animal, dando-lhe a lide possível depois de colhidas graves (a lesão de Ronaldo), de erros imperdoáveis (expulsão de Costinha) e da incompreensão do director de corrida (expulsão de Deco). Após a colhida foi difícil procurar a arte, pura e espectacular, mas foram cingidas as verónicas e sérios e verdadeiros os passes naturais. Houve verdade e esforço, e, a espaços, pormenores de arte pura conseguidos em momentos de maior domínio. Com o aproximar do final, touro e toureiro perderam força, e já eram mais soltos os movimentos, já as defesas estavam mais abertas, e mais perto estiveram ambos de ferir o oponente. Foi uma batalha de morte em que Portugal venceu, como vencem os toureiros – os grandes – que conseguem triunfar apesar dos touros não colaborarem.

Futebol

Ontem foi futebol duro, uma batalha épica, nem sempre bonita, bastas vezes pouco leal. Os holandeses, habitualmente cavalheiros e bem-educados, foram buscar inspiração ao seu passado de corsários e, aliando à compreensível raiva perante as consecutivas derrotas frente a Portugal, atacaram o jogo desde início com brutalidade. As primeiras faltas sobre Cristiano Ronaldo só com extrema ingenuidade não serão compreendidas como tentativas, bárbaras, de atemorizar o adversário, de preferência inutilizando-o. Não venha o Sr. Van Basten falar de fair-play, quando por certo as ordens de abate vieram da sua boca.
Com o começo holandês e um árbitro abaixo de ordinário, o jogo tinha de descambar, e descambou à séria. Tivesse havido prolongamento e talvez se acabasse a jogar futebol de sete. Não há desculpas para as reacções de Figo ou Deco, mas, perante a barbárie que já se tinha visto, seria difícil aguentar a pressão, ajudada por uma perfeita idiotia de Costinha.
O jogo foi duro, violento, e muitos dizem que feio. Não consigo concordar em absoluto com a última parte. Apesar de tudo, quantos jogos deste Mundial terão tido tantos remates e ocasiões de parte a parte? O nosso golo é uma belíssima jogada, assim como o foram alguns dos nossos contra-ataques. Os holandeses podiam ter marcado por algumas vezes e pressionaram com ferocidade. O jogo deveria ter sido mais leal e menos brutal, mas, ainda assim, houve muito futebol, jogadas de qualidade e uma emoção desmedida.

Pergunta

Aos grandes críticos de Scolari uma simples pergunta: teria Portugal ganho o jogo de ontem com outro treinador, com o conjunto dos (supostos) melhores jogadores portugueses, mas sem esta “equipa”?

20.6.06

Músicas

Mudanças nas músicas aqui do lado: na Grafonola passa agora Caetano Veloso com “Gelsomina“ do disco “Omaggio a Frederico e Giuletta”, gravado ao vivo num concerto em homenagem a Frederico Fellini e a Giulleta Masina; no Gira-Discos os imortais The Velvet Underground, com a voz de Nico, em “I’ll be your mirror” do famoso álbum da “banana”.

Delírio

Raramente abro e-mails de forwards que me são enviados, para além disso tenho “educado” os amigos para apenas me mandarem mails “realmente” divertidos e nenhum que implique cadeias que me deixam logo mal disposto e a correr para o Delete. Tudo isto a propósito do mais divertido mail que me lembro de receber e que me deixou quase literalmente a rebolar no chão a rir, fazendo tristes figuras e arfando com dificuldades respiratórias. Graças ao You Tube, aqui vai.


Para quem mais dificuldades tenha com o espanhol, pode acompanhar com a letra da música, uma autêntica pérola do non-sense.

Hagamos juntos, este crucigrama
Aplacemos lo otro, para mañana
Cantar contigo, me llena de alegría
Chalalala chalalala...
Dejemos todo lo demás, para otro día
Quisiera besarte, pero sin ensuciarte
Quisiera abrazarte, sin dejar de respetarte

Amar es saber esperar, es saber esperar, es saber esperar
Amo a Laura,
Quiero esperar hasta el matrimonio
Amo a Laura,
Quiero esperar hasta el matrimonio
No voy arrancar esta flor,
Que la destruya, no será yo

(Falado) Joven, recuerda que el amor nace del respeto, que no hay nada más hermoso en una pareja, que saber esperar juntos ese momento maravilloso, que es la consumación del amor, tu paciencia tendrá recompensa!

Amo a Laura,
Quiero esperar hasta el matrimonio
Amo a Laura,
Quiero esperar hasta el matrimonio
No voy arrancar esta flor,
Que la destruya, no será yo

Para completar o delírio aconselho vivamente uma visitinha ao site da “associação” responsável por este vídeo: Asociación Nuevo Renascer. Quem sabe surgirão mais candidatos a Presidente do Clube de Fans dos Happiness, o grupo que interpreta esta grande música.

19.6.06

Bizarrias

Foi muito estranho chegar ao meio de um jogo do Brasil a desejar que eles percam. Sim, ontem antes do intervalo já dava por mim a torcer pela Austrália, país pelo qual não tenho nenhuma especial simpatia, afinidade ou proximidade. A apresentação miserável de um conjunto de jogadores geniais levou-me a querer que perdessem, e mereciam. Para quem gosta de futebol, o Brasil de ontem – e, já agora, do jogo com a Croácia – não merece ser o mesmo país da selecção de Sócrates, Zico e Falcão. Chamem-me sonhador, mas o Brasil não pode ser nunca uma selecção calculista e sem alma, aliás, poder até pode, não pode é chamar-se Brasil. Parreira parece um eficiente cozinheiro que, perante as melhores matérias-primas, cozinha rapidamente um almoço inteiro, mas em que tudo está desenxabido e sem sabor. Desperdícios…

Telegrama do Mundial

Bom jogo. Bom resultado. Esperemos pela Holanda.

Agradecimentos

Ao Arte da Fuga, ao Em Nome Próprio, ao Boca de Incêndio e ao Conversa Livre pelos links simpáticos para este estabelecimento.

A banhos

Os feriados foram aproveitados para ir a banhos. O tempo desconvidava a esta opção, mas alguma teimosia nostálgica lá me levou até terras figueirenses, insistindo que o caminho fosse em direcção à praia. Nuvens muitas, a rodos, mas uma temperatura agradável para ler, ao som do meu iPod que me fazia esquecer a falta do sol e dos mergulhos no mar. O último dia lá chegou com sol, com o calor necessário à imersão em águas salgadas. Até lá, alguns passeios e a essencial visita à vetusta e venerada Casa Havanesa para compra de jornais e livros. As poucas coisas da terra que resistiram à voragem da destruição lá se vão mantendo, e os enublados passeios traziam “quelque chose” das decadentes praias da Bretanha em primaveras húmidas.

13.6.06

Coisas da Vida Boa

Os “Santos” ontem, em versão fidalga. Os aperitivos ao pôr-do-sol de “flûte de champagne” na mão, apreciando do quarto andar a organização das mesas e o carvão a aquecer para mais tarde receber as sardinhas. O povo ia chegando e num pequeno palco o inevitável órgão, tocado por músico esforçado, abrilhantava a festa com pérolas da música pimba portuguesa. A comida subiu de cesta e corda, directamente saída da grelha, e foi sendo acolhida lá em cima pelos divertidos convivas. A noite prolongou-se com sangria de vinho branco e danças animadas. Um pouco fascista, assumo, pouco popular, é verdade, no entanto muito agradável.

12.6.06

Telegrama de ontem

Jogo Medíocre. Bom resultado. Grande Figo.

Diálogos imaginários

– Charles, afinal sempre vou passar uns dias à praia. Faça-me por favor as malas, mas não esqueça que parece que pode vir a chover.
– Com certeza menino, esteja descansado que não me esquecerei de alguns abrigos para o vento e a chuva e tudo estará pronto daqui a pouco.
– Não tenha tanta pressa Charles, só vou amanhã e hoje ainda vou dar um saltinho aos Santos.
– Faz bem menino, aproveite para se divertir um pouco.

8.6.06

E não se pode bater-lhes

A Ministra da Educação anunciou ontem uma proposta para que as escolas do ensino básico tenham, obrigatoriamente, actividades extracurriculares, nomeadamente de Inglês, Educação Física e Ensino Artístico (em particular Música). A medida pode ser questionável por muitos motivos – se há dinheiro, se as escolas têm as condições físicas necessárias ou se há professores suficientes para acompanhar as actividades –, agora, pasme-se, qual foi o grande entrave posto pela inefável FENPROF: segundo este sindicato, a proposta é inaceitável porque esvazia os conteúdos de disciplinas já leccionadas em horário escolar! Quer dizer, o facto de uma escola passar a ter um coro, por exemplo, esvazia os conteúdos de Educação Musical onde se aprendem os rudimentos do solfejo; o facto de os alunos poderem ter horas de conversação informal em inglês, por exemplo, esvazia de conteúdos a disciplina onde os mesmos aprendem a gramática da língua de maneira mais formal; o facto de os alunos poderem ter campeonatos inter-turmas dos mais variados desportos, por exemplo, esvazia de conteúdos a disciplina de Educação Física! Enfim, é esta gente que representa os professores e consegue ter uma força inaudita na sociedade portuguesa, mercê da chantagem constante da greve, tendo sido a próxima “jornada de luta” (dia 14 de Junho) convenientemente marcada, como sempre, entre o feriado municipal de Lisboa (13 de Junho) e o feriado do Corpo de Cristo (15 de Junho). Com tudo isto ainda tentam ser levados a sério por gente séria. E que tal recuar aos métodos de há um ou dois séculos e corrê-los todos à bastonada?

6.6.06

Requiem por um bom jantar

Chegamos tranquilamente e perguntamos pela mesa. Dizem-nos que demora um quarto de hora, pelo que abancamos no bar. Pedimos um Gin-tónico e acendemos um cigarro – correcção, segundo a nova proposta de lei não acendemos nada, ou então, saímos de copo na mão para a porta e fumamos um cigarrito ao ar livre, mesmo que estejam zero graus. A mesa lá está pronta e vamo-nos sentar. A demora habitual na escolha dos pratos e, depois de continuar no Gin ou optar por um vinho branco, lá puxamos de um cigarro enquanto as senhoras decidem que prato vão comer – correcção, segundo a nova proposta de lei não puxamos nada, e como seria indelicado levantarmo-nos agora, roemos um pouco os dedos e começamos a ficar com um humor menos apresentável. Já estamos pouco divertidos quando chegam as entradas com as quais nos entretemos, findas as quais fumamos um cigarro – correcção, segundo a nova proposta de lei não fumamos nada, ou então simulamos uma ida à casa de banho e fugimos até à porta onde, mesmo que estejam quarenta graus e o restaurante não tenha toldo, fumamos desesperados um cigarro que até se calhar não fumaríamos à mesa, mas que a proibição nos dá umas ganas de fumar. Lá dentro a comida ameaça chegar, e aqueles que não saíram para a casa de banho apresentam uma face que deixa adivinhar um rosnar ao primeiro factor externo que complique o periclitante equilíbrio interior em que se encontram. O jantar até foi bom e tudo estava óptimo, e o simpático chefe de sala lá aparece a perguntar por sobremesas. Umas senhoras ponderam uma fruta perante os olhares desesperados e a deitar fumo de quem dava a vida por um cigarro. Mais de metade da mesa começa a puxar por um cigarro, o mais desejado que vem a seguir a qualquer boa refeição – correcção, segundo a nova proposta de lei não puxa por cigarro nenhum. As regras de boa educação são então, e em definitivo, quebradas, e a mesa levanta-se toda – para desespero do chefe de mesa que pensa que querem fugir sem pagar – e forma-se um aglomerado à porta com convivas de mais mesas entre cotoveladas e empurrões devido à chuva que vai caindo sem que haja abrigos para a mesma nas imediações do restaurante. A confusão instala-se perante a recusa dos clientes em tomar o café à mesa, pelo que a chegada de bandejas de café até à porta – entretanto oferecidas pela gerência para acalmar um pouco os ânimos – é saudada com aplausos, que fazem acorrer ás janelas senhoras com rolos no cabelos e roupões turcos cor-de-rosa e homens peludos em tronco nu que olham incrédulos toda a cena.
Imaginam-me num filme destes? Uma vez de três em três meses ainda vá – o sacrifício faz parte da vida –, agora jantar fora deixará, com enorme pena minha, de ser um programa aceitável. Ganharão os take-away, porque por enquanto – embora tema que não por muito tempo – as leis fascistas ainda não entraram para dentro da nossa casa e aí, aí poderemos jantar tranquilamente.

3.6.06

Veto

Aplausos sinceros e vivos ao primeiro veto do Presidente da República, impedindo a aprovação da lei da paridade em nome da liberdade e contra a descriminação positiva. Que a lucidez venha de algum lado!

O Campo e a Cidade

Hoje, Lisboa foi “invadida” pelo “Mundo Rural”, que animou a Capital lembrando que o leite não jorra de fábricas e a carne não é criada em congeladores. O Ministro da Agricultura anunciou, que coincidência, umas vagas medidas de apoio aos agricultores, acenando com muitos milhões. Parece que agora passaram a trabalhar ao Sábado, o que não deixa de ser uma novidade a realçar. Para bom entendedor, fica patente a hipocrisia de um ministro cuja remoção do governo seria uma atitude ao abrigo das leis da verdade e honestidade intelectual.

Agradecimentos

Ao André Azevedo Alves, de "O Insurgente", pela simpática referência ao post anterior.
Ao "Devaneios de Caim", ao "Publicista" e ao "Textos para Tudo" pelos links para este estabelecimento.

1.6.06

Luminária

Segundo as notícias do dia, José Saramago, que faz parte da Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura, disse desconhecer os conteúdos desta iniciativa e que a mesma não tinha grande utilidade. Para Saramago a leitura é uma actividade de minorias e sempre assim será, sendo que iniciativas que a tentem promover são sempre inúteis. Assim vai o comunismo das igualdades, iguais sim, mas só alguns.

31.5.06

Private joke

“Mas, de repente, o Albuquerquezinho arremessou a torrada que tomara do prato e empertigado na cadeira, fazendo estalar os nós dos dedos, olhou sucessivamente as duas velhas com rancor. Exigia as torradas quentes, louras, a escorrer de manteiga e encontrando uma seca, rosnou com azedume:
– Se sabem que me faz mal! Se sabem que me faz muito mal! E não é uma, são todas que estão secas. Já é desleixo.”
Eça de Queiroz in “A Capital”

29.5.06

Crises

O país está em crise, mas oitenta mil pessoas – sim, não é gralha – encheram, este Sábado, o Rock in Rio. Compreendo a ansiedade do país em escutar que “porque a mim tanto me faz, que digas coisas boas ou coisas más”, na voz dos indescritíveis – por falta de paciência – D’ZRT (deve, aparentemente, ler-se Deezêrt). Ou, com o calor que estava, gritar que “algo levantou poeira” na voz da frenética – até nos cansar – Ivette Sangalo. O único motivo de real interesse, a barriga bamboleante de Shakira, perdia-se na distância ao palco que impedia um convite para cear ao abrigo da multidão. Mas supostamente há crise e um bilhete para esta coisa custava 50 Euros. Assim como assim, e assumindo o gasto, antes uns jaquinzinhos e umas pataniscas de camarão, seguidas de umas costeletas de borrego panadas com arroz de grelos, terminando com um mousse de chocolate ou um leite-creme. No Papaçorda, é claro. Com os cinquenta euritos até deve dar para não ter de escolher o tinto mais barato da lista e beber um whiskey com o café. Enfim, cada um com as suas opções, mas eu, crise por crise, antes poupar para o Papaçorda.

Diálogos Imaginários

– Charles, por favor mude os lençóis todos os dias enquanto esta canícula se mantiver, a única maneira de a suportar é mesmo dormir em lençóis de linho frescos. E não se esqueça de reforçar o stock de chá gelado, é que com este calor desaparece num instante.
– Não se preocupe menino, já tratei das duas coisas e comprei muitos vegetais e fruta para amanhã.

26.5.06

Acrescento

(ao post “Carrilho e Dan Brown”)
Num momento de chafurdice mental, e noite de insónia, acabei por assistir, via RTPN, ao famoso Prós e Contras com o Professor Carrilho. Ao post já escrito nada a retirar, apenas um ligeiro pormenor a acrescentar: a bem da saúde pública, o senhor deveria ser “convidado” a passar uma temporada num hospital para doentes mentais. A insanidade do Professor chegou a mostrar teores de demência que só o foro psiquiátrico poderá explicar. Afinal, mais do que mimado e profundamente mal-educado, o senhor é portador de uma qualquer doença mental que o aliena e afasta da realidade. A sociedade deveria tomar medidas pois, após acusar meio mundo de uma conspiração, reescrever entrevistas que deu ou insultar adversários de forma nojenta, a agressividade pode tomar conta do seu corpo e passar a agressões físicas no meio da rua. Não sei porquê, mas a sua cara estampada na capa do livro, com um sorriso vagamente alucinado, faz prever que esteja vestido apenas com uma gabardine e tenha sido fotografado após regressar a casa do Jardim da Estrela. A sociedade que se cuide.

23.5.06

Grafonola e Gira-discos

Mudanças nas músicas aqui ao lado com uma escolha um pouco anacrónica: na Grafonola passa “Sonatine Bureaucratique” de Erik Satie, tocada por Aldo Ciccolini; no Gira-Discos temos “The Guns of Brixton” no punk-ska inesquecível dos Clash.

Carrilho e Dan Brown

Triste país em que um mal-educado político humilhado volta a ser falado por todo o lado ao ter lançado um livro onde elabora uma pretensamente sofisticada teoria da conspiração. Não li, assim como tenho evitado, por higiene mental, outros comentários ou debates televisivos sobre o assunto. Um senhor americano conseguiu num livro, que também não li por manifesto preconceito intelectual, elaborar uma conspiração acerca de um código que se tornou um enorme sucesso agora transformado em filme. Carrilho estará a treinar para ser o Dan Brown português?

20.5.06

Campo Pequeno IV – Crónica taurina

Praça cheia, como dá gosto ver, com um público a revelar ao longo da corrida uma exigência pouco vista e que muita falta faz à festa dos toiros.
O curro da ganadaria Vinhas cumpriu assim-assim: não brilhou por falta de casta e bravura dos touros, não tendo no entanto estragado a noite aos toureiros. O quarto e sexto eram mais tardos e reservados, não tendo, apesar disso, sido aproveitados da melhor maneira pelos toureiros.
Abriu a corrida João Moura com um touro suave, que foi bem entendido e toureado. Nos compridos o problema costumeiro de Moura: esquecendo não estar em Espanha, insiste em recusar a sorte frontal que estes ferros exigem. Correcto na colocação. Para os curtos Moura teve, apesar da falta de sal, touro para lidar à sua maneira. Brega vistosa, com o touro colado à garupa do cavalo e ferros que conquistaram o público que não recusou ovações sonoras. O touro foi pegado por Diogo Sepúlveda, dos Forcados Amadores de Santarém, que bem citou e pegou o touro.
Recebeu o segundo da noite com um ferro à sorte de gaiola António Ribeiro Telles, mostrando cedo a disposição para triunfar. Lide impecável – aproveitando um touro doce, mas com investida – começada com compridos de praça a praça como mandam os cânones do toureio. Nos curtos esteve excelente, numa lide cheia de pormenores toureiros e ferros bem preparados. Belíssima lide que entusiasmou sobremaneira o público. O touro foi pegado por José Maria Cortes, dos Forcados Amadores de Montemor, que não entendeu a investida do touro, tentando pegá-lo sem recuar o que redundou e duas tentativas falhadas.
Rui Fernandes toureou o terceiro da corrida, granjeando alguns aplausos com o seu toureio irreverente, mas bastas vezes excessivo. Lidou com suavidade e conseguiu ferros de boa nota. A pega foi efectuada pelo Cabo dos Forcados Amadores de Lisboa, José Luís Gomes, que deu uma lição pedagógica sobre a arte de pegar touros. Belíssimo cite, excelente a recuar, magnífico na reunião. A pega da noite efectuada por um veterano das arenas.
O quarto touro saiu para João Moura que não conseguiu encontrar a lide correcta para um exemplar de fraca qualidade. Esteve mal nos curtos e escutou assobios – algo tão raro como necessário em praças portuguesas – apesar de encerrar com um digno ferro de palmo. Como senhor toureiro que é recusou a volta à praça. A pega de António Jesus Grave, dos Forcados Amadores de Santarém, foi vistosa e correcta.
Saiu, embalado pelo triunfo no seu primeiro touro, para o quinto da noite António Ribeiro Telles. Recebeu o touro à saída dos curros, aguentando a sua investida até o colocar para um belíssimo primeiro comprido. Os compridos foram de praça a praça, e só o falhanço na cravagem de um deles foi nota menos boa na sua actuação. Nos curtos esteve mais uma vez em grande plano, com ferros frontais e emotivos e brega magnífica. Rematou uma noite de enorme triunfo com um ferro de palmo brindado à família. A pega foi feita por Pedro Freixo, dos Forcados Amadores de Montemor, que esteve muito bem com o touro.
O último da noite foi lidado, e mal, por Rui Fernandes. Não querendo exagerar, veio neste toiro ao de cima o pior defeito deste toureiro: querer impor aos touros os “números” que cada um dos seus cavalos faz (câmbios, ladear, patas que levatam,…) e todos o fazem. Esteve mal com o touro, cravando compridos em câmbio! Nos curtos quis, com o primeiro cavalo, cravar a câmbio e voltou com outro cavalo que fazia o número de levantar uma das patas dianteiras. Alguma confusão entre toureio e circo, perante um touro manso e parado, que também não ajudou. Pegou Gonçalo Maria Gomes, dos Forcados Amadores de Lisboa, a fechar com chave de ouro esta noite com uma bonita pega.
A corrida terminou com a banda, que esteve excelente ao longo da corrida, a tocar o hino, que foi cantado em pé e com enorme dignidade por todo o público presente num epílogo bonito para uma noite a recordar.

Campo Pequeno III – Manifestação

À porta da Praça acolhia-nos uma manifestação de uns grupos de defensores dos animais, também eles com saudades de terem motivos para sair ás ruas com seus cartazes. Muito gritavam e insultavam quem passava, procurando – “comme d’habitude” – que alguém perdesse a paciência ao ser apelidado de assassino e lhes desse uns bons pares de estalos. Claro que a seguir se iriam queixar à imprensa dizendo o quão brutas são as gentes dos toiros. Filme já visto.
Pelo meio destrinçavam-se t-shirts do Che Guevara, levando a que nos apeteça tirar a seguinte conclusão: Nós que gostamos de touradas somos bárbaros e assassinos, enquanto eles, que admiram o guerrilheiro da barba que, só por acaso, até matou razoável quantidade de gente, são uns benfeitores da humanidade contra a nossa selvajaria. Enfim, paradoxos do nosso mundo.

Campo Pequeno II – A Praça

Catita. O rejuvenescido Campo Pequeno está catita a valer. Belíssima obra de recuperação, num exemplo infelizmente raro neste país. Parece que foram muitos milhões, mas a avaliar pelos resultados foram bem empregues. Não se pode dizer que valeu a espera, porque foram muitos anos, mas lá que ficou bem, isso ficou. Majestosa será a melhor definição para esta “nova” Praça de Touros do Campo Pequeno.

18.5.06

Campo Pequeno

Ao fim de muitos anos de espera, lá reabriu anteontem o Campo Pequeno. Parece que é obra boa. Hoje lá o irei comprovar na inauguração pública com aquilo que era, e deve continuar a ser, a principal função do espaço: uma corrida de touros. Eram muitas as saudades das nocturnas de quinta-feira, dos touros à séria na praça de referência do país. Lisboa não foi a mesma neste interregno de tantos anos e a prova da falta que fez é que os bilhetes voaram na segunda-feira e não fora a abençoada Internet e a coisa teria sido difícil. Sector seis e lá estarei.

17.5.06

Inquilinos e Senhorios

O governo acordou de repente a pensar que devia ser de esquerda, vai então apresenta uma Lei para o Arrendamento que, a uma primeira breve leitura, é digna de uma Nova Albânia. Durante anos a fio vem se arrastando uma situação que é da inteira responsabilidade do Estado Português – do governo que aprovou o congelamento das rendas e de todos os posteriores governos nada fizeram para as descongelar. Perante isto o que faz este governo: lava as mãos e divide as responsabilidades entre inquilinos e senhorios. O Estado assobia e, sem lhe chamar assim, propõe uma expropriação das casas na forma da compra pelo inquilino do imóvel a um preço em função do valor fiscal do mesmo. O desgraçado do proprietário, que vem há anos a ser a Segurança Social dos inquilinos – necessitados ou não –, arrisca-se então a ficar sem casa. John Cleese regozijaria com este tema para um sketch dos Monthy Python.

Arte

Scolari, com quem por motivos estranhos até simpatizo, decidiu quem vai ao Mundial da Alemanha. A convocatória é polémica, como o seria em qualquer país civilizado em que o melhor jogador do campeonato não fosse convocado. Quaresma fará obviamente falta, não a titular, mas como substituto de luxo para virar resultados desfavoráveis ou dar golpes de misericórdia em resultados favoráveis. Perdemos, para o Mundial, a arte de um dos jogadores que me faz, apesar de tudo, gostar de futebol.

15.5.06

Estado do Sítio

Este blog, tal como o país, anda numa modorra que torna desnecessários comprimidos para dormir e eleva as necessidades de cafeína, o calor chegou e começa fazer as mentes dormentes.

Boas notícias

Paulo Bento renovou e não conta com Sá Pinto, talvez assim para o ano terminemos mais jogos com onze jogadores e sem penalties idiotas contra nós.

8.5.06

Diálogos Imaginários

– Charles, ainda bem que voltou, já tinha saudades suas.
– O menino como tem passado? Peço desculpa pela ausência, espero que tenha sobrevivido sem mim.
– Com dificuldade, Charles, com dificuldade.

5.5.06

Música

Mudanças nas músicas aqui ao lado. Na Grafonola pode-se ouvir “Pernambucobucolismo”, do álbum “Infinito Particular”, o último da sempre excelente Marisa Monte. No Gira-Discos a voz imortal de Camarón de La Isla, o grande “cantador” de flamenco, aqui com uma letra de Frederico Garcia Lorca: “Mi niña se fue a la mar”.

4.5.06

América

A cada dia me surpreendo mais com o fundamentalismo anti-americano, logo eu que não gosto em especial da sociedade americana, não gosto particularmente de Bush, acho que a Guerra do Iraque foi um disparate criminoso, gosto de muitos produtos oriundos da América (cinema, música, literatura) mas não ia viver para os Estados Unidos, resumindo, tenho, por pouco tempo porém, uma saudável relação crítica para com a América,
Os argumentos que ouvi há dois dias, oriundos de alguém intelectualmente mais do que estimável e politicamente independente, contribuíram para a convicção de que ainda me tornarei um feroz americanista, capaz de rivalizar com a cegueira de um Vasco Rato. Discutia-se política à escala mundial, as privatizações do “sensato” Chavéz, a “ponderação” do “discreto” Morales, o imperialismo americano. A discussão animou e falou-se da primordial importância dos americanos no fim da segunda guerra mundial e do quanto lhes devemos. Aqui tudo se baralhou, e a cegueira anti-americana culminou num argumento precioso: “A guerra iria acabar de qualquer maneira, uma vez que demograficamente os alemães não a poderiam suster, e não podemos provar que foi a intervenção americana que, de facto, parou a guerra.” Perante a estupefacção e indignação generalizada esbocei que até é verdade, como é verdade que nada prova que o 25 de Abril foi essencial para acabar com a ditadura – ela poderia acabar por si –, ou que os Conjurados apenas anteciparam o abandono do nosso país pelos espanhóis. O argumento vale o que vale, não é que seja necessariamente mentira, apenas invalidaria toda e qualquer a análise histórica. No entanto, a melhor conclusão que ainda consegui espremer foi a seguinte: se a guerra acabaria de qualquer maneira, mesmo sem a intervenção americana, era só uma questão de tempo, ora como no entretanto ia morrendo gente, muito em particular judeus, talvez a limpeza étnica se aproximasse dos seus objectivos. Assim, com um pouco de “sorte”, poucos judeus sobrariam e não seriam suficientes para a criação de Israel, o que seria óptimo para o mundo de hoje já que acabaria com o problema do Médio Oriente e, talvez até, com o novo terrorismo. Concluindo, a culpa da instabilidade no médio oriente é dos E.U.A., mas não só de Bush, a culpa vem Roosevelt e Truman que permitiram a sobrevivência de demasiados judeus. Enfim, o imperialismo já tem demasiados anos para que não nos rebelemos contra ele.
Perante tamanho disparate, ainda me vão ver, um dia destes, em manifestações pró-Bush, não é que eu queira, mas a alucinação perigosa do outro lado ainda me vai obrigar a isso.

29.4.06

Notas de Viagem – Sevilha II

Seis e meia em ponto, Real Maestranza cheia, como sempre em corridas de feira. Hasta la bandera como diriam os locais. Silêncios sepulcrais e emoções incontidas. Os toiros saindo à praça bravos, investindo em burladeros e capotes. Os toureiros provando investidas em vistosos passes de capote, os picadores recebendo as fortes investidas sustidas por decididas varas que ferem o animal e mostram a sua bravura com a insistência com que continuam a investir ao mesmo tempo que são agredidos. O brinde ao público no centro da praça ao som de um coro de aplausos esperançosos de uma lide valente e inspirada. Silêncio e os primeiros passes por baixo, baixando a cabeça ao toiro, comprovando a sua bravura e nobreza. Os primeiros olés, espontâneos, que brindam quites arrimados e passes templados. A lide em crescendo com o público a corresponder com aplausos e olés. A faena que foi redonda, emotiva e bonita – o matador suplantou com inteligência e arte a força bruta e brava do animal. O momento fundamental chega, o epílogo deste jogo de vida, no silêncio ouvir-se-ia um alfinete a cair, o toureiro perfila-se, espada na mão direita, e entra, com todas as ganas necessárias, a matar. Estocada inteira, completa, provavelmente mortal. O toiro contorce-se e fica abalado, mas continua a investir, com bravura, com uma bravura rara e digna. A morte tarda, por forças que chegam do interior da sua ancestralidade, e o toiro arrasta o seu corpo quase inanimado até ao centro da praça, até onde apenas os bravos vão morrer, fora dos seus terrenos das tábuas, onde a protecção não chega. No centro, sob os aplausos emocionados do público, cai, com uma dignidade própria dos grandes.

Notas de Viagem – Sevilha


Patio de los Naranjos, Sevilha, 2006

O bulício preenche as ruas onde turistas se cruzam com belas sevilhanas. O Bairro de Santa Cruz com o seu ondulado de ruas onde insistentemente nos perdemos. Casas bonitas e portões por entre os quais se vislumbram serenos pátios. Janelas gradeadas de negro quebrando o branco das fachadas. Azulejos relembrando o carácter árabe de quem aqui passou. Sevilha é alegria e rua, tudo lá fora vivido, mesmo quando os verões de quarenta graus ainda não chegaram. Os dias pegam com as noites que pegam com os dias. Pelo meio tempo para uma corrida de touros na elegante Real Maestranza. Tapear e beber, e a conjugação seguida e alternada deste dois verbos, entre deliciosos montaditos de carne, revueltos con espárragos, calamares, ou pratos de Jamón Ibérico e Queso Manchego. A perdição acompanhada de um Ribera del Duero ou da local e típica Manzanilla. Sevilla é isto e muito mais, sempre dominada pela Giralda e pela Torre del Oro – vestígios árabes que sobreviveram ao correr dos tempos – e pela enorme e majestosa catedral, coração em redor do qual pulsa toda uma cidade.

26.4.06

Primavera

Saio para fim-de-semana com casaco de Inverno, apanho um dia em Sevilha com granizo e um dilúvio sem fim, regresso com o calor de um dia de Verão. A primavera é muito interessante, mas também escusava de ser tão impertinente.

Coisas da Vida Boa

Os campos do Alentejo. O verde profundo, as tonalidades brancas e amarelas pontuadas por excêntricas manchas de roxo, tudo por debaixo de vetustos sobreiros ou antigas azinheiras.

21.4.06

Paridades

Através de processos rocambolescos (vide aqui) o PS fez ontem aprovar a Lei da Paridade. Muito bem, Portugal volta a dar um passo atrás no caminho civilizacional e os nossos políticos vão mostrando a sua enorme qualidade a cada dia que passa. Agora, passamos a ter um “Terço” de mulheres escolhidas por critérios alheados da competência e valor pessoal, o “Terço das Senhoras” ou as novas Socrattettes. Para entrar na equipa do Terço prevê-se agora um recrutamento aturado de figuras representativas da nossa sociedade, assim como foram Matilde Sousa Franco (conhecida mundialmente como a viúva de Sousa Franco) ou Teresa Almeida Garrett (c. m. como a viúva de Lucas Pires), atrevendo-me a sugerir convites a Maria Roma (c. m. como mulher do ministro Freitas do Amaral), Jacinta da Dores (c. m. como mulher do presidente da Junta de Carquejais-de-Cima) ou Ana Pacheco (c. m. como mulher do deputado Nuno da Câmara Pereira).
No meio deste disparate poderíamos encontrar algumas virtudes, pois o parlamento podia tornar-se um pouco mais decorativo. O problema é que, avaliar pela amostra actual, é duvidar da qualidade estética das novas deputadas (sim, tirando a excepção da Joana Amaral Dias), por isso acho que seria justo chamar Pedro Santana Lopes (agora um desempregado político) para assessor de imagem do parlamento, com direito de veto perante candidatas em que beleza não fosse um atributo relevante. Assim, talvez conseguisse vislumbrar utilidade na medida, afinal a estética é um elemento importante numa democracia civilizada.
Como acho discriminatório para outros componentes da nossa sociedade que só tenhamos quotas para as mulheres, acho justo para o futuro reivindicar as seguintes quotas: dez por cento para homossexuais (segundo a famosa sondagem do “Expresso”), dez por cento para portugueses africanos de primeira geração, cinco por cento para portugueses africanos de segunda geração, dois por cento para goeses, um por cento para ex-habitantes de Macau, e assim por diante. Os cálculos seriam sobrepostos segundo uma fórmula matemática elaborada pelo Departamento Pedagógico de Ciências Matemáticas do Ministério da Educação. Assim, finalmente a representatividade da população no parlamento seria atingida. Quanto à qualidade e ao mérito dos novos deputados, isso é um pormenor de somenos importância perante a multiparidade atingida.

Bósnia

Na reportagem do Telejornal de ontem sobre a visita de Cavaco ao contingente português na Bósnia, o repórter resolve perguntar a um miúdo o que conhecia ele de Portugal. A resposta deixou-me estarrecido de vergonha, pois acho de uma total improbabilidade que a pudesse ouvir em Portugal. O miúdo disse conhecer “Marcos Portugal, Figo, Cristiano Ronaldo, Rui Costa…” e mais uma série de jogadores de futebol. Que é imediata a reacção lá fora, ao dizermos que somos portugueses, que conhecem “Figo”, já estamos habituados. Que saibam o nome de outros jogadores de futebol, também é normal. Agora, Marcos Portugal! Realmente é bizarro que na Bósnia um miúdo conheça Marcos Portugal, ou talvez não tanto, se calhar apesar da guerra a Bósnia ainda não foi tomada pelas “modernas” pedagogias que dia a dia embrutecem os jovens portugueses, talvez na Bósnia “Educação Musical” queira dizer ensinar de facto música ás crianças, talvez na Bósnia cultura não seja sinónimo de instalações incompreensíveis ou filmes indicados para noites de terríveis insónias. Fica a pergunta, quantos miúdos em Portugal identificariam Marcos Portugal como um compositor dos séculos XVIII-XIX? E quantos não diriam imediatamente que era um cantor pimba?

18.4.06

Músicas

Aqui ao lado novas músicas: na Grafonola toca agora “Fields of Gold”, na voz cristalina da saudosa Eva Cassidy, intérprete muito aqui de casa; no Gira-Discos, e ainda em referência à Páscoa passada, passa “Pilgrims”, na belíssima voz bem irlandesa de Seán Keane.

Páscoa

Passou, mais uma, por outro ano a Páscoa chegou ao Domingo. Esta foi Páscoa, mesmo Páscoa, com tudo o que a Páscoa deve ter e ser. Fé, alegria e Família. Soa a serôdio, mas é assim mesmo. Missas e cerimónias, procissões com encapuçados e bandas de trompetes soltando tristes sons, andores enfeitados de bonitas flores. O Cristo, crucificado ou ressuscitado, sofredor ou portador de esperança. A Páscoa tem significado e é para o ter, algo que vá para além de viagens stressadas para o Algarve ou filas intermináveis em auto estradas com condutores destilando ódio e insultos ao ritmo que mudam de ponto morto para primeira. Ainda há espaço e tempo para outras Páscoas, só temos de os procurar.

8.4.06

Semana Santa


“Flagelação”, Caravaggio, 1607

Na próxima semana este blog estará a Caminho de Santiago. A todos uma boa Páscoa.

Nervos

Aqui, vai-se entrando em estágio. Há que preparar o dramático jogo de hoje. Daqui a pouco saída de casa para uma bifanas e cervejas já perto do estádio. Depois, bem, que seja uma noite feliz pelas bandas de Alvalade.

6.4.06

Coisas da Vida Boa

Sim, ainda existem conservas assim. A lata envolta num papel de design apurado e moderno, com a sardinha, os tomates e a moderna menina que dá nome ao produto sobre o discreto fundo amarelo. Parece relíquia de tempos passados, mas foi comprada, e comida, faz poucos dias. O conteúdo era excelente, com sardinhas que realmente parecem sardinhas em sabor e consistência, e um molho de tomate que não sabe a corantes ou conservantes. Produto português, de boa qualidade, mas difícil de encontrar. Afinal, cada vez mais a sina das coisas da vida boa: existem, mas tornam-se tão discretas que parecem secretas. Aliás, aproveito para contribuir para isso não revelando onde consegui comprar esta lata. Maldades minhas…

4.4.06

A Bomba

A indispensável Bomba fez três anos. Com costumeiro atraso daqui vão os parabéns e uma música de Piazzolla com letra de Borges – “El Títere” – vai para a Grafonola aqui do lado.

Ontem

A noite passada foi estranha, senti um ar quase quente enquanto jantava ao ar livre. Parecia que o calendário tinha avançado para Julho, esplanada cheia, gentes bem dispostas. O ar ainda esbranquiçado das peles chamava-nos à realidade, ainda é Abril, onde águas mil ainda cairão dos céus.

30.3.06

O Fonógrafo e o Gira-discos

Entusiasmado por em final saber por música no blog, entram hoje em acção mais dois leitores, o Fonógrafo e o Gira-discos, a juntar à Grafonola.
O Fonógrafo estreia-se com Amália a cantar “Vagamundo” – com música de Alain Oulman e letra de Luís de Macedo –, gravado em 1962 no disco que veio a revolucionar toda uma maneira de encarar o fado, o "Sem título" e posteriormente entitulado “Busto”.
O Gira-discos começa de forma cool, com a interpretação de Chet Baker em Flugelhorn de “Baby Breeze” de Richard Carpenter, gravado em Novembro de 1964 no disco com o mesmo nome.

Justiças

No processo Casa Pia parece que já se encontraram vítimas, tanto que o estado terá – e muito bem – que as indemnizar. A questão é que caminhamos a passos largos para não ter culpados, seja por absolvição, falta de provas ou prescrição. Enfim, o costumeiro país da justiça onde dá um enorme gosto viver.

28.3.06

Imagem e palavras


Convento da Arrábida, 2004

E do velho fez novo, dando-lhe alicerces e estrutura – tudo simples, tudo puro –, para erguer uma nova construção, um pouco velha, um pouco nova. Despojada, essencial. Sem ornamentos desnecessários, sem fugir à simplicidade das formas. Recuperando e reaproveitando o bom, o original, o que conduzia a Ele, edifício universal e perfeito.

27.3.06

Coisas da Vida Boa

As olaias já em flor e a nova hora que empurra o dia para mais tarde.

25.3.06

Na Grafonola

Hoje, mudança na grafonola aqui do lado: “Alguien le dice al Tango”, com letra de Jorge Luís Borges e música de Astor Piazzolla; no bandonéon Daniel Binelli e na voz Jairo.

23.3.06

Hoje

O vento sopra
O barco tem medo
Ás armas, ás armas

O Inventor – Heróis do Mar

Ontem

Por inexplicáveis Benquerenças ao Norte de uma criatura de amarelo vestida, acabei ontem desiludido após fumar mais do que devia. Com menor Benquerença, determinado resultado seria outro e pouparia adeptos ao desnecessário, e neste caso injusto, sofrimento dos penaltys. O Olegário que vá Bem-querer para outra freguesia, que de Benquerenças destas está Alvalade cheio.

Coisas da Vida Boa

Passear no Chiado e ter um súbito e incontrolável ataque de fúria consumista. Chegar a casa com sacos muitos e voltar a provar a roupa ao som de novos discos. Ir para a cama com livros novos na mesa-de-cabeceira.

21.3.06

Poesia

Diz que hoje é o "Dia Mundial da Poesia". Mantendo a coerência deste blog e a sua irritação com Dias Mundiais, hoje não teremos postas com poemas. Manias minhas…

Boas Notícias

O Contra a Corrente fez três anos e ameaça continuar.

Agradecimentos

Ao Abencerragem por ter a amabilidade de linkar este blog.

17.3.06

Coisas (realmente) graves

Estar quase sem stock de compota de chá Marco Pólo (da Mariage Frères).

St. Patrick's Day

Nada melhor do que música para comemorar o santo irlandês, quer dizer, talvez uma dúzia de pints de Guiness pudessem substituir a música, ou uma garrafinha de Tullamore Dew e um balde de gelo. Ou melhor, juntar os três dentro de um pub irlandês - por exemplo o Matt Molloy's em Westport -, com uma autorização excepcional para fumar lá dentro, e ficar noite fora até nos mandarem para casa.

Cores

Há dias que me apetecia ser milionário. Hoje, com a chuva lá fora, daria por bem empregues os milhões dispendidos num Van Gogh que olharia intemporalmente.

16.3.06

Coisas do M(e/a)u Feito

Teimar em usar torradeiras antigas – das que torram um lado de cada vez –, sempre pondo a aquecer em segundo lugar – como é óbvio – a face que levará a manteiga amolecida previamente. Quando assim não é, admito ataques de vigorosa indignação.

14.3.06

Modernices

E pronto, cedi ao progresso e instalei uma grafonola neste blog. Não aguentei a falta de música neste fundo preto e, depois de aturadas e muy custosas pesquisas, lá consegui perceber como musicar a coisa.
Para começar, uma escolha incontornável: o grande Vinicius de Moraes. Podemos ouvir aqui uma interpretação ao vivo – em “La Fusa” de Mar del Plata, em 1971 – com Toquinho, do clássico “Tarde em Itapoã”. A apresentação da música é, como quase sempre nos concertos de Vinicius, uma delícia que nos faz querer lá estar. Lá, onde ele estava a cantar, e lá, onde ele pensou a música entre cachaça e água de coco, pisando areias da praia: ”con la mirada perdida en el encuentro de cielo e mar, bien despacito, parece que sentimos toda la tierra a rolar”.

13.3.06

O Espectro

Uma citação de Vasco Pulido Valente para marcar o fim de O Espectro:
“O dr. Cavaco não desembarcou ontem de Boliqueime e a cabeça dele não é um mistério. Nunca percebeu o país que governava e, hoje como ontem, sempre o quis transformar num "bom aluno" da Europa: sério, cumpridor e "moderno". Como? Aplicando, "com rigor", o "modelo" de Bruxelas: no fundo, o modelo clássico da "social-democracia", corrigido por algum "liberalismo" relutante e forçado. Não lhe ocorreu que esse "modelo" pudesse não servir à nossa velha cultura de isolamento e miséria, e à nossa classe "dirigente" irresponsável, oportunista e crassa. O resultado não se recomenda. Mas Cavaco não aprendeu nada no exílio. Volta disposto a repetir a dose, "em comum" com o governo, se o governo deixar. Ou seja, ponto a ponto, "medida" a "medida" vai tentar refazer o Portugal imaginário do seu tempo de glória. Um exercício inútil, como já se provou.”

Fim-de-semana

Isto de estar um fim-de-semana fora da net traz surpresas por vezes desagradáveis. Dois blogs acabaram – “O Espectro” e “O Sinédrio” – e vão encurtar os meus favoritos aqui do lado. Pena.

Naval

O que eu gosto da minha Figueira, nem a distância me a faz esquecer. Que simpática a sua visita de ontem a Lisboa. Que bons ares marítimos e o sopro da Serra da Boa Viagem.