2.2.07

Publicidade institucional

Por entre praticantes de Tai-Chi, e acompanhado por uma comitiva de jornalistas, o engenheiro Sócrates passeou o seu estilo moderno em mais uma demonstração de jovialidade, ao brindar a manhã chinesa com o seu jogging. Muito bem, afinal já é a sua imagem de marca. O que não se percebe é que, num acto tão bem encenado, apareça com uma camisola azul escura com um enorme símbolo branco de uma empresa alemã, a Adidas. Ao optar por uma tão visível publicidade a uma marca estrangeira deixa no ar dúvidas que não são adequadas ao cargo que ocupa. Será que se trata de um patrocínio?

1.2.07

1 de Fevereiro de 1908

99 anos sobre um duplo assassinato. Para quem conhece a história que lhe sucedeu e os anos de medieval atraso - ao abrigo da suposta vanguarda - da primeira república, uma dupla tragédia: o crime per si e os crimes que se lhe seguiram.
Ver também aqui e aqui.

Sugestão

A emissão de “Portugal de…”, com Vasco Pulido Valente. Disponível, graças ás novas tecnologias, em http://multimedia.rtp.pt/ . Claramente a ver.

Facilidades

O caminho fácil quase nunca é o melhor caminho, por isso tornar o aborto livre não é a melhor forma de resolver o problema. Assim como uma doença psíquica não se cura só com drogas, que apenas mascaram o problema sem o resolver de facto, o problema das gravidezes indesejadas não se resolve com o aborto, apenas se remedeia.
Liberalizar o aborto será torná-lo, oficialmente, num método contraceptivo, apesar de hoje ser possível uma contracepção quase 100% segura (há, sempre, uma milionésima possibilidade de falhar). Há gravidezes indesejadas, é um facto, mas o que importa é perceber porquê e ajudar as mulheres a actuarem antes. Ou então ajudá-las a ter essa criança, criar-lhes condições para uma maternidade digna. Permitir o aborto, sem antes tentar evitá-lo, é seguir a via do facilitismo e da desresponsabilização do estado, e isso, para mim, é inaceitável. Agisse o estado assim noutros assuntos e poderíamos ter lojas de venda e injecção de heroína, um problema social e de saúde pública tal como o aborto, como forma de impedir o tráfico e as más condições de ingestão da droga. Seria fácil de executar, até se acabava com o tráfico, mas seria aceitável para a sociedade?

Contracepção

Ouvi Joana Amaral Dias acusar o “Não” de nada ter feito no apoio a políticas contracepção. Gostaria de lembrar que este governo do PS – esmagadoramente a favor do “Sim” e com maioria absoluta – não só não avançou com medidas visíveis neste combate, como deixou esgotar a pílula do dia seguinte nos centros de saúde do país. Realmente com esta ajuda do estado é normal que as mães, especialmente as mais carenciadas e com menos recursos, não consigam evitar algumas gravidezes.

30.1.07

Sugestão

Não se arranja um espacinho para levar o frio que cá está na comitiva da visita oficial à China?

Import-Export

Primeiro a Índia, agora a China, qualquer dia Portugal em vez de exportar produtos vai exportar os próprios empresários, com tal intensidade de viagens ainda decidem não voltar.

29.1.07

A questão real

Por muitos eufemismos que se queiram usar, convém as pessoas assumirem, e perceberem, aquilo que está, de facto, em causa no próximo referendo: autorizar o aborto livre até ás dez semanas. Nem mais, nem menos. Por muito que a pergunta fale de “Interrupção Voluntária” ou “vontade da mulher” e a campanha do “Sim” insista em usar subterfúgios, o que está em causa – seja em termos políticos, constitucionais, jurídicos ou legislativos – é a legalização, de facto, do aborto até ás dez semanas. Sem mas. Até porque qualquer referendo tem por trás uma lei e é isso que esta lei prevê. Todos os jogos florais em torno disto são apenas reflexos de má consciência ou consciência de que para ganhar o referendo é preciso que não se perceba bem o que está em causa. O voto no referendo deve ser uma resposta a esta pergunta concreta, sem mais.

28.1.07

Brava Dança dos Heróis

“Dos fracos não reza a história
Cantemos alto nossa vitória”

Um sincero bravo para a nossa selecção de rugby que ontem ganhou a Marrocos, dando mais um passo no apuramento para a Taça do Mundo, apenas faltando ganhar ao Uruguai. Num país obcecado com o futebol, os feitos de uma selecção formada por amadores, num desporto sem tradição em Portugal, vão sendo esquecidos. Por isso convém lembrar esta Equipa, liderada por Tomaz Morais, que insiste em ganhar e está a um passo de um feito histórico.

27.1.07

Dúvida do dia

Acho que merece a pena abrir uma garrafinha de champanhe em honra da suspensão anunciada da bárbara TLEBS, apenas oscilo entre um Veuve Clicquot e um Taittinger.

Agradecimento do dia

A festa de ontem da Atlântico esteve muito divertida, em particular graças à excelente música que foi passando ao longo da noite. Por lá andei, anónimo como sempre, entre muitos bloggers conhecidos e outros não identificados. Daqui vai um agradecimento à organização, porque ouvir boa música na noite de Lisboa vai sendo cada vez mais raro.

26.1.07

Mundo

Quando ontem saí do cinema, após ver “Diamante de Sangue” de Edward Zwick, senti, como em demasiadas vezes, um niilismo perante o mundo e um desespero ante a realidade. O filme conta uma história em redor do tráfico de diamantes na Serra Leoa, que em muito suportava uma mais do que sangrenta guerra civil. O que choca no filme não é tanto esta amoralidade comercial, o que impressiona é a forma realista como a guerra civil é contada e como somos postos perante um problema que muitos desconhecemos e que talvez tenhamos feito por ignorar. Na nossa Europa, da civilização dita moderna, criamos noções que não são reais e tendemos a achar que o resto do mundo está longe e se está a civilizar a pouco e pouco. Logo aos primeiros minutos de filme todos estes conceitos desaparecem e a realidade da guerra não convencional aparece. Trata-se de um filme, mas é evidente que as situações descritas, ainda que ficcionadas, se baseiam em factos reais. Ao ver crianças de metralhadora em punho a exterminar mulheres e outras crianças sem motivo que não seja uma demonstração de força, rebeldes cortando braços para impedir que o povo vote, enforcamentos públicos e assaltos devastadores a aldeias, ficamos com a certeza que o Homem é problema sem solução. A falta de valorização da vida, e consequentemente a facilidade da morte, aproxima o Homem da animalidade bruta e com ela da total irracionalidade. Falar de valores, sejam eles quais forem, será um luxo na África pobre, mas quantas vezes os exemplos dos países ditos civilizados não são tão maus, ou piores, do que as consequências práticas nos países africanos. Não se vislumbram soluções, nem as haverá, por isso saí do cinema com o desespero da impotência, com o desânimo da incredulidade perante o Homem, com a certeza de um mundo que quer acabar. Felizmente resta-me a Fé, que chama a lembrar a esperança, e realmente só com ela é possível viver no mundo de hoje.

Honestidades

Não deixa de ser curioso que neste país o fascismo ainda seja considerado pior do que o comunismo. Não sei se por falta de cultura histórica, “fascista” é um insulto e “comunista” um elogio de coerência. Isto a propósito do inefável Daniel Oliveira e da deputada Helena Pinto referirem, muito indignados como é costume no Bloco, blogs ditos fascistas que linkam para blogs de apoio ao “Não” no referendo e de usar isso como honesto argumento para a discussão. O disparate começou na campanha para o referendo e a partir de agora teme-se o pior.

25.1.07

Scoop

“Eu nasci crente na religião Hebraica, mas converti-me ao Narcisicmo.”
by Woody Allen

Lisboa

Na Câmara de Lisboa a coisa promete, já vamos com dois vereadores e um director de serviço na condição de arguidos de um processo de corrupção. Para uma justiça habitualmente lenta e reverente perante o poder, esta operação é notícia. Resta a dúvida se ficará por aqui ou se mais gente será arrastada para a investigação, até porque processo deixa ainda algumas questões, como por exemplo o porquê do encontro de Carmona Rodrigues com Domingos Névoa – já depois de ter conhecimento da tentativa da parte deste de subornar José Sá Fernandes – ou os simultâneos assaltos à casa e escritório de Ricardo Sá Fernandes. Convém ainda lembrar que o regresso de Santana Lopes à Câmara, após a sua passagem pelo governo, coincidiu com o fecho do negócio da Feira Popular. Será que como diria uma eminente escritora: “Não há coincidências”?

Rabos-de-palha

A questão dos rabos-de-palha ofendeu muito o primeiro-ministro e suscitou grande discussão com Marques Mendes. Curiosa a curta memória que leva à grande segurança de negar os ditos rabos, basta lembrar Isaltino Morais (PSD), Fátima Felgueiras (PS) ou o actual caso Bragaparques (PSD). Estes pelo menos são seguros, e ainda há com certeza mais. Os dois grandes partidos sabem que medidas reais contra a corrupção irão afectar ambos, e muito, por isso Cravinho, que tentou ter boas intenções, será, como o debate de ontem já deu a entender, posto tranquilamente de parte para que tudo fique na mesma.

Bestas

Descobri ontem que um instituto do estado – Instituto da Droga e Toxicodependência – andou a perguntar a crianças de onze anos pormenores sobre a vida sexual dos seus pais. Espanta que haja criaturas capazes de fazer perguntas destas a quem quer que seja, pois creio que todos nos esforçamos ao longo da vida por achar os nossos pais seres assexuados. Além disso tenho a ideia que aos onze anos o sexo era palavra que ouvia em alguns filmes mas cujo significado desconhecia, quanto mais saber o que eram “relações sexuais consentidas ou com violência”. Sócrates foi veemente a criticar, no que não fez mais do que a sua obrigação, e ordenou um inquérito, que não tenho dúvidas de que será feito, agora tenho a infeliz certeza que estas bestas não serão despedidas como seria óbvio.

24.1.07

Versões

Dance Me To The End Of Love
Leonard Cohen

“Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Oh let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love”

Aqui ao lado interpretada pelo próprio e também na versão de Madeline Peyroux.

Anúncios

O estimado Impensável, em mais uma crise de Bergmanite aguda, publica um interessante anúncio ao sabonete Bris, realizado por Ingmar Bergman. Vindo de quem sempre teve a capacidade de transmitir nos seus filmes um enorme mal-estar com tão poucas palavras, a tentativa de vender sabonetes causa alguma estranheza. Apesar disso, e da língua incompreensível e tão tendente a causar depressão intensa, o anúncio é muitíssimo curioso. Apetece responder, mas como hoje o dia até está de sol, e a neura não aparenta querer fazer uma visita, aqui vai a lembrança de um magnífico anúncio português, também com alguns anos, já tornado um verdadeiro clássico.

22.1.07

Conversas

A discussão estava viva, com todos muito participativos e opinativos sobre o tema água. Não, o tema não era a privatização das águas, era a água propriamente dita, a que nós bebemos, supostamente incolor, inodora e insípida. Argumentava-se a favor das Pedras, ou das estrangeiradas Perrier ou San Pelegrino, ou da diurética e clássica Luso. Talvez um pouco maçada com o pretensiosismo de alguns – que insistiam que em Portugal não se podia beber água –, talvez farta do barulho que se levantava, a senhora mais respeitável da sala tossiu levemente, para que, como é evidente, não tivesse de erguer a voz, e disse: “Eu água só mesmo a do cântaro, vem ali da fonte, o cântaro fica na cozinha junto à pedra a refrescar e é a única água que bebo.” Como é fácil de perceber a discussão parou e voltaram apenas a exercer a habitual má-língua.

Modas

Tenho deparado, com visível agrado, com o facto de o espumante (ou champagne, nalguns casos) estar na moda, seja como acompanhamento ás entradas, seja ao longo de noites longas. Sabe bem variar das bebidas destiladas e optar por soluções mais leves e menos comprometedoras, mais frescas, apesar do frio lá fora, porque o calor das casas – em muitos casos demasiado, por excessivo zelo das donas da casa preocupadas com eventuais constipações dos seus convivas – torna o fresco simpático.

"Assim Não"

O Professor Marcelo criou um site para defender o "Não" no referendo cada vez mais próximo. Já nos links das Causas.

19.1.07

História Curta

Entrou fechando a porta com a subtileza de quem sabia que as horas eram tardias. Com calma foi até à sala, saudando a mulher e verificando que os filhos já estavam deitados. Falou com uma voz melosa evitado olhar de frente, sabendo que os olhos por vezes traem a verdade e revelam traições.

O Incrível

Vasco Rato e Daniel Oliveira juntaram-se, sim, não é alucinação nem fomos invadidos por marcianos, estão os dois juntinhos num blog pelo “Sim” (sem link que não estou para lhes fazer publicidade). Perante este par, qualquer dúvida, que não tinha, sobre o destino do meu voto seria de imediato desfeita. Convém acrescentar que também lá estão outros pares improváveis como Helena Matos e Fernanda Câncio, Ricardo Araújo Pereira e Carlos Abreu Amorim, Miguel Vale de Almeida e Maradona. Fica a dúvida, irão encontrar-se alguma vez ao vivo?

16.1.07

Frase do Dia

“Não gosto de comida picante…temo-nos alimentado a arroz branco. Arroz e pão, pão indiano. E também iogurte.”
Aníbal e Maria Cavaco Silva em entrevista à SIC

Olivença

A 31 TV está em grande forma e oferece-nos esta semana a tomada de Olivença pelos Vaders. O que me causou estranheza foram as directas relações desta actividade com um conhecido banco português que – de forma sub-reptícia, mas facilmente verificável – patrocinou esta surtida, apresentado o seu espaço publicitário na bandeira nacional. Ou será que esta é já uma proposta para a nova bandeira de Olivença-BES?

Idiossincrasias

Quando o Inverno assenta arraiais, os jantares mais agradáveis são, sem qualquer dúvida, os caseiros e provincianos. Apesar de todos os atractivos de Lisboa, quando o frio se torna uma realidade a melhor maneira de o acompanhar é mesmo numa casa bem aquecida, em grupo restrito e sem bárbaros nas mesas ao lado para nos maçar. Não há o incómodo de conhecer novas gentes com as quais nos sentimos na obrigação de ser simpáticos, mesmo quando o seu interesse não é maior do que o da liga de Andebol da Albânia. Apenas nos rodeamos de velhos conhecidos com quem não precisamos de mais atenção do que a de não nos embriagarmos superando os limites do razoável.
A preocupação que me resta é o espectro da velhice que me assombra em tempos frios, e o medo de que a primavera não venha a ser suficiente para evitar que me torne num rezingão habitante de Lisboa a suspirar por serões provincianos o mais século dezanove que seja possível. Claro que não preciso de chegar à primavera e, no espaço de um ou dois dias, Lisboa volta a piscar-me o olho como o fez na passada sexta-feira, em que a tarde arrastou a impossibilidade de uma “magic-hour” de luz em que o tempo parecia ter feito pausa ao amanhecer apenas voltando a andar ao pôr-do-sol. Não é fácil de acreditar, mas apetecia sair de máquina fotográfica em punho e deambular pelas ruelas estreitas viradas ao rio e encher rolos e rolos com imagens impossíveis de uma cidade por vezes tão feérica que duvidamos da sua existência.

Que país!

O meu “mapling” de anteontem coincidiu com a apresentação dos cinquenta melhores portugueses, no que contribuiu para uma noite hilariante que suplantou o programa do “Gato Fedorento” que tinha passado antes. Quando o programa terminou, e desci à realidade depois de um filme surrealista, tive firme de vontade de chorar, ou de emigrar. Claro que votações destas não são para levar a sério, o povo gosta de concursos e ás vezes resolve, talvez pelo vício de estar sempre de telefone na mão, talvez por se lembrar dos anos em que não podia votar, dar a sua opinião sob a forma de diarreira votante. Fosse o povo uma entidade homogénea e de imediato teria de ser enviado para um psiquiatra, pois a lista final é, no mínimo, absolutamente esquizofrénica.
Os dez primeiros são, dentro da restante anormalidade, um saudável oásis de sensatez, isto, é claro, se não nos importarmos que, em pleno século XXI, duas personalidades absolutamente anti-democráticas, duas faces da mesma moeda do Portugal recente, sejam incensadas e, pasme-se, considerados “Grandes Portugueses”. Nesta companhia até serão esquecidos os crimes perpetrados pelo eminente Marquês de Pombal, também ele nos dez primeiros. Os restantes serão mais consensuais, o que nem é o mais importante, mas pelo menos são escolhas aceitáveis, discutíveis como quaisquer outras, mas aceitáveis, a saber: D. Afonso Henriques, Aristides de Sousa Mendes, Fernando Pessoa, Infante D. Henrique, D. João II, Camões e Vasco da Gama. Não está mal, afinal sempre temos sete escolhas naturais em dez, já no restante…o melhor é até agrupar por categorias: os “delirantes” Maria do Carmo Seabra – por certo a irónica candidata da sempre activa FENPROF, Hélio Pestana – o auto denominado actor de novelas, Vítor Baía, Pinto da Costa – pretenso bandido, Catarina Eufémia, Mariza e Sousa Martins; os “obscuros” João Ferreira Annes de Almeida – padre luterano, Teixeira Rebelo – fundador do Colégio Militar, Adelaide Cabete, António Andrade – padre missionário; os “de grandes provas dadas” Cristiano Ronaldo, Ricardo Araújo Pereira e Mourinho; os “criminosos” Afonso Costa, Otelo e Vasco Gonçalves; os “enormes” políticos Sócrates, Pintassilgo, Jardim, Sampaio, Cavaco e Marcello Caetano. Enfim, uma amálgama de disparates, sobre valorizações e escolhas que, pensando bem, apenas se podem dever a uma fina ironia que desconhecia aos portugueses.

15.1.07

Aulas Estéreo

Estranhei o silêncio de quase toda a nossa comunicação social sobre a última iniciativa do Bloco de Esquerda. Tão solícitos a acorrer aos sermões do camarada Louça ou ás indignações da camarada Drago, os jornalistas perderam oportunidade de dar relevo à nova iniciativa fracturante que visava modernizar o ensino, promovendo a essencial integração dos imigrantes. Numa brilhante ideia, cuja autoria ainda não foi atribuída, o BE propôs a aprovação pela Assembleia da República do dito “ensino multilingue”, permitindo que, em escolas que o desejassem, as aulas fossem leccionadas em estéreo, ou seja, em duas línguas ao mesmo tempo, com dois professores, em dois quadros, mas na mesma sala de aula. Assim, os alunos das minorias imigrantes poderiam aprender a história de Portugal em russo ou mandarim, ao mesmo tempo que os portugueses a aprenderiam em português, tudo na mesma sala de aula para promover a adequada integração. A medida é de tal forma genial que fico perplexo de não estar já implantada e mais ainda por a mesma ter sido chumbada na Assembleia da República. Realmente há coisas estranhas neste país.

12.1.07

Memória

Claustro da Basílica do Bom Jesus, Velha Goa, 2004

A propósito da viagem presidencial à Índia, muito se tem falado de história, de nostalgia e de memória. Foi muito apreciado o distanciamento sobre o nosso passado por essas terras distantes. O que interessa agora é o futuro, as novas tecnologias e o Silicon Valley indiano. Neste país cada vez mais tecnocrático, o passado é coisa longínqua e a esconder, a esquecer em nome da eficiência e de uma suposta diplomacia económica que nos seja conveniente. O Portugal que se vem construindo faz por esquecer que, talvez por um acaso, a história de Portugal vai um pouco atrás e, imagine-se a lembrança, tem quase nove séculos.
O esquecimento da história nunca trouxe nada de bom, ignorar o passado em nome do futuro será sempre um redondo disparate pois nós, pessoas ou, no caso, países, somos um somatório de memórias que nos tornou o que somos hoje. Recusar olhar para trás, não numa romagem de saudade e autismo, mas numa compreensão de factos, acontecimentos e feitos, é recusar aprender com erros cometidos ou negligenciar uma identidade que é o alicerce mais forte de um país. Os estados, como as pessoas, não gostam de afrontamento directo, mas respeitam mais um aliado, ou amigo, que afirme a sua identidade e personalidade, do que uma entidade inócua que se lhes apresenta subserviente.
Portugal não devia, como é evidente, aproveitar a viagem à Índia para efectuar comícios sobre a invasão de Goa, Damão e Diu. Foi um acto de guerra evidente, que contrariou todo o direito internacional, mas não terá tido também o Estado Português, à época, uma atitude irresponsável e disparatada? Independentemente disso, o tempo passou e hoje Goa é parte inquestionável da Índia. O que não é admissível é que em Goa seja tão difícil manter as raízes de uma cultura indo-portuguesa que persiste em resistir, sem que o nosso Estado algo faça para ajudar. O que não é admissível é que Goa seja tido como um caso perdido, logo esquecido. Um país que não sabe conviver com as suas memórias é um país fraco, pouco respeitável, e na Europa, e mundo, da actualidade esse pecado poderá pagar-se muito caro em tempos futuros. Portugal pode ser um país de modernidade Socrática, mas para o ser não tem de esquecer a história que o fez ser um país de facto.

11.1.07

Versões

Retomando as versões, aqui ao lado, para hoje proponho o fado “Saudades do Brasil em Portugal”, composto por Vinicius de Moraes e Homem Cristo, nas vozes de Amália Rodrigues e do próprio Vinicius de Moraes. O disco é o magnífico “Amália/Vinicius”, que mais não é do que a gravação de uma noite em casa de Amália com a presença, para além de Vinicius, de David Mourão Ferreira, Natália Correia e Ary dos Santos.

"Saudades do Brasil em Portugal"

O sal das minhas lágrimas de amor
Criou o mar
que existe entre nós dois
Para nos unir e separar
Pudesse eu te dizer
A dor que dói dentro de mim
Que mói meu coração nesta paixão
Que não tem fim
Ausência tão cruel
Saudade tão fatal
Saudades do Brasil em Portugal

Meu bem, sempre que ouvires um lamento
Crescer desolador na voz do vento
Sou eu em solidão pensando em ti
Chorando todo o tempo que perdi

Modernidades

O nosso moderno governo resolveu responder ao repto de Al Gore e iniciou o combate à poluição e aquecimento global. A grande medida, anunciada como salvadora e de enorme importância, foi tomada: os táxis passarão a circular apenas seis dias por semana. Muito bem senhor Engenheiro Sócrates, é realmente por aí que se deve começar, não desenvolvendo os decrépitos transportes públicos do país, curiosamente “públicos”, ou seja, dependentes directamente do Estado, mas sim imiscuindo-se num sector privado que presta serviços necessários aos contribuintes por inoperância dos ditos transportes públicos. Bravo!

9.1.07

História Curta

Olhou o sol que caía através do vidro embaciado pelo ambiente aquecido. Agarrou o telefone, mas uma vez mais o medo ganhou a batalha. Mais um dia, mais uma vez em que a sua vida parou sem explicação aparente que não a cobardia.

8.1.07

Cantinho do Hooligan

Atlético Clube de Portugal, fundado em 1942 como resultado da fusão entre o União Foot-ball Lisboa e o Carcavelinhos Football Clube.

Dores de Barriga

Os Gato Fedorento estiveram ontem particularmente divertidos, em especial com este “Baú da Memória” resgatado aos confins do arquivo da RTP. O sofá quase perdeu a estabilidade e a tosse que se seguiu parecia provir de dois maços de cigarros fumados. Não bastava a cantora Ana, com o seu deslumbrante fato de Vinil em Barcarena-Style, e o inefável Luís Pereira de Sousa, um dos chatos mais chatos, mas mesmo mais chatos da história da televisão portuguesa. A peça final, proveniente dos Açores, é uma pérola capaz de devastadoras consequências a quem a visualizar.

4.1.07

Para uma tarde cool

Um Retrato em Branco e Preto.

Actualidades atrasadas I

O bárbaro Sadham foi barbaramente executado numa cerimónia digna da Idade Média. O enforcamento pelos vistos ainda existe e estará para vir o dia em que o aparelho com nome tirado ao senhor Guillotin voltará a funcionar. A abolição da pena de morte é ainda uma miragem global, enquanto países democráticos e civilizados como os E.U.A. e a Autoridade Palestiniana continuarem alegremente a executá-la, e de nada serve tentar pregar a suposta civilização enquanto uma parte do mundo insistir em se manter segundo valores tão estranhos.

Actualidades atrasadas II

Zapatero mostrou ser mais um dos que acha que o terrorismo se trava com chás e torradas e que depois, muito indignado, assiste à sua persistência. As novas bombas da ETA são prova disso e só mesmo ele terá ficado admirado com sua infeliz explosão.

2.1.07

Resolução do ano

Não ter resoluções para o novo ano.

Os melhores do ano

Já não há pachorra para os balanços que redundam em escolhas, umas mais pretensiosas do que outras, dos melhores do ano.

Regresso

A província estava bem e recomenda-se, aliás, é de uma recomendação cada vez mais frequente, em particular quando o Inverno convoca lareiras a crepitar e uma distância razoável a ruídos automóveis e afins.

28.12.06

Término

A gélida tranquilidade provinciana é o essencial ponto final de mais um ano.

Noite de Natal

Passado o jantar e o caos habitual do desembrulhar de presentes, lá chegaram as crianças para um teatro. Nesta altura é normal ir buscar gelo ou servir mais um Whiskey, só que este ano o improviso e o curto ensaio geraram um mui inventivo circo com sentido de humor britânico que não lhes conhecia. Uma pura delícia em que os aplausos não foram acompanhados dos habituais sorrisos amarelos de condescendência, mas sim de estridentes e sonoras gargalhadas. A coisa foi tal que, talvez ajudados pelo vinho, alguns adultos se encheram de brios, recuando a uma distante infância e recriando músicas e danças antigas. Foram momentos de ouro, em que circunspectos e reservados senhores, e senhoras, desfilaram em filinha a cantar a música do seu jardim-escola ou a canção das “três maninhas” da qual, surpreendentemente, ainda se lembravam da letra. Esta noite poderia ser banal noutras casas, na minha, feita de gente por norma tímida e discreta, foi surpresa e bem agradável. Afinal, o Natal é isto mesmo, alegria entre amigos e família. Lá fora estava muito frio, cá dentro a temperatura inesperadamente subiu por inteira responsabilidade das crianças que tendemos a desvalorizar, mas que, por vezes, nos demonstram cabalmente o disparate desta atitude.

20.12.06

Música de Natal

Nada me faz mais lembrar o Natal das noites frias e das neves sonhadas do que Sinatra. O Natal passado a ver filmes a preto e branco de outros tempos, mas de todos os tempos, como anual revisitação de “Do céu caiu uma estrela” ou outro Capra que, com o seu optimismo, nos enchia de espírito reconciliador. Por isso fica aqui ao lado para ouvir, tirado do disco “Sinatra Rarities – The CBS Years”, “Nature Boy”, uma eterna canção cuja letra se pode, em muito, aplicar ao período do ano em que estamos.

There was a boy, a very strange enchanted boy
They say he wandered very far, very far, over land and sea
A little shy and sad of eye, but very wise was he
And then one day, a magic day he passed my way
And while we spoke of many things, fools and kings
This he said to me: "The greatest thing you'll ever learn
Is just to love and be loved in return"

Definição do dia

ERC – Censura do século XXI em que o lápis azul é substituído por comunicados imperceptíveis e ofensivos.

18.12.06

Ironias

O concurso para a gestão do Rivoli foi ganho por Filipe La Féria. Não deixa de um enorme gozo imaginar a fúria desesperada dos okupas ao verem o teatro entregue a quem mais tem feito pelo teatro comercial que eles tanto abominam. Não sou particular apreciador do estilo La Féria, agora que tem uma digna qualidade e tem feito mais pelo teatro em Portugal do que muitos obscuros grupos de vão de escada, isto é um facto. Ainda assim o mais importante é que o faz com o seu próprio dinheiro, empenhando muitos milhares em super produções sem esperar e reclamar indignado o habitual subsídio do estado. Pessoas com esta iniciativa e risco próprios, sem a rede do Estado a amparar desvarios, merecem ser reconhecidas, independentemente de gostarmos ou não do seu estilo.

Definição do dia

TLEBS – Masturbação intelectual de linguistas, perpetrada com um total desconhecimento da realidade e encarando as crianças como simples cobaias.

Advento

Porque ás vezes apetece roubar palavras:

“Ainda uma nota mais sobre o dia de Natal que se aproxima: lamento profundamente que a mensagem subjacente ao nascimento do nosso Senhor, do Rei dos reis, Deus feito homem, tão equivocamente tenha vingado em dois mil anos de catequização. Que o Salvador afinal nasce gloriosamente pobre e indefeso numa manjedoura, numa nação ocupada e reprimida... Que a mais fantástica e bela história do mundo indica-nos inequivocamente um caminho de libertação e de felicidade, justamente na entrega, e não na conquista. No dar e não no receber. E que a redenção se conquista em tudo ao contrário do que ensurdecedoramente nos “vendem” por todo os recantos desta civilização decadente. E que é ao libertarmo-nos do nosso sôfrego e deprimente umbigo que podemos alguma vez realizarmo-nos como homens livres. E que o nosso coração frio e egoísta é a imagem das albergarias de Belém quando se fecharam a Maria e José em vésperas do Grande Acontecimento. E que se vivermos o Natal de Jesus, nem que seja por um dia, seremos indubitavelmente melhores pessoas e mais felizes.Assim Deus me ajude a viver este Natal.”

João Távora in Corta-fitas

17.12.06

Natal em Lisboa

Que agradável pode ser Lisboa. A tarde ontem passada por entre o Chiado e a Baixa foi disso exemplo. Ainda que faltem comprar alguns presentes, que bom foi passear sem destino pelo real centro de Lisboa, no meio do bulício das gentes em compras de Natal. Percorrer a Baixa – onde o povo circula e compra – à conversa, divagando sobre a decadência da nossa capital, discutindo o que é, ou não, patine, parando em locais emblemáticos, como o Hospital das Bonecas ou a Tendinha, ou em lojas extraídas de filmes neo-realistas dos anos sessenta. Subir ao Chiado, como que trepando na pirâmide social, onde gentes de porte aristocrático deambulam pela Rua Garret. Acabar com um lanche no Chá do Carmo, com um sempre delicioso “Thé de Noël” da Mariage Frères acompanhado de uma torradinha e de um scone com manteiga e compota de chá Marco Pólo (também da Mariage Frères). Que coisa boa, assim como a conversa longa, ao abrigo do frio que chegou com o por do sol.

Essencial

A entrevista de Miguel Esteves Cardoso no Diário de Notícias de sexta-feira (suplemento 6ª).

Petição

Nos links aqui do lado, na secção “e agora…”, pode o leitor aproveitar para assinar a petição contra a irresponsável e idiota TLEBS. A bem deste país e da sanidade mental dos portugueses.

15.12.06

Corrupções

Parece-me bem a nomeação de Maria José Morgado para dirigir a investigação do processo “Apito Dourado”. Não simpatizo, de todo, com a senhora enquanto figura pública, acho-a mesmo bastante desagradável, mas transmite um certa ideia de fibra e incorruptibilidade que é essencial para o processo em causa. Apenas quem acredita no Pai Natal acredita que não há corrupção no futebol português, vamos ver se é desta que “essa gente” é punida pela lei.

12.12.06

Lisboa

O debate de ontem fez-me ter vontade de ser mosca e assistir ás sessões da Câmara de Lisboa. De um lado, Carmona Rodrigues, do outro, quais tias à mesa de chá, Maria José Nogueira Pinto, José Sá Fernandes e Ruben Carvalho. Tudo muito animado, mas cordial, como deve ser, sem insultos nem tontarias. Ganha Lisboa? Talvez não, porque quem manda é Carmona que na prática não tem mostrado o bom senso que aparenta quando fala. Também não será grave, pelo menos não foram ouvidas propostas estonteantes “à la Santana”. Estava mais um senhor na mesa que parecia estar fora de tudo, quer dos assuntos em discussão, quer da familiaridade divertida dos restantes. A política não tem de ser terra de insultos, pode haver discordância firme sem roçar o insulto e a provocação barata. O senhor do canto ainda não percebeu isto, aliás, nunca o irá perceber e ainda bem, assim não correremos o risco de o ver eleito para qualquer cargo de poder.

Ditaduras

A morte de Pinochet trouxe de novo à baila a idiota discussão entre ditadores de direita e de esquerda. Caso para voltar a dizer que um ditador é um ditador, é um ditador, é um ditador.

11.12.06

5.12.06

Açoites

Açoitar será pouco, talvez umas chicotadas polvilhadas com sal sejam mais adequadas para os energúmenos que teimam em deseducar as nossas crianças, criando um ensino absurdo e monstruoso. A propósito da TELBS, como é óbvio.

.

“Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te vem ajudar”

Jorge Palma, “Portugal, Portugal”

4.12.06

Delírios

O PS parece querer lançar Jorge Coelho como próximo candidato à Câmara Municipal de Lisboa. Só faltava acrescentar a recandidatura de Santana Lopes para ficarmos com a certeza de que o caos se iria instalar. Coelho augura tudo de mau, pelo menos para quem se lembre das suas excelentes relações com os construtores civis, típicas de quem se arrastou durante anos nas funções de angariação de dinheiro para o partido. Adivinho já o slogan “Lisboa não pode esperar”, revelando a enorme necessidade de construir e de “fazer obra” na cidade. Teme-se o pior, mas esperemos que não se concretize e que a direita acorde e deixe de se comportar como uma criança mimada e irresponsável.

1.12.06

Comemoração e Pessimismo


Corria o ano de 1640 quando um grupo de conjurados se juntou para expulsar os espanhóis do território português. Era a independência, a soberana e livre independência que hoje se comemora. Passados tantos anos será que somos dignos dela? Será que somos ainda um país livre, soberano e independente?

29.11.06

Camarate

A anunciada confissão de José Esteves pouco adianta sobre o caso Camarate. Há muitos anos que é definitiva a sensação de que tudo foi feito para que nada fosse descoberto. Teoria de conspiração? Não o creio, são demasiados os indícios de obstrução para que sejam apenas uma coincidência usada para reclamar justiça. Portugal não é um país justo e, infelizmente, o problema não vem de hoje, vem de há mais de vinte anos. As inúmeras comissões de inquérito terão sido um part-time para deputados com pouco para fazer. Os responsáveis serão uma vez mais um grupo de desconhecidos e, como diz o povo, a culpa morre solteira. Fica a óbvia revolta por viver num país assim, em que a impunidade alastra dos criminosos de facto até aos criminosos por conivência que nos governaram e governam.

Uff!

Cantemos aleluia por um dia de sol que alivia as depressões aquosas.

28.11.06

E a 25 de Novembro

Começou o 31.

Colecções

A colecção de Manuel de Brito (o falecido dono da Galeria 111) vai estar exposta ao público no Palácio Anjos em Algés. A família, herdeira da colecção, cedeu a mesma ao município de Oeiras por um período renovável de onze anos. O projecto e as obras de adaptação do palácio foram da responsabilidade de autarquia. Será impressão minha ou detecto alguma (saudável) diferença em relação à colecção Berardo?

24.11.06

Dia Imaginário

Arrasto-me até ao armário onde desencanto uma mantinha de lã. Corro à cozinha onde a água está quase a ferver, e deixo-a cair suavemente para dentro de um bule, previamente escaldado, sobre um infusor com chá verde. Transporto com cuidado o tabuleiro até uma pequena mesa ao lado do confortável sofá. Ponho a tocar Sinatra, com a orquestra de Tommy Dorsey, e sento-me resolutamente, sem intenções de me levantar, com um livro de Waugh ao lado. À frente o fogo consome a lenha na lareira. Chega Charles e pergunta o que quero para o lanche e o jantar, sendo a minha resposta vaga e desinteressada. Hoje, o que interessa mesmo é aproveitar o temporal para me recolher na minha cápsula, Charles sabe como a tornar cómoda até ao limite do insuportável.

23.11.06

Tarde Em Itapuã


Para não esquecer a música muito cá de casa, aqui vai Vinicius de Moraes em concerto com Miucha, Tom Jobim e Toquinho. Apesar de estar a ser filmado para a televisão, a ideia de uma informal noite entre amigos está presente na garrafa de Whisky que se vai esvaziando ao ritmo da Bossa Nova. Além de um grande poeta, que bela companhia para uma noite de copos seria Vinicius.

22.11.06

CCB

Entra a Colecção Berardo, após infame e ruinoso contrato assinado pelo Estado, e sai a Festa da Música por falta de verba. Será mesmo necessário comentar?

21.11.06

Coisas Divertidas

Apesar de ser “intelectualmente incorrecto”, confesso que ontem fui assistir a um concerto do José Cid no Casino de Lisboa. Mais incorrecto ainda será dizer que foi um óptimo concerto e que me diverti como em muito poucos concertos que me lembre. Para além da qualidade de algumas músicas – sim, não é erro, acho que são mesmo boas e não falo, como é óbvio, do “Macaco gosta de banana” nem das “Favas com chouriço” – é sempre divertido estar num concerto em que o público – que atravessava gerações e classes sociais – conhecia e cantava todas as músicas, como se as mesmas fizessem – e se calhar até fazem – parte das suas vidas. Eu gostei e diverti-me, e ponto.

The Departed – Entre Inimigos

Por estas bandas gostou-se muito do último Scorsese, The Departed – Entre Inimigos, confirmando que há realizadores que não sabem fazer maus filmes e que, de uma maneira geral, teimam em os fazer excelentes. Tudo aquilo em que Scorsese é mestre está presente neste filme: argumento sólido, realização sublime, montagem sem erros, música que é parte integrante das imagens (belíssima versão de “Confortably Numb” cantada por Roger Waters e Van Morrison.). Essencial ao brilhante resultado final é também o trabalho dos actores que, neste caso, está ao nível da realização: Leonardo Di Caprio está magnífico e poderoso, com uma contenção sempre pronta a explodir que lembra em muito o James Dean de “Fúria de Viver”; Jack Nicholson constrói mais um momento vintage, em que não cede, como por vezes já o fez, ao overacting e domina o filme do princípio ao fim; Mark Whalberg é perfeito num pequeno, mas delicioso e importante, papel secundário; e no meio de tantos homens surge Vera Farmiga, com uma serenidade que escorre dos seus olhos cor de água e inunda todo o filme, representando alguma normalidade no meio de tanto desequilíbrio e violência. A sua personagem é uma réstia de bom senso num mundo alucinado e é elemento chave para a compreensão de toda a densidade emocional que Scorsese apresenta, sem ceder, como é seu hábito, a moralismos fáceis.

Agradecimentos

Ao Pedro Sette Câmara que fez, n’ “O Indivíduo”, o primeiro link internacional, via Brasil, para este blog.

20.11.06

Lisboa

As comadres zangaram-se em Lisboa e a coligação foi desfeita. Os motivos foram os melhores, ou seja, desavenças em nomeações para uns tachos quaisquer. Será preciso qualificar esta gente? Carmona – ou bastião da moralidade, como se apresentou nas eleições –parece que afinal é apenas uma marioneta do aparelho do PSD que, estando fora do governo, parece ter dificuldade em colocar os seus “boys”. Nada que espante muito, o que espantará mais são as mensagens já passadas de que a câmara ficará ingovernável e que, salvo consigam pescar o socialista descontente, poderemos ter eleições antecipadas! Ao que parece as minorias são um incómodo para esta gente e o simples facto de terem de governar sem poder absoluto é algo de indigno e impensável. Resumindo, ou teremos um “queijo limiano” por parte do socialista que, compreensivelmente, se incompatibilizou com Carrilho, ou as eleições poderão ser uma realidade. Seria uma animação, nestes aborrecidos tempos que o país atravessa, mas também seria uma irresponsabilidade enorme para a governação da cidade de Lisboa, que pararia durante algum tempo como que fechando para balanço.

16.11.06

Isto promete!



A julgar pelos excelentes vídeos promocionais, e pelo elenco, este parece ser um “filme” recomendável. Esperemos pela estreia que, ao que parece, será dia 25 de Novembro.

15.11.06

O disparate do Marquês

O famoso túnel que Santana Lopes sonhou para Lisboa tornou-se mais um exemplo perfeito das obras públicas em Portugal. Após adjudicação directa, as obras começaram em Agosto de 2003, com um prazo de 61 semanas para a sua conclusão. Estamos em Novembro de 2007, e nem os sete meses de atraso devido à providência cautelar interposta por José Sá Fernandes justificam que a data prevista para o fim da obra seja de Março de 2007. Fim este que é parcial, uma vez que a saída para a António Augusto de Aguiar ainda vai ficar à espera da conclusão de obras de reparação de fissuras na linha amarela do Metro, no local em os túneis distam imensos cinco centímetros.
Durante todo este atraso ganhou Lisboa um magnífico estaleiro e um trânsito ainda mais caótico na zona do Marquês. Da derrapagem orçamental nem vale a pena falar, são os incontáveis milhões que vão alimentando a construção civil deste país à custa dos contribuintes. Tudo isto se passa e a impunidade continua. Enfim, é o país que temos.

13.11.06

Democracias

Ontem, dei por mim a dizer bem do secretário-geral do PS. Estranho, especialmente tendo em conta que o fiz a propósito de o mesmo confirmar que, independentemente de o referendo ser vinculativo, a despenalização do aborto só acorrerá se o “Sim” ganhar. A decisão é tão óbvia e do mais puro bom senso que nem devia ser motivo de regozijo. Afinal, para que serviria este referendo se assim não fosse? A partir do momento em que foi feito o primeiro referendo, é democraticamente óbvio que a lei só pode ser alterada após aprovação por outro referendo. Claro que a arquitecta Helena Roseta, num desvario estalinista, acha o contrário, mostrando que os paladinos da esquerda mais dura continuam com uma visão da democracia no mínimo estranha.

Coisas da Vida Boa

Uns copos de água-pé por entre as brumas do fumo das castanhas.

8.11.06

Coisas do Tempo

O Outono chuvoso levou nas águas a cor de areia estival do template. Voltamos assim ao negro original, mais digno da sobriedade da estação.

Versões

Aqui ao lado passamos a ter “Ne me quitte pas” em duas versões bem diferentes: Nina Simone com sua delirante versão já muito falada no Impensável e Ute Lemper no estilo cabaret berlinense.

Links

A blogosfera sempre em movimento levou a actualizar os links deste blog.

7.11.06

Esquerdas

Saddam Hussein foi condenado à morte por enforcamento após julgamento segundo as leis iranianas. Entre a defesa dos direitos humanos e a persistente compreensão pela cultura árabe, a esquerda ficou hesitante.

6.11.06

A Havaneza

Ao longo da vida há sítios por onde passamos que se tornam parte integrante de nós. A mercearia onde comprávamos rebuçados em criança, o quiosque onde íamos ao jornal com os nossos pais, o café onde lanchávamos com as nossas avós. Todos teremos memórias de sítios essenciais, sejam de memórias de infância, sejam de momentos mais recentes. Este fim-de-semana chegaram notícias tristes da Figueira: a Casa Havaneza estava de porta fechada. Um papel dizia que reabriria, mas após os boatos de Agosto, acerca da mudança de dono, são poucas as esperanças de que tudo fique na mesma.
A Havaneza era uma livraria à antiga, onde podíamos comprar jornais e revistas, canetas e cigarros, postais e, claro, livros. A definição “comércio tradicional” não se poderia aplicar de melhor forma. Não falamos de uma loja que valia só pelos seus produtos, mas de uma instituição cuja importância se estendia a quem nos acolhia por detrás do balcão. Há lojas onde vamos com o propósito já definido de comprar algo, mas outras há onde vamos, simplesmente vamos, para ver o que há, para estar. As idas à Havaneza não tinham de ter um fim ou uma lógica, por vezes eram passagens para ver as novidades na montra sempre em mudança, outras, entradas para ver as revistas que tinham saído ou se tinha chegado o livro que tínhamos perguntado se havia e que estava a caminho. Como esquecer as capas de papel pardo com o nome gravado que cobriam os livros para poder levar para a praia sem estragar. Como esquecer os belíssimos marcadores de livros com fotografias antigas da Figueira, ou a edição de postais com essas e outras fotografias doutros tempos desta praia. Como esquecer a sua esquina e as suas montras, as janelas azuis, a placa encarnada de latão, o letreiro comemorativo dos cem anos de casa.
Pode a Havaneza reabrir, mas será decerto outra Havaneza, em que a senhora D. Helena não estará por trás do balcão com a sua simpatia difícil de conquistar, esperando a passagem de amigos, clientes antigos, ou novos clientes cujo interesse a fizesse levantar e dar dois dedos de conversa. A Havaneza não era uma loja fácil, onde éramos acolhidos por empregados ignorantes e falsamente simpáticos que nos bajulam desnecessariamente, na Havaneza os clientes eram bem tratados, mas com um educado distanciamento só vencido pela repetição, pelo interesse. A Havaneza era desorganizada e pouco prática, mas esse era também o seu charme, e também o motivo porque encontrávamos sempre um livro interessante que não procurávamos.
A Casa Havanesa era património da Figueira, ou ao menos deveria ser. A “minha“ Figueira é, era, indissociável da Havaneza, como o era de mais alguns sítios que tristemente já desapareceram. Talvez seja excesso de conservadorismo, talvez seja um ataque de nostalgia num escuro dia de Outono, o certo é que a Figueira que me fez feliz já só existe na praia e nas pessoas. Tudo em redor foi sacrificado a um pretenso progresso.
Como disse um amigo, com os seus pequenos exageros, parece que se foi alguém de família. Não diria tanto, mas por certo que se foi algo de meu.

3.11.06

Coisas que irritam

Abrir um blogue e ser automaticamente fulminado por música, obrigando-nos a dar um desagradável salto da cadeira.

2.11.06

31.10.06

Aborto (questões avulsas)

Quando ainda faltará algum tempo para o referendo, a discussão sobre o aborto já começou. Ontem foi um “Prós e Contras” demasiado animado, na blogsfera já se escreve sobre o assunto em muitos blogs e até já há blogs consagrados ao assunto.
A discussão deriva sempre, e em demasia, para pontos acessórios, escapando ás questões essenciais que este assunto levanta. O que está, de facto, em causa? Uma lei que vai ser referendada e se a seguinte pergunta vai, ou não, ser aprovada:
“Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”
Sobre isto ficam algumas questões no ar:

– O que é a “opção da mulher”? É a escolha entre um aborto gratuito e uma maternidade sem aconselhamento médico e psicológico, sem outras opções para além do aborto? Será apenas isso? O aborto é assim considerado um fim per si, que assume uma desresponsabilização do Estado no apoio à maternidade. Haverá opção real sem soluções alternativas?

– O que entende o PS por despenalizar? Depreendo que seja impedir as mulheres de serem acusadas por abortarem. E o que se passa com as clínicas abortivas, se não são penalizadas passam a ser legais?

– Porquê dez semanas? É de facto diferente uma mulher que aborta ás nove semanas e meia daquela que aborta ás dez semanas e meia? Se não há qualquer base científica para estabelecer este limite, porque é que ele existe? Convém clarificar se passamos a ter um crime sem pena até ás 10 semanas, que no espaço de um dia passa a ser penalizado?

– O que se vai passar com as mulheres que abortem fora de tempo? Quem vai fiscalizar os médicos que fazem abortos para verificar se as semanas são cumpridas? Vai haver uma “brigada das semanas”? É que se é estabelecido um limite numa lei que é suposto resolver um problema, esse limite será para cumprir integralmente, doa a quem doer. Serão as mulheres realmente presas? A questão é tão mais pertinente quanto nos, poucos, casos levados até hoje a julgamento, que contaram com grande contestação dos adeptos do “Sim”, as mulheres em causa abortaram fora do prazo que pretendem legalizar.

– “…em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?” Privado ou público? Se for privado não dá resposta ao discurso neo-realista das mulheres pobres e desgraçadas, pois elas terão de pagar para recorrer a este serviços. Se for público teremos um grave problema no país. Portugal tem um sistema nacional de saúde a rebentar pelas costuras e sem dinheiro, onde há filas de espera para consultas e operações. Se o aborto vier a ser feito em hospitais públicos, das duas uma, ou passa à frente (por causa das dez semanas) podendo impedir actos médicos que salvem vidas humanas, ou então espera e passa o tempo legal. Como prevê o Ministro da Saúde resolver este problema?

– Os hospitais públicos são pagos pelo contribuinte, ou seja, os impostos virão a ser utilizados para efectuar abortos. Concluímos que o Estado irá pagar para matar?

30.10.06

Elogio do Silêncio

(a propos de “Into Great Silence”, de Philip Gröning, exibido sexta-feira no DocLisboa)

A deslocação a um cinema para ver um documentário de cerca de três horas sobre a vida monástica dos cartuxos (a ordem de clausura com regras mais ascéticas) – filmado com som ambiente, luz natural e sem equipa técnica, que não o realizador, segundo regras estabelecidas pelo abade para, dezasseis anos após o pedido de Gröning, autorizar a entrada na Cartuxa – é experiência radical a que não aconselharia noventa por cento dos meus amigos. Tudo levava a imaginar um filme chatíssimo, e apenas uma conjugação de interesse artístico e religioso me levou aceitar a experiência. Sim, a experiência, porque é disso que o filme trata. A experiência de partilhar uma forma de vida exótica perante os padrões de vida de hoje em dia. Mais do que “entrar” no silêncio, entramos num mundo paralelo em que o tempo é conceito diferente, regrado e repetitivo, mas tranquilo.
A clausura sempre foi uma manifestação de fé que tinha grande dificuldade em compreender. O que levaria um ser humano livre a deixar-se reger por um regime de vida profundamente ascético e que tornava a sua existência um mero ritual repetitivo de oração? Porque motivo alguém escolhe, no mundo de hoje em que as liberdades são conhecidas por (quase) todos, uma vida em que o mundo é apenas uma existência física para lá de muros e paredes? O filme não procura esta resposta, como aliás não procura nenhuma resposta, seguindo o rigor jornalístico na forma com se “limita” a mostrar uma vivência, uma opção de vida, sem um julgamento moral ou social. Gröning não nos diz que esta reclusão, ou qualquer outra reclusão, é boa ou má, aceitável ou não, apenas nos mostra com crueza e rigor como é vivida essa reclusão. Claro que observar como é a vida de clausura nos permite ter o nosso próprio julgamento, não condicionado por ideias veiculadas no filme, mas sim pelo nosso julgamento perante a realidade que nos é mostrada. Ao ver como é a vida destes monges, consigo melhor perceber que assim consigam viver.
O silêncio é algo de que tendemos a esquecer o valor. Quantas vezes poderemos dizer que estamos, de facto, em silêncio? Hoje, a sociedade associa o silêncio à solidão, à tristeza, a uma fuga da realidade cada vez mais barulhenta e feérica, a uma fuga do mundo. Acredito que isto se passe em cada monge que escolheu a vida da Cartuxa, apenas um factor não é semelhante, para eles o seu mundo não é o nosso mundo vulgar e comezinho, o seu mundo é o espiritual, e o “nosso” é apenas suporte físico intermédio numa relação permanente com o divino.
Será a clausura necessária para alguém poder dedicar a sua vida a Deus? Não creio, mas é uma forma como qualquer outra para alguém se encontrar consigo próprio e com o divino. Não será tão exótica esta opção de vida radical como será a dos hippies ou dos ciganos nómadas? Cada vez mais a sociedade nos manipula a acolher diferenças que se tornam politicamente correctas e que acabamos por ter de aceitar, porque não aceitar que alguém queira simplesmente ter o seu mundo sem incomodar ninguém?
Cinematograficamente o filme é interessantíssimo, pois mostra o enorme talento de Gröning para filmar em condições mais do que complicadas. Ele não podia utilizar as técnicas habituais, a sua câmara teria de ser crua e discreta, simples e sem artifícios. A beleza estética que resulta das imagens é impressionante, e há planos inesquecíveis, tais como as orações nocturnas acompanhadas por cantos gregorianos ou os primeiros planos frontais dos monges. Não obstante, o mais notável no filme é a forma como o mesmo é montado e com isso consegue criar uma lógica argumentativa. A montagem consegue tornar o filme surpreendentemente ritmado, criando uma série repetitiva de tempos, nunca fechada, permanente. A sequência de imagens alterna imagens da vivência dos monges – rezando, comendo, cantando – com a natureza em redor – com a maravilhosa natureza em redor e as suas montanhas cobertas de neves ou ribeiros correndo na primavera. Gröning consegue, através de uma brilhante realização e de uma fabulosa montagem, criar uma quase-hipnose ao longo do filme da qual apenas somos despertados quando as luzes se acendem. No final do filme, a sensação é a de que de facto estivemos na “Grande Chartreuse” por tempo indefinido, há um tempo indefinido. Enquanto o filme dura esquecemos o mundo, o nosso mundo, e compartilhamos a experiência de espiritualidade vivida pela oração, por uma vida de constante oração.

Amadorismos

Como será possível que, num festival internacional de cinema (DocLisboa), um filme (Into Great Silence) passe com um enquadramento maior do que o ecrã que capta a imagem projectada e que, pior ainda, durante uns dez minutos tivesse o enquadramento deslocado em um terço para fora do ecrã! Numa sala de cinema do Colombo protestaríamos, mas ainda poderíamos desculpar, agora num festival de cinema…só mesmo em Portugal.

26.10.06

Diálogos Imaginários

– Charles, tenho a cabeça feita em água. Já não sei o que vista, com a chuva inclemente e esta temperatura difícil de perceber.
– Menino, acho que isso se poderá resolver. Vou buscar os seus casacos impermeáveis e sapatos adequados, mas acho que ainda será excessivo para camisolas.
– Já não sei nada, Charles. Já não há estações calmas e previsíveis como antigamente.

25.10.06

Estações

Ontem à noite senti falta de uma vela, ou de uns remos, enquanto atravessava o rio da segunda circular. Ainda olhei, por entre o dilúvio, em busca de umas carpas saltitantes. Apenas água, e muita, por todo o lado.

Plágio

Anda por aí um grande bruá por causa do suposto plágio de Miguel Sousa Tavares. Apesar de ter lido o livro, de que aliás gostei, não me interessa muito a factualidade de haver, ou não, plágio. O livro em questão, um romance histórico, mostra a bibliografia de consulta onde consta o livro supostamente plagiado. Como tenho Miguel Sousa Tavares como uma pessoa inteligente, e muito acima da média em tudo o que não esteja relacionado com futebol, acho que a burrice de fazer um plágio descarado de uma obra citada não é coisa dele.

24.10.06

Filmes do País

O governo, sempre tão atento ás coisas modernas, estranhamente ainda não se lembrou de contactar M. Night Shyamalan, conhecido realizador de cinema, para se deslocar a Portugal. Seria uma importante operação com vista à cedência de direitos de algumas histórias passadas no nosso país, com a contrapartida de as mesmas serem filmadas por cá. Ao chegar, por certo que o realizador resolveria mudar-se por tempo indeterminado, ao descobrir um filão de histórias, tão ao seu gosto, em que as mais improváveis coisas parecem ter força e vida próprias. Vejamos:

1 – Há uma ponte que resolve cair. Não por que uma tempestade devastadora, com furacões seguidos de tremores de terra, pesasse sobre ela, apenas porque sim, porque terá ganho vida própria e, por qualquer motivo, lhe apeteceu. O seu estado de conservação era excelente e ninguém tinha elementos que lhe permitissem desconfiar que ia cair. Apenas caiu.

2 – Há um túnel do metropolitano que é previsto para uma zona ribeirinha. O projecto e a obra são exemplares e têm em conta todas as especificidades de subsolo da zona do em causa. Estranhamente, parece que o túnel ganha vida própria e insiste em não querer ser concluído. Mete água, faz deslizar a terra à sua volta, e deixa perplexos os projectistas, os construtores e os donos de obra. Há quem questione maldições relacionadas com naus afundadas nas redondezas, certo é que os anos passam e em seu redor continua um magnífico estaleiro sobre o rio.

3 – Um túnel de provecta idade chegou a um tal estado de degradação que necessitava, por razões de segurança, de obras. Tudo se acerta e estabelece-se que a obra durará um ano, durante o qual o túnel será encerrado. Passado esse tempo sabe-se que a obra quase não avançou e demorará mais algum tempo. O motivo parece ser a presença de um fantasma do Adamastor que teima em não deixar que as modernices entrem no túnel e lhe levem a patine adquirida ao longo dos anos.

Na forja:
4 – Crianças de uma instituição estatal são comprovadamente abusadas. O processo arrasta-se em tribunal e ninguém é condenado. Fica um mistério assustador: que estranho ser terá abusado repetidamente das crianças desaparecendo posteriormente sem deixar rasto?

5 – O futebol do país treme com um enorme processo de corrupção que atinge muitas das maiores figuras do meio. São tornadas públicas escutas claramente comprometedoras. O processo é arquivado perante a estupefacção geral. Um conhecido imitador é preso por obstrução à justiça e desrespeito pela autoridade, negando veementemente todas as acusações. Quem terá sido o maléfico criador de todo este processo sobrenatural?

21.10.06

Adivinha

Qual é coisa qual é ela que está disponível para comprar a tempo de se ler mesmo antes de nascer?






A resposta é o Sol, o único jornal já nas bancas ás cinco e meia da manhã de ontem.

Promessas

Apesar de ter passado a campanha eleitoral com um cuidado asséptico em não se manchar com promessas, o primeiro-ministro José Pinto de Sousa conseguiu o prodígio de, um ano e meio passado, conseguir quebrar a grande e veemente promessa de não admitir portagens nas SCUT. Os jornais e a opinião pública espantam-se e indignam-se com facto, esquecendo que o mesmo é (e já era ao tempo da campanha) uma inevitabilidade por motivos económicos. Quanto ás promessas, parece que ainda há quem persista num desmedido optimismo de acreditar nos nossos políticos, claro que serão os mesmos que daqui a dois anos reelegerão o Eng. Pinto de Sousa e o seu PS para mais quatro anos de governo.

20.10.06

Jóias

A questão das jóias portuguesas roubadas na Holanda, já por aqui falada, volta a mexer com uma petição para que, com o dinheiro compensatório, sejam efectuadas cópias dignas do valor do património perdido. Assine aqui.