9.4.07

Descoberta do dia

Mariano Gago afinal existe, e até apareceu em público a anunciar o encerramento de uma universidade.

4.4.07

(in)verdade

Licenciado, ou talvez não, só espero que não venham falar de inverdades que com essa palavra até posso começar ao estalo a quem me aparecer à frente. Há coisas que ou são ou não são, verdade como é evidente.

Ao Sr. Pinto de Sousa

Mentir, qual é a importância de um governante mentir, afinal fá-lo todos os dias, quer em campanha eleitoral, quer nos cargos que desempenha. Mentir, qual é a importância de mentir, afinal foi eleito pelo povo que lhe paga o ordenado e agora protesta. Mentir, qual é a importância de mentir, afinal é uma figura de Estado que nos representa. Mentir, qual é a importância de mentir, serão preciosismos nossos, a verdade nada importa no mundo de hoje. Mentir, qual é a importância de mentir, carácter, o que é isso e para que serve, qual a utilidade? Mentir, qual é a importância de mentir, o senhor não será Engenheiro e usou o título por anos. Mentir, qual é a importância de mentir, terá feito passar-se por quem não era, por algo que não fez e a que não tinha direito. Mentir, qual é a importância de mentir, afinal só deixou que a coisa se alastrasse ao longo de anos. Mentir, qual é a importância de mentir, exames feitos aos Domingos são normais. Mentir, qual é a importância de mentir, faltam carimbos nas pautas. Mentir, qual é a importância de mentir, foi descoberto e não acha necessário esclarecer o povo? Mentir, qual é a importância de mentir neste país onde tudo começa a ser possível.

Estratégia

Primeiro as escolas, depois os hospitais e agora fala-se nos tribunais, o governo do Sr. Pinto de Sousa põe em prática uma rigorosa política de contenção de custos que leva ao encerramento dos serviços públicos no interior do país. Para quem acusa – como eu – os governos de falta de estratégia, surge a surpresa com a resolução deste de por em prática uma concertada e pensada estratégia para o país, a saber: abandonar o interior que pouco interesse tem e apostar claramente nas cidades onde está a maior parte da população. De falta de estratégia não os podemos acusar.

3.4.07

Heróis do blog


Corto Maltese, por Hugo Pratt

Parabéns

A Bomba Inteligente faz hoje uns incríveis quatro anos de presença indispensável na blogosfera. Para comemorar aqui vai um revival com a “discreta” Cindy Lauper e “Girls Just Want to Have Fun”.

27.3.07

Ota II

Quanto mais se fala da Ota mais se percebe a cegueira e fraqueza de argumentos de quem a defende.

Grandes Portugueses IV

Terá sido impressão minha ou Odete Santos coçou animadamente o soutien durante o programa? E era bege.

Grandes Portugueses III

A indignação geral parece ter ficado pelo primeiro lugar, pois parece ser perfeitamente normal que Cunhal tenha vinte por cento dos votos e fique em segundo. A importância desse grande português ficou expressa no comentário final de Odete Santos: “Isto é uma apologia do fascismo o que é proibido pela constituição”. A censura para esta gente só é má quando vai contra os seus interesses, poucas frases serviriam tão bem para explicar que, em matéria de liberdade, Salazar e Cunhal são duas faces de uma mesma moeda. E eu que teimo em me maçar terrivelmente com esta moeda.

Grandes Portugueses II

A conclusão do concurso é que Salazar ganhou, em grande parte, devido ao salazarismo da RTP que excluiu o seu nome da lista inicial, ao mesmo tempo que incluía gente igualmente infrequentável como Cunhal. A partir daqui foi uma avalanche de votos úteis para impedir que ganhasse Salazar ou Cunhal. Talvez Rosado Fernandes tivesse razão ao dizer que foi um voto de protesto no triste Portugal pós-Abril, mas mais triste ainda é verificar que tanta gente dá importância ao nosso miserável século vinte, cem de anos dos quais temos motivos para ter a maior das vergonhas.

Grandes Portugueses II

A conclusão do concurso é que Salazar ganhou, em grande parte, devido ao salazarismo da RTP que excluiu o seu nome da lista inicial, ao mesmo tempo que incluía gente igualmente infrequentável como Cunhal. A partir daqui foi uma avalanche de votos úteis para impedir que ganhasse Salazar ou Cunhal. Talvez Rosado Fernandes tivesse razão ao dizer que foi um voto de protesto no triste Portugal pós-Abril, mas mais triste ainda é verificar que tanta gente dá importância ao nosso miserável século vinte, cem de anos dos quais temos motivos para ter a maior das vergonhas.

Grandes Portugueses I

Este fim-de-semana os grandes portugueses estavam nas Selecções Nacionais de Futebol e Rugby. A primeira fez uma belíssima segunda parte e massacrou com arte (ai o golo do Quaresma!) os toscos belgas; a segunda conseguiu tornar-se a única selecção amadora a participar na fase final da Taça do Mundo de Rugby. É caso para dizer: “Brava Dança dos Heróis”.

Admirável Governo Novo – Obras Públicas

O ministério dos projectos estruturantes teve o rasgo de apresentar dois projectos de unidade nacional, a OTA e o TGV. A Ota foi o mais ponderado e estudado projecto deste governo, anunciado como um compromisso político do mesmo e pessoal do ministro. Foram inúmeros os estudos comparativos com outras localizações e vastas as análises de cenários alternativos, sendo que após longa ponderação se chegou à Ota. Não é perceptível a crítica, que se começa a generalizar, de que o projecto foi anunciado antes de ser estudado, pois o ministro não iria, por certo, incorrer em tão bárbaro erro. Critica-se também a posse dos terrenos onde o aeroporto será construído – que muitos dizem ser de gente ligada ao PS ou a grupos de pressão ligados ao partido –, crítica soez a que o governo bem fez em nem sequer lhe dar resposta, ignorando olimpicamente todos os boatos sem esclarecer o facto. Quanto ao facto do aeroporto esgotar a sua capacidade em vinte anos, é facto de menor importância perante a relevância do Projecto.
O TGV foi algo incompreendido pela população, pois será uma obra vital para ligar o país, nomeadamente os grandes centros que são os que interessam. A queda do comboio na linha do Tua demonstrou, uma vez mais, que o interior deveria ser abandonado e que o TGV será um óptimo veículo para uma maior litoralização do país em grandes centros urbanos. A ligação a Espanha é apenas um pretexto, pois o mais importante é ganhar meia hora no trajecto Lisboa-Porto, tempo que justifica plenamente os milhares de milhões a investir no projecto.

23.3.07

Mentir

Diz que Sócrates afinal não é Engenheiro, parece que a teia da Universidade Independente destapou um erro no curriculum no nosso primeiro-ministro que se intitulava de algo a que não tinha direito. Perante o silêncio dos jornais, a blogosfera fervilha de comentários sobre o assunto. Para mim é indiferente que o homem tenha ou não um canudo, pois esta obsessão portuguesa pelos títulos – por certo reminiscência de um problema mal resolvido com a ausência de monarquia e dos títulos nobiliárquicos – passa-me muito ao lado. O que não podemos esquecer é que, a ser verdade o que se diz, alguém incluiu no curriculum do homem algo a que não tinha direito e isso, independentemente das voltas que dêem ao assunto, é mentir. Ora, apanhar um primeiro-ministro numa clara mentira já me parece de invulgar importância. Quantas pessoas poderiam perder o seu lugar de trabalho por mentir no curriculum? A questão não é se o homem tem ou não canudo, a questão é que ele, ou alguém por ele, mentiu, e isso é grave.
Agora que parece perder o título ficamos sem saber como nos dirigir ao homem, continuaremos a usar o segundo nome próprio (Sócrates) – estilo senhor João, o homem do talho – ou passaremos a usar os apelidos para o tratar por senhor Pinto de Sousa?

22.3.07

Admirável Governo Novo – Cultura

A cultura é a área que gostaria de destacar como uma das mais importantes e conseguidas neste governo. A ministra da tutela tem passeado a sua enorme craveira intelectual e faro político conseguindo um mandato até agora digno dos maiores aplausos. A “grande obra” que foi conseguir alugar, por um preço um pouco elevado – é um facto –, a colecção de arte contemporânea do grande mecenas Berardo, destinando-a ao CCB, tornou-se o farol da sua actuação, numa medida que ainda por cima esgota a subaproveitada capacidade do CCB, facilitando assim a sua gestão com uma colecção permanente. A decisão foi corajosa, especialmente num ministério onde não abunda dinheiro – apesar do pagamento das jóias roubadas na Holanda – e onde os museus (de Arte Antiga e do Azulejo) têm alas fechadas por falta de dinheiro para pessoal. Finalmente temos um Ministro da Cultura que dá o adequado relevo à modernidade, mesmo que para isso tenha de ir contra “Vacas Sagradas” e “Velhos do Restelo” que insistem, disparatadamente, na importância do património histórico.
No capítulo das artes a ministra teve ainda duas intervenções vitais para o país: despedir Paulo Pinamonti, o director do Teatro S. Carlos que insistia em o tornar europeu esquecendo “a prata da casa” que tão bons resultados havia apresentado nos anos anteriores, optando assim por um teatro de ópera mais nosso e menos pretensioso; a gestão do caso Rivoli, um exemplo de compreensão perante os protestos de uma grande companhia de teatro que se viu sem os apoios, a que indiscutivelmente tem direito, para fazer teatro de vanguarda. A importância para o país da sobrevivência do teatro independente é enorme, e as críticas por falta de público uma óbvia barbárie intelectual própria de países subdesenvolvidos.

A arte do toureio

O genial Rafael de Paula, ou como tornar o toureio numa dança de coreografia imprevisível.

21.3.07

Pais (des)ordenado

Anda tudo muito admirado e chocado com o avanço do mar nas zonas da Caparica, assim como se admiram com as cheias ou com os gigantescos fogos por este país fora. A ninguém ocorre que a culpa não é do pobre mar, que tão agradavelmente nos banha nos dias de verão, mas da cambada de irresponsáveis que nos desgoverna há demasiados anos com uma criminosa política de desordenamento do território. Os mesmos que agora se indignam com os prejuízos – e atiram responsabilidades para outrem – são os mesmos que em nome do desenvolvimento, palavra sagrada que veneram, têm cometido as maiores atrocidades pelas terras deste país. Atirar com empregos para a população, mesmo que normalmente vinda de fora, é quase sempre argumento seguro para infringir as leis e construir, modificar ou destruir. O país por infelicidade não pode falar, gritar ou urrar de dor, e assim se vai arrasando com o que resta, com a displicência de quem espanca a mulher e a seguir se senta a beber um sossegado café. Depois a culpa é do mar, do sol, do vento, das intempéries, de tudo o que não tenha factor humano, pois esse, para estas criaturas, é sempre perfeito.

Admirável Governo Novo – Saúde

O excelente Correia de Campos tem conseguido, com a sua enorme humildade e capacidade política, explicar com brilho as complexas medidas de fecho de urgências e centros de saúde. A subtileza é tanta que para até aproveitou para, por clara coincidência na fase de maior contestação, fazer aprovar em conselho de ministros a muito equilibrada e sensatíssima lei da proibição do fumo que consegue – finalmente – tratar os fumadores como delinquentes sociais que importa, a todo o custo, marginalizar.

Admirável Governo Novo – Agricultura

O ministro Jaime Silva destaca-se, ainda mais do que pelo maravilhoso conteúdo, pela forma adequada que usou para contactar com esse rude sector da sociedade que são os agricultores. O seu maior mérito foi ter conseguido criar uma total incompatibilidade com as pessoas mais essenciais na agricultura, os agricultores, proporcionando assim as melhores condições para gerir e planear este difícil sector.