15.5.07

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Valerá uma imagem mais do que mil posts?

Convento de las Dueñas, Salamanca 2002

A Canalha

A julgar pela decisão de marcar eleições para uma data que impede legalmente qualquer coligação e que dificulta ao máximo a recolha de assinaturas para candidaturas independentes, o Governo Civil de Lisboa merece um aplauso tão grande que se transforme em sova ou espancamento. A distinta lata de o fazer após se conhecer uma candidatura independente da área do partido do governo que, curiosamente, foi o que nomeou a dita Governadora, torna o facto relevante. Este PS consegue uma impunidade que, após o “affaire” Sócrates, já não espanta, mas no mínimo indigna.
Contra isto é essencial oferecer uma subtil, mas sonora, bofetada de luva branca, angariando as assinaturas que permitam a Helena Roseta concretizar a sua candidatura. Visite o blog “Cidadãos por Lisboa” onde poderá encontrar a declaração de propositura a assinar e os endereços e contactos necessários.

Pena

Estava já a pensar combinar um lanchinho ali para os lados de Santo Antão, visitando o Sr. Brito para umas cervejinhas e talvez uns croquetes, quando me lembro que pela minha teimosa e persistente ligação “à terra” lá me encontro recenseado, o que me impede de contribuir com a minha assinatura para concretizar a candidatura de Roseta. Ficará o lanche para outro dia e o inferno com mais uma boa intenção

11.5.07

Queimados

Antes que cheguem os fogos, Pinto de Sousa resolveu tentar imolar António Costa numa candidatura em Lisboa. Mesmo que ganhe, sairá chamuscado a médio prazo pelo erro de casting que é, e não passará muito tempo até que o sólido número dois passe a embaixador de qualquer coisa no estrangeiro, fazendo companhia a outros notáveis queimados como Carrilho ou Ferro Rodrigues. Pinto de Sousa pode não ser engenheiro, pode até não ser culto, mas parece que andou a ler umas coisas do senhor Maquiavel.

Proto-candidatos

António Costa e Manuela Ferreira Leite são os dois pesos pesados de quem se fala. Grandes escolhas sustentadas num enorme interesse em Lisboa e num conhecimento sedimentado dos problemas da cidade. São projectos e ideias conhecidas, conceitos de cidade e do que ela deve ser, indispensáveis a uma campanha de curta duração sem tempo para grandes estudos. Lisboa ganhará mais um presidente que sabe o que quer, a exemplo de Santana Lopes ou Carmona Rodrigues com os seus projectos sustentados e coerentes para a capital.

Que mulher!



Agatha Christie a fazer surf no Havai.
A fotografia é real e figura na sua Autobiografia.
Uma delícia.

Pesos e medidas

“…Se você mesmo duvida que haja algo especial, faça-se as perguntas que eu sempre me faço: por que o Papa causa mais escândalo e ódio, por que ele é mais vítima de calúnias e idiotices (por exemplo, a foto da capa do Globo de hoje, que o mostra pisando no Brasil com o pé esquerdo e aludindo ao fato) do que outros líderes, digamos, “espirituais”? Já observei que ninguém enche o saco do Dalai Lama por causa do celibato do budismo tibetano. O jejum católico é sinistro, mas o festival de cacetadas que é a prática do budismo zen é supostamente algo profundíssimo. E, é claro, fazer dieta só para ficar muito magro: coisa naturalíssima. Se Al Gore (que até o fim dos anos 90 era o modelo universal de idiota, lembram?) diz que você tem que fazer milhões de sacrifícios em nome da prevenção do “aquecimento global”, tudo bem; mas se o Papa sugere que você seja um cara mais paciente, e não se entupa de comida, ele está ameaçando a sua liberdade. Isso porque ele nem pode passar leis nem cobrar impostos.
Todos os filisteus do mundo odeiam o Papa, e isto é quase uma prova suficiente de que Deus está do seu lado.”
in O Indivíduo

10.5.07

Bravo

Helena Roseta apresentou-se como candidata independente à Câmara de Lisboa. Por aqui já se escreveu sobre a indiferença perante os partidos no que ás autarquias diz respeito, não é preciso memória muito apurada para recordar as calamidades que o “bem intencionado” Abecassis fez em Lisboa, para perceber bem a importância (pouca) da filiação partidária num bom trabalho autárquico. Muito mais importante do que ser de esquerda ou direita é ter um projecto e uma ideia para a cidade. Acredito que Helena Roseta terá essa ideia de cidade para Lisboa e basta que encontre uma equipa adequada para protagonizar um projecto sólido para a capital. Não sei se vai ser a melhor candidatura a ir a votos, mas coloca desde já um patamar de exigência que obrigará os partidos, e outras eventuais candidaturas independentes, a escolher personalidades credíveis.
O espectáculo degradante que os partidos ofereceram em Lisboa – lembremos a saída de Nogueira Pinto, o abandono de Carrilho, a novela da queda do executivo – merecem uma penalização, por isso mereciam que candidaturas independentes ganhassem força e os derrotassem nas urnas. Lisboa não deve ser o palco de irresponsabilidades por parte de partidos em constantes duelos tácticos que nada têm a ver com a cidade. O estado da Câmara é de tal modo calamitoso que será muito mais fácil a candidaturas independentes criar entendimentos que permitam uma governação em estado de emergência para os próximos dois anos.
Adivinho já os comentadores mais cegos a insistirem em ver a política autárquica como um reduto de ideologias (ler interesses) partidárias(os) procurando em Roseta defeitos terríveis que deitem abaixo, quanto possível, a sua candidatura. Assim é sempre, pois os partidos são sempre maus, mas quando surgem movimentos apartidários, ou próximo disso (não esquecer que até ontem Roseta era filiada no PS), há sempre qualquer coisa “terrível” que leva a uma cruzada pela sua destruição. Por isso a nossa democracia assim vai andando, de desastre em desastre, com o mesmo sistema partidário de há 30 anos, com uma média de 35% de abstenção, e com a alegre conivência da nossa “inteligentzia”.

Por Lisboa

A propósito de Lisboa, cheguei, via O Carmo e a Trindade, a esta petição a propósito da destruição das árvores do jardim do Campo Pequeno. Não é coisa pouca deitar abaixo quase duzentas árvores de porte admirável por supostas, por não comprovadas, questões fitossanitárias. Numa cidade em que os espaços verdes vão rareando, é uma indignidade rebentar com um jardim inteiro para depois o reconstruir. Quantos anos passarão até este jardim voltar a ter o aspecto a que nos habituámos?

Aznar e o vinho

Agora que os seus tempos de governo já passaram, Jose Maria Aznar está em grande forma libertária. Este vídeo é absolutamente imperdível.

9.5.07

Diferenças

Mário Lino fez questão de mostrar a diferença em relação a Pinto de Sousa, ele é, de facto, licenciado em Engenharia e está inscrito na ordem. Pena é que em matéria de Ota a obstinação seja comum.

7.5.07

Procura-se

Presidente do partido mais votado nas últimas legislativas, que esteve estranhamente ausente da campanha para as eleições de uma região autónoma – desencadeadas por reacção a uma lei aprovada pelo governo que lidera – onde o seu partido conseguiu um digníssimo resultado de 15% dos votos. Ouço falar em cobardia, mas não creio, talvez “putativa cobardia”, sempre encaixa melhor no perfil.

A quem de interesse

Muito falamos da nossa democracia como já sendo evoluída e consolidada, a quem ainda acredite nisso apenas um número: 15%. Foi esta a percentagem de abstenção nas eleições em França. Por cá, 35% já é tido como um valor razoável. Tudo está de facto bem, na nossa saudável e participada “democracia”.

Jardim

Para desespero do politicamente correcto, Alberto João lá deu mais um “Bailinho da Madeira” a toda a oposição, que triturou com 64% de votos. Falem dos défices democráticos que quiserem, mas que eu saiba na Madeira o voto ainda é secreto, ao contrário de alguns partidos “democráticos” onde ainda impera o braço no ar…

Descoberta do dia

Afinal o PND existe e elegeu um deputado na Madeira. Talvez o senhor Baltazar Aguiar se devesse candidatar a presidente do partido, pois pelo menos conseguiu mais do que o inefável Monteiro vem conseguindo nos últimos tempos: ser eleito.

4.5.07

Lisboa

Politicamente, Carmona parece alguém que já morreu mas a quem se esqueceram de avisar. Qual D. Sebastião em Alcácer-Quibir, Carmona resolve lutar contra todos, no que seria uma atitude de homem, não fora o pequeno facto de, com essa coragem, atirar Lisboa para o absoluto desgoverno. Não deixa de ser um daqueles casos que em abstracto teria graça, mas que na realidade apetece gritar: “tirem esse homem daí”.

Cretinices

A inefável senhora Câncio decreta hoje no DN, com a originalidade de pensamento habitual, que não compreende o escândalo por as coimas por consumo de drogas duras ser mais baixa do que a que se prevê para os fumadores. Segundo a senhora e um problema “elementar” de raciocínio achar que, e cito, “o uso das drogas ilegais é em si um mal terrível, independentemente de só prejudicar quem as usa, sendo impensável que se lhe aplique um castigo menos severo que a quem impõe o fumo de uma droga legal a terceiros.” Obviamente não ocorrerá à senhora Câncio que, talvez por um acaso excêntrico, as drogas duras também levantam problemas de saúde graves. Imagine por exemplo que está num bar e ao seu lado alguém saca de uma seringa para um “chutozinho” de heroína, lá faz o caldo, com emissão de gases por acender o isqueiro que prejudicam a qualidade do ar dos presentes, e injecta o produto. Retira a seringa e, azar seu, leva um encontrão e cai em cima do “drogadito” enfiando a seringa no seu braço. Será que a criatura tem SIDA? É realmente muito mais perigoso para a saúde levar com um bafito de tabaco, obrigado senhora Câncio por me iluminar o raciocínio.

3.5.07

Diálogos imaginários

– Charles, já não sei o que faça com este tempo indefinido. Tanto me apetece vestir só uma camisa de algodão como fico com desejos de uma camisola de lã.
– Está complicado, menino, está muito complicado. O senhor S. Pedro este ano está muito caprichoso.
– Simpático como sempre, Charles, eu diria que ele não anda é bom da cabeça. Já agora, mantenha o cobertor que acrescentou porque hoje dormi muito bem.
– Com certeza, menino.

E agora, Lisboa?

Após a demorada queda do anjo Carmona o que pode esperar Lisboa? Com a Câmara em frangalhos quem quererá pegar nela para governar durante curtos dois anos?
Será difícil piorar a total deriva em que o cacilheiro andou, ainda assim há sempre essa hipótese, infelizmente há sempre a hipótese de ir a pior. E com alguns nomes de que se vai falando…

30.4.07

Ironias

A extrema-esquerda acha intolerável que a liberdade permita que existam cartazes como o do PNR no Marquês. A extrema-esquerda acha intolerável que a liberdade, através da polícia, não permita que os seus jovens representantes invadam e destruam a sede do PNR. A ironia de tudo isto é de uma finesse irresistível. O PNR, que é contra a liberdade de expressão, usa-a para se promover em cartazes racistas. A extrema-esquerda, que se diz a favor da liberdade de expressão, acha que ela tem limites e não devia permitir os cartazes do PNR. Tão longe, contudo tão perto.