10.7.07

Coisas de Comida

Pede-me o Impensável que entre na cadeia alimentar das últimas cinco refeições que circula na blogosfera. Dada a manifesta vergonha de confessar o meu almoço de Domingo, protelei em um dia a resposta tentando que, com verdade, pudesse falar dos meus hábito alimentares mais recentes sem a espada da chacota sobre o meu pescoço.

O jantar de Domingo (repare-se que o almoço já foi esquecido):
Bifes de frango temperados com limão, Mélange Tangériene e Gengibre, acompanhados por couscous.
Vinho branco Duque de Viseu.
Café Decaffeinato Intenso (Nespresso) e um Português Suave.
(ficou a faltar: uma salada de rúcola temperada com azeite e vinagre balsâmico; umas fatias de manga)

Pequeno-almocei ontem:
Torradas de pão de mistura com manteiga e compota de chá Marco Pólo da Mariáge Fréres, acompanhadas pelo excelente “Thé dês Poêtes Solitaires” da mesma marca.
Café Arpeggio (Nespresso).
(ficou a faltar a fruta, talvez num sumo de tangerina)

Almoço:
Umas singelas salsichas frescas com arroz branco e um ovo estrelado.
Capriccio (Nespresso) e um Português Suave.
(faltou, por manifesta incúria, uma saladinha de tomate e pepino – temperada com azeite, vinagre de vinho branco e flor de sal – e também um pouco de queijo da Ilha de S. Jorge com compota de framboesa.)

Jantar:
Lombos de pescada no forno em papel de alumínio, temperados com noz-moscada, pimenta, louro e um pouco de piripiri seco, acompanhados por uma salada de tomate com manjericão fresco e batatinhas novas no forno.
Decaffeinato Intenso (Nespresso) e um Português Suave.
(faltou queijo fresco com pão de mistura)

O almoço de hoje foi:
Sopa de legumes.
Chocos grelhados com batata cozida e salada de alface e cenoura.
Salada de frutas.
Café e um Português Suave.
(faltaria uma salada mais completa e um adequado molho de vinagrete para os chocos)

Quanto à cadeia acho que vai ficar por aqui. Não vou passar, por hora, a ninguém esta mensagem. Sim, um pouco desmancha-prazeres, é um facto, mas enfim, assim será.

P.S. O almoço de Domingo foi mesmo muito mau, mesmo dentro do escolhido, que já nada de bom augurava, estava mesmo muito mau, daí a caridade de não partilhar um momento tão traumatizante.

O escândalo do debate

A sabujice da RTP, que conseguiu que o aeroporto de Lisboa se tornasse assunto acessório e poupou António Costa a ter de se pronunciar sobre ele.

Uma imagem do debate

O ar incrédulo e fascinado de Costa perante as intervenções de Gonçalo da Câmara Pereira.

5.7.07

Lisboa

Uma luz brilhante realça contornos de árvores e do casario. E o Tejo, sempre o Tejo, imenso e largo, num azul mexido por vento e cacilheiros. Os pássaros, tantas vezes ausentes, pousam suavemente nas mesas, pequenos pardais saltitantes que nos distraem, personagens secundárias da estrela costumeira, o universo azul brilhante aos pés de telhados que descem em escada. A beleza absorve o ruído e há um quê de província, de outros tempos, que traz um optimismo cada vez mais escasso.
O fascínio de Lisboa deve-se em muito a sítios quase secretos, quartos escondidos, na aparência reservados a iniciados de uma qualquer sociedade, mas descobertos com facilidade por quem tenha na vida a procura como um fim e, como Corto Maltese, sempre esteja em busca de um tesouro perdido, de mais um tesouro perdido, e como Corto não o faça por um espírito mercenário, mas por um simples querer encontrar.
Dias como hoje, com momentos em refúgios de paz e beleza, fazem crer em Lisboa e suspirar com desesperada ansiedade para que a não estraguem, para que a não tornem numa cidade asséptica e anónima, negação absoluta do que sempre foi a essência de Lisboa.

3.7.07

Admirável Social-fascismo

A sanha persecutória do executivo Pinto de Sousa continua o seu frenético caminho. Depois do professor Charrua e da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, agora vamos ter controlo sobre a recepção de correspondência pessoal. Esta magnífica ideia vem de uma senhora de nome Ana Maria Correia, coordenadora da sub-região de Saúde de Castelo Branco, que achou por bem emitir uma nota interna onde revela que a correspondência dirigida pessoalmente a determinados funcionários vai passar a ser aberta. Esta medida tem ao menos o mérito de ser feita ás claras, pois, a avaliar o que se vai passando neste alegre social-fascismo, não é de admirar que em muitos serviços públicos já se recorra à tradicional cafeteira de água a ferver para abrir envelopes sem deixar marca.

2.7.07

Tangerina e Pêssego

O dia de praia agradável, um café com o mar aos pés enquanto o sol se encobre com o capacete de algodão vindo de Sintra. O bulício do centro e os turistas, muitos barcos na marina e marinheiros em terra. Uma pequena espera e a escolha dos dois sabores: tangerina e pêssego. No Santini, como é evidente, onde me sinto um infame explorador ao conseguir um pedaço de céu por irrisórios dois Euros. Os gomos de tangerina desfaziam-se sobre as papilas gustativas, o cheiro e sabor do pêssego quase me fazia temer uma lambidela sobre pele de veludo. Não posso reproduzir o comentário que fiz após iniciar o inebriante processo de ingestão, mas posso garantir que melhor do que estes gelados não haverá assim tanta coisa no mundo.

29.6.07

Isto anda bonito

Depois do professor Charrua, agora é a vez da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho ser exonerada por motivos políticos. Terei ouvido falar em povo amordaçado ou em estalinismo? Fosse o governo do PSD e já estariam todos os media urrando pelo regresso do fascismo, como o governo do Sr. Pinto de Sousa é, pretensamente, de esquerda o silencia impera.
No meio do obscurantismo há sempre alguém que resiste e Manuel Alegre já se insurgiu contra a intolerância do governo. As suas palavras são bem reveladoras do estado em que estamos: "Pretendi educar muita gente no PS dentro desse espírito de tolerância, mas, pelos vistos, sem resultados". Será caso para dizer que apesar de tudo ainda há quem saiba, dentro do partido que nos desgoverna, o que é viver em liberdade numa democracia.

Fumos

A senhora Câncio vai ter de continuar a comer com o fumo dos outros, o que me parece bem, nem que seja para que com a irritação escreva as habituais inanidades com ainda mais ênfase. Depois de ler o artigo de hoje no DN fiquei cheio de pena dos seus pipis com fumo em segunda mão de um SG Filtro que alguém possa resolver acender. Claro que, sem querer questionar a capacidade intelectual da senhora, insisto que ela não consegue perceber a diferença entre um local de trabalho e um restaurante ou entre transportes públicos e um café. O certo é que os primeiros não são de frequência opcional, as pessoas têm mesmo de lá ir, ou estar, sem direito de opção, quanto aos segundos eles são locais acessórios, a que não somos obrigados a ir e que podemos, assim como escolhemos sushi ou pastas, optar entre o fumo ou o não fumo. Para mim liberdade é isto, mas porventura terei de rever os meus conceitos, pois se uma tão insigne paladina da liberdade está em desacordo comigo, deverá certamente ser um erro meu.

28.6.07

Haja (alguma) sensatez

O acordar de hoje foi brindado com a mui agradável notícia de que o Parlamento tinha recuado na Lei do Tabaco. As negras previsões de que o fascismo higiénico nos tomaria de assalto, impedindo os fumadores de frequentar restaurantes pequenos (até 100m2), afinal não se concretizaram. Vingou a liberdade dos proprietários poderem escolher se querem, ou não, fumo no seu espaço, ficando assim feita a justiça necessária para que os direitos de fumadores e não fumadores sejam mais equilibrados e que ambos possam ter espaços à sua medida. Os espaços maiores privilegiarão as zonas de não fumadores, o que os tornará muito mais agradáveis sem que com isso impeçam a existência de zonas onde se possa fumar. Tudo isto me parece muito bem, indo claramente de encontro à equilibrada lei espanhola e mostrando que, afinal, ao contrário do que seria de esperar, o ministro Correia de Campos ainda tem lampejos de sensatez.

26.6.07

In Memoriam

No dia em que o senhor Berardo abre, a grandes expensas do Estado, o seu museu, convém lembrar com algumas imagens a magnífica obra, já aqui referida, que o senhor efectuou na Quinta da Bacalhoa em Azeitão.
Sobre a história da quinta não me alongarei, aconselhando para mais informações a consulta do site da DGEMN, apenas gostaria de referir que a Quinta esteve à venda ao longo de três anos, durante quais o Estado português não exerceu o direito de preferência que lhe era devido e após os quais foi adquirida pelo grande mecenas Joe Berardo.
Para melhor legendar as imagens, utilizemos as abreviaturas AB, para Antes de Berardo, e DB, para depois de Berardo.


AB – Num primeiro plano o laranjal em frente, outras árvores à esquerda, vários arbustos e uma enorme sebe à direita. Ao fundo o palácio e a sua loggia.


DB – A vinha industrial em primeiro plano e o palácio e a sua loggia ao fundo.


AB – O jardim de buxo, as trepadeiras, o laranjal, os arbustos, a sebe, e a casa de fresco ao fundo.


DB – O jardim de buxo, a vinha industrial, e a casa de fresco ao fundo.


AB – O jardim de buxo, a sebe e a loggia.


DB – A terraplanagem que aqui aparece destruiu totalmente o sistema hidráulico, de rega por gravidade, que ainda regava o jardim.


Os azulejos hispano-árabes originais foram substituídos por cerâmica industrial.
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As imagens AB foram todas retiradas do site da DGEMN. As imagens DB foram recolhidas por mim em visita ao local no ano de 2001.

24.6.07

A coisa

Os déspotas iluminados que regem a Europa lá conseguiram – a custo, pois parece que os coitados passaram uma noite quase em branco – arranjar maneira de contornar o incómodo de referendos perdidos. A “coisa” passa a chamar-se Tratado, apesar de ser essencialmente igual à mesma coisa chamada “Constituição”, e assim não irá necessitar de ser aprovada directamente pelos incultos povos. Claro que nada disto é dito para já, ficando-se o Sr. Pinto de Sousa por um “não é momento adequado para falar de referendo, vamos esperar que o tratado (a “coisa”) esteja no papel para se discutir”. Quando finalmente a desejada “coisa” aparecer escrita em linguagem jurídica é óbvio que, como afinal até nem é uma constituição, não será impedida no seu iluminado caminho pelo gentio povo. Assim se tem feito a “magnífica” construção europeia, ano após ano num segredo mais bem guardado que as cerimónias maçónicas.

22.6.07

Omnipresença

Começa a ser difícil fugir ao sufocante cerco da presença de Joe Berardo. As OPA´s sucessivas (Sogrape, BCP, Benfica) e a inauguração, na próxima segunda-feira, do Museu com o seu nome inundam a imprensa com notícias e entrevistas. Pena é que todas esqueçam a barbárie que o senhor "comendador" fez na Quinta da Bacalhoa, destruíndo um dos poucos jardins renascentistas portugueses para plantar vinha. Sim, para quem já esqueceu, o senhor até ignorou um embargo do IPPAR sem que isso tivesse consequências. O grande herói português está aí, na modernidade do preto e na arrogância de quem sabe que o dinheiro é poder.

19.6.07

Coisas do tempo

Parece que estamos a chegar ao Verão, anunciado por este inclemente e escaldante sol abrasivo. As praias enchem-se e mais se assemelham a um cheio formigueiro. Os agricultores correm em pânico ao ministério em busca de indemnizações pela seca. Os bombeiros desesperam exaustos pela avalanche de fogos que carboniza a floresta restante no país. Pequenos proprietários choram a perda das suas casas pelas chamas. Os alertas vermelhos sucedem-se na televisão e idosos caem inanimados pelas ruas desertas do Alentejo. A ironia pode até ser uma coisa engraçada, mas afinal que merda de tempo é este?

13.6.07

Uma frase do debate

“Há várias formas de bombardear uma cidade: uma é como os americanos fizeram em Bagdad, a outra é votar em qualquer um dos outros candidatos que concorrem a esta eleição.”
José Pinto Coelho

Datas III

Este magnífico produto – que continua a ser assíduo no meu lavatório – cumpre hoje 75 anos de existência.


Sincero obrigado à família Couto.

Datas II

Fernando Pessoa nasceu há 119 anos.

Fresta

Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,

Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado

Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.

Datas I


O Santo António de Lisboa morreu há 776 anos.

12.6.07

Boa companhia para jantar


Monica Bellucci

Ao fim da tarde, junto a uma fonte em Alfama, antes de partirmos em busca da sardinha assada.

Belas Agendas

Há a ideia corrente que os ministros são pessoas atarefadas, de agendas preenchidas, com o tempo contado ao minuto durante exaustivos dias de trabalho. Nada mais errado, pelo menos a avaliar pela súbita e pronta disponibilidade do ministro Mário Lino para receber uma dezena de autarcas, preocupados com a mera possibilidade de ver fugir o aeroporto das suas terras. O motivo desta reunião tinha umas escassas doze horas de existência, pelo que podemos concluir que ministro parece estar com falta de trabalho.