30.7.07

Tempo

Estamos velhos quando reencontramos amigas que percebemos não ver há catorze anos.

27.7.07

Ainda a “alegada” licenciatura

Chego, via Impensável, a um artigo do The Independent sobre a alegada licenciatura de Pinto de Sousa. O texto será decerto classificado como mais uma peça de jornalismo deplorável, sem rigor e com uma má investigação e confirmação de fontes. Coisas que acontecem em países atrasados e com maus jornais que não têm uma ERC para os pôr na devida ordem.

25.7.07

Justiça

Aquando das presidenciais, muita gente amiga questionou o meu voto, ainda por cima convicto, em Manuel Alegre. Leio hoje um artigo seu em que se insurge contra a falta de liberdade e o amordaçamento da opinião no país. Nada mais certo, nada mais actual, ainda por cima com o vergonhoso arquivamento do processo Charrua e a continuidade impune da directora-geral que ainda por cima promoveu o bufo. Manuel Alegre é, ainda, do partido do poder e podia estar tranquilamente a usufruir das mordomias daí resultantes, no entanto, e uma vez mais, mostrou a coragem de ser contra-poder e escreveu um artigo que fará mais contra Pinto de Sousa do que um ano de Mendes ou Menezes. Tudo isto vem-me lembrar uma coisa, a justeza do meu voto. Quem ouviu, até hoje, palavras, ainda que remotamente parecidas, da boca do nosso Presidente da República? Muitas vezes são as pequenas atitudes que definem os homens.

24.7.07

Por momentos...

Leio no DN: "Pinto de Sousa acusado pelo Ministério Público". Sustenho a respiração e imagino o que o nosso primeiro-ministro possa ter feito para que, no estado em que as coisas estão, o Ministério Público tenha tido o topete de o acusar de algo. Linhas abaixo leio que são acusações de corrupção sobre árbitros e fico um pouco baralhado até perceber que a notícia se refere a um ex-presidente do conselho de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). O Pinto de Sousa afinal é outro, mas esta coisa dos jornalistas não escreverem devidamente as notícias leva a confusões manifestamente desnecessárias.

20.7.07

A não perder

Ainda a propósito do meu jantar de ontem, falou-se sobre esta música e corri ao You Tube na esperança de a encontrar. Prova superada e aqui está: "Something Stupid" de Frank e Nancy Sinatra, na versão portuguesa "Tu, Só tu" por Simone e Marco Paulo. Um mimo.

A propósito de uma conversa ontem


A Senhora Europeia


A Grande Americana

Ambas Hepburn e ambas estupidamente Magníficas.

19.7.07

O verão anda hesitante por aí


"Taverna by the sea"
Ática, perto de Sounion, Grécia. 1937.
Copyright: Herbert List / Magnum Photos

Aborrecimentos

O dito Quarteto que resolveu reunir-se em Lisboa baralhou a cidade com os esquemas de segurança. Isto de ter de receber gente com a cabeça a prémio, coisas da Presidência Europeia, é uma imensa maçada, pelo que o melhor mesmo é aproveitar os conselhos do Nóbel e passar tudo para os espanhóis, ao menos passam a aborrecer os madrilenos e deixam-nos por aqui em paz.

18.7.07

Ele há gente!

A Presidente da Distrital do PSD de Lisboa – Paula Teixeira da Cruz – achou por bem demitir-se, após longa e ponderada reflexão depois da noite eleitoral que lhe correu de feição. Até estranho que se o tenha feito, pois a senhora parece ter Super Cola 3 nas mãos no que diz respeito ao poder e, tal como fez com a Presidência da Assembleia Municipal, achei que se ia agarrar à Distrital com o tal produto que até colava cientistas ao tecto. Engano, lá se demitiu, mas, e há sempre um mas, não assumiu ainda assim o magnífico resultado do seu partido, pois parece que a culpa afinal não foi dela e, pasme-se, também não foi de Carmona, foi do Presidente da Câmara de Gaia e dos seus seguidores. Mau perder ou falta de espírito democrático?

17.7.07

Coisas da Vida Boa

As novas colecções da Livros Cotovia – Dona Raposa e Raposa Matreira – que se prevê façam chegar à língua portuguesa alguns mestres da literatura inglesa. Waugh (o Evelyn, finalmente traduzido), Mittford e o mais que delicioso P.G. Wodehouse que me acompanhou no último par de dias arrancando-me estridentes, prolongadas e gostosas gargalhadas.

Antes o futebol

Os eleitores que votaram no novo Presidente da Câmara não chegavam para encher o Estádio da Luz, os de Carmona e Roseta juntos excediam em pouco a lotação de Alvalade e os do PSD cabiam à vontade no Estádio do Restelo.

16.7.07

Vitória

António Costa era número dois de um governo eleito com maioria absoluta. Costa candidatou-se contra um PSD esfrangalhado pela polémica com Carmona. Costa surgiu com o élan dos grandes vencedores, bem medido nos apoios que tinha. Costa pediu durante toda a campanha que lhe dessem a maioria absoluta. António Costa acabou por ganhar as eleições com seis vereadores em dezassete. Que grande vitória!

Número que impressiona

António Costa foi eleito com os votos de 10,06% dos votantes inscritos!

Coerência

Depois do atropelamento de Pinto de Sousa a Manuel Alegre, o PS manteve-se coerente e António Costa atropelou ontem a declaração de Helena Roseta. Como diria o insigne Jorge Coelho: quem se mete com o PS leva. Nem mais!

Massas

A grandeza da vitória mobilizadora de Costa esteve bem expressa nos militantes que para a comemorar vieram de Mafra, Cabeceiras de Basto ou Alguidares da Beira.

11.7.07

Sindicato de interesses I

Como a sonífera campanha deixava adivinhar, os candidatos à Câmara de Lisboa parece que andam numa arrastada sesta que até os impede de ler jornais. Aqui já se falou faz algum tempo do convite a Júdice e das questões éticas em redor de Manuel Salgado, no que parecia a criação não de uma lista à Câmara, mas de um sindicato de interesses em redor de Lisboa com o apoio expresso do governo. O despertador lá tocou e, depois de anteontem se atirarem a Salgado, ontem foi a vez de Júdice revelar estar pronto a aceitar o cargo de coordenador da recuperação da frente Tejo de Lisboa perante a indignação geral dos candidatos.

Sindicato de interesses II – Política de mercado

Alguém acredita que relação entre o convite, do governo, e a saída do PSD e o estatuto de mandatário de António Costa será uma absoluta coincidência, sem nada a apontar em termos de arranjinhos e ética política? Júdice é, inquestionavelmente, um advogado bem sucedido profissional e economicamente, mas a atracção do poder revelou-se e, como seria uma enorme maçada lutar por ele indo a votos, lá resolveu a questão com a ajuda de Pinto de Sousa e de Costa. A coisa tem o mérito de não ter sido secreta, ao contrário do que alguns candidatos agora querem fazer querer, Júdice simplesmente vendeu o seu apoio a Pinto de Sousa, nas suas crónicas de opinião, e a Costa, aceitando ser seu mandatário, em troca de um cargo de enorme prestígio e poder. O argumento de que não será remunerado não me parece ter qualquer importância, até porque falamos de alguém que disse que o Estado apenas deveria recorrer aos cinco maiores escritórios de advogados do país, entre os quais o seu, sendo que com as boas relações que mantém com Pinto de Sousa não será difícil de perceber a via aberta que terá para os negócios do Estado.

Sindicato de interesses III – Ligações dúbias

Quanto ao arquitecto Manuel Salgado, parece que ele diz que vende o atelier caso seja eleito vereador e que, como tal, fica sem interesses em Lisboa. Se tivesse oportunidade, gostava lhe fazer as seguintes perguntas em relação aos seus projectos que estejam a aguardar aprovação: Vai dizer aos promotores que já não podem construir como seu projecto? Vai passar o seu projecto a outro arquitecto para o poder aprovar? Vai arranjar forma de que, apesar de ser o vereador do Urbanismo, a aprovação do projecto não dependa de si?
O interesse de um arquitecto num projecto não termina nunca, mas se podemos definir um limite de interesse real, esse limite é o fim da construção do mesmo. Por isso não tem qualquer importância saber que projectos Salgado já fez em Lisboa, o que importa é saber quantos e quais estão para aprovação na Câmara, pois serão estes a ter um real interesse para ele, para os promotores imobiliários e para a Câmara, e incorrem, sem qualquer dúvida, num enorme conflito de interesses.
Aquilo que se adivinhava com os nomes escolhidos parece estar a concretizar-se – e nem vou falar de Nogueira Pinto que também parece estar a comprar o seu lugar no Plano Baixa-Chiado com o apoio a Costa –, a candidatura de Costa não é uma lista concorrente à Câmara com uma ideia para Lisboa, é um sindicato de interesses organizados que, ainda antes de entrar em funcionamento, já começa a ser conhecido. Esse mérito lhe seja dado, assim ao menos as pessoas têm oportunidade de saber naquilo que estão a votar.

10.7.07

Coisas de Comida

Pede-me o Impensável que entre na cadeia alimentar das últimas cinco refeições que circula na blogosfera. Dada a manifesta vergonha de confessar o meu almoço de Domingo, protelei em um dia a resposta tentando que, com verdade, pudesse falar dos meus hábito alimentares mais recentes sem a espada da chacota sobre o meu pescoço.

O jantar de Domingo (repare-se que o almoço já foi esquecido):
Bifes de frango temperados com limão, Mélange Tangériene e Gengibre, acompanhados por couscous.
Vinho branco Duque de Viseu.
Café Decaffeinato Intenso (Nespresso) e um Português Suave.
(ficou a faltar: uma salada de rúcola temperada com azeite e vinagre balsâmico; umas fatias de manga)

Pequeno-almocei ontem:
Torradas de pão de mistura com manteiga e compota de chá Marco Pólo da Mariáge Fréres, acompanhadas pelo excelente “Thé dês Poêtes Solitaires” da mesma marca.
Café Arpeggio (Nespresso).
(ficou a faltar a fruta, talvez num sumo de tangerina)

Almoço:
Umas singelas salsichas frescas com arroz branco e um ovo estrelado.
Capriccio (Nespresso) e um Português Suave.
(faltou, por manifesta incúria, uma saladinha de tomate e pepino – temperada com azeite, vinagre de vinho branco e flor de sal – e também um pouco de queijo da Ilha de S. Jorge com compota de framboesa.)

Jantar:
Lombos de pescada no forno em papel de alumínio, temperados com noz-moscada, pimenta, louro e um pouco de piripiri seco, acompanhados por uma salada de tomate com manjericão fresco e batatinhas novas no forno.
Decaffeinato Intenso (Nespresso) e um Português Suave.
(faltou queijo fresco com pão de mistura)

O almoço de hoje foi:
Sopa de legumes.
Chocos grelhados com batata cozida e salada de alface e cenoura.
Salada de frutas.
Café e um Português Suave.
(faltaria uma salada mais completa e um adequado molho de vinagrete para os chocos)

Quanto à cadeia acho que vai ficar por aqui. Não vou passar, por hora, a ninguém esta mensagem. Sim, um pouco desmancha-prazeres, é um facto, mas enfim, assim será.

P.S. O almoço de Domingo foi mesmo muito mau, mesmo dentro do escolhido, que já nada de bom augurava, estava mesmo muito mau, daí a caridade de não partilhar um momento tão traumatizante.

O escândalo do debate

A sabujice da RTP, que conseguiu que o aeroporto de Lisboa se tornasse assunto acessório e poupou António Costa a ter de se pronunciar sobre ele.

Uma imagem do debate

O ar incrédulo e fascinado de Costa perante as intervenções de Gonçalo da Câmara Pereira.

5.7.07

Lisboa

Uma luz brilhante realça contornos de árvores e do casario. E o Tejo, sempre o Tejo, imenso e largo, num azul mexido por vento e cacilheiros. Os pássaros, tantas vezes ausentes, pousam suavemente nas mesas, pequenos pardais saltitantes que nos distraem, personagens secundárias da estrela costumeira, o universo azul brilhante aos pés de telhados que descem em escada. A beleza absorve o ruído e há um quê de província, de outros tempos, que traz um optimismo cada vez mais escasso.
O fascínio de Lisboa deve-se em muito a sítios quase secretos, quartos escondidos, na aparência reservados a iniciados de uma qualquer sociedade, mas descobertos com facilidade por quem tenha na vida a procura como um fim e, como Corto Maltese, sempre esteja em busca de um tesouro perdido, de mais um tesouro perdido, e como Corto não o faça por um espírito mercenário, mas por um simples querer encontrar.
Dias como hoje, com momentos em refúgios de paz e beleza, fazem crer em Lisboa e suspirar com desesperada ansiedade para que a não estraguem, para que a não tornem numa cidade asséptica e anónima, negação absoluta do que sempre foi a essência de Lisboa.

3.7.07

Admirável Social-fascismo

A sanha persecutória do executivo Pinto de Sousa continua o seu frenético caminho. Depois do professor Charrua e da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, agora vamos ter controlo sobre a recepção de correspondência pessoal. Esta magnífica ideia vem de uma senhora de nome Ana Maria Correia, coordenadora da sub-região de Saúde de Castelo Branco, que achou por bem emitir uma nota interna onde revela que a correspondência dirigida pessoalmente a determinados funcionários vai passar a ser aberta. Esta medida tem ao menos o mérito de ser feita ás claras, pois, a avaliar o que se vai passando neste alegre social-fascismo, não é de admirar que em muitos serviços públicos já se recorra à tradicional cafeteira de água a ferver para abrir envelopes sem deixar marca.

2.7.07

Tangerina e Pêssego

O dia de praia agradável, um café com o mar aos pés enquanto o sol se encobre com o capacete de algodão vindo de Sintra. O bulício do centro e os turistas, muitos barcos na marina e marinheiros em terra. Uma pequena espera e a escolha dos dois sabores: tangerina e pêssego. No Santini, como é evidente, onde me sinto um infame explorador ao conseguir um pedaço de céu por irrisórios dois Euros. Os gomos de tangerina desfaziam-se sobre as papilas gustativas, o cheiro e sabor do pêssego quase me fazia temer uma lambidela sobre pele de veludo. Não posso reproduzir o comentário que fiz após iniciar o inebriante processo de ingestão, mas posso garantir que melhor do que estes gelados não haverá assim tanta coisa no mundo.

29.6.07

Isto anda bonito

Depois do professor Charrua, agora é a vez da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho ser exonerada por motivos políticos. Terei ouvido falar em povo amordaçado ou em estalinismo? Fosse o governo do PSD e já estariam todos os media urrando pelo regresso do fascismo, como o governo do Sr. Pinto de Sousa é, pretensamente, de esquerda o silencia impera.
No meio do obscurantismo há sempre alguém que resiste e Manuel Alegre já se insurgiu contra a intolerância do governo. As suas palavras são bem reveladoras do estado em que estamos: "Pretendi educar muita gente no PS dentro desse espírito de tolerância, mas, pelos vistos, sem resultados". Será caso para dizer que apesar de tudo ainda há quem saiba, dentro do partido que nos desgoverna, o que é viver em liberdade numa democracia.

Fumos

A senhora Câncio vai ter de continuar a comer com o fumo dos outros, o que me parece bem, nem que seja para que com a irritação escreva as habituais inanidades com ainda mais ênfase. Depois de ler o artigo de hoje no DN fiquei cheio de pena dos seus pipis com fumo em segunda mão de um SG Filtro que alguém possa resolver acender. Claro que, sem querer questionar a capacidade intelectual da senhora, insisto que ela não consegue perceber a diferença entre um local de trabalho e um restaurante ou entre transportes públicos e um café. O certo é que os primeiros não são de frequência opcional, as pessoas têm mesmo de lá ir, ou estar, sem direito de opção, quanto aos segundos eles são locais acessórios, a que não somos obrigados a ir e que podemos, assim como escolhemos sushi ou pastas, optar entre o fumo ou o não fumo. Para mim liberdade é isto, mas porventura terei de rever os meus conceitos, pois se uma tão insigne paladina da liberdade está em desacordo comigo, deverá certamente ser um erro meu.

28.6.07

Haja (alguma) sensatez

O acordar de hoje foi brindado com a mui agradável notícia de que o Parlamento tinha recuado na Lei do Tabaco. As negras previsões de que o fascismo higiénico nos tomaria de assalto, impedindo os fumadores de frequentar restaurantes pequenos (até 100m2), afinal não se concretizaram. Vingou a liberdade dos proprietários poderem escolher se querem, ou não, fumo no seu espaço, ficando assim feita a justiça necessária para que os direitos de fumadores e não fumadores sejam mais equilibrados e que ambos possam ter espaços à sua medida. Os espaços maiores privilegiarão as zonas de não fumadores, o que os tornará muito mais agradáveis sem que com isso impeçam a existência de zonas onde se possa fumar. Tudo isto me parece muito bem, indo claramente de encontro à equilibrada lei espanhola e mostrando que, afinal, ao contrário do que seria de esperar, o ministro Correia de Campos ainda tem lampejos de sensatez.

26.6.07

In Memoriam

No dia em que o senhor Berardo abre, a grandes expensas do Estado, o seu museu, convém lembrar com algumas imagens a magnífica obra, já aqui referida, que o senhor efectuou na Quinta da Bacalhoa em Azeitão.
Sobre a história da quinta não me alongarei, aconselhando para mais informações a consulta do site da DGEMN, apenas gostaria de referir que a Quinta esteve à venda ao longo de três anos, durante quais o Estado português não exerceu o direito de preferência que lhe era devido e após os quais foi adquirida pelo grande mecenas Joe Berardo.
Para melhor legendar as imagens, utilizemos as abreviaturas AB, para Antes de Berardo, e DB, para depois de Berardo.


AB – Num primeiro plano o laranjal em frente, outras árvores à esquerda, vários arbustos e uma enorme sebe à direita. Ao fundo o palácio e a sua loggia.


DB – A vinha industrial em primeiro plano e o palácio e a sua loggia ao fundo.


AB – O jardim de buxo, as trepadeiras, o laranjal, os arbustos, a sebe, e a casa de fresco ao fundo.


DB – O jardim de buxo, a vinha industrial, e a casa de fresco ao fundo.


AB – O jardim de buxo, a sebe e a loggia.


DB – A terraplanagem que aqui aparece destruiu totalmente o sistema hidráulico, de rega por gravidade, que ainda regava o jardim.


Os azulejos hispano-árabes originais foram substituídos por cerâmica industrial.
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As imagens AB foram todas retiradas do site da DGEMN. As imagens DB foram recolhidas por mim em visita ao local no ano de 2001.

24.6.07

A coisa

Os déspotas iluminados que regem a Europa lá conseguiram – a custo, pois parece que os coitados passaram uma noite quase em branco – arranjar maneira de contornar o incómodo de referendos perdidos. A “coisa” passa a chamar-se Tratado, apesar de ser essencialmente igual à mesma coisa chamada “Constituição”, e assim não irá necessitar de ser aprovada directamente pelos incultos povos. Claro que nada disto é dito para já, ficando-se o Sr. Pinto de Sousa por um “não é momento adequado para falar de referendo, vamos esperar que o tratado (a “coisa”) esteja no papel para se discutir”. Quando finalmente a desejada “coisa” aparecer escrita em linguagem jurídica é óbvio que, como afinal até nem é uma constituição, não será impedida no seu iluminado caminho pelo gentio povo. Assim se tem feito a “magnífica” construção europeia, ano após ano num segredo mais bem guardado que as cerimónias maçónicas.

22.6.07

Omnipresença

Começa a ser difícil fugir ao sufocante cerco da presença de Joe Berardo. As OPA´s sucessivas (Sogrape, BCP, Benfica) e a inauguração, na próxima segunda-feira, do Museu com o seu nome inundam a imprensa com notícias e entrevistas. Pena é que todas esqueçam a barbárie que o senhor "comendador" fez na Quinta da Bacalhoa, destruíndo um dos poucos jardins renascentistas portugueses para plantar vinha. Sim, para quem já esqueceu, o senhor até ignorou um embargo do IPPAR sem que isso tivesse consequências. O grande herói português está aí, na modernidade do preto e na arrogância de quem sabe que o dinheiro é poder.

19.6.07

Coisas do tempo

Parece que estamos a chegar ao Verão, anunciado por este inclemente e escaldante sol abrasivo. As praias enchem-se e mais se assemelham a um cheio formigueiro. Os agricultores correm em pânico ao ministério em busca de indemnizações pela seca. Os bombeiros desesperam exaustos pela avalanche de fogos que carboniza a floresta restante no país. Pequenos proprietários choram a perda das suas casas pelas chamas. Os alertas vermelhos sucedem-se na televisão e idosos caem inanimados pelas ruas desertas do Alentejo. A ironia pode até ser uma coisa engraçada, mas afinal que merda de tempo é este?

13.6.07

Uma frase do debate

“Há várias formas de bombardear uma cidade: uma é como os americanos fizeram em Bagdad, a outra é votar em qualquer um dos outros candidatos que concorrem a esta eleição.”
José Pinto Coelho

Datas III

Este magnífico produto – que continua a ser assíduo no meu lavatório – cumpre hoje 75 anos de existência.


Sincero obrigado à família Couto.

Datas II

Fernando Pessoa nasceu há 119 anos.

Fresta

Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,

Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado

Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.

Datas I


O Santo António de Lisboa morreu há 776 anos.

12.6.07

Boa companhia para jantar


Monica Bellucci

Ao fim da tarde, junto a uma fonte em Alfama, antes de partirmos em busca da sardinha assada.

Belas Agendas

Há a ideia corrente que os ministros são pessoas atarefadas, de agendas preenchidas, com o tempo contado ao minuto durante exaustivos dias de trabalho. Nada mais errado, pelo menos a avaliar pela súbita e pronta disponibilidade do ministro Mário Lino para receber uma dezena de autarcas, preocupados com a mera possibilidade de ver fugir o aeroporto das suas terras. O motivo desta reunião tinha umas escassas doze horas de existência, pelo que podemos concluir que ministro parece estar com falta de trabalho.

11.6.07

Diálogos Imaginários

– Charles, não sei porquê, mas hoje parece-me estar dia de gaspacho. Acha possível improvisar um?
– Com toda a certeza, menino. Já tinha pensado na eventualidade e comprei tomate, pimento e pepino.
– Em definitivo já não concebo uma vida aceitável sem a sua presença, Charles.
– Ora essa, menino. Não diga essas coisas.
– É verdade, Charles. É mais pura verdade.

Será que se tratou?

O ministro Mário Lino veio hoje recuar dizendo que «O Governo continuará a promover todas as acções necessárias ao desenvolvimento do projecto sem tomar qualquer decisão». Muito longe do gritado “jamais” na margem Sul, fica no entanto a dúvida se não será apenas uma manobra de distracção para decidir pela Ota em termos supostamente mais democráticos, é que custa a crer que uma Otomania se cure assim tão depressa.

8.6.07

Consequências da Perigosa Otofobia

Parece que os socialistas, paranóicos com o mais leve sintoma da doença que designam de Otofobia, se preparam para encarcerar para testes psiquiátricos o ex-ministro Augusto Mateus. Ao que consta, o Largo do Rato foi invadido por uma devastadora incompreensão de como “um deles” pode ter cometido o supremo sacrilégio de não louvar a Ota em cânticos de alegria, tendo inclusivamente provocado alguns desmaios a mera menção da hipótese Alcochete. Quando os médicos presentes se preparavam para algumas reanimações, eis que na rádio se concluía a notícia com a referência do ministro ao facto de os terrenos de Alcochete serem do Estado e, como tal, imunes a especulações e interesses obscuros. Nesta altura ouviram-se estridentes gritos de indignação, seguidos de duas ou três apoplexias que justificaram a pronta chamada de ambulâncias. Os porta-vozes do PS não proferiram qualquer comentário devido ao ataque de afonia nervosa de que foram vítimas dado o terrível choque.

5.6.07

O roxo impossível dos Jacarandás de Lisboa.

Lisboa, Junho de 2007

Terapia

Este país anda a dar-me azia. Agora dá-me para só falar de política e acho que estou a ficar um revoltado maçador. O melhor será comprar umas garrafas de Água das Pedras para consumir com avidez, pode ser que em conjunto com o sol, que enfim chegou, mitigue a indignação e acalme a revolta.

31.5.07

Esquerda "Dandy"

Pinto de Sousa que se prepare, pois a esquerda começa a entender-se até nos pormenores mais improváveis. Atentemos em Jerónimo de Sousa e Francisco Louça aquando do debate parlamentar de hoje, vestindo blazers beijes quase dignos, não fora um certo problema no corte, de uma esplanada trendy da Côte d’Azur.

30.5.07

Saudades

A propósito deste post do Réprobo ataca-me um súbito ataque de saudades. Não que me possa intitular de Viriato, já que me não lembro de grandes contendas no meu ano salmantino, mas por recordar a magna “Plaza” onde todos os dias, como num ritual sagrado, passava fosse qual fosse o destino. Reparo na graça dos candeeiros, no estilo rebuscado dos canteiros e do lago, hoje inexistentes, e julgo ouvir a banda tocando um hino solene. Os rapazes lusos estariam decerto emocionados, reconhecidos pelo raro tributo das gentes de Castela. Tudo isto me traz saudade, essa palavra tão felizmente nossa, e faz pensar no post anterior: realmente o que teimamos nós em ver e gostar no nosso país? Acho melhor começar a amealhar uns trocos para a terapia que poderá ser necessária mais breve do que pensava.

29.5.07

Coisas de árvores

Aqui pelas lusas terras foram abatidos sem clemência cerca de 200 plátanos e jacarandás do jardim do Campo Pequeno. Não estava previsto em projecto, não foi discutido a tempo e foi apresentado como facto consumado.
Por terras espanholas o projecto para o Paseo del Prado em Madrid, da autoria do arquitecto estrela Siza Vieira e que previa a destruição de 900 árvores, foi atempadamente apresentado ao público, discutido e combatido, nomeadamente pela Baronesa Thyssen que ameaçou amarrar-se a uma árvore para impedir o seu abate. O arquitecto foi obrigado a descer do seu trono distante, contra vontade, e alterou o projecto poupando as árvores.
Nestas alturas questiono porque ainda vivo em Portugal e continuo, apesar de tudo, a gostar. Idiossincrasias minhas, é o que é.

28.5.07

Lembrete

O ministro Lino usou uma bela metáfora relacionada com o cancro no pulmão e consta que foi aplaudido pelo senhor Pinto de Sousa. Um certo ministro Borrego saiu do governo por causa de uma pequena anedota sobre hemodializados.

Coisas Bizarras

Dar por mim a ouvir Kim Wilde enquanto me abano na cadeira.

Democracias

O magnífico Chavez resolveu – em nome dos valores democráticos, como é evidente – fechar o maior canal privado de televisão da Venezuela. Esperam-se reacções indignadas dos agitadores do costume e manifestações organizadas pelo inefável Bloco. A não ser que desta vez vão discretamente fazer por esquecer resguardando-se no recato do lar, é que aos heróis tudo se perdoa, até a infâmia

A Taça é verde. Bravo!

O Estádio Nacional estava, apesar da falta de sol, magnífico como sempre.
A Taça é verde.
Pode ser Veuve ou Bollinger, desde que fresquinho.
Bravo!

A ler e reter

Sobre a taça e o Sporting.

24.5.07

Delírio

O mais assustador na demência obsessiva de Mário Lino não é um eventual desrespeito pela margem Sul e por quem lá vive, o que é delirante é o facto de o argumento usado funcionar em sentido contrário. A inexistência de infra-estruturas em redor de um aeroporto só facilitará a sua implantação, baixando o seu custo e promovendo ainda o desenvolvimento do “deserto”. Por isso fica a dúvida, terá sido Dão ou Douro?

23.5.07

Anúncio

“Político de grande envergadura, mas baixa estatura, procura emprego consentâneo com as suas habilitações. Resposta para a Rua de S. Caetano.”
Após a notícia da candidatura de Carmona Rodrigues este anúncio será divulgado a curto prazo.

Terá enlouquecido?

O ministro Mário Lino apresentou hoje um argumento definitivo em favor da Ota: «O que eu acho faraónico é fazer o aeroporto na Margem Sul, onde não há gente, onde não há escolas, onde não há hospitais, onde não há cidades, nem indústria, comércio, hóteis e onde há questões da maior relevância que é necessário preservar.»
Ao ouvir isto começo a lembrar-me dos magníficos resorts que rodeiam a Ota, dos famosos hotéis da Abrigada, do enorme hospital de Alenquer, da grande metrópole de Aveiras de Cima, dos Centros Comerciais da Aldeia Galega, das fábricas de Aldeia Gavinha, do perímetro industrial da Carnota. A Ota é um enorme pólo de desenvolvimento e o maior problema da sua escolha é que em poucos anos voltemos a ter um aeroporto no centro de uma grande cidade.
Perante tudo isto fica o espanto, mas resta a hipótese de que, uma vez que a declaração foi feita num almoço, o ministro se tenha dedicado de forma demasiado profunda ao estudo vinícola de Portugal. Assim tudo isto poderia ter algum motivo para sorrir, caso contrário apetece chorar.

22.5.07

Haja esperança

Ouvir ontem, no Prós e Contras, Paulo Varela Gomes e Gonçalo Ribeiro Telles fez-me acreditar que afinal a mediocridade e a acefalia não se generalizou. Infelizmente domina os cargos políticos, mas ainda há quem pense livremente e com ideias, e que ache que isto está a caminho do abismo mas ainda lá não chegou, e que ainda podemos salvar este território cada vez mais mal frequentado. O problema é que são poucos os que os ouvem, poucos os que percebem que aquilo é, de facto, verdade. Daqui a uns anos será a ladainha do costume: que tiveram razão antes de tempo, que eram ideias difíceis de concretizar, que o Lisboa não podia parar, que, que, que. Aí pouco restará de Lisboa, mas que importa isso perante o suposto desenvolvimento.

Não quiseram dia oito…

A nova data das eleições para Lisboa – 15 de Julho – vai ser excelente, pois assim já está definido o grande vencedor das eleições intercalares. Menos de quarenta e cinco por cento já será uma enorme derrota para a abstenção.

21.5.07

A Socratette

Apesar de algumas tentativas em contrário, ainda vai havendo quem tente mostrar que vivemos numa democracia. Isto a propósito da deliberação do Tribunal Constitucional de impedir que a data das eleições para a Câmara de Lisboa fosse a marcada pela Socratette Governadora Civil. Claro que esta magnífica criatura continua a achar que decidiu muito bem, o que a fará, a médio prazo, conquistar uma secretaria de Estado ou afim.

Orwell

Parece que agora temos aprendizes de bufos e tentativas de sanear professores por contar anedotas sobre o nosso Big Brother. A coisa promete. Depois de silenciar os jornalistas quanto ás notícias da sua “não licenciatura”, o nosso Pinto de Sousa – através da sua malta – quer calar o país. Isto anda bonito, anda. Depois ficam espantados do Salazar ganhar concursos.

18.5.07

Uma certeza

O futuro do PSD em Lisboa é Negrão.

Outra certeza

O futuro de Marques Mendes no PSD é Negrão.

Procura-se

Primavera à antiga, sem passar de neve na Serra da Estrela a canícula em Lisboa em apenas três dias.

Teoria da conspiração, ou não.

Chega-me à memória uma notícia com umas duas semanas, em que se dava conta dum projecto do governo de criar uma área especial de intervenção, ao exemplo da Expo98, para a zona ribeirinha de Lisboa. Esta área de intervenção teria uma gestão individualizada, com plenos poderes sobre a Câmara e o Porto de Lisboa. O nome que se falava para dirigir era, curiosamente, José Miguel Júdice.
O grande plano de revitalização da Baixa-Chiado tinha como especialista para a área de arquitectura o mesmo arquitecto que tem uma panóplia de obras em curso, ou em projecto, na cidade de Lisboa, e que curiosamente se chama Manuel Salgado.
Apetece dizer – citando a grande erudita portuguesa da contemporaneidade, Margarida Rebelo Pinto – “Não há coincidências”.

16.5.07

Fogos

O governo da Nação aceitou dispensar o seu número dois em nome dos interesses partidários nas eleições em Lisboa, numa ordem de prioridades que vai sendo costumeira. O que assusta é a irresponsabilidade de dispensar o Ministro da Administração Interna, responsável máximo do combate aos fogos florestais, em meados de Maio, ou seja, mesmo em cima do início da época de risco. Há que esperar que os novos programas de prevenção e combate sejam eficazes, mas o certo é que a face política dos mesmos sai de cena, deixando um limbo de responsabilidades no caso de algo correr mal. Os fogos deveriam ser uma prioridade absoluta e inquestionável do país, pena é que, governo após governo, sejam encarados como uma inevitabilidade e desvalorizados de forma infame.

15.5.07

And the winner is…

Os vencedores dos “Thinking Blogger Awards” deste blog são:

A Origem das Espécies
Bomba Inteligente
Estado Civil
Impensável
Portugal dos Pequeninos


Os prémios serão entregues, em data a anunciar, numa cerimónia com a presença de um representante do Governo Civil.

Agradecimentos II

Corado, e com as habituais covinhas, agradeço o “Thinking Blogger Award” com que a Maria teve a gentileza de me presentear. O smoking felizmente está impecável e preparado para as fotografias da praxe. Lembro que não preparei, como é habitual, discurso. Fiquemos por um singelo obrigado.

Agradecimentos I

Ao Réprobo pelo simpático link para este blog no seu “As Afinidades Efectivas”.

1000


Valerá uma imagem mais do que mil posts?

Convento de las Dueñas, Salamanca 2002

A Canalha

A julgar pela decisão de marcar eleições para uma data que impede legalmente qualquer coligação e que dificulta ao máximo a recolha de assinaturas para candidaturas independentes, o Governo Civil de Lisboa merece um aplauso tão grande que se transforme em sova ou espancamento. A distinta lata de o fazer após se conhecer uma candidatura independente da área do partido do governo que, curiosamente, foi o que nomeou a dita Governadora, torna o facto relevante. Este PS consegue uma impunidade que, após o “affaire” Sócrates, já não espanta, mas no mínimo indigna.
Contra isto é essencial oferecer uma subtil, mas sonora, bofetada de luva branca, angariando as assinaturas que permitam a Helena Roseta concretizar a sua candidatura. Visite o blog “Cidadãos por Lisboa” onde poderá encontrar a declaração de propositura a assinar e os endereços e contactos necessários.

Pena

Estava já a pensar combinar um lanchinho ali para os lados de Santo Antão, visitando o Sr. Brito para umas cervejinhas e talvez uns croquetes, quando me lembro que pela minha teimosa e persistente ligação “à terra” lá me encontro recenseado, o que me impede de contribuir com a minha assinatura para concretizar a candidatura de Roseta. Ficará o lanche para outro dia e o inferno com mais uma boa intenção

11.5.07

Queimados

Antes que cheguem os fogos, Pinto de Sousa resolveu tentar imolar António Costa numa candidatura em Lisboa. Mesmo que ganhe, sairá chamuscado a médio prazo pelo erro de casting que é, e não passará muito tempo até que o sólido número dois passe a embaixador de qualquer coisa no estrangeiro, fazendo companhia a outros notáveis queimados como Carrilho ou Ferro Rodrigues. Pinto de Sousa pode não ser engenheiro, pode até não ser culto, mas parece que andou a ler umas coisas do senhor Maquiavel.

Proto-candidatos

António Costa e Manuela Ferreira Leite são os dois pesos pesados de quem se fala. Grandes escolhas sustentadas num enorme interesse em Lisboa e num conhecimento sedimentado dos problemas da cidade. São projectos e ideias conhecidas, conceitos de cidade e do que ela deve ser, indispensáveis a uma campanha de curta duração sem tempo para grandes estudos. Lisboa ganhará mais um presidente que sabe o que quer, a exemplo de Santana Lopes ou Carmona Rodrigues com os seus projectos sustentados e coerentes para a capital.

Que mulher!



Agatha Christie a fazer surf no Havai.
A fotografia é real e figura na sua Autobiografia.
Uma delícia.

Pesos e medidas

“…Se você mesmo duvida que haja algo especial, faça-se as perguntas que eu sempre me faço: por que o Papa causa mais escândalo e ódio, por que ele é mais vítima de calúnias e idiotices (por exemplo, a foto da capa do Globo de hoje, que o mostra pisando no Brasil com o pé esquerdo e aludindo ao fato) do que outros líderes, digamos, “espirituais”? Já observei que ninguém enche o saco do Dalai Lama por causa do celibato do budismo tibetano. O jejum católico é sinistro, mas o festival de cacetadas que é a prática do budismo zen é supostamente algo profundíssimo. E, é claro, fazer dieta só para ficar muito magro: coisa naturalíssima. Se Al Gore (que até o fim dos anos 90 era o modelo universal de idiota, lembram?) diz que você tem que fazer milhões de sacrifícios em nome da prevenção do “aquecimento global”, tudo bem; mas se o Papa sugere que você seja um cara mais paciente, e não se entupa de comida, ele está ameaçando a sua liberdade. Isso porque ele nem pode passar leis nem cobrar impostos.
Todos os filisteus do mundo odeiam o Papa, e isto é quase uma prova suficiente de que Deus está do seu lado.”
in O Indivíduo

10.5.07

Bravo

Helena Roseta apresentou-se como candidata independente à Câmara de Lisboa. Por aqui já se escreveu sobre a indiferença perante os partidos no que ás autarquias diz respeito, não é preciso memória muito apurada para recordar as calamidades que o “bem intencionado” Abecassis fez em Lisboa, para perceber bem a importância (pouca) da filiação partidária num bom trabalho autárquico. Muito mais importante do que ser de esquerda ou direita é ter um projecto e uma ideia para a cidade. Acredito que Helena Roseta terá essa ideia de cidade para Lisboa e basta que encontre uma equipa adequada para protagonizar um projecto sólido para a capital. Não sei se vai ser a melhor candidatura a ir a votos, mas coloca desde já um patamar de exigência que obrigará os partidos, e outras eventuais candidaturas independentes, a escolher personalidades credíveis.
O espectáculo degradante que os partidos ofereceram em Lisboa – lembremos a saída de Nogueira Pinto, o abandono de Carrilho, a novela da queda do executivo – merecem uma penalização, por isso mereciam que candidaturas independentes ganhassem força e os derrotassem nas urnas. Lisboa não deve ser o palco de irresponsabilidades por parte de partidos em constantes duelos tácticos que nada têm a ver com a cidade. O estado da Câmara é de tal modo calamitoso que será muito mais fácil a candidaturas independentes criar entendimentos que permitam uma governação em estado de emergência para os próximos dois anos.
Adivinho já os comentadores mais cegos a insistirem em ver a política autárquica como um reduto de ideologias (ler interesses) partidárias(os) procurando em Roseta defeitos terríveis que deitem abaixo, quanto possível, a sua candidatura. Assim é sempre, pois os partidos são sempre maus, mas quando surgem movimentos apartidários, ou próximo disso (não esquecer que até ontem Roseta era filiada no PS), há sempre qualquer coisa “terrível” que leva a uma cruzada pela sua destruição. Por isso a nossa democracia assim vai andando, de desastre em desastre, com o mesmo sistema partidário de há 30 anos, com uma média de 35% de abstenção, e com a alegre conivência da nossa “inteligentzia”.

Por Lisboa

A propósito de Lisboa, cheguei, via O Carmo e a Trindade, a esta petição a propósito da destruição das árvores do jardim do Campo Pequeno. Não é coisa pouca deitar abaixo quase duzentas árvores de porte admirável por supostas, por não comprovadas, questões fitossanitárias. Numa cidade em que os espaços verdes vão rareando, é uma indignidade rebentar com um jardim inteiro para depois o reconstruir. Quantos anos passarão até este jardim voltar a ter o aspecto a que nos habituámos?

Aznar e o vinho

Agora que os seus tempos de governo já passaram, Jose Maria Aznar está em grande forma libertária. Este vídeo é absolutamente imperdível.

9.5.07

Diferenças

Mário Lino fez questão de mostrar a diferença em relação a Pinto de Sousa, ele é, de facto, licenciado em Engenharia e está inscrito na ordem. Pena é que em matéria de Ota a obstinação seja comum.

7.5.07

Procura-se

Presidente do partido mais votado nas últimas legislativas, que esteve estranhamente ausente da campanha para as eleições de uma região autónoma – desencadeadas por reacção a uma lei aprovada pelo governo que lidera – onde o seu partido conseguiu um digníssimo resultado de 15% dos votos. Ouço falar em cobardia, mas não creio, talvez “putativa cobardia”, sempre encaixa melhor no perfil.

A quem de interesse

Muito falamos da nossa democracia como já sendo evoluída e consolidada, a quem ainda acredite nisso apenas um número: 15%. Foi esta a percentagem de abstenção nas eleições em França. Por cá, 35% já é tido como um valor razoável. Tudo está de facto bem, na nossa saudável e participada “democracia”.

Jardim

Para desespero do politicamente correcto, Alberto João lá deu mais um “Bailinho da Madeira” a toda a oposição, que triturou com 64% de votos. Falem dos défices democráticos que quiserem, mas que eu saiba na Madeira o voto ainda é secreto, ao contrário de alguns partidos “democráticos” onde ainda impera o braço no ar…

Descoberta do dia

Afinal o PND existe e elegeu um deputado na Madeira. Talvez o senhor Baltazar Aguiar se devesse candidatar a presidente do partido, pois pelo menos conseguiu mais do que o inefável Monteiro vem conseguindo nos últimos tempos: ser eleito.

4.5.07

Lisboa

Politicamente, Carmona parece alguém que já morreu mas a quem se esqueceram de avisar. Qual D. Sebastião em Alcácer-Quibir, Carmona resolve lutar contra todos, no que seria uma atitude de homem, não fora o pequeno facto de, com essa coragem, atirar Lisboa para o absoluto desgoverno. Não deixa de ser um daqueles casos que em abstracto teria graça, mas que na realidade apetece gritar: “tirem esse homem daí”.

Cretinices

A inefável senhora Câncio decreta hoje no DN, com a originalidade de pensamento habitual, que não compreende o escândalo por as coimas por consumo de drogas duras ser mais baixa do que a que se prevê para os fumadores. Segundo a senhora e um problema “elementar” de raciocínio achar que, e cito, “o uso das drogas ilegais é em si um mal terrível, independentemente de só prejudicar quem as usa, sendo impensável que se lhe aplique um castigo menos severo que a quem impõe o fumo de uma droga legal a terceiros.” Obviamente não ocorrerá à senhora Câncio que, talvez por um acaso excêntrico, as drogas duras também levantam problemas de saúde graves. Imagine por exemplo que está num bar e ao seu lado alguém saca de uma seringa para um “chutozinho” de heroína, lá faz o caldo, com emissão de gases por acender o isqueiro que prejudicam a qualidade do ar dos presentes, e injecta o produto. Retira a seringa e, azar seu, leva um encontrão e cai em cima do “drogadito” enfiando a seringa no seu braço. Será que a criatura tem SIDA? É realmente muito mais perigoso para a saúde levar com um bafito de tabaco, obrigado senhora Câncio por me iluminar o raciocínio.

3.5.07

Diálogos imaginários

– Charles, já não sei o que faça com este tempo indefinido. Tanto me apetece vestir só uma camisa de algodão como fico com desejos de uma camisola de lã.
– Está complicado, menino, está muito complicado. O senhor S. Pedro este ano está muito caprichoso.
– Simpático como sempre, Charles, eu diria que ele não anda é bom da cabeça. Já agora, mantenha o cobertor que acrescentou porque hoje dormi muito bem.
– Com certeza, menino.

E agora, Lisboa?

Após a demorada queda do anjo Carmona o que pode esperar Lisboa? Com a Câmara em frangalhos quem quererá pegar nela para governar durante curtos dois anos?
Será difícil piorar a total deriva em que o cacilheiro andou, ainda assim há sempre essa hipótese, infelizmente há sempre a hipótese de ir a pior. E com alguns nomes de que se vai falando…

30.4.07

Ironias

A extrema-esquerda acha intolerável que a liberdade permita que existam cartazes como o do PNR no Marquês. A extrema-esquerda acha intolerável que a liberdade, através da polícia, não permita que os seus jovens representantes invadam e destruam a sede do PNR. A ironia de tudo isto é de uma finesse irresistível. O PNR, que é contra a liberdade de expressão, usa-a para se promover em cartazes racistas. A extrema-esquerda, que se diz a favor da liberdade de expressão, acha que ela tem limites e não devia permitir os cartazes do PNR. Tão longe, contudo tão perto.

Serenidades

Pinto de Sousa continua impávido, Carmona Rodrigues impávido está. E o país segue, numa impávida deriva ética e moral.

República

A comissão para a comemoração dos cem anos da implantação da república quer reconstituir a mitologia republicana. Esperemos que tal não inclua assassinar o Sr. D. Duarte de Bragança ou instaurar uma ditadura de rua sem rei nem roque ás ordens se um Afonso Costa ressuscitado.

26.4.07

Lembrete

Apesar do banho de lixívia branqueadora que inunda o país, convém não esquecer que o caso Pinto de Sousa/UNI ainda não foi de forma alguma esclarecido. Infelizmente, parece que a lixívia é de boa qualidade e as notícias vão desaparecendo, num bom exemplo das conquistas de Abril de que tantos falam. Ao menos a PIDE era mais transparente nas técnicas de silenciamento, mais bruta sim, mas mais transparente.

O 25

O nosso Presidente quer que a comemorações do 25 de Abril sejam diferentes e que os jovens o compreendam. A ideia será louvável, mas enquanto algumas criaturas estiverem vivas será impossível melhorar a visão histórica dos jovens sobre a revolução. Pelo menos de forma séria, já que será difícil de explicar a um jovem lúcido que estimáveis bombistas como Isabel do Carmo ou Otelo tenham sido condecorados pelo Estado e tidos como heróis da revolução. Isto para não puxar muito pela memória de outros admiráveis democratas que por aí andam a defender a liberdade. A deles e dos seus, como é evidente.

Uma vez toureiro, sempre toureiro.

A corrida decorria bocejante, perante a falta de força e bravura dos touros, quando chegou o sobrero da ganadaria de Torrestrella, que substituiu o quarto devolvido por invalidez. Sai à praça César Rincón, toureiro colombiano no final de uma brilhante carreira, em tempos em que o fulgor lhe parecia fugir e em que a banalidade tomava conta das suas faenas. O touro prometia algo, pelo menos algo mais do que os anteriores, e Rincón avançou decidido com a muleta para o lidar. Esta era a sua última corrida em Sevilha, praça de gratas memórias e uma das catedrais do toureio. Iniciou a faena com cites largos, dando toda a vantagem ao touro, toureando com tanta seriedade que os pitons corriam em tangentes ao seu peito. O toureio de Rincón sempre foi de coragem e verdade, sem artifícios de suposta valentia, puro. As primeiras séries com a direita foram canónicas, belas e poderosas. Cheirava a triunfo e a praça gritava olés a acompanhar cada passe sobre um respeitoso silêncio ensurdecedor. Começou uma série com a esquerda, com o toureio dito ao natural, onde o touro ainda mais vantagem ganha perante a exiguidade do pano com que é lidado. Uma vez mais a verdade, que foi tanta que o touro o apanhou e o lançou ao ar qual boneco de trapos, caído desamparado de má maneira e temendo-se o pior. A praça silenciou, num momento sepulcral em que se ouviria um alfinete a cair, e revolveu-se de imediato, em pânico pelo acontecido. De pronto o toureiro foi socorrido pelos bandarilheiros e pelos colegas, pondo-se de pé. Mas cambaleava, e coxeava, e estava aparentemente pronto para seguir para a enfermaria. O público ovacionava a coragem, quando começou a protestar ao ver Rincón tentar avançar para o touro enquanto os colegas o procuravam refrear. Nada explica esta valentia quiçá insana, nada explica o sangue que corre nestas gentes que jogam a vida perante bestas cheias de bravura. Rincón lá se libertou e seguiu para o touro, ainda coxeando, ainda cambaleando, talvez um pouco mais desperto pela água que lhe passaram na cara. A praça estava em convulsão, entre o respeito pela coragem e o medo da inconsciência. O toureiro seguiu tranquilo, com se nada se houvera passado, com passos elegantes em direcção ao touro. Parou, citou, e continuou a tourear como antes, como se a faena aí começasse, arrimado, puro, com o touro a passar de novo à mesma distância do seu peito, com a seriedade respeitosa de quem admira o oponente mas se sabe capaz de se opor a ele. Pela direita e pela esquerda, com uns preciosos ayudados para terminar a faena. O público delirava e vergava-se perante um enorme toureiro, à antiga, um artista de valentia, um dos que melhor junta alguns dos mais essenciais adjectivos de um toureiro: corajoso, sério, artista. Chegava a hora da morte, momento de grande perigo para o toureiro – que tem de se expor para tentar colocar a espada no sítio correcto – e onde se joga o triunfo de uma lide. Rincón perfilou-se e, em vez de entrar a matar, citou o touro para o estocar a receber. A sorte é assim ainda mais difícil e arriscada, e a espada não entrou, batendo em algum osso que se interpôs no caminho. O público aplaudiu a tentativa, em especial por hoje ser raro quem escolhe esta sorte para terminar a faena. O toureiro perfilou-se de novo e, na mesma sorte, chamou o touro e deu-lhe uma estocada inteira e letal, magnífica. O touro morreu de pronto e a praça levantou-se em vibrantes aplausos. Sevilha é praça exigente, mas quando se vê perante o grande toureio recompensa como poucas a sua arte. No dia vinte e quatro a Real Maestranza de Sevilha veio abaixo, pois viu-se perante um toureiro grande, daqueles que escasseiam, daqueles que nos fazem tremer, daqueles que fazem da tourada um momento sublime.

23.4.07

Primaveras

Este país está a fazer os possíveis para que a primavera fulgurante que se vê da janela não tome conta de mim. São as sucessivas trapalhadas do Sousa, as inconsequentes palestras do Silva, as delirantes nomeações do Moura, as previsíveis vitórias do Portas, enfim, esta sensaborona política quotidiana, que apesar de chata nos envolve como claras em castelo e nos tenta fazer esquecer que há um mundo, e até um país, para além disso. Antes de entrar neste estado catatónico opto por fugir um pouco até ao Alentejo, fonte inesgotável de tempo e beleza, tentando ainda apanhar o feérico primaveril dos campos pintados por flores impossíveis. Talvez esqueça o resto do país e consiga assim melhorar os humores pensado apenas em paisagens e pessoas, afinal algo infinitamente mais interessante do que a mediocridade que nos governa.

20.4.07

Tudo normal no reino de Portugal

O governo atira para o ar a hipótese de fazer um aeroporto de recurso enquanto a Ota não é concluída, sem no entanto estudar devidamente outras hipóteses que podiam estar prontas antes e serem definitivas. Nada de grave, afinal, mais milhão, menos milhão, sempre é uma forma de combater o desemprego. E o povo que pague os disparates…

Tudo normal no reino de Portugal I

O magnífico Pina Moura continua a sua caminhada rumo a um poder cada vez mais absoluto. Para além da presidência da Iberdrola, foi agora nomeado administrador da Prisa. Já roça o descaro o percurso profissional deste “socialista”, o que não surpreende numa espécie perigosíssima que é um comunista convertido ao capitalismo. Big brother is watching you…

19.4.07

Boa companhia para jantar


Lauren Bacall

Ainda a Páscoa da cidadania

A montanha Independente pariu um rato silencioso, sem rasto da bomba anunciada. Um dia de adiamento e parece que o fogo se apagou do rastilho, uma vez mais de forma normal, como tudo o resto. Esperemos uns tempos, até que a poeira assente, e veremos um Fénix Independente a renascer das cinzas com um subtil beneplácito do governo. Com tanto silenciamento, qualquer dia o Sousa não pode sair à rua sem que alguém lhe venha cobrar algo. Sim, porque estas coisas pagam-se, mais dia, menos dia.

17.4.07

O Homem-Duplicado

Duas notas biográficas, dois certificados de habilitações, dois professores, dois reitores. Será que ainda vamos descobrir que tem dois cursos?

O Estado do Sítio

Nota introdutória:
Esta é uma circular interna dos serviços de manutenção da Estação Florestal Nacional (EFN), organismo pertencente ao Instituto Nacional de Investigação Agrária e das Pescas (INIAP), por sua vez dependente o Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas (MADRP).
Este documento não me chegou via cadeias de e-mails, foi-me enviado por alguém que trabalha nesta instituição e que ficou estupefacto com o seu conteúdo. O nome foi do remetente omitido.

"EDIFÍCIO EFN

De: *****
Para: EFN ‑ Oeiras
Data: 04-04-2007
Assunto: MANUTENÇÃO – SUSPENSÃO do CONTRATO de LIMPEZA


Informação/Solicitação

Conforme Nota interna da Direcção, ficámos a saber que apesar dos esforços e iniciativas efectuadas para o evitar, foi mesmo suspenso no dia 02 de Abril, segunda-feira, o contrato de limpeza do edifício EFN.
Embora continuem as iniciativas para repor a normalidade, dada a relativa gravidade da situação e desconhecendo-se a sua duração, impõem-se algumas alterações relativamente aos hábitos e regras vigentes, que minimizem os efeitos desta alteração nas condições de utilização do edifício:

PROCEDIMENTOS NECESSÁRIOS

-- Assegurar a limpeza do seu próprio gabinete.
-- Assegurar e utilizar o seu próprio “kit” de higiene (ex.: Papel higiénico, sabonete, toalha de rosto).
-- Ser responsável por todo o seu lixo até o depositar nos contentores públicos (ex.: Lixo da papeleira do gabinete, pensos higiénicos, toalhas de papel. etc.).
-- Redobrar os esforços no sentido de manter limpas as casas de banho.

Os melhores cumprimentos de

MANUTENÇÃO "

PS: De notar que antes desta circular foi proposto que cada trabalhador/investigador contribuísse com 5 Euros para efeitos de limpeza.