27.8.07

Verão

Este Domingo foi de verão, não do sério, de sol impenitente e escaldante, mas do que permite ter luz, e estar junto ao mar, e até conseguir agradáveis mergulhos. Claro que sucedeu a um belíssimo sábado “Bergmaniano”, de nuvens intensas e escuras, de borrifos de chuva convictos e fim de tarde plúmbeo e adequadamente neurótico. Este verão anda um pouco “cinicozinho”, e irritante também.

Destaque

As crónicas venezuelanas de Ferreira Fernandes, no DN, são um magnífico espelho do Admirável Mundo Novo “chavista”. A ler e a reter, e a emprestar ou enviar por e-mail para o mainstream de esquerda anti-americana que vê em Chavez, como viu em Guevara, o farol guia contra o capitalismo e o modelo de virtudes humanas e governativas a espalhar pelo mundo.

23.8.07

Para hoje ao fim da tarde


Após encher os copos com um bom vinho branco.

"Junto à Costa de Capri"
Copyright: JK/Magnum Photos

Regresso

As chegadas de férias fazem-me desejar que o meu corpo fosse como um relógio de parede, em que para acertar as horas bastasse rodar os ponteiros e dar corda.

21.8.07

Eco III

Perante o acto terrorista deixa de interessar a discussão sobre o milho transgénico. Os selvagens até podem ter razão, mas isso não lhes dá o direito de violar a propriedade privada. Seria o mesmo que, com argumentos de sanidade pública, eu invadisse a casa dos terroristas e os obrigasse a tomar um longo banho, incluindo a lavagem do cabelo. Teria muitas razões para o fazer, mas, em nome de uma sociedade democrática, devo respeitar a sujidade das criaturas.

Eco II

Aos ecopatetas, agora perigosamente convertidos em ecoterroristas, gostaria de lembrar que ecologia não é uma corrente política, é uma ciência. Também convém perceberem que nenhuma ideologia defende melhor os valores ecológicos e ambientais dos que aquela que tanto detestam, a dos conservadores.

Eco I

A recente chegada de férias tinha-me impedido de tomar conhecimento de mais um passo no curto caminho para a decadência deste país. Talvez inspirados nas ocupações retratadas no filme “Torrebela”, agora em reposição, um bando de patetas com ego inflado pela extrema-esquerda resolveu, perante a observação, e quiçá apoio moral, da GNR, destruir uma plantação de milho transgénico. Com a argumentação de uma desobediência civil ecológica, os perigosos idiotas encontraram uma alternativa à praia e organizaram mais uma festinha das que tanto gostam, com muitos jornalistas e a esperança de alguém lhes dar um par de estalos ou murros para se poderem fazer de vítimas da opressão. Que uma polícia venezuelana não interviesse, até compreenderia, agora que a nossa GNR assista impávida e serena e não prenda ninguém, já me parece digno de John Cleese. A dúvida sobre se vivo num país civilizado é cada vez menor, infelizmente pendendo para o lado oposto a Darwin.

20.8.07

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Regressado de umas outonais férias em Agosto, verifico com tristeza que ainda não se organizou nenhuma manifestação, ou abaixo-assinado, contra o impertinente e desprezível comportamento do anti ciclone dos Açores, ao resolver deslocar-se sem aviso prévio com a consequente remoção do verão do nosso país.

9.8.07

Momento intelectual em férias

Um copo de vinho branco fresco em esplanada frente à vetusta Casa Havaneza. Apressado, livro na mão, o vislumbre de Pedro Mexia a atravessar a rua. "Com os copos" de Miguel Esteves Cardoso sobre a mesa. Quem disse que as férias não podiam ter um certo toque intelectual?

7.8.07

Férias

Este blog encontra-se de férias no sítio do costume. As postas serão assim mais raras, perdidas entre a areia e o mar, as pevides e os tremoços, as imperiais e o vinho branco. Hoje, para matar saudades, uma nortada à antiga. Maneiras da praia que me acolhe lembrar a sua personalidade. E que personalidade.

3.8.07

A frase mais proferida no Ministério da Cultura.

“Quem será o senhor(a) que se segue?” (acompanhado por um sorriso aberto e um esfregar de mãos)

A senhora da (in)cultura

A prodigiosa estalinista que nos governa a cultura persiste na coerência de nos poupar à sua presença. Nos últimos tempos, em que já saneou quatro dirigentes de topo sob a sua tutela, apenas me recordo de a ver a montar um camelo e a abraçar-se a Berardo. Não que a sua presença seja agradável ou motivo de regozijo, apenas seria de bom-tom que assumisse publicamente as suas decisões e não empurrasse para a linha da frente os seus peões mais submissos. Talvez seja timidez, ou, tenhamos um pouco de esperança, vergonha pelos seus infames actos.

1.8.07

Época tola

Apesar do esforço para entrar em época tola, o país insiste em não mo permitir, Coisas de ser português e de habitar este local infrequentável de onde não quero sair.

Elogio da mediocridade

Citando Vasco Pulido Valente: “Triste país o nosso”.
O anúncio da demissão da directora do Museu Nacional de Arte Antiga é mais um passo no irreversível caminho para a mediocridade que este país insiste em trilhar. No espaço de pouco tempo o país, o Estado, deu-se ao luxo de dispensar três pessoas que se destacaram nas suas áreas muito para além da simples competência. Paulo Pinnamonti foi afastado compulsivamente do Teatro Nacional de S. Carlos por ter ousado conseguir, supremo ultraje, temporadas de uma qualidade de que não havia memória. Paulo Macedo foi afastado das Finanças por, desprezível insulto, conseguir arrecadar dinheiro impensável dos impostos.
Agora é a vez de Dalila Rodrigues, que estava a conseguir o prodígio de des-mumificar um museu parado no tempo alguns séculos atrás. Ela que resgatou os painéis de S. Vicente de uma sala recôndita e secreta, por certo para exclusivo usofruto dos trabalhadores do museu, para o topo nobre da escadaria. Ela que ousou juntar números inauditos de pessoas em conferências no museu. Ela que sempre estava em busca de novos públicos e quase duplicou o número de visitantes. Ela que estava a ousar conseguir belíssimas exposições periódicas, como a d’ “O Tapete Oriental em Portugal” que ainda ontem inaugurou. Ela que conseguiu importantes mecenatos que só não eram maiores por falta de autonomia administrativa. Ela que finalmente estava a dar a dignidade merecida ao nosso grande museu de arte. Ela que foi compulsivamente, e sem razão aparente, afastada do cargo directora do MNAA pela mão do Ministério da Cultura, esse antro de incompetência, invejas e mediocridade.
Neste país não compensa ser competente, neste país que ainda foi algo porque noutros tempos ousou ousar, hoje ousar é quase crime, justa causa para um despedimento sem contemplações. Assim vamos, num lindo caminho rumo a um poço sem fundo de miséria, de onde vai ser cada vez mais difícil, senão impossível, sair.

30.7.07

Verão

Após um glorioso dia de praia no Guincho, em que o calor só se aplacava com imersões refrescantes, aceito que chegou o verão. Este blog retoma a sua cor estival, o seu tom suave de areia mais adequado à época. Poderá também descambar para postas dignas da estação tola, um pouco por força do cérebro tender a derreter perante o calor.

Tempo

Estamos velhos quando reencontramos amigas que percebemos não ver há catorze anos.

27.7.07

Ainda a “alegada” licenciatura

Chego, via Impensável, a um artigo do The Independent sobre a alegada licenciatura de Pinto de Sousa. O texto será decerto classificado como mais uma peça de jornalismo deplorável, sem rigor e com uma má investigação e confirmação de fontes. Coisas que acontecem em países atrasados e com maus jornais que não têm uma ERC para os pôr na devida ordem.

25.7.07

Justiça

Aquando das presidenciais, muita gente amiga questionou o meu voto, ainda por cima convicto, em Manuel Alegre. Leio hoje um artigo seu em que se insurge contra a falta de liberdade e o amordaçamento da opinião no país. Nada mais certo, nada mais actual, ainda por cima com o vergonhoso arquivamento do processo Charrua e a continuidade impune da directora-geral que ainda por cima promoveu o bufo. Manuel Alegre é, ainda, do partido do poder e podia estar tranquilamente a usufruir das mordomias daí resultantes, no entanto, e uma vez mais, mostrou a coragem de ser contra-poder e escreveu um artigo que fará mais contra Pinto de Sousa do que um ano de Mendes ou Menezes. Tudo isto vem-me lembrar uma coisa, a justeza do meu voto. Quem ouviu, até hoje, palavras, ainda que remotamente parecidas, da boca do nosso Presidente da República? Muitas vezes são as pequenas atitudes que definem os homens.

24.7.07

Por momentos...

Leio no DN: "Pinto de Sousa acusado pelo Ministério Público". Sustenho a respiração e imagino o que o nosso primeiro-ministro possa ter feito para que, no estado em que as coisas estão, o Ministério Público tenha tido o topete de o acusar de algo. Linhas abaixo leio que são acusações de corrupção sobre árbitros e fico um pouco baralhado até perceber que a notícia se refere a um ex-presidente do conselho de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). O Pinto de Sousa afinal é outro, mas esta coisa dos jornalistas não escreverem devidamente as notícias leva a confusões manifestamente desnecessárias.

20.7.07

A não perder

Ainda a propósito do meu jantar de ontem, falou-se sobre esta música e corri ao You Tube na esperança de a encontrar. Prova superada e aqui está: "Something Stupid" de Frank e Nancy Sinatra, na versão portuguesa "Tu, Só tu" por Simone e Marco Paulo. Um mimo.