30.10.07

Link

Entrada para a coluna do lado do Hotel Mandovi. Para outra oportunidade ficam alguns comentários a propósito. Até lá, vai um Cold-coffee ao fim da tarde no bar do hotel, após passeio errante pelas ruas de Pangim.

Para lembrar um momento de génio



Dos tempos em que Herman era grande, o meu sketch preferido. À atenção de quem, justamente, acha que o Herman de hoje não tem graça, mas que, injustamente, se esquece dos muitos grandes momentos que lhe devemos.

26.10.07

Pudim por Pudim

O senhor Pudim tem andado a transtornar a vida dos pobres lisboetas que, em desespero com a prolificação de sirenes a apitar e de carros a dispararem no meio do trânsito, ameaçam esgotar os stocks de comprimidos para a dor de cabeça. A agravar a situação, o tuga-lisboeta desconhece que deve facilitar a passagem de ambulâncias e carros de polícia com pirilampos acesos, com resultado que, ontem, um energúmeno quase me abalroou quando eu simpática e civilizadamente procurava dar passagem a uma carrinha da polícia com as luzes azuis a piscar freneticamente.
Como tudo isto é uma grande maçada, eu cá mandava o senhor Pudim para a sua terra, onde todos se parecem habituar ao circo que o envolve e, caso não se habituem, podem sempre esperar receber um presentinho do senhor Pudim, talvez um radiante Polónio. Pudim por Pudim ficava antes com o nosso, o “à Abade de Priscos”, que sempre vai sendo mais doce, português e, essencialmente, muito menos maçador.

Europa

“Enquanto os Estados Unidos tentavam assumir a liderança com os resultados conhecidos, a Europa na sua versão jurídica e burocrática discutia em circuito fechado e procedia à sua tarefa preferida, de tudo regulamentar, desde a proibição das colheres de pau até à extinção dos "jaquinzinhos". “

Excerto de “A arte do possível” de Maria José Nogueira Pinto no DN de ontem.

24.10.07

Fiesta

Para comemorar nada melhor que os Pogues e a sua saudável loucura.

Quatro

Descubro, por puro acaso, que me passaram os quatro anos do blog. Esta coisa de as datas serem algo de difícil memorização – acabo de descobrir que o meu primo fez anos ontem e que, portanto, terei de lhe ligar de imediato – leva a isto, até me esqueço dos dias que directamente me dizem respeito. Nada de especial, só lamento a falta de um champagne para brindar com os leitores que persistem em aturar os meus desvarios e as inutilidades que por aqui se escrevem, afinal, nem mesmo eu sei porque persisto nesta teimosa tarefa de manter um blog e durante tanto tempo. Há algo de viciante num blog, que combato como aos cigarros mantendo uma dose cobarde e aceitável e evitando os excessos. Ainda assim não me entendo e não percebo como, sendo tão preguiçoso, consigo manter esta chafarica a funcionar. Prefiro pensar que serve a minha ginástica mental e que ajuda a que este cérebro não hiberne ao ritmo dos tempos cinzentos e desinteressantes que são os de hoje. Também ajuda perceber que alguns lunáticos, não levem a mal a franqueza, leiam o blog e, aparentemente, vão gostando do que lêem. Serão motivos para continuar? Talvez sim, ou talvez não, caso um dos meus famosos e proverbiais ataques de mau feitio me levem a ter um auto-zanga que me leve a deixar de escrever. Até lá, obrigado aos que me vão aturando.

.

Agradecimento ao Vide Bula pela referência a este estabelecimento vinda do outro lado do Atlântico. Entrada para a coluna do lado, assim como o Gattopardo, o novo blog de Pedro Mexia e Pedro Lomba, e o Somos Portugueses , um blog monárquico a sério.

23.10.07

Coisas do tempo

Reclamei que me faltou calor aquando do verão do calendário em que estive de férias. Reclamei com o verão veio fora de época e as férias eram já uma miragem. Hoje dou por mim a reclamar com as nuvens que querem lembrar que não estamos em Maio, apesar da temperatura. Lembro-me também que a hora está para mudar e terei de recorrer a muito chá verde da Gorreana para combater a ansiedade e a uns valentes copos para contrariar a neura de ser noite tão cedo durante o dia.
Gosto de reclamar, em especial porque vivo em Portugal e me posso dar a esse luxo, porque o nosso clima é uma delícia mesmo quando nos troca as voltas e piora um pouco. Mesmo quando é mau, é bom, pelo menos a comparar com o resto do mundo. Por isso reclamamos tanto com ele, somos como crianças mal habituadas e mimadas, prontas a guinchar de birra a qualquer contrariedade. Pelo menos eu sou.

19.10.07

Posta em tom de esquerda

O Barroso e o Sousa regozijaram ontem, acabando a brindar com um espumante cá da terra ao qual só faltou o caviar para acompanhar. O povo que se manifestava cá fora, em número quase igual aos votantes das últimas autárquicas em Lisboa, foi olimpicamente ignorado. Assim como o foi e será o restante povo, massa obscura e ignorante que convém manter no desconhecimento e na distância da festa, e mais ainda dos incompreensíveis motivos da festa. Pouco faltou para se ouvir uma tirada como a que é, e mal, atribuída a Maria Antonieta – se o povo tem fome que coma brioches – adaptada à lusa pátria, que poderia ser qualquer coisa como: se o povo não tem nada que fazer, incluindo trabalho e emprego, que se dedique ao Sudoku, que sempre exercita a mente.

18.10.07

As luzes

Eis que chega a famosa cimeira de Lisboa. Os Eurocratas herdeiros do despotismo iluminado lá se preparam para contornar a, supostamente, legítima vontade do povo, aprovando um Tratado Europeu com conteúdo semelhante ao que foi chumbado em referendo por dois países. Agora, todos chegaram a acordo – sob a liderança do “fugitivo” Durão Barroso, bem habituado às decisões democráticas dos seus tempos maoístas – de nada submeter ao ignorante povo , que não detém a capacidade de perceber as luzes da Europa nem as ideias impolutas e divinas que emanam de Bruxelas. Ouço muita gente que fala com grande ênfase de Democracia e de Liberdade a louvar o tratado com um fervor quase fanático, o que me traz cada vez mais dificuldade em compreender o significado destas duas palavras. Aproveitando o facto, sugiro que, por deliberação da cimeira de Lisboa, se alterem em todos os dicionários da União Europeia as definições de Democracia e Liberdade, é que com estas confusões semânticas as pessoas podem ficar baralhadas e assim já todos saberemos ao que vamos.

16.10.07

Músicas

Santana ocupou o seu tempo, após ter sido despedido, com aulas de piano; Duarte Lima é eminente organista; Mendes Bota já editou um disco como cantor. Música não irá faltar na nova direcção laranja, resta saber se será ao nível da tocada por Lima – erudita, por Santana – Pop, ou por Bota – estilo, enfim, a ter algum estilo é mesmo pimba.

Pesadelo

Ouvir dizer que nomes como Arlindo Carvalho, Mendes Bota ou Couto dos Santos ainda estão politicamente vivos faz-me recuar aos piores pesadelos dos tempos do cavaquismo, o problema é que agora que não temos o velho Indy para por esta gente na ordem.

12.10.07

A Bela Lisboa

Jacarandás
(junto à Sé)
Junho 2007

Censura?

Uma vez mais, um texto de Ferreira Fernandes para o DN: “A Censura que já tarda”.

“O espanhol, homem qualquer, sem dinheiro ou influências que fazem os abusos serem pagos caro, foi abusado pela modernidade. Pela Internet, que trouxe mais liberdades a todos, até aos canalhas. O espanhol tem um filho esquizofrénico, já quarentão, que por vezes faz tristes figuras que provocam risos alarves. Mas a proximidade do bairro e o freio dos homens bons ajudavam a que o insulto se circunscrevesse a alguns irresponsáveis. Agora, não foi assim. Uns energúmenos puseram no YouTube imagens do esquizofrénico a fazer de índio sioux. O pai, que esteve décadas a aguentar risinhos à socapa, desta vez acha que é de mais. O chegar a todo o lado e a irresponsabilidade que o YouTube permite deixam o espanhol impotente. Claro que este caso (e outros e outros que vão repetir-se) irá obrigar a antídotos. Nessa altura vai dizer-se que há censura. E eu digo: que já tarda. Porque me agrada a censura que interdita que me cuspam na rua.”

10.10.07

Delírios de quase Outono

Bárbaras barbaridades barbarizam a nossa já barbarizada existência.
Tornamo-nos selvagens para selvaticamente combater na bárbara selva, ou
aguardamos serenamente apelando à serenidade dos selvagens não serenos.
Serenar a selva bárbara é tarefa à medida de uma epopeia e isso,
isso é coisa de tempos antigos.

9.10.07

Blog de página em preto

Falta motivo, falta assunto, falta vontade. O blog segue preguiçoso e a meio gás. Ainda não chegou o Inverno do frio e das braseiras, justificação para indolências caseiras. O calor que segue não justifica tanto desinteresse, tanta preguiça. O país está chato e eu por arrasto estou chato, e para evitar chatear os outros não escrevo. Poupo-os assim a longas dissertações sobre religião, receitas novas experimentadas, vontade de recuar aos tempos de Nancy Mitford ou análises comparativas entre jardins barrocos e o absolutismo. Poupo-os também a pormenores de casamentos, do último e magnífico “Bourne”, do bem que sabem os Gin Tónicos antes de jantar e da crescente vontade de viajar. Poupo-os às minhas preocupações com os arboricídios e à vontade que tenho de conhecer a nova Catedral de Fátima. Poupo-os, no fundo, a textos comezinhos e provincianos, com origem na provinciana Lisboa onde se consegue provar vinhos no “El Corte Inglés” com um desconhecido e voltar a encontrá-lo no IKEA no dia seguinte. No fundo, poupo-os a ver que estou cada vez mais como o meu país: calmo, chato, ensimesmado e melancólico.

4.10.07

Ai que festa que aí vem!

Diz que amanhã é feriado, um data efusivamente comemorada pelo povo, que acorre em massa às ruas, ano após ano, celebrando em festas ruidosas e intermináveis. Torna-se impossível circular no meio das frenéticas manifestações republicanas, com hordas de jovens de bandeira verde e encarnada em punho, gritando a plenos pulmões a “Portuguesa”, alternada com insultos furiosos a El-Rei D. Carlos. Para lembrar a efeméride, tão grata aos portugueses, deixo um pequeno poema de João Ferreira Rosa, com a promessa de o tentar incluir mais tarde na forma de música.

"Portugal foi-nos roubado"
Portugal foi-nos roubado
há que dize-lo a cantar
para isso nos serve o fado
para isso e para não chorar
.
Cinco de Outubro de treta
o que foi isso afinal?
dona Lisboa de opereta
muito chique e por sinal
.
Sou português e por tal
nunca fui republicano
o que eu quero é Portugal
para desfazer o engano
.
Os heróis republicanos
banqueiros, tropa, doutores
no estado em que ainda estamos
só lhes devemos favores
.
Outubro Maio e Abril
cinco dois oito dois cinco
reina a canalha mais vil
neste branco verde e tinto
.
Sou português e por tal
nunca fui republicano
o que eu quero é Portugal
para desfazer o engano!
.
(João Ferreira Rosa)

2.10.07

Hoje

As brumas sobre o verde lembram um lago irlandês rodeado de tranquilidade e harmonia. A humidade matinal abre o apetite. De dentro da pequena casa de janelas encarnadas sai um fumo que cheira a pinho e a cozinhados. Os pratos chegam com feijão e enchidos, colocados entre chávenas cheias de chá quente. Ouvem-se risos fraternos e a comida vai saindo alegre dos pratos. O calor rivaliza com a humidade ainda fria que entra pelas janelas abertas. Aos pouco vislumbram-se as árvores da pequena ilha do lago. Surge uma imagem turva do campanário lacustre e ouvem-se ao fundo as onze horas.

Supremo gozo

Na posta anterior esqueci-me, imperdoavelmente, de destacar o maior gozo proporcionado na noite de Sábado. Muitos foram os Barões a urrar, mas o mais sonoro agonizar foi da enorme carpideira Paula Teixeira da Cruz. E o que eu gostei de a ouvir magoada, entristecida, revoltada, aviltada, indignada com a maçada que é a democracia e que, pobrezinha, decidiu contra ela. A sua intervenção parecia de um miúdo de doze anos que acaba de perder um jogo de futebol e que nega, veementemente e a pés juntos, o resultado, acusando um amigo de o rasteirar, outro de jogar com a mão e ainda o guarda-redes de tirar a bola de dentro da baliza ocultando um golo.
Teixeira da Cruz representa quase tudo o que me afasta de um político: a suprema arrogância, o desprezo pela opinião contrária, a desonestidade intelectual, a ostensiva falta de educação, a utilização de uma forma tão afirmativa que esconde o conteúdo (logo as ideias). Por isso gostei tanto de a ver perder, o que eu gostei de a ver perder e mostrar que nem isso é capaz de fazer com o mínimo de dignidade, elevação e educação.

1.10.07

Que gozo

A vitória de Menezes encheu a minha noite de Sábado de um enorme gozo e felicidade. Dizia-se que o PSD era um partido dominado por Barões, que tinham de facto o poder de eleger e deitar abaixo líderes. Estes Barões enfatuados davam sempre e em qualquer ocasião a sua opinião, nunca dando o nome para nenhuma eleição que não fosse seguro ganhar. Espalhavam assim a sua magna influência, deixando amiúde líderes a carbonizar em lume brando, até ser a altura certa de avançarem com outro que os substituísse. Tudo, como é evidente, dentro do estrito controlo das suas influências. Mendes tinha esse caminho traçado, aguentar o partido na oposição – fase muito maçadora para os Barões pela falta de poder – até que, com a hipótese da vitória, surgiria um outro “Messias” para colher os louros, o poder, e os importantes lugares na máquina do Estado. As coisas estavam todas encaminhadas pelo “Sistema” e o pobre Mendes, pessoa bem intencionada e de aparente seriedade, preparado para aquecer os motores para o próximo presidente. Eis que surge o persistente Menezes a candidatar-se outra vez, perante o nojo distante dos ditos Barões, olhado com desprezo pela sua falta de linhagem política e inveja pelo excesso de linhagem aristocrática. Os Barões estão em transe e o que poderia ser melhor para o país do que ver os ditos aos saltos como ovos na frigideira, brandindo agora, que elas lhe foram desfavoráveis, contra as directas que ainda tentaram manipular por terras do Paraná.
Menezes será bom, ou mau, o que para o meu gozo actual é indiferente. Mendes podia ser mais credível, mas era inexistente como oposição ao Pinto de Sousa que até já devia andar maçado com a falta de luta. Não imagino Mendes nem Menezes como primeiro-ministro, mas pelo menos imagino Menezes a dar mais trabalho a Pinto de Sousa e a fazer melhor oposição. Agora, o grande gozo mesmo é ver os ditos Barões em fúria. Que delícia! Que delícia!

27.9.07

Da bola

Felicitações o senhor Padre Pereira, pela grande proeza terrena do seu Fátima. Terá por certo invocado S. Jorge na luta contra o Dragão. E que invocação!

Grande Santana

A SIC ficou incomodada com a atitude de Santana Lopes de abandonar o estúdio a meio de uma entrevista. O que a SIC esquece, procurando, em vão, defender-se à luz de critérios jornalísticos e da oportunidade do directo, é que, gostemos ou não, Santana Lopes é ex-Ministro, ex-líder do PSD e ex-Primeiro-ministro. Se isto não é motivo para algum respeito, gostaria de ver a SIC fazer o mesmo a Mário Soares ou a António Guterres. Claro que se o directo fosse de um atentado terrorista, ou de uma queda de um avião, ou da erupção de vulcão, se justificaria qualquer incómoda interrupção, mas a reportagem em directo da chegada de um treinador de futebol a Portugal, despedido já há alguns dias da sua equipa, parece-me, como bem disse Santana, digna de um país de loucos. Nada que não desconfiássemos, mas que ontem bem foi evidenciado por Santana. A sua atitude foi mais do que justificada e bom seria que mais gente no país tivesse esta coragem, talvez assim o jornalismo miserável que por aí grassa melhorasse um pouco.

26.9.07

Deliciosa Demagogia

O Pinto de Sousa anda por aí a apresentar propostas universais contra a pena de morte, o que seria uma muito louvável, ainda que inútil, iniciativa. A perplexidade que me assalta é que parece ser o mesmo Pinto de Sousa que recusou receber o Dalai Lama – pelas suas atitudes contra a China onde, curiosamente, existe pena de morte e foram executadas, em números oficiais, 1010 pessoas em 2006 – e se prepara para receber Mugabe, esse paladino dos direitos humanos.

Descoberta do dia

Parece que o PSD está em eleições e que os candidatos se chamam Mendes e Menezes. Não fora o beliscão que acabei de dar a mim próprio e pensaria estar a acordar de um pesadelo.

24.9.07

Para pensar

Não querendo copiar as postas semanais de João Távora, no Corta-Fitas, com os evangelhos de Domingo, não poderia deixar de postar o evangelho de ontem que, pela sua complexidade de interpretação, proporcionou uma das mais interessantes homilias que foi dado escutar nos últimos tempos. Pena que não tenha sido seguida de uma mesa redonda para poder tirar algumas dúvidas e aprofundar alguns temas.
.
“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel nas coisas pequenas, também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».”.Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas, 16,1-13».”
.
Evangelho segundo São Lucas 8, 4-15

Four ages of life

Edvard Munch, 1902
.
O Impensável fugiu, subtilmente , a uma ruidosa festa que comemorasse os seus quatro anos de idade, ainda assim, e apesar de atrasado, gostaria de lhe deixar esta pequena tela. Não sei se gostará de Munch, apesar de estar quase certo que sim, mas daria muito trabalho descobrir um adequado e obscuro pintor nórdico com temáticas inspiradas em Bergman.

21.9.07

A Prova

As declarações de Pinto de Sousa nos E.U.A. são a prova que faltava sobre a injustiça da acusação sobre favorecimento na conclusão da sua licenciatura, nomeadamente no que refere à disciplina de inglês técnico. Caso para dizer que Portugal é mesmo um país de “bad tongue” e de “very invejuous people”.

19.9.07

Esperemos que de alegria!

O meu intenso fim de tarde desportivo, em Alvalade para o Sporting – Manchester United, tentando acompanhar a primeira parte do jogo dos “lobos” contra a Itália no Mundial de Rugby.

Tristeza

Hoje é o dia em que um regicida – Aquilino Ribeiro – entra no Panteão. Depois das condecorações a bombistas – Otelo e Isabel do Carmo –, mais um passo que o país dá em direcção a um abismo de dignidade e respeito pela história.

18.9.07

Sobre a "nossa" hipocrisia

Com algum atraso, aqui fica um artigo de Ricardo Costa no Diário Económico do qual já tinha ouvido falar, mas que só hoje tive oportunidade de ler. Vale a pena.
.
Um hino à hipocrisia
"Portugal teve mais orgulho em quinze pessoas que nunca foram apoiadas do que em toda uma indústria subsidiada (e, já agora, falida) que é o futebol.Ricardo CostaDevo ser dos poucos portugueses que não ficou espantado com as imagens dos jogadores da selecção nacional de râguebi a cantar o hino nacional. Conheço o jogo, tenho filhos que praticam este desporto e sei que toda a actividade do râguebi português gira em torno de boa-vontade, empenho, dedicação e sacrifício. Há ainda características próprias do jogo, que o distinguem de muitos outros, e que fazem de cada partida um “tudo ou nada” em que o colectivo pura e simplesmente apaga a mais ténue vontade de individualismo e fica à vista de todos.
Foi a absoluta “verdade” das imagens que espantou o país. Já ninguém canta o hino daquela maneira, muito menos sem ser a fingir. Portugal ficou a saber que por cá se joga râguebi e que uma equipa de médicos, advogados, estudantes, veterinários (etc) aguenta 80 minutos de pressão total contra alguns dos melhores profissionais do mundo. E ficou a saber isso, quando ainda estava a digerir a descoberta de Nelson Évora e a confirmação de Vanessa Fernandes. Descobrimos isto tudo e descobrimos também que os nossos campeões de atletismo treinam em Espanha porque não temos uma única pista coberta e que a selecção de râguebi treina, muitas vezes, às seis da manhã antes de ir para o trabalho!
Tudo isto somado às miseráveis exibições da selecção de futebol (o desporto de que mais gosto e que mais alegrias nos dá, isso é indiscutível) e à agressão de Scolari mostram que não existe em Portugal um mero rascunho de política de Desporto. Já aqui o escrevi e repito: uma verdadeira reforma estrutural seria implodir o estádio do Algarve, juntamente com o de Leiria e o de Aveiro. E quem devia pagar a dinamite da implosão era o actual primeiro-ministro e o José Luís Arnaut. Só a partir daí é que se pode fazer alguma coisa estrutural.
O que o hino de St. Etiénne nos disse, de forma transparente, foi que, em poucos segundos, Portugal teve mais orgulho em quinze pessoas que nunca foram apoiadas do que em toda uma indústria subsidiada (e, já agora, falida) que é o futebol. Para citar Luís Amado (que teve esta semana um ataque súbito de ‘realpolitik’), tudo isto acontece pelas “razões conhecidas”. E as razões conhecidas são uma mistura de vistas curtas e de hipocrisia.
Agora, já vamos construir uma pista coberta e de certeza que a malta do râguebi vai levar medalhas em Belém e louvores em São Bento. Emenda-se a mão onde se pode, mas nada muda. É um pouco como a triste história do Dalai Lama: a China pede, e nós, de gatas, fingimos que ele não anda por cá e que defende uma causa bizarra e duvidosa; mas quando a perigosa Inglaterra levanta dúvidas sobre o senhor Mugabe, nós batemos com a mão no peito e dizemos que quem manda aqui somos nós. Sinceramente não percebo: desde quando é que a China foi mais recomendável (a não ser, eventualmente, na culinária) que a Inglaterra? Nunca. E é extraordinário que aceitemos os caprichos da China e façamos um braço de ferro com o governo inglês…
A pouco e pouco vamos transformando o país num protótipo de hipocrisia. E é por isso que nos arrepiamos a ver certas imagens. São imagens sem um pingo de artificialismo, que não foram (nem podiam ser) encenadas por nenhuma agência de comunicação nem estudadas pelo protocolo do MNE. São imagens verdadeiras e nós já estamos pouco habituados a isso. Sugiro ao primeiro-ministro que passe as imagens do hino de St. Etiénne no próximo Conselho de Ministros e que as distribua em DVD nos Estados Gerais. São mais rápidas que um discurso do Almeida Santos e mostram o país que somos."
.
Ricardo Costa, Director da Sic Notícias

.

Copyright: Harry Gruyaert/Magnum Photos

"Desde este lugar sem história,
até um lugar na história,
vão apenas dois minutos,
no elevador da Glória"
Rádio Macau – “O Elevador da Glória”

Porque hoje reabre, após o habitual atraso português nas obras, o Elevador da Glória. Volta assim a funcionar um dos mais deliciosos pequenos pedaços de Lisboa, daqueles únicos e irrepetíveis.

13.9.07

De vergonha

Saber de gente que não recebe o líder de uma mais do que respeitável e pacífica religião, representante de um povo oprimido e prémio Nobel da paz, diz muito dessas pessoas. Quando para além disso se preparam para receber o inenarrável Mugabe, diz ainda mais. E se se disser que é gente que se prostra aos pés do comunismo capitalista chinês, então tudo está dito. O grave é quando essa gente representa um país e, mais grave ainda, quando esse país é o meu.
.
P.S. Noto ainda a falta de memória de alguns, que há uns anos atrás gritavam pelo povo oprimido de Timor e se insurgiam com a falta de apoio de alguns países. Agora, curiosamente, já estão do lado dos opressores.

De selecção

A selecção nacional de futebol conseguiu hoje mais um deplorável jogo, cuja qualidade me fez lembrar os tempos liceais de mais do que falhado ponta de lança. Felizmente não tinha o hábito – quando as coisas não corriam bem, ou seja, a maior parte das vezes – de esmurrar os adversários, o que até era uma medida inteligente tendo em conta os meus fracos atributos para andar à pancada. A hipótese Scolari de “esmurra e foge que alguém há-de agarrar o outro” também não era muito boa, já que a rapidez nunca foi o meu forte. Enfim, desde cedo que a minha ligação ao futebol se traduziu em bancadas ou sofás, sem presença de chuteiras nas vizinhanças. Talvez por isso goste de me achar no direito de dar opinião, talvez por isso ache que quem merecia ser esmurrado era Scolari.
Sem tirar o mérito do que já fez, e que é muito, a campanha de apuramento tem feito por desafiar o português mais paciente a resistir a impulsos homicidas contra Scolari. E porque será? Talvez por insistir doentiamente em jogadores fora de forma e com tanta vontade de correr como eu tenho de ler livros do Saramago. Talvez por acreditar numa bailarina de cabelo comprido que no meio do esforço e do tempo perdido a ajeitar o penteado se esquece de fazer aquilo que lhe é pedido, ou seja, marcar golos. Talvez por continuar com um suposto mágico que se esqueceu dos truques em casa e se passeia no campo como a placidez de um nova-iorquino ao Sábado em Central Park. Talvez por se esquecer no banco de jogadores que têm o hábito de correr e, imagine-se, em alguns casos, de resolver jogos. Talvez por achar que defender é sempre o melhor caminho, mesmo quando a coisa corre mal em vezes consecutivas. Talvez por comandar uma equipa cujo futebol entusiasma tanto os adeptos como a selecção de Malta do anos oitenta – porque agora até já evoluíram – apesar da mesma ser formada por um conjunto de jogadores cujo ordenado somado daria para sustentar umas mil famílias de classe média portuguesa. Enfim, por estes e muito mais motivos hoje até me apetecia esmurrar Scolari, até porque os meus raros instintos violentos são sempre com pessoas com uma característica que abunda em Scolari: a arrogância.

11.9.07

11 de Setembro 2001

Copyright: Steve McCurry/Magnum Photos
.
Não devemos esquecer. Sem "mas".

10.9.07

Man of the Match






Vasco Uva

Capitão da Selecção Portuguesa de Rugby e eleito o melhor em campo no jogo de hoje contra a Escócia.



Os nossos "Lobos" começaram bem a sua presença no Mundial de Rugby, ao perder apenas por 56-10 com a Escócia - uma das melhores selecções do mundo - e ainda conseguindo marcar um histórico ensaio. Mais importante do que o resultado foi ver a forma como cantaram o hino e como estiveram em campo, tão bom seria que o exemplo de desportivismo e nacionalismo são fosse seguido por outros desportos. Segue-se agora a Nova Zelândia e esperemos que os jogadores mantenham a concentração e não corram campo fora em busca de autógrafos dos melhores jogadores do mundo, em vez de jogar com a garra e o amor ao desporto e à camisola que tão bem os caracteriza.

6.9.07

Luciano Pavarotti

12 de Outubro de 1935 - 6 de Setembro de 2007
.
Podia não ser o melhor, do hoje ou do sempre, mas era explosivo, excessivo, magnífico, e como todos os, muito poucos, que conseguem ser de facto "Divos", uma figura que a história não se cansará de lembrar ao longo dos tempos.
.
Fotografia - Copyright Peter Marlow/Magnum Photos

3.9.07

Resmungo

E vai uma pessoa de férias e leva com vento, e frio, e até chuva. E a água do mar gélida e uma neura por falta de sol, por falta de fotossíntese. Sim, porque somos como as plantas e precisamos de sol para funcionar, para armazenar energias para o Inverno. E assim como é que vamos suportar o Outono? E agora é que vem o calor, agora que é tempo de trabalhar, que é tempo de ficar no escritório a gastar energia no ar condicionado para sobreviver ao bafo que vem lá de fora. Agora, que é Setembro, que era tempo de marés vivas e nortadas e do regresso a casa já “fotossintetizado”, já saturado do sol, e do calor, e de praia, e do mar. E o que fazer agora? Fugir para umas segundas férias e mandar ás malvas o trabalho e tudo o que nos rodeia? Agarrar no carro e fugir para a Figueira, ou para Sagres, ou para o Guincho, e lá ficar, ficar, e esquecer que o mundo existe até me sentir preparado para voltar à realidade e para resistir ao Outono que se avizinha, com as folhas caídas, e o frio e o vento, e a falta de sol? Todo este lamento se deve a ser português e ter criado uma terrível habituação ao nosso clima, que de tão bom que é me torna exigente, e picuinhas, e refinadamente resmungão a cada vez que ele foge da norma, da norma que eu gosto e a que estou habituado.

29.8.07

Corra a ver

Ratatouille é simplesmente delicioso, visualmente deslumbrante e muito, muito, mas mesmo muito divertido. Conselho de amigo, vá à sessão das sete para depois correr para casa cozinhar algo de excêntrico ou, opção igualmente válida, reserve mesa e corra para um óptimo restaurante sonhando que na cozinha estará o pequeno Remy, criando e recriando as melhores das receitas.

28.8.07

Ainda há jornalismo

Mário Crespo caminha para ser o paladino do jornalismo independente e desassombrado, imune a pressões e ao fantasma do politicamente correcto. A sua entrevista de ontem a Gualter Batista, a face visível do movimento ecoterrorista “Verde Eufémia”, foi um perfeito massacre sobre as inconsistências e hipocrisias do activista porta-voz da acção destruidora de milho transgénico no Algarve. Os eufemismos, as incoerências, a arrogância moral, tudo foi questionado com a simplicidade e competência que deviam guiar o jornalismo, em especial quando de entrevistas se trata. Não é necessário ser agressivo ou desagradável para questionar um entrevistado e conseguir dele extrair a informação desejada ou, noutros casos, perceber da ausência de informação ou de consistência da mesma. Após a entrevista de ontem, só muito dificilmente alguém inteligente e não toldado pela força das ideias extremas poderá acolher com a mínima simpatia a acção que este movimento secreto – já que os outros membros insistem no anonimato – efectuou ou as acções que venha a efectuar. Gente que se julga dona da razão e que em nome dela actua cegamente contra a lei e a maioria da população não é novidade, aliás, já teve grande importância na história do mundo ao originar regimes tão livres e democráticos como o fascismo ou o comunismo.

27.8.07

Verão

Este Domingo foi de verão, não do sério, de sol impenitente e escaldante, mas do que permite ter luz, e estar junto ao mar, e até conseguir agradáveis mergulhos. Claro que sucedeu a um belíssimo sábado “Bergmaniano”, de nuvens intensas e escuras, de borrifos de chuva convictos e fim de tarde plúmbeo e adequadamente neurótico. Este verão anda um pouco “cinicozinho”, e irritante também.

Destaque

As crónicas venezuelanas de Ferreira Fernandes, no DN, são um magnífico espelho do Admirável Mundo Novo “chavista”. A ler e a reter, e a emprestar ou enviar por e-mail para o mainstream de esquerda anti-americana que vê em Chavez, como viu em Guevara, o farol guia contra o capitalismo e o modelo de virtudes humanas e governativas a espalhar pelo mundo.

23.8.07

Para hoje ao fim da tarde


Após encher os copos com um bom vinho branco.

"Junto à Costa de Capri"
Copyright: JK/Magnum Photos

Regresso

As chegadas de férias fazem-me desejar que o meu corpo fosse como um relógio de parede, em que para acertar as horas bastasse rodar os ponteiros e dar corda.

21.8.07

Eco III

Perante o acto terrorista deixa de interessar a discussão sobre o milho transgénico. Os selvagens até podem ter razão, mas isso não lhes dá o direito de violar a propriedade privada. Seria o mesmo que, com argumentos de sanidade pública, eu invadisse a casa dos terroristas e os obrigasse a tomar um longo banho, incluindo a lavagem do cabelo. Teria muitas razões para o fazer, mas, em nome de uma sociedade democrática, devo respeitar a sujidade das criaturas.

Eco II

Aos ecopatetas, agora perigosamente convertidos em ecoterroristas, gostaria de lembrar que ecologia não é uma corrente política, é uma ciência. Também convém perceberem que nenhuma ideologia defende melhor os valores ecológicos e ambientais dos que aquela que tanto detestam, a dos conservadores.

Eco I

A recente chegada de férias tinha-me impedido de tomar conhecimento de mais um passo no curto caminho para a decadência deste país. Talvez inspirados nas ocupações retratadas no filme “Torrebela”, agora em reposição, um bando de patetas com ego inflado pela extrema-esquerda resolveu, perante a observação, e quiçá apoio moral, da GNR, destruir uma plantação de milho transgénico. Com a argumentação de uma desobediência civil ecológica, os perigosos idiotas encontraram uma alternativa à praia e organizaram mais uma festinha das que tanto gostam, com muitos jornalistas e a esperança de alguém lhes dar um par de estalos ou murros para se poderem fazer de vítimas da opressão. Que uma polícia venezuelana não interviesse, até compreenderia, agora que a nossa GNR assista impávida e serena e não prenda ninguém, já me parece digno de John Cleese. A dúvida sobre se vivo num país civilizado é cada vez menor, infelizmente pendendo para o lado oposto a Darwin.

20.8.07

.

Regressado de umas outonais férias em Agosto, verifico com tristeza que ainda não se organizou nenhuma manifestação, ou abaixo-assinado, contra o impertinente e desprezível comportamento do anti ciclone dos Açores, ao resolver deslocar-se sem aviso prévio com a consequente remoção do verão do nosso país.

9.8.07

Momento intelectual em férias

Um copo de vinho branco fresco em esplanada frente à vetusta Casa Havaneza. Apressado, livro na mão, o vislumbre de Pedro Mexia a atravessar a rua. "Com os copos" de Miguel Esteves Cardoso sobre a mesa. Quem disse que as férias não podiam ter um certo toque intelectual?

7.8.07

Férias

Este blog encontra-se de férias no sítio do costume. As postas serão assim mais raras, perdidas entre a areia e o mar, as pevides e os tremoços, as imperiais e o vinho branco. Hoje, para matar saudades, uma nortada à antiga. Maneiras da praia que me acolhe lembrar a sua personalidade. E que personalidade.

3.8.07

A frase mais proferida no Ministério da Cultura.

“Quem será o senhor(a) que se segue?” (acompanhado por um sorriso aberto e um esfregar de mãos)

A senhora da (in)cultura

A prodigiosa estalinista que nos governa a cultura persiste na coerência de nos poupar à sua presença. Nos últimos tempos, em que já saneou quatro dirigentes de topo sob a sua tutela, apenas me recordo de a ver a montar um camelo e a abraçar-se a Berardo. Não que a sua presença seja agradável ou motivo de regozijo, apenas seria de bom-tom que assumisse publicamente as suas decisões e não empurrasse para a linha da frente os seus peões mais submissos. Talvez seja timidez, ou, tenhamos um pouco de esperança, vergonha pelos seus infames actos.

1.8.07

Época tola

Apesar do esforço para entrar em época tola, o país insiste em não mo permitir, Coisas de ser português e de habitar este local infrequentável de onde não quero sair.

Elogio da mediocridade

Citando Vasco Pulido Valente: “Triste país o nosso”.
O anúncio da demissão da directora do Museu Nacional de Arte Antiga é mais um passo no irreversível caminho para a mediocridade que este país insiste em trilhar. No espaço de pouco tempo o país, o Estado, deu-se ao luxo de dispensar três pessoas que se destacaram nas suas áreas muito para além da simples competência. Paulo Pinnamonti foi afastado compulsivamente do Teatro Nacional de S. Carlos por ter ousado conseguir, supremo ultraje, temporadas de uma qualidade de que não havia memória. Paulo Macedo foi afastado das Finanças por, desprezível insulto, conseguir arrecadar dinheiro impensável dos impostos.
Agora é a vez de Dalila Rodrigues, que estava a conseguir o prodígio de des-mumificar um museu parado no tempo alguns séculos atrás. Ela que resgatou os painéis de S. Vicente de uma sala recôndita e secreta, por certo para exclusivo usofruto dos trabalhadores do museu, para o topo nobre da escadaria. Ela que ousou juntar números inauditos de pessoas em conferências no museu. Ela que sempre estava em busca de novos públicos e quase duplicou o número de visitantes. Ela que estava a ousar conseguir belíssimas exposições periódicas, como a d’ “O Tapete Oriental em Portugal” que ainda ontem inaugurou. Ela que conseguiu importantes mecenatos que só não eram maiores por falta de autonomia administrativa. Ela que finalmente estava a dar a dignidade merecida ao nosso grande museu de arte. Ela que foi compulsivamente, e sem razão aparente, afastada do cargo directora do MNAA pela mão do Ministério da Cultura, esse antro de incompetência, invejas e mediocridade.
Neste país não compensa ser competente, neste país que ainda foi algo porque noutros tempos ousou ousar, hoje ousar é quase crime, justa causa para um despedimento sem contemplações. Assim vamos, num lindo caminho rumo a um poço sem fundo de miséria, de onde vai ser cada vez mais difícil, senão impossível, sair.

30.7.07

Verão

Após um glorioso dia de praia no Guincho, em que o calor só se aplacava com imersões refrescantes, aceito que chegou o verão. Este blog retoma a sua cor estival, o seu tom suave de areia mais adequado à época. Poderá também descambar para postas dignas da estação tola, um pouco por força do cérebro tender a derreter perante o calor.

Tempo

Estamos velhos quando reencontramos amigas que percebemos não ver há catorze anos.

27.7.07

Ainda a “alegada” licenciatura

Chego, via Impensável, a um artigo do The Independent sobre a alegada licenciatura de Pinto de Sousa. O texto será decerto classificado como mais uma peça de jornalismo deplorável, sem rigor e com uma má investigação e confirmação de fontes. Coisas que acontecem em países atrasados e com maus jornais que não têm uma ERC para os pôr na devida ordem.

25.7.07

Justiça

Aquando das presidenciais, muita gente amiga questionou o meu voto, ainda por cima convicto, em Manuel Alegre. Leio hoje um artigo seu em que se insurge contra a falta de liberdade e o amordaçamento da opinião no país. Nada mais certo, nada mais actual, ainda por cima com o vergonhoso arquivamento do processo Charrua e a continuidade impune da directora-geral que ainda por cima promoveu o bufo. Manuel Alegre é, ainda, do partido do poder e podia estar tranquilamente a usufruir das mordomias daí resultantes, no entanto, e uma vez mais, mostrou a coragem de ser contra-poder e escreveu um artigo que fará mais contra Pinto de Sousa do que um ano de Mendes ou Menezes. Tudo isto vem-me lembrar uma coisa, a justeza do meu voto. Quem ouviu, até hoje, palavras, ainda que remotamente parecidas, da boca do nosso Presidente da República? Muitas vezes são as pequenas atitudes que definem os homens.

24.7.07

Por momentos...

Leio no DN: "Pinto de Sousa acusado pelo Ministério Público". Sustenho a respiração e imagino o que o nosso primeiro-ministro possa ter feito para que, no estado em que as coisas estão, o Ministério Público tenha tido o topete de o acusar de algo. Linhas abaixo leio que são acusações de corrupção sobre árbitros e fico um pouco baralhado até perceber que a notícia se refere a um ex-presidente do conselho de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). O Pinto de Sousa afinal é outro, mas esta coisa dos jornalistas não escreverem devidamente as notícias leva a confusões manifestamente desnecessárias.

20.7.07

A não perder

Ainda a propósito do meu jantar de ontem, falou-se sobre esta música e corri ao You Tube na esperança de a encontrar. Prova superada e aqui está: "Something Stupid" de Frank e Nancy Sinatra, na versão portuguesa "Tu, Só tu" por Simone e Marco Paulo. Um mimo.

A propósito de uma conversa ontem


A Senhora Europeia


A Grande Americana

Ambas Hepburn e ambas estupidamente Magníficas.

19.7.07

O verão anda hesitante por aí


"Taverna by the sea"
Ática, perto de Sounion, Grécia. 1937.
Copyright: Herbert List / Magnum Photos

Aborrecimentos

O dito Quarteto que resolveu reunir-se em Lisboa baralhou a cidade com os esquemas de segurança. Isto de ter de receber gente com a cabeça a prémio, coisas da Presidência Europeia, é uma imensa maçada, pelo que o melhor mesmo é aproveitar os conselhos do Nóbel e passar tudo para os espanhóis, ao menos passam a aborrecer os madrilenos e deixam-nos por aqui em paz.

18.7.07

Ele há gente!

A Presidente da Distrital do PSD de Lisboa – Paula Teixeira da Cruz – achou por bem demitir-se, após longa e ponderada reflexão depois da noite eleitoral que lhe correu de feição. Até estranho que se o tenha feito, pois a senhora parece ter Super Cola 3 nas mãos no que diz respeito ao poder e, tal como fez com a Presidência da Assembleia Municipal, achei que se ia agarrar à Distrital com o tal produto que até colava cientistas ao tecto. Engano, lá se demitiu, mas, e há sempre um mas, não assumiu ainda assim o magnífico resultado do seu partido, pois parece que a culpa afinal não foi dela e, pasme-se, também não foi de Carmona, foi do Presidente da Câmara de Gaia e dos seus seguidores. Mau perder ou falta de espírito democrático?

17.7.07

Coisas da Vida Boa

As novas colecções da Livros Cotovia – Dona Raposa e Raposa Matreira – que se prevê façam chegar à língua portuguesa alguns mestres da literatura inglesa. Waugh (o Evelyn, finalmente traduzido), Mittford e o mais que delicioso P.G. Wodehouse que me acompanhou no último par de dias arrancando-me estridentes, prolongadas e gostosas gargalhadas.

Antes o futebol

Os eleitores que votaram no novo Presidente da Câmara não chegavam para encher o Estádio da Luz, os de Carmona e Roseta juntos excediam em pouco a lotação de Alvalade e os do PSD cabiam à vontade no Estádio do Restelo.

16.7.07

Vitória

António Costa era número dois de um governo eleito com maioria absoluta. Costa candidatou-se contra um PSD esfrangalhado pela polémica com Carmona. Costa surgiu com o élan dos grandes vencedores, bem medido nos apoios que tinha. Costa pediu durante toda a campanha que lhe dessem a maioria absoluta. António Costa acabou por ganhar as eleições com seis vereadores em dezassete. Que grande vitória!

Número que impressiona

António Costa foi eleito com os votos de 10,06% dos votantes inscritos!

Coerência

Depois do atropelamento de Pinto de Sousa a Manuel Alegre, o PS manteve-se coerente e António Costa atropelou ontem a declaração de Helena Roseta. Como diria o insigne Jorge Coelho: quem se mete com o PS leva. Nem mais!

Massas

A grandeza da vitória mobilizadora de Costa esteve bem expressa nos militantes que para a comemorar vieram de Mafra, Cabeceiras de Basto ou Alguidares da Beira.

11.7.07

Sindicato de interesses I

Como a sonífera campanha deixava adivinhar, os candidatos à Câmara de Lisboa parece que andam numa arrastada sesta que até os impede de ler jornais. Aqui já se falou faz algum tempo do convite a Júdice e das questões éticas em redor de Manuel Salgado, no que parecia a criação não de uma lista à Câmara, mas de um sindicato de interesses em redor de Lisboa com o apoio expresso do governo. O despertador lá tocou e, depois de anteontem se atirarem a Salgado, ontem foi a vez de Júdice revelar estar pronto a aceitar o cargo de coordenador da recuperação da frente Tejo de Lisboa perante a indignação geral dos candidatos.

Sindicato de interesses II – Política de mercado

Alguém acredita que relação entre o convite, do governo, e a saída do PSD e o estatuto de mandatário de António Costa será uma absoluta coincidência, sem nada a apontar em termos de arranjinhos e ética política? Júdice é, inquestionavelmente, um advogado bem sucedido profissional e economicamente, mas a atracção do poder revelou-se e, como seria uma enorme maçada lutar por ele indo a votos, lá resolveu a questão com a ajuda de Pinto de Sousa e de Costa. A coisa tem o mérito de não ter sido secreta, ao contrário do que alguns candidatos agora querem fazer querer, Júdice simplesmente vendeu o seu apoio a Pinto de Sousa, nas suas crónicas de opinião, e a Costa, aceitando ser seu mandatário, em troca de um cargo de enorme prestígio e poder. O argumento de que não será remunerado não me parece ter qualquer importância, até porque falamos de alguém que disse que o Estado apenas deveria recorrer aos cinco maiores escritórios de advogados do país, entre os quais o seu, sendo que com as boas relações que mantém com Pinto de Sousa não será difícil de perceber a via aberta que terá para os negócios do Estado.

Sindicato de interesses III – Ligações dúbias

Quanto ao arquitecto Manuel Salgado, parece que ele diz que vende o atelier caso seja eleito vereador e que, como tal, fica sem interesses em Lisboa. Se tivesse oportunidade, gostava lhe fazer as seguintes perguntas em relação aos seus projectos que estejam a aguardar aprovação: Vai dizer aos promotores que já não podem construir como seu projecto? Vai passar o seu projecto a outro arquitecto para o poder aprovar? Vai arranjar forma de que, apesar de ser o vereador do Urbanismo, a aprovação do projecto não dependa de si?
O interesse de um arquitecto num projecto não termina nunca, mas se podemos definir um limite de interesse real, esse limite é o fim da construção do mesmo. Por isso não tem qualquer importância saber que projectos Salgado já fez em Lisboa, o que importa é saber quantos e quais estão para aprovação na Câmara, pois serão estes a ter um real interesse para ele, para os promotores imobiliários e para a Câmara, e incorrem, sem qualquer dúvida, num enorme conflito de interesses.
Aquilo que se adivinhava com os nomes escolhidos parece estar a concretizar-se – e nem vou falar de Nogueira Pinto que também parece estar a comprar o seu lugar no Plano Baixa-Chiado com o apoio a Costa –, a candidatura de Costa não é uma lista concorrente à Câmara com uma ideia para Lisboa, é um sindicato de interesses organizados que, ainda antes de entrar em funcionamento, já começa a ser conhecido. Esse mérito lhe seja dado, assim ao menos as pessoas têm oportunidade de saber naquilo que estão a votar.

10.7.07

Coisas de Comida

Pede-me o Impensável que entre na cadeia alimentar das últimas cinco refeições que circula na blogosfera. Dada a manifesta vergonha de confessar o meu almoço de Domingo, protelei em um dia a resposta tentando que, com verdade, pudesse falar dos meus hábito alimentares mais recentes sem a espada da chacota sobre o meu pescoço.

O jantar de Domingo (repare-se que o almoço já foi esquecido):
Bifes de frango temperados com limão, Mélange Tangériene e Gengibre, acompanhados por couscous.
Vinho branco Duque de Viseu.
Café Decaffeinato Intenso (Nespresso) e um Português Suave.
(ficou a faltar: uma salada de rúcola temperada com azeite e vinagre balsâmico; umas fatias de manga)

Pequeno-almocei ontem:
Torradas de pão de mistura com manteiga e compota de chá Marco Pólo da Mariáge Fréres, acompanhadas pelo excelente “Thé dês Poêtes Solitaires” da mesma marca.
Café Arpeggio (Nespresso).
(ficou a faltar a fruta, talvez num sumo de tangerina)

Almoço:
Umas singelas salsichas frescas com arroz branco e um ovo estrelado.
Capriccio (Nespresso) e um Português Suave.
(faltou, por manifesta incúria, uma saladinha de tomate e pepino – temperada com azeite, vinagre de vinho branco e flor de sal – e também um pouco de queijo da Ilha de S. Jorge com compota de framboesa.)

Jantar:
Lombos de pescada no forno em papel de alumínio, temperados com noz-moscada, pimenta, louro e um pouco de piripiri seco, acompanhados por uma salada de tomate com manjericão fresco e batatinhas novas no forno.
Decaffeinato Intenso (Nespresso) e um Português Suave.
(faltou queijo fresco com pão de mistura)

O almoço de hoje foi:
Sopa de legumes.
Chocos grelhados com batata cozida e salada de alface e cenoura.
Salada de frutas.
Café e um Português Suave.
(faltaria uma salada mais completa e um adequado molho de vinagrete para os chocos)

Quanto à cadeia acho que vai ficar por aqui. Não vou passar, por hora, a ninguém esta mensagem. Sim, um pouco desmancha-prazeres, é um facto, mas enfim, assim será.

P.S. O almoço de Domingo foi mesmo muito mau, mesmo dentro do escolhido, que já nada de bom augurava, estava mesmo muito mau, daí a caridade de não partilhar um momento tão traumatizante.

O escândalo do debate

A sabujice da RTP, que conseguiu que o aeroporto de Lisboa se tornasse assunto acessório e poupou António Costa a ter de se pronunciar sobre ele.

Uma imagem do debate

O ar incrédulo e fascinado de Costa perante as intervenções de Gonçalo da Câmara Pereira.

5.7.07

Lisboa

Uma luz brilhante realça contornos de árvores e do casario. E o Tejo, sempre o Tejo, imenso e largo, num azul mexido por vento e cacilheiros. Os pássaros, tantas vezes ausentes, pousam suavemente nas mesas, pequenos pardais saltitantes que nos distraem, personagens secundárias da estrela costumeira, o universo azul brilhante aos pés de telhados que descem em escada. A beleza absorve o ruído e há um quê de província, de outros tempos, que traz um optimismo cada vez mais escasso.
O fascínio de Lisboa deve-se em muito a sítios quase secretos, quartos escondidos, na aparência reservados a iniciados de uma qualquer sociedade, mas descobertos com facilidade por quem tenha na vida a procura como um fim e, como Corto Maltese, sempre esteja em busca de um tesouro perdido, de mais um tesouro perdido, e como Corto não o faça por um espírito mercenário, mas por um simples querer encontrar.
Dias como hoje, com momentos em refúgios de paz e beleza, fazem crer em Lisboa e suspirar com desesperada ansiedade para que a não estraguem, para que a não tornem numa cidade asséptica e anónima, negação absoluta do que sempre foi a essência de Lisboa.

3.7.07

Admirável Social-fascismo

A sanha persecutória do executivo Pinto de Sousa continua o seu frenético caminho. Depois do professor Charrua e da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, agora vamos ter controlo sobre a recepção de correspondência pessoal. Esta magnífica ideia vem de uma senhora de nome Ana Maria Correia, coordenadora da sub-região de Saúde de Castelo Branco, que achou por bem emitir uma nota interna onde revela que a correspondência dirigida pessoalmente a determinados funcionários vai passar a ser aberta. Esta medida tem ao menos o mérito de ser feita ás claras, pois, a avaliar o que se vai passando neste alegre social-fascismo, não é de admirar que em muitos serviços públicos já se recorra à tradicional cafeteira de água a ferver para abrir envelopes sem deixar marca.

2.7.07

Tangerina e Pêssego

O dia de praia agradável, um café com o mar aos pés enquanto o sol se encobre com o capacete de algodão vindo de Sintra. O bulício do centro e os turistas, muitos barcos na marina e marinheiros em terra. Uma pequena espera e a escolha dos dois sabores: tangerina e pêssego. No Santini, como é evidente, onde me sinto um infame explorador ao conseguir um pedaço de céu por irrisórios dois Euros. Os gomos de tangerina desfaziam-se sobre as papilas gustativas, o cheiro e sabor do pêssego quase me fazia temer uma lambidela sobre pele de veludo. Não posso reproduzir o comentário que fiz após iniciar o inebriante processo de ingestão, mas posso garantir que melhor do que estes gelados não haverá assim tanta coisa no mundo.

29.6.07

Isto anda bonito

Depois do professor Charrua, agora é a vez da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho ser exonerada por motivos políticos. Terei ouvido falar em povo amordaçado ou em estalinismo? Fosse o governo do PSD e já estariam todos os media urrando pelo regresso do fascismo, como o governo do Sr. Pinto de Sousa é, pretensamente, de esquerda o silencia impera.
No meio do obscurantismo há sempre alguém que resiste e Manuel Alegre já se insurgiu contra a intolerância do governo. As suas palavras são bem reveladoras do estado em que estamos: "Pretendi educar muita gente no PS dentro desse espírito de tolerância, mas, pelos vistos, sem resultados". Será caso para dizer que apesar de tudo ainda há quem saiba, dentro do partido que nos desgoverna, o que é viver em liberdade numa democracia.

Fumos

A senhora Câncio vai ter de continuar a comer com o fumo dos outros, o que me parece bem, nem que seja para que com a irritação escreva as habituais inanidades com ainda mais ênfase. Depois de ler o artigo de hoje no DN fiquei cheio de pena dos seus pipis com fumo em segunda mão de um SG Filtro que alguém possa resolver acender. Claro que, sem querer questionar a capacidade intelectual da senhora, insisto que ela não consegue perceber a diferença entre um local de trabalho e um restaurante ou entre transportes públicos e um café. O certo é que os primeiros não são de frequência opcional, as pessoas têm mesmo de lá ir, ou estar, sem direito de opção, quanto aos segundos eles são locais acessórios, a que não somos obrigados a ir e que podemos, assim como escolhemos sushi ou pastas, optar entre o fumo ou o não fumo. Para mim liberdade é isto, mas porventura terei de rever os meus conceitos, pois se uma tão insigne paladina da liberdade está em desacordo comigo, deverá certamente ser um erro meu.

28.6.07

Haja (alguma) sensatez

O acordar de hoje foi brindado com a mui agradável notícia de que o Parlamento tinha recuado na Lei do Tabaco. As negras previsões de que o fascismo higiénico nos tomaria de assalto, impedindo os fumadores de frequentar restaurantes pequenos (até 100m2), afinal não se concretizaram. Vingou a liberdade dos proprietários poderem escolher se querem, ou não, fumo no seu espaço, ficando assim feita a justiça necessária para que os direitos de fumadores e não fumadores sejam mais equilibrados e que ambos possam ter espaços à sua medida. Os espaços maiores privilegiarão as zonas de não fumadores, o que os tornará muito mais agradáveis sem que com isso impeçam a existência de zonas onde se possa fumar. Tudo isto me parece muito bem, indo claramente de encontro à equilibrada lei espanhola e mostrando que, afinal, ao contrário do que seria de esperar, o ministro Correia de Campos ainda tem lampejos de sensatez.

26.6.07

In Memoriam

No dia em que o senhor Berardo abre, a grandes expensas do Estado, o seu museu, convém lembrar com algumas imagens a magnífica obra, já aqui referida, que o senhor efectuou na Quinta da Bacalhoa em Azeitão.
Sobre a história da quinta não me alongarei, aconselhando para mais informações a consulta do site da DGEMN, apenas gostaria de referir que a Quinta esteve à venda ao longo de três anos, durante quais o Estado português não exerceu o direito de preferência que lhe era devido e após os quais foi adquirida pelo grande mecenas Joe Berardo.
Para melhor legendar as imagens, utilizemos as abreviaturas AB, para Antes de Berardo, e DB, para depois de Berardo.


AB – Num primeiro plano o laranjal em frente, outras árvores à esquerda, vários arbustos e uma enorme sebe à direita. Ao fundo o palácio e a sua loggia.


DB – A vinha industrial em primeiro plano e o palácio e a sua loggia ao fundo.


AB – O jardim de buxo, as trepadeiras, o laranjal, os arbustos, a sebe, e a casa de fresco ao fundo.


DB – O jardim de buxo, a vinha industrial, e a casa de fresco ao fundo.


AB – O jardim de buxo, a sebe e a loggia.


DB – A terraplanagem que aqui aparece destruiu totalmente o sistema hidráulico, de rega por gravidade, que ainda regava o jardim.


Os azulejos hispano-árabes originais foram substituídos por cerâmica industrial.
.
.
As imagens AB foram todas retiradas do site da DGEMN. As imagens DB foram recolhidas por mim em visita ao local no ano de 2001.

24.6.07

A coisa

Os déspotas iluminados que regem a Europa lá conseguiram – a custo, pois parece que os coitados passaram uma noite quase em branco – arranjar maneira de contornar o incómodo de referendos perdidos. A “coisa” passa a chamar-se Tratado, apesar de ser essencialmente igual à mesma coisa chamada “Constituição”, e assim não irá necessitar de ser aprovada directamente pelos incultos povos. Claro que nada disto é dito para já, ficando-se o Sr. Pinto de Sousa por um “não é momento adequado para falar de referendo, vamos esperar que o tratado (a “coisa”) esteja no papel para se discutir”. Quando finalmente a desejada “coisa” aparecer escrita em linguagem jurídica é óbvio que, como afinal até nem é uma constituição, não será impedida no seu iluminado caminho pelo gentio povo. Assim se tem feito a “magnífica” construção europeia, ano após ano num segredo mais bem guardado que as cerimónias maçónicas.

22.6.07

Omnipresença

Começa a ser difícil fugir ao sufocante cerco da presença de Joe Berardo. As OPA´s sucessivas (Sogrape, BCP, Benfica) e a inauguração, na próxima segunda-feira, do Museu com o seu nome inundam a imprensa com notícias e entrevistas. Pena é que todas esqueçam a barbárie que o senhor "comendador" fez na Quinta da Bacalhoa, destruíndo um dos poucos jardins renascentistas portugueses para plantar vinha. Sim, para quem já esqueceu, o senhor até ignorou um embargo do IPPAR sem que isso tivesse consequências. O grande herói português está aí, na modernidade do preto e na arrogância de quem sabe que o dinheiro é poder.

19.6.07

Coisas do tempo

Parece que estamos a chegar ao Verão, anunciado por este inclemente e escaldante sol abrasivo. As praias enchem-se e mais se assemelham a um cheio formigueiro. Os agricultores correm em pânico ao ministério em busca de indemnizações pela seca. Os bombeiros desesperam exaustos pela avalanche de fogos que carboniza a floresta restante no país. Pequenos proprietários choram a perda das suas casas pelas chamas. Os alertas vermelhos sucedem-se na televisão e idosos caem inanimados pelas ruas desertas do Alentejo. A ironia pode até ser uma coisa engraçada, mas afinal que merda de tempo é este?

13.6.07

Uma frase do debate

“Há várias formas de bombardear uma cidade: uma é como os americanos fizeram em Bagdad, a outra é votar em qualquer um dos outros candidatos que concorrem a esta eleição.”
José Pinto Coelho

Datas III

Este magnífico produto – que continua a ser assíduo no meu lavatório – cumpre hoje 75 anos de existência.


Sincero obrigado à família Couto.

Datas II

Fernando Pessoa nasceu há 119 anos.

Fresta

Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,

Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado

Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.

Datas I


O Santo António de Lisboa morreu há 776 anos.

12.6.07

Boa companhia para jantar


Monica Bellucci

Ao fim da tarde, junto a uma fonte em Alfama, antes de partirmos em busca da sardinha assada.

Belas Agendas

Há a ideia corrente que os ministros são pessoas atarefadas, de agendas preenchidas, com o tempo contado ao minuto durante exaustivos dias de trabalho. Nada mais errado, pelo menos a avaliar pela súbita e pronta disponibilidade do ministro Mário Lino para receber uma dezena de autarcas, preocupados com a mera possibilidade de ver fugir o aeroporto das suas terras. O motivo desta reunião tinha umas escassas doze horas de existência, pelo que podemos concluir que ministro parece estar com falta de trabalho.

11.6.07

Diálogos Imaginários

– Charles, não sei porquê, mas hoje parece-me estar dia de gaspacho. Acha possível improvisar um?
– Com toda a certeza, menino. Já tinha pensado na eventualidade e comprei tomate, pimento e pepino.
– Em definitivo já não concebo uma vida aceitável sem a sua presença, Charles.
– Ora essa, menino. Não diga essas coisas.
– É verdade, Charles. É mais pura verdade.

Será que se tratou?

O ministro Mário Lino veio hoje recuar dizendo que «O Governo continuará a promover todas as acções necessárias ao desenvolvimento do projecto sem tomar qualquer decisão». Muito longe do gritado “jamais” na margem Sul, fica no entanto a dúvida se não será apenas uma manobra de distracção para decidir pela Ota em termos supostamente mais democráticos, é que custa a crer que uma Otomania se cure assim tão depressa.

8.6.07

Consequências da Perigosa Otofobia

Parece que os socialistas, paranóicos com o mais leve sintoma da doença que designam de Otofobia, se preparam para encarcerar para testes psiquiátricos o ex-ministro Augusto Mateus. Ao que consta, o Largo do Rato foi invadido por uma devastadora incompreensão de como “um deles” pode ter cometido o supremo sacrilégio de não louvar a Ota em cânticos de alegria, tendo inclusivamente provocado alguns desmaios a mera menção da hipótese Alcochete. Quando os médicos presentes se preparavam para algumas reanimações, eis que na rádio se concluía a notícia com a referência do ministro ao facto de os terrenos de Alcochete serem do Estado e, como tal, imunes a especulações e interesses obscuros. Nesta altura ouviram-se estridentes gritos de indignação, seguidos de duas ou três apoplexias que justificaram a pronta chamada de ambulâncias. Os porta-vozes do PS não proferiram qualquer comentário devido ao ataque de afonia nervosa de que foram vítimas dado o terrível choque.

5.6.07

O roxo impossível dos Jacarandás de Lisboa.

Lisboa, Junho de 2007

Terapia

Este país anda a dar-me azia. Agora dá-me para só falar de política e acho que estou a ficar um revoltado maçador. O melhor será comprar umas garrafas de Água das Pedras para consumir com avidez, pode ser que em conjunto com o sol, que enfim chegou, mitigue a indignação e acalme a revolta.

31.5.07

Esquerda "Dandy"

Pinto de Sousa que se prepare, pois a esquerda começa a entender-se até nos pormenores mais improváveis. Atentemos em Jerónimo de Sousa e Francisco Louça aquando do debate parlamentar de hoje, vestindo blazers beijes quase dignos, não fora um certo problema no corte, de uma esplanada trendy da Côte d’Azur.