15.11.07

Pesos e medidas

Ando com grande curiosidade de ver a reacção dos paladinos da liberdade da esquerda mais radical perante a censura de um dos seus autores de referência, Gabriel Garcia Márquez, num país que é hoje para eles um farol da democracia, o Irão de Ahmadinejad. Entre os dois estarão corações a balançar, resta saber se para algum lado irão cair ou se, subtilmente, esta censura será olvidada e o assunto menosprezado como sempre se passa com censuras provindas de regimes de esquerda, ou, hoje em dia mais importante, anti-americanos.

13.11.07

O Embuste

O sempre efusivo, em especial depois do almoço, Mário Lino continua a passear a sua arrogância de quem já decidiu, mas a quem uns maçadores obrigam a fingir que está a ponderar. Como já por aqui disse, o meu pessimismo com os políticos portugueses é perene e, infelizmente, não melhora com a queda das folhas no Outono. Quando o governo aceitou repensar a Ota muitos manifestaram a sua satisfação, já eu, desconfiado com a coisa, preferi esperar para ver. Depois dos “jamais” Alcochete e da margem sul ser decretada um deserto, é difícil imaginar como é que Mário Lino poderia aprovar outra solução que não a Ota. Como Pinto de Sousa insiste na obstinação de manter todos os seus ministros em funções, não é de esperar que despache Lino para outro tacho qualquer, o que, politicamente, inviabiliza qualquer alternativa à Ota.
O presidente da CIP vem agora queixar-se que o ministro desprezou o estudo em que Alcochete surge como a opção mais favorável e que se prepara para, em manobras de bastidores, destruir esse mesmo estudo. Apenas estranho a admiração, caso a mesma seja genuína. Quem leu, e eu estou a meio em vias de terminar, o livro “O erro da Ota” fica com a absoluta certeza que de facto existem conspirações e de poderes ocultos, e que a escolha da Ota só se pode prender com interesses dado o absoluto disparate desta mesma escolha. Quando as pessoas cegam fazem-no por poder ou por dinheiro, ou mesmo pelos dois, a Ota é o melhor exemplo disso.
Acreditando que o governo não faz a menor intenção de mudar de ideias, acho que há, ainda assim, uma via de o obrigar a isso. Sendo a grande e maior obsessão de Pinto de Sousa as sondagens, ou seja a popularidade, cabe aos jornalistas deste país, que não tenham cartão rosa, desmistificarem até ao infinito o embuste e a vergonha que será a escolha da Ota. No momento em que a população se aperceber, realmente, do que este governo está para fazer, talvez o PS comece a descer nas sondagens e Pinto de Sousa prefira ganhar o país e perder Lino e o sindicato de interesses em redor da Ota. Será preciso coragem, já que estes poderes ocultos têm de facto poder, mas pode ser que por uma vez Pinto de Sousa substitua a obstinação e a teimosia por coragem e firmeza.

A ler

Para melhor perceber a inanidade a que o anti-americanismo leva as pessoas e as estranhas alianças e conivências que se encontram, convido a ler este excelente post da Rua da Judiaria.
Fica aqui um excerto:
«Unidos por ideais comuns de um anti-americanismo e de um antisemitismo primários, o fanatismo religioso e aqueles que sopram as últimas cinzas do materialismo dialéctico vão encontrado terreno comum naquilo que, nos finais do séc. XIX, August Bebel chamou “o socialismo dos tolos”.»

Teste

Também via Rua da Judiaria, vale a pena fazer este teste do The Sunday Times sobre a veracidade do nosso progressismo.

Um questionário do The Sunday Times, de Londres
1 – É permitido aos muçulmanos ser homófobos por causa da sua cultura?
2 – Devem ser punidos por lei os casamentos celebrados contra a vontade das mulheres?
3 – É aceitável exigir que as mulheres usem véus?
4 – É o antisemitismo uma reposta legítima à frustração com as políticas dos Estados Unidos e de Israel?
5 – Deve permitir-se que o regime iraniano de Ahmadinejad adquira a bomba nuclear?
6 – Pode ser-se um defensor do povo mesmo que o povo não possa eleger outra pessoa?
7 – Existem ocasiões em que prisioneiros políticos podem ser justificados?
8 – É a al-Qaeda uma organização legítima de resistência no Iraque?
9 – É Ayaan Hirsi Ali demasiado crítica em relação ao Islão?
10 – Devia o Governo Holandês retirar a sua [a Ayaan Hirsi Ali] segurança no estrangeiro?
11 – Deveria Salman Rushdie ter escrito sobre o Corão da forma que o fez em “Versículos Satânicos”?
12 – São a liberdade de expressão, a liberdade de associação e a liberdade religiosa (ou ateística) direitos humanos universais?
13 – É uma tradição cultural aceitável apelar à morte das pessoas que abandonam uma religião?14 – É aceitável interditar a entrada em lugares sagrados a membros de outras religiões, como acontece em Meca?
15 – Podem os “crimes de honra” ou a mutilação genital de mulheres ser colocados num “contexto cultural”?
16 – É aceitável apelar à morte de cartunistas porque não se acha piada aos seus cartoons?

Respostas – 1)não; 2)sim; 3)não; 4)não; 5)não; 6)não; 7)não; 8)não; 9)não; 10)não; 11)sim; 12)sim; 13)não; 14)não; 15)não; 16)não

Se acertou na maioria das respostas, parabéns! É progressista a sério.
Se falhou a maioria das respostas… então é um progressista da treta e poderia estar com os filhos de Che Guevara em Teerão (ver post acima)

Original: "Are you a phoney liberal?" - Times Online (PDF)

12.11.07

Viva Espanha

Haja quem tenha mandado calar o inenarrável Chávez quando começou com os seus despropositados e intoleráveis insultos. Que tenha vindo de Espanha não surpreende, ainda menos quando vem do seu Rei, mostrando as virtudes de uma monarquia e da sua real independência.

Coisas boas da época

Abafadinho “on-the-rocks” com castanhas assadas numa fria noite de província.

6.11.07

A Fraude

Post longo e atrasado acerca da exposição do Hermitage.

A simpático convite de uma amiga, tive o “enorme privilégio” de assistir à inauguração da tão badalada exposição do Hermitage no Palácio da Ajuda, que dá pelo nome de "Arte e Cultura do Império Russo nas Colecções do Hermitage - De Pedro, o Grande, a Nicolau II". A chegada assustou-me um pouco ao deparar com a multidão que aguardava à entrada, mas tive assim oportunidade para por a conversa em dia enquanto fumava um animado cigarro. Não foi assim muito longa a espera e lá subimos rumo à Galeria D. Luís – pelo menos fomos tentando, porque um aglomerado de gente perfumada que julgava estar, apesar da produção, no metro, ia empurrando e furando a ordem. No topo da escadaria percebemos que numa sala decorria um cocktail, noutra sala estava exposta uma mesa de gala e que uma longa fila apontava para o que parecia ser a exposição. Optámos por deixar o croquete para o fim, no que se revelou uma má opção, e por começar pela sala com uma mesa posta com uma bonita baixela, serviço de porcelana (penso que de Meissen) e faqueiro com cabos de porcelana do mesmo serviço. Bonita, mas faltava qualquer coisa ao arranjo, talvez uma toalha que permitisse destacar mais as peças e que seria acessório lógico numa mesa que quisesse ser de gala.
Antes de entrar na exposição, devo referir que não conseguia ter a expectativa muito alta, uma vez que, conhecendo a Galeria D. Luís, sabia que o seu tamanho era, para uma propagada mega-exposição, no mínimo ridículo, restando a dúvida se as obras tinham arrasado muitas paredes do palácio tornando o espaço amplo, ou se a exposição era micro em vez de mega. Felizmente pouparam as paredes, mas a exposição de mega pouco tinha, estando ainda assim todo o espaço aproveitado por vitrinas ou painéis, o que com a enorme densidade de gente por metro quadrado tornava difícil ler os painéis explicativos e acompanhar as partes para mim desconhecidas da história da Rússia.
A colecção de peças apresentada é bonita, mas banal. A maior componente presente é de pintura, na sua quase maioria retratos da família real efectuados por pintores russos desconhecidos. Académicos e correctos, como centenas de retratos que podemos encontrar em qualquer palácio da Europa. A porcelana exposta, maioritariamente Meissen, Wedgwood e de uma oficina de S. Petersburgo, é interessante, mas para um português que tenha visitado pelo menos dois ou três museus e palácios – M. N. Arte Antiga, Palácio de Vila Viçosa ou Fundação Medeiros de Almeida – vai achar pobrezinho comparado com o que já viu. As famosas peças de Fabergé, apresentadas nas imagens promocionais com uma fotografia que as faz parecer enormes, são afinal três coroas pequeninas colocadas numa bonita meia coluna, o que em joalharia nada quer dizer, mas ajuda a compreender o logro, comprovado ao ver que as peças em nada se assemelham ao estilo dos famosos ovos Fabergé.
Uma grande área foi para mim, por motivos profissionais, muito interessante, mas era constituída por gravuras, bonitas, mas que não são de forma alguma uma manifestação de arte das mais importantes. Ajudavam a contar a história de S. Petersburgo, das suas intervenções urbanas e dos palácios do Peterhof e Tsarskoe Selo. Nesta zona situavam-se também as duas peças mais interessantes da exposição, os dois trenós reais, equivalentes dos nossos coches e, além de originais, muitíssimo bonitos. Consta que foram estas as únicas peças que os portugueses conseguiram escolher, o que até denota bom gosto da parte do Comissário.
O resto são fardas, dois ou três vestidos da Emperatriz, bric-a-brac palaciano e três ou quatro peças de bonito mobiliário. O que veio e está exposto parece provir de uma sub-cave do magnífico Hermitage, as peças hoje de copa, os esquecidos das reservas, o refugo. Parece exagero mas, apesar de nunca ter ido ao Hermitage, não imagino que qualquer destas peças tenha o mínimo de importância para o museu, pelo menos a aferir com o que encontrei em alguns dos grandes museus e palácios da Europa, e até de Portugal. Para quem não saiba, o Hermitage, que é a maior pinacoteca do mundo, aluga, numa atitude inteligente, obras dos fundos de reserva que são, como se deve imaginar, imensos. Ou seja, esta não é uma exposição montada com obras cedidas, é uma mostra alugada e bem alugada, pelo que deveríamos esperar acolher obras de qualidade. A Ministra, fascinada com a possibilidade de trazer o nome Hermitage para Portugal, acedeu a contribuir para a manutenção do museu, o que seria muito meritório, não fosse o facto de os museus portugueses constantemente se queixarem de falta de verba.
Esta é a típica acção em que se vende gato por lebre ao abrigo de um grande nome, mas em que o que se mostra, sendo interessante, não justifica nem um décimo do dinheiro investido na tinta gasta em divulgação. Só mesmo uma mentalidade provinciana pode achar que esta exposição pode ombrear com as exposições cujos ecos nos chegam de Madrid ou Barcelona (neste momento temos Durer e Cranach no Thyssen, Andy Goldsworthy e Paula Rego no Reina Sofia, só paRa dar uns exemplos).
Chegando aos números, podemos referir que a brincadeira custou a módica quantia de 1,5 milhões de Euros, para além das obras necessárias na Galeria D. Luís que orçaram em 900 mil Euros. Para dar um termo de comparação, o orçamento do anual do IPM prevê 10 milhões de Euros para despesa corrente e 3 milhões de Euros para programação. A conclusão é que a feira de vaidades russa custa metade do orçamento de programação dos todos os museus portugueses sob a alçada do Estado, o que atesta bem da sua “enorme importância”. A Ministra decerto pensou, se é que de facto o faz, que já que o dinheiro não é dela, gaste-se, já que houve patrocínios, gastem-se aqui, façam-se obras nesta sala de exposições da Ajuda, já que o CCB está ocupado com Berardo e os outros museus não têm dinheiro para vigilantes ou para a luz.
Não resisto a apontar outro pormenor delirante – que detectei ao olhar distraidamente para o tecto – que se refere ao aproveitamento da exposição para integrar uma instalação de arte contemporânea, pelo menos é esta a única justificação que encontro para que as condutas do ar condicionado e restantes galerias técnicas estejam todas à mostra. Não creio que, com o vasto orçamento da exposição, isto se deva a falta de dinheiro para um tecto falso!
No fim da triste visita, nem restou a consolação do croquete, pois na sala do cocktail apenas estavam os estalinistas esbanjadores (para quem não tenha percebido, aquela que se diz Ministra e o seu Secretário de Estado) e o seu séquito, sem um vislumbre de copos ou tapas, pelo que foi com a rapidez possível, e tentando não deitar ninguém ao chão pelo caminho, que saí da sala por motivos de higiene mental e de prudência, já que a coabitação com a dita senhora pode conduzir a comportamentos sancionados pela lei portuguesa e a presença de polícias dissuadia o insulto ou o merecido calduço.
Como nem tudo é mau, devo referir que a exposição até nem estava mal montada, com iluminação razoável e painéis explicativos aparentemente adequados. Será até uma exposição agradável de ver, mas convém avisar os futuros visitantes para não serem papalvos, não passarem por provincianos, compreenderem o esbanjamento e perceberem, de uma vez, quão Incompetente é a senhora Estalinista que se diz Ministra da Cultura.


P.S. Para desanuviar, aproveitem e vão até ao Museu Nacional de Arte Antiga para ver a exposição sobre o tapete ocidental, que terá custado uma ninharia, em comparação, mas que é de uma enorme qualidade.

30.10.07

Link

Entrada para a coluna do lado do Hotel Mandovi. Para outra oportunidade ficam alguns comentários a propósito. Até lá, vai um Cold-coffee ao fim da tarde no bar do hotel, após passeio errante pelas ruas de Pangim.

Para lembrar um momento de génio



Dos tempos em que Herman era grande, o meu sketch preferido. À atenção de quem, justamente, acha que o Herman de hoje não tem graça, mas que, injustamente, se esquece dos muitos grandes momentos que lhe devemos.

26.10.07

Pudim por Pudim

O senhor Pudim tem andado a transtornar a vida dos pobres lisboetas que, em desespero com a prolificação de sirenes a apitar e de carros a dispararem no meio do trânsito, ameaçam esgotar os stocks de comprimidos para a dor de cabeça. A agravar a situação, o tuga-lisboeta desconhece que deve facilitar a passagem de ambulâncias e carros de polícia com pirilampos acesos, com resultado que, ontem, um energúmeno quase me abalroou quando eu simpática e civilizadamente procurava dar passagem a uma carrinha da polícia com as luzes azuis a piscar freneticamente.
Como tudo isto é uma grande maçada, eu cá mandava o senhor Pudim para a sua terra, onde todos se parecem habituar ao circo que o envolve e, caso não se habituem, podem sempre esperar receber um presentinho do senhor Pudim, talvez um radiante Polónio. Pudim por Pudim ficava antes com o nosso, o “à Abade de Priscos”, que sempre vai sendo mais doce, português e, essencialmente, muito menos maçador.

Europa

“Enquanto os Estados Unidos tentavam assumir a liderança com os resultados conhecidos, a Europa na sua versão jurídica e burocrática discutia em circuito fechado e procedia à sua tarefa preferida, de tudo regulamentar, desde a proibição das colheres de pau até à extinção dos "jaquinzinhos". “

Excerto de “A arte do possível” de Maria José Nogueira Pinto no DN de ontem.

24.10.07

Fiesta

Para comemorar nada melhor que os Pogues e a sua saudável loucura.

Quatro

Descubro, por puro acaso, que me passaram os quatro anos do blog. Esta coisa de as datas serem algo de difícil memorização – acabo de descobrir que o meu primo fez anos ontem e que, portanto, terei de lhe ligar de imediato – leva a isto, até me esqueço dos dias que directamente me dizem respeito. Nada de especial, só lamento a falta de um champagne para brindar com os leitores que persistem em aturar os meus desvarios e as inutilidades que por aqui se escrevem, afinal, nem mesmo eu sei porque persisto nesta teimosa tarefa de manter um blog e durante tanto tempo. Há algo de viciante num blog, que combato como aos cigarros mantendo uma dose cobarde e aceitável e evitando os excessos. Ainda assim não me entendo e não percebo como, sendo tão preguiçoso, consigo manter esta chafarica a funcionar. Prefiro pensar que serve a minha ginástica mental e que ajuda a que este cérebro não hiberne ao ritmo dos tempos cinzentos e desinteressantes que são os de hoje. Também ajuda perceber que alguns lunáticos, não levem a mal a franqueza, leiam o blog e, aparentemente, vão gostando do que lêem. Serão motivos para continuar? Talvez sim, ou talvez não, caso um dos meus famosos e proverbiais ataques de mau feitio me levem a ter um auto-zanga que me leve a deixar de escrever. Até lá, obrigado aos que me vão aturando.

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Agradecimento ao Vide Bula pela referência a este estabelecimento vinda do outro lado do Atlântico. Entrada para a coluna do lado, assim como o Gattopardo, o novo blog de Pedro Mexia e Pedro Lomba, e o Somos Portugueses , um blog monárquico a sério.

23.10.07

Coisas do tempo

Reclamei que me faltou calor aquando do verão do calendário em que estive de férias. Reclamei com o verão veio fora de época e as férias eram já uma miragem. Hoje dou por mim a reclamar com as nuvens que querem lembrar que não estamos em Maio, apesar da temperatura. Lembro-me também que a hora está para mudar e terei de recorrer a muito chá verde da Gorreana para combater a ansiedade e a uns valentes copos para contrariar a neura de ser noite tão cedo durante o dia.
Gosto de reclamar, em especial porque vivo em Portugal e me posso dar a esse luxo, porque o nosso clima é uma delícia mesmo quando nos troca as voltas e piora um pouco. Mesmo quando é mau, é bom, pelo menos a comparar com o resto do mundo. Por isso reclamamos tanto com ele, somos como crianças mal habituadas e mimadas, prontas a guinchar de birra a qualquer contrariedade. Pelo menos eu sou.

19.10.07

Posta em tom de esquerda

O Barroso e o Sousa regozijaram ontem, acabando a brindar com um espumante cá da terra ao qual só faltou o caviar para acompanhar. O povo que se manifestava cá fora, em número quase igual aos votantes das últimas autárquicas em Lisboa, foi olimpicamente ignorado. Assim como o foi e será o restante povo, massa obscura e ignorante que convém manter no desconhecimento e na distância da festa, e mais ainda dos incompreensíveis motivos da festa. Pouco faltou para se ouvir uma tirada como a que é, e mal, atribuída a Maria Antonieta – se o povo tem fome que coma brioches – adaptada à lusa pátria, que poderia ser qualquer coisa como: se o povo não tem nada que fazer, incluindo trabalho e emprego, que se dedique ao Sudoku, que sempre exercita a mente.

18.10.07

As luzes

Eis que chega a famosa cimeira de Lisboa. Os Eurocratas herdeiros do despotismo iluminado lá se preparam para contornar a, supostamente, legítima vontade do povo, aprovando um Tratado Europeu com conteúdo semelhante ao que foi chumbado em referendo por dois países. Agora, todos chegaram a acordo – sob a liderança do “fugitivo” Durão Barroso, bem habituado às decisões democráticas dos seus tempos maoístas – de nada submeter ao ignorante povo , que não detém a capacidade de perceber as luzes da Europa nem as ideias impolutas e divinas que emanam de Bruxelas. Ouço muita gente que fala com grande ênfase de Democracia e de Liberdade a louvar o tratado com um fervor quase fanático, o que me traz cada vez mais dificuldade em compreender o significado destas duas palavras. Aproveitando o facto, sugiro que, por deliberação da cimeira de Lisboa, se alterem em todos os dicionários da União Europeia as definições de Democracia e Liberdade, é que com estas confusões semânticas as pessoas podem ficar baralhadas e assim já todos saberemos ao que vamos.

16.10.07

Músicas

Santana ocupou o seu tempo, após ter sido despedido, com aulas de piano; Duarte Lima é eminente organista; Mendes Bota já editou um disco como cantor. Música não irá faltar na nova direcção laranja, resta saber se será ao nível da tocada por Lima – erudita, por Santana – Pop, ou por Bota – estilo, enfim, a ter algum estilo é mesmo pimba.

Pesadelo

Ouvir dizer que nomes como Arlindo Carvalho, Mendes Bota ou Couto dos Santos ainda estão politicamente vivos faz-me recuar aos piores pesadelos dos tempos do cavaquismo, o problema é que agora que não temos o velho Indy para por esta gente na ordem.