3.12.07

Yupiiieeee!!!

Y lo han callado. Por fin, e aunque sea por poco tiempo, lo han callado.
Bravos venezuelanos.

Vale mesmo a pena ler

“Se o Portugal do antes do cavaquismo era terceiro-mundista, acendia velas à inveja, à pinderiquice socialistóide e se comprazia em exibir mulheres de buço e o lumpen de mão estendida à caridade do Estado, os dez anos que medeiam entre 1985 e 1995 - mais o cavaquismo piegas de Guterres que se lhe seguiu - diluiram a cultura cívica, dinamitaram a respeitabilidade das forças fáticas, instituíram uma cultura de direitos - direito à riqueza, ao consumo, direito ao canudo - sem exigir trabalho, compeneração, esforço e qualidade. Muito daquilo que hoje se diagnostica teve a sua génese nesses anos de dourada promoção do nada em que Portugal, subitamente bafejado pela cornucópia dos fundos germânicos, preferiu as croissanterias, os jeeps e os aparthotéis à cultura da exigência. O cavaquismo é um velho carnicão. Está lá, ainda, seja em versão socialista, seja em "social-democrática". É um espinho cravado entranhado que nos vai privando, ano a ano, ao direito de sobrevivermos enquanto comunidade.”
Excerto de um post do Combustões que pode ler na totalidade aqui.

Sábado de festa

Apesar dos factos e do tempo insistirem em nos querer fazer pensar outra coisa, o 1º de Dezembro ainda é, e deve ser, dia de festa. Por muitos motivos que nos queiram dar para que queiramos antes alguém que diz “Porque no te callas”, valeu a pena poder manter este país que tem tanto de bom e bonito, como de desprezado e maltratado.

Manifesto masoquismo

A minha insistência em dar uso a uma Gamebox adquirida no início da época futebolística tem provocado insistentes momentos de masoquismo. O jogo de ontem poderia ser cinefilamente catalogado como uma enorme estopada realizada por um qualquer pretensioso realizador português (quase todos, portanto), alternando momentos de irrelevante – porém chatíssima – intriga, com laivos de pretensa comédia “nonsense” – como os falhanços acrobáticos de Purovic – e com um final trágico – porém tão anunciado que só um optimista incorrigível o não esperaria. O argumento é estafado e já visto e os intérpretes conseguem uma cada vez maior credibilidade no seu estilo de under-acting, por certo inspirados no bocejante Russel Crowe. Destoa Moutinho que passeia dignidade perante a restante camarilha, claramente inspirado em James Stewart. O resto parece uma mistura de pseudo actores “Morangos com Açúcar” com o refugo do Teatro Nacional D. Maria. A encenação é esforçada, mas manifestamente sem garra nem brilho. Os filmes que aí vêm não permitem grandes expectativas, será mais do mesmo, no fundo como o cinema português, sempre mais do mesmo e, infelizmente, o mesmo é muito mau.

30.11.07

Coisas de cozinha

A perna de pato de ontem não me correu muito bem. Dias há em que a bancada da cozinha se assemelha a uma página em branco onde não sabemos o que escrever e muito menos como. Cozinhar sem receita é como escrever sem plagiar, necessita treino e inspiração. Às vezes a coisa não corre bem quando hesitamos perante a pimenta e as ervas ou em que o zimbro não parece cair bem com a paprika. O mesmo se passa quando sabemos que queremos escrever, mas olhamos desolados para o branco opressivo e apenas banalidades nos passam pela cabeça. Estava comestível, até nem estava nada mal, mas ficou longe do que poderia, e deveria, ter sido. Foi assim como um post aceitável, até bem escrito, mas que passados dez minutos ninguém se lembra.

Verdade reposta

Retiro o que disse no post anterior, com humildade reconheço que ontem foi uma data histórica: a senhora Pires de Lima foi por um dia (de facto) Ministra da Cultura e arranjou, não me interessa como, dinheiro para comprar o Tiepolo. Deo gratias.

29.11.07

Luto Profundo

A Madredeus acabou. Termina assim o grupo mais importante da música portuguesa, que ao longo de vinte anos manteve uma superior qualidade musical e um espantoso êxito por esse mundo fora. O Madredeus reinventou uma portugalidade que se encontrava dispersa pelo folclore e pelo fado, agarrada a uma estrutura musical muito consolidada. Reinventaram sons e criaram uma sonoridade inconfundível, cuja melhor definição que encontro é que era Portugal. Como Amália, foram um povo numa voz e a voz de um povo.

Agradecimento

Ao “A Origem das Espécies” pelo link para este sítio, muito em especial porque vem de um dos blogs preferidos por estas bandas.

Tiepolo

Vai hoje a leilão em Lisboa. Extraordinário é que está “em vias” de classificação, facto atribuível decerto à enorme abundância de grande pintura que temos neste pobre país. “Em vias” é uma expressão magnífica, daquelas que diz tudo e não diz nada. O Estado, ou melhor, o suposto Ministério da Cultura, não compra, pois parece que terá gasto todo o seu escasso dinheiro na exposição do Hermitage. Ainda assim não o deixa sair de Portugal, caso para dizer: do mal, o menos. Apenas gostava de ter o milhão e meio de euros para o comprar, não para o ceder ou alugar a um museu público, cada vez mais locais pouco frequentáveis, mas para a sala de minha casa, sim, acho que aí estaria muito bem.

26.11.07

Proibido Proibir

Chego, via “A Origem das Espécies”, a este texto de António Barreto no Público.

«Os cozinheiros que faziam no domicílio pratos e “petiscos” a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente aos cafés e restaurantes de bairro sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializavam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados.
A solução final vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, que não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado.Esses exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais na gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.
[...]
Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico.Vender, nas praias ou nas romarias, bolas-de-berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido. Nas feiras e mercados, tanto em Lisboa e Porto como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos.
Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Proibido.Embrulhar castanhas em papel de jornal? Proibido.
Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido.
[...]
Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido.
Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido.
[...]
Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.
As regras, cujo cumprimento leva a multas pessadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever.
[...]
Tudo isto, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.»

A tudo isto apenas gostaria de acrescentar: “Puta que os pariu”.

Ontem

Estive de feriado, lembrando a importância do dia 25 de Novembro na vida deste país. Na posição vertical, de comando em punho, vendo comédias românticas apenas interrompidas para a missa dominical. Porque era dia de feriado, apenas porque era dia de feriado.

Parabéns

Ao 31 da Armada pelo ano de existência.

O interior

Gostaria de poder ter escrito o post que segue, mas foi escrito pelo Francisco José Viegas no “A Origem das Espécies”.

“O presidente da República lamenta a desertificação do interior e o presidente da Câmara de Gouveia informa que nos últimos anos perdeu 3000 pessoas. A última grande iniciativa lançada para fixar empresas e pessoas «no interior», lançada pela então ministra Elisa Ferreira, previa uma festa com a redução de 5% no IRC. Mas a realidade é esta: um quarto do território com três quartos de população; três quartos do território com um quarto da população.
De vez em quando, o país inteiro (três quartos da população, um quarto do território) dá-se conta de que existe um país incompleto (um quarto da população, três quartos do território). O “país incompleto” pesa pouco na balança dos créditos e constitui uma ameaça para o orçamento, cada vez mais apertado quando se trata de financiar “regiões improdutivas”. Para uma economia estritamente liberal, seria conveniente arrendar esse território e ceder à exploração de uma entidade privada essa parcela populacional. O Estado lucraria imenso e livrar-se-ia de uma grande parte da taxa de analfabetismo, de agricultores humildes, de funcionários da administração pública, de guarda-rios, de professores deslocados e de médicos que ambicionam viver em Lisboa, Porto ou Coimbra. Três quartos da população (ainda que confinados a apenas um quarto do território) talvez não rejubilassem, porque grande parte deles conserva a sua condição de emigrantes na periferia das três maiores cidades, mas os responsáveis pela administração do Estado sorririam à ideia. De vez em quando há problemas em Miranda do Douro, em Portalegre, em Mogadouro, em Almeida, em Pias, na Covilhã ou na ilha do Corvo. Lamentáveis ocorrências apenas explicadas pela incúria e inoportunidade desse “país incompleto”. Sejamos realistas: metade do país não rende. Quer dizer: não é prestável do luminoso ponto de vista da rendibilidade económica. De resto, só défice. Esse “país incompleto” é bom apenas por poucos motivos: oferece uma boa área para que as estradas que vêm de Espanha e do resto da Europa atinjam o litoral sem problemas de maior, pontuados aqui e ali de bombas de gasolina, de restaurantes e de lojas de artesanato; e é “a terra” de muita gente que vai lá às romarias ou ao jantar de Natal. De resto, tirando o turismo de habitação, o país vinícola no Douro e no Alentejo, o circuito dos hotéis de charme e o esforço triplicado dos que vivem mesmo «no interior», o litoral vê o resto como hortas, pastagens e muita pedra. Não está posta de parte a hipótese de arrendar essa parcela do território. Ficariam com a bandeira portuguesa, sim. E até se mandariam professores. Mas, que diabo, seriam administrados por uma empresa que garantiria que o orçamento de Estado não geraria défices assombrosos com essa terra de ninguém que era bom entregar ao turismo rural e à “literatura fantástica” que se encarregaria de divulgar as suas potencialidades para os fins devidos. Quando há eleições autárquicas, autarcas dinossauros ou estreantes aparecem nas pantalhas. Os comentadores têm em conta a expressiva votação em Almeida ou em Vimioso, como no Alandroal e em Aviz? Não. Eles sabem que se trata de um quarto da população, três quartos do território. Esse país terá cartazes, outdoors, visitas do Tribunal de Contas e da IGAT. Tem estradas e IP, “acessibilidades” e Pólis, mas duvido muito que perceba as incidências do défice. Está em défice há muito tempo. Devíamos pensar nele por um instante.”

22.11.07

O mínimo

Apesar de mais um jogo medíocre em que a qualquer momento esperava um surpreendente golo finlandês, facto agravado pelo hábito destas situações lá para o lado de Alvalade, a selecção nacional lá conseguiu passar à fase final do europeu. Da frase anterior ressalvo o “apesar de” e o “lá conseguiu”, expressões supostamente impensáveis de dizer após o último jogo de qualificação num grupo de qualidade e dificuldade mais do que baixa.

Educações

Scolari insiste numa falta de educação e arrogância que começam a cansar e a dar vontade de lhe dar um tapinha à séria. O melhor seria juntá-lo a Chávez e enviá-los para um bom colégio interno inglês onde lhes ensinassem as mais básicas regras da educação e da convivência. Acho até que se iriam tornar os melhores amigos.

20.11.07

Manif

Hoje apetecia-me criar ou aderir a uma manifestação “a la” extrema-esquerda e ir para o aeroporto ou São Bento com panelas para bater e tomates para atirar ao grande democrata venezuelano. Claro que os jornais de amanhã diriam que perigosos fascistas se manifestaram contra Chávez, numa intolerável violação dos direitos democráticos assente em preconceitos imperialistas. O mundo infelizmente anda assim, com a balança dos valores muito estranhamente desregulada, condicionando-nos as opções e tornando-as de imediato politicamente incorrectas.

Ter em casa

O jornalista espanhol que no “Prós e Contras” de ontem afincadamente defendia comunismo e populismo com igual agrado, tentando por todas as vias agredir o Rei de Espanha, é daquelas criaturas que apetece ter em casa, junto ao sofá, para pontapear a gosto. Conseguiu num espaço de tempo reduzido dizer e, mais grave, insinuar tal quantidade de alarvidades que seria um acto de sanidade pública, que os seus heróis “democráticos” não teriam problemas em concretizar, silenciá-lo, não fora o facto de ainda haver quem entenda o que é democracia e que perceba que em nome dela até temos de tolerar a imbecilidade mesmo que dela não gostemos.

Coisa muitíssimo estranha

Ouvir Ana Gomes um programa inteiro e concordar na quase totalidade da suas opiniões. O mais espantoso é não estava a falar de flores ou de culinária, falava de Chávez e do “Porque no te callas” no “Prós e Contras” de ontem.

19.11.07

Que comemoração?

Neste extraordinário país vão-se comemorar os duzentos anos sobre as Invasões Francesas. Coisa bizarra esta, a de comemorarmos o facto de termos sido invadidos pela força por gentes de terras gaulesas, pelas tropas do “magnífico” Napoleão. A demonstração de fair-play colide com o típico mau comportamento português, bem expresso em vários desportos e em derrotas bem menos importantes. Alguém me poderia explicar – em longo, se bem que provavelmente pouco agradável, jantar – o que é que comemoramos. Assim de repente, talvez seja má vontade minha, não estou a ver os espanhóis a comemorarem Aljubarrota com reconstituições históricas. Ou os ingleses a comemorarem a Revolução Americana. Ou os comunistas a comemorarem a queda do muro de Berlim. Faz parte que comemoremos as vitórias, os momentos dos quais nos possamos orgulhar, mas comemorar uma vergonhosa invasão, ou a tão vergonhosa falta de empenho em terminar com a mesma, ou as traições à pátria de muitos sabujos de Junot, ou a pouco edificante fuga da corte para o Brasil, ou a ajuda mais do que interessada – apesar de ajuda – dos ingleses que saquearam o que restou. No meio de tudo isto ficarei com a eterna dúvida de perceber o que comemorarão eles.

15.11.07

Bravo

Forte aplauso para o Bastonário da Ordem do Médicos. Parece que ainda há quem saiba o que quer dizer ética e que não vacile nos princípios. Segundo o Público, a Ordem recusa alterar o seu Código Deontológico para permitir no mesmo o aborto, apesar do parecer da Procuradoria Geral da República que visava “repor a legalidade na situação”. Isto não implica a impossibilidade de cumprir a lei, pois a mesma sobrepõe-se ao Código, mas permite aos médicos manterem, nas palavras do Bastonário, a sua independência, autonomia e liberdade, e, acrescento eu, não poderem ser obrigados a efectuar algo que vá contra os seus princípios éticos.