10.1.08
Ainda há esperança
Há uns meses, a Ota era um dado adquirido e defendido com total intransigência pelo governo. A chamada sociedade civil mexeu-se, foi publicado o livro “O erro da Ota”, a CIP fez um estudo de viabilidade para Alcochete, o povo percebeu o embuste miserável que ia ser a Ota – feita com o dinheiro de todos para benefício de alguns – e o governo acabou por se render à evidente sensatez da escolha de Alcochete. Fica a prova que, mesmo contra a persistente obstinação de Pinto de Sousa, ainda é possível travar alguns dos disparates que tentam impor a este pobre país.
Medo, há que ter medo
O primeiro-ministro lá decidiu por Alcochete, com um discurso bem estudado para não parecer um total recuo. Os famosos interesses é que não devem ter ficado muito satisfeitos, por isso logo veio Pinto de Sousa dizer que era preciso compensar as populações da zona da Ota, que tinham feito investimentos a contar com o aeroporto. Leia-se, é preciso compensar os ocultos interesses que se preparavam para ganhar uma fortuna na Ota, nem que isso implique o gasto de mais uns milhões de dinheiros públicos.
9.1.08
Das Europas
O esperado foi hoje anunciado: não haverá referendo ao Tratado de Lisboa. O primeiro instinto seria discorrer palavras amargas e agressivas sobre a falta de democraticidade da medida, insultando Pinto de Sousa pelo incumprimento de uma promessa eleitoral. No entanto, o cinismo vai ganhando espaço no meu pensamento e fico feliz com a decisão. Não porque concorde com ela, simplesmente porque ela é coerente com os métodos anti-democráticos de Bruxelas e porque acho, sinceramente, que o “Sim” iria ganhar. Assim, fico com a tranquila consciência de que esta decisão – como quase todas as tomadas pela “Europa” – não contou com o expresso apoio popular, e um dia mais tarde – que chegará a curto ou médio prazo – em que a Europa se tornar ingovernável e entrar em colapso, poderemos, os que dela duvidamos, dizer com propriedade que caiu porque nunca teve, de facto, o apoio do povo.
8.1.08
Afinal há outro
Com o novo ano chegou a vontade de criar um outro blog. Este blog, desde que nasceu, oscilou o seu estilo e conteúdo ao sabor de indefinidas marés. Assim irá continuar, mas abrirei outro espaço, talvez mais intimista, talvez mais pessoal, talvez até menos diferente do que julgo. Será de seu nome “Coisas dos Trinta” e não falará, seguramente, de política, mas de coisas mais prosaicas, ainda que, por vezes, não menos interessantes. A respeitável longevidade deste Anarcoconservador não me permite acabar com ele, nem nada que se pareça, apenas terei dois espaços distintos para escrever sobre coisas diferentes. O tempo dirá se vale a pena manter os dois blogs, até lá, convido os que fazem o favor de me ler aqui, e aos quais aproveito para agradecer, para me visitarem também por lá.
7.1.08
Terrorismo
Telefonar para os restaurantes que mais gostamos a tentar reservar mesas, em dias de semana, para doze pessoas (bom número pois é volume de dinheiro razoável e não é um grupo tão grande que desmotive os donos pelo excesso de incómodo para os restantes clientes). Após a solícita resposta de “com certeza”, e apenas após, confirmar, com voz melíflua, se a mesa é para fumadores. Após a resposta negativa, e ainda que com a persuasão de que se pode fumar no bar ou à porta, rejeitar convictamente a reserva e acrescentar, com delicadeza, que assim terá imensa pena de não poder voltar a usufruir de um restaurante onde já passou tantos bons momentos.
Coisas do fumo
Ainda não tive o prazer de jantar fora neste novo ano, nem sei mesmo se o irei ter tão cedo. Restaurantes onde não possa fumar não me interessam, pelo menos para jantares de prazer e em boa companhia. A nova lei é intolerante, mas os restaurantes também foram preguiçosos e incompetentes e não se prepararam para a mesma, o resultado é que não me merecem como cliente.
Agradeço a fundamental lista do “A Origem das Espécies” e prometo contribuir na medida do possível para a actualização da mesma.
Agradeço a fundamental lista do “A Origem das Espécies” e prometo contribuir na medida do possível para a actualização da mesma.
Memória
Hittler pregava por uma sociedade perfeita de homens loiros e saudáveis, em que a doença e a imperfeição eram motivos suficientes para remover alguém da sociedade.
A lei do fumo foi aplicada em Portugal tornando os fumadores criaturas à margem do sistema.
Em Inglaterra já se fala em retirar direitos no Sistema Nacional de Saúde aos cidadãos gordos.
Sejam saudáveis, ou então tenham medo, muito medo.
A lei do fumo foi aplicada em Portugal tornando os fumadores criaturas à margem do sistema.
Em Inglaterra já se fala em retirar direitos no Sistema Nacional de Saúde aos cidadãos gordos.
Sejam saudáveis, ou então tenham medo, muito medo.
Cidadanias
Este blog é mantido por um português que, desde dia 1 de Janeiro, foi considerado cidadão de segunda neste triste país. A inaceitável “lei do fumo” contribuiu para apressar um processo que eu julgava ia demorar algum tempo a ser consolidado, o do meu caminho para a clandestinidade. Vivo num país onde o conceito de democracia é tão criativo e afastado do original que vacilo se não seria melhor uma ditadura assumida. A imprensa não é livre, os bancos privados são manipulados pelo estado, a justiça é uma perfeita inexistência, há gente – e muita – a passar fome, o desemprego não pára de crescer, fazemos parte de uma ditadura burocrática como origem em Bruxelas que ninguém compreende. No meio de tudo isto, o importante é tornar os fumadores menos cidadãos e dar poderes à ASAE para tornar Portugal num país asséptico e plástico de onde apetece fugir desesperadamente.
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Neste país já há o desplante de discutir a legitimidade das escolas terem nome de santos. Curioso que um santo – que, acreditando-se ou não em Deus, terá sido um bom homem – não possa dar nome a escolas e tenhamos ruas com nomes de assassinos comprovados.
Coisas genéticas
Uma vez mais, perante o terror, os franceses baixaram as calcinhas. Depois de Vichy, transformaram o “Lisboa – Dakar” em “CCB – Mosteiro dos Jerónimos”. A bem da sua proverbial e abençoada cobardia.
Regresso
A temporada festiva terminou com a epifania do dia de Reis e este blog volta agora à normalidade possível dos pequenos dias invernais.
4.1.08
Começa mal o ano
Os terroristas conseguiram mais uma vitória e o Lisboa-Dakar foi cancelado por razões de segurança. Vencendo batalhas caminha-se, ainda que não irreversivelmente, para a vitória na guerra. Que não seja o caso e que a Civilização ainda consiga ir buscar coragem e argumentos para combater a Barbárie.
Regresso da terra
Após os provincianos dias festivos, este blog volta ao rebuliço de Lisboa. Os bons momentos familiares passaram e restou uma incomodativa constipação. Consequências nefastas de alguns possíveis excessos ou simples falta de resistência ao inclemente frio húmido? A resposta é indiferente, mas dispensavam-se as consequências.
27.12.07
Coisas de amigos
Casa de Santa Vitória Reserva, Guru, Passadouro, Pintas e Pintas Vintage. Magnífico ramalhete de vinhos que por si só faria uma noite de longo prazer. Ontem, foram apenas pano de fundo para um jantar de Natal de amigos que iam chegando das proveniências mais diversas, desde o Douro profundo a Londres, desde o seminário até à Comissão Europeia. Este jantar anual é o fio que nos vai juntando por entre as distâncias da vida e o que é espantoso é que, depois de dois minutos de conversa, regressamos sem esforço aos gloriosos tempos de faculdade e esquecemos as marcas do tempo em nome de laços que, ainda que por vezes já pareçam ténues, permanecem com inesperada firmeza.
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Passado o Natal, ficam os sempre agradáveis dias que restam até o ano findar. Acolhedores e diletantes, vividos por entre telefonemas e cafés com amigos. Até há quem trabalhe, mas o ar que se respira é de umas familiares férias de Inverno.
22.12.07
Santo Natal
Que o espírito da paz domine por sobre esta época e torne o vosso Natal feliz.
(a todos os leitores e visitantes deste blogue)
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