17.1.08

Da sociedade asséptica

Via "31 da Armada" chego a estas pequenas informações históricas – veiculadas no “Bar Velho” – sobre Hitler e o regime nazi:


"- Hitler financiou um estudo da Universidade de Jena, para se tentar descobrir se o câncro do pulmão teria algo a ver com o fumo do tabaco. A conclusão do estudo permitiu que se iniciasse a primeira campanha anti-tabágica de que há memória em todo o Mundo.
- Foram criadas leis que proibiam que se fumasse em locais públicos e iniciaram-se campanhas que permitiram dar a conhecer às pessoas o perigo que o tabaco provoca.
- Era proibido fumar nos escritórios dos serviços postais da Força Aérea; polícias fardados estavam proibidos de fumar; restaurantes e cafés estavam proibidos de vender cigarros a mulheres; vouchers de tabaco eram negados a mulheres grávidas; era proibido um menor de 18 anos fumar em público; produtos alusivos ao tabaco eram alvo de uma regulação muito restrita.
- Como forma de dissuadir os soldados alemães de fumar, Hitler dava 6 cigarros diariamente por cada homem, ou chocolate e mais comida como opção. Ás mulheres não era permitido fumar de todo.
- A expressão "fumador passivo" surgiu com Fritz Lickint, autor do livro "Tabaco e o Organismo". Ele colaborou activamente com a Campanha Anti-Tabágica Nazi.
- Foi feita uma campanha intensiva por toda a Alemanha alertando os alemães para os perigos existentes no consumo de corantes e conservantes na comida e nas bebidas.
- Foram criadas leis que proibiam o consumo de álcool por menores e que puniam a condução sob efeito de álcool, existindo ainda os testes de sangue feitos ao condutor.
- O Governo alemão promovia o consumo de água mineral como substituto do álcool e lançou imensas campanhas para motivar os jovens a comer e beber de forma saudável, e a praticarem exercício físico: uma mente sã, num corpo são."

As comparações podem sempre ser duvidosas, pode até questionar-se o seu bom gosto, o que é inegável é que quando pessoas como Vasco Pulido Valente, António Barreto ou Miguel Sousa Tavares recorrem a epítetos de “fascista” ou “nazi” para qualificar a ASAE ou a nova lei do tabaco não estão – ao contrário do que muitas virgens pudicas ofendidas e comentadores irónicos nos querem fazer querer – a enlouquecer ou em delírios devidos ao álcool ou às drogas. A história não é o que nós queremos que seja, é um conjunto de factos e se, de facto, o nazismo foi o pioneiro em leis conducentes a uma sociedade asséptica, não será absurdo estabelecer um nexo de comparação. Aliás, após ler isto com atenção, acho perfeitamente plausível, e até lógico, que venha a ouvir o “Gremlin” George a elogiar as políticas de saúde de Hitler, pois os seus grandes ideais como Director Geral de Saúde estão quase todos escritos ali em cima. Não estou com isto, como é evidente, a chamar nazi ao senhor – o que seria – mas que em termos de leis de saúde pública estamos a ficar muito perto das leis nazis, lá isso estamos. E a consequência deste facto terá de ser a de elogiar Hitler neste campo, pois foi, inquestionavelmente, um visionário com razão antes de tempo. Não percebo por isso que alguém fique melindrado com a comparação, a mesma deve ser tomada como um largo elogio.

16.1.08

Causas

Há causas que valem a pena. Conhecer a verdade da história é uma delas. Por isso é importante que no centenário do assassinato do rei D. Carlos e do príncipe Luís Filipe a verdade surja na história contada. Durante anos, o republicanismo dominante nas elites persistiu em contar uma história falsa e deturpada sobre os últimos anos da monarquia. Para o perceber basta ler “O Poder e o Povo”, de Vasco Pulido Valente, onde o movimento republicano é descrito com o pormenor exigido a uma tese de doutoramento. Nos livros da história oficial ficou a imagem de um rei ditador e sem o apoio do povo, que teve de ser assassinado para implantar uma salvadora república, fiel representante dos valores democráticos. Assim conhecerá a história a maioria da população portuguesa, numa consequência óbvia do que é a falsidade histórica.
A importância da data ultrapassa a causa monárquica ou republicana, por isso sua maior relevância pode estar em trazer a verdade para a história. Surgiram recentemente dois sites que podem contribuir para esta verdade, são eles “O Regicídio” e o “Centenário da República”, e os seus links passam desde já para a coluna do lado. Deixo-vos com um excerto do post de abertura de João Távora, no “Centenário da República”:
“As comemorações oficiais não se debruçarão sobre a república proclamada em 5 de Outubro de 1910, mas sobre um regime idealizado e abstracto, sobre generosas intenções que se presumirão nos republicanos de 1910, e das quais os políticos comemorantes se pretenderão afirmar-se herdeiros.”

15.1.08

Solnado e o Costes, guerra e a electrónica

O mundo em que vivemos é cada vez mais pequeno, e só mesmo isso justifica que haja uma ligação entre Raul Solnado, o Hotel Costes, a guerra e a música electrónica. Para quem duvide, nem que por instantes, da minha sanidade mental, sinto-me na obrigação de esclarecer. Para tal, recomendo primeiro a audição do famoso, e fabuloso, sketch de Raul Solnado, “A Guerra de 1908”, mesmo aqui em baixo. Depois, ouçam aqui ao lado, na “Caixa de Música”, “Táxi to War”, do Dj Disse, incluída na colectânea “Hotel Costes 10”.

14.1.08

Terrorismo

A clandestinidade vai deixando de ser uma miragem e é já sem ironia que me apetece destruir os escritórios da ASAE ou o automóvel do Gremlin que se diz Director Geral de Saúde. Sem danos humanos, como é evidente, mas terrorismo urbano é uma via a estudar.

10.1.08

Ensinamento do dia

Jamais dit jamais.

Um brinde

A este estranho país que se propõe construir um aeroporto no meio do deserto.

Personagem do dia

Mário Lino, ou sobrevivente incompreensível.

Ainda há esperança

Há uns meses, a Ota era um dado adquirido e defendido com total intransigência pelo governo. A chamada sociedade civil mexeu-se, foi publicado o livro “O erro da Ota”, a CIP fez um estudo de viabilidade para Alcochete, o povo percebeu o embuste miserável que ia ser a Ota – feita com o dinheiro de todos para benefício de alguns – e o governo acabou por se render à evidente sensatez da escolha de Alcochete. Fica a prova que, mesmo contra a persistente obstinação de Pinto de Sousa, ainda é possível travar alguns dos disparates que tentam impor a este pobre país.

Medo, há que ter medo

O primeiro-ministro lá decidiu por Alcochete, com um discurso bem estudado para não parecer um total recuo. Os famosos interesses é que não devem ter ficado muito satisfeitos, por isso logo veio Pinto de Sousa dizer que era preciso compensar as populações da zona da Ota, que tinham feito investimentos a contar com o aeroporto. Leia-se, é preciso compensar os ocultos interesses que se preparavam para ganhar uma fortuna na Ota, nem que isso implique o gasto de mais uns milhões de dinheiros públicos.

9.1.08

Das Europas

O esperado foi hoje anunciado: não haverá referendo ao Tratado de Lisboa. O primeiro instinto seria discorrer palavras amargas e agressivas sobre a falta de democraticidade da medida, insultando Pinto de Sousa pelo incumprimento de uma promessa eleitoral. No entanto, o cinismo vai ganhando espaço no meu pensamento e fico feliz com a decisão. Não porque concorde com ela, simplesmente porque ela é coerente com os métodos anti-democráticos de Bruxelas e porque acho, sinceramente, que o “Sim” iria ganhar. Assim, fico com a tranquila consciência de que esta decisão – como quase todas as tomadas pela “Europa” – não contou com o expresso apoio popular, e um dia mais tarde – que chegará a curto ou médio prazo – em que a Europa se tornar ingovernável e entrar em colapso, poderemos, os que dela duvidamos, dizer com propriedade que caiu porque nunca teve, de facto, o apoio do povo.

8.1.08

Afinal há outro

Com o novo ano chegou a vontade de criar um outro blog. Este blog, desde que nasceu, oscilou o seu estilo e conteúdo ao sabor de indefinidas marés. Assim irá continuar, mas abrirei outro espaço, talvez mais intimista, talvez mais pessoal, talvez até menos diferente do que julgo. Será de seu nome “Coisas dos Trinta” e não falará, seguramente, de política, mas de coisas mais prosaicas, ainda que, por vezes, não menos interessantes. A respeitável longevidade deste Anarcoconservador não me permite acabar com ele, nem nada que se pareça, apenas terei dois espaços distintos para escrever sobre coisas diferentes. O tempo dirá se vale a pena manter os dois blogs, até lá, convido os que fazem o favor de me ler aqui, e aos quais aproveito para agradecer, para me visitarem também por .

7.1.08

Terrorismo

Telefonar para os restaurantes que mais gostamos a tentar reservar mesas, em dias de semana, para doze pessoas (bom número pois é volume de dinheiro razoável e não é um grupo tão grande que desmotive os donos pelo excesso de incómodo para os restantes clientes). Após a solícita resposta de “com certeza”, e apenas após, confirmar, com voz melíflua, se a mesa é para fumadores. Após a resposta negativa, e ainda que com a persuasão de que se pode fumar no bar ou à porta, rejeitar convictamente a reserva e acrescentar, com delicadeza, que assim terá imensa pena de não poder voltar a usufruir de um restaurante onde já passou tantos bons momentos.

Coisas do fumo

Ainda não tive o prazer de jantar fora neste novo ano, nem sei mesmo se o irei ter tão cedo. Restaurantes onde não possa fumar não me interessam, pelo menos para jantares de prazer e em boa companhia. A nova lei é intolerante, mas os restaurantes também foram preguiçosos e incompetentes e não se prepararam para a mesma, o resultado é que não me merecem como cliente.
Agradeço a fundamental lista do “A Origem das Espécies” e prometo contribuir na medida do possível para a actualização da mesma.

Memória

Hittler pregava por uma sociedade perfeita de homens loiros e saudáveis, em que a doença e a imperfeição eram motivos suficientes para remover alguém da sociedade.
A lei do fumo foi aplicada em Portugal tornando os fumadores criaturas à margem do sistema.
Em Inglaterra já se fala em retirar direitos no Sistema Nacional de Saúde aos cidadãos gordos.
Sejam saudáveis, ou então tenham medo, muito medo.

Cidadanias

Este blog é mantido por um português que, desde dia 1 de Janeiro, foi considerado cidadão de segunda neste triste país. A inaceitável “lei do fumo” contribuiu para apressar um processo que eu julgava ia demorar algum tempo a ser consolidado, o do meu caminho para a clandestinidade. Vivo num país onde o conceito de democracia é tão criativo e afastado do original que vacilo se não seria melhor uma ditadura assumida. A imprensa não é livre, os bancos privados são manipulados pelo estado, a justiça é uma perfeita inexistência, há gente – e muita – a passar fome, o desemprego não pára de crescer, fazemos parte de uma ditadura burocrática como origem em Bruxelas que ninguém compreende. No meio de tudo isto, o importante é tornar os fumadores menos cidadãos e dar poderes à ASAE para tornar Portugal num país asséptico e plástico de onde apetece fugir desesperadamente.

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Neste país já há o desplante de discutir a legitimidade das escolas terem nome de santos. Curioso que um santo – que, acreditando-se ou não em Deus, terá sido um bom homem – não possa dar nome a escolas e tenhamos ruas com nomes de assassinos comprovados.

Coisas genéticas

Uma vez mais, perante o terror, os franceses baixaram as calcinhas. Depois de Vichy, transformaram o “Lisboa – Dakar” em “CCB – Mosteiro dos Jerónimos”. A bem da sua proverbial e abençoada cobardia.

Regresso

A temporada festiva terminou com a epifania do dia de Reis e este blog volta agora à normalidade possível dos pequenos dias invernais.

4.1.08

Começa mal o ano

Os terroristas conseguiram mais uma vitória e o Lisboa-Dakar foi cancelado por razões de segurança. Vencendo batalhas caminha-se, ainda que não irreversivelmente, para a vitória na guerra. Que não seja o caso e que a Civilização ainda consiga ir buscar coragem e argumentos para combater a Barbárie.

Regresso da terra

Após os provincianos dias festivos, este blog volta ao rebuliço de Lisboa. Os bons momentos familiares passaram e restou uma incomodativa constipação. Consequências nefastas de alguns possíveis excessos ou simples falta de resistência ao inclemente frio húmido? A resposta é indiferente, mas dispensavam-se as consequências.