19.3.08

O Caminho da Cruz - Estação Quarta

Barnett Newman - "Stations of the Cross - IV"
Jesus encontra sua Mãe
«Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: "Ele foi estabelecido para a queda e o ressurgir de muitos em Israel, e para ser sinal de contradição; e uma espada Te há-de traspassar a alma. Assim se deverão revelar os intentos de muitos corações" (...) Sua mãe guardava no coração todas estas recordações.»
Evangelho segundo São Lucas 2, 34-35.51

O Caminho da Cruz - Estação Terceira

Barnett Newman - "Stations of the Cross - III"Jesus cai pela primeira vez
«Eram os nossos males que Ele suportava, e as nossas dores que tinha sobre Si. Mas nós víamos n’Ele um homem castigado, ferido por Deus e sujeito à humilhação. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas, e esmagado devido às nossas faltas. O castigo que nos salva, caiu sobre Ele, e por causa das suas chagas é que fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada qual o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre Ele as faltas de todos nós.»
Livro do profeta Isaías 53, 4-6

18.3.08

O Caminho da Cruz - Estação Segunda

Barnett Newman - "Stations of the Cross II"
Jesus é carregado com a cruz

«Então, os soldados do governador levaram Jesus consigo para o Pretório e reuniram junto d'Ele toda a companhia. Depois de O terem despido, envolveram-n'O em um manto encarnado. Teceram uma coroa de espinhos, que Lhe puseram na cabeça, e, na mão direita, colocaram-Lhe uma cana. Ajoelharam-se diante d'Ele e escarneceram-n'O dizendo: "Salve, ó rei dos Judeus!" Depois, cuspiram n'Ele e pegaram na cana e puseram-se a bater-Lhe com ela na cabeça. No fim de O terem escarnecido, despiram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas e levaram-n'O para O crucificarem.»
Evangelho segundo São Mateus 27, 27-31

O Caminho da Cruz - Estação Primeira

Barnett Newman - "Stations of the Cross I"

Jesus é condenado à morte

«Retorquiu-lhes Pilatos: "E que hei-de fazer de Jesus que é chamado Messias" Replicaram todos: "Seja crucificado!" Pilatos insistiu: "Então, que mal fez Ele" Mas eles gritavam mais ainda: "Seja crucificado!" (...) Soltou-lhes então Barrabás. E a Jesus, depois de O ter mandado açoitar, entregou-O para ser crucificado.»
Evangelho segundo São Mateus 27, 22-23.26


17.3.08

Fiz a Mini-Maratona. E sobrevivi. I

Falei aqui de algo que me iria acontecer este Domingo. Não o concretizei. Por motivos que não vêm ao caso, foi “compelido” a participar na Mini-Maratona de Lisboa. Eu, logo eu, que vejo o exercício físico com alguma cínica distância e acho que correr é das mais imbecis actividades que me foram apresentadas. Enfim, todos temos os nossos momentos de fraqueza e as nossas idiossincrasias.

Fiz a Mini-Maratona. E sobrevivi. II

A ponte abana. Juro que aponte abana. E não é pouco. Em particular a zona entre pilares parece um barco em temporal. Aliás, é pior, pois essa experiência já tive e não enjoei. Ontem fiquei com o estômago a querer ganhar vida própria, pelo menos até usar a técnica contra o “mal de mer” de fixar terra ou o horizonte. Foi com os olhos fixos nos Jardins das Necessidades ou na Tapada da Ajuda que a boa disposição voltou em força e me levou a uma deriva com as minhas Canon, a fiel analógica e a impertinente digital, disparando o “gatilho” de forma algo frenética.

O Rio

Cavaco “vetou” o diploma com a nova regulamentação para a zona ribeirinha de Lisboa. Fico curioso da reacção de Júdice, apoiante caloroso de Cavaco, “amigo discreto” de Pinto de Sousa e putativo, via António Costa, Administrador da “nova” zona ribeirinha. Será que a culpa é de Marinho Pinto?
Proibido proibir
Não gosto particularmente de tatuagens. Acho os piercings o equivalente aos brincos das vacas, com excepção aos situados no umbigo de barrigas pós-adolescentes, lisas e sem ponta de gordura ou celulite. Nada disto impede que ache que o PS anda, tal como já referi em algumas postas, a alucinar ou a promover a alucinação geral dos portugueses. Agora resolveu fazer um projecto-lei que impede as tatuagens e os piercings a menores de 18 anos. O projecto prevê que o Estado, repito, o Estado, se sobreponha aos pais das crianças e adolescentes e impeça os piercings e as tatuagens. Imagino muitos pais da direita reaccionária a rejubilarem por alguém impedir estas modernices, evitando assim que administrem castigos e se afastem ainda mais dos seus filhos. Eu apenas acho que anda tudo definitivamente louco e que liberdade é de facto um conceito que certa esquerda tem dificuldade de por em prática. Dizem que a idade acomoda as pessoas, eu, pelos vistos, estou numa deriva para o lado libertário da vida. Pelo menos assim parece. Pegando numa letra de um insuspeito poeta da esquerda:

“Eles proíbem tudo,
eles proíbem tudo,
eles proíbem tudo,
e não deixam nada.”

A Europa já nos dá pouca margem de escolha na governação, os governos persistem em proibir e regulamentar quase tudo, qualquer dia vamos parecer frangos criados em aviário, aguardando quietinhos a comida e aprontando-nos pacificamente para uma asséptica morte.

P.S: Porque será que se admira Santos Silva por lhe chamarem fascista?

14.3.08

Coisas da Terra



"Terra", uma música que não cansa ouvir . Diria Caetano vintage, não fosse Caetano quase sempre vintage.

"Quando eu me encontrava preso
Na cela de uma cadeia
Foi que vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...

Ninguém supõe a morena
Dentro da estrela azulada
Na vertigem do cinema
Mando um abraço prá ti
Pequenina como se eu fosse
O saudoso poeta
E fosses a Paraíba...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...

Eu estou apaixonado
Por uma menina terra
Signo de elemneto terra
Do mar se diz terra à vista
Terra para o pé firmeza
Terra para a mão carícia
Outros astros lhe são guia...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...

Eu sou um leão de fogo
Sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente
E de nada valeria
Acontecer de eu ser gente
E gente é outra alegria
Diferente das estrelas...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...

De onde nem tempo, nem espaço
Que a força mãe dê coragem
Prá gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas do nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?

Na sacada dos sobrados
Das cenas do Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do Imperador
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Terra!"

Eça. Actual, como sempre.

“Este Governo não há-de cair — porque não é um edifício.
Tem de sair com benzina — porque é uma nódoa!”

Eça de Queiroz in "O Conde de Abranhos"

13.3.08

Meio-dia

Este Domingo vai arrastar-me para uma situação que julgaria impensável há uns curtos tempos atrás. Promete ser uma experiência inesquecível de multidão e contacto com o povo. Prometo reportagem com escritos e imagens. Só não sei ainda se estou preparado para acordar a um Domingo antes das nove da manhã, é que sempre achei que este dia da semana não tinha existência concreta antes do meio-dia, no fundo o Domingo para mim sempre foi, ele próprio, um meio-dia.

P.S. Atenção, o acontecimento em causa não é a manifestação do PS. Ainda que a minha sanidade mental por vezes abane, não entrei, por agora, em estado de demência plena.

Da Monarquia II

O mais agradável, como monárquico, foi detectar a ausência, por entre os participantes desse lado, de meninos de ar arrogante e imbecil envergando blazer azul de botões bem doirados, ou de senhores de olhar bovino e patilhas longas e espessas ou bigodes saídos de um retrato feito por um pintor de má qualidade no século XIX. Também não foi encontrado também nenhum membro da família Câmara Pereira, o que terá contribuído, em muito, para a boa disposição e alto nível intelectual do debate.

Da Monarquia

Só ontem tive oportunidade de ver o “Prós e Contras” de segunda-feira. Não me lembro de assistir a um tão interessante e civilizado debate sobre a forma de regime em Portugal. Ambos os lados fugiram – quanto possível, pois Daniel Oliveira estava presente – aos argumentos mais radicais e demagógicos, discutindo com seriedade a questão: “Monarquia ou República”. Sem prejuízo para outros, gostaria de destacar a vitalidade de Gonçalo Ribeiro Telles, a incorrecção lírica de José Adelino Maltez e, muito em particular, a serenidade e inteligência de Paulo Teixeira Pinto. Se outras provas faltassem, o debate mostrou o erro de casting que foi ter Teixeira Pinto à frente de um banco e aquilo que a política portuguesa poderia ganhar com a sua presença. Optou por intervir ao serviço da “Causa Real”, como monárquico fico muito contente com isso.

11.3.08

Liberdades

Valerá a pena comentar? Acho que não, basta ouvir e digerir. Augusto Santos Silva mostrou a sua essência na reacção a uma manifestação de rua. É fácil falar de liberdade quando ela não nos incomoda, difícil é ser tolerante quando discordam de nós. Aí, sim, se vê quem é, de facto, pela liberdade.

Suicidário

O PSD caminha estranhamente para um convicto hara-kiri. Só isso pode explicar que, nos tempos mais conturbados do governo, a direcção se entretenha a mexer em polémicas questões internas e que os seus opositores comecem a sair da toca em gritos estridentes. No mínimo é incompreensível, a não ser à luz de uma rebuscada teoria sobre o suicídio e as suas causas.

Coincidências

Custa a acreditar que o governo tenha sido alheio à saída de Camacho do Benfica. Ao menos a julgar pelas horas infinitas ocupadas por não notícias em volta deste tema, precisamente nos dias seguintes a uma gigantesca manifestação de professores, e não só, pelas ruas de Lisboa. Conveniente, muito conveniente mesmo, tanto que a manifestação parece que já foi coisa distante e sem importância.

7.3.08

Coisas de uma Voz



Como por aqui as versões são sempre bem vindas – manias minhas –, hoje deixo a estupenda Cesária Évora a cantar “Besame mucho”. Bom som para acompanhar este radioso crepúsculo que anuncia o fim-de-semana.

A propósito de educação

Vale a pena ler este post do Francisco José Viegas, publicado no "A Origem das Espécies". A propósito das manifestações de professores e do descontentamento que ainda pode levar a ministra a levar uma sova, caso se cruze com algum professor em fúria, o que nos dias que correm é uma redundância.
"Ontem visitei uma escola no concelho de Sintra. Era a “semana da leitura” numa escola cuja biblioteca está permanentemente aberta das 08h00 às 22h00 por devoção dos seus professores. Os de várias disciplinas, de Português a Educação Física e Geometria – cada um faz uma escala para garantir um dos objectivos internos da própria escola: mantê-la aberta nesse período. Havia alunos a ajudar no bar e no refeitório, porque não há pessoal suficiente. Alunos, funcionários administrativos e professores promoveram uma maratona de leitura. A ministra da educação pede a estes professores para “trabalharem mais um pouco”, coisa que eles já fazem há bastante tempo; ouvi alunos portugueses, africanos, indianos, do Leste europeu, a falar com orgulho da sua escola. Falando com eles, um a um, percebe-se entusiasmo em várias coisas. Acho natural, são professores. Percebo pela blogosfera uma grande vontade de fazer “justiça pelas próprias mãos” aos professores, mas vejo poucas pessoas com disponibilidade para ouvi-los nas escolas – não nas ruas, onde as parvoíces são sempre amplificadas, mas nas escolas, nos corredores da escolas, quando fazem turnos de limpeza, quando atendem alunos em dificuldade ou fazem escalas para Português como língua estrangeira para rapazes ucranianos ou indianos que não entendem sequer o alfabeto ocidental, ou quando tratam dos problemas pessoais de alguns deles (ou porque não tomam o pequeno-almoço em casa, ou têm dificuldade em aceitar um namoro desfeito, ou andam na droga). Os professores, estes professores, são um dos últimos elos (percebe-se isso tão bem) entre os miúdos e miúdas desorientados e um mundo que é geralmente ingrato. São avaliados todos os dias pelo ambiente escolar, pelo ruído da rua, pelas horas de atendimento, pelas reuniões que o ME não suspeita. Muitas vezes, as famílias não sabem o ano que os miúdos frequentam; não sabem quantas faltas eles deram; não sabem se os filhos estão de ressaca. Os professores sabem.
Essa vontade de disciplinar os professores, eu percebo-a. Durante trinta anos, uma série de funcionários que abundou “pelos corredores do ME” (gosto da expressão, eu sei), decretou e planeou coisas inenarráveis para as escolas – sem as visitar, sem as conhecer, ignorando que essa geringonça de “planeamento”, “objectivos”, princípios pedagógicos modernos, funcionava muito bem nas suas cabecinhas mas que era necessário testar tudo nas escolas, que não podem ser laboratórios para experiências engenhosas. Muitos professores foram desmotivados ao longo destes anos. Ou porque os processos disciplinares eram longos depois de uma agressão (o ME ignora que esses processos devem ser rápidos e decisivos), ou porque ninguém sabe como a TLEBS é aplicada. Ninguém, que eu tivesse ouvido nas escolas onde vou, discordou da necessidade avaliação. Mas eu agradecia que se avaliasse também o trabalho do ME durante estes últimos anos; que se avaliasse o quanto o ME trabalhou para dificultar a vida nas escolas, com medidas insensatas, inadequadas e incompreensíveis; que se avalie a qualidade dos programas de ensino e a sua linguagem imprópria e incompreensível. Sou e sempre fui dos primeiros a pedir avaliação aos professores, porque é uma exigência democrática e que pode ajudar a melhorar a qualidade do ensino. Mas é fácil escolher os professores como bodes expiatórios de toda a desgraça “do sistema”, como se tivessem sido eles a deixar apodrecer as escolas ou a introduzir reformas sobre reformas, a maior parte delas abandonadas uns anos depois. Por isso, quando pedirem “justiça”, e “disciplina” e “rigor” (coisas elementares), não se esqueçam de visitar as escolas, de ver como é a vida dos professores, porque creio que se confunde em demasia aquilo que é “o mundo dos professores” com a imagem pública de um sistema desorganizado, oportunista e feito para produzir estatísticas boas para a propaganda."

6.3.08

Coisas de polícia

Um segurança do Centro Comercial Colombo foi encontrado morto. A primeira hipótese da polícia foi suicídio, algo que até se compreende em alguém obrigado a trabalhar, dia após dia, hora após hora, fechado entre as paredes deste belo centro comercial. A questão é que o homem morreu com três facadas, o que talvez não seja demasiado lógico para um suicídio. Perante este crime aparentemente insolúvel, talvez fosse necessário chamar Sherlock Holmes a intervir, apesar de esta ser uma atitude de manifesta crueldade para com este génio e que o levaria a tomar muitas drogas, mais ainda que o seu habitual, para conseguir encarar a nossa brilhante polícia.

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Foram alguns dias de ausência deste poiso, de pouco tempo ou paciência para a escrita, de pouca produtividade. Enfim, coisas da vida, de uma primavera antecipada, de deixar de ter a idade de Cristo.