23.4.08

Essa é que é essa

“Helena Roseta, no DN, Sobre o novo plano para a frente ribeirinha:

“Perdeu-se assim a possibilidade de cumprir cinco objectivos essenciais: renaturalizar e facilitar o funcionamento físico da frente ribeirinha; abrir crescentemente ao público as áreas portuárias, que tanto fascínio sempre exerceram; ligar, onde possível, a margem às colinas, aproveitando os desníveis para vencer com imaginação o aterro, como fez Carlos Mardel, no século XVIII, no Cais do Sodré; prever o uso do plano de água para transporte urbano ao longo da margem; e garantir a participação dos vários agentes e dos cidadãos. A reconciliação da cidade com o rio teria de passar por aqui.
José Miguel Júdice não gostou das minhas críticas e veio acusar-me de dizer disparates. Queria mesmo que eu me "calasse para sempre", depois de a sua nomeação ter sido viabilizada pelo silêncio da maioria da câmara. Opiniões, dir-se-á. Nem ele nem eu recebemos, aliás, remuneração pelas nossas funções - ele, como administrador, porque prescinde dela; eu, como vereadora, porque não tenho direito. Há, no entanto, uma diferença substancial. Júdice é nomeado pelo Governo, eu sou eleita pelos lisboetas. Tenho por isso uma legitimidade democrática de que não abdico para fazer ouvir a minha voz. É aliás esse o meu dever. Mesmo sem uma fundação, sem lóbis e sem dinheiro por trás. “
Vale a pena ler o artigo na íntegra.

22.4.08

A Guerra das Laranjas

A confirmar-se a candidatura de Manuela Ferreira Leite, é caso para dizer – Aleluia! A sua virtude sebastiânica já foi acenada tantas vezes, em tantos maus momentos dos partidos, que o povo já se inquietava com a falta de resposta. Parece que é desta que o “timing” é certo e que surge uma coragem política que já se pensava perdida. Após deixar o partido entregue a Santana e Menezes, Ferreira Leite terá pensado que Ribau Esteves também era demais e lá avançou.
Para as elites do partido, dos jornais e dos blogs, Ferreira Leite é a personalidade que faltava para salvar o PSD. Eu fico-me com duas questões: irá ela conseguir ganhar o partido caso Santana se candidatar; e será que o PSD ainda tem salvação possível depois de se deixar partir em dois pedaços?
As minhas dúvidas sobre Ferreira Leite são muitas, mas é inegável que pelo menos seriedade e responsabilidade podem ser esperadas. Ainda assim, é importante perceber o que fez de Ferreira Leite uma das políticas mais elogiadas do país. À minha memória vem um consulado como Ministra da Educação que trouxe mais estudantes para a rua do que todas as queimas das fitas juntas, atraindo sobre ela um profundo ódio da geração rasca, e a estadia nas Finanças onde a obsessão foi tão grande que ficou a famosa ideia de que não havia vida para além do deficit. Irá Ferreira Leite convencer a “geração rasca” e os portugueses que sofreram na pele com a obsessão do deficit das suas boas intenções? E quais são as suas intenções pois eu, talvez por ignorância própria, não sei muito bem em que ideologia e projecto para o país a senhora se encontra, apenas que foi indefectível de Cavaco e isso, para mim, não é grande carta de recomendação.
Por tudo isto, aguardemos com alguma esperança de que pelo menos o nível político suba uma pouco acima da tasca pouco frequentável em que se tornou.

21.4.08

Coisas pós-Domingo

Futebol? Não, não sei bem o que isso é. Pois, é que não estou mesmo a ver. É qualquer coisa com bola? Deve ser. Leiria? Ah! Tem um castelo e uns doces famosos, parece que se chamam “brisas”. Futebol é não estou mesmo a ver. É daquelas coisas – não conheço nem ouvi falar.

18.4.08

Naufrágio?

Menezes deixou-se arrastar pelas extravagantes chuvas primaveris, prometendo não voltar a emergir nos fins de Maio. Claro que a promessa não será para cumprir e ficará à espera de ver que corajosos notáveis avançarão, para depois averiguar se volta, ou não, a candidatar-se. Por uma vez Menezes acertou na jogada, obriga os adversários a dar o corpo, algo que muitos deles não apreciam, e fica sempre com a reserva da vitimização. Esperemos para ver, mas lá que a coisa promete, isso é inegável.

Palavras

A Câmara Municipal de Lisboa resolveu não votar o nome de Júdice para dirigir a Sociedade Frente Tejo. Júdice disse que apenas aceitaria o lugar se a CML aprovasse o seu nome. Manterá a palavra ou, a exemplo do futebol, o que é verdade hoje pode ser mentira amanhã. A ser assim é apenas mais um episódio triste desta pouco edificante novela.

17.4.08

O Jogo em imagens I


Versão curta, apenas os golos, via SIC.

O Jogo em imagens II


Versão longa ao som de Bobby McFerrin.

Sporting 1

A primeira parte foi um banho de bola do Benfica que, com grande tranquilidade, trocou a bola a seu belo prazer e encaixou com dois golos. Os jogadores do Sporting pareciam ter tomado uma dose excessiva de Valium e deslocavam-se com uma lentidão capaz de levar ao desespero o adepto mais calmo. O jogador que tinha a bola caminhava a passo e olhava em todas as direcções procurando uma desmarcação, um esboço de movimento, mas tudo o que encontrava era uma exposição de estátuas humanas dignas de Pompeia.

Sporting 2

As palavras que possam descrever a segunda parte são difíceis de encontrar. No estádio acho que ninguém acreditava, sinceramente, que era possível dar a volta ao resultado. O Sporting entrou bem, com outra garra e vontade, e após o remate de Moutinho, que merecia ter entrado (pelo remate e pela exibição sublime), o estádio, apesar dos dois golos de desvantagem, começou a acreditar que era possível. Sentia-se nas bancadas que a coisa que ameaçava caminhar para uma goleada contra nós podia virar. A equipa terá sentido isso e a velocidade do jogo aumentava de minuto a minuto, finalmente os jogadores resolveram mexer-se, e como não encontraram meio termo passaram a jogar a uma velocidade estonteante, tudo começou a correr bem, os passes saíam certos, as fintas sentavam os jogadores do Benfica (pobre Léo, que ainda deve estar a recuperar de tanto nó cego que levou) e os golos, bom, os golos começaram a entrar, e que bem, e que bonitos, a acabar numa obra pura de arte. Avassalador. Um verdadeiro massacre.

Sporting 3

Todos os golos foram importantes e quase todos bonitos, mas o último, de Vukcevic, é absolutamente portentoso. Desde o passe extraordinário de Miguel Veloso, atravessando o campo de lés a lés até cair suavemente mesmo à frente de Vuckcevic, ao remate acrobático, qual passe de bailado contemporâneo, arrancado com uma força imparável que só podia acabar no fundo da baliza. Um verdadeiro espanto.

Sporting 4

Paulo Bento acertou nas substituições. Quando Izmailov entrou, comecei a rosnar na bancada perante os últimos pobres jogos do russo. A segunda parte fez-me calar e Izmailov foi mesmo dos melhores, entre os melhores, em campo. A entrada de Derlei, que eu pensava já não poder jogar esta época, foi importante por dois motivos: saiu Romagnoli, que nesta fase já era um peixe lento fora das águas agitadas do jogo do Sporting; e entrou um jogador hiper-motivado após longuíssima lesão e a jogar contra uma equipa que o mandou embora.

Sporting 5

Acho que desde o jogo com o Newcastle para a UEFA que não via um jogo tão impressionante como o de ontem. Merecíamos isto nesta época depressiva e de jogos tristes e sem história. A coisa foi de tal ordem que a apoplexia foi evitada sem saber muito bem como. Resistir num estádio a um jogo assim não é tarefa fácil. Acho que só recuperei deste periclitante estado com a cervejinha pós-jogo na primeira roulotte que me apareceu à frente.

16.4.08

Coisas deste país

Ana tem 16 anos e uma vida sexual pouco responsável, pelo que irá amanhã fazer tranquilamente o seu segundo aborto. Mário, pai de Ana, consome o seu tempo com Lídia, uma brasileira voluptuosa, e espera com ansiedade a aprovação, hoje, da nova lei do “divórcio expresso” para despachar a sua mulher, Luísa. Pedro, filho de Mário, tem 15 anos e dois piercings e está em vias de fazer mais dois antes que entre em vigor a lei que os proíbe a menores. Luísa, mãe de Pedro, ainda não sonha que vai ser abandonada pelo marido, mas já se encontra deprimida e mais pobre ao ser impedida pela ASAE de continuar a fazer os seus deliciosos bolos para dois restaurantes do bairro.

15.4.08

ACPDE

Ao passar a vista pelo “Prós e Contras” de ontem, encontrei mais um exemplar de uma raça que nos últimos tempos andava um pouco escondida, os ACPDE (vulgo, Apetece Comprar Para Dar Estalos). O Magnífico Reitor Reis mostrou uma insolência, arrogância e cinismo que só são toleráveis em génios e grandes senhores, sendo que Reis manifestamente não é nenhuma das coisas. O exemplo ficou de que a educação escolar – o senhor é, apesar de tudo, Reitor – nada tem a ver com a Educação – que lhe falta tanto como a liberdade em Cuba.

PSD

O actual PSD de Branquinhos, Ribaus e Silvas (o Jardim é outra loiça) causa um irreprimível e mui desagradável nojo. Consegue ainda o prodígio de por muita gente a ter pena e solidariedade pela senhora Câncio, que apenas estará a encontrar a forma adequada de agradecer este enorme impulso para a sua imagem pública.

Snobeiras

Fiquei com uma certa irritação por não ter estado no Snob no Sábado. A invasão desse reduto de liberdades pela tribo da ASAE deve ter sido o acontecimento do ano e só de imaginar a mesa 10 a acolher a brigada fico com uma fúria a crescer por não ter presenciado. Algo de positivo vem no entanto daqui, pois percebemos que a ASAE ainda não está suficientemente infiltrada nos jornais, caso contrário saberia que o Snob é uma trincheira de jornalistas, e que o seu presidente é afinal mentiroso, ao dizer que as inspecções são sempre feitas nas horas mais paradas dos estabelecimentos de modo a não incomodar os clientes – uma e meia de Sábado no Snob será tudo menos hora morta.

11.4.08

Desabafo do dia

Será que esta merda de vento se poderia dignar a parar, ou abrandar, a bem dos nossos níveis de boa disposição violentados barbaramente com esta brisa insuportável.

Coisas dos Trinta

Isto de sair para uma festa durante a semana tem o que se lhe diga. Saímos quando queríamos ficar e começamos a pensar na hora de acordar no dia seguinte. Definimos aquela hora em que o cedo é tarde e o tarde é cedo. Cedo para sair da festa, tarde para chegar a casa. Uma angústia. Valeu para lavar as vistas com as meninas da FHM. E já agora com as outras “caras bonitas que abrilhantavam a festa”.

Ponderação

Após ver uma equipa que tinha de ganhar a jogar para não perder, pondero se vou voltar a Alvalade esta época ou se tento encontrar Paulo Bento para lhe dar um par de calduços. Acho que cobardemente não farei nada disto e voltarei no Domingo para o Leixões. Quem disse que havia poucos masoquistas neste mundo.

10.4.08

A guerra das trincheiras

Passam 90 anos sobre a batalha de La Lys. Lembro-me do avô que não conheci e que por lá esteve. Voltou, depois de estar num campo de prisioneiros do qual fugiu. Tenho pena de não ter podido falado com ele. Por todas as razões óbvias, mas também para perceber melhor como foi esta guerra para onde o Batalhão português foi enviado directo para o massacre. Ele voltou, a maioria dos outros soldados ficou em terras estranhas por capricho de governantes sobre os quais ainda não caiu o justo julgamento dos tempos. Com o centenário da República seria bom que se reflectisse com desassombro sobre o desastre da primeira República. Seria bom, mas por certo não vai ser, porque a opinião ainda é dominada por um republicanismo cego que não entende a diferença entre República e a “nossa República”. É pena.