28.4.08

Segundo

Acho que ninguém percebeu muito bem como, mas o Sporting está em segundo lugar do campeonato. Há coisas que é mesmo melhor não perceber, basta que se concretizem e assim continuem.

Perplexidades

Ele há questões que nos perseguem ao longo da vida sem que para elas encontremos qualquer explicação satisfatória. Há algumas que são particularmente inquietantes e ultrapassam largamente os limites da compreensão. O 25 de Abril ajudou-me a recordar os morteiros, fenómeno profundamente desagradável que quase nos rebenta os tímpanos, interrompe qualquer agradável conversa, e nos distrai de coisas muito mais interessantes. O estranho e bizarro é que eles existem e são usados porque há quem goste deles e de os lançar em dias de festa. Acho que nos dias da minha vida nunca irei compreender isto. O pior é que o assunto me incomoda e me tenta a elaborar teorias. Felizmente ainda há réstias de racionalidade no meu ser que me impedem de perder tempo com coisas sem importância real. A tentação é grande, mas vou procurando resistir, apesar do fascínio inquestionável do tema.

24.4.08

Timing

A cumprir-se a candidatura de Santana, teremos o duelo que, caso Ferreira Leite não se tivesse esquivado, deveríamos ter tido aquando da fuga de Durão. A diferença de timing deixou o partido e o país entregues, durante estes anos, a Santana e Menezes, com os resultados conhecidos. Veremos agora se o partido premeia a cobardia ou a insistência.

Não há fome que não dê em fartura

Há uma semana Menezes estava condenado a continuar porque não tinha alternativas. Hoje parece que afinal todos querem ser presidentes do PSD. Todas as hipóteses são válidas e até se fala de Jardim e de Santana. Faço aqui notar que ainda há algumas personalidades de quem ninguém se lembrou e que gostaria de lançar: Mota Amaral, Duarte Lima, Mendes Bota, Rui Gomes da Silva, Fernando Ruas, Isaltino Morais ou Fernando Seara. Claro que o primeiro é o único em quem acredito, mas qualquer um dos outros seria (ainda) mais animação garantida para as directas.

O nosso país

O arrazoado de artigos incompreensíveis que nunca será decifrado por qualquer ser humano normal, mas que terá consequências enormes para o nosso país, foi ontem aprovado. No parlamento, claro, com a devida distância do povo ignorante. Para alegrar a populaça, as notícias de destaque nos media foram a putativa candidatura de Jardim e a indignação profunda de Luís Filipe Vieira.

23.4.08

Coisas que acontecem

Uma conversa de circunstância deriva para a música e deixamo-nos embalar em opiniões conclusivas, terminando numa prelecção sobre fado, essa então definitiva. A coisa tinha começado perante duas amigas a que se tinha entretanto junto um amigo, que não conhecia, que entrou no assunto com grande descontracção. Apenas no regresso a casa me apercebi de quem era o dito amigo e que ele sabia, de facto, de música e escrevia sobre o tema. Fiquei embaraçado e a pensar se não me tinha entusiasmado em excessivos disparates, mas, apesar da vodka, acho que não fui longe o suficiente para me sentir envergonhado.

Essa é que é essa

“Helena Roseta, no DN, Sobre o novo plano para a frente ribeirinha:

“Perdeu-se assim a possibilidade de cumprir cinco objectivos essenciais: renaturalizar e facilitar o funcionamento físico da frente ribeirinha; abrir crescentemente ao público as áreas portuárias, que tanto fascínio sempre exerceram; ligar, onde possível, a margem às colinas, aproveitando os desníveis para vencer com imaginação o aterro, como fez Carlos Mardel, no século XVIII, no Cais do Sodré; prever o uso do plano de água para transporte urbano ao longo da margem; e garantir a participação dos vários agentes e dos cidadãos. A reconciliação da cidade com o rio teria de passar por aqui.
José Miguel Júdice não gostou das minhas críticas e veio acusar-me de dizer disparates. Queria mesmo que eu me "calasse para sempre", depois de a sua nomeação ter sido viabilizada pelo silêncio da maioria da câmara. Opiniões, dir-se-á. Nem ele nem eu recebemos, aliás, remuneração pelas nossas funções - ele, como administrador, porque prescinde dela; eu, como vereadora, porque não tenho direito. Há, no entanto, uma diferença substancial. Júdice é nomeado pelo Governo, eu sou eleita pelos lisboetas. Tenho por isso uma legitimidade democrática de que não abdico para fazer ouvir a minha voz. É aliás esse o meu dever. Mesmo sem uma fundação, sem lóbis e sem dinheiro por trás. “
Vale a pena ler o artigo na íntegra.

22.4.08

A Guerra das Laranjas

A confirmar-se a candidatura de Manuela Ferreira Leite, é caso para dizer – Aleluia! A sua virtude sebastiânica já foi acenada tantas vezes, em tantos maus momentos dos partidos, que o povo já se inquietava com a falta de resposta. Parece que é desta que o “timing” é certo e que surge uma coragem política que já se pensava perdida. Após deixar o partido entregue a Santana e Menezes, Ferreira Leite terá pensado que Ribau Esteves também era demais e lá avançou.
Para as elites do partido, dos jornais e dos blogs, Ferreira Leite é a personalidade que faltava para salvar o PSD. Eu fico-me com duas questões: irá ela conseguir ganhar o partido caso Santana se candidatar; e será que o PSD ainda tem salvação possível depois de se deixar partir em dois pedaços?
As minhas dúvidas sobre Ferreira Leite são muitas, mas é inegável que pelo menos seriedade e responsabilidade podem ser esperadas. Ainda assim, é importante perceber o que fez de Ferreira Leite uma das políticas mais elogiadas do país. À minha memória vem um consulado como Ministra da Educação que trouxe mais estudantes para a rua do que todas as queimas das fitas juntas, atraindo sobre ela um profundo ódio da geração rasca, e a estadia nas Finanças onde a obsessão foi tão grande que ficou a famosa ideia de que não havia vida para além do deficit. Irá Ferreira Leite convencer a “geração rasca” e os portugueses que sofreram na pele com a obsessão do deficit das suas boas intenções? E quais são as suas intenções pois eu, talvez por ignorância própria, não sei muito bem em que ideologia e projecto para o país a senhora se encontra, apenas que foi indefectível de Cavaco e isso, para mim, não é grande carta de recomendação.
Por tudo isto, aguardemos com alguma esperança de que pelo menos o nível político suba uma pouco acima da tasca pouco frequentável em que se tornou.

21.4.08

Coisas pós-Domingo

Futebol? Não, não sei bem o que isso é. Pois, é que não estou mesmo a ver. É qualquer coisa com bola? Deve ser. Leiria? Ah! Tem um castelo e uns doces famosos, parece que se chamam “brisas”. Futebol é não estou mesmo a ver. É daquelas coisas – não conheço nem ouvi falar.

18.4.08

Naufrágio?

Menezes deixou-se arrastar pelas extravagantes chuvas primaveris, prometendo não voltar a emergir nos fins de Maio. Claro que a promessa não será para cumprir e ficará à espera de ver que corajosos notáveis avançarão, para depois averiguar se volta, ou não, a candidatar-se. Por uma vez Menezes acertou na jogada, obriga os adversários a dar o corpo, algo que muitos deles não apreciam, e fica sempre com a reserva da vitimização. Esperemos para ver, mas lá que a coisa promete, isso é inegável.

Palavras

A Câmara Municipal de Lisboa resolveu não votar o nome de Júdice para dirigir a Sociedade Frente Tejo. Júdice disse que apenas aceitaria o lugar se a CML aprovasse o seu nome. Manterá a palavra ou, a exemplo do futebol, o que é verdade hoje pode ser mentira amanhã. A ser assim é apenas mais um episódio triste desta pouco edificante novela.

17.4.08

O Jogo em imagens I


Versão curta, apenas os golos, via SIC.

O Jogo em imagens II


Versão longa ao som de Bobby McFerrin.

Sporting 1

A primeira parte foi um banho de bola do Benfica que, com grande tranquilidade, trocou a bola a seu belo prazer e encaixou com dois golos. Os jogadores do Sporting pareciam ter tomado uma dose excessiva de Valium e deslocavam-se com uma lentidão capaz de levar ao desespero o adepto mais calmo. O jogador que tinha a bola caminhava a passo e olhava em todas as direcções procurando uma desmarcação, um esboço de movimento, mas tudo o que encontrava era uma exposição de estátuas humanas dignas de Pompeia.

Sporting 2

As palavras que possam descrever a segunda parte são difíceis de encontrar. No estádio acho que ninguém acreditava, sinceramente, que era possível dar a volta ao resultado. O Sporting entrou bem, com outra garra e vontade, e após o remate de Moutinho, que merecia ter entrado (pelo remate e pela exibição sublime), o estádio, apesar dos dois golos de desvantagem, começou a acreditar que era possível. Sentia-se nas bancadas que a coisa que ameaçava caminhar para uma goleada contra nós podia virar. A equipa terá sentido isso e a velocidade do jogo aumentava de minuto a minuto, finalmente os jogadores resolveram mexer-se, e como não encontraram meio termo passaram a jogar a uma velocidade estonteante, tudo começou a correr bem, os passes saíam certos, as fintas sentavam os jogadores do Benfica (pobre Léo, que ainda deve estar a recuperar de tanto nó cego que levou) e os golos, bom, os golos começaram a entrar, e que bem, e que bonitos, a acabar numa obra pura de arte. Avassalador. Um verdadeiro massacre.

Sporting 3

Todos os golos foram importantes e quase todos bonitos, mas o último, de Vukcevic, é absolutamente portentoso. Desde o passe extraordinário de Miguel Veloso, atravessando o campo de lés a lés até cair suavemente mesmo à frente de Vuckcevic, ao remate acrobático, qual passe de bailado contemporâneo, arrancado com uma força imparável que só podia acabar no fundo da baliza. Um verdadeiro espanto.

Sporting 4

Paulo Bento acertou nas substituições. Quando Izmailov entrou, comecei a rosnar na bancada perante os últimos pobres jogos do russo. A segunda parte fez-me calar e Izmailov foi mesmo dos melhores, entre os melhores, em campo. A entrada de Derlei, que eu pensava já não poder jogar esta época, foi importante por dois motivos: saiu Romagnoli, que nesta fase já era um peixe lento fora das águas agitadas do jogo do Sporting; e entrou um jogador hiper-motivado após longuíssima lesão e a jogar contra uma equipa que o mandou embora.

Sporting 5

Acho que desde o jogo com o Newcastle para a UEFA que não via um jogo tão impressionante como o de ontem. Merecíamos isto nesta época depressiva e de jogos tristes e sem história. A coisa foi de tal ordem que a apoplexia foi evitada sem saber muito bem como. Resistir num estádio a um jogo assim não é tarefa fácil. Acho que só recuperei deste periclitante estado com a cervejinha pós-jogo na primeira roulotte que me apareceu à frente.

16.4.08

Coisas deste país

Ana tem 16 anos e uma vida sexual pouco responsável, pelo que irá amanhã fazer tranquilamente o seu segundo aborto. Mário, pai de Ana, consome o seu tempo com Lídia, uma brasileira voluptuosa, e espera com ansiedade a aprovação, hoje, da nova lei do “divórcio expresso” para despachar a sua mulher, Luísa. Pedro, filho de Mário, tem 15 anos e dois piercings e está em vias de fazer mais dois antes que entre em vigor a lei que os proíbe a menores. Luísa, mãe de Pedro, ainda não sonha que vai ser abandonada pelo marido, mas já se encontra deprimida e mais pobre ao ser impedida pela ASAE de continuar a fazer os seus deliciosos bolos para dois restaurantes do bairro.

15.4.08

ACPDE

Ao passar a vista pelo “Prós e Contras” de ontem, encontrei mais um exemplar de uma raça que nos últimos tempos andava um pouco escondida, os ACPDE (vulgo, Apetece Comprar Para Dar Estalos). O Magnífico Reitor Reis mostrou uma insolência, arrogância e cinismo que só são toleráveis em génios e grandes senhores, sendo que Reis manifestamente não é nenhuma das coisas. O exemplo ficou de que a educação escolar – o senhor é, apesar de tudo, Reitor – nada tem a ver com a Educação – que lhe falta tanto como a liberdade em Cuba.

PSD

O actual PSD de Branquinhos, Ribaus e Silvas (o Jardim é outra loiça) causa um irreprimível e mui desagradável nojo. Consegue ainda o prodígio de por muita gente a ter pena e solidariedade pela senhora Câncio, que apenas estará a encontrar a forma adequada de agradecer este enorme impulso para a sua imagem pública.

Snobeiras

Fiquei com uma certa irritação por não ter estado no Snob no Sábado. A invasão desse reduto de liberdades pela tribo da ASAE deve ter sido o acontecimento do ano e só de imaginar a mesa 10 a acolher a brigada fico com uma fúria a crescer por não ter presenciado. Algo de positivo vem no entanto daqui, pois percebemos que a ASAE ainda não está suficientemente infiltrada nos jornais, caso contrário saberia que o Snob é uma trincheira de jornalistas, e que o seu presidente é afinal mentiroso, ao dizer que as inspecções são sempre feitas nas horas mais paradas dos estabelecimentos de modo a não incomodar os clientes – uma e meia de Sábado no Snob será tudo menos hora morta.

11.4.08

Desabafo do dia

Será que esta merda de vento se poderia dignar a parar, ou abrandar, a bem dos nossos níveis de boa disposição violentados barbaramente com esta brisa insuportável.

Coisas dos Trinta

Isto de sair para uma festa durante a semana tem o que se lhe diga. Saímos quando queríamos ficar e começamos a pensar na hora de acordar no dia seguinte. Definimos aquela hora em que o cedo é tarde e o tarde é cedo. Cedo para sair da festa, tarde para chegar a casa. Uma angústia. Valeu para lavar as vistas com as meninas da FHM. E já agora com as outras “caras bonitas que abrilhantavam a festa”.

Ponderação

Após ver uma equipa que tinha de ganhar a jogar para não perder, pondero se vou voltar a Alvalade esta época ou se tento encontrar Paulo Bento para lhe dar um par de calduços. Acho que cobardemente não farei nada disto e voltarei no Domingo para o Leixões. Quem disse que havia poucos masoquistas neste mundo.

10.4.08

A guerra das trincheiras

Passam 90 anos sobre a batalha de La Lys. Lembro-me do avô que não conheci e que por lá esteve. Voltou, depois de estar num campo de prisioneiros do qual fugiu. Tenho pena de não ter podido falado com ele. Por todas as razões óbvias, mas também para perceber melhor como foi esta guerra para onde o Batalhão português foi enviado directo para o massacre. Ele voltou, a maioria dos outros soldados ficou em terras estranhas por capricho de governantes sobre os quais ainda não caiu o justo julgamento dos tempos. Com o centenário da República seria bom que se reflectisse com desassombro sobre o desastre da primeira República. Seria bom, mas por certo não vai ser, porque a opinião ainda é dominada por um republicanismo cego que não entende a diferença entre República e a “nossa República”. É pena.

Amália

Como uma voz nos faz percorrer tantos e tão intensos estados de alma. Despe-nos perante nós próprios, como se as nossas roupas nos fossem retiradas com firmeza e suavidade. Ficamos sós, nós e o som que nos manipula os sentimentos e nos faz rir e chorar como se o mundo em redor tivesse desaparecido.

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"Vagamundo" (Letra: Amália Rodrigues; Música: Alain Oulman) do albúm “Busto”.

(A gravação é de 1961 e a sua qualidade não é muito boa, pelo que convém aumentar o volume para conseguir ouvir.)

Pela janela

Magnífico arco-íris. Baixinho e largo, a acabar mesmo ali à frente, junto ao aqueduto. Acho que vou largar tudo e correr em busca do pote de ouro que está em seu fim, aqui tão perto, quase ao alcance de um braço esticado. Olho de novo e o arco-íris já se quer desfazer, como as ilusões e os sonhos que nos fogem como areia por entre os dedos.

8.4.08

“Prós e Contras” de ontem – I

Preto e branco. Os anos de ditadura deixaram marcas e este continua a ser o país do preto e branco. Nenhum tema se consegue discutir a cores. Sempre a preto e branco. Ou por nós, ou contra nós. A obra tem de se fazer assim, porque não há outras alternativas. Ou se faz, ou não se faz. A discussão é sempre nestes termos, a lembrar tempos antigos e não apenas na falta de cor. Em nome do progresso anda gente a destruir alegremente o país, porque sem obras, e têm de ser aquelas obras naqueles sítios, o país não avança. O pior é que eles próprios acreditam nisso e os outros, os que insistem em querer ver cores e encontrar soluções, são rotulados de obstáculos ao progresso, ou mesmo de colaboracionistas ou executores em crimes lesa pátria.

“Prós e Contras” de ontem – II

O ministro Jamais mostrou, uma vez mais, a sua espantosa desfaçatez, ao dizer que até agora ainda não foi efectuado nenhum “Estudo de Impacto Ambiental”, mas que o mesmo será feito para minimizar os eventuais impactos da solução já escolhida. Ficamos então a saber que os estudos de impacto ambiental não servem para condicionar a escolha de uma obra, mesmo que os impactos detectados sejam enormes e irreversíveis, pois o normal procedimento é serem feitos depois de escolhida a localização da obra e apenas para prever medidas compensatórias do impacto. A coisa assusta, mas não é nada que não imaginássemos já, ao ver as barbáries que se vão fazendo neste país.

“Prós e Contras” de ontem – III

Achei delirante a intervenção do presidente da câmara da Moita, em nome dos presidentes de câmara da margem sul, ao insistir que Chelas-Barreiro era a melhor solução por cumprir quatro requisitos, que passou a enumerar, à medida que o engenheiro Viegas referia que os mesmos requisitos eram cumpridos na solução do Beato. Ficou o país sem perceber como é que quatro pontos respeitados nos dois projectos eram tão importantes para escolher um deles.

“Prós e Contras” de ontem – IV

A questão do impacto na paisagem foi tratada com no estudo do LNEC com evidente desprezo. Uma suave referência a recomendar estudos posteriores, após estar decidida a localização. Não será preciso voltar à lengalenga de que Lisboa é uma cidade bonita e que vive do turismo para perceber que nesta Obra, como nós por cá gostamos, o importante é que a Obra seja feita. O resto é mero pormenor.

Demência ou mau perder

O futebol é um deporto que desperta irracionalidades. Facto. No entanto o bom futebol – mesmo quando praticado por equipas que odiamos e, como tal, tenhamos dificuldade de o reconhecer em público – é universal. Não facto. O treinador e jogadores do Roma, depois de terem levado um banho de bola do Manchester, queixaram-se que Ronaldo, o nosso, faz truques desnecessários que humilham o adversário. Assim, sem mais. Em vez de reconhecerem uma evidente derrota, dizem que o adversário se excedeu e os humilhou. Apenas se compreende porque vem do futebol italiano, muito apreciado pelos teóricos da bola, mas que em mim tem um efeito superior a um Valium. Aliás, não percebo como alguém perde tempo a ver jogos de futebol italiano, para dormir vai sendo preferével o sofá de casa e uma música calma.

Diálogos imaginários

– Charles, ainda bem que não guardou as minhas roupas de inverno. Se não travasse a minha precipitação estaria hoje com uma camisa de linho encharcada. E constipado, quase por certo.
– Prudência da idade, menino, nunca devemos ir atrás do primeiro brilho do sol.

7.4.08

Boas leituras

Neste fim-de-semana bons artigos na imprensa: Alberto Gonçalves na Sábado, Joel Neto na NS, Sousa Tavares no Expresso e António Barreto no Público. A ler.

3.4.08

Parabéns muitos

Uma Bomba de cinco anos. Continue a explodir. Please.

Diálogos Imaginários

– Charles, li com alguma inveja uma posta sobre camisas de linho. Apesar deste calor poder não estar para ficar, talvez seja boa ideia pensar em trocar o guarda-roupa.
– Já tinha pensado nisso, menino, até mandei alguns casacos para a lavandaria para poderem ser devidamente guardados, mas ensina a prudência que não se faça desde já a mudança total. No entanto, já tirei algumas camisas de algodão mais fino e troquei as meias de lã para algodão.
– Charles, o que seria de mim sem o seu bom senso.

2.4.08

Causas de Carlos

Fiquei a saber – via este blog recém-chegado à praça e que me parece recomendável – que o Príncipe Carlos se juntou a mais uma causa: o apoio aos pubs rurais, que se encontram em decadência e fecham a um ritmo alarmante. Nas suas palavras:

"Rural communities, and this country's rural way of life, are facing unprecedented challenges ... the country pub, which has been at the heart of village life for centuries, is disappearing in many areas.
By providing new services from the pub, such as a post office or a shop, not only keeps an essential service in the village or brings a new one in."


O blogger, Zé Pedro Amaral, ironiza com a situação, dizendo que esta é mais uma grande, grande causa, das grandes causas do Príncipe Carlos. Tenho Carlos de Inglaterra como uma das mais interessantes e politicamente incorrectas personalidades da actualidade – e já agora das mais, ou a mais, bem vestida. As suas causas podem não ser as da moda nem as fracturantes, mas tem sido intransigente defensor de um real conservadorismo, daquele que quer mesmo preservar as coisas boas, as coisas “deles”. A agricultura biológica, o urbanismo e o ordenamento do território, a arquitectura tradicional ou, agora, o modus vivendi das populações rurais, podem não preocupações importantes para muitos, mas eu tenho para mim que o são e cada vez mais. Há vida para além da economia, do deficit e da Europa, e há uma coisa muito mais importante e que em Portugal até já teve direito um ministério com o seu nome: a qualidade de vida. Esta depende de alguma forma da economia, mas, de modo algum, é em exclusivo subordinada à mesma.

1.4.08

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O outro blog, que há uns curtos tempos resolvi criar, irá congelar. O tempo não estica como o Homem-Elástico e não está a ser viável a acumulação. Um pouco como o homem que deixa de ter tempo para a amante e resolve voltar a dedicar-se à mulher. Assim, talvez passe a publicar por aqui textos ao estilo das “Coisas dos Trinta”, baralhando um pouco o habitual registo Anarcoconservador. Às vezes há que mudar, um pouco, um pouco que não seja muito, um pouco que vá conservando as coisas como já eram e das quais íamos gostando, ainda que nunca nos satisfaçamos por completo com elas.

Voltar

O mundo onde gosto de me encontrar é recheado de imutabilidades, por isso nem sempre voltar, apesar do meu gosto pela volta, é coroado por esse encontrar tudo na mesma, como nos dias ali passados ou no tempo da despedida. As coisas mudam, algo que teimosamente não gosto de admitir.
Este fim-de-semana voltei a um dos sítios onde fui feliz, tentando contrariar o já estafado aforismo e buscando momentos bem passados e memórias cada vez mais antigas. Procurei, como sempre, os meus sítios, os meus cantos, os meus becos, uma Salamanca como a deixei – inalterada e estática. Infelizmente o mundo não é livro escrito e publicado e não se compadece com estas nostalgias. Por isso deparei com um bar onde passei muitas e boas noites transformado num restaurante modernaço e o único sítio com café decente com o nome mudado e o café lá servido desafiando a própria definição de café, de tão intragável.
Faltariam sempre as pessoas, as minhas pessoas, mas os sítios físicos sempre foram ajudas à lembrança, permitindo-nos reviver o espaço e imaginar quem noutros dias o povoou. Voltar nem sempre é perfeito, nem para um nostálgico incurável como sou, sempre olhando o passado com um carinho que nem eu por vezes compreendo. Faltou-me muita coisa neste regresso, mas resta sempre muito, demasiado para caber num escrito, resta a alma de uma cidade que é algo muito difícil de destruir. Foi bom voltar, como é sempre bom voltar. Vinicius dizia que a mulher gosta de voltar, talvez não seja só a mulher, decerto que não é só a mulher.

31.3.08

Que bem entregues estamos

Estou exultante com as medidas através das quais o PS se esforça por melhorar as nossas já óptimas vidas. Ainda bem que o estado de desenvolvimento do país é tão grande que as grandes inquietações do povo já não são a prestação da casa ou as contas de supermercado, mas sim a proibição dos piercings e o divórcio expresso. Podemos não ter dinheiro para comer, mas ao menos podemos divorciar-nos sem litígio e quando nos apetecer. Magnífico, finalmente estamos no primeiro mundo.

25.3.08

Sobre o caso Carolina Michaelis

No estado em que esta sociedade está, imagino a menina a chegar a casa e a ser muito timidamente posta pelos pais na ordem, após o que se terá levantado, começando a exercer uma subtil chantagem psicológica que, aumentando progressivamente de intensidade, surtiu efeitos nos paizinhos que, com medo de traumatizar a pobre criança, logo cederam no projectado castigo, começando já a pensar em comprar um novo telemóvel que substitua o que já é de má memória e modelo antigo, pensando também em compensar a menina com um novo computador portátil, de preferência daqueles bonitos às cores que ela anda a pedir faz tempo, indispensável para poder levar para a escola já na próxima segunda-feira, quando voltar de férias, esperando que a incompetente e tirana professora não tenha o desplante de voltar a dar aulas, depois da humilhação a que sujeitou a pobre menina.

Fisco II

A preocupação do governo com a fuga ao fisco é mais do que legítima e é evidente que a emissão de facturas deveria ser um acto lógico. A questão é que o Estado vem, por outro lado, promovendo que não se peça factura. Como trabalhador independente eu podia, até há dois ou três anos, descontar variadíssimas despesas no meu IRS. Logo, pedia factura de tudo e no preenchimento da declaração logo via o que podia usar. Agora, com o regime simplificado de tributação, o Estado assume que 35% dos meus ganhos são dedutíveis e aplica o IRS sobre 65% dos rendimentos declarados. Imagino, pelo meu exemplo, que a maioria dos trabalhadores independentes, e são cada vez mais nesta geração do recibo verde, se estejam simplesmente nas tintas para pedir factura do que quer que seja, promovendo assim uma enorme fuga ao fisco, com particular incidência na área da restauração.

Fisco I

A prioridade apontada aos casamentos revela uma lucidez e coragem de louvar a este governo. Afinal, todos sabemos da importância vital deste mercado para a economia nacional e do seu tremendo peso no PIB. Haja finalmente alguém que desmistifique que as grandes fugas ao fisco estão no mercado financeiro e nos profissionais liberais e aponte o dedo aos caterings, às modistas, às tendas e às velhas quintas em redor de Lisboa.

21.3.08

O Caminho da Cruz - Estação Décima quarta

Barnett Newman – “Stations of the Cross XIV“

Jesus é sepultado

«José pegou no corpo de Jesus, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu túmulo novo, que tinha mandado escavar na rocha. Depois, rolou uma grande pedra para a porta do túmulo e retirou-se. Entretanto, estavam ali Maria de Magdala e a outra Maria, sentadas em frente do sepulcro.»
Evangelho segundo São Mateus 27, 59-61

O Caminho da Cruz - Estação Décima terceira

Barnett Newman – “Stations of the Cross XIII“

Jesus é descido da Cruz e entregue a sua Mãe

«O centurião e os que estavam com ele de guarda a Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a suceder, ficaram aterrados e disseram: «Ele era, na verdade, Filho de Deus». Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres, que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem.»
Evangelho segundo São Mateus 27, 54-55

O Caminho da Cruz - Estação Décima segunda

Barnett Newman – “Stations of the Cross XII“

Jesus morre na Cruz


«A partir do meio-dia, houve trevas em toda a região, até às três horas da tarde. E, pelas três horas da tarde, Jesus bradou com voz forte: "Eli, Eli, lemá sabachthani", quer dizer, "Meu Deus, Meu Deus, porque Me abandonaste?" Alguns dos presentes ouviram e disseram: «Está a chamar por Elias». E logo um deles correu a pegar numa esponja, ensopou-a em vinagre, pô-la numa cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros disseram: «Deixa lá! Vejamos se Elias vem salvá-Lo». E Jesus, dando novamente um forte brado, expirou.
Entretanto, o centurião e os que estavam com ele de guarda a Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a suceder, ficaram aterrados e disseram: «Ele era, na verdade, Filho de Deus». »
Evangelho segundo São Mateus 27, 45-50.54

O Caminho da Cruz - Estação Décima primeira

Barnett Newman – “Stations of the Cross XI“

Jesus pé pregado na Cruz


«Puseram por cima da cabeça d'Ele um letreiro escrito com a causa da condenação: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus". Foram então crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam dirigiam-Lhe insultos, abanavam a cabeça e diziam: "Tu que demolias o Templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!" De igual modo, também os sumos sacerdotes troçavam, juntamente com os escribas e os anciãos, e diziam: "Salvou os outros e a Si mesmo não pode salvar-Se! É Rei de Israel! Desça agora da cruz, e acreditaremos n'Ele".»
Evangelho segundo São Mateus 27, 37-42

O Caminho da Cruz - Estação Décima

Barnett Newman – “Stations of the Cross X“

Jesus é despojado das suas vestes


«Chegados a um lugar chamado Gólgota, quer dizer «Lugar do Crânio», deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, quando o provou, não quis beber. Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-Lo.»
Evangelho segundo São Mateus 27, 33-36

O Caminho da Cruz - Estação Nona

Barnett Newman – “Stations of the Cross IX“

Jesus cai pela terceira vez


«É bom para o homem suportar o jugo desde a sua juventude. Que esteja solitário e silencioso, quando o Senhor o impuser sobre ele; que ponha sua boca no pó: talvez haja esperança! Que dê sua face a quem o fere e se sacie de opróbrios. Pois o Senhor não rejeita para sempre: se Ele aflige, Ele se compadece segundo a sua grande bondade.»
Livro das Lamentações 3, 27-32

O Caminho da Cruz - Estação Oitava

Barnett Newman – “Stations of the Cross VIII“

Jesus encontra as mulheres de Jerusalém que choram por Ele


«Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes: "Mulheres de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos. Pois dias virão em que se dirá: "Felizes as estéreis, as entranhas que não tiveram filhos e os peitos que não amamentaram". Nessa altura, começarão a dizer aos montes: "Caí sobre nós", e às colinas: "Encobri-nos". Porque se fazem assim no madeiro verde, que será no madeiro seco?" »
Evangelho segundo São Lucas 23, 28-31

O Caminho da Cruz - Estação Sétima

Barnett Newman – “Stations of the Cross VII“

Jesus cai pela segunda vez


«Eu sou o homem que conheceu a miséria sob a vara do seu furor. Ele me guiou e me fez andar nas trevas e não na luz. (…) Embarrou meus caminhos com blocos de pedra, obstruiu minhas veredas. (…) Ele quebrou meus dentes com cascalho, mergulhou-me na cinza.»
Livro das Lamentações 3, 1-2.9.16

O Caminho da Cruz - Estação Sexta

Barnett Newman – “Stations of the Cross VI“

A Verónica limpa o rosto de Jesus

«O meu Servo cresceu (…) sem distinção nem beleza que atraia o nosso olhar, nem aspecto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, afeito ao sofrimento, é como aquele a quem se volta a cara, pessoa desprezível, da qual se não faz caso.»
Do livro dos Salmos 27/26, 8-9

«Segredou-me o coração: "Procura a sua face!" É, Senhor, o vosso rosto que eu persigo. Não escondais de mim o vosso rosto, nem rejeiteis com ira o vosso servo. Vós sois a minha ajuda, o Deus da minha salvação.»
Livro do profeta Isaías 53, 2-3

19.3.08

O Caminho da Cruz - Estação Quinta

Barnett Newman – “Stations of the Cross V”
Jesus é ajudado a levar a cruz pelo Cireneu

«Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no, para levar a cruz de Jesus. Jesus disse aos seus discípulos: "Se alguém quiser seguir-Me, renegue-se a si mesmo, pegue na sua cruz e siga-Me".»
Evangelho segundo São Mateus 27, 32; 16, 24





O Caminho da Cruz - Estação Quarta

Barnett Newman - "Stations of the Cross - IV"
Jesus encontra sua Mãe
«Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: "Ele foi estabelecido para a queda e o ressurgir de muitos em Israel, e para ser sinal de contradição; e uma espada Te há-de traspassar a alma. Assim se deverão revelar os intentos de muitos corações" (...) Sua mãe guardava no coração todas estas recordações.»
Evangelho segundo São Lucas 2, 34-35.51

O Caminho da Cruz - Estação Terceira

Barnett Newman - "Stations of the Cross - III"Jesus cai pela primeira vez
«Eram os nossos males que Ele suportava, e as nossas dores que tinha sobre Si. Mas nós víamos n’Ele um homem castigado, ferido por Deus e sujeito à humilhação. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas, e esmagado devido às nossas faltas. O castigo que nos salva, caiu sobre Ele, e por causa das suas chagas é que fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada qual o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre Ele as faltas de todos nós.»
Livro do profeta Isaías 53, 4-6

18.3.08

O Caminho da Cruz - Estação Segunda

Barnett Newman - "Stations of the Cross II"
Jesus é carregado com a cruz

«Então, os soldados do governador levaram Jesus consigo para o Pretório e reuniram junto d'Ele toda a companhia. Depois de O terem despido, envolveram-n'O em um manto encarnado. Teceram uma coroa de espinhos, que Lhe puseram na cabeça, e, na mão direita, colocaram-Lhe uma cana. Ajoelharam-se diante d'Ele e escarneceram-n'O dizendo: "Salve, ó rei dos Judeus!" Depois, cuspiram n'Ele e pegaram na cana e puseram-se a bater-Lhe com ela na cabeça. No fim de O terem escarnecido, despiram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas e levaram-n'O para O crucificarem.»
Evangelho segundo São Mateus 27, 27-31

O Caminho da Cruz - Estação Primeira

Barnett Newman - "Stations of the Cross I"

Jesus é condenado à morte

«Retorquiu-lhes Pilatos: "E que hei-de fazer de Jesus que é chamado Messias" Replicaram todos: "Seja crucificado!" Pilatos insistiu: "Então, que mal fez Ele" Mas eles gritavam mais ainda: "Seja crucificado!" (...) Soltou-lhes então Barrabás. E a Jesus, depois de O ter mandado açoitar, entregou-O para ser crucificado.»
Evangelho segundo São Mateus 27, 22-23.26


17.3.08

Fiz a Mini-Maratona. E sobrevivi. I

Falei aqui de algo que me iria acontecer este Domingo. Não o concretizei. Por motivos que não vêm ao caso, foi “compelido” a participar na Mini-Maratona de Lisboa. Eu, logo eu, que vejo o exercício físico com alguma cínica distância e acho que correr é das mais imbecis actividades que me foram apresentadas. Enfim, todos temos os nossos momentos de fraqueza e as nossas idiossincrasias.

Fiz a Mini-Maratona. E sobrevivi. II

A ponte abana. Juro que aponte abana. E não é pouco. Em particular a zona entre pilares parece um barco em temporal. Aliás, é pior, pois essa experiência já tive e não enjoei. Ontem fiquei com o estômago a querer ganhar vida própria, pelo menos até usar a técnica contra o “mal de mer” de fixar terra ou o horizonte. Foi com os olhos fixos nos Jardins das Necessidades ou na Tapada da Ajuda que a boa disposição voltou em força e me levou a uma deriva com as minhas Canon, a fiel analógica e a impertinente digital, disparando o “gatilho” de forma algo frenética.

O Rio

Cavaco “vetou” o diploma com a nova regulamentação para a zona ribeirinha de Lisboa. Fico curioso da reacção de Júdice, apoiante caloroso de Cavaco, “amigo discreto” de Pinto de Sousa e putativo, via António Costa, Administrador da “nova” zona ribeirinha. Será que a culpa é de Marinho Pinto?
Proibido proibir
Não gosto particularmente de tatuagens. Acho os piercings o equivalente aos brincos das vacas, com excepção aos situados no umbigo de barrigas pós-adolescentes, lisas e sem ponta de gordura ou celulite. Nada disto impede que ache que o PS anda, tal como já referi em algumas postas, a alucinar ou a promover a alucinação geral dos portugueses. Agora resolveu fazer um projecto-lei que impede as tatuagens e os piercings a menores de 18 anos. O projecto prevê que o Estado, repito, o Estado, se sobreponha aos pais das crianças e adolescentes e impeça os piercings e as tatuagens. Imagino muitos pais da direita reaccionária a rejubilarem por alguém impedir estas modernices, evitando assim que administrem castigos e se afastem ainda mais dos seus filhos. Eu apenas acho que anda tudo definitivamente louco e que liberdade é de facto um conceito que certa esquerda tem dificuldade de por em prática. Dizem que a idade acomoda as pessoas, eu, pelos vistos, estou numa deriva para o lado libertário da vida. Pelo menos assim parece. Pegando numa letra de um insuspeito poeta da esquerda:

“Eles proíbem tudo,
eles proíbem tudo,
eles proíbem tudo,
e não deixam nada.”

A Europa já nos dá pouca margem de escolha na governação, os governos persistem em proibir e regulamentar quase tudo, qualquer dia vamos parecer frangos criados em aviário, aguardando quietinhos a comida e aprontando-nos pacificamente para uma asséptica morte.

P.S: Porque será que se admira Santos Silva por lhe chamarem fascista?

14.3.08

Coisas da Terra



"Terra", uma música que não cansa ouvir . Diria Caetano vintage, não fosse Caetano quase sempre vintage.

"Quando eu me encontrava preso
Na cela de uma cadeia
Foi que vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...

Ninguém supõe a morena
Dentro da estrela azulada
Na vertigem do cinema
Mando um abraço prá ti
Pequenina como se eu fosse
O saudoso poeta
E fosses a Paraíba...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...

Eu estou apaixonado
Por uma menina terra
Signo de elemneto terra
Do mar se diz terra à vista
Terra para o pé firmeza
Terra para a mão carícia
Outros astros lhe são guia...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...

Eu sou um leão de fogo
Sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente
E de nada valeria
Acontecer de eu ser gente
E gente é outra alegria
Diferente das estrelas...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...

De onde nem tempo, nem espaço
Que a força mãe dê coragem
Prá gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas do nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?

Na sacada dos sobrados
Das cenas do Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do Imperador
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Terra!"

Eça. Actual, como sempre.

“Este Governo não há-de cair — porque não é um edifício.
Tem de sair com benzina — porque é uma nódoa!”

Eça de Queiroz in "O Conde de Abranhos"

13.3.08

Meio-dia

Este Domingo vai arrastar-me para uma situação que julgaria impensável há uns curtos tempos atrás. Promete ser uma experiência inesquecível de multidão e contacto com o povo. Prometo reportagem com escritos e imagens. Só não sei ainda se estou preparado para acordar a um Domingo antes das nove da manhã, é que sempre achei que este dia da semana não tinha existência concreta antes do meio-dia, no fundo o Domingo para mim sempre foi, ele próprio, um meio-dia.

P.S. Atenção, o acontecimento em causa não é a manifestação do PS. Ainda que a minha sanidade mental por vezes abane, não entrei, por agora, em estado de demência plena.

Da Monarquia II

O mais agradável, como monárquico, foi detectar a ausência, por entre os participantes desse lado, de meninos de ar arrogante e imbecil envergando blazer azul de botões bem doirados, ou de senhores de olhar bovino e patilhas longas e espessas ou bigodes saídos de um retrato feito por um pintor de má qualidade no século XIX. Também não foi encontrado também nenhum membro da família Câmara Pereira, o que terá contribuído, em muito, para a boa disposição e alto nível intelectual do debate.

Da Monarquia

Só ontem tive oportunidade de ver o “Prós e Contras” de segunda-feira. Não me lembro de assistir a um tão interessante e civilizado debate sobre a forma de regime em Portugal. Ambos os lados fugiram – quanto possível, pois Daniel Oliveira estava presente – aos argumentos mais radicais e demagógicos, discutindo com seriedade a questão: “Monarquia ou República”. Sem prejuízo para outros, gostaria de destacar a vitalidade de Gonçalo Ribeiro Telles, a incorrecção lírica de José Adelino Maltez e, muito em particular, a serenidade e inteligência de Paulo Teixeira Pinto. Se outras provas faltassem, o debate mostrou o erro de casting que foi ter Teixeira Pinto à frente de um banco e aquilo que a política portuguesa poderia ganhar com a sua presença. Optou por intervir ao serviço da “Causa Real”, como monárquico fico muito contente com isso.

11.3.08

Liberdades

Valerá a pena comentar? Acho que não, basta ouvir e digerir. Augusto Santos Silva mostrou a sua essência na reacção a uma manifestação de rua. É fácil falar de liberdade quando ela não nos incomoda, difícil é ser tolerante quando discordam de nós. Aí, sim, se vê quem é, de facto, pela liberdade.

Suicidário

O PSD caminha estranhamente para um convicto hara-kiri. Só isso pode explicar que, nos tempos mais conturbados do governo, a direcção se entretenha a mexer em polémicas questões internas e que os seus opositores comecem a sair da toca em gritos estridentes. No mínimo é incompreensível, a não ser à luz de uma rebuscada teoria sobre o suicídio e as suas causas.

Coincidências

Custa a acreditar que o governo tenha sido alheio à saída de Camacho do Benfica. Ao menos a julgar pelas horas infinitas ocupadas por não notícias em volta deste tema, precisamente nos dias seguintes a uma gigantesca manifestação de professores, e não só, pelas ruas de Lisboa. Conveniente, muito conveniente mesmo, tanto que a manifestação parece que já foi coisa distante e sem importância.

7.3.08

Coisas de uma Voz



Como por aqui as versões são sempre bem vindas – manias minhas –, hoje deixo a estupenda Cesária Évora a cantar “Besame mucho”. Bom som para acompanhar este radioso crepúsculo que anuncia o fim-de-semana.

A propósito de educação

Vale a pena ler este post do Francisco José Viegas, publicado no "A Origem das Espécies". A propósito das manifestações de professores e do descontentamento que ainda pode levar a ministra a levar uma sova, caso se cruze com algum professor em fúria, o que nos dias que correm é uma redundância.
"Ontem visitei uma escola no concelho de Sintra. Era a “semana da leitura” numa escola cuja biblioteca está permanentemente aberta das 08h00 às 22h00 por devoção dos seus professores. Os de várias disciplinas, de Português a Educação Física e Geometria – cada um faz uma escala para garantir um dos objectivos internos da própria escola: mantê-la aberta nesse período. Havia alunos a ajudar no bar e no refeitório, porque não há pessoal suficiente. Alunos, funcionários administrativos e professores promoveram uma maratona de leitura. A ministra da educação pede a estes professores para “trabalharem mais um pouco”, coisa que eles já fazem há bastante tempo; ouvi alunos portugueses, africanos, indianos, do Leste europeu, a falar com orgulho da sua escola. Falando com eles, um a um, percebe-se entusiasmo em várias coisas. Acho natural, são professores. Percebo pela blogosfera uma grande vontade de fazer “justiça pelas próprias mãos” aos professores, mas vejo poucas pessoas com disponibilidade para ouvi-los nas escolas – não nas ruas, onde as parvoíces são sempre amplificadas, mas nas escolas, nos corredores da escolas, quando fazem turnos de limpeza, quando atendem alunos em dificuldade ou fazem escalas para Português como língua estrangeira para rapazes ucranianos ou indianos que não entendem sequer o alfabeto ocidental, ou quando tratam dos problemas pessoais de alguns deles (ou porque não tomam o pequeno-almoço em casa, ou têm dificuldade em aceitar um namoro desfeito, ou andam na droga). Os professores, estes professores, são um dos últimos elos (percebe-se isso tão bem) entre os miúdos e miúdas desorientados e um mundo que é geralmente ingrato. São avaliados todos os dias pelo ambiente escolar, pelo ruído da rua, pelas horas de atendimento, pelas reuniões que o ME não suspeita. Muitas vezes, as famílias não sabem o ano que os miúdos frequentam; não sabem quantas faltas eles deram; não sabem se os filhos estão de ressaca. Os professores sabem.
Essa vontade de disciplinar os professores, eu percebo-a. Durante trinta anos, uma série de funcionários que abundou “pelos corredores do ME” (gosto da expressão, eu sei), decretou e planeou coisas inenarráveis para as escolas – sem as visitar, sem as conhecer, ignorando que essa geringonça de “planeamento”, “objectivos”, princípios pedagógicos modernos, funcionava muito bem nas suas cabecinhas mas que era necessário testar tudo nas escolas, que não podem ser laboratórios para experiências engenhosas. Muitos professores foram desmotivados ao longo destes anos. Ou porque os processos disciplinares eram longos depois de uma agressão (o ME ignora que esses processos devem ser rápidos e decisivos), ou porque ninguém sabe como a TLEBS é aplicada. Ninguém, que eu tivesse ouvido nas escolas onde vou, discordou da necessidade avaliação. Mas eu agradecia que se avaliasse também o trabalho do ME durante estes últimos anos; que se avaliasse o quanto o ME trabalhou para dificultar a vida nas escolas, com medidas insensatas, inadequadas e incompreensíveis; que se avalie a qualidade dos programas de ensino e a sua linguagem imprópria e incompreensível. Sou e sempre fui dos primeiros a pedir avaliação aos professores, porque é uma exigência democrática e que pode ajudar a melhorar a qualidade do ensino. Mas é fácil escolher os professores como bodes expiatórios de toda a desgraça “do sistema”, como se tivessem sido eles a deixar apodrecer as escolas ou a introduzir reformas sobre reformas, a maior parte delas abandonadas uns anos depois. Por isso, quando pedirem “justiça”, e “disciplina” e “rigor” (coisas elementares), não se esqueçam de visitar as escolas, de ver como é a vida dos professores, porque creio que se confunde em demasia aquilo que é “o mundo dos professores” com a imagem pública de um sistema desorganizado, oportunista e feito para produzir estatísticas boas para a propaganda."

6.3.08

Coisas de polícia

Um segurança do Centro Comercial Colombo foi encontrado morto. A primeira hipótese da polícia foi suicídio, algo que até se compreende em alguém obrigado a trabalhar, dia após dia, hora após hora, fechado entre as paredes deste belo centro comercial. A questão é que o homem morreu com três facadas, o que talvez não seja demasiado lógico para um suicídio. Perante este crime aparentemente insolúvel, talvez fosse necessário chamar Sherlock Holmes a intervir, apesar de esta ser uma atitude de manifesta crueldade para com este génio e que o levaria a tomar muitas drogas, mais ainda que o seu habitual, para conseguir encarar a nossa brilhante polícia.

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Foram alguns dias de ausência deste poiso, de pouco tempo ou paciência para a escrita, de pouca produtividade. Enfim, coisas da vida, de uma primavera antecipada, de deixar de ter a idade de Cristo.

29.2.08

Cola

Nos dias que correm dou por mim a olhar com volúpia reprimida para boiões de cola. O motivo nada tem que ver com uma compulsiva vontade de efectuar trabalhos de bricolage, apenas com uma enorme curiosidade sobre os efeitos da inalação de cola, pois consta que é coisa de poderosa alienação. Neste país virtual é cada vez mais necessário recorrer a estímulos artificiais que nos permitam acompanhar o delírio com que somos desgovernados. Enquanto não liberalizam as drogas leves, é difícil encontrar bons cogumelos alucinogénicos e o absinto puro continua proibido, talvez a cola seja uma adequada solução para acompanhar este filme de Terry Gilliam em que se tornou este país da grande modernidade ao nível do norte da Europa, mas onde se continua a morrer de fome e a pobreza alastra.

28.2.08

Música para o fim de tarde



Marisa Monte com Paulinho da Viola. Sem mais, porque palavras não são precisas perante esta mulher. São mesmo desnecessárias. Basta ouvir. E que bom é ouvir.

25.2.08

Das esquerdas

A saída de Fidel deixou muitos, incompreensivelmente muitos, órfãos. Como na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, eis que surge um novo farol para a esquerda com a vitória de Christofias no Chipre. A coisa é tão inédita que deve ser mesmo a primeira vez que um líder comunista chega ao poder através de eleições. Das reais e livres, claro, e não de farsas virtuais tão ao gosto desses democratas.

Real ou virtual

Andam as gentes entusiasmadas a modernidade Socrática apregoada como o caminho da salvação ateia e celebrada há dias na comemoração de três anos de governo “moderno”. Infelizmente vão surgindo demasiadas notícias que desmentem o oásis, tais como saber que Portugal é o segundo país da Europa na exposição das crianças à pobreza. Por este andar, qualquer dia Portugal apenas têm existência no virtual “Real Life” e sob o nome de “West Coast by Nick Knight”.

Sporting perde outra vez

Antes fosse apenas no “Real Life”, na Liga da “West Coast by Nick Knight”, o problema é que não foi, uma vez mais não foi.

21.2.08

Cores de Lisboa

O salmão refulge por detrás de Monsanto, espelhando-se no plúmbeo das nuvens recortadas em fiapos.

19.2.08

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Parece que Pinto de Sousa resolveu despender algum do seu precioso tempo para uma entrevista à SIC. Os portugueses tiveram o privilégio de ouvir as doutas palavras do seu primeiro, respondendo às questões essenciais do país. Disse parece, porque um jantar de amigos me fez ausentar de casa e fiquei assim na ansiedade de não poder enriquecer a minha pessoa com a prédica de Sousa. Li hoje os comentários à entrevista, que me pareceram extremamente facciosos, já que eram quase unânimes a constatar que nada de relevante tinha sido dito e que as questões mais importantes tinham estado ausentes. Não acreditava no que lia, pois depois da exemplar, aberta e corajosa entrevista na RTP, para esclarecer, e cabalmente, o processo da licenciatura, não esperava outra coisa de Pinto de Sousa que não fosse uma clara e frontal entrevista. De facto, ao que chegaram os nossos jornalistas nesta monstruosa cabala urdida contra o PS.

13.2.08

O Bobo da Corte

A grande indignação dos portugueses aquando da remodelação foi a estranha permanência de Mário Lino no governo. Parecia impossível que, depois das trapalhadas em redor da Ota, e da gigantesca desautorização de que foi alvo, o senhor tivesse as mínimas condições para continuar no governo. A resposta a este enigma, que permitirá compreender o bizarro facto de Lino ainda ser ministro, poderá ser encontrada se nos detivermos no processo de decisão sobre a nova travessia sobre o Tejo. Mário Lino já está a adoptar o estilo que usou na decisão sobre o aeroporto: certezas absolutas, dúvidas repentinas, contradições totais, desmentidos de desmentidos. Enfim, uma sucessão de labirínticas declarações perante as quais hesitamos entre rir ou chorar. Com tudo isto eu já tenho para mim a resposta para a perplexidade do senhor ainda ser ministro, aliás, é mesmo a única que consigo conceber: Pinto de Sousa escolheu Mário Lino para, em momento de profunda depressão nacional, encarnar a figura de “Bobo da Corte”, para que com os seus disparates vá entretendo o povo e o mantenha longe dos reais problemas do país.

12.2.08

Timor

Nestes trágicos tempos que vive Timor é uma mais vez essencial o apoio de Portugal. Durante anos, esta foi terra abandonada e esquecida, assunto tabu para demasiadas consciências pesadas. Longe, muito longe para que as feridas se avivassem, para que parecessem reais. Os indonésios ocuparam o território e Portugal, com a timidez de uma virgem pudica, balbuciava débeis protestos à comunidade internacional. Os políticos portugueses só podem querer evitar falar sobre Timor, aliás, durante anos foi exactamente aquilo que fizeram, tentando que o povo português ignorasse o que se passava com os seus irmãos do outro lado do mundo. Uma voz sempre destoou, ao ponto de por isso ser ridicularizado, insistindo em dar apoio aos refugiados timorenses e em não deixar que o assunto caísse no tão desejado esquecimento: D. Duarte de Bragança, que a “inteligentzia” sempre insiste em fazer passar como um inútil, foi a única voz que nunca se calou. Depois veio o povo português, que após perceber, finalmente, o que se passava em Timor, essencialmente depois de ver as imagens do massacre de Santa Cruz, mas também, é preciso não esquecer, graças às denúncias da então Embaixadora na Indonésia, Ana Gomes. A inédita, e magnífica, onda de solidariedade que percorreu o país terá sido uma bofetada aos políticos da situação que, de repente, se viram na necessidade de ter de fazer algo por Timor. Aí, e só aí, houve uma acção oficial de Portugal em relação a Timor. Foi tarde, tal como o vai ser agora, mas foi essencial, tal como o terá de ser agora.

Relembrem-se as palavras de Pedro Ayres de Magalhães, escritas para a canção "Timor" dos Resistência:

“Andam lá sem descansar, Nas montanhas a lutar,
Iluminam todo o mar de Timor.
Nas montanhas sem dormir, uma luz a resistir
Arde sem se apagar em Timor.

Andorinha de asa negra,Se o teu voo lá passar,
Faz chegar um grande abraço, Dá saudades a Timor.

Eles não podem escrever, Porque vão a combater,
Vão de manhã defender, a Timor.
As crianças a chorar, não as posso consolar
Que eu nunca cheguei a ver, a Timor.

Andorinha de asa negra
Vem ouvir o meu cantar.
Faz chegar um grande abraço,
Sem noticias de Timor.
Nunca mais hei-de voltar ,
Já não posso lá voltar,
À idade de lembrar a Timor.
Andam lá sem descansar, Nas montanhas a lutar
Iluminam todo o mar de Timor.”

8.2.08

Estéticas



O Impensável lembra uma entrevista de Pinto de Sousa em que se diz um esteta, convidando a aferir este estatuto com os edifícios por ele projectados (ver imagem acima). Não penso que haja contradição nos factos, afinal cada um tem a sua estética, o que me preocupa é ter alguém com estes conceitos estéticos a governar o que quer que seja. Pode-se dizer que os gostos não se discutem, ou que o bom gosto é questão subjectiva, no entanto tenho para mim que alguém com tão mau gosto não pode ser bom administrador de Portugal. Afinal, o país é a nossa casa comum, que não quero ver submersa por “psichés” e cães de loiça ou coberta por azulejos industriais de refugo.

Os parabéns

O Corta-Fitas, um dos blogs mais estimados por estes lados, fez dois anos. Obrigado.

6.2.08

Marcha da quarta-feira de Cinzas


Do Vinicius, neste início de quaresma.

Primárias em Portugal

Estão oficialmente abertas as primárias para as presidenciais portuguesas. O tiro de partida foi dado pelo omnipresente José Miguel Júdice, que nos últimos tempos se tem desdobrado pelos media num estranho e frenético afã de protagonismo que não lhe era habitual. Este frenesim não poderia ser inocente, assim como não o terão sido a sua saída do PSD e o seu peculiar entusiasmo com Pinto de Sousa. Parecia que o seu objectivo seria concretizar a negociata com António Costa para presidir à entidade que irá gerir a zona ribeirinha de Lisboa. Puro engano. Este poderá ser um passo intermédio, mas ficou claro que o seu objectivo ainda que se situe junto ao rio se concretiza numa zona muito particular denominada Belém. Apenas isto, ou um aparente acesso de insanidade, explicará a sua obsessão com Marinho Pinto e o seu terror perante a possibilidade deste estar a trilhar o caminho para ser candidato da esquerda a Belém. Está aberta a guerra, uma surpreendente e pouco interessante guerra que apenas servirá para desviar as atenções sobre o que Marinho Pinto disse sobre corrupção. Ou será mesmo esse o objectivo?

1.2.08

Luto

Há cem anos atrás, dois assassinos dispararam uma saraivada de tiros provocando a morte do Rei D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe.

D. Carlos I, Rei de Portugal
(Fotografia de Amadeu Ferrari, in Arquivo Fotográfico de Lisboa)

D. Luís Filipe, Príncipe Real de Portugal
(Fotografia de Alberto Carlos Lima, in Arquivo Fotográfico de Lisboa)









Assim se vê a força dos aventais.

As forças armadas não poderão estar presentes nas cerimónias em honra do rei D. Carlos, mas os seus assassinos carbonários terão direito ao descerramento de uma lápide.

Vergonha de ser português I

O Estado português recusou a presença das forças armadas nas cerimónias em memória dos cem anos sobre o assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe. Ao que consta, Fernando Rosas terá feito um requerimento ao ministro Severiano Teixeira que, para além de lhe dar seguimento, com o apoio de todos os partidos, teve a “gentileza” de ligar a Rosas a dar conta da sua decisão. Nem vale a pena comentar o que quer que seja, basta ler com atenção as frases anteriores.
D. Carlos era, goste-se ou não, o chefe de Estado aquando do seu assassinato, como tal era óbvio e evidente que, em cerimónia em memória do seu selvagem assassinato, estivessem presentes as forças armadas. Seria o mesmo que, se viéssemos em monarquia, fosse negada uma parada militar em honra à morte de um presidente da república, ou seja, algo impensável.
Assola-me uma vergonha profunda de que Portugal tenha sucumbido a esta gente infame e cheia de ódio e que o país esteja, com excessiva rapidez, a perder toda a dignidade que lhe ia restando.

Vergonha de ser português II

Fantástico país em que os criminosos Buiça e outro de quem nem me lembro do nome vão ser homenageados. Estes homens foram uns vulgares e bárbaros assassinos, mas ainda há quem os ache uns heróis. Os mesmos que acham que Estalin foi um grande líder e que há terroristas desculpáveis e que a violência, quando parte do lado deles, é justificável. Tenho nojo desta gente, desta gente que em nome da liberdade desculpa tudo, esquecendo que em nome da liberdade a república nos conseguiu trazer 64 anos de ditadura e apenas 33 de democracia. Esquecendo ainda que no tempo de D. Carlos o regime era democrático e que o rei tinha um poder em muito semelhante aos actuais presidentes da República e que talvez por isso mesmo tenha sido morto. Esquecendo a história quando tal é conveniente, aproveitando os relatos ficcionados subordinados à ideologia e sob o capote da história.

29.1.08

Coincidência

Pinto Ribeiro é o novo ministro da cultura.
Pires de Lima é a ex-ministra da cultura.
Pires de Lima assinou o contrato da colecção Berardo.
Pinto Ribeiro era administrador da Fundação Berardo.

Coincidências

O “Manifesto do Surrealismo” vai ser leiloado em Paris.
Mário Lino continua a ser o ministro das obras públicas.

Esquecimento. Por certo esquecimento.

O primeiro-ministro esqueceu-se de Mário Lino. Esta é a única explicação para que este senhor continue a ser ministro. Só pode ter sido esquecimento. Esquecimento da sua existência, esquecimento da sua irresponsável teimosia, esquecimento dos “jamais” e dos “desertos”, esquecimento da Ota sem dúvida. Enfim, esquecimentos. Agora só se pode esperar que, a tempo da tomada de posse dos outros novos ministros, surja também um novo ministro para as obras públicas. Alguém que lembre o senhor Pinto de Sousa, é que parece que o homem anda esquecido.

Saída pessoal

Por fim, Correia de Campos lá saiu. Por motivos pessoais, como é óbvio, nada que ver com o facto de ser odiado por cerca de oitenta por cento dos portugueses que vivem fora de Lisboa e Porto. A sua inexplicável – pelo menos ele nunca a conseguiu explicar devidamente – política de deixar o interior com o menor número de serviços de saúde possíveis deixou inquestionáveis marcas. Marcas pessoais, como é evidente.

Yes!

A magnífica Ministra da (in)cultura foi finalmente à vida. Não sei se isto quererá dizer que vamos passar a ter, de facto, um Ministro da Cultura em José António Pinto Ribeiro, mas pior que Pires de Lima parece-me, muito sinceramente, impossível. Pena é que fiquem as luminárias com que ela encheu o ministério, um bando de “yes men” que substituíram gente competente – é preciso não esquecer Pinnamonti, João Lagarto ou Dalila Rodrigues – sob a complacência de outros de coluna vertebral no mínimo flácida – assim de repente, o nome Bairrão Oleiro vem-me à cabeça. Que Pinto Ribeiro não empregue o estilo estalinista já será um excelente prenúncio para que as coisas da cultura melhorem, o problema é que permanece por lá o fantasma de Vieira de Carvalho, na sua Secretaria de Estado, eminente seguidor da velha escola de Estaline, tão do agrado da ex(que bem que isto soa)-ministra. Ainda assim, depois de Pires de Lima, pior é impossível.

Lembrete

Demissões por razões políticas, museus com alas fechadas por falta de pessoal, milhões gastos numa exposição medíocre (Hermitage), acordo ortográfico a passar ao lado do Ministério da Cultura, compra do Tiepolo em risco por ignorância da ministra, inexistência de política cultural, ruinoso aluguer da colecção Berardo. Apenas para citar alguns exemplos do brilhantismo de Pires de Lima. Em jeito de epitáfio.

Tragédia

Pires de Lima poderá voltar aos seus estudos queirozianos. Pobre Eça, já estará a rebentar o caixão perante esta sinistra possibilidade.

28.1.08

Ressuscitou! Aleluia.

O moribundo Sporting, que arrastava uma doença desconhecida – o Dr. House recusou consulta ao domicílio e Soares Franco achou, em nome da contenção, que seria muito caro ir até aos EUA – pelo campeonato, chegando ao limite em que duvidávamos se a equipa já tinha morrido, mas ninguém se lembrara de a avisar, ressuscitou ontem em Alvalade. Pode ser, e se calhar infelizmente é, uma fugaz ressurreição –como quando os choques do desfibrilhador conseguem animar um coração parado – no entanto dá alguma esperança à família de que até ao fim da temporada possa deixar de tomar vorazmente Prozac, passando antes para umas “minis” a comemorar vitórias. Asseguro que foi a primeira vez que esta época saí de Alvalade satisfeito com o resultado e também com o jogo. Não que tenha sido esmagador ou brilhante, mas por ter sido bom e com garra, e por mostrar que os jogadores queriam de facto ganhar, algo que cheguei a duvidar em vários jogos este ano. Que assim continue, até porque ainda temos três taças ao alcance e um lugar na Liga dos Campeões para assegurar. O campeonato, enfim, como eu já não acredito no Pai Natal…