18.6.08
Coisas Boas da Irlanda II
The Pogues & The Dubliners
"The Irish Rover"
Coisas a ler
“O Yes de Molly Bloom”, de Vasco Graça Moura, hoje no DN.
Coisas da Irlanda
A propósito do mui conveniente “Não” da Irlanda, esta semana dedicarei algumas postas a outras coisas boas de lá vindas.
Coisas Boas da Irlanda
Sinead O’Connor & The Chieftains
"The Foggy Dew"
16.6.08
Descanso
O bom do Santo António deve ter avisado São Pedro que já era demais e que era preciso uma réstia de sol para animar Portugal enquanto a selecção que interessa entrava em descanso. Resultou a demanda em dois épicos dias de praia, num areal em que era possível traçar áreas de influência de mais 50 metros entre as pessoas e a que não faltava um acolhedor bar com música de irrepreensível gosto. Paraíso de sossego em fim-de-semana grande e a pouco mais de uma hora de Lisboa. Para norte, claro, que esse reino dos Algraves não é terra para mim.
Coisas da Europa I
É extraordinário o argumento de que 4 milhões de habitantes, cerca de 1% da União Europeia, estejam a condicionar, de forma desproporcionada, o projecto europeu. Poderia ser por memória curta, mas é mesmo por desonestidade intelectual. Fazem por esquecer qual foi o resultado dos referendos nos outros países? Será que, apesar de prometidos como em Portugal, foram evitados para não permitir à população que se exprimisse? E a nega na Holanda e em França, já foi esquecida? A realidade é que cerca de 53% dos europeus que tiveram o direito democrático a pronunciarem-se votaram “Não”. O resto é o habitual chorrilho de habilidades retóricas que tentam transformar o branco em preto.
Coisas da Europa II
A utopia europeia está a causar uma cegueira que, para quem insiste em querer ver, se torna assustadora.
Sláinte
Brava Irlanda. Uma vez mais. Brava Irlanda.
Brindemos à liberdade com pints de Guiness em barda.
Beautiful day – U2
Brindemos à liberdade com pints de Guiness em barda.
Beautiful day – U2
12.6.08
Crisis? What crisis? – I
Depois de ceder aos pescadores o governo deixou de ter margem de manobra para não negociar com os camionistas. Podia, caso fosse realmente competente, ter negociado mais cedo e poupado aos portugueses o racionamento dos combustíveis ou a ausência de saladas ou frutas. Bolas, afinal estamos no verão e na época das dietas e aposto que os portugueses, em particular as mulheres, não lhe vão perdoar tão cedo a transgressão alimentar a que foram obrigados.
Crisis? What crisis? – II
O protesto é obviamente intolerável, o grave, e preocupante, é que ele seja compreensível.
Crisis? What crisis? – III
Gostei de ouvir falar Rui Moreira, ontem na RTPN, sobre a crise dos combustíveis. Apetecia aplaudir que alguém estava a dizer de forma tão clara algo de evidente: os nossos governos, e não só o actual, apenas governam para grandes empresas (ou agricultores, ou industriais, ou banqueiros, basta acrescentar qualquer actividade). Num país com uma economia muito baseada nas PME’s, não deixa de ser curioso, se não fosse perigoso. Os anos passam e a pequena economia é tratada como algo distante e em vias de extinção, como se a economia de um país – em especial do nosso – pudesse sobreviver apenas com grandes empresas.
Crisis? What crisis? – IV
Quando se diz que na Europa de hoje não há ideias a discutir estamos a tomar atitude da avestruz e a ignorar a realidade. O delírio é mais evidente quando vimos Pinto de Sousa a comparar-nos com a Finlândia ao mesmo tempo que assistimos à “Liga dos Últimos” na RTP. Portugal é cada vez mais um país dividido ao meio, em que o litoral se apresenta com toques cosmopolitas e o interior é cada vez mais um museu antropológico. A culpa é de quem governa porque assumiu, sem a frontalidade de o dizer, que o interior é para abandonar, a agricultura para acabar e o território para desocupar. Nada disto é inevitável ou emana de Bruxelas, é apenas o reflexo do novo-riquismo das gentes que nos governam e que acham mais atractivo inaugurar estradas do que produções de batata e que vêm mais glamour em protocolos com bancos do que em olivais extensivos.
Se discutir isto não é discutir ideias, então eu definitivamente já não sei o que é a política.
Se discutir isto não é discutir ideias, então eu definitivamente já não sei o que é a política.
Crisis? Why crisis?
“Metro do Terreiro do Paço teve derrapagem superior a 31 milhões de euros”
Depois dizem que crise é inevitável, que não há dinheiro para nada e que o país não tem melhora possível. Aposto que as derrapagens das obras públicas já davam para muita coisa. Façam as contas!
Depois dizem que crise é inevitável, que não há dinheiro para nada e que o país não tem melhora possível. Aposto que as derrapagens das obras públicas já davam para muita coisa. Façam as contas!
Perguntas da crise – I
No meio do caos que assolou o país, fica uma pergunta: onde anda o PSD? Resposta possível: no mesmo sitio onde andou nos últimos tempos, sentado no sofá à espera que o poder lhe caia no colo.
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P.S. Será que nasceu mais um neto a Manuela Ferreira Leite?
P.S. Será que nasceu mais um neto a Manuela Ferreira Leite?
Perguntas da crise – II
Cavaco Silva ainda é presidente de Portugal? E que tal mandar uma das suas “sagradas” mensagens ao país, e ao governo, nestes momentos de crise. Até para esquecer o lapsus linguae do dia da raça.
Perguntas da crise – III
Não será estranho Mário Lino não ter aparecido nas televisões a falar sobre a crise? Será que no governo já perceberam que o homem não é apresentável e tem uma tendência fatal para o disparate.
Do futebol
Mais um bom jogo. Mais uma vitória. Estranho esta coisa de estar apurado sem confusões, ao segundo jogo, sem sofrimento, sem pensar no resultado dos outros. Não estou habituado a isto, estou mesmo muito preocupado porque algo está diferente neste mundial em que parece que a selecção é uma equipa. Será que quer dizer algo? O meu medo é que queira dizer uma eliminação nos quartos de final. Talvez não, talvez queira dizer que é desta. Talvez seja mesmo desta.
11.6.08
Sobre o referendo
Amanhã, veremos se a Irlanda continua a ser um país de coisas boas e definitivas.
Votando "Não" ao anti-democrático Tratado de Lisboa, dando assim mais uma lição de Democracia e uma bofetada de luva branca aos eurocratas.
Fazer companhia ao sol
Quando o tempo parece querer ajustar-se às estações, achei que as minhas humildes compras na Feira do Livro deviam seguir o mesmo caminho. Optei por livros que tentassem deixar-me bem disposto: Evelyn Waugh, Nancy Mitford, Jerome K. Jerome. Tudo na Cotovia e a bom preço de feira. Os monos ficam para outra oportunidade que o passeio foi curto.
Perplexidade
Estranho bastante que as habituais brigadas das liberdades não tenham aparecido no momento em que uma juíza censurou a transmissão de uma tourada pela RTP. Será que para essa gente há liberdades e liberdades?
6.6.08
Bravo TVI!
No dia em que foi dado provimento à providência cautelar que impedia a transmissão da Corrida TV em horário nobre, a TVI não emitiu as suas três novelas do costume para transmitir em directo uma corrida de touros no Campo Pequeno. Depois não venham dizer que as touradas são coisas de minorias, pois se a TVI, o nosso canal mais comercial, transmite corridas em horário nobre, não o fará sem grande segurança das suas audiências.
Bravo TVI! - II
A TVI não é a “minha” televisão, o que aliás é normal pois não é a mim que a sua programação é dirigida, mas há algo que, para além duma programação no geral miserável, a distingue: a independência e a coragem. Ontem foi exemplo disso.
Pinto de Sousa
200 mil pessoas na rua. Alegre em movimento. Novo presidente do PSD. Moção de censura do CDS/PP. Ambiente geral de contestação. Caso para dizer:
“As notícias da sua vida prolongada foram manifestamente exageradas.”
“As notícias da sua vida prolongada foram manifestamente exageradas.”
5.6.08
Coisas dos Trinta
Essa coisa de mulheres submissas e sofredoras está irremediavelmente fora de moda. Pena é que elas continuem a não acreditar nisso.
Isto está bonito!
Após anos de providências cautelares do inefável António Maria Pereira, eis que o Tribunal de Lisboa, numa decisão inédita, resolveu proibir a transmissão em directo da Corrida de Touros da RTP, remetendo-a para o horário entre as 22.30h e as 6.00h, e ainda assim acompanhado por um identificativo visual permanente, por, alegadamente, ser “susceptível de influir negativamente na formação da personalidade de crianças e adolescentes”.
Neste país, proibir é um dos verbos preferidos, pena que se aplique sistematicamente ao que não deve. Insuspeito de tendências revolucionárias, cada vez mais me apetece sair para a rua e gritar: “É proibido proibir!”.
Neste país, proibir é um dos verbos preferidos, pena que se aplique sistematicamente ao que não deve. Insuspeito de tendências revolucionárias, cada vez mais me apetece sair para a rua e gritar: “É proibido proibir!”.
4.6.08
El breve espacio que no esta
Porque às vezes, muitas, é preciso ouvir música nostálgica ou triste. Aqui fica uma canção de Pablo Milanés que conheci da versão de Luís Represas incluída no seu primeiro álbum.
3.6.08
Demagogia
Palavra que serve a tudo, como uma bata larga de hospital de tamanho único que a todos serve. Alguém se insurge contra o status quo e é demagogia, alguém dá uma ideia contra a corrente e é demagogia, alguém diz o óbvio e é demagogia.
Há fome, há gente hipotecada até ao tutano, há uma imensidão de crédito mal parado e irrecuperável, há prestações de casas incomportáveis, há famílias inteiras em risco de pobreza real.
Túnel do Marquês, Aeroporto de Alcochete, TGV, 3ª ponte sobre o Tejo, auto-estradas por todo o país.
Sistema Nacional de Saúde que não funciona, (in)justiça, património a cair, abandono dos campos e da agricultura.
Allgarve, Lei do fumo, ASAE.
As prioridades deveriam dizer tudo.
Posto assim é óbvia demagogia. Claro que é, aliás, a ninguém pode passar pela cabeça que também é a verdade. Mesmo que seja e, infelizmente, a mais real das verdades.
Há fome, há gente hipotecada até ao tutano, há uma imensidão de crédito mal parado e irrecuperável, há prestações de casas incomportáveis, há famílias inteiras em risco de pobreza real.
Túnel do Marquês, Aeroporto de Alcochete, TGV, 3ª ponte sobre o Tejo, auto-estradas por todo o país.
Sistema Nacional de Saúde que não funciona, (in)justiça, património a cair, abandono dos campos e da agricultura.
Allgarve, Lei do fumo, ASAE.
As prioridades deveriam dizer tudo.
Posto assim é óbvia demagogia. Claro que é, aliás, a ninguém pode passar pela cabeça que também é a verdade. Mesmo que seja e, infelizmente, a mais real das verdades.
Palavra d’outros
Francisco José Viegas no "A Origem das Espécies".
“Gosto da Feira do Livro com as barraquinhas. Gosto de ir lá à tarde e de encontrar amigos, gente que não vejo há muito tempo, trocar «notícias» por «notícias». Gosto de ir às barraquinhas de livros velhos, stocks, obras completas de Mao, Escritos Escolhidos de Lenine, A Cozinheira Ideal ou os John Le Carré em hardcover. Gosto de comprar Rex Stouts repetidos. Não gosto de novidades na Feira; prefiro livros de há anos, são esses os que procuro, os que perdi e que quero repor na estante. Gosto de comprar livros por 1€, 3€, 5€. Gosto de encontrar amigos a dar autógrafos e de ir para as filas pedir-lhos. Gosto de churros com chocolate (este ano estão a 2€, o que é um assalto). Gosto das cores das barraquinhas. Gosto dos grupos que se sentam ao sol, na relva do Parque. Gosto de encontrar editores que vão sempre à Feira. Gosto de gente que atravessa a Feira assinalando títulos nos catálogos. Gosto da Feira com ar saudável e relativamente anárquico, com cadeirinhas na calçada onde autores se sentam perto de quem passa, com ar desprotegido (por isso é que se reconhece um editor; é ele que está lá, ao lado, a fazer companhia). Gosto de ir à Assírio & Alvim perguntar se tem o Equador. Gosto da Feira com sol, gosto quando chove. Gosto quando o MJM me telefona a dizer que encontrou um livro meu com uma fotografia que nem vista se acredita. Gosto das sacolas pretas da Tinta-da-China e de ficar por ali. Gosto das cores da Oficina do Livro. Gosto de ir à Guimarães Editores, à Relógio d'Água ou às bancas da Vampiro. Sinto-me um provinciano feliz que está onde quis ir. À Feira.”
Gosto de subscrever e gosto assim de ir à feira. Ainda não fui. Ainda não procurei volumes antigos do Tenente Blueberry encontrando o Martin Milan que me faltava. Ainda não persegui pechinchas descobrindo magníficos monos. Na sexta-feira irei, em busca desta feira que eu gosto e que aqui tão bem foi descrita. Talvez encontre por lá o Dr. Sousa Homem, numa rara saída do seu retiro minhoto, por motivo do lançamento do seu segundo volume de crónicas, que dá pelo nome de “Os Males da Existência”. Gostava de o cumprimentar.
Gosto de subscrever e gosto assim de ir à feira. Ainda não fui. Ainda não procurei volumes antigos do Tenente Blueberry encontrando o Martin Milan que me faltava. Ainda não persegui pechinchas descobrindo magníficos monos. Na sexta-feira irei, em busca desta feira que eu gosto e que aqui tão bem foi descrita. Talvez encontre por lá o Dr. Sousa Homem, numa rara saída do seu retiro minhoto, por motivo do lançamento do seu segundo volume de crónicas, que dá pelo nome de “Os Males da Existência”. Gostava de o cumprimentar.
2.6.08
A Senhora Presidente
Tenho feito por aqui algumas ironias sobre Manuela Ferreira Leite, em particular à sua ausência de ideias. A senhora de facto não entusiasmou durante a campanha. Não posso ainda assim deixar de dizer que com esta senhora a coisa política em Portugal irá decerto melhorar, apesar de que não seria difícil. A nova presidente do PSD traz a vantagem de querer falar verdade, o que em alguém sério quer dizer qualquer coisa, e de não querer seguir pela “plastic-politic” tão na moda. Convenhamos que depois de Santana e de Menezes a melhoria é clara. Claro que ainda ficamos com dignos representantes do plástico como Pinto de Sousa, Louçã e Portas, mas pelo menos um dos maiores partidos vai por outro caminho, o que não deixa de ser louvável. Para já pouco estimulante, mas louvável.
Boas notícias
Hélder Postiga é jogador do Sporting.
Gosto de jogadores assim, artistas incompreendidos, irregulares, polémicos.
Gosto de jogadores assim, artistas incompreendidos, irregulares, polémicos.
Laranja e rosa
Caso Ferreira Leite insista em não discutir ideias – e tendo em conta que Pinto de Sousa pouco gosta de as discutir, talvez por as não ter – fica a dúvida sobre o que discutirão nos debates para as próximas legislativas. Talvez futebol?
Grande gozo
Nunca fui à Suíça, mas já li sobre o país, já falei com quem lá viveu, já conheci suíços. Por tudo o que sei, é enorme o gozo de imaginar esse paraíso da tranquilidade e do aborrecimento com as ruas invadidas por hordas de portugueses eufóricos. Uns vindo de propósito, mas a imensa maioria a sair exuberante das casas onde se escondem para sobreviver à maçadora sociedade suíça. Todos pelas ruas a gritar e buzinar e cantar. A invasão do caos luso a terras de ordem ancestral, em tempos de uniformização de europeia e de comportamentos formatados, é um episódio que não pode deixar de me fazer regozijar neste cantinho junto ao mar plantado que tudo tinha para se transformar numa aldeia de gauleses irredutíveis nesta Europa romanizada.
30.5.08
Desabafo snob
O berço não se escolhe e a educação não se encomenda. Após ver o debate de ontem na Assembleia e o que disseram Pinto de Sousa, Louça ou Alberto Martins, fica a demonstração cabal desta teoria. O brejeiro de Alfama tem graça e genuinidade, mas ver estalar o verniz a gente que se tem em tão alta conta mostra que por baixo de camadas do dito surge sempre a unha, e dessas nem todas servem para tocar guitarra.
29.5.08
28.5.08
Telejornal (pouco) imaginário - excerto
O primeiro a acordar foi Petit, que de imediato se dirigiu à casa de banho para a sua higiene matinal. (…) Quaresma despertou com mau feitio e de imediato insultou Simão por este o haver acordado. (…) Bruno Alves desceu um pouco cabisbaixo, algo preocupado com ligeiros problemas intestinais revelados na primeira ida à retrete do dia. (…)
O pequeno-almoço consiste, hoje, em sumo natural de laranja do oeste, leite meio-gordo “Mimosa”, chá “Lipton” rótulo amarelo, merendas frescas, pão de centeio, pão de sementes com Ómega 3, croissants, manteiga sem sal “Primor”, compotas “Casa de Mateus” – morango, framboesa e pêssego –, queijo flamengo “Terra Nostra”, queijinhos frescos, requeijão e cereais muesli. Está também à disposição dos jogadores uma zona de buffet quente com ovos mexidos, bacon e salsichas.
Da refeição da manhã destaca-se o apetite de Miguel Veloso, de pronto refreado por alguns colegas que lhe lembraram o estado obeso em já esteve durante a presente época. Ricardo, talvez devido aos nervos de poder não ser titular, denota uma estranha falta de apetite. Quaresma foi o último a descer para o pequeno-almoço, entrando sem dirigir a palavra a ninguém. Petit ainda de preparava para se meter com o seu mau feitio quando foi refreado por Moutinho, que lhe lembrou o facto de ontem Quaresma ter atirado com um prato de pães-de-leite para cima de Nani.
A gasolina subiu, uma vez mais, ontem.
Última hora: Hugo Almeida jogou na equipa dos coletes no treino de hoje da selecção.
O pequeno-almoço consiste, hoje, em sumo natural de laranja do oeste, leite meio-gordo “Mimosa”, chá “Lipton” rótulo amarelo, merendas frescas, pão de centeio, pão de sementes com Ómega 3, croissants, manteiga sem sal “Primor”, compotas “Casa de Mateus” – morango, framboesa e pêssego –, queijo flamengo “Terra Nostra”, queijinhos frescos, requeijão e cereais muesli. Está também à disposição dos jogadores uma zona de buffet quente com ovos mexidos, bacon e salsichas.
Da refeição da manhã destaca-se o apetite de Miguel Veloso, de pronto refreado por alguns colegas que lhe lembraram o estado obeso em já esteve durante a presente época. Ricardo, talvez devido aos nervos de poder não ser titular, denota uma estranha falta de apetite. Quaresma foi o último a descer para o pequeno-almoço, entrando sem dirigir a palavra a ninguém. Petit ainda de preparava para se meter com o seu mau feitio quando foi refreado por Moutinho, que lhe lembrou o facto de ontem Quaresma ter atirado com um prato de pães-de-leite para cima de Nani.
A gasolina subiu, uma vez mais, ontem.
Última hora: Hugo Almeida jogou na equipa dos coletes no treino de hoje da selecção.
27.5.08
Série B
Zapping. Canal Hollywood. Um jogador conta cartas e ganha num casino. Uma mulher avança para cantar no palco de uma marisqueira de aspecto vulgar. Parece a voz de Mísia no corpo de uma mui agradável morena que após cantar em português fala em americano fluente. O jogador é inglês. Estamos em New Bradford. A mulher é da Graciosa onde ele esteve aos 18 anos. Descobrimos que há azeite Galo made in Graciosa, aliás o único azeite da ilha. Mísia volta a cantar. A mulher é viúva de pescador e gosta de peixe. Paixão e traição. A filha quer ser jogadora e aprender com o namorado da mãe. Há ainda a mãe do falecido que, apesar dos sessenta anos, acaba apaixonada por um motoqueiro de 200 quilos e barba duvidosa. Pelo meio, nas festas de S. Pedro, dançam uma música portuguesa típica, curiosamente ao estilo samba.
É tão bom ver um filmezinho mau que é quase - muito quase, é certo - bom, um simpático série B com mulheres bonitas, pois além das portuguesas, mãe e filha, aparece ainda a belíssima Theresa Russel num papel secundário.
É tão bom ver um filmezinho mau que é quase - muito quase, é certo - bom, um simpático série B com mulheres bonitas, pois além das portuguesas, mãe e filha, aparece ainda a belíssima Theresa Russel num papel secundário.
Perplexidade
Um destes dias ainda irei perceber se é por poupança ou refinado sadismo que a FNAC do Chiado persiste em ter uma temperatura insustentável que nos remete para distantes saunas finlandesas.
Notícia com palavra nova
A sonda Phoenix “amarteou”. A coisa parece muito deserta. Esperemos pelo flautista que chame as criaturas das profundezas do planeta.
26.5.08
Época de acasalamento
(Título roubado a Wodehouse)
O acasalamento de outros vai sendo motivo de festa e, porque não, possível ocasião de outros acasalamentos. Este final de semana abriu a minha época anual com um casamento que ficou aquém neste aspecto: pouca população feminina que não a de homens pendurados nos braços ou a controlada por olhares perscrutadores de copo na mão encostados ao bar. Nem jovens primas desocupadas, nem divorciadas frescas, nem tias “balzaquianas”. Fraca escolha. Os noivos pairavam alegres como devem, animando a pista quando esvaziava e distribuindo cumprimentos e sorrisos não fora alguém pensar que já estavam arrependidos do acto consumado. O dia a seguir comprovou que as bebidas não tinham chegado via Sacavém, o que já não vai sendo má notícia. O fígado sobreviveu a uma sôfrega e gulosa prova de doces de ovos capaz de enjoar amadores de doces à séria. Passou o primeiro de uma temporada preenchida. A ver como serão os outros acasalamentos e que, de preferência, sejam mais potenciadores de acasalamentos ou afins. A bem dos solteiros.
O acasalamento de outros vai sendo motivo de festa e, porque não, possível ocasião de outros acasalamentos. Este final de semana abriu a minha época anual com um casamento que ficou aquém neste aspecto: pouca população feminina que não a de homens pendurados nos braços ou a controlada por olhares perscrutadores de copo na mão encostados ao bar. Nem jovens primas desocupadas, nem divorciadas frescas, nem tias “balzaquianas”. Fraca escolha. Os noivos pairavam alegres como devem, animando a pista quando esvaziava e distribuindo cumprimentos e sorrisos não fora alguém pensar que já estavam arrependidos do acto consumado. O dia a seguir comprovou que as bebidas não tinham chegado via Sacavém, o que já não vai sendo má notícia. O fígado sobreviveu a uma sôfrega e gulosa prova de doces de ovos capaz de enjoar amadores de doces à séria. Passou o primeiro de uma temporada preenchida. A ver como serão os outros acasalamentos e que, de preferência, sejam mais potenciadores de acasalamentos ou afins. A bem dos solteiros.
(Des)igualdades
A Europa veio anunciar o óbvio: Portugal é o país com mais desigualdade social da União Europeia, sendo esta até superior aos EUA. A importância da notícia não advém da sua novidade, mas sim de vir da Europa, aparentemente a única voz escutada pelo obediente governo Pinto de Sousa. Num país em que o governador do Banco de Portugal ganha mais do que o seu homónimo do Banco Federal Americano, em que os gestores públicos têm ordenados e reformas obscenas, em que os jovens trabalham na maioria a precários recibos verdes e em que há demasiada gente a viver abaixo da miséria e a passar real fome, é evidente que algo está mal e desigual. Não deveriam ser precisos relatórios europeus para percebermos a gravidade da situação e para agir, mas tendo nós um governo mais preocupado em mandar o fumadores para a rua – excepto os membros do governo –, em permitir o aborto livre, em assinar tratados europeus à revelia do povo ou a perder tempo com (des)acordos ortográficos, talvez seja preciso que venham palavras do exterior para serem escutadas por quem nos (des)governa.
23.5.08
Coisas da televisão
A obsessão das televisões, em particular da TVI, em (per)seguir a selecção nacional está a atingir níveis muito para lá dos limites da sanidade. Pouco falta para estarem jornalistas dentro dos quartos a acompanharem os jogadores à casa de banho de papel higiénico na mão. A quantidade de minutos gastos por telejornal chegaria, ao fim do dia, para projectar o “Le Soulier de Satin” de Manoel de Oliveira na versão integral de cerca de sete horas. Entre ver jogadores de futebol em treino, apoiados por Roberto Leal, e os planos fixos de Oliveira acho a segunda opção esteticamente bem mais interessante apesar de igualmente chata.
A notícia
A noite de copos arrastara-se até à quase manhã. A passagem no quiosque já aberto mostrou os jornais do dia já chegados. Gosto sempre muito de voltar a casa de jornal debaixo do braço, pois permite uma manhã mais arrastada a entrar pela tarde por entre um artigo de opinião mais ou menos interessante. Optei pelo “Público”, sem motivos em particular, e passei os olhos pelo que se passava no mundo. Uma fotografia chamou a minha atenção e li a notícia abaixo. Não era amigo de Torcato Sepúlveda, mas depois de anos em que me habituei a ler os seus escritos, desde os tempos do Indy até à NS, tive o gosto de ter três ou quatro conversas com ele nas intermináveis tertúlias do Snob. Era um jornalista à antiga, dos tempos em que este era feito com frontalidade, independência e boa escrita, homem de convicções firmes e firme na forma de as expor. A sua morte fez-me impressão, a morte faz sempre impressão, mas será diferente entrar de novo no Snob e não encontrar essa figura sem tempo sentada tranquilamente a ler e a fumar um cigarro ou projectando a sua voz potente em discussões viscerais.
21.5.08
Diálogos Imaginários
– Charles, continuo a desesperar com o tempo. Já nem me deves poder ouvir.
– Tenha calma, menino. Compreendo o seu desespero.
– Eu sei, Charles, mas já é demais. Os casacos até já foram postos de parte, mas esta coisa de continuar com camisolas de lã sem as conseguir substituir pelo algodão, isto quase no fim de Maio, é de levar à loucura a alma mais sã.
– Pois é, menino, o tempo resolveu andar a brincar connosco. Quem diria que S. Pedro tinha tanto sentido de humor.
– Tenha calma, menino. Compreendo o seu desespero.
– Eu sei, Charles, mas já é demais. Os casacos até já foram postos de parte, mas esta coisa de continuar com camisolas de lã sem as conseguir substituir pelo algodão, isto quase no fim de Maio, é de levar à loucura a alma mais sã.
– Pois é, menino, o tempo resolveu andar a brincar connosco. Quem diria que S. Pedro tinha tanto sentido de humor.
20.5.08
Coisas da música
Lá fora cinza, plúmbeo, o escuro rasgado por ocasionais raios de um sol escondido. Aqui por dentro o som é de Thelonius Monk, na mistura do trompete mágico de Chet Baker com a música dos Gotan Project.
Coisas de filmes
Manoel de Oliveira recebeu ontem uma Palma de Ouro do Festival de Cannes pela sua carreira. O “meu” cinema não passa por Oliveira, mas reconheço a sua qualidade e aceito a sua coerência. Aliás, assim não fosse e a sua obra não seria reconhecido internacionalmente. O problema em Portugal é que quase todos os realizadores pretendem ser um “novo Oliveira” – com toques de modernidade, um perlimpimpim de mais introspecção e uns brilhos baços de neo-neo-realismo – contudo sem o talento de Oliveira. A consequência é que o cinema português se tornou numa total inexistência, pontuado por esparsos e escassos filmes visíveis. O original sempre foi melhor do que a imitação e Oliveira não é, de facto, imitável, até pelas idiossincrasias da sua vida e da sua carreira.
19.5.08
Haja algo
Nestes tempos em que moda intelectual é a de destilar o nojo sobre o futebol, devo dizer que momentos como a vitória de ontem no Jamor me ajudam a encarar melhor a vida num país cada vez menos habitável. As hipocrisias desprezíveis do Sousa, um parlamento que aprova um “aborto ortográfico”, uma economia teimosamente rasteira, um tratado europeu assinado às escondidas do povo, uma oposição irrelevante e sem ideias, e um sem fim de horrores que aqui poderia continuar a desfilar. No meio disto, que nos valha o futebol.
16.5.08
Atrasos
Há bom tempo que o blog da revista Ler já devia estar aqui ao lado nos usuais. Pelo blog e pela revista. O blog até antecedeu o simpático lançamento da revista que está muito bonita, equilibrada e com excelentes conteúdos. A nova direcção de Francisco José Viegas promete que o trabalho terá continuação e que a revista será de compra regular e obrigatória. Com atraso, rectificação feita.
Always look on the bright side of life
A feira do livro aparentemente vai ser uma miragem. A coisa é má e demonstra a demasiada mesquinhez de muita gente, nem me interessa quem. Agradece a minha depauperada bolsa por não ser exposta à anual tentação e à sempre eterna fraqueza humana. Perde a minha cultura, ganha a minha finança.
Imagens
Jogging em Caracas. Ruas fechadas. Segurança reforçada. O derradeiro fumo de tabaco sai dos pulmões de José por entre a inalação do fumo do petróleo queimado pelo povo venezuelano. A saúde volta a ser a imagem de marca do povo da West-Coast, aqui na pessoa do seu saudável primeiro-ministro.
15.5.08
O polícia
O Nunes da ASAE já demonstrou que está a fazer esforços para ser digno de utilizar o epíteto de crápula. Aquela lista de objectivos que primeiro era mentira, depois nunca tinha sido vista, depois afinal existe e era oficiosa, e no final percebemos que era mesmo uma definição de objectivos em função do número de multas, é bom exemplo do funcionamento desta polícia de costumes. Portugal está cada vez mais um local pouco frequentável, governado por gente inenarrável que ainda irá demorar muitos anos até compreender o significado da palavra liberdade.
Pergunta do dia
Onde está o Gremlin anti-fumadores, a.k.a. Francisco George, agora que o primeiro-ministro foi apanhado a fumar? Com medo de falar demais e perder a prebenda?
O fumo do Sousa
O nosso primeiro-ministro já veio ontem falar sobre os seus cigarros, mas o que disse? Pediu desculpas e remeteu a questão para o desconhecimento sobre a legalidade do acto.
Já vi hossanas ao pedido de desculpa, mas, pergunto eu, o que queriam que o homem fizesse? Desmentir a restante comitiva? Dizer que fez muito bem em fumar num espaço fechado depois de proclamar uma lei que o proibia? Sinceramente há desculpas que não são uma acção, são uma obrigação, e esta era uma óbvia obrigação de um primeiro-ministro que propala a saúde fazendo jogging por esse mundo fora e aprovando leis radicais anti-fumo.
Como neste país os valores e a moral são algo de insignificante, a discussão sobre o fumo de Sousa já anda, como não poderia deixar de ser, no campo legal. Jorge Miranda e Vital Moreira já se pronunciaram sobre o assunto e esta vai ser, já se percebeu, a via por onde a comunicação social vai conduzir o problema. Uma vez mais vão atrás do caminho escolhido por Sousa, pois vai ser um caminho complexo, cheio de pareceres e de contraditórios, que vai ignorar a questão mais importante que é moral. Lembra a questão da putativa licenciatura, nunca esclarecida, mas em que a questão foi empurrada para as formalidades legais de mais difícil prova. O grave do acto de Sousa não é saber se infringiu a lei, é simplesmente ter a distinta lata de fazer aprovar uma “moderna” lei fundamentalista que restringe ao máximo o direito dos não fumadores de fumar em espaços públicos e depois achar, e só achar já é muito grave, que pode fumar num avião fretado pelo Estado Português para transportar uma numerosa comitiva de convidados.
Ainda fica aquela frase final sobre o deixar de fumar. Típica do nosso Sousa, esta desprezível tirada de marketing político, para tentar sair por cima de uma situação de onde sai muito mal visto na fotografia, redunda numa canalhice que faz do povo parvo e tenta que o mesmo o veja como um coitadinho.
A postura ética e moral de Sousa volta a estar em causa, mas isso, neste país de imprensa pouco livre – que saudades de “O Independente” que foi a leilão na semana passada – vai passar ao lado da polémica, pois o importante vão ser, como sempre, os legalismos e os formalismos.
Já vi hossanas ao pedido de desculpa, mas, pergunto eu, o que queriam que o homem fizesse? Desmentir a restante comitiva? Dizer que fez muito bem em fumar num espaço fechado depois de proclamar uma lei que o proibia? Sinceramente há desculpas que não são uma acção, são uma obrigação, e esta era uma óbvia obrigação de um primeiro-ministro que propala a saúde fazendo jogging por esse mundo fora e aprovando leis radicais anti-fumo.
Como neste país os valores e a moral são algo de insignificante, a discussão sobre o fumo de Sousa já anda, como não poderia deixar de ser, no campo legal. Jorge Miranda e Vital Moreira já se pronunciaram sobre o assunto e esta vai ser, já se percebeu, a via por onde a comunicação social vai conduzir o problema. Uma vez mais vão atrás do caminho escolhido por Sousa, pois vai ser um caminho complexo, cheio de pareceres e de contraditórios, que vai ignorar a questão mais importante que é moral. Lembra a questão da putativa licenciatura, nunca esclarecida, mas em que a questão foi empurrada para as formalidades legais de mais difícil prova. O grave do acto de Sousa não é saber se infringiu a lei, é simplesmente ter a distinta lata de fazer aprovar uma “moderna” lei fundamentalista que restringe ao máximo o direito dos não fumadores de fumar em espaços públicos e depois achar, e só achar já é muito grave, que pode fumar num avião fretado pelo Estado Português para transportar uma numerosa comitiva de convidados.
Ainda fica aquela frase final sobre o deixar de fumar. Típica do nosso Sousa, esta desprezível tirada de marketing político, para tentar sair por cima de uma situação de onde sai muito mal visto na fotografia, redunda numa canalhice que faz do povo parvo e tenta que o mesmo o veja como um coitadinho.
A postura ética e moral de Sousa volta a estar em causa, mas isso, neste país de imprensa pouco livre – que saudades de “O Independente” que foi a leilão na semana passada – vai passar ao lado da polémica, pois o importante vão ser, como sempre, os legalismos e os formalismos.
14.5.08
Mundo de merda
O regime dos generais continua no poder na Birmânia. Haverá palavras que cheguem para descrever o nojo que tem sido a postura destes criminosos? O mundo assiste impávido e sereno, a bem da diplomacia, enquanto centenas de milhares de pessoas morrem. Sic transit gloria mundi.
Há moralidade, mas só comem alguns
Ao tomar conhecimento dos acontecimentos em redor da viagem de Pinto de Sousa e da comitiva que o acompanha à Venezuela, fiquei muito preocupado com o nosso primeiro-ministro. Depois de fazer aprovar uma radical lei anti-fumo, com a justificação que era intolerável para os não fumadores a presença em ambientes com fumo, Pinto de Sousa e Manuel Pinho brindaram os restantes passageiros do voo com destino a Caracas com o fumo dos seus cigarros. Inveja de fumar num avião? Também, é certo, mas acima de tudo a preocupação com a sanidade mental de um primeiro-ministro na aparência tão preocupado com a saúde dos portugueses – lembro a lei anti-fumo, a obsessão com o jogging e a ASAE – mas que na primeira oportunidade aproveita para atentar contra a saúde da nata dos empresários portugueses e dos seus colegas de governo. Será a técnica do eucalipto a tentar secar, vulgo matar, tudo à sua volta?
13.5.08
Não será demais?
Isto está mesmo tudo demente ou passa por Portugal uma peste pior que a negra. Graças à comunicação social cheguei a essa pérola da pedagogia moderna que é o site, da responsabilidade do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), “Tu, alinhas?”, dirigido ao público infanto-juvenil.
Aconselho percorrerem o Dicionário de Calão, de onde me atrevo a extrair alguns exemplos, ao estilo “best of”, devidamente comentados (a itálico):
Aconselho percorrerem o Dicionário de Calão, de onde me atrevo a extrair alguns exemplos, ao estilo “best of”, devidamente comentados (a itálico):
Algodão - Algodão utilizado como filtro na preparação da dose injectável de droga. A partir de um algodão usado pode fazer-se uma “lavagem” e recuperar assim resíduos para uma nova dose (filtro).
O detalhe é essencial, não vão as crianças achar que o algodão só serve para mergulhar em água oxigenada e desinfectar feridas.
Bafinho - Heroína fumada.
Gosto do termo carinhoso, soa bem!
Base - Cocaína pronta para fumar. Mistura de cocaína com bicarbonato de sódio ou amoníaco e água. É aquecida e posteriormente arrefecida. Por filtragem obtém-se cristais, pedrinha branca pronta para snifar na caneca ou na prata com uma nota enrolada.
Fantástico o que uma pessoa aprende. Não sei se isto tem o patrocínio de uma marca de laboratórios para criança, mas lá que está bem descrito, isso está.
Betinho - Aquele que não se droga. Conservador e desinteressante.
Gosto da forma como está dito. Para o IDT o “betinho” é mesmo um marginal.
Bolha - O aquecimento da heroína transforma o pó em líquido cujo fumo será inalado. “Olha a bolha” expressão irónica reveladora do fascínio que o brilho dessa bolha exerce junto dos heroinómanos, sedução e atracção “irresistíveis”.
A subtileza das aspas é suficiente para as crianças perceberem a ironia da palavra “irresistíveis”. Num país em que elas mal sabem ler, acho que já as vejo a cantar “Olha a bola, Manel” enquanto, fascinadas, fazem bolhas irresistíveis de heroína.
Careta - Aquele que não se droga e, por isto é considerado conversador, desprezível e desinteressante.
Outro marginal, assim como o betinho. Não se poderá exterminá-los, a esses seres hediondos.
Curtir - Sentir o prazer da droga. Saborear um acontecimento agradável. Ter prazer. O prazer da droga como um acontecimento agradável.
Sem comentários.
Dar de pino - Sair do local. Sair de casa. Desabrochar.
Isto deve ter o apoio de muitos pais fartos de aturar adolescentes mal educados, irão por certo aplaudir o empenho do estado em os ajudar a ver-se livres deles.
Desbroncar - Sair de casa. Clarificar a cena.
Seria mais interessante ensinar a clarificar manteiga do que a “cena”, além de que parece haver uma obsessão pelas fugas de casa das crianças.
Destilar - Processo de preparação de uma substância para injectar, por via endovenosa, a partir de comprimidos ou supositórios. Processo de preparação de comprimidos ou supositórios para os injectar.
Introdução à Farmácia – parte I
Fazer um leitor - Roubar um leitor de cassetes/CD?s de um automóvel.
Estímulo à economia paralela. Não sei se o ministro Manuel Pinho apreciará esta entrada.
Fazer uma lavagem - Utilizar um algodão já usado, sem juntar mais droga, para aproveitar o que terá ficado retido nele, e injectar esse caldo. Aproveitar algodão já usado num caldo anterior, sem juntar mais droga, para extrair esses restos e injectar novo caldo.
Em tempos de carestia é sempre importante poupar.
Febre de limão - Síndroma febril, passageiro, atribuído pelos toxicodependentes à utilização de limões deteriorados na preparação de um “chuto” de heroína.
Terrível síndroma, por certo devido ao excesso de fertilizantes nos limoeiros. O ministro da agricultura devia tomar uma posição sobre isto.
Garrote - Apertar o braço fazendo sobressair as veias, afim de dar o “chuto”. Cinto para apertar o braço fazendo sobressair as veias para se picar.
E eles coitados, a pensar que o que era suposto chutarem era a bola.
Lavagem - Recuperar restos de heroína no algodão de lavagem e na seringa para injectar novamente.
De novo a preocupação com a poupança. Bravo!
Queca - Ter relações sexuais.
Pois com onze anos está muito bem. Que pena no meu tempo isso não acontecer.
Queimar - Aquecer com o isqueiro a heroína ou cocaína, até fazer a bolha brilhante, cativante e vaporosa cujo fumo será inalado com a ajuda de uma nota enrolada em tubo.
“Olha a bolha, Manel. Olha a bolha, Manel.”
Rush - Nitrato de Amyl.
Farmacopeia II
Shoot - Aspiração nasal de cocaína, heroína, colas ou solventes.
Mães deste país, guardem bem as UHU e as Araldite.
Speed ball - Mistura de uma droga estimulante (cocaína) com uma droga sedativa (heroína), usada por via endovenosa.
Inglês técnico I
Posto isto irei frenético telefonar às minhas irmãs, pois acho essencial que os meus sobrinhos percorram com afincado cuidado este site de modo a ficarem com um Phd em drogas, essencial para a sua vida futura.
Posto isto irei frenético telefonar às minhas irmãs, pois acho essencial que os meus sobrinhos percorram com afincado cuidado este site de modo a ficarem com um Phd em drogas, essencial para a sua vida futura.
O fantástico é que esta gente paga por nós, pois trabalha num instituto público, perde o seu tempo a criar um site que, no fundo, ensina todo o mundo das drogas às crianças, com pormenores elaborados e rebuscados que nem no Casal Ventoso serão do conhecimento de todos.
No fim uma questão: e não se pode espancá-los, já que por certo não serão despedidos?
No fim uma questão: e não se pode espancá-los, já que por certo não serão despedidos?
12.5.08
Coisas dos Trinta
Isto de nos esquecermos que o tempo vai passando cruelmente por nós traz consequências tão graves como um Domingo passado absurdamente na estupidificação do sofá, com a esperança que a imobilidade nos traga a boa disposição que abandonou todo o nosso corpo. As boas noites têm muitas vezes este condão de tentar estragar os dias seguintes, momento em que percebemos que o corpo não acompanha como devia os devaneios do espírito.
9.5.08
Coisas da pintura
O ventanal que está em Lisboa não deixa abrir janelas. Aproveitemos as que foram abertas pela pintura de Juan Gris.
“Janela aberta”, Juan Gris
8.5.08
Coisas
Por vezes perdemo-nos em pensamentos inesperadamente românticos. O melhor mesmo é ouvir a música adequada e esperar com optimismo a continuação do dia, ou da semana, ou do mês.
A música é de Angelo Badalamenti, a letra de David Lynch, a voz de Julie Cruise e o álbum é o fabuloso “Floating into the night”.
“Rockin´back inside your heart”.
Tell your heart that I'm the one
Tell your heart it's me
I want you
Rockin' back inside my heart
Shadow in my house
The man he has brown eyes
She'll never go to Hollywood
Love moves me
I want you
Rockin' back inside my heart
Tell your heart, you make me cry
Tell your heart, don't let me die
I want you
Rockin' back inside my heart
Shadow in my house
The man he has brown eyes
She'll never go to Hollywood
Love moves me
I want you
Rockin' back inside my heart
She'll never go to Hollywood.
Do you remember our picnic lunch?
We both went up to the lake
And then we walked among the pines
The birds sang out a song for us
We had a fire when we came back
And your smile was beautiful
You touched my cheek and you kissed me
A música é de Angelo Badalamenti, a letra de David Lynch, a voz de Julie Cruise e o álbum é o fabuloso “Floating into the night”.
“Rockin´back inside your heart”.
Tell your heart that I'm the one
Tell your heart it's me
I want you
Rockin' back inside my heart
Shadow in my house
The man he has brown eyes
She'll never go to Hollywood
Love moves me
I want you
Rockin' back inside my heart
Tell your heart, you make me cry
Tell your heart, don't let me die
I want you
Rockin' back inside my heart
Shadow in my house
The man he has brown eyes
She'll never go to Hollywood
Love moves me
I want you
Rockin' back inside my heart
She'll never go to Hollywood.
Do you remember our picnic lunch?
We both went up to the lake
And then we walked among the pines
The birds sang out a song for us
We had a fire when we came back
And your smile was beautiful
You touched my cheek and you kissed me
7.5.08
Diálogos Imaginários
– Charles, já é demais. Hoje tive de ir buscar outra vez o impermeável.
– Pois é, menino, no ano passado queixava-se que não houve primavera, este ano parece querer o verão antecipado.
– Charles, acho isso uma maldade, só queria dias de sol primaveril a inundar a casa com a alegria da luz.
– O que lhe falta é ler boa poesia, talvez amenize o problema. Whitman pode ser uma boa escolha.
– Talvez tenhas razão, Charles. Como sempre acho que tens razão.
– Pois é, menino, no ano passado queixava-se que não houve primavera, este ano parece querer o verão antecipado.
– Charles, acho isso uma maldade, só queria dias de sol primaveril a inundar a casa com a alegria da luz.
– O que lhe falta é ler boa poesia, talvez amenize o problema. Whitman pode ser uma boa escolha.
– Talvez tenhas razão, Charles. Como sempre acho que tens razão.
Ideias
Há umas semanas fui desafiado a comparecer a uma sessão de apresentação do novo Movimento Esperança Portugal. Foi com interesse que me desloquei a casa de um simpático casal conhecido para ouvir Rui Marques, o guru de um projecto que se dizia de cidadania e ideias e não de individualidades. O mais consistente que vislumbrei foi um agradável bolo de chocolate acompanhado por chá verde, porque o restante, as ideias e os projectos apresentados, foi um vazio profundo como o mar.
A não campanha de Manuela Ferreira Leite faz-me pensar se, caso perca as directas, o seu destino não será o MEP. A juntar a um movimento sem ideias, nada melhor que a política da ideia única, até porque a respeitabilidade cai sempre bem a um partido em formação.
A não campanha de Manuela Ferreira Leite faz-me pensar se, caso perca as directas, o seu destino não será o MEP. A juntar a um movimento sem ideias, nada melhor que a política da ideia única, até porque a respeitabilidade cai sempre bem a um partido em formação.
Aplausos de pé
“Em conferência realizada em Lisboa, Bob Geldof acusou o regime angolano de ser gerido por criminosos.”
Num país em se tolera tudo a José Eduardo dos Santos, um dos grandes criminosos que este mundo gerou, haja alguém que venha chamar os bois pelos nomes.
Num país em se tolera tudo a José Eduardo dos Santos, um dos grandes criminosos que este mundo gerou, haja alguém que venha chamar os bois pelos nomes.
5.5.08
Laranjas
Pedro Passo Coelho parece estar a fazer um esforço para trazer uma linguagem nova e algumas, imagine-se, ideias, expostas nesta entrevista ao Correio da Manhã. Numa eleição em que concorre contra a candidata da ideia única – a respeitabilidade – os resultados mostrarão em estado está o PSD, pois é triste se chegar ao ponto de que o mais importante valor a apresentar seja este. Os grandes partidos não têm de demonstrar que são respeitáveis, deveria ser inato, estas provas são para os pequenos partidos que delas necessitam para um dia poderem ser grandes, ou pelo menos maiores.
Manifesto
Pela minha pátria, que é a minha língua, é imperioso assinar o manifesto contra o acordo ortográfico.
30.4.08
Diálogos Imaginários
– Charles, já não sei com que roupa hei-de andar. Num dia vou à praia e apetecem-me linhos à noite, no outro saio de manhã e sou varrido por um vento gelado. Este tempo indeciso começa a trazer-me uns certos nervos.
– Tenha calma, menino, eu vou mantendo alguns abrigos de inverno no armário, enquanto trago algumas coisas de verão.
– Eu sei, Charles, quando abro o armário tenho as várias alternativas à disposição, o pior é que fico contagiado pela indecisão do tempo e não sei mesmo o que vestir.
– Coisas da vida, menino, que insiste em ser feita de decisões.
– Tenha calma, menino, eu vou mantendo alguns abrigos de inverno no armário, enquanto trago algumas coisas de verão.
– Eu sei, Charles, quando abro o armário tenho as várias alternativas à disposição, o pior é que fico contagiado pela indecisão do tempo e não sei mesmo o que vestir.
– Coisas da vida, menino, que insiste em ser feita de decisões.
Homens
A complexidade do ser humano é facto indesmentível. Ainda que por vezes não tenhamos isto em conta, compreender o próximo é tarefa quase sempre impossível. Se o dizemos sobre as coisas pequenas, o que pensar quando o que está em jogo é tão grande como a própria vida? Os últimos dias trouxeram-me dois exemplos, distintos e distantes, de como ficar perplexo perante o outro. Primeiro, quando um primo resolveu por termo à vida, sem que nada o fizesse prever, deixando vasta família em estado de puro choque do qual, por certo, tardarão a sair. Depois veio a macabra história do austríaco, que de tão rebuscada nem esperávamos encontrar num mau filme de terror de série B.
O dia-a-dia teima em nos dar motivos para tudo questionar, mas por entre a rotina inquieta surgem episódios que nos abanam ainda mais e nos fazem pensar do que é capaz o bicho homem. Felizmente resta-me um pouco de optimismo que me faz lembrar os homens bons, que os há, e o que de bom podem trazer ao mundo. Caso contrário, toda a confiança que tenho no Homem se esvairia com facilidade.
O dia-a-dia teima em nos dar motivos para tudo questionar, mas por entre a rotina inquieta surgem episódios que nos abanam ainda mais e nos fazem pensar do que é capaz o bicho homem. Felizmente resta-me um pouco de optimismo que me faz lembrar os homens bons, que os há, e o que de bom podem trazer ao mundo. Caso contrário, toda a confiança que tenho no Homem se esvairia com facilidade.
29.4.08
Poesias
Esta manhã que se acinzenta traz-me à memória a Irlanda, e com a Irlanda a poesia, e com a poesia Yeats. Aqui ficam as palavras, ditas pelo próprio, destacando-se o famoso, e belíssimo, “The Lake Island of Innisfree”:
“I will arise and go now, and go to Innisfree,
And a small cabin build there, of clay and wattles made:
Nine bean-rows will I have there, a hive for the honey-bee,
And live alone in the bee-loud glade.
And I shall have some peace there, for peace comes dropping slow,
Dropping from the veils of the mourning to where the cricket sings;
There midnight's all a glimmer, and noon a purple glow,
And evening full of the linnet's wings.
I will arise and go now, for always night and day
I hear lake water lapping with low sounds by the shore;
While I stand on the roadway, or on the pavements grey,
I hear it in the deep heart's core."
“I will arise and go now, and go to Innisfree,
And a small cabin build there, of clay and wattles made:
Nine bean-rows will I have there, a hive for the honey-bee,
And live alone in the bee-loud glade.
And I shall have some peace there, for peace comes dropping slow,
Dropping from the veils of the mourning to where the cricket sings;
There midnight's all a glimmer, and noon a purple glow,
And evening full of the linnet's wings.
I will arise and go now, for always night and day
I hear lake water lapping with low sounds by the shore;
While I stand on the roadway, or on the pavements grey,
I hear it in the deep heart's core."
28.4.08
Segundo
Acho que ninguém percebeu muito bem como, mas o Sporting está em segundo lugar do campeonato. Há coisas que é mesmo melhor não perceber, basta que se concretizem e assim continuem.
Perplexidades
Ele há questões que nos perseguem ao longo da vida sem que para elas encontremos qualquer explicação satisfatória. Há algumas que são particularmente inquietantes e ultrapassam largamente os limites da compreensão. O 25 de Abril ajudou-me a recordar os morteiros, fenómeno profundamente desagradável que quase nos rebenta os tímpanos, interrompe qualquer agradável conversa, e nos distrai de coisas muito mais interessantes. O estranho e bizarro é que eles existem e são usados porque há quem goste deles e de os lançar em dias de festa. Acho que nos dias da minha vida nunca irei compreender isto. O pior é que o assunto me incomoda e me tenta a elaborar teorias. Felizmente ainda há réstias de racionalidade no meu ser que me impedem de perder tempo com coisas sem importância real. A tentação é grande, mas vou procurando resistir, apesar do fascínio inquestionável do tema.
24.4.08
Timing
A cumprir-se a candidatura de Santana, teremos o duelo que, caso Ferreira Leite não se tivesse esquivado, deveríamos ter tido aquando da fuga de Durão. A diferença de timing deixou o partido e o país entregues, durante estes anos, a Santana e Menezes, com os resultados conhecidos. Veremos agora se o partido premeia a cobardia ou a insistência.
Não há fome que não dê em fartura
Há uma semana Menezes estava condenado a continuar porque não tinha alternativas. Hoje parece que afinal todos querem ser presidentes do PSD. Todas as hipóteses são válidas e até se fala de Jardim e de Santana. Faço aqui notar que ainda há algumas personalidades de quem ninguém se lembrou e que gostaria de lançar: Mota Amaral, Duarte Lima, Mendes Bota, Rui Gomes da Silva, Fernando Ruas, Isaltino Morais ou Fernando Seara. Claro que o primeiro é o único em quem acredito, mas qualquer um dos outros seria (ainda) mais animação garantida para as directas.
O nosso país
O arrazoado de artigos incompreensíveis que nunca será decifrado por qualquer ser humano normal, mas que terá consequências enormes para o nosso país, foi ontem aprovado. No parlamento, claro, com a devida distância do povo ignorante. Para alegrar a populaça, as notícias de destaque nos media foram a putativa candidatura de Jardim e a indignação profunda de Luís Filipe Vieira.
23.4.08
Coisas que acontecem
Uma conversa de circunstância deriva para a música e deixamo-nos embalar em opiniões conclusivas, terminando numa prelecção sobre fado, essa então definitiva. A coisa tinha começado perante duas amigas a que se tinha entretanto junto um amigo, que não conhecia, que entrou no assunto com grande descontracção. Apenas no regresso a casa me apercebi de quem era o dito amigo e que ele sabia, de facto, de música e escrevia sobre o tema. Fiquei embaraçado e a pensar se não me tinha entusiasmado em excessivos disparates, mas, apesar da vodka, acho que não fui longe o suficiente para me sentir envergonhado.
Essa é que é essa
“Helena Roseta, no DN, Sobre o novo plano para a frente ribeirinha:
“Perdeu-se assim a possibilidade de cumprir cinco objectivos essenciais: renaturalizar e facilitar o funcionamento físico da frente ribeirinha; abrir crescentemente ao público as áreas portuárias, que tanto fascínio sempre exerceram; ligar, onde possível, a margem às colinas, aproveitando os desníveis para vencer com imaginação o aterro, como fez Carlos Mardel, no século XVIII, no Cais do Sodré; prever o uso do plano de água para transporte urbano ao longo da margem; e garantir a participação dos vários agentes e dos cidadãos. A reconciliação da cidade com o rio teria de passar por aqui.
José Miguel Júdice não gostou das minhas críticas e veio acusar-me de dizer disparates. Queria mesmo que eu me "calasse para sempre", depois de a sua nomeação ter sido viabilizada pelo silêncio da maioria da câmara. Opiniões, dir-se-á. Nem ele nem eu recebemos, aliás, remuneração pelas nossas funções - ele, como administrador, porque prescinde dela; eu, como vereadora, porque não tenho direito. Há, no entanto, uma diferença substancial. Júdice é nomeado pelo Governo, eu sou eleita pelos lisboetas. Tenho por isso uma legitimidade democrática de que não abdico para fazer ouvir a minha voz. É aliás esse o meu dever. Mesmo sem uma fundação, sem lóbis e sem dinheiro por trás. “
Vale a pena ler o artigo na íntegra.
Vale a pena ler o artigo na íntegra.
22.4.08
A Guerra das Laranjas
A confirmar-se a candidatura de Manuela Ferreira Leite, é caso para dizer – Aleluia! A sua virtude sebastiânica já foi acenada tantas vezes, em tantos maus momentos dos partidos, que o povo já se inquietava com a falta de resposta. Parece que é desta que o “timing” é certo e que surge uma coragem política que já se pensava perdida. Após deixar o partido entregue a Santana e Menezes, Ferreira Leite terá pensado que Ribau Esteves também era demais e lá avançou.
Para as elites do partido, dos jornais e dos blogs, Ferreira Leite é a personalidade que faltava para salvar o PSD. Eu fico-me com duas questões: irá ela conseguir ganhar o partido caso Santana se candidatar; e será que o PSD ainda tem salvação possível depois de se deixar partir em dois pedaços?
As minhas dúvidas sobre Ferreira Leite são muitas, mas é inegável que pelo menos seriedade e responsabilidade podem ser esperadas. Ainda assim, é importante perceber o que fez de Ferreira Leite uma das políticas mais elogiadas do país. À minha memória vem um consulado como Ministra da Educação que trouxe mais estudantes para a rua do que todas as queimas das fitas juntas, atraindo sobre ela um profundo ódio da geração rasca, e a estadia nas Finanças onde a obsessão foi tão grande que ficou a famosa ideia de que não havia vida para além do deficit. Irá Ferreira Leite convencer a “geração rasca” e os portugueses que sofreram na pele com a obsessão do deficit das suas boas intenções? E quais são as suas intenções pois eu, talvez por ignorância própria, não sei muito bem em que ideologia e projecto para o país a senhora se encontra, apenas que foi indefectível de Cavaco e isso, para mim, não é grande carta de recomendação.
Por tudo isto, aguardemos com alguma esperança de que pelo menos o nível político suba uma pouco acima da tasca pouco frequentável em que se tornou.
Para as elites do partido, dos jornais e dos blogs, Ferreira Leite é a personalidade que faltava para salvar o PSD. Eu fico-me com duas questões: irá ela conseguir ganhar o partido caso Santana se candidatar; e será que o PSD ainda tem salvação possível depois de se deixar partir em dois pedaços?
As minhas dúvidas sobre Ferreira Leite são muitas, mas é inegável que pelo menos seriedade e responsabilidade podem ser esperadas. Ainda assim, é importante perceber o que fez de Ferreira Leite uma das políticas mais elogiadas do país. À minha memória vem um consulado como Ministra da Educação que trouxe mais estudantes para a rua do que todas as queimas das fitas juntas, atraindo sobre ela um profundo ódio da geração rasca, e a estadia nas Finanças onde a obsessão foi tão grande que ficou a famosa ideia de que não havia vida para além do deficit. Irá Ferreira Leite convencer a “geração rasca” e os portugueses que sofreram na pele com a obsessão do deficit das suas boas intenções? E quais são as suas intenções pois eu, talvez por ignorância própria, não sei muito bem em que ideologia e projecto para o país a senhora se encontra, apenas que foi indefectível de Cavaco e isso, para mim, não é grande carta de recomendação.
Por tudo isto, aguardemos com alguma esperança de que pelo menos o nível político suba uma pouco acima da tasca pouco frequentável em que se tornou.
21.4.08
Coisas pós-Domingo
Futebol? Não, não sei bem o que isso é. Pois, é que não estou mesmo a ver. É qualquer coisa com bola? Deve ser. Leiria? Ah! Tem um castelo e uns doces famosos, parece que se chamam “brisas”. Futebol é não estou mesmo a ver. É daquelas coisas – não conheço nem ouvi falar.
18.4.08
Naufrágio?
Menezes deixou-se arrastar pelas extravagantes chuvas primaveris, prometendo não voltar a emergir nos fins de Maio. Claro que a promessa não será para cumprir e ficará à espera de ver que corajosos notáveis avançarão, para depois averiguar se volta, ou não, a candidatar-se. Por uma vez Menezes acertou na jogada, obriga os adversários a dar o corpo, algo que muitos deles não apreciam, e fica sempre com a reserva da vitimização. Esperemos para ver, mas lá que a coisa promete, isso é inegável.
Palavras
A Câmara Municipal de Lisboa resolveu não votar o nome de Júdice para dirigir a Sociedade Frente Tejo. Júdice disse que apenas aceitaria o lugar se a CML aprovasse o seu nome. Manterá a palavra ou, a exemplo do futebol, o que é verdade hoje pode ser mentira amanhã. A ser assim é apenas mais um episódio triste desta pouco edificante novela.
17.4.08
Sporting 1
A primeira parte foi um banho de bola do Benfica que, com grande tranquilidade, trocou a bola a seu belo prazer e encaixou com dois golos. Os jogadores do Sporting pareciam ter tomado uma dose excessiva de Valium e deslocavam-se com uma lentidão capaz de levar ao desespero o adepto mais calmo. O jogador que tinha a bola caminhava a passo e olhava em todas as direcções procurando uma desmarcação, um esboço de movimento, mas tudo o que encontrava era uma exposição de estátuas humanas dignas de Pompeia.
Sporting 2
As palavras que possam descrever a segunda parte são difíceis de encontrar. No estádio acho que ninguém acreditava, sinceramente, que era possível dar a volta ao resultado. O Sporting entrou bem, com outra garra e vontade, e após o remate de Moutinho, que merecia ter entrado (pelo remate e pela exibição sublime), o estádio, apesar dos dois golos de desvantagem, começou a acreditar que era possível. Sentia-se nas bancadas que a coisa que ameaçava caminhar para uma goleada contra nós podia virar. A equipa terá sentido isso e a velocidade do jogo aumentava de minuto a minuto, finalmente os jogadores resolveram mexer-se, e como não encontraram meio termo passaram a jogar a uma velocidade estonteante, tudo começou a correr bem, os passes saíam certos, as fintas sentavam os jogadores do Benfica (pobre Léo, que ainda deve estar a recuperar de tanto nó cego que levou) e os golos, bom, os golos começaram a entrar, e que bem, e que bonitos, a acabar numa obra pura de arte. Avassalador. Um verdadeiro massacre.
Sporting 3
Todos os golos foram importantes e quase todos bonitos, mas o último, de Vukcevic, é absolutamente portentoso. Desde o passe extraordinário de Miguel Veloso, atravessando o campo de lés a lés até cair suavemente mesmo à frente de Vuckcevic, ao remate acrobático, qual passe de bailado contemporâneo, arrancado com uma força imparável que só podia acabar no fundo da baliza. Um verdadeiro espanto.
Sporting 4
Paulo Bento acertou nas substituições. Quando Izmailov entrou, comecei a rosnar na bancada perante os últimos pobres jogos do russo. A segunda parte fez-me calar e Izmailov foi mesmo dos melhores, entre os melhores, em campo. A entrada de Derlei, que eu pensava já não poder jogar esta época, foi importante por dois motivos: saiu Romagnoli, que nesta fase já era um peixe lento fora das águas agitadas do jogo do Sporting; e entrou um jogador hiper-motivado após longuíssima lesão e a jogar contra uma equipa que o mandou embora.
Sporting 5
Acho que desde o jogo com o Newcastle para a UEFA que não via um jogo tão impressionante como o de ontem. Merecíamos isto nesta época depressiva e de jogos tristes e sem história. A coisa foi de tal ordem que a apoplexia foi evitada sem saber muito bem como. Resistir num estádio a um jogo assim não é tarefa fácil. Acho que só recuperei deste periclitante estado com a cervejinha pós-jogo na primeira roulotte que me apareceu à frente.
16.4.08
Coisas deste país
Ana tem 16 anos e uma vida sexual pouco responsável, pelo que irá amanhã fazer tranquilamente o seu segundo aborto. Mário, pai de Ana, consome o seu tempo com Lídia, uma brasileira voluptuosa, e espera com ansiedade a aprovação, hoje, da nova lei do “divórcio expresso” para despachar a sua mulher, Luísa. Pedro, filho de Mário, tem 15 anos e dois piercings e está em vias de fazer mais dois antes que entre em vigor a lei que os proíbe a menores. Luísa, mãe de Pedro, ainda não sonha que vai ser abandonada pelo marido, mas já se encontra deprimida e mais pobre ao ser impedida pela ASAE de continuar a fazer os seus deliciosos bolos para dois restaurantes do bairro.
15.4.08
ACPDE
Ao passar a vista pelo “Prós e Contras” de ontem, encontrei mais um exemplar de uma raça que nos últimos tempos andava um pouco escondida, os ACPDE (vulgo, Apetece Comprar Para Dar Estalos). O Magnífico Reitor Reis mostrou uma insolência, arrogância e cinismo que só são toleráveis em génios e grandes senhores, sendo que Reis manifestamente não é nenhuma das coisas. O exemplo ficou de que a educação escolar – o senhor é, apesar de tudo, Reitor – nada tem a ver com a Educação – que lhe falta tanto como a liberdade em Cuba.
PSD
O actual PSD de Branquinhos, Ribaus e Silvas (o Jardim é outra loiça) causa um irreprimível e mui desagradável nojo. Consegue ainda o prodígio de por muita gente a ter pena e solidariedade pela senhora Câncio, que apenas estará a encontrar a forma adequada de agradecer este enorme impulso para a sua imagem pública.
Snobeiras
Fiquei com uma certa irritação por não ter estado no Snob no Sábado. A invasão desse reduto de liberdades pela tribo da ASAE deve ter sido o acontecimento do ano e só de imaginar a mesa 10 a acolher a brigada fico com uma fúria a crescer por não ter presenciado. Algo de positivo vem no entanto daqui, pois percebemos que a ASAE ainda não está suficientemente infiltrada nos jornais, caso contrário saberia que o Snob é uma trincheira de jornalistas, e que o seu presidente é afinal mentiroso, ao dizer que as inspecções são sempre feitas nas horas mais paradas dos estabelecimentos de modo a não incomodar os clientes – uma e meia de Sábado no Snob será tudo menos hora morta.
11.4.08
Desabafo do dia
Será que esta merda de vento se poderia dignar a parar, ou abrandar, a bem dos nossos níveis de boa disposição violentados barbaramente com esta brisa insuportável.
Coisas dos Trinta
Isto de sair para uma festa durante a semana tem o que se lhe diga. Saímos quando queríamos ficar e começamos a pensar na hora de acordar no dia seguinte. Definimos aquela hora em que o cedo é tarde e o tarde é cedo. Cedo para sair da festa, tarde para chegar a casa. Uma angústia. Valeu para lavar as vistas com as meninas da FHM. E já agora com as outras “caras bonitas que abrilhantavam a festa”.
Ponderação
Após ver uma equipa que tinha de ganhar a jogar para não perder, pondero se vou voltar a Alvalade esta época ou se tento encontrar Paulo Bento para lhe dar um par de calduços. Acho que cobardemente não farei nada disto e voltarei no Domingo para o Leixões. Quem disse que havia poucos masoquistas neste mundo.
10.4.08
A guerra das trincheiras
Passam 90 anos sobre a batalha de La Lys. Lembro-me do avô que não conheci e que por lá esteve. Voltou, depois de estar num campo de prisioneiros do qual fugiu. Tenho pena de não ter podido falado com ele. Por todas as razões óbvias, mas também para perceber melhor como foi esta guerra para onde o Batalhão português foi enviado directo para o massacre. Ele voltou, a maioria dos outros soldados ficou em terras estranhas por capricho de governantes sobre os quais ainda não caiu o justo julgamento dos tempos. Com o centenário da República seria bom que se reflectisse com desassombro sobre o desastre da primeira República. Seria bom, mas por certo não vai ser, porque a opinião ainda é dominada por um republicanismo cego que não entende a diferença entre República e a “nossa República”. É pena.
Amália
Como uma voz nos faz percorrer tantos e tão intensos estados de alma. Despe-nos perante nós próprios, como se as nossas roupas nos fossem retiradas com firmeza e suavidade. Ficamos sós, nós e o som que nos manipula os sentimentos e nos faz rir e chorar como se o mundo em redor tivesse desaparecido.
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"Vagamundo" (Letra: Amália Rodrigues; Música: Alain Oulman) do albúm “Busto”.
(A gravação é de 1961 e a sua qualidade não é muito boa, pelo que convém aumentar o volume para conseguir ouvir.)
Pela janela
Magnífico arco-íris. Baixinho e largo, a acabar mesmo ali à frente, junto ao aqueduto. Acho que vou largar tudo e correr em busca do pote de ouro que está em seu fim, aqui tão perto, quase ao alcance de um braço esticado. Olho de novo e o arco-íris já se quer desfazer, como as ilusões e os sonhos que nos fogem como areia por entre os dedos.
8.4.08
“Prós e Contras” de ontem – I
Preto e branco. Os anos de ditadura deixaram marcas e este continua a ser o país do preto e branco. Nenhum tema se consegue discutir a cores. Sempre a preto e branco. Ou por nós, ou contra nós. A obra tem de se fazer assim, porque não há outras alternativas. Ou se faz, ou não se faz. A discussão é sempre nestes termos, a lembrar tempos antigos e não apenas na falta de cor. Em nome do progresso anda gente a destruir alegremente o país, porque sem obras, e têm de ser aquelas obras naqueles sítios, o país não avança. O pior é que eles próprios acreditam nisso e os outros, os que insistem em querer ver cores e encontrar soluções, são rotulados de obstáculos ao progresso, ou mesmo de colaboracionistas ou executores em crimes lesa pátria.
“Prós e Contras” de ontem – II
O ministro Jamais mostrou, uma vez mais, a sua espantosa desfaçatez, ao dizer que até agora ainda não foi efectuado nenhum “Estudo de Impacto Ambiental”, mas que o mesmo será feito para minimizar os eventuais impactos da solução já escolhida. Ficamos então a saber que os estudos de impacto ambiental não servem para condicionar a escolha de uma obra, mesmo que os impactos detectados sejam enormes e irreversíveis, pois o normal procedimento é serem feitos depois de escolhida a localização da obra e apenas para prever medidas compensatórias do impacto. A coisa assusta, mas não é nada que não imaginássemos já, ao ver as barbáries que se vão fazendo neste país.
“Prós e Contras” de ontem – III
Achei delirante a intervenção do presidente da câmara da Moita, em nome dos presidentes de câmara da margem sul, ao insistir que Chelas-Barreiro era a melhor solução por cumprir quatro requisitos, que passou a enumerar, à medida que o engenheiro Viegas referia que os mesmos requisitos eram cumpridos na solução do Beato. Ficou o país sem perceber como é que quatro pontos respeitados nos dois projectos eram tão importantes para escolher um deles.
“Prós e Contras” de ontem – IV
A questão do impacto na paisagem foi tratada com no estudo do LNEC com evidente desprezo. Uma suave referência a recomendar estudos posteriores, após estar decidida a localização. Não será preciso voltar à lengalenga de que Lisboa é uma cidade bonita e que vive do turismo para perceber que nesta Obra, como nós por cá gostamos, o importante é que a Obra seja feita. O resto é mero pormenor.
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