11.7.08

O nome do dia

Dylan. Bob Dylan.

Optimus Alive – Coisas boas

O cartaz excelente. A sonoridade dos Vampire Weekend, que tive o gosto de ouvir por muito pouco tempo graças à (des)organização. O excelente concerto dos The National, trazendo para o palco a grande qualidade da sua música, apesar decorrer ainda sob a luz do sol. Grande música. A surpresa veio dos Gogol Bordello, com um concerto indescritível que fez com que as minhas costas, que já haviam chegado em mau estado, me massacrassem até me conseguir deitar. Frenéticos e com um ritmo alucinante, os Gogol levaram o público ao delírio com a sua música que, sem grande precisão poderia definir como “punk-cigano”. Memorável, fazendo lembrar os concertos antológicos dos Pogues a que não tive oportunidade de assistir.

Optimus Alive – Coisas más

A organização devia ser açoitada durante um tempo razoavelmente prolongado, no mínimo o tempo que me fez esperar para conseguir trocar o bilhete de 3 dias, comprado atempadamente, por uma pulseira que me permitisse entrar. Com isto perdi boa parte do concerto dos Vampire Weekend, o que me deixou num estado de fúria assinalável e que me está a obrigar a ouvir agora o CD em “repeat”. Ainda quanto à organização, é incrível que se chegue ao recinto e se tenha de procurar a localização do palco Metro, que mais não é do que uma tenda, sem indicações que ajudem. Para além de que não há um único local com o alinhamento e as horas dos concertos, supostamente substituído por uns programas a que apenas uma minoria sortuda teve acesso.

10.7.08

Prodigioso ecletismo

Citar, no mesmo dia, D. Duarte de Bragança e Fernanda Câncio.

Palavras d’outros III

Como estas coisas estranhas acontecem, estou na mais plena concordância com este artigo de Fernanda Câncio, que transcrevo na íntegra.

"O sequestro dos senhorios
Pode ser que a chave do mistério esteja na palavra. Afinal, “senhorio” tem uma ressonância nobre, uma sugestão medieval de riqueza e posição. Confirma-o o dicionário, equivalendo-lhe ainda “domínio, posse, autoridade”, além de “propriedade” e “proprietário de casa alugada”. O senhorio é pois um senhor, alguém com posses. Alguém que não merece nem precisa de defesa - um privilegiado. Um explorador, em suma.Assim, à falta de melhor e sobretudo de racionalidade e justiça, se explicam, por uma espécie de psicanálise lexical, as leis e os regulamentos que no País regem os arrendamentos. E se o dicionário também define a palavra como “direito sobre alguma coisa”, é só para certificar que o senhorio tem, por exemplo, o direito de solicitar às autarquias e às finanças que avaliem os estragos que foram infligidos à sua propriedade por dezenas de anos de rendas miseráveis que o impediram de fazer quaisquer obras - impedindo-o agora de actualizar convenientemente o valor das rendas. Mais o “direito” de ser obrigado a aceitar que o inquilino que beneficiou durante décadas da sua assistência social forçada discuta com ele o valor correcto da renda actualizada ou lhe exija obras vultuosas.E tudo isto vem a propósito de quê? Não, não saiu nenhuma lei nova esta semana, nem nas semanas anteriores, nem houve parangonas com qualquer notícia sobre a miséria dos senhorios obrigados pelo Estado a fazer de santa casa dos inquilinos com mais de 65 anos (e aos senhorios com mais de 65 anos, quem fará de santa casa deles?). Nada disso. Apenas soube de um caso prático da extraordinária “nova” lei do arrendamento. Um prédio construído nos anos 60 do século passado; inquilinos que o ocupam desde essa altura; rendas de 40 e 50 euros por apartamentos de 6 assoalhadas que na avaliação da câmara (e que custou mil euros - ao senhorio, claro) mereceram a bitola de “bom”; uma actualização calculada em cerca de 300 euros, que no caso, devido ao facto de os arrendatários terem todos mais de 65 anos, terá de ser progressiva, distribuindo–se por dez anos; protestos de todos os inquilinos. Um deles escreveu aos proprietários uma carta em que, entre outras coisas, exige a colocação de um elevador (mora num 2.º andar e, afiança, ele e a mulher têm dificuldade em subir as escadas).
Quando uma pessoa que paga 50 euros por uma casa onde pagou durante quase 50 anos uma renda ínfima se acha no direito de exigir/sugerir a realização de uma obra que custa pelo menos o equivalente a dez anos de rendas futuras e corresponde a praticamente todo o “bolo” das rendas que pagou desde o início, surge óbvia a conclusão de que, para essa pessoa, o senhorio é um serviçal. Condenado a servi-lo em penitência eterna por ter alguma vez sonhado que um investimento podia ter proveito, que ser proprietário podia ser rentável. O mais grave, porém, é que este delírio não pertence a um excêntrico isolado, mas a uma cultura generalizada e autorizada pela lei. Uma cultura que arruinou os centros das cidades e empobreceu milhares de famílias. Pudessem elas tombar os prédios nas estradas e paralisar o País, outro galo cantaria. Assim, resta-lhes servir a pena - e ter sentido de humor."

Palavras d’outros II

Gostaria de postar partes da entrevista de Medina Carreira à Sic Notícias, fico-me no entanto por aconselhar a sua visualização .
Irão querer fazer passar o homem por louco, a mais fácil das defesas, mas o diagnóstico que faz do país dói de tão frio e verdadeiro. Infelizmente não é loucura, é realidade

Palavras d’outros I

Prometi não escrever sobre política durante uns tempos, o que não quer dizer que não aproveite para mostrar o que outros vão dizendo ou escrevendo.

“É para isso que pagamos impostos. Não é para construir auto-estradas inúteis e estádios de futebol, mas sim para educar e evitar que cheguemos a situações sociais como as que temos hoje."

"Não vejo que se fale de fome na Alemanha ou na Áustria, só aqui é que oiço isso.”

“A dependência alimentar de Portugal do estrangeiro só pode ser limitada com uma revolução completa da política de planificação do território, destinando mais terras à agricultura.”

Estas palavras foram proferidas, ontem, por D. Duarte de Bragança.

9.7.08

Praia

Tardou este ano o verão e com isso perpetuou-se o preto que tinge este blog. O sol brilha e é tempo de surgir a habitual cor de verão, de areia. Lembrando gelados em cones de bolacha à antiga, Nivea ou Bronzaline, jogos de caricas ou de ciclistas.

8.7.08

Triste País

Passam dias e o país continua a ser destruído de forma paulatina e sistemática, perante um generalizado sentimento de indiferença e de manifesta incapacidade para travar os sucessivos desvarios.
O Largo do Rato não é hoje um exemplo de grande qualidade urbana, atravessado que está por um emaranhado de vias, mas ainda apresenta um conjunto arquitectónico de grande valor. Vale mesmo a pena destacar os elementos que se supõe venham a destruídos – o Chafariz do Rato e a Associação Cultural de São Mamede – com a construção em causa. Perante isto o vereador do urbanismo qualifica o edifício, da autoria dos arquitectos Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus, como uma provocação que lhe agrada. Gostaria de dizer o que o senhor arquitecto poderia fazer com a provocação, seria aliás o mesmo que lhe aconselharia a fazer com o hotel da sua autoria postado entre a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos, por certo outra provocação dada a sua volumetria e magnífica integração na envolvente.
Acho que as imagens mostram muito mais do que palavras.

Agora (imagem via "Lesma Morta")


Depois (imagem via "Lesma Morta")

Uma vez mais não está em causa o desenho arquitectónico, mas uma coisa chamada respeito pela envolvente e pelo enquadramento. Na minha escola ensinaram-me isso, pelos vistos na Faculdade de Arquitectura ensinam, em alternativa, técnicas para massajar o ego a arquitectos com pendor narcisista, por certo com problemas de personalidade mal resolvidos em adolescências infelizes.

Para mais informações vale a pena ler os blogs “Lesma Morta” e Cidadania Lx .
Para assinar uma petição contra este projecto vá aqui.

A fogueira das irresponsabilidades

Ardeu um prédio em Lisboa. No centro histórico e nobre da Avenida da Liberdade. Um entre os muitos imóveis abandonados à sua sorte e ao passar do tempo. Propriedade de um fundo de investimento, é bom exemplo para o que se vai passando pela cidade. Apenas esperavam a sua ruína. Assim até é mais barato construir pois não há nada para deitar abaixo.
Uma pornográfica “lei das rendas”, arrastada ao longo dos anos pela cobardia imoral de sucessivos governos, e uma tolerância excessiva para com o abandono dos imóveis trouxe-nos a isto. E infelizmente irá levar-nos a muito mais desgraças, hoje em Lisboa, amanhã no Porto, depois de amanhã em qualquer terrinha de província.

7.7.08

Serviço público

O programa “Nos Passos de Magalhães”, apresentado por Gonçalo Cadilhe e exibido na RTP2, é o perfeito exemplo que ainda se pode fazer serviço público de televisão com qualidade e interesse para o grande público. O documentário, apresentado em vários episódios, gira à volta da vida atribulada de Fernão de Magalhães, um dos grandes portugueses de sempre, ainda que tenha terminado a vida ao serviço do reino de Espanha.
Muito bem filmado, e com uma óptima banda sonora, o programa é guiado pelos comentários de Cadilhe, sempre acompanhado por adequadas intervenções de historiadores. A história não tem de ser chata e pode, e deve, ser contada de forma inteligível e agradável, sendo este programa exemplo disso. Ao juntar o interesse lúdico de um programa de viagens com a pedagogia de uma aula de história, Cadilhe consegue um excelente equilíbrio e um programa de televisão despretensioso, mas com uma qualidade que vai sendo raro encontrar.

4.7.08

Coisas da vida

Este blog anda chato. Eu acho que também ando chato. Não sei se do sol se das angústias mundanas. Uma verdadeira maçada quando nos achamos maçadores. Detectado o mal segue-se a prescrição de uma posologia. Na dúvida sobre o que hei-de fazer lembro-me de um placebo com possíveis bons resultados, deixarei, por uns tempos, de escrever sobre política.

Capas boas

O título, “Português Suave”. A fotografia, a linha de Cascais a preto e branco com uma menina em primeiro plano ao estilo anos trinta. Apetece comprar. Autora, Margarida Rebelo Pinto. O ímpeto controla-se. Já experimentei, há uns tempos, ler um livro desta “besta negra” da crítica literária portuguesa. Sobrevivi incólume à experiência. Se gostei? Nem sim, nem não, antes pelo contrário. Não estimula, mas não incomoda. Se vou comprar? Claro que não, os livros andam caros e ainda não cheguei, apesar de algumas tentações, ao ponto de comprar apenas pela capa.

1.7.08

Temos pena!

No dia em que a França começa a presidência europeia depara-se com as declarações bombásticas do presidente da Polónia. Pena de Sarkozy? Absolutamente nenhuma. Veremos agora se sugere que a Polónia também saia, e depois dela talvez a República Checa que também ameaça não ratificar o tratado, e depois quem mais queira parar esta utopia perfeita chamada Europa. Até ficarem sós, eles, os grandes pensadores iluminados, os donos da verdade absoluta e incorruptível.

Aplausos. (De pé)

A brava Polónia mandou às malvas o estalinismo de Bruxelas e decidiu respeitar os irlandeses e a democracia não assinando o “magnífico” Tratado de Lisboa. Ainda há quem tenha respeito pela democracia, talvez por ter vivas na memória coisas como o nazismo que lhe dizimou o país ou o comunismo que o oprimiu anos sem fim. Este é o país de Karol Woytila e Lech Walesa, esta gente respeita, de facto, a liberdade e não está para voltar a estar sob a alçada de mais uma ditadura, desta vez do estilo burocrático, discreto e sibilino.

Ainda há futebol!

Acabou um a zero. Podia, devia, ter acabado com três ou quatro contra zero. Esta Alemanha devia ter sido despachada como merecia, com vários golos sem resposta. Ganhou o futebol, desporto que tinha passado ao lado dos vencedores dos últimos europeus e mundiais.
A França foi limpa na primeira fase, a Grécia passou tão despercebida que quase nem me lembrava dela, a Itália perdeu às mãos de quem soube usar as suas cínicas armas, a Alemanha foi andando e chegou até à final. Bastou, chegar à final já foi prémio excessivo para aquele bando de destruidores da arte alheia e aproveitadores da eficácia. Daqui lhes deito a língua de fora, a eles e ao seu treinador com pretensões “fashion”, arrumados que foram pela equipa do velhinho de fato de treino.
Ganharam os nossos vizinhos o que traz sempre alguma irritação. Será evidente que seremos gozados por algum tempo, agora com o argumento que ganharam, sim, eles ganharam e nós nunca ganhamos nada. Teremos de nos aguentar e pensar que antes eles que os alemães. Até porque mereceram, jogaram bem, não deixaram dúvidas sobre a superioridade e a taça está bem entregue. Tive muita pena por Portugal. Tive pena pela Rússia. Felizmente não tive de ter pena do futebol, pois ele acabou por ganhar.

27.6.08

Alerta!

Hoje é dia de congresso feminista. Alertem os bombeiros para as queimadas. Os soutiens passaram de moda, ouvi falar de implantes de silicone, sugiro talvez os massajadores faciais, vulgo vibradores, ou cocktails molotov de botox.

Ainda há futebol?

Numa meia-final ganha uma equipa com tantos golos como remates à baliza, depois de um jogo em que se parecia arrastar adormecida e ausente. Ontem, jogava a grande surpresa do europeu, responsável pelos melhores minutos de futebol que vi nos últimos tempos. Do outro lado uma selecção que ganhara nos quartos finais após um jogo de não futebol, em que conseguiu ter a sorte de marcar um penalty a mais. A primeira não esteve lá, provavelmente ausente em passeios imaginários pelas estepes ou pelas ruas aristocráticas de S. Petersburgo. A segunda desenhou uma obra-prima digna de Picasso, Dali ou Goya. Que jogo fez a Espanha!
Ainda vai havendo futebol, mas resta a inquietação de que esse futebol não ganhe no final, dando razão aos anestesiantes treinadores que pretendem mudar, talvez até estatutariamente, o objectivo do futebol, trocando o de “marcar golos” com o de “não sofrer”. Espanha devia ganhar, mas mais importante ainda é que a Alemanha devia perder. E por muitos e vistosos golos, numa humilhação requintada da arte sobre a eficácia, da civilização sobre a força bruta.

Dr. António Sousa Homem

A presença do autor fora garantida na convocatória para a apresentação do livro “Os Males da Existência. Crónicas de um reaccionário minhoto”, anteontem na Livraria “Pó dos Livros”, facto que provocou alguma agitação nos meios cosmopolitas de Lisboa dada a misantropia do Dr. Homem. Eu esperava poder ter o gosto de conhecer o autor e, porque não, encontrar a sobrinha Maria Luísa e talvez, num grande acaso da sorte, chegar às falas com ambos. Malditas coronárias! Foram elas que impediram a presença do Dr. Homem, por recomendação do seu médico de Viana do Castelo. Na sua ausência coube a Francisco José Viegas ler a missiva que enviara e que pode ser lida aqui.
Da apresentação de Maria Filomena Mónica destaco a passagem em que dizia que o Dr. Homem era o tio-avô excêntrico que gostaria de ter tido. Concordo em absoluto, seria aquele tio com quem passaria horas de conversa e longas horas de silêncio afundados nos sofás da biblioteca, por entre pilhas de livros e com um pontual chá a chegar às cinco horas trazido por Dona Eliane.
Apesar da ausência do Dr. Sousa Homem e da sobrinha nesta apresentação, não deixa de ser com algum orgulho que abro a primeira página do meu livro e nela posso ler a dedicatória assinada pelo autor, conseguida por meios que não revelarei. Não o digo com o apreço do valor do objecto dada a sua raridade, mas sim com o gosto da personalização de um livro tão bem escrito e por um tão interessante personagem indiscutivelmente português.

25.6.08

Haja alguém!

Que o urbanismo é um dos maiores e mais alastrados problemas do país, só será surpresa para os mais distraídos, o que não é habitual é ver um ex-político a afirmá-lo com a clareza e conhecimento de causa de Paulo Morais, ex-vereador da Câmara Municipal do Porto.

23.6.08

Ainda há futebol?

Nestes tempos em que se torna coisa rara encontrar futebol digno desse nome – ou seja, futebol em que as equipas queiram ganhar marcando golo e não esperando que o mesmo lhes caia do céu num erro dos adversários – o jogo entre a Rússia e a Holanda foi uma pérola. Afinal ainda há quem jogue ao ataque, com gosto, com inteligência, com estética. Fora a Rússia mais competitiva – o que se calhar até estragava tudo – e concretizadora e teria esmagado a Holanda com uma cabazada histórica, tantas foram as oportunidade de golo.
Ontem vi o Espanha – Itália e a euforia acalmou, assim como a esperança no futebol, pois as duas equipas fizeram o possível, e quase o impossível, para não marcar golos, num jogo muito mais do que chato e a que só faltou que falhassem penáltis sucessivos de modo a obrigar os próprios guarda-redes a marcar. Perdeu a Itália, o que foi um grande felicidade, porque dali não vem qualquer esperança enquanto de Espanha ainda poderemos esperar algum futebol. Agora, esperar mesmo, só espero que a Rússia mantenha o nível e esmague também a selecção espanhola, numa desforra dos 4-1. Sem piedade e com grande arte.

Coisas Estranhas

Ter dado por mim a torcer freneticamente pela selecção da Rússia. Ainda mais quando jogava contra a Holanda. Saltei com golos, praguejei com falhanços e quase acabava no Marquês até me aperceber que não estava em Lisboa.

20.6.08

Ontem

O desespero deve ter sido muito para as bandas da casa de Pinto de Sousa. O país perdeu o ópio e vai, desgraçadamente, ter de ser confrontado com a sua imagem reflectida a um espelho agora desembaciado. Infelizmente ao invés do que se pode augurar para o nosso futuro.

Coisas da Bola I

Sofrer dois golos de bolas paradas, marcados com a facilidade com que se barra manteiga mole numa torrada quente, mostra que o estudo não foi muito lá pelas bandas da selecção. Seria uma maçada para Scolari ter de estudar o jogo dos alemães, até porque o impediria de devorar o curso de inglês do Planeta Agostini e escolher frases da “Arte da Guerra” para passar por baixo das portas dos quartos dos jogadores. Do tempo dos dentes de alho e das bruxas passámos para um estágio bastante mais elevado com a Nossa Senhora de Caravaggio e Sun Tzu. Melhor, muito melhor, mas bom seria aspirar a um futuro de alguma normalidade, não fora um obstáculo chamado Madaíl.

Coisas da Bola II

A memória dos anos que levo sorri sempre que me lembro da selecção quando tinha à sua frente Humberto Coelho. Nunca jogámos tão bem. Nunca as coisas foram tão agradavelmente normais. E boas. O homem está para ir para a Tunísia. Indemnizem os tunisinos com o que poupam em relação ao ordenado de Scolari e façam o Humberto ficar por cá. A bem de todos nós.

Coisas da Bola III

Defender Ricardo tem sido um desporto que pratiquei amiúde. Tudo tem os seus limites e eles ontem foram ultrapassados. O “meu” Sporting que não se lembre de o ir repescar a Sevilha. Deixem o homem a comer tapas e a desesperar os espanhóis e sosseguem Alvalade.

Coisas da Bola IV

“Há sempre alguém que resiste.” Bravo, Deco!

Palavras roubadas

“Houve o rumor de que estava doente e depois a notícia das melhoras, a cura e a entrevista a Rui Ramos. Depois de mais silêncio, a notícia da operação e a ida para casa. De qualquer modo, é muito pouco e não se falar mais de Miguel Esteves Cardoso não prognostica nada de bom para o país. Nada de bom.”
Ao Impensado.

19.6.08

Coisas Boas da Irlanda IV


A fantástica Sharon Shannon e "Mouth of the Tobique"

Provincianismos

Gosto da província e gosto muito de um certo provincianismo. Não suporto o envergonhado provincianismo de urbanos que renegam origens e falam delas com distanciamento, convertidos a uma certa “modernidade”. Ouvir o argumento de que é muito importante para Portugal a ratificação do Tratado de Lisboa, porque o mesmo leva a nossa capital no nome, leva-me ao desespero. Há gente que se disfarça de cosmopolita, mas que nunca se livrará do mau que a província lhe deu, esquecendo as genuínas qualidades que poderia ter aproveitado.

Centralismos

A simples menção de um hipotético Bloco Central escurece este magnífico dia de sol. Ouço aplausos emocionados e veementes dos interesses instalados. Adivinho choros desesperados do povo à custa de quem se terá de sustentar um status quo com o dobro do tamanho.
(À propos das declarações de Marcelo e da moção de Ferreira Leite para o congresso)

18.6.08

Coisas Boas da Irlanda III

“Under bare Ben Bulben's head
In Drumcliff churchyard Yeats is laid.
An ancestor was rector there
Long years ago, a church stands near,
By the road an ancient cross.
No marble, no conventional phrase;
On limestone quarried near the spot
By his command these words are cut:
Cast a cold eye
On life, on death.
Horseman, pass by!

W. B. Yeats
Excerto de "Under Ben Bulben".

Coisas Boas da Irlanda II



The Pogues & The Dubliners
"The Irish Rover"

Coisas a ler

O Yes de Molly Bloom”, de Vasco Graça Moura, hoje no DN.

Coisas da Irlanda

A propósito do mui conveniente “Não” da Irlanda, esta semana dedicarei algumas postas a outras coisas boas de lá vindas.

Coisas Boas da Irlanda



Sinead O’Connor & The Chieftains
"The Foggy Dew"

16.6.08

Descanso

O bom do Santo António deve ter avisado São Pedro que já era demais e que era preciso uma réstia de sol para animar Portugal enquanto a selecção que interessa entrava em descanso. Resultou a demanda em dois épicos dias de praia, num areal em que era possível traçar áreas de influência de mais 50 metros entre as pessoas e a que não faltava um acolhedor bar com música de irrepreensível gosto. Paraíso de sossego em fim-de-semana grande e a pouco mais de uma hora de Lisboa. Para norte, claro, que esse reino dos Algraves não é terra para mim.

Coisas da Europa I

É extraordinário o argumento de que 4 milhões de habitantes, cerca de 1% da União Europeia, estejam a condicionar, de forma desproporcionada, o projecto europeu. Poderia ser por memória curta, mas é mesmo por desonestidade intelectual. Fazem por esquecer qual foi o resultado dos referendos nos outros países? Será que, apesar de prometidos como em Portugal, foram evitados para não permitir à população que se exprimisse? E a nega na Holanda e em França, já foi esquecida? A realidade é que cerca de 53% dos europeus que tiveram o direito democrático a pronunciarem-se votaram “Não”. O resto é o habitual chorrilho de habilidades retóricas que tentam transformar o branco em preto.

Coisas da Europa II

A utopia europeia está a causar uma cegueira que, para quem insiste em querer ver, se torna assustadora.

Sláinte

Brava Irlanda. Uma vez mais. Brava Irlanda.
Brindemos à liberdade com pints de Guiness em barda.

Beautiful day – U2

12.6.08

Crisis? What crisis? – I

Depois de ceder aos pescadores o governo deixou de ter margem de manobra para não negociar com os camionistas. Podia, caso fosse realmente competente, ter negociado mais cedo e poupado aos portugueses o racionamento dos combustíveis ou a ausência de saladas ou frutas. Bolas, afinal estamos no verão e na época das dietas e aposto que os portugueses, em particular as mulheres, não lhe vão perdoar tão cedo a transgressão alimentar a que foram obrigados.

Crisis? What crisis? – II

O protesto é obviamente intolerável, o grave, e preocupante, é que ele seja compreensível.

Crisis? What crisis? – III

Gostei de ouvir falar Rui Moreira, ontem na RTPN, sobre a crise dos combustíveis. Apetecia aplaudir que alguém estava a dizer de forma tão clara algo de evidente: os nossos governos, e não só o actual, apenas governam para grandes empresas (ou agricultores, ou industriais, ou banqueiros, basta acrescentar qualquer actividade). Num país com uma economia muito baseada nas PME’s, não deixa de ser curioso, se não fosse perigoso. Os anos passam e a pequena economia é tratada como algo distante e em vias de extinção, como se a economia de um país – em especial do nosso – pudesse sobreviver apenas com grandes empresas.

Crisis? What crisis? – IV

Quando se diz que na Europa de hoje não há ideias a discutir estamos a tomar atitude da avestruz e a ignorar a realidade. O delírio é mais evidente quando vimos Pinto de Sousa a comparar-nos com a Finlândia ao mesmo tempo que assistimos à “Liga dos Últimos” na RTP. Portugal é cada vez mais um país dividido ao meio, em que o litoral se apresenta com toques cosmopolitas e o interior é cada vez mais um museu antropológico. A culpa é de quem governa porque assumiu, sem a frontalidade de o dizer, que o interior é para abandonar, a agricultura para acabar e o território para desocupar. Nada disto é inevitável ou emana de Bruxelas, é apenas o reflexo do novo-riquismo das gentes que nos governam e que acham mais atractivo inaugurar estradas do que produções de batata e que vêm mais glamour em protocolos com bancos do que em olivais extensivos.
Se discutir isto não é discutir ideias, então eu definitivamente já não sei o que é a política.

Crisis? Why crisis?

“Metro do Terreiro do Paço teve derrapagem superior a 31 milhões de euros”
Depois dizem que crise é inevitável, que não há dinheiro para nada e que o país não tem melhora possível. Aposto que as derrapagens das obras públicas já davam para muita coisa. Façam as contas!

Perguntas da crise – I

No meio do caos que assolou o país, fica uma pergunta: onde anda o PSD? Resposta possível: no mesmo sitio onde andou nos últimos tempos, sentado no sofá à espera que o poder lhe caia no colo.
.
P.S. Será que nasceu mais um neto a Manuela Ferreira Leite?

Perguntas da crise – II

Cavaco Silva ainda é presidente de Portugal? E que tal mandar uma das suas “sagradas” mensagens ao país, e ao governo, nestes momentos de crise. Até para esquecer o lapsus linguae do dia da raça.

Perguntas da crise – III

Não será estranho Mário Lino não ter aparecido nas televisões a falar sobre a crise? Será que no governo já perceberam que o homem não é apresentável e tem uma tendência fatal para o disparate.

Do futebol

Mais um bom jogo. Mais uma vitória. Estranho esta coisa de estar apurado sem confusões, ao segundo jogo, sem sofrimento, sem pensar no resultado dos outros. Não estou habituado a isto, estou mesmo muito preocupado porque algo está diferente neste mundial em que parece que a selecção é uma equipa. Será que quer dizer algo? O meu medo é que queira dizer uma eliminação nos quartos de final. Talvez não, talvez queira dizer que é desta. Talvez seja mesmo desta.

11.6.08

Sobre o referendo

Amanhã, veremos se a Irlanda continua a ser um país de coisas boas e definitivas.







Votando "Não" ao anti-democrático Tratado de Lisboa, dando assim mais uma lição de Democracia e uma bofetada de luva branca aos eurocratas.

Fazer companhia ao sol

Quando o tempo parece querer ajustar-se às estações, achei que as minhas humildes compras na Feira do Livro deviam seguir o mesmo caminho. Optei por livros que tentassem deixar-me bem disposto: Evelyn Waugh, Nancy Mitford, Jerome K. Jerome. Tudo na Cotovia e a bom preço de feira. Os monos ficam para outra oportunidade que o passeio foi curto.

Perplexidade

Estranho bastante que as habituais brigadas das liberdades não tenham aparecido no momento em que uma juíza censurou a transmissão de uma tourada pela RTP. Será que para essa gente há liberdades e liberdades?

6.6.08

Bravo TVI!

No dia em que foi dado provimento à providência cautelar que impedia a transmissão da Corrida TV em horário nobre, a TVI não emitiu as suas três novelas do costume para transmitir em directo uma corrida de touros no Campo Pequeno. Depois não venham dizer que as touradas são coisas de minorias, pois se a TVI, o nosso canal mais comercial, transmite corridas em horário nobre, não o fará sem grande segurança das suas audiências.

Bravo TVI! - II

A TVI não é a “minha” televisão, o que aliás é normal pois não é a mim que a sua programação é dirigida, mas há algo que, para além duma programação no geral miserável, a distingue: a independência e a coragem. Ontem foi exemplo disso.

Pinto de Sousa

200 mil pessoas na rua. Alegre em movimento. Novo presidente do PSD. Moção de censura do CDS/PP. Ambiente geral de contestação. Caso para dizer:
“As notícias da sua vida prolongada foram manifestamente exageradas.”

5.6.08

Coisas dos Trinta

Essa coisa de mulheres submissas e sofredoras está irremediavelmente fora de moda. Pena é que elas continuem a não acreditar nisso.

Isto está bonito!

Após anos de providências cautelares do inefável António Maria Pereira, eis que o Tribunal de Lisboa, numa decisão inédita, resolveu proibir a transmissão em directo da Corrida de Touros da RTP, remetendo-a para o horário entre as 22.30h e as 6.00h, e ainda assim acompanhado por um identificativo visual permanente, por, alegadamente, ser “susceptível de influir negativamente na formação da personalidade de crianças e adolescentes”.
Neste país, proibir é um dos verbos preferidos, pena que se aplique sistematicamente ao que não deve. Insuspeito de tendências revolucionárias, cada vez mais me apetece sair para a rua e gritar: “É proibido proibir!”.

4.6.08

El breve espacio que no esta

Porque às vezes, muitas, é preciso ouvir música nostálgica ou triste. Aqui fica uma canção de Pablo Milanés que conheci da versão de Luís Represas incluída no seu primeiro álbum.

3.6.08

Demagogia

Palavra que serve a tudo, como uma bata larga de hospital de tamanho único que a todos serve. Alguém se insurge contra o status quo e é demagogia, alguém dá uma ideia contra a corrente e é demagogia, alguém diz o óbvio e é demagogia.
Há fome, há gente hipotecada até ao tutano, há uma imensidão de crédito mal parado e irrecuperável, há prestações de casas incomportáveis, há famílias inteiras em risco de pobreza real.
Túnel do Marquês, Aeroporto de Alcochete, TGV, 3ª ponte sobre o Tejo, auto-estradas por todo o país.
Sistema Nacional de Saúde que não funciona, (in)justiça, património a cair, abandono dos campos e da agricultura.
Allgarve, Lei do fumo, ASAE.
As prioridades deveriam dizer tudo.
Posto assim é óbvia demagogia. Claro que é, aliás, a ninguém pode passar pela cabeça que também é a verdade. Mesmo que seja e, infelizmente, a mais real das verdades.

Palavras d’outros

A ler, como sempre, Ferreira Fernandes no DN.
“Gosto do futebol jogado. Ronaldinho, o brasileiro, esperando que a barreira salte para ele enfiar a bola por baixo das infelizes solas do adversário dá-me satisfação pura. A selecção enquanto visitadora do Presidente já me deixa indiferente - quero lá saber do protocolo em geral e de rapazes mal engravatados em particular. Por outro lado, um Presidente amante de futebol que se emocionasse por abraçar aquele rapaz que lançou as luvas para o canto e resolveu um desafio que tinha o Portugal em suspenso, já me deixaria comovido. Como fiquei ao ver a emoção maluca dos portugueses de Neuchâtel. Volto ao futebol de que gosto: gostei de ver Ronaldinho a fazer aquilo porque desejei toda a minha vida fazê-lo e nunca soube. Gosto do futebol por ambição diferida: admiro quem sabe o que eu não sei. Compreendo bem os emigrantes que admiram portugueses que eles sabem que o mundo admira. Só não percebe o orgulho deles quem não sente necessidade de admirar.”

Palavra d’outros

Francisco José Viegas no "A Origem das Espécies".
“Gosto da Feira do Livro com as barraquinhas. Gosto de ir lá à tarde e de encontrar amigos, gente que não vejo há muito tempo, trocar «notícias» por «notícias». Gosto de ir às barraquinhas de livros velhos, stocks, obras completas de Mao, Escritos Escolhidos de Lenine, A Cozinheira Ideal ou os John Le Carré em hardcover. Gosto de comprar Rex Stouts repetidos. Não gosto de novidades na Feira; prefiro livros de há anos, são esses os que procuro, os que perdi e que quero repor na estante. Gosto de comprar livros por 1€, 3€, 5€. Gosto de encontrar amigos a dar autógrafos e de ir para as filas pedir-lhos. Gosto de churros com chocolate (este ano estão a 2€, o que é um assalto). Gosto das cores das barraquinhas. Gosto dos grupos que se sentam ao sol, na relva do Parque. Gosto de encontrar editores que vão sempre à Feira. Gosto de gente que atravessa a Feira assinalando títulos nos catálogos. Gosto da Feira com ar saudável e relativamente anárquico, com cadeirinhas na calçada onde autores se sentam perto de quem passa, com ar desprotegido (por isso é que se reconhece um editor; é ele que está lá, ao lado, a fazer companhia). Gosto de ir à Assírio & Alvim perguntar se tem o Equador. Gosto da Feira com sol, gosto quando chove. Gosto quando o MJM me telefona a dizer que encontrou um livro meu com uma fotografia que nem vista se acredita. Gosto das sacolas pretas da Tinta-da-China e de ficar por ali. Gosto das cores da Oficina do Livro. Gosto de ir à Guimarães Editores, à Relógio d'Água ou às bancas da Vampiro. Sinto-me um provinciano feliz que está onde quis ir. À Feira.”

Gosto de subscrever e gosto assim de ir à feira. Ainda não fui. Ainda não procurei volumes antigos do Tenente Blueberry encontrando o Martin Milan que me faltava. Ainda não persegui pechinchas descobrindo magníficos monos. Na sexta-feira irei, em busca desta feira que eu gosto e que aqui tão bem foi descrita. Talvez encontre por lá o Dr. Sousa Homem, numa rara saída do seu retiro minhoto, por motivo do lançamento do seu segundo volume de crónicas, que dá pelo nome de “Os Males da Existência”. Gostava de o cumprimentar.

2.6.08

A Senhora Presidente

Tenho feito por aqui algumas ironias sobre Manuela Ferreira Leite, em particular à sua ausência de ideias. A senhora de facto não entusiasmou durante a campanha. Não posso ainda assim deixar de dizer que com esta senhora a coisa política em Portugal irá decerto melhorar, apesar de que não seria difícil. A nova presidente do PSD traz a vantagem de querer falar verdade, o que em alguém sério quer dizer qualquer coisa, e de não querer seguir pela “plastic-politic” tão na moda. Convenhamos que depois de Santana e de Menezes a melhoria é clara. Claro que ainda ficamos com dignos representantes do plástico como Pinto de Sousa, Louçã e Portas, mas pelo menos um dos maiores partidos vai por outro caminho, o que não deixa de ser louvável. Para já pouco estimulante, mas louvável.

Boas notícias

Hélder Postiga é jogador do Sporting.
Gosto de jogadores assim, artistas incompreendidos, irregulares, polémicos.

Laranja e rosa

Caso Ferreira Leite insista em não discutir ideias – e tendo em conta que Pinto de Sousa pouco gosta de as discutir, talvez por as não ter – fica a dúvida sobre o que discutirão nos debates para as próximas legislativas. Talvez futebol?

Grande gozo

Nunca fui à Suíça, mas já li sobre o país, já falei com quem lá viveu, já conheci suíços. Por tudo o que sei, é enorme o gozo de imaginar esse paraíso da tranquilidade e do aborrecimento com as ruas invadidas por hordas de portugueses eufóricos. Uns vindo de propósito, mas a imensa maioria a sair exuberante das casas onde se escondem para sobreviver à maçadora sociedade suíça. Todos pelas ruas a gritar e buzinar e cantar. A invasão do caos luso a terras de ordem ancestral, em tempos de uniformização de europeia e de comportamentos formatados, é um episódio que não pode deixar de me fazer regozijar neste cantinho junto ao mar plantado que tudo tinha para se transformar numa aldeia de gauleses irredutíveis nesta Europa romanizada.

30.5.08

Desabafo snob

O berço não se escolhe e a educação não se encomenda. Após ver o debate de ontem na Assembleia e o que disseram Pinto de Sousa, Louça ou Alberto Martins, fica a demonstração cabal desta teoria. O brejeiro de Alfama tem graça e genuinidade, mas ver estalar o verniz a gente que se tem em tão alta conta mostra que por baixo de camadas do dito surge sempre a unha, e dessas nem todas servem para tocar guitarra.

28.5.08

Telejornal (pouco) imaginário - excerto

O primeiro a acordar foi Petit, que de imediato se dirigiu à casa de banho para a sua higiene matinal. (…) Quaresma despertou com mau feitio e de imediato insultou Simão por este o haver acordado. (…) Bruno Alves desceu um pouco cabisbaixo, algo preocupado com ligeiros problemas intestinais revelados na primeira ida à retrete do dia. (…)
O pequeno-almoço consiste, hoje, em sumo natural de laranja do oeste, leite meio-gordo “Mimosa”, chá “Lipton” rótulo amarelo, merendas frescas, pão de centeio, pão de sementes com Ómega 3, croissants, manteiga sem sal “Primor”, compotas “Casa de Mateus” – morango, framboesa e pêssego –, queijo flamengo “Terra Nostra”, queijinhos frescos, requeijão e cereais muesli. Está também à disposição dos jogadores uma zona de buffet quente com ovos mexidos, bacon e salsichas.
Da refeição da manhã destaca-se o apetite de Miguel Veloso, de pronto refreado por alguns colegas que lhe lembraram o estado obeso em já esteve durante a presente época. Ricardo, talvez devido aos nervos de poder não ser titular, denota uma estranha falta de apetite. Quaresma foi o último a descer para o pequeno-almoço, entrando sem dirigir a palavra a ninguém. Petit ainda de preparava para se meter com o seu mau feitio quando foi refreado por Moutinho, que lhe lembrou o facto de ontem Quaresma ter atirado com um prato de pães-de-leite para cima de Nani.
A gasolina subiu, uma vez mais, ontem.
Última hora: Hugo Almeida jogou na equipa dos coletes no treino de hoje da selecção.

27.5.08

Série B

Zapping. Canal Hollywood. Um jogador conta cartas e ganha num casino. Uma mulher avança para cantar no palco de uma marisqueira de aspecto vulgar. Parece a voz de Mísia no corpo de uma mui agradável morena que após cantar em português fala em americano fluente. O jogador é inglês. Estamos em New Bradford. A mulher é da Graciosa onde ele esteve aos 18 anos. Descobrimos que há azeite Galo made in Graciosa, aliás o único azeite da ilha. Mísia volta a cantar. A mulher é viúva de pescador e gosta de peixe. Paixão e traição. A filha quer ser jogadora e aprender com o namorado da mãe. Há ainda a mãe do falecido que, apesar dos sessenta anos, acaba apaixonada por um motoqueiro de 200 quilos e barba duvidosa. Pelo meio, nas festas de S. Pedro, dançam uma música portuguesa típica, curiosamente ao estilo samba.
É tão bom ver um filmezinho mau que é quase - muito quase, é certo - bom, um simpático série B com mulheres bonitas, pois além das portuguesas, mãe e filha, aparece ainda a belíssima Theresa Russel num papel secundário.

Perplexidade

Um destes dias ainda irei perceber se é por poupança ou refinado sadismo que a FNAC do Chiado persiste em ter uma temperatura insustentável que nos remete para distantes saunas finlandesas.

Notícia com palavra nova

A sonda Phoenix “amarteou”. A coisa parece muito deserta. Esperemos pelo flautista que chame as criaturas das profundezas do planeta.

26.5.08

Época de acasalamento

(Título roubado a Wodehouse)
O acasalamento de outros vai sendo motivo de festa e, porque não, possível ocasião de outros acasalamentos. Este final de semana abriu a minha época anual com um casamento que ficou aquém neste aspecto: pouca população feminina que não a de homens pendurados nos braços ou a controlada por olhares perscrutadores de copo na mão encostados ao bar. Nem jovens primas desocupadas, nem divorciadas frescas, nem tias “balzaquianas”. Fraca escolha. Os noivos pairavam alegres como devem, animando a pista quando esvaziava e distribuindo cumprimentos e sorrisos não fora alguém pensar que já estavam arrependidos do acto consumado. O dia a seguir comprovou que as bebidas não tinham chegado via Sacavém, o que já não vai sendo má notícia. O fígado sobreviveu a uma sôfrega e gulosa prova de doces de ovos capaz de enjoar amadores de doces à séria. Passou o primeiro de uma temporada preenchida. A ver como serão os outros acasalamentos e que, de preferência, sejam mais potenciadores de acasalamentos ou afins. A bem dos solteiros.

(Des)igualdades

A Europa veio anunciar o óbvio: Portugal é o país com mais desigualdade social da União Europeia, sendo esta até superior aos EUA. A importância da notícia não advém da sua novidade, mas sim de vir da Europa, aparentemente a única voz escutada pelo obediente governo Pinto de Sousa. Num país em que o governador do Banco de Portugal ganha mais do que o seu homónimo do Banco Federal Americano, em que os gestores públicos têm ordenados e reformas obscenas, em que os jovens trabalham na maioria a precários recibos verdes e em que há demasiada gente a viver abaixo da miséria e a passar real fome, é evidente que algo está mal e desigual. Não deveriam ser precisos relatórios europeus para percebermos a gravidade da situação e para agir, mas tendo nós um governo mais preocupado em mandar o fumadores para a rua – excepto os membros do governo –, em permitir o aborto livre, em assinar tratados europeus à revelia do povo ou a perder tempo com (des)acordos ortográficos, talvez seja preciso que venham palavras do exterior para serem escutadas por quem nos (des)governa.

23.5.08

Coisas da televisão

A obsessão das televisões, em particular da TVI, em (per)seguir a selecção nacional está a atingir níveis muito para lá dos limites da sanidade. Pouco falta para estarem jornalistas dentro dos quartos a acompanharem os jogadores à casa de banho de papel higiénico na mão. A quantidade de minutos gastos por telejornal chegaria, ao fim do dia, para projectar o “Le Soulier de Satin” de Manoel de Oliveira na versão integral de cerca de sete horas. Entre ver jogadores de futebol em treino, apoiados por Roberto Leal, e os planos fixos de Oliveira acho a segunda opção esteticamente bem mais interessante apesar de igualmente chata.

A notícia

A noite de copos arrastara-se até à quase manhã. A passagem no quiosque já aberto mostrou os jornais do dia já chegados. Gosto sempre muito de voltar a casa de jornal debaixo do braço, pois permite uma manhã mais arrastada a entrar pela tarde por entre um artigo de opinião mais ou menos interessante. Optei pelo “Público”, sem motivos em particular, e passei os olhos pelo que se passava no mundo. Uma fotografia chamou a minha atenção e li a notícia abaixo. Não era amigo de Torcato Sepúlveda, mas depois de anos em que me habituei a ler os seus escritos, desde os tempos do Indy até à NS, tive o gosto de ter três ou quatro conversas com ele nas intermináveis tertúlias do Snob. Era um jornalista à antiga, dos tempos em que este era feito com frontalidade, independência e boa escrita, homem de convicções firmes e firme na forma de as expor. A sua morte fez-me impressão, a morte faz sempre impressão, mas será diferente entrar de novo no Snob e não encontrar essa figura sem tempo sentada tranquilamente a ler e a fumar um cigarro ou projectando a sua voz potente em discussões viscerais.

21.5.08

Diálogos Imaginários

– Charles, continuo a desesperar com o tempo. Já nem me deves poder ouvir.
– Tenha calma, menino. Compreendo o seu desespero.
– Eu sei, Charles, mas já é demais. Os casacos até já foram postos de parte, mas esta coisa de continuar com camisolas de lã sem as conseguir substituir pelo algodão, isto quase no fim de Maio, é de levar à loucura a alma mais sã.
– Pois é, menino, o tempo resolveu andar a brincar connosco. Quem diria que S. Pedro tinha tanto sentido de humor.

20.5.08

Coisas da música

Lá fora cinza, plúmbeo, o escuro rasgado por ocasionais raios de um sol escondido. Aqui por dentro o som é de Thelonius Monk, na mistura do trompete mágico de Chet Baker com a música dos Gotan Project.

Coisas de filmes

Manoel de Oliveira recebeu ontem uma Palma de Ouro do Festival de Cannes pela sua carreira. O “meu” cinema não passa por Oliveira, mas reconheço a sua qualidade e aceito a sua coerência. Aliás, assim não fosse e a sua obra não seria reconhecido internacionalmente. O problema em Portugal é que quase todos os realizadores pretendem ser um “novo Oliveira” – com toques de modernidade, um perlimpimpim de mais introspecção e uns brilhos baços de neo-neo-realismo – contudo sem o talento de Oliveira. A consequência é que o cinema português se tornou numa total inexistência, pontuado por esparsos e escassos filmes visíveis. O original sempre foi melhor do que a imitação e Oliveira não é, de facto, imitável, até pelas idiossincrasias da sua vida e da sua carreira.

19.5.08

Haja algo

Nestes tempos em que moda intelectual é a de destilar o nojo sobre o futebol, devo dizer que momentos como a vitória de ontem no Jamor me ajudam a encarar melhor a vida num país cada vez menos habitável. As hipocrisias desprezíveis do Sousa, um parlamento que aprova um “aborto ortográfico”, uma economia teimosamente rasteira, um tratado europeu assinado às escondidas do povo, uma oposição irrelevante e sem ideias, e um sem fim de horrores que aqui poderia continuar a desfilar. No meio disto, que nos valha o futebol.

16.5.08

Atrasos

Há bom tempo que o blog da revista Ler já devia estar aqui ao lado nos usuais. Pelo blog e pela revista. O blog até antecedeu o simpático lançamento da revista que está muito bonita, equilibrada e com excelentes conteúdos. A nova direcção de Francisco José Viegas promete que o trabalho terá continuação e que a revista será de compra regular e obrigatória. Com atraso, rectificação feita.

Always look on the bright side of life

A feira do livro aparentemente vai ser uma miragem. A coisa é má e demonstra a demasiada mesquinhez de muita gente, nem me interessa quem. Agradece a minha depauperada bolsa por não ser exposta à anual tentação e à sempre eterna fraqueza humana. Perde a minha cultura, ganha a minha finança.

Imagens

Jogging em Caracas. Ruas fechadas. Segurança reforçada. O derradeiro fumo de tabaco sai dos pulmões de José por entre a inalação do fumo do petróleo queimado pelo povo venezuelano. A saúde volta a ser a imagem de marca do povo da West-Coast, aqui na pessoa do seu saudável primeiro-ministro.

15.5.08

O polícia

O Nunes da ASAE já demonstrou que está a fazer esforços para ser digno de utilizar o epíteto de crápula. Aquela lista de objectivos que primeiro era mentira, depois nunca tinha sido vista, depois afinal existe e era oficiosa, e no final percebemos que era mesmo uma definição de objectivos em função do número de multas, é bom exemplo do funcionamento desta polícia de costumes. Portugal está cada vez mais um local pouco frequentável, governado por gente inenarrável que ainda irá demorar muitos anos até compreender o significado da palavra liberdade.

Pergunta do dia

Onde está o Gremlin anti-fumadores, a.k.a. Francisco George, agora que o primeiro-ministro foi apanhado a fumar? Com medo de falar demais e perder a prebenda?

O fumo do Sousa

O nosso primeiro-ministro já veio ontem falar sobre os seus cigarros, mas o que disse? Pediu desculpas e remeteu a questão para o desconhecimento sobre a legalidade do acto.
Já vi hossanas ao pedido de desculpa, mas, pergunto eu, o que queriam que o homem fizesse? Desmentir a restante comitiva? Dizer que fez muito bem em fumar num espaço fechado depois de proclamar uma lei que o proibia? Sinceramente há desculpas que não são uma acção, são uma obrigação, e esta era uma óbvia obrigação de um primeiro-ministro que propala a saúde fazendo jogging por esse mundo fora e aprovando leis radicais anti-fumo.
Como neste país os valores e a moral são algo de insignificante, a discussão sobre o fumo de Sousa já anda, como não poderia deixar de ser, no campo legal. Jorge Miranda e Vital Moreira já se pronunciaram sobre o assunto e esta vai ser, já se percebeu, a via por onde a comunicação social vai conduzir o problema. Uma vez mais vão atrás do caminho escolhido por Sousa, pois vai ser um caminho complexo, cheio de pareceres e de contraditórios, que vai ignorar a questão mais importante que é moral. Lembra a questão da putativa licenciatura, nunca esclarecida, mas em que a questão foi empurrada para as formalidades legais de mais difícil prova. O grave do acto de Sousa não é saber se infringiu a lei, é simplesmente ter a distinta lata de fazer aprovar uma “moderna” lei fundamentalista que restringe ao máximo o direito dos não fumadores de fumar em espaços públicos e depois achar, e só achar já é muito grave, que pode fumar num avião fretado pelo Estado Português para transportar uma numerosa comitiva de convidados.
Ainda fica aquela frase final sobre o deixar de fumar. Típica do nosso Sousa, esta desprezível tirada de marketing político, para tentar sair por cima de uma situação de onde sai muito mal visto na fotografia, redunda numa canalhice que faz do povo parvo e tenta que o mesmo o veja como um coitadinho.
A postura ética e moral de Sousa volta a estar em causa, mas isso, neste país de imprensa pouco livre – que saudades de “O Independente” que foi a leilão na semana passada – vai passar ao lado da polémica, pois o importante vão ser, como sempre, os legalismos e os formalismos.

14.5.08

Mundo de merda

O regime dos generais continua no poder na Birmânia. Haverá palavras que cheguem para descrever o nojo que tem sido a postura destes criminosos? O mundo assiste impávido e sereno, a bem da diplomacia, enquanto centenas de milhares de pessoas morrem. Sic transit gloria mundi.

Há moralidade, mas só comem alguns

Ao tomar conhecimento dos acontecimentos em redor da viagem de Pinto de Sousa e da comitiva que o acompanha à Venezuela, fiquei muito preocupado com o nosso primeiro-ministro. Depois de fazer aprovar uma radical lei anti-fumo, com a justificação que era intolerável para os não fumadores a presença em ambientes com fumo, Pinto de Sousa e Manuel Pinho brindaram os restantes passageiros do voo com destino a Caracas com o fumo dos seus cigarros. Inveja de fumar num avião? Também, é certo, mas acima de tudo a preocupação com a sanidade mental de um primeiro-ministro na aparência tão preocupado com a saúde dos portugueses – lembro a lei anti-fumo, a obsessão com o jogging e a ASAE – mas que na primeira oportunidade aproveita para atentar contra a saúde da nata dos empresários portugueses e dos seus colegas de governo. Será a técnica do eucalipto a tentar secar, vulgo matar, tudo à sua volta?

13.5.08

Não será demais?

Isto está mesmo tudo demente ou passa por Portugal uma peste pior que a negra. Graças à comunicação social cheguei a essa pérola da pedagogia moderna que é o site, da responsabilidade do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), “Tu, alinhas?”, dirigido ao público infanto-juvenil.
Aconselho percorrerem o Dicionário de Calão, de onde me atrevo a extrair alguns exemplos, ao estilo “best of”, devidamente comentados (a itálico):

Algodão - Algodão utilizado como filtro na preparação da dose injectável de droga. A partir de um algodão usado pode fazer-se uma “lavagem” e recuperar assim resíduos para uma nova dose (filtro).
O detalhe é essencial, não vão as crianças achar que o algodão só serve para mergulhar em água oxigenada e desinfectar feridas.

Bafinho - Heroína fumada.
Gosto do termo carinhoso, soa bem!

Base - Cocaína pronta para fumar. Mistura de cocaína com bicarbonato de sódio ou amoníaco e água. É aquecida e posteriormente arrefecida. Por filtragem obtém-se cristais, pedrinha branca pronta para snifar na caneca ou na prata com uma nota enrolada.
Fantástico o que uma pessoa aprende. Não sei se isto tem o patrocínio de uma marca de laboratórios para criança, mas lá que está bem descrito, isso está.

Betinho - Aquele que não se droga. Conservador e desinteressante.
Gosto da forma como está dito. Para o IDT o “betinho” é mesmo um marginal.

Bolha - O aquecimento da heroína transforma o pó em líquido cujo fumo será inalado. “Olha a bolha” expressão irónica reveladora do fascínio que o brilho dessa bolha exerce junto dos heroinómanos, sedução e atracção “irresistíveis”.
A subtileza das aspas é suficiente para as crianças perceberem a ironia da palavra “irresistíveis”. Num país em que elas mal sabem ler, acho que já as vejo a cantar “Olha a bola, Manel” enquanto, fascinadas, fazem bolhas irresistíveis de heroína.

Careta - Aquele que não se droga e, por isto é considerado conversador, desprezível e desinteressante.
Outro marginal, assim como o betinho. Não se poderá exterminá-los, a esses seres hediondos.

Curtir - Sentir o prazer da droga. Saborear um acontecimento agradável. Ter prazer. O prazer da droga como um acontecimento agradável.
Sem comentários.

Dar de pino - Sair do local. Sair de casa. Desabrochar.
Isto deve ter o apoio de muitos pais fartos de aturar adolescentes mal educados, irão por certo aplaudir o empenho do estado em os ajudar a ver-se livres deles.

Desbroncar - Sair de casa. Clarificar a cena.
Seria mais interessante ensinar a clarificar manteiga do que a “cena”, além de que parece haver uma obsessão pelas fugas de casa das crianças.

Destilar - Processo de preparação de uma substância para injectar, por via endovenosa, a partir de comprimidos ou supositórios. Processo de preparação de comprimidos ou supositórios para os injectar.
Introdução à Farmácia – parte I

Fazer um leitor - Roubar um leitor de cassetes/CD?s de um automóvel.
Estímulo à economia paralela. Não sei se o ministro Manuel Pinho apreciará esta entrada.

Fazer uma lavagem - Utilizar um algodão já usado, sem juntar mais droga, para aproveitar o que terá ficado retido nele, e injectar esse caldo. Aproveitar algodão já usado num caldo anterior, sem juntar mais droga, para extrair esses restos e injectar novo caldo.
Em tempos de carestia é sempre importante poupar.

Febre de limão - Síndroma febril, passageiro, atribuído pelos toxicodependentes à utilização de limões deteriorados na preparação de um “chuto” de heroína.
Terrível síndroma, por certo devido ao excesso de fertilizantes nos limoeiros. O ministro da agricultura devia tomar uma posição sobre isto.

Garrote - Apertar o braço fazendo sobressair as veias, afim de dar o “chuto”. Cinto para apertar o braço fazendo sobressair as veias para se picar.
E eles coitados, a pensar que o que era suposto chutarem era a bola.

Lavagem - Recuperar restos de heroína no algodão de lavagem e na seringa para injectar novamente.
De novo a preocupação com a poupança. Bravo!

Queca - Ter relações sexuais.
Pois com onze anos está muito bem. Que pena no meu tempo isso não acontecer.

Queimar - Aquecer com o isqueiro a heroína ou cocaína, até fazer a bolha brilhante, cativante e vaporosa cujo fumo será inalado com a ajuda de uma nota enrolada em tubo.
“Olha a bolha, Manel. Olha a bolha, Manel.”

Rush - Nitrato de Amyl.
Farmacopeia II

Shoot - Aspiração nasal de cocaína, heroína, colas ou solventes.
Mães deste país, guardem bem as UHU e as Araldite.

Speed ball - Mistura de uma droga estimulante (cocaína) com uma droga sedativa (heroína), usada por via endovenosa.
Inglês técnico I

Posto isto irei frenético telefonar às minhas irmãs, pois acho essencial que os meus sobrinhos percorram com afincado cuidado este site de modo a ficarem com um Phd em drogas, essencial para a sua vida futura.
O fantástico é que esta gente paga por nós, pois trabalha num instituto público, perde o seu tempo a criar um site que, no fundo, ensina todo o mundo das drogas às crianças, com pormenores elaborados e rebuscados que nem no Casal Ventoso serão do conhecimento de todos.
No fim uma questão: e não se pode espancá-los, já que por certo não serão despedidos?

12.5.08

Coisas dos Trinta

Isto de nos esquecermos que o tempo vai passando cruelmente por nós traz consequências tão graves como um Domingo passado absurdamente na estupidificação do sofá, com a esperança que a imobilidade nos traga a boa disposição que abandonou todo o nosso corpo. As boas noites têm muitas vezes este condão de tentar estragar os dias seguintes, momento em que percebemos que o corpo não acompanha como devia os devaneios do espírito.

9.5.08

Coisas da pintura

O ventanal que está em Lisboa não deixa abrir janelas. Aproveitemos as que foram abertas pela pintura de Juan Gris.


“Janela aberta”, Juan Gris

8.5.08

Coisas

Por vezes perdemo-nos em pensamentos inesperadamente românticos. O melhor mesmo é ouvir a música adequada e esperar com optimismo a continuação do dia, ou da semana, ou do mês.


A música é de Angelo Badalamenti, a letra de David Lynch, a voz de Julie Cruise e o álbum é o fabuloso “Floating into the night”.

“Rockin´back inside your heart”.

Tell your heart that I'm the one
Tell your heart it's me

I want you
Rockin' back inside my heart

Shadow in my house
The man he has brown eyes
She'll never go to Hollywood
Love moves me

I want you
Rockin' back inside my heart

Tell your heart, you make me cry
Tell your heart, don't let me die

I want you
Rockin' back inside my heart

Shadow in my house
The man he has brown eyes
She'll never go to Hollywood
Love moves me

I want you
Rockin' back inside my heart
She'll never go to Hollywood.

Do you remember our picnic lunch?
We both went up to the lake
And then we walked among the pines
The birds sang out a song for us
We had a fire when we came back
And your smile was beautiful
You touched my cheek and you kissed me

7.5.08

Diálogos Imaginários

– Charles, já é demais. Hoje tive de ir buscar outra vez o impermeável.
– Pois é, menino, no ano passado queixava-se que não houve primavera, este ano parece querer o verão antecipado.
– Charles, acho isso uma maldade, só queria dias de sol primaveril a inundar a casa com a alegria da luz.
– O que lhe falta é ler boa poesia, talvez amenize o problema. Whitman pode ser uma boa escolha.
– Talvez tenhas razão, Charles. Como sempre acho que tens razão.

Ideias

Há umas semanas fui desafiado a comparecer a uma sessão de apresentação do novo Movimento Esperança Portugal. Foi com interesse que me desloquei a casa de um simpático casal conhecido para ouvir Rui Marques, o guru de um projecto que se dizia de cidadania e ideias e não de individualidades. O mais consistente que vislumbrei foi um agradável bolo de chocolate acompanhado por chá verde, porque o restante, as ideias e os projectos apresentados, foi um vazio profundo como o mar.
A não campanha de Manuela Ferreira Leite faz-me pensar se, caso perca as directas, o seu destino não será o MEP. A juntar a um movimento sem ideias, nada melhor que a política da ideia única, até porque a respeitabilidade cai sempre bem a um partido em formação.

Aplausos de pé

“Em conferência realizada em Lisboa, Bob Geldof acusou o regime angolano de ser gerido por criminosos.”
Num país em se tolera tudo a José Eduardo dos Santos, um dos grandes criminosos que este mundo gerou, haja alguém que venha chamar os bois pelos nomes.

5.5.08

Laranjas

Pedro Passo Coelho parece estar a fazer um esforço para trazer uma linguagem nova e algumas, imagine-se, ideias, expostas nesta entrevista ao Correio da Manhã. Numa eleição em que concorre contra a candidata da ideia única – a respeitabilidade – os resultados mostrarão em estado está o PSD, pois é triste se chegar ao ponto de que o mais importante valor a apresentar seja este. Os grandes partidos não têm de demonstrar que são respeitáveis, deveria ser inato, estas provas são para os pequenos partidos que delas necessitam para um dia poderem ser grandes, ou pelo menos maiores.

Manifesto

Pela minha pátria, que é a minha língua, é imperioso assinar o manifesto contra o acordo ortográfico.

30.4.08

Diálogos Imaginários

– Charles, já não sei com que roupa hei-de andar. Num dia vou à praia e apetecem-me linhos à noite, no outro saio de manhã e sou varrido por um vento gelado. Este tempo indeciso começa a trazer-me uns certos nervos.
– Tenha calma, menino, eu vou mantendo alguns abrigos de inverno no armário, enquanto trago algumas coisas de verão.
– Eu sei, Charles, quando abro o armário tenho as várias alternativas à disposição, o pior é que fico contagiado pela indecisão do tempo e não sei mesmo o que vestir.
– Coisas da vida, menino, que insiste em ser feita de decisões.

Homens

A complexidade do ser humano é facto indesmentível. Ainda que por vezes não tenhamos isto em conta, compreender o próximo é tarefa quase sempre impossível. Se o dizemos sobre as coisas pequenas, o que pensar quando o que está em jogo é tão grande como a própria vida? Os últimos dias trouxeram-me dois exemplos, distintos e distantes, de como ficar perplexo perante o outro. Primeiro, quando um primo resolveu por termo à vida, sem que nada o fizesse prever, deixando vasta família em estado de puro choque do qual, por certo, tardarão a sair. Depois veio a macabra história do austríaco, que de tão rebuscada nem esperávamos encontrar num mau filme de terror de série B.
O dia-a-dia teima em nos dar motivos para tudo questionar, mas por entre a rotina inquieta surgem episódios que nos abanam ainda mais e nos fazem pensar do que é capaz o bicho homem. Felizmente resta-me um pouco de optimismo que me faz lembrar os homens bons, que os há, e o que de bom podem trazer ao mundo. Caso contrário, toda a confiança que tenho no Homem se esvairia com facilidade.

29.4.08

Poesias

Esta manhã que se acinzenta traz-me à memória a Irlanda, e com a Irlanda a poesia, e com a poesia Yeats. Aqui ficam as palavras, ditas pelo próprio, destacando-se o famoso, e belíssimo, “The Lake Island of Innisfree”:

“I will arise and go now, and go to Innisfree,
And a small cabin build there, of clay and wattles made:
Nine bean-rows will I have there, a hive for the honey-bee,
And live alone in the bee-loud glade.

And I shall have some peace there, for peace comes dropping slow,
Dropping from the veils of the mourning to where the cricket sings;
There midnight's all a glimmer, and noon a purple glow,
And evening full of the linnet's wings.

I will arise and go now, for always night and day
I hear lake water lapping with low sounds by the shore;
While I stand on the roadway, or on the pavements grey,
I hear it in the deep heart's core."