8.10.08

Conservadorismos

Ouvi o MEC anteontem na TSF. Sempre que ouço o MEC percebo melhor porque sou conservador e o que de facto quer dizer conservador. Quando o tento explicar nem sempre consigo, quando ouço o MEC tudo parece fácil. O MEC é um dos grandes pensadores deste cinzento Portugal, para além dos poucos escritores que sobreviverá ao tempo e cujo português será estudado por certo daqui a muitos anos.

Coisas das crises

Será possível não ouvir falar da crise do Subprime? Esta coisa persegue-me e parece que o mundo todo gira à volta desta coisa de que todos falam mas que muito poucos realmente percebem. Eu não percebo nem quero perceber. Acho a economia uma ciência oculta ou nível da física quântica, com a agravante de que esta estuda coisas reais e a economia passou a ser, de há uns tempos para cá, uma coisa virtual. Para quem não quer entender o que são mercados de futuros e continua a achar a bolsa uma brincadeira onanista para gentes de adolescência mal resolvida que precisam destas coisas apesar de terem idade para ter juízo, tudo isto é um disparate. Não percebo nada e há muito que não compreendo como é possível o dinheiro continuar em multiplicação quando os investimentos são cada vez mais em inexistências e os sectores produtivos, de facto produtivos, vão sendo abandonados. Por algum motivo alguém como Joe Berardo me merece profundo desprezo pois nada construiu, em absoluto contraste, por exemplo, com Alfredo da Silva. A especulação é um brinquedo de adultos, entretidos neste éter que algum dia se irá evaporar. O problema não é estas gentes se evaporarem, o problema é levarem para o limbo muita gente inocente, apesar de ingénua, que caiu nas malhas dos bancos. Eu, assim como assim, nada devo aos bancos. É certo que não tenho casa própria, mas permito-me ao luxo de me marimbar para a Euribor e para os spreads. Por isso é que já não posso ouvir falar de Subprime de crises.

6.10.08

Coisas da República

Cumpriram-se ontem 99 anos sobre um miserável assassinato apregoado como salvador. Estude-se a história com imparcialidade e verificar-se-à que são muitos os motivos que temos para chorar. Surpreende-me que ainda haja quem insista em comemorar.

P.S. Ainda por cima ver o Sporting perder com o Porto e estar com uma difícil recuperação digestiva do último episódio da época de acasalamento, também é demais para um 5 de Outubro.

3.10.08

Grande animação



Genial, este filme animado de Walt Disney em que o Zé Carioca aparece pela primeira vez e é apresentado ao Pato Donald, apresentando-lhe de seguida o seu Rio. Fabulosa a introdução, o desenho, as cores. A grande animação em todo o seu esplendor, nos tempos em que os traços tinham mão humana e mais alma que o brilho perfeito dos computadores.

30.9.08

Diálogos Imaginários

– Charles! (voz rouca)
– Sim, menino.
– Estou péssimo.
– Então, menino?
– Esta coisa de achar que posso sair durante a semana acaba comigo.
– Já percebi, menino. Chá verde e torradas só com manteiga. Uma ou duas Águas das Pedras frescas a acompanhar. No fim dois cafés.
– Charles, o que seria da minha vida sem si? Provavelmente uma lenta agonia.

Coisas do Lux

Achei que tinha de ir nu. Coisa divertida isto de ir nu. O convite era giro, mas dúbio. Muito dúbio. Um jornal com frases soltas. Falava de sexo, nudez, corpos. Tinha um oráculo. Coisa moderna e bem feita. Mas dúbia. Na dúvida recorri a técnica já recorrente, usando a mala “Sport Billy” do meu carro para levar roupas alternativas. Passei lentamente pela porta e averiguei dos trajes. Alguma nudez, alguma sensualidade, alguma normalidade também. Optei pela normalidade. Até acharia graça estar numa festa em tronco nu, mas em Agosto, numa noite quente e com o mar em frente a bater na areia.
A noite foi longa, mais longa do seria aconselhável num dia de semana. Hoje o cenário matinal era dantesco, ao ponto de questionar a minha seriedade e pensar em simular uma gastroenterite que me permitisse passar o dia em casa no sofá. Assim não foi. Mas foi giro, animado, recheado de meninas de belas silhuetas realçadas por vestidos colantes. Também rapazes de tronco nu e uma ou outra drag-queen. Gente amiga e gentes conhecidas. Um festão bem frequentado e divertido. O problema é sempre o dia a seguir.

26.9.08

Coisas da vida

Estranho esta sexta-feira em que não tenho de me preocupar em confirmar se o fato está limpo e os sapatos engraxados. Estranho tanto que ainda não sei o que fazer durante o fim-de-semana. Esta pausa na época de acasalamento, que termina para a semana, deixou-me a escolha, algo a que já estou pouco habituado. O sol chama e a chuva prevista convida ao recolhimento. Balanço na dúvida. Balançarei até ao limite de ter de decidir. Bom é poder decidir, mas há dias que não foram feitos para isso, em que se deseja simplesmente não pensar e seguir conduzido por alguém ou algum desígnio.

25.9.08

Coisas nossas e do mundo

O resto do mundo discute o sistema financeiro, a crise americana e as consequências que daí advirão. Portugal discute o “casamento” dos homossexuais. Será que andam por aí a distribuir, em conjunto com os “Magalhães”, alguma substância alienante a que ainda não tive acesso?

23.9.08

Época de acasalamento

Sábado decorreu mais um capítulo deste meu romance. Mais um casamento. Noivos felizes e muita diversão. Quando a média etária dos convidados já não é baixa, ou seja, quando a geração dos noivos já tem mais de trinta, teme-se que tudo possa acabar cedo por entre conversas de trabalho, dos homens, e de fraldas e empregadas, das mulheres. Felizmente nem sempre é assim e foi com gosto que vi muitos amigos que julgava já vergados aos pesos da responsabilidade a beberem e dançarem como se o amanhã fosse uma miragem. Como sempre que juntos embarcamos em noites longas gerou-se um agradável fenómeno de alienação colectiva, sempre expresso em fotografias impublicáveis num blog, mas muito reveladoras da animação de todos. Satisfaz-me quando vejo que o tempo passa por nós, mas, nuns mais do que noutros, parece que vai deixando poucas, ou, nalguns casos, nenhumas, marcas
Domingo foi outra coisa. O pequeno-almoço tardio era um cenário de miséria onde os olhos dos presentes concorriam pelas maiores olheiras e as cabeças ameaçavam estalar como balões de água. Pela minha parte, e após deslocação até casa, permaneci o maior tempo possível na posição horizontal, numa tarde de intenso namoro com o meu sofá. Ele tinha saudades minhas e eu sentia a falta de passar mais tempo com ele. Acabou por ser uma tarde feliz a culminar mais um belíssimo capítulo.

16.9.08

Coisas da província II

O abaixo falado serão provinciano foi também recordado o indecritível Carlos Bastos, esse nome único da música portuguesa que ficará na história pelas suas extraordinárias versões fadistas de grandes clássicos da música. O álbum “All that fado” já me tinha sido dado a ouvir por um amigo e motivou intermináveis gargalhadas numa noite muito bem disposta. Para quem não conhece recomendo vivamente o "Hey Jude " e os seus trinados fadistas e o grandioso “Satisfaction”. Ouçam e digam se isto não é um mimo.


Coisas de província I

Num provinciano serão deste fim-de-semana, um fenómeno de alienação tomou conta da sala e quatro pessoas, insuspeitas de tendências revolucionárias, deram por si a cantar juntos músicas que fariam os seus progenitores terem súbitos e sucessivos ataques convulsivos. O “Zeca”, Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho, José Mário Branco, e uma série de outra comunagem, muitos dos quais, após um irremediável processo de aburguesamento, corarão hoje de vergonha de palavras escritas e cantadas na época. Naquele dia também nós as cantámos divertidos, até ao momento em que reparámos que a janela estava aberta e corríamos riscos inúmeros, entre a criação de um ajuntamento de saudosistas do LUAR, a passagem de amigos que pudessem cortar relações alegando insanidade, ou a estupefacção de jovens menos conhecedores das alarvidades que se cantaram nos tempos que se seguiram a Abril.

11.9.08

Nine eleven

Lembrar ou esquecer. Tentar esquecer para não viver refém do passado, lembrar para manter viva a imagem do que o homem é capaz, do que certos homens são capazes. Escolher com consistência a civilização contra a barbárie exige que a barbárie esteja presente, seja mensurável e nos deixe sem dúvida sobre o caminho a seguir. Pena que haja a palavra “mas”, que turva tanta e tanta gente, cega por ideais e incapaz de destrinçar a civilização da barbárie. Uma civilização pode não ser perfeita, mas é, ainda e sempre, melhor do que a barbárie.

9.9.08

Setembro

O verão dos outros tempos era largo e com muita praia, mas Setembro era o mês do campo, das quintas, das terras e casas de avós. Hoje, com grande pena minha, essa coisa dos três meses de férias mais não é que uma recordação ou um desejo em momentos de delírio. Restam assim os fins-de-semana para uns tempos de província a fazer lembrar as semanas de quinta a acompanhar as vindimas.
Um simpático convite de amigos levou-me até às agrestes terras da raia, onde me encontrei rodeado de granito em dias radiosos a contrariarem meteorologistas pessimistas. Além do convívio por casa e dos passeios pelas ruas íngremes e estreitas de Monsanto, não posso esquecer a noite de festa popular. Tinha saudades de um bom arraial popular, com bandas pimba e rifas, e minis perfeitamente geladas. O som é hoje menos roufenho e arranhado, sinal de que os tempos modernos vão chegado aos confins do país, mas a qualidade musical não defrauda. Entrando necessariamente no espírito, é uma delícia dançar animadamente êxitos de letras que rimam, com insistência, “paixão” com “coração” ou com “traição”, e com um acompanhamento musical em que a palavra instrumento é uma inexistência. Festa popular que se preze tem rifas e foi com grande animação que, guiados pelas senhoras, nos dirigimos à barraquinha. Havia uma certa falta de graça nos prémios, demasiado úteis, tendo sido sentida a falta de quadros com o menino a chorar, candeeiros em vidros fumados castanhos ou soutiens e combinações de colecções dos anos oitenta, mas nada que impedisse as senhoras de insistirem até se tornar difícil o transporte de todos os ganhos. Como o jantar havia sido belíssimo, não houve apetite para provar as bifanas, mas nunca é demais referir as minis, que, de tão perfeitamente geladas que estavam, eram a companhia insubstituível para uma noite tão bem passada.

P.S. Se já me apetecia ver o filme “Aquele querido mês de Agosto”, depois deste fim-de-semana ainda fiquei com mais vontade.

Coisas de verão

A minha praia da Figueira sempre foi a mesma, nos mesmos metros quadrados definidos pelos banheiros de sempre. Uma praia de caras que se conhecem de uma vida e que teimosamente repetem rituais e locais. Sem barulho da cidade, lá longe ao cimo do areal, o burburinho de conversas e crianças fez sempre desta praia, em Agosto, o prolongamento de um café de bairro ou de um clube, em que se torna difícil ler um livro sem recorrer ao iPod, sob interrupções constantes de gentes vetustas que temos de cumprimentar ou amigos ávidos de conversa e que não entendem os benefícios da leitura ou do sossego.
Há poucos anos cedi ao imobilismo que por lá se instala nos banhistas, mal habituados que estão a não precisar do carro para nada, e rumei a uma praia que me tinha sido muito elogiada pela falta de vento em dias de nortada, pela beleza natural, pelo sossego e pelo simpático bar. Gostei e fui repetindo ainda que timidamente, pois o estado de ressaca não é o mais convidativo para pegar numa carro e fazer um estrada de terra com precipício sobre o mar. O vento insistente foi-me ajudando a esta decisão e aos poucos dei por mim este ano a ir mais vezes para aí do que para a minha praia de sempre. Preocupei-me se estaria a perder as minhas raízes e a vender-me a modernices, problema que me afecta muito, até perceber que estava apenas a atingir um novo estado de banhista, o de banhista independente. Ao fim de anos a aceitar a postura de manada imóvel tão típica daquelas bandas, e em alguns casos agradável, consegui por fim seguir um caminho autónomo. Foi o meu ano de libertação banhista.

5.9.08

Foi bonita a festa, pá! - 1

Ver uma família de toureiros na praça – e a restante nas bancadas, por coincidência mesmo ao meu lado - dando o melhor de si no que melhor sabe fazer, perante um público reconhecido, foi de uma beleza difícil de descrever. Há um ano, aquando da alternativa de Manuel Ribeiro Teles Bastos, já assim havia sido. Campo Pequeno cheio, ambiente de festa, arte e emoção na arena. Na retina as presenças em praça do Mestre David, as lides de João Jr., o violino de João, a série de três compridos memoráveis de António, o palmo de Manuel, o final em família com os quatro Ribeiro Telles em praça.

Foi bonita a festa, pá! - 2

Ontem o cartel foi de “não há bilhetes”, perante a revoltante indignação dos poucos, mas barulhentos, manifestantes que se entretinham a insultar quem passava, com a impunidade típica destes grupúsculos. A corrida foi transmitida pela RTP, a TVI vem transmitindo várias corridas e a SIC transmitirá, numa iniciativa inédita, a próxima corrida do Campo Pequeno. Num tempo em que as televisões, particularmente as privadas, só transmitem o que tem audiência, muitas gente deveria começar a questionar se as toiradas são um fenómeno de minoria ou se são outras minorias que querem impor a sua ditadura tentando impedir as touradas.

4.9.08

Aposta do momento

Bomba de gasolina, agência bancária ou multibanco? Para amanhã temos a bomba de gasolina a pagar 2:1, a agência bancária a 4:1 e o multibanco a 3:1.

Coisas de verão

Apesar de querer pensar que ainda estou na “saison” e que as coisas importantes devem ficar para trás – suplantadas por preocupações como a escolha da esplanada para o copo de fim de tarde ou do destino para o fim-de-semana – ler os jornais pode despertar perigosamente as nossas consciências.

Coisas de verão

A última noite, o último copo, o último bolo, o banho de mar madrugador, o último dia de praia, o último banho, o último gelado. As despedidas tinham o seu ritual, os seus rituais. Cada momento era pretexto para evocar a partida, as várias partidas.

2.9.08

Coisas do verão

O início de Setembro já foi para mim de neura e tristeza, nos tempos em que meus pais gostavam da ideia de prolongar a estadia na Figueira para além do mês de Agosto. Passava assim dias de angústia à medida que toda a gente partia, deixando os espaços que habitava cada vez mais vazios, mais tristes com os dias mais curtos, mais frios com o vento mais frequente, mais agrestes com as marés vivas que chegavam. Setembro começava triste, à beira da neurose, nesses tempos em que a solidão não podia ser encarada como algo de bom.

Coisas do verão

O Agosto foi preguiçoso, com muito olhares vazios para o Moleskine, assim como quem olha para uma mulher pouco interessante com falta do necessário desejo para avançar. As folhas ficaram em branco e faltaram os escritos de verão de que tanto gosto. Talvez porque o calor só agora chega, acho que ainda voltarei às palavras nostálgicas que o verão me desperta. Sempre vou prolongando a imaginária sensação de férias e tornando o quotidiano mais leve, escapando assim às coisas sérias que se vão passando por este país e esse mundo fora.

1.9.08

Frase do verão

Foram muito agradáveis as férias de primavera em Agosto.

Diálogos Imaginários

– Charles, foi mesmo boa a sua sugestão para ir no Sábado ao Guincho. Que tarde de praia maravilhosa. Nos raros dias em que não há vento, como é evidente, o Guincho é mesmo das melhores praias do mundo.
– Mas menino, é precisamente por isso que, no verão, consulto sempre os sites de meteorologia para confirmar o estado do vento. Só se pode ir para a praia no Guincho depois de confirmar o tempo.
– Com as minhas distracções, ainda bem que o tenho a si para controlar estas coisas.

29.8.08

Diálogos Imaginários

– Charles, graças ao seu regresso voltámos a ter a despensa ocupada como deve ser e a casa já parece uma casa decente. Até resolvi ficar por cá no fim-de-semana, abdicando de mais uma incursão nas praias do norte.
– Faz bem, menino, até porque parece que não vai fazer vento e o Guincho promete estar agradável.
– Charles, que saudades tinha. Você pensa mesmo em tudo. Claro que aproveitarei para ir amanhã ao Guincho, afinal a raridade de dias sem vento deve ser aproveitada sem reservas.

28.8.08

Diálogos Imaginários

– Charles, enfim voltou. Estava a atingir um desespero quase total com a sua ausência. O regresso de férias é já de si difícil de suportar, mas sem si é uma perfeita tragédia. Quase chorei ao entrar ontem em casa.
– Oh! Menino, também não é caso para tanto, apenas estive fora uma semana.
– Bem sei, mas coincidiu com a chegada de férias e de outro fim-de-semana fora. A vontade abandonou o meu corpo e o simples vislumbre daquela mala abandonada a um canto fez-me sair de casa todos os dias. Esta semana ainda nem por um dia cá jantei.
– Pronto, menino, acalme-se um pouco. Já porei todas as suas roupas em ordem.
– Charles, ficar-lhe-ei eternamente grato. A minha vida sem si seria um calvário longo e doloroso.

26.8.08

Estado do blog

As férias já lá vão mas o corpo parece ainda não acreditar insistindo em pedir mais sol. Sinto-me uma folha à procura de luz para fotossintetizar. Há por agora uma certa necessidade de clorofila por estes lados. Ainda por cima já acabaram os jogos olímpicos.

22.8.08

Coisas do outro mundo II

Como duas medalhas e dois recordes do mundo ainda eram pouco, o “pequeno” Bolt lá se resolveu, com a ajuda de outros três jamaicanos, a recolher a terceira medalha e correspondente recorde mundial. A prova de 4x100m foi mais uma limpeza a parecer fácil, mais um episódio de um domínio incrível da Jamaica, e de Bolt em particular, nas provas mais curtas do atletismo, apenas ensombrado pela desqualificação da estafeta feminina de 4x100m. Bolt parece mesmo de outro mundo e parece que contagia com isso os seus companheiros. As más línguas poderiam intitular estes rapazes de “marijuana boys” e atribuir os seus resultados a substâncias menos legais, eu prefiro acreditar em predestinação e muito trabalho.

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Sevilha, 1933

Nasceu há cem anos Henri Cartier-Bresson, talvez o mais genial descobridor de imagens por este mundo fora.

Magnífico Évora


Foi preciso esperar pelo fim, por uma das últimas participações portuguesas, para chegar um ouro. Nelson Évora falava, antes da prova, como um futuro campeão, como alguém que ia dar tudo o que tinha. Também falava das coisas com a leveza de quem se está a divertir a fazer o que gosta. Posso parecer insistente, mas quem me marca são os campeões sorridentes, aqueles que se vê que fazem o que gostam e se sacrificam em nome desse gosto. Olho para ginastas chinesas e vejo um vazio de alegria e de sentimento, uma não vida dedicada a tentar encarnar numa máquina de resultados. Nelson Évora não é assim, o seu sorriso ontem era de genuíno orgulho num feito histórico, mas também o de um miúdo que tinha acabado uma brincadeira que lhe tinha corrido incrivelmente bem.

21.8.08

Coisas do outro mundo

Usain “Lightning” Bolt.
Dá gosto ver um campeão competir com a boa disposição de quem gosta mesmo do que está a fazer, para além de obviamente querer, e conseguir, ganhar. A sua presença em Pequim está a ser simplesmente gloriosa marcará para sempre a história do desporto. A aparente facilidade com que ganhou os 100 e os 200 metros não é, definitivamente, deste mundo. Acreditasse eu em OVNIS e diria que este rapaz não é por certo de origem terrestre, como acredito em Deus, acho que foi Ele que resolveu enviar Bolt para mostrar até onde pode ir a capacidade do ser humano.

















100m


200m

19.8.08

Hoje

Ainda a recuperar das férias pensei ficar dormir toda a manhã, porque “de manhã está-se bem é na caminha”, depois lembrei-me que o meu chefe me enviaria por certo a uma consulta de psiquiatria e acabei por, a custo, me levantar.

Estado do blog

Jet lag de curtas férias.

8.8.08

Partida

Parto hoje. Quase me apetecia ficar, mas há o anual chamamento das areias que me viram crescer e o ritual inabalável de rumar ao norte das águas frias. A paz lisboeta é agradável, mas as férias são agora necessárias. Não sei se tirarei férias do blog , acho que não, mas tudo dependerá de muita coisa.

Coisas de malas

As bagagens já estão no carro. Que diferença das malas de outrora, com o suficiente para emigrar para um país distante por tempo indeterminado. Uma semana apenas. Difícil seleccionar a roupa, escolher, não a atirar toda para dentro da mala por achar que quase toda “pode dar jeito”. Ainda assim vai a mais e muita regressará sem uso e um pouco mais amarrotada. Confesso que ontem conclui que tenho roupa a mais. Pronto, já disse e não repito. Quando olhei para o guarda-vestidos cheio e a mala já fechada percebi o óbvio. Ainda assim acho que me faz falta mais uma – seria a sétima – camisa branca. Acho que me faz, mesmo, alguma falta.

Coisas dos jogos

Consta que essa coisa dos anéis começa hoje. Angustio-me a pensar nos anteriores jogos de Atenas. Estava lá e hoje estou cá. Lembro o calor sufocante quebrado por copos de “frapee” em animadas esplanadas da Plaka, o memorável pisar da história na Acrópole, o “meltemi” a empurrar ferozmente o barco, o mar transparente, as enseadas, Hydra ao por do sol, a Little Venice de Mykonos em noites quentes. Malditos jogos que começam hoje e com isso me fazem lembrar o Mediterrâneo para onde devia seguir de imediato.

7.8.08

Coisas do verão

Pôr-do-sol glorioso Vinho branco com Lisboa aos pés. Os cacilheiros traçam linhas brancas sobre o azul denso e brilhante do rio debaixo do olhar superior e distante do Cristo-Rei. Lisboa em Agosto é paraíso de vida boa.

6.8.08

Coisas do verão

Há uns anos atrás, estaria agora de armas e bagagens instalado na Figueira. Ancinhos e ciclistas, camisolas quentes para fins de tarde e princípios de noite. Eram frios os dias antigos, em que o verão gostava de lembrar o inverno em piscares de olho por vezes demasiado longos.

Coisas do verão

Permaneço ainda nesta agradável Lisboa de dias de sol intermináveis e ruas civilizadamente povoadas por poucos carros. A paz convida a um trabalho tranquilo e produtivo, mas há hábitos que não queremos perder por serem parte do que somos. Sexta-feira lá irei, sem a parafernália de malas e saquinhos tão características das temporadas estivais de outrora, apenas com o necessário a uma semana de isolamento do mundo em geral. Estarei confinado à aldeia formada pelos quarteirões do Bairro Novo e o areal extenso da praia. Abrirei excepções para umas visitas a uma praia para lá da serra, menos familiar, mais tranquila, com um insuperável pôr-do-sol com Bombay tónico sempre ao som de boa música.

Agradecimento com música

A Bomba Inteligente colocou em destaque este blogue. Agradeço enrubescido perante tamanho reconhecimento, dedicando-lhe esta eterna música estival de Vinicius de Moraes e Toquinho.

Tarde em Itapoã

5.8.08

Sobre o acasalamento II

Missa, choro, comidas, danças e copos. Algumas conclusões a reter e a divulgar: devia ser proibido a mulheres comprometidas apresentarem-se com saias menores que 30 cm, em especial sendo espanholas; as mulheres solteiras deviam ter algo que as distinguisse de modo a obstar a confusões com senhoras respeitavelmente casadas; é possível reencontrar alguém quinze anos e dois filhos depois e averiguar que o tempo afinal não deixa marcas; os vestidos pretos estão fora de moda e as mulheres redescobriram, enfim, as cores.

Sobre o acasalamento I

A responsabilidade de apadrinhar quem tem a coragem de remar contra o facilitismo dos dias de hoje e assumir, perante Deus e os homens, que quer viver em conjunto para o resto da vida, não é tarefa fútil. Pelo menos não o é para quem a encara com uns olhos que persistem em acreditar na instituição do casamento. Até agora não praticante, mas é esse mesmo o motivo, por acreditar demasiado na instituição.

4.8.08

Pobre Fernão

Voltas e saltos na tumba, será o mínimo que Fernão de Magalhães andará a dar com o aproveitamento do seu nome para uma obscena campanha digna das piores ditaduras. Quando o poder começa a manipular de forma tão descarada a informação é o sinal de que nos quer levar a andar no caminho inverso ao da liberdade.

1.8.08

Continuação

Continuo este final de semana a minha longa e intensa “época de caça”, ou de “acasalamento” como lhe chamaria o novel tradutor para português de Wodehouse. Amanhã repete a cena da senhora de branco a entrar na igreja, estando desta vez afastado dos habituais últimos bancos por imperativos do meu papel na cena. Não, não serei a nervosa criatura que esperará no centro pela chegada da mancha branca, mas farei parte das privilegiadas testemunhas com responsabilidades acrescidas por um estatuto muito usado no sul de Itália, em zonas onde as pessoas trajam de negro e uma organização eficaz tudo controla. Junto ao altar, magnífico no meu fraque, controlarei a chegada das meninas à igreja, dentro dos limites da decência, efectuando uma primeira triagem sobre o que de mais interessante se poderá encontrar nas horas seguintes e sobre as mais adequadas companhias para deslizar freneticamente pela pista de dança.

Falta uma semana

Este blog – ou seja, eu – não rumará ao sul. Como sempre que o verão chega e o destino é luso, a direcção é norte. São férias, o que além de implicar a ausência do trabalho implica um certo afastamento de hordas de gente – de magotes de criaturas, de praias onde encontrar local para estender a toalha equivale ao nível 13 ou 14 do Tetris, de estradas atulhadas de carros topo de gama – ou seja a negação do Algarve. Além disso no norte não consta que tenham proibido massagens na praia, independentemente onde elas levem, no que acho ser mais um bom indício de civismo.

O Presidente que se decida.

Enquanto a câmara seguia as costas de Cavaco o caminho dos bastidores de Belém pensei em quão bizarras são as coisas. O Presidente convocou os portugueses para lhes explicar uma intrincada questão político-administrativa, cujo conteúdo terá sido entendido na plenitude por um máximo de 10% da população portuguesa (e até acho que estou a ser simpático). Este é o mesmo presidente que acha que os portugueses não devem referendar o Tratado de Lisboa por este ser muito complexo e de difícil compreensão. Talvez convenha que Cavaco decida se acha que os portugueses são brilhantes conhecedores de direito administrativo, ou se pensa que são irreversivelmente incapazes em direito comunitário, ou, resumindo, se são brilhantes ou uns incapazes analfabetos.

31.7.08

Novas Oportunidades

Pinto de Sousa estará a ponto de se inscrever numa agência de modelos. A avaliar pela omnipresença em actos publicitários, o melhor será mesmo rentabilizar os esforços e encontrar um bom agente.

Ainda haverá esperança?

A oposição da Câmara de Lisboa e o “Zé” chumbaram o mono do Rato. Os vereadores do PSD chegaram mesmo a reconhecer o erro do seu partido ao ter aprovado o projecto nos tempos de Santana. Lisboa livra-se assim de mais uma das múltiplas ameaças do arrogante betão sobre a humilde beleza das suas ruas.
Não sei se a petição já aqui divulgada contribuiu algo para isso. Prefiro achar que deu uma ajudinha e por isso assino hoje todas as petições com as quais concordo, pois acho que nos restam pouco actos de cidadania possível impacto na realidade. Afinal, a maior ameaça a um político é a má publicidade.

30.7.08

Batam no anão

O anão dos saltos altos – sim, aquele que conseguiu casar por insondáveis motivos com a grande Bruni – deslocou-se em missão puramente democrática à Irlanda, para tentar convencer os irlandeses a votar o Tratado de Lisboa até que a resposta seja sim. Merecia ser recebido à antiga irlandesa como se de um inglês se tratasse, à paulada.

Coisas de Alvalade

A bem de que continue a olhar o Sporting como o meu clube por razões que extravasam as mais óbvias irracionalidades – os clubes não se escolhem, são as circunstâncias que nos escolhem a nós – espero que Moutinho fique. Não me preocupa muito se ficará contrariado, se irá aquecer o banco, se nem sequer será convocado, se chorará, o que precisa é de compreender que vão sendo muitos os esforços para fazer do Sporting um clube diferente – para mim melhor – para poderem ficar à mercê da chantagem infame de uma criança talentosa. Neste momento nem pelos 25 milhões, é mesmo por uma questão de dignidade que o menino tem de ficar. Queira ou não queira.

29.7.08

11

Onze dias, é o tempo que resta até chegarem as curtas férias. O sol é mesmo necessário como cura para um pessimismo crónico com crises cada vez mais frequentes, desagradáveis e maçadoras.

28.7.08

Coisas de ontem

Mesmo a feijões, dois a zero sempre são dois a zero.

Palavras d’outros

Um polícia reformado imagina que uma criança inglesa morreu num trágico acidente e que o corpo foi congelado ou conservado no frio pelos pais e amigos. Um político socialista imaginou que era possível combater a corrupção neste sítio cada vez mais mal frequentado, apresentou um pacote de medidas e ficou muito desiludido quando o seu partido o atirou para o lixo e aprovou um conjunto de diplomas que vai deixar tudo como antes, o quartel-general em Abrantes. O mesmo político imagina, agora, que a corrupção está mais elevada do que nunca e fica triste porque ninguém lhe liga nenhuma.
A líder do maior partido da Oposição imagina que é possível chegar ao poder sem andar por aí em festas folclóricas, em espectáculos medíocres e chega ao ponto de dizer que vai tentar falar verdade sobre os problemas do sítio e que não se pronuncia sobre assuntos que não conhece. Um ministro deste Governo socialista imagina-se como director comercial de uma multinacional e salta de contente sempre que assina um contrato com uma empresa qualquer. O mesmo governante imagina um dia que a crise económica, financeira e social já passou e no outro imagina que o que aí vem vai ser bem pior.
Um primeiro-ministro que os indígenas elegeram em 2005 com maioria absoluta imagina que vive num sítio maravilhoso, com uma economia pujante, com um nível de vida extraordinário, com cidadãos altamente qualificados e até imagina que Angola tem um governo fabuloso, digno dos maiores elogios, que a Líbia é dirigida por um ser normal, democrático, que até escreveu em tempos um livro que só por acaso não ganhou o Nobel da Literatura e que a Venezuela tem um presidente civilizado, com os alqueires todos no sítio e que merece ser recebido várias vezes em poucos meses com gestos de grande carinho e amizade.
Um Presidente da República imagina que os seus silêncios são mais importantes do que as suas palavras e imagina que quando discursa alguém o ouve verdadeiramente com atenção. Imagina que quando fala na necessidade de se combater a corrupção ou atacar a sério os problemas da Justiça e da Educação alguém o leva verdadeiramente a sério e vai a correr preparar mais uns diplomas para indígena ver. A alucinação, como se vê, veio para ficar. Está a tornar-se numa pandemia. Em vez de dinheiros da Europa, o sítio precisa urgentemente de uma enorme equipa de psiquiatras que o cure da doença enquanto há tempo e esperança de cura.

25.7.08

O estado das coisas

As coisas estão mesmo muito mal quando alguém cordato, e habitualmente demasiado preguiçoso para se maçar muito, se transforma num empenhado militante. Concordo e lembro-me de há um ano atrás ter aderido às manifs aquando do vergonhoso afastamento de Dalila Rodrigues do MNAA. As coisas ficam perigosas quando os conservadores se começam a manifestar e a mexer, mais ainda quando começam a equacionar formas de luta mais próprias das gentes revolucionárias. Pela minha cabeça já passaram, vezes demais, ideias de manifs e até de terrorismo urbano. Assim vai o mundo, triste como este dia imerso em nuvens cinzentas.

23.7.08

There’s something in the air

Um “je ne sais quai”, “un aire raro”. Pois é, Chavéz vem hoje a Portugal e Soares e Pinto de Sousa devem estar com dificuldades em conter a sua inquietação perante a chegada do amigo. Será que vão falar da libertação de Ingrid Bettancourt e das FARC durante o almoço?

Assim vamos.

Ao Movimento Mérito e Sociedade, constituído recentemente como partido político, foi recusada uma audiência com o Presidente da nossa República com o argumento de não ter representação parlamentar. Curiosa esta opção, ou nem tanto, que mostra como o “sistema” se protege de possíveis mudanças. Com estas capelinhas e protecções torna-se mesmo difícil mudar o que quer que seja neste esclerosado sistema partidário.

Lamento

O “Afinidades Efectivas” acabou. Por estas bandas sentir-se-à a falta dos escritos do Réprobo. Talvez volte. Na dúvida o link ficará aqui ao lado mais algum tempo. Pode ser que se arrependa.

22.7.08

O verão

O sol, o calor e a época de caça têm ajudado à alienação tão necessária nos tempos que correm. Esquecer a infame promulgação do “aborto” ortográfico em nome de uma discussão sobre as virtudes do coro da missa do casamento de Domingo, deixar para o lado as previsões em alta do FMI por troca com dissertações sobre o folhado de caça ou a mesa de queijos, passar por cima da Quinta da Fonte pensando apenas num mergulho de fim de tarde em praias próximas, pensar que o Irão e Israel pertencem a outra galáxia enquanto bebemos gin tónico como se o mundo fosse acabar.
O problema é que ainda temos Maddie, ainda Maddie, e os abraços do Sousa aos amigos Kadhafi, Eduardo dos Santos e Chavéz. Com o mundo assim, nem os mergulhos de fim de tarde, os casamentos, os baptizados e as perspectivas de umas curtas férias chegam para me manter na desejada total ignorância e abstracção.

18.7.08

Coisas do tempo

Nestes dias de canícula torna-se recorrente um pensamento, um delírio ou um sonho: chama-se gin-tónico.

O preto e o branco

Hoje em dia, quando se quer impor uma ideia, a maneira mais fácil é utilizar a técnica do preto e branco. Chamemos à ideia o “branco”, precisamos de definir um oposto, o “preto”, que tenha tantos defeitos que o “branco” pareça a única saída e seja assim aceite. Claro que é necessário empregar uma subtileza para que a técnica resulte: eliminar todas as hipóteses que não sejam pretas ou brancas. Ocultando, mentindo, deformando, desprezando, todos os métodos são válidos, o importante é reduzir as hipóteses ao preto e ao branco, sendo o “preto”, de facto, absolutamente inviável. Assim de repente lembro-me do aeroporto (no final ou era Ota ou Alcochete, o Portela +1 ou a não construção eram impossíveis), TGV (sem a nossa contribuição a rede europeia não faz sentido pois pára em Badajoz), e agora, com muita subtileza, o nuclear, apontado como a “única” alternativa para combater o aumento do petróleo. Energias alternativas, alteração de hábitos, adaptações energéticas, tudo isto é uma óbvia impossibilidade, ou pagamos caro a crise do petróleo ou embarcamos no nuclear. Cá está uma vez mais o preto e branco e o resultado será o habitual, esperemos poucos anos para ter uma centralzinha nuclear para fortuna do senhor Monteiro de Barros e grande felicidade do “mais bem pago Administrador de banco central” Constâncio.

17.7.08

Bicos do prego

O plebeu ressabiado Saramago vai tomar de assalto a aristocrática e hoje decadente Casa dos Bicos para lá estabelecer a sua fundação. O meu lado esteta despreza indignado esta ocupação, não vislumbrando compatibilidade entre o grotesco personagem de Lanzarote e um dos mais belos edifícios renascentistas do país. O meu lado mais cínico descobre com regozijo o fascínio do comunista ortodoxo pelos encantos do vetusto património da nobreza de antanho.

Coisas da vida boa

Isto de viver em Lisboa e poder dar um mergulho na praia após um dia de trabalho, com imediata amnésia sobre as horas mais recentes, é coisa de um luxo tal que a inveja é sentimento mais fácil de despertar nos outros.

Palavras d'outros

“Mesmo que custe admitir, estamos a pagar a factura de alguns anos de entusiasmo e optimismo histórico – os anos 80.
Há épocas assim. Longe da crise petrolífera e dos conflitos armados dos anos 70, a década seguinte foi de foguetório e espalhafato. Da ‘movida’ madrilena à literatura light americana, uma onda de ‘eterna juventude’ passou pelas economias globais (que já existiam) e pela cultura.
Perdeu-se a ética do trabalho e do esforço – e uma geração de ‘gestores’ incultos, de líderes elegantes e de pensadores ‘fracturantes’, confiando no estado demencial da sociedade, começou a tomar decisões que cabiam aos políticos, que baixaram de nível. Essa gente não vê longe, acostumada que está a contratos de curta duração e ao lucro imediato. Está à vista o resultado.”

Francisco José Viegas, no Correio da Manhã.

15.7.08

Nostalgias

Eram três meses. Às vezes longos três meses em que já não sabia o que fazer do tempo que sobrava em fartura desmedida. Trepava paredes em casa, para desespero dos meus pais quando se cruzavam com mais um disparate meu. Começava calmamente em casa, com a minha mãe sempre a dizer que devia aproveitar para arrumar as coisas, arrumar, esse verbo à época maldito e tão indesejável como comer favas. Perante a persistência havia sempre a alternativa de sugerir que devia visitar a minha tia, aproveitando para um lanche à antiga com bolinhos, scones e chá. Resultava sempre, com a grande vantagem de não ser de modo algum um sacrifício, tanto eu gostava da minha tia. E também dos scones. As arrumações lá iam passando pelo tempo, esperando um dia mais mal humorado da minha mãe, felizmente coisa rara, em que os subterfúgios deixavam de funcionar, ou por uma ordem expressa de meu pai, sobre a qual nem me ocorria tentar imaginar o mais remoto subterfúgio.

14.7.08

King of the weekend

Neil Young. Que grande concerto. Usando um trocadilho básico, é caso para dizer que o Neil está mesmo Young. Apesar dos 62 anos. O homem deu um concerto com uma energia fantástica e com uma qualidade musical irrepreensível. Foi o grande concerto do Optimus Alive, o exemplo dado pela geração mais velha aos jovens músicos que por lá andaram. Excelente, memorável. Este mito esteve cá e fez questão de se anunciar com grande estrondo nesta sua passagem arrasadora.

Roísin Murphy

O concerto do Neil Young só me deixou ouvir três músicas deste concerto. Pena, muita pena mesmo, porque o que ouvi foi muito bom e deixou prometido um grande concerto. Problemas destes festivais com concertos simultâneos, a exemplo do que tinha acontecido na 5ª feira com o concerto dos MGMT.

O mito

O concerto de Bob Dylan foi musicalmente belíssimo, mas faltou um “je ne sai quai”, talvez devido à falta de intimismo de um concerto a pedir um espaço mais fechado e contido. Ainda assim mito estava lá, no palco ao piano com chapéu. Dylan, um dos melhores compositores vivos da música popular, um homem que traz em si grande parte do que de mais importante existe na música contemporânea. O Bob esteve ali, mesmo ali à frente, àqueles poucos metros de distância. Não foi alucinação, o Bob esteve mesmo cá, apesar de insistir em passar sóbrio e discreto.

11.7.08

O nome do dia

Dylan. Bob Dylan.

Optimus Alive – Coisas boas

O cartaz excelente. A sonoridade dos Vampire Weekend, que tive o gosto de ouvir por muito pouco tempo graças à (des)organização. O excelente concerto dos The National, trazendo para o palco a grande qualidade da sua música, apesar decorrer ainda sob a luz do sol. Grande música. A surpresa veio dos Gogol Bordello, com um concerto indescritível que fez com que as minhas costas, que já haviam chegado em mau estado, me massacrassem até me conseguir deitar. Frenéticos e com um ritmo alucinante, os Gogol levaram o público ao delírio com a sua música que, sem grande precisão poderia definir como “punk-cigano”. Memorável, fazendo lembrar os concertos antológicos dos Pogues a que não tive oportunidade de assistir.

Optimus Alive – Coisas más

A organização devia ser açoitada durante um tempo razoavelmente prolongado, no mínimo o tempo que me fez esperar para conseguir trocar o bilhete de 3 dias, comprado atempadamente, por uma pulseira que me permitisse entrar. Com isto perdi boa parte do concerto dos Vampire Weekend, o que me deixou num estado de fúria assinalável e que me está a obrigar a ouvir agora o CD em “repeat”. Ainda quanto à organização, é incrível que se chegue ao recinto e se tenha de procurar a localização do palco Metro, que mais não é do que uma tenda, sem indicações que ajudem. Para além de que não há um único local com o alinhamento e as horas dos concertos, supostamente substituído por uns programas a que apenas uma minoria sortuda teve acesso.

10.7.08

Prodigioso ecletismo

Citar, no mesmo dia, D. Duarte de Bragança e Fernanda Câncio.

Palavras d’outros III

Como estas coisas estranhas acontecem, estou na mais plena concordância com este artigo de Fernanda Câncio, que transcrevo na íntegra.

"O sequestro dos senhorios
Pode ser que a chave do mistério esteja na palavra. Afinal, “senhorio” tem uma ressonância nobre, uma sugestão medieval de riqueza e posição. Confirma-o o dicionário, equivalendo-lhe ainda “domínio, posse, autoridade”, além de “propriedade” e “proprietário de casa alugada”. O senhorio é pois um senhor, alguém com posses. Alguém que não merece nem precisa de defesa - um privilegiado. Um explorador, em suma.Assim, à falta de melhor e sobretudo de racionalidade e justiça, se explicam, por uma espécie de psicanálise lexical, as leis e os regulamentos que no País regem os arrendamentos. E se o dicionário também define a palavra como “direito sobre alguma coisa”, é só para certificar que o senhorio tem, por exemplo, o direito de solicitar às autarquias e às finanças que avaliem os estragos que foram infligidos à sua propriedade por dezenas de anos de rendas miseráveis que o impediram de fazer quaisquer obras - impedindo-o agora de actualizar convenientemente o valor das rendas. Mais o “direito” de ser obrigado a aceitar que o inquilino que beneficiou durante décadas da sua assistência social forçada discuta com ele o valor correcto da renda actualizada ou lhe exija obras vultuosas.E tudo isto vem a propósito de quê? Não, não saiu nenhuma lei nova esta semana, nem nas semanas anteriores, nem houve parangonas com qualquer notícia sobre a miséria dos senhorios obrigados pelo Estado a fazer de santa casa dos inquilinos com mais de 65 anos (e aos senhorios com mais de 65 anos, quem fará de santa casa deles?). Nada disso. Apenas soube de um caso prático da extraordinária “nova” lei do arrendamento. Um prédio construído nos anos 60 do século passado; inquilinos que o ocupam desde essa altura; rendas de 40 e 50 euros por apartamentos de 6 assoalhadas que na avaliação da câmara (e que custou mil euros - ao senhorio, claro) mereceram a bitola de “bom”; uma actualização calculada em cerca de 300 euros, que no caso, devido ao facto de os arrendatários terem todos mais de 65 anos, terá de ser progressiva, distribuindo–se por dez anos; protestos de todos os inquilinos. Um deles escreveu aos proprietários uma carta em que, entre outras coisas, exige a colocação de um elevador (mora num 2.º andar e, afiança, ele e a mulher têm dificuldade em subir as escadas).
Quando uma pessoa que paga 50 euros por uma casa onde pagou durante quase 50 anos uma renda ínfima se acha no direito de exigir/sugerir a realização de uma obra que custa pelo menos o equivalente a dez anos de rendas futuras e corresponde a praticamente todo o “bolo” das rendas que pagou desde o início, surge óbvia a conclusão de que, para essa pessoa, o senhorio é um serviçal. Condenado a servi-lo em penitência eterna por ter alguma vez sonhado que um investimento podia ter proveito, que ser proprietário podia ser rentável. O mais grave, porém, é que este delírio não pertence a um excêntrico isolado, mas a uma cultura generalizada e autorizada pela lei. Uma cultura que arruinou os centros das cidades e empobreceu milhares de famílias. Pudessem elas tombar os prédios nas estradas e paralisar o País, outro galo cantaria. Assim, resta-lhes servir a pena - e ter sentido de humor."

Palavras d’outros II

Gostaria de postar partes da entrevista de Medina Carreira à Sic Notícias, fico-me no entanto por aconselhar a sua visualização .
Irão querer fazer passar o homem por louco, a mais fácil das defesas, mas o diagnóstico que faz do país dói de tão frio e verdadeiro. Infelizmente não é loucura, é realidade

Palavras d’outros I

Prometi não escrever sobre política durante uns tempos, o que não quer dizer que não aproveite para mostrar o que outros vão dizendo ou escrevendo.

“É para isso que pagamos impostos. Não é para construir auto-estradas inúteis e estádios de futebol, mas sim para educar e evitar que cheguemos a situações sociais como as que temos hoje."

"Não vejo que se fale de fome na Alemanha ou na Áustria, só aqui é que oiço isso.”

“A dependência alimentar de Portugal do estrangeiro só pode ser limitada com uma revolução completa da política de planificação do território, destinando mais terras à agricultura.”

Estas palavras foram proferidas, ontem, por D. Duarte de Bragança.

9.7.08

Praia

Tardou este ano o verão e com isso perpetuou-se o preto que tinge este blog. O sol brilha e é tempo de surgir a habitual cor de verão, de areia. Lembrando gelados em cones de bolacha à antiga, Nivea ou Bronzaline, jogos de caricas ou de ciclistas.

8.7.08

Triste País

Passam dias e o país continua a ser destruído de forma paulatina e sistemática, perante um generalizado sentimento de indiferença e de manifesta incapacidade para travar os sucessivos desvarios.
O Largo do Rato não é hoje um exemplo de grande qualidade urbana, atravessado que está por um emaranhado de vias, mas ainda apresenta um conjunto arquitectónico de grande valor. Vale mesmo a pena destacar os elementos que se supõe venham a destruídos – o Chafariz do Rato e a Associação Cultural de São Mamede – com a construção em causa. Perante isto o vereador do urbanismo qualifica o edifício, da autoria dos arquitectos Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus, como uma provocação que lhe agrada. Gostaria de dizer o que o senhor arquitecto poderia fazer com a provocação, seria aliás o mesmo que lhe aconselharia a fazer com o hotel da sua autoria postado entre a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos, por certo outra provocação dada a sua volumetria e magnífica integração na envolvente.
Acho que as imagens mostram muito mais do que palavras.

Agora (imagem via "Lesma Morta")


Depois (imagem via "Lesma Morta")

Uma vez mais não está em causa o desenho arquitectónico, mas uma coisa chamada respeito pela envolvente e pelo enquadramento. Na minha escola ensinaram-me isso, pelos vistos na Faculdade de Arquitectura ensinam, em alternativa, técnicas para massajar o ego a arquitectos com pendor narcisista, por certo com problemas de personalidade mal resolvidos em adolescências infelizes.

Para mais informações vale a pena ler os blogs “Lesma Morta” e Cidadania Lx .
Para assinar uma petição contra este projecto vá aqui.

A fogueira das irresponsabilidades

Ardeu um prédio em Lisboa. No centro histórico e nobre da Avenida da Liberdade. Um entre os muitos imóveis abandonados à sua sorte e ao passar do tempo. Propriedade de um fundo de investimento, é bom exemplo para o que se vai passando pela cidade. Apenas esperavam a sua ruína. Assim até é mais barato construir pois não há nada para deitar abaixo.
Uma pornográfica “lei das rendas”, arrastada ao longo dos anos pela cobardia imoral de sucessivos governos, e uma tolerância excessiva para com o abandono dos imóveis trouxe-nos a isto. E infelizmente irá levar-nos a muito mais desgraças, hoje em Lisboa, amanhã no Porto, depois de amanhã em qualquer terrinha de província.

7.7.08

Serviço público

O programa “Nos Passos de Magalhães”, apresentado por Gonçalo Cadilhe e exibido na RTP2, é o perfeito exemplo que ainda se pode fazer serviço público de televisão com qualidade e interesse para o grande público. O documentário, apresentado em vários episódios, gira à volta da vida atribulada de Fernão de Magalhães, um dos grandes portugueses de sempre, ainda que tenha terminado a vida ao serviço do reino de Espanha.
Muito bem filmado, e com uma óptima banda sonora, o programa é guiado pelos comentários de Cadilhe, sempre acompanhado por adequadas intervenções de historiadores. A história não tem de ser chata e pode, e deve, ser contada de forma inteligível e agradável, sendo este programa exemplo disso. Ao juntar o interesse lúdico de um programa de viagens com a pedagogia de uma aula de história, Cadilhe consegue um excelente equilíbrio e um programa de televisão despretensioso, mas com uma qualidade que vai sendo raro encontrar.

4.7.08

Coisas da vida

Este blog anda chato. Eu acho que também ando chato. Não sei se do sol se das angústias mundanas. Uma verdadeira maçada quando nos achamos maçadores. Detectado o mal segue-se a prescrição de uma posologia. Na dúvida sobre o que hei-de fazer lembro-me de um placebo com possíveis bons resultados, deixarei, por uns tempos, de escrever sobre política.

Capas boas

O título, “Português Suave”. A fotografia, a linha de Cascais a preto e branco com uma menina em primeiro plano ao estilo anos trinta. Apetece comprar. Autora, Margarida Rebelo Pinto. O ímpeto controla-se. Já experimentei, há uns tempos, ler um livro desta “besta negra” da crítica literária portuguesa. Sobrevivi incólume à experiência. Se gostei? Nem sim, nem não, antes pelo contrário. Não estimula, mas não incomoda. Se vou comprar? Claro que não, os livros andam caros e ainda não cheguei, apesar de algumas tentações, ao ponto de comprar apenas pela capa.

1.7.08

Temos pena!

No dia em que a França começa a presidência europeia depara-se com as declarações bombásticas do presidente da Polónia. Pena de Sarkozy? Absolutamente nenhuma. Veremos agora se sugere que a Polónia também saia, e depois dela talvez a República Checa que também ameaça não ratificar o tratado, e depois quem mais queira parar esta utopia perfeita chamada Europa. Até ficarem sós, eles, os grandes pensadores iluminados, os donos da verdade absoluta e incorruptível.

Aplausos. (De pé)

A brava Polónia mandou às malvas o estalinismo de Bruxelas e decidiu respeitar os irlandeses e a democracia não assinando o “magnífico” Tratado de Lisboa. Ainda há quem tenha respeito pela democracia, talvez por ter vivas na memória coisas como o nazismo que lhe dizimou o país ou o comunismo que o oprimiu anos sem fim. Este é o país de Karol Woytila e Lech Walesa, esta gente respeita, de facto, a liberdade e não está para voltar a estar sob a alçada de mais uma ditadura, desta vez do estilo burocrático, discreto e sibilino.

Ainda há futebol!

Acabou um a zero. Podia, devia, ter acabado com três ou quatro contra zero. Esta Alemanha devia ter sido despachada como merecia, com vários golos sem resposta. Ganhou o futebol, desporto que tinha passado ao lado dos vencedores dos últimos europeus e mundiais.
A França foi limpa na primeira fase, a Grécia passou tão despercebida que quase nem me lembrava dela, a Itália perdeu às mãos de quem soube usar as suas cínicas armas, a Alemanha foi andando e chegou até à final. Bastou, chegar à final já foi prémio excessivo para aquele bando de destruidores da arte alheia e aproveitadores da eficácia. Daqui lhes deito a língua de fora, a eles e ao seu treinador com pretensões “fashion”, arrumados que foram pela equipa do velhinho de fato de treino.
Ganharam os nossos vizinhos o que traz sempre alguma irritação. Será evidente que seremos gozados por algum tempo, agora com o argumento que ganharam, sim, eles ganharam e nós nunca ganhamos nada. Teremos de nos aguentar e pensar que antes eles que os alemães. Até porque mereceram, jogaram bem, não deixaram dúvidas sobre a superioridade e a taça está bem entregue. Tive muita pena por Portugal. Tive pena pela Rússia. Felizmente não tive de ter pena do futebol, pois ele acabou por ganhar.

27.6.08

Alerta!

Hoje é dia de congresso feminista. Alertem os bombeiros para as queimadas. Os soutiens passaram de moda, ouvi falar de implantes de silicone, sugiro talvez os massajadores faciais, vulgo vibradores, ou cocktails molotov de botox.

Ainda há futebol?

Numa meia-final ganha uma equipa com tantos golos como remates à baliza, depois de um jogo em que se parecia arrastar adormecida e ausente. Ontem, jogava a grande surpresa do europeu, responsável pelos melhores minutos de futebol que vi nos últimos tempos. Do outro lado uma selecção que ganhara nos quartos finais após um jogo de não futebol, em que conseguiu ter a sorte de marcar um penalty a mais. A primeira não esteve lá, provavelmente ausente em passeios imaginários pelas estepes ou pelas ruas aristocráticas de S. Petersburgo. A segunda desenhou uma obra-prima digna de Picasso, Dali ou Goya. Que jogo fez a Espanha!
Ainda vai havendo futebol, mas resta a inquietação de que esse futebol não ganhe no final, dando razão aos anestesiantes treinadores que pretendem mudar, talvez até estatutariamente, o objectivo do futebol, trocando o de “marcar golos” com o de “não sofrer”. Espanha devia ganhar, mas mais importante ainda é que a Alemanha devia perder. E por muitos e vistosos golos, numa humilhação requintada da arte sobre a eficácia, da civilização sobre a força bruta.

Dr. António Sousa Homem

A presença do autor fora garantida na convocatória para a apresentação do livro “Os Males da Existência. Crónicas de um reaccionário minhoto”, anteontem na Livraria “Pó dos Livros”, facto que provocou alguma agitação nos meios cosmopolitas de Lisboa dada a misantropia do Dr. Homem. Eu esperava poder ter o gosto de conhecer o autor e, porque não, encontrar a sobrinha Maria Luísa e talvez, num grande acaso da sorte, chegar às falas com ambos. Malditas coronárias! Foram elas que impediram a presença do Dr. Homem, por recomendação do seu médico de Viana do Castelo. Na sua ausência coube a Francisco José Viegas ler a missiva que enviara e que pode ser lida aqui.
Da apresentação de Maria Filomena Mónica destaco a passagem em que dizia que o Dr. Homem era o tio-avô excêntrico que gostaria de ter tido. Concordo em absoluto, seria aquele tio com quem passaria horas de conversa e longas horas de silêncio afundados nos sofás da biblioteca, por entre pilhas de livros e com um pontual chá a chegar às cinco horas trazido por Dona Eliane.
Apesar da ausência do Dr. Sousa Homem e da sobrinha nesta apresentação, não deixa de ser com algum orgulho que abro a primeira página do meu livro e nela posso ler a dedicatória assinada pelo autor, conseguida por meios que não revelarei. Não o digo com o apreço do valor do objecto dada a sua raridade, mas sim com o gosto da personalização de um livro tão bem escrito e por um tão interessante personagem indiscutivelmente português.

25.6.08

Haja alguém!

Que o urbanismo é um dos maiores e mais alastrados problemas do país, só será surpresa para os mais distraídos, o que não é habitual é ver um ex-político a afirmá-lo com a clareza e conhecimento de causa de Paulo Morais, ex-vereador da Câmara Municipal do Porto.

23.6.08

Ainda há futebol?

Nestes tempos em que se torna coisa rara encontrar futebol digno desse nome – ou seja, futebol em que as equipas queiram ganhar marcando golo e não esperando que o mesmo lhes caia do céu num erro dos adversários – o jogo entre a Rússia e a Holanda foi uma pérola. Afinal ainda há quem jogue ao ataque, com gosto, com inteligência, com estética. Fora a Rússia mais competitiva – o que se calhar até estragava tudo – e concretizadora e teria esmagado a Holanda com uma cabazada histórica, tantas foram as oportunidade de golo.
Ontem vi o Espanha – Itália e a euforia acalmou, assim como a esperança no futebol, pois as duas equipas fizeram o possível, e quase o impossível, para não marcar golos, num jogo muito mais do que chato e a que só faltou que falhassem penáltis sucessivos de modo a obrigar os próprios guarda-redes a marcar. Perdeu a Itália, o que foi um grande felicidade, porque dali não vem qualquer esperança enquanto de Espanha ainda poderemos esperar algum futebol. Agora, esperar mesmo, só espero que a Rússia mantenha o nível e esmague também a selecção espanhola, numa desforra dos 4-1. Sem piedade e com grande arte.

Coisas Estranhas

Ter dado por mim a torcer freneticamente pela selecção da Rússia. Ainda mais quando jogava contra a Holanda. Saltei com golos, praguejei com falhanços e quase acabava no Marquês até me aperceber que não estava em Lisboa.

20.6.08

Ontem

O desespero deve ter sido muito para as bandas da casa de Pinto de Sousa. O país perdeu o ópio e vai, desgraçadamente, ter de ser confrontado com a sua imagem reflectida a um espelho agora desembaciado. Infelizmente ao invés do que se pode augurar para o nosso futuro.

Coisas da Bola I

Sofrer dois golos de bolas paradas, marcados com a facilidade com que se barra manteiga mole numa torrada quente, mostra que o estudo não foi muito lá pelas bandas da selecção. Seria uma maçada para Scolari ter de estudar o jogo dos alemães, até porque o impediria de devorar o curso de inglês do Planeta Agostini e escolher frases da “Arte da Guerra” para passar por baixo das portas dos quartos dos jogadores. Do tempo dos dentes de alho e das bruxas passámos para um estágio bastante mais elevado com a Nossa Senhora de Caravaggio e Sun Tzu. Melhor, muito melhor, mas bom seria aspirar a um futuro de alguma normalidade, não fora um obstáculo chamado Madaíl.

Coisas da Bola II

A memória dos anos que levo sorri sempre que me lembro da selecção quando tinha à sua frente Humberto Coelho. Nunca jogámos tão bem. Nunca as coisas foram tão agradavelmente normais. E boas. O homem está para ir para a Tunísia. Indemnizem os tunisinos com o que poupam em relação ao ordenado de Scolari e façam o Humberto ficar por cá. A bem de todos nós.

Coisas da Bola III

Defender Ricardo tem sido um desporto que pratiquei amiúde. Tudo tem os seus limites e eles ontem foram ultrapassados. O “meu” Sporting que não se lembre de o ir repescar a Sevilha. Deixem o homem a comer tapas e a desesperar os espanhóis e sosseguem Alvalade.

Coisas da Bola IV

“Há sempre alguém que resiste.” Bravo, Deco!

Palavras roubadas

“Houve o rumor de que estava doente e depois a notícia das melhoras, a cura e a entrevista a Rui Ramos. Depois de mais silêncio, a notícia da operação e a ida para casa. De qualquer modo, é muito pouco e não se falar mais de Miguel Esteves Cardoso não prognostica nada de bom para o país. Nada de bom.”
Ao Impensado.

19.6.08

Coisas Boas da Irlanda IV


A fantástica Sharon Shannon e "Mouth of the Tobique"

Provincianismos

Gosto da província e gosto muito de um certo provincianismo. Não suporto o envergonhado provincianismo de urbanos que renegam origens e falam delas com distanciamento, convertidos a uma certa “modernidade”. Ouvir o argumento de que é muito importante para Portugal a ratificação do Tratado de Lisboa, porque o mesmo leva a nossa capital no nome, leva-me ao desespero. Há gente que se disfarça de cosmopolita, mas que nunca se livrará do mau que a província lhe deu, esquecendo as genuínas qualidades que poderia ter aproveitado.

Centralismos

A simples menção de um hipotético Bloco Central escurece este magnífico dia de sol. Ouço aplausos emocionados e veementes dos interesses instalados. Adivinho choros desesperados do povo à custa de quem se terá de sustentar um status quo com o dobro do tamanho.
(À propos das declarações de Marcelo e da moção de Ferreira Leite para o congresso)

18.6.08

Coisas Boas da Irlanda III

“Under bare Ben Bulben's head
In Drumcliff churchyard Yeats is laid.
An ancestor was rector there
Long years ago, a church stands near,
By the road an ancient cross.
No marble, no conventional phrase;
On limestone quarried near the spot
By his command these words are cut:
Cast a cold eye
On life, on death.
Horseman, pass by!

W. B. Yeats
Excerto de "Under Ben Bulben".

Coisas Boas da Irlanda II



The Pogues & The Dubliners
"The Irish Rover"