Neste imaginário país onde quase já falamos finlandês, um banco foi nacionalizado. Não, não é um lapso! Não, não voltámos ao PREC! Apenas a consequência de uma gestão danosa e fraudulenta. Dinheiros sujos, gente imunda e o contribuinte a pagar a recolha do lixo. A bem da coesão nacional o melhor é desde já arquivar qualquer processo de averiguação de responsabilidades, poupando-se assim o povo a achar que as culpas vão recair sobre alguém e poupando gente, como Dias Loureiro, a ser incomodada com minudências. Afinal, já que sabemos de antemão que não serão apurados culpados, o melhor é poupar dinheiro em investigar para depois encobrir.
3.11.08
Coisas do país
Neste imaginário país onde quase já falamos finlandês, graças aos préstimos inestimáveis dos responsáveis pela educação já caminhamos para o “chumbo zero”. Aplauda-se o esforço e empenho em acabar com o flagelo do chumbo, esse mal que nos minava a escola e o saber, aproximando-nos assim ainda mais da Europa moderna e desenvolvida. Bravo a Valter Lemos, esse sério e competente secretário de estado que pode hoje gritar “Yes, we can”, com o particular ênfase de quem fez algo que mais ninguém no mundo conseguiu até hoje: reduzir os chumbos a quase zero em apenas um ano. Bravo!
29.10.08
“Lisboa é das pessoas. Mais contentores não!”
Como a nossa democracia terá de ser cada vez mais exercida pela cidadania que foge do esclerosado quadro partidário, aqui vai mais uma petição a bem do país. Para quem não sabe do que se trata, ficam aqui excertos do texto que acompanha a mesma:
“A ampliação da capacidade do terminal de contentores de Alcântara que o Governo inoportunamente se propõe levar por diante implicará a criação de uma muralha com cerca de 1,5 quilómetros com 12 a 15 metros de altura entre a Cidade de Lisboa e o Rio Tejo.”
“A ampliação da capacidade do terminal de contentores de Alcântara que o Governo inoportunamente se propõe levar por diante implicará a criação de uma muralha com cerca de 1,5 quilómetros com 12 a 15 metros de altura entre a Cidade de Lisboa e o Rio Tejo.”
“A zona de Alcântara estará sujeita a obras durante um período previsto de 6 anos, impossibilitando assim a população de aceder ao rio pelas “Docas”, levando ao fecho de toda a actividade lúdica desta zona, pondo em risco 700 postos de trabalho.”
“Os terminais de contentores existentes nos portos de Portugal no final de 2006 tinham o dobro da capacidade necessária para satisfazer a procura do mercado.”
“A prorrogação da concessão do terminal de contentores de Alcântara até 2042 que o Governo pretende concretizar com o Decreto-Lei n.º 188/2008, de 23 de Setembro, e que prevê a triplicação da sua capacidade afigura-se assim completamente incompreensível, desnecessária, e inaceitável para mais sem concurso público.”
Convém acrescentar, por curiosidade, que a negociata foi feita com uma empresa que é propriedade da Mota-Engil, administrada pelo Sr. Jorge Coelho. São estas “facilidades” que levam a que os ex-políticos sejam caçados com mais rapidez e eficácia pelas empresas do que qualquer “mente brilhante” mesmo que aconselhada por uma empresa de “head-hunters”.
Para mais informações, consulte o sempre atento e já imprescindível blog "Cidadania LX".
Convém acrescentar, por curiosidade, que a negociata foi feita com uma empresa que é propriedade da Mota-Engil, administrada pelo Sr. Jorge Coelho. São estas “facilidades” que levam a que os ex-políticos sejam caçados com mais rapidez e eficácia pelas empresas do que qualquer “mente brilhante” mesmo que aconselhada por uma empresa de “head-hunters”.
Para mais informações, consulte o sempre atento e já imprescindível blog "Cidadania LX".
Escritos d'outros
“Há uma porrada de dias que os jornais falam de Francisco Ribeiro, Clara Costa e Mário Peças, os “bons rapazes” que administravam a falida empresa municipal Gebalis (4,97 milhões de euros de prejuízo em 2006...), e que ao seu serviço se banquetearam pelo mundo fora em restaurantes fantásticos (gosto especialmente do Tragaluz de Barcelona, do Zuma, em Londres, e do clássico Gambrinus aqui de Lisboa...), dormindo nos melhores hotéis, viajando acompanhados e apresentando as facturas que eles próprios caucionavam...
Mas eu gostava de ver as caras deles. Gostava de os ouvir falar. Gostava de os ver sair de casa e ir à pastelaria ali da esquina. Gostava de saber os seus currículos, o que faziam antes e como foram parar à Gebalis – quem os convidou, quem concorreu a concursos ao lado deles, e o que fazem hoje em dia. Se são militantes dos partidos do costume. Se trabalham ainda para o Estado.
Os nomes deles nos jornais não me dizem nada se não vierem acompanhados de uma vida, uma biografia, um percurso. Quero perceber de onde sai esta gente que usa, abusa, esmifra, rouba, e depois desaparece sem deixar rasto. Ninguém mostra a cara deles? Só temos direito a ver os criminosos de vão de escada e os homicidas enlouquecidos pelo ciúme e traição?”
Mas eu gostava de ver as caras deles. Gostava de os ouvir falar. Gostava de os ver sair de casa e ir à pastelaria ali da esquina. Gostava de saber os seus currículos, o que faziam antes e como foram parar à Gebalis – quem os convidou, quem concorreu a concursos ao lado deles, e o que fazem hoje em dia. Se são militantes dos partidos do costume. Se trabalham ainda para o Estado.
Os nomes deles nos jornais não me dizem nada se não vierem acompanhados de uma vida, uma biografia, um percurso. Quero perceber de onde sai esta gente que usa, abusa, esmifra, rouba, e depois desaparece sem deixar rasto. Ninguém mostra a cara deles? Só temos direito a ver os criminosos de vão de escada e os homicidas enlouquecidos pelo ciúme e traição?”
Estado do blog
Ausente. A sobreviver a custo à mudança de hora. Ansiando as férias que se aproximam.
24.10.08
Diálogos Imaginários
– E pronto, Charles, aí vem a neura.
– Mas, porquê, menino?
– Esta nova hora, esta coisa tenebrosa que se aproxima de ficar de noite a horas de tomar chá.
– Pois, este fim-de-semana chega a hora de Inverno.
– Não sei que faça, Charles, é nestas alturas que me apetece emigrar para os trópicos. Esta impertinência de nos condenarem ao escuro da noite deixa-me fora de mim.
– Tenha calma, menino, farei os possíveis para compensar essa descompensação.
– Obrigado, Charles, eu sei que posso contar consigo para superar esta fase difícil.
– Mas, porquê, menino?
– Esta nova hora, esta coisa tenebrosa que se aproxima de ficar de noite a horas de tomar chá.
– Pois, este fim-de-semana chega a hora de Inverno.
– Não sei que faça, Charles, é nestas alturas que me apetece emigrar para os trópicos. Esta impertinência de nos condenarem ao escuro da noite deixa-me fora de mim.
– Tenha calma, menino, farei os possíveis para compensar essa descompensação.
– Obrigado, Charles, eu sei que posso contar consigo para superar esta fase difícil.
23.10.08
Coisas do tempo
Hoje melhorou, mas os meus cigarros de ontem quase me souberam a Skip sabão natural, com a força do vento e da chuva a tentarem transportar-me para dentro de uma máquina de lavar a roupa a céu aberto.
Estado das coisas
Mal vai um país onde se discute a possível candidatura de Santana à Câmara de Lisboa e se silencia o muro de contentores que se apresta a surgir em Alcântara, na primeira grande actuação de Jorge Coelho pela Mota Engil.
21.10.08
Coisas estranhas
Gostei de ouvir a entrevista de Manuela Ferreira Leite. Contra as expectativas parece que a senhora afinal tem ideias para o país. Boas ideias como gerar o desenvolvimento económico a partir das pequenas e médias empresas e não das obras públicas. Falou no fim deste desvairado ciclo de Keynesianismo. A continuar assim, ainda poderá fazer vencer a impossibilidade de olhar para o PSD como algo existente. Terá de nos convencer, de facto, da seriedade destas suas intenções, mas do nevoeiro parece querer sair algum brilho. Há dois dias não acreditaria nesse brilho, agora, admito que já fico à espera. Até porque do outro lado o breu é cada vez mais cerrado e esta coisa das questões meteorológicas sempre afectou os estados de alma.
20.10.08
Coisas de blogs
A preguiça impediu-me de retirar da coluna ao lado o link para o “Afinidades Efectivas”. Ainda bem. Digo ainda bem porque o seu autor o havia terminado mudando-se para outras paragens. Essas paragens foram efémeras e parece alguma intolerância levou à saída precipitada. Talvez agora o bom filho à casa torne.
A preguiça não me impediu de retirar agora o link para essoutro blog. Motivo? A saída dos três mais interessantes bloggers, mas, ainda mais do que isso, a revelação de que o blog se levava demasiado a sério, tão a sério que o levou a impor moderação a alguém cujas opiniões eram sobejamente conhecidas quando foi convidado para o blog. Quando tememos a presença de alguém em nossa casa podemos sempre evitar ter do o por na rua, basta não o convidar a entrar.
A preguiça não me impediu de retirar agora o link para essoutro blog. Motivo? A saída dos três mais interessantes bloggers, mas, ainda mais do que isso, a revelação de que o blog se levava demasiado a sério, tão a sério que o levou a impor moderação a alguém cujas opiniões eram sobejamente conhecidas quando foi convidado para o blog. Quando tememos a presença de alguém em nossa casa podemos sempre evitar ter do o por na rua, basta não o convidar a entrar.
15.10.08
Rafaé
Porque o toureio pode ser perfeito. Porque é arte. Sublimada ao infinito. Rafael de Paula. Quadros e quadros de pintura impossível e imprevisível. Traços largos, elegantes e selvagens.
A música, de Rosana, é grande acompanhamento. Poderia ser melhor com uma Buleria tocada por Paco de Lucia e cantada por Camarón, mas nem sempre temos de ficar pelo óbvio, mesmo quando o óbvio é obviamente genial.
A música, de Rosana, é grande acompanhamento. Poderia ser melhor com uma Buleria tocada por Paco de Lucia e cantada por Camarón, mas nem sempre temos de ficar pelo óbvio, mesmo quando o óbvio é obviamente genial.
Coisas da vida boa
A nova temporada de “Erva”, na RTP2. Aquela mulher está cada vez mais deliciosamente chanfrada e o ex-mayor já fritou definitivamente os miolos.
Coisa do dia
Um amigo costuma dizer que “meia dose, meio homem”, depois do que se passou ontem espero que a mesma não seja transposta para “meio orçamento, meio país”.
10.10.08
Coisas de casamentos
Parece que há um problema à volta dos casamentos, no qual o PS demonstrou uma hipocrisia que devia ser capaz de fazer calar todos os que a este epíteto recorreram aquando da discussão sobre o aborto. Quanto às “gentes fracturantes”, ansiosas que estão por rebentar com uma ideia de sociedade que levou gerações a construir, tudo é motivo para indignação e demonstração da habitual superioridade moral. O problema resolvia-se de modo simples e eficaz, mas esse modo não era suficiente para calar os “fracturantes”, que, no fundo, não querem resolver problemas, mas apenas destruir uma sociedade com a qual não se querem identificar. Bastava dar outro nome à coisa – o que não seria difícil de encontrar pela vasta quantidade de “artistas fracturantes” – e toda a gente ficava satisfeita. A semântica tem muita importância e casamento é casamento, uma instituição destinada a duas pessoas de sexos diferentes. O resto são “bombas fracturantes” com objectivos fáceis de perceber.
Coisas extraordinárias
A vereadora da habitação da Câmara de Lisboa ainda está em funções. Alguém me poderá beliscar para eu acordar para o facto de que estamos em Portugal e não em Angola.
8.10.08
Coisas do país
Venho conseguindo não falar de política. Estou a cumprir com o que me prometi. Acho que é terapêutico não falar deste lodo. Tudo em redor prenuncia o pior. As coisas estão tão más que até a “Múmia de Belém” se atreveu, correndo riscos de rasgar as ligaduras, a falar e a alertar o país para não viver em ilusões. A coisa está tão ruim que até é capaz de fazer mexer as múmias.
Conservadorismos
Ouvi o MEC anteontem na TSF. Sempre que ouço o MEC percebo melhor porque sou conservador e o que de facto quer dizer conservador. Quando o tento explicar nem sempre consigo, quando ouço o MEC tudo parece fácil. O MEC é um dos grandes pensadores deste cinzento Portugal, para além dos poucos escritores que sobreviverá ao tempo e cujo português será estudado por certo daqui a muitos anos.
Coisas das crises
Será possível não ouvir falar da crise do Subprime? Esta coisa persegue-me e parece que o mundo todo gira à volta desta coisa de que todos falam mas que muito poucos realmente percebem. Eu não percebo nem quero perceber. Acho a economia uma ciência oculta ou nível da física quântica, com a agravante de que esta estuda coisas reais e a economia passou a ser, de há uns tempos para cá, uma coisa virtual. Para quem não quer entender o que são mercados de futuros e continua a achar a bolsa uma brincadeira onanista para gentes de adolescência mal resolvida que precisam destas coisas apesar de terem idade para ter juízo, tudo isto é um disparate. Não percebo nada e há muito que não compreendo como é possível o dinheiro continuar em multiplicação quando os investimentos são cada vez mais em inexistências e os sectores produtivos, de facto produtivos, vão sendo abandonados. Por algum motivo alguém como Joe Berardo me merece profundo desprezo pois nada construiu, em absoluto contraste, por exemplo, com Alfredo da Silva. A especulação é um brinquedo de adultos, entretidos neste éter que algum dia se irá evaporar. O problema não é estas gentes se evaporarem, o problema é levarem para o limbo muita gente inocente, apesar de ingénua, que caiu nas malhas dos bancos. Eu, assim como assim, nada devo aos bancos. É certo que não tenho casa própria, mas permito-me ao luxo de me marimbar para a Euribor e para os spreads. Por isso é que já não posso ouvir falar de Subprime de crises.
6.10.08
Coisas da República
Cumpriram-se ontem 99 anos sobre um miserável assassinato apregoado como salvador. Estude-se a história com imparcialidade e verificar-se-à que são muitos os motivos que temos para chorar. Surpreende-me que ainda haja quem insista em comemorar.
P.S. Ainda por cima ver o Sporting perder com o Porto e estar com uma difícil recuperação digestiva do último episódio da época de acasalamento, também é demais para um 5 de Outubro.
P.S. Ainda por cima ver o Sporting perder com o Porto e estar com uma difícil recuperação digestiva do último episódio da época de acasalamento, também é demais para um 5 de Outubro.
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