19.2.09

“Porto Livre”

Segundo a procuradoria, o processo não parou durante os últimos quatro anos.
Segundo a procuradoria, a carta rogatória dos ingleses nada acrescenta ao que já se sabia e nada do que saiu na imprensa revela novos dados sobre o caso.
A procuradoria, até ontem, não tinha interrogado nenhum dos citados no processo e não tinha suspeitos.
A procuradoria interrogou, ontem, Júlio Monteiro e outros intervenientes.
Se não há dados novos e o processo não tinha parado, quer dizer que demoraram quatro anos a passar à fase de interrogatórios prévios?
O que os fez interrogar esta gente e deixar, até ver, de fora o sobrinho de Júlio Monteiro?
Nada disto se percebe, mas já se percebeu que a ideia é que não se perceba nada.

Coisas Boas

A nova Fundação Francisco Manuel dos Santos, criada com o apoio da família Soares dos Santos e dirigida por António Barreto. Esperemos que esta fundação contribua para que passemos a ter “estudos” feitos com independência e competência que possam servir de base a tomadas de decisão mais responsáveis.

18.2.09

Luz

Voltei a reconhecer Lisboa. O brilho desta luz lembrou-me onde estava e desfez a ideia de ter sido transportado para uma qualquer aborrecida cidade do norte da Europa.

Coisas fora de moda

Sensatez.

17.2.09

Treinador de bancada

Os saltos entusiasmados, o segredar conspirativo aos seus vizinhos de lugar, os papéis passados pela sua mão, os sinais para refrear indignação, o constante revolver na cadeira. Daniel Oliveira parecia, ontem no “Prós e Contras” – e ao exemplo de outros debates –, o Jorge Jesus da esquerda fracturante. Sempre gesticulando, sempre dando indicações com veemência, sempre com ar muito agressivo e com aparente vontade de invadir o campo.

Os jogadores

Mister Oliveira tinha, ontem, alguns jogadores com excesso de entusiasmo que, por certo, contrariaram as suas ordens, em particular a jurista Isabel Moreira para quem a vida deverá ser feita de leis – tornando-a por certo uma pessoa bastante aborrecida. O entusiasmo era tal que, numa das suas intermináveis tiradas, acabou por dizer que se a lei do casamento gay não for aprovada estamos perante uma inconstitucionalidade. Que o direito é coisa complexa e subjectiva, já o sabemos, mas parece-me que a postura da senhora era de alguma arrogância quanto à interpretação da constituição, em especial quando contraria com displicência o Professor Jorge Miranda. Não sei mesmo como o Padre Vaz Pinto não lhe retorquiu, em resposta à sua insinuação de que iria presumir das “boas intenções” do senhor padre, que iria presumir da “inteligência” das intervenções da senhora Dra.

Preconceitos

Os defensores do casamento gay acusam quem o contraria de preconceito. Nalguns casos terão, efectivamente, razão. Há homofobia em Portugal e, como é óbvio, ela está do lado do “Não”. O que o debate de ontem também demonstrou, ainda que a isso tentassem inteligentemente fugir, é que do outro lado há um forte preconceito contra a visão da sociedade judaico-cristã. A arrogância moral foi patente, como sempre é nestes debates de “valores”, pois eles acham-se melhores que nós. Preconceito?

Palavras de outros

Mário Crespo continua em excelente forma e de leitura indispensável.

"O Horror do Vazio"
Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.
Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte. No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche. A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado. Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. (artigo completo)

13.2.09

(Novas) Causas Fracturantes - Poligamia

Um homem pode casar com uma mulher. Querem que uma mulher possa casar com outra, assim como dois homens entre eles. Passarei a reclamar o direito à poligamia. Acho que, no caso de ser aprovado o casamento homossexual, estaremos perante um caso de discriminação intolerável para com todos os muçulmanos, marialvas com amantes não assumidas e mulheres de ninfomania descontrolada.

P.S. Leia-se no Mar Salgado a história de Francisco, Rute e Renata.

Pedimos desculpa pela interrupção

No DN de hoje: “Plano Regional de Ordenamento do Território de Lisboa apenas previa para Alcochete um pólo de apoio ao Turismo de muito baixa densidade e uma vocação para a instalação de actividades de investigação ligadas ao estuário do Tejo. Foi aprovado um mês antes da decisão do Freeport.” Leia o resto aqui.
Pronto, já podemos falar da eutanásia, do casamento gay ou da “nova” licença de paternidade.

11.2.09

Súbita boa disposição

Hoje faz sol. O verde de Monsanto brilha em tonalidades escuras sob o céu de tímido azul claro. Abriu-se a luz sem a qual Lisboa é como uma feia espanhola sem a maquilhagem lhe dá salero que a torna bela.

Coisas que se fazem

A SIC resolveu mostrar a vida privada de Salazar numa versão que, ao que parece, transforma o senhor num frenético e empenhado conquistador. Até hoje, muitas particularidades foram apontadas ao Dr. António, agora fazer dele um Santana Lopes “avant la lettre” talvez seja manifestamente excessivo. Comento mas não vi a série, pois o simples facto de Salazar ser interpretado por Diogo Morgado retira qualquer hipótese de perder o meu tempo.

10.2.09

Postais atrasados

Veneza, 7 de Janeiro de 2009

Coisas fora de moda

Decência.

Palavras de outros

“Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos media. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.”
Mário Crespo in “Jornal de Notícias”

9.2.09

L’angoisse

Chuva incessante, vento desagradável, algum frio, bastante trabalho.

Diálogos Imaginários

– Charles, preciso de algo que me tire da angústia deste Inverno intolerável.
– Com certeza, menino. O que acha de umas perdizes recheadas com foie para o jantar, acompanhadas por uma boa colheita de Vale Meão.
– Charles, só a ideia já está a melhorar a minha disposição. Acho que fico em estado de esquecer a ideia de ficar fechado em casa sem comunicar com ninguém. Vou ligar a umas amigas para tomar um chá.
– Menino, não esqueça que chegou a encomenda da Mariáge Fréres. Poderei fazer um Thé de Fête e uns scones.
– Magnífico, Charles, só você para transformar a minha penosa vida em algo imensamente agradável.

Coisas fora de moda

Honestidade.