13.4.09

Ouvir coisas boas

Ando em fase de pop-rock português independente. A ouvir “Os Quais” e os “Pontos Negros”, à espera do primeiro disco de “Os Golpes”.

“Hoje anuncio que me despeço,
À procura de um país de árvores”

Na música “Caído no ringue”, de "Os Quais", sobre um improviso de John Coltrane, declamado por José Tolentino Mendonça.

8.4.09

Páscoa

Este blog irá passar a restante Semana Santa às terras de origem. Procissões antigas e envelhecidas. Cerimónias dolentes. Tempos de recolhimento.

6.4.09

Música boa

Marisa Monte



"Amor I Love You" (Marisa Monte e Carlinhos Brown)

Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu pensar em você
Isso me acalma, me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver

Hoje contei pras paredes
Coisas do meu coração
Passeei no tempo, caminhei nas horas
Mais do que passo a paixão

É um espelho sem razão
Quer amor, fique aqui

Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu gostar de você
Isso me acalma, me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver

Hoje contei pras paredes
Coisas do meu coração
Passeei no tempo, caminhei nas horas
Mais do que passo a paixão

É o espelho sem razão
Quer amor, fique aqui

Meu peito agora dispara
Vivo em constante alegria
É o amor que está aqui

Amor I Love You

Tinha suspirado

Tinha beijado o papel devotamente.

Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades

E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas

Como um corpo ressequido que se estira num banho tépido.

Sentia um acréscimo de estima por si mesma,

E parecia-lhe que entrava enfim

Numa existência superiormente interessante

Onde cada hora tinha o seu encanto diferente

Cada passo conduzia a um êxtase

E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações*

* Trecho do romance "O Primo Basílio", de Eça de Queiroz, recitado por Arnaldo Antunes.

3.4.09

Hexabomba

Para comemorar os seis anos da Bomba Inteligente, aqui fica uma Milonga Sentimental, em versão dos "Otros Aires".

2.4.09

Postais atrasados



Primeiras horas do ano na Praça de São Marcos em Veneza.
Sob a suave neve que caía, testemunho uma cena romântica. À medida que os anos passam eles parecem empedernir o coração e trazem o cinismo perante as manifestações exteriores de amor. Ainda assim algo no fundo de nós resiste e não contém a candura perante a felicidade alheia. Nestes momentos percebemos que não somos ainda um caso perdido no mar infinito da vida celibatária. Sentimos a possibilidade de nos cruzarmos com uma ilha, talvez nova, talvez conhecida, talvez já explorada, uma ilha que nos mostre um porto de abrigo no qual ainda sejamos capazes de aportar.

Palavras de outros

“A doença do crescimento tomou conta da economia há muitos anos mas só agora se lhe reconhece o carácter de catástrofe. A imprensa espanhola fala de uma crise abominável no sector automóvel – parece que se venderam menos 450 mil carros do que no ano anterior e o alarme soou, gravíssimo. Os economistas de serviço (uma espécie de astrólogos de segunda categoria) choram, temendo desemprego e recomendando subsídios para a indústria automóvel. Recomendo ao leitor que imagine um milhão de carros novos vendidos todos os anos em Espanha e veja se não é um exagero. A doutrina do crescimento infinito, grata aos economistas e políticos, é que nos levou à crise, de bolha em bolha, exigindo mais camas ocupadas nos hotéis, mais livros vendidos nos supermercados, mais máquinas de lavar vendidas nas lojas, com menos população, pedindo mais população para poderem ser cobrados mais impostos. A economia, como a deixaram os anos noventa, em crescimento infinito, precisa de mudar. O mundo precisa de viver de outra maneira. Com menos crescimento infinito.”

Francisco José Viegas in “A Origem das Espécies”

31.3.09

País estupendo

Recordo o post sobre a Máfia ao saber que Domingos Névoa foi nomeado – repito, nomeado – para presidir à empresa intermunicipal Braval. Conclui-se que para o presidente da Câmara de Braga, assim como para os outros municípios, o pormenor do senhor ter sido condenado – e não apenas arguido, ou réu – por corrupção em nada interfere as suas capacidade para gerir uma empresa de capitais públicos. Estou a ficar repetitivo, mas a falta de lata está a atingir níveis próximos da demência.

30.3.09

Versões

Gosto muito de versões. Manias minhas. Já por aqui deixei várias versões desta música, mas agora descobri uma mais de que gostei muito.
“Ne me quittes pás”, pela brasileira Maysa, cuja voz sofrida traz ainda mais desespero a esta canção.

Coisas preocupantes

Admitir que as melhores críticas ao governo são feitas por Alberto João Jardim.

Notícias boas

O MEC está na blogosfera.

A Máfia que faz falta

Quando olho pela janela o sol a brilhar sobre Monsanto, ao mesmo tempo que vou olhando as notícias no computador, penso na falta que faz uma Máfia séria em Portugal. Não pretendo com isto dizer que seja preciso mais crime, ou violência, mas sim algo que organize subterraneamente o país e que concretize a inutilidade da política. Neste país que é o meu, insistimos em falar de estabilidade governativa, na importância das maiorias, dos governos que cumpram mandatos. Em Itália, alturas há em que os governos mudam mais depressa que os treinadores de futebol das equipas portuguesas. Terá isto impedido Itália de ser uma potência europeia e um país bem mais civilizado do que nós?
A cada dia que passa nos apercebemos que somos governados por uma pseudo-máfia do bloco central que insiste em manipular o país para proveito dos seus membros dos próprios partidos. Houvesse uma Máfia séria e os partidos seriam irrelevantes e ela actuaria apenas para proveito dos próprios, atirando os partidos para a irrelevância que indiscutivelmente merecem. Nós por cá temos o Avelino a ser absolvido, o Isaltino quase, a Felgueiras também e o Domingos Névoa foi declarado culpado de corrupção e teve de pagar uns excessivos 5000 Euros. O primeiro-ministro tem sobre si uma acusação de corrupção e um conselheiro de estado está envolvido em negócios incríveis.
Venha a Máfia, a séria, privada e discreta. Venha alguém que ajude o país por fora do sistema, porque por dentro já percebemos que vai ser impossível.

23.3.09

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Brancos ainda não intensos, alguns pontuados de amarelo, Verde, muito verde. Os encarnados e roxos esperam por mais sol. Falo dos campos do Alentejo, claro.

A lata

Andamos a aprender com este governo que está na moda ter lata. Não pelos melhores motivos, é certo, mas o descaramento tomou conta do país. O que dantes se fazia com discrição é hoje feito sem pudores. Enganar, mentir, manipular, roubar. Ficámos agora a saber que a moda chegou à arbitragem e foi bem assimilada por Lucílio Rodrigues. O roubo de Sábado entra nos anais do descaramento e mostra que este árbitro está, sem dúvidas, na moda. Sugiro convite para desfile no Portugal Fashion.

20.3.09

Fim-de-semana

Faz parte desta altura do ano ser repetitivo. Ano após ano em que me desloque ao Alentejo no início primavera volto a falar do assunto. Inevitável. Nem vagamente sou imune ao esplendor cromático dos campos, à sua beleza bucólica e vasta. A vastidão é hoje menos impressionante depois de ter estado em terra realmente vastas, longínquas e quase infinitas. Ainda assim é a nossa vastidão, pequena, limitada, humilde e simples. Também muito nossas são as cores, aquelas cores indefiníveis e que choram por não terem tido um Van Gogh que as perpetuasse. A serenidade invade os olhos de quem pode admirar esta natureza que sempre insiste em nos surpreender, seja por formas inauditas que empresta a troncos de sobreiros, seja por um novo pantone de roxos que aplica em herbáceas. O Homem prudente não estragou aqui a oferta que Deus em bom dia lhe deu. Preserva, tira partido e também, como se tal fosse possível, melhora em alinhamentos de choupos junto a linhas de água, escultóricos montes de palha ou singelas casa brancas no cimo de montes.

Coisas difíceis

No espaço de dois dias tive de tentar explicar as declarações de Bento XVI sobre o preservativo e de fazer perceber a alguns católicos modernistas que este papa em quase nada ultrapassa o anterior no que ao reaccionarismo concerne. João Paulo II foi um papa marcante e muito querido, mas entusiasmou mais pela forma do que pelo conteúdo, facto que as pessoas não querem assumir, mas que define, e bem, os tempos imediatos em que vivemos. Bento XVI não me entusiasma, mas também não tem sido um arauto dos tempos medievais como muitos querem fazer crer. Custa-me que, cada vez mais, as diferenças de forma se sobreponham ao conteúdo. Trocar o essencial pelo acessório é característica bem humana, mas tenho para mim que este não é o melhor caminho.

18.3.09

A bem do país

Acho ser esta a altura certa para o primeiro-ministro retirar do governo a Ministra da Educação, uma vez que tem à sua disposição a mais adequada substituta. Com Maria de Lurdes Rodrigues com a popularidade nas ruas da amargura, este devia ser o momento da insigne Margarida Moreira ascender a ministra. Depois das últimas notícias vindas de Barcelos, esta senhora seria a pessoa certa no lugar certo: “Margarida Moreira a Ministra da Educação”.

13.3.09

Estado do sítio

Os plátanos rebentam e o alecrim já tem flor. Cheira a primavera. Os sorrisos voltam a aparecer. Ontem, o fim de tarde teve ar cosmopolita num sofá com vinho branco em esplanada no centro de Lisboa. Assim dá gosto viver e esquecem-se as coisas desagradáveis, o que é bastante agradável. O fim-de-semana traz ideias de boa vida entre praia ou esplanada, deixando a casa sossegada no seu canto, também ela a descansar.

Complexos

Tenho pouca paciência para complexos. Acho que devem ser tratados e pronto. Assim, estou constrangido com a cabal expressão de complexo colonial que o meu país está a mostrar. A transmissão em directo do banquete de recepção à comitiva angolana no Palácio da Ajuda foi, além de saloio, mais um reflexo de algumas más consciências da descolonização. Reconhecer erros pode ser bom, mas querer passar, a todo o custo, de colonizador a humilde colonizado, é um insulto para um país com quase nove séculos de história.