7.6.09
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A grande diferença entre Rangel e Vital é definitivamente a humildade. Bem à vista no discurso de vencedor de Rangel.
Intolerável
Para as nossas televisões parece que em Portugal só há cinco partidos. Ainda não vi um único resultado de pequenos partidos, nulos e brancos.
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Estou muito preocupado com a possível extinção dos sapos ao longo desta noite. Andam a ser engolidos por tanta gente do PS e do PSD que temo que desapareçam com demasiada rapidez.
Ilusionismo
Parece que os espelhos multiplicadores de gente presentes nos comícios do PS afinal eram mais elaborados do que parecia. Fica a dúvida se não eram mesmo imagens virtuais.
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Alguém chamará incompetentes ou manipulados aos institutos que debitaram sondagens absolutamente erradas durante semanas a fio?
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Vital Moreira discursa e parece mais despenteado do que o costume. Além de votos, parece que faltou laca.
4.6.09
2.6.09
Países tristemente diferentes
Uma música dos Xutos volta a não passar na telefonia. Os sorrisos de Moura Guedes são tidos como uma forma de má jornalismo. A palavra “corrupto” é banida de uma entrevista à RTP.
Em Inglaterra, uma investigação do Daily Telegraph levou ao rebentar de um enorme escândalo político. Não ficou presa por acusações de mau jornalismo, se houve pressões, em nada resultaram, e ninguém saiu à rua, com desplante, a gritar por campanhas negras, urdiduras ou cabalas. Ah! E os visados demitiram-se.
Em Inglaterra, uma investigação do Daily Telegraph levou ao rebentar de um enorme escândalo político. Não ficou presa por acusações de mau jornalismo, se houve pressões, em nada resultaram, e ninguém saiu à rua, com desplante, a gritar por campanhas negras, urdiduras ou cabalas. Ah! E os visados demitiram-se.
1.6.09
Coisas que valem a pena – Sobre a República
Vasco Pulido Valente em entrevista ao Correio da Manhã (António Ribeiro Ferreira) e ao Rádio Clube Português (Luís Claro).
ARF - Vamos comemorar os 100 anos da República. No livro que lançou, sobre no período de 1910 a 1917, é muito contundente com a I República. Diz que foi um regime terrorista. Vamos andar um ano a chamar heróis a cidadãos que usaram o terrorismo?
- Criaram essa República e que conseguiram a partir de 1913 governar em partido único. Esse partido governou sempre, excepto numas interrupções provocadas por golpes militares, pronunciamentos militares, em que usaram, para se manter, métodos terroristas. E que viveu sempre em guerra com o País, guerra aberta com o País.
ARF - E porque é que se comemoram os 100 anos?
- Eu sei porque é que se vai comemorar isso. Porque a República teve uma reabilitação póstuma, que foi a reabilitação salazarista. Como os republicanos eram contra o Salazar e havia muita gente que era contra o Salazar começou-se a achar que a República era boa porque era antisalazarista. Porque os republicanos, certos republicanos, eram antisalazaristas e começou a criar-se a lenda de que se a ditadura salazarista era má a ditadura republicana, a que ninguém chamava ditadura, era boa. Hoje em dia passa por ter sido um regime muito meritório que não foi. Ainda por cima, o nome oficial da República era República Democrática Portuguesa. Tinha lá aquela coisa, mas aquele democrático estava ali como estava nos países comunistas.
ARF - Coreia do Norte e outros.
- Quase a Coreia do Norte. Não era tanto.
LC - Na sua opinião não devia haver comemorações?
- Não devia haver comemorações nenhumas. É um episódio triste da história portuguesa e não devia haver comemorações nenhumas. Para todos os efeitos foi uma ditadura. A ditadura não nasceu do vácuo, nasceu da República.
- Criaram essa República e que conseguiram a partir de 1913 governar em partido único. Esse partido governou sempre, excepto numas interrupções provocadas por golpes militares, pronunciamentos militares, em que usaram, para se manter, métodos terroristas. E que viveu sempre em guerra com o País, guerra aberta com o País.
ARF - E porque é que se comemoram os 100 anos?
- Eu sei porque é que se vai comemorar isso. Porque a República teve uma reabilitação póstuma, que foi a reabilitação salazarista. Como os republicanos eram contra o Salazar e havia muita gente que era contra o Salazar começou-se a achar que a República era boa porque era antisalazarista. Porque os republicanos, certos republicanos, eram antisalazaristas e começou a criar-se a lenda de que se a ditadura salazarista era má a ditadura republicana, a que ninguém chamava ditadura, era boa. Hoje em dia passa por ter sido um regime muito meritório que não foi. Ainda por cima, o nome oficial da República era República Democrática Portuguesa. Tinha lá aquela coisa, mas aquele democrático estava ali como estava nos países comunistas.
ARF - Coreia do Norte e outros.
- Quase a Coreia do Norte. Não era tanto.
LC - Na sua opinião não devia haver comemorações?
- Não devia haver comemorações nenhumas. É um episódio triste da história portuguesa e não devia haver comemorações nenhumas. Para todos os efeitos foi uma ditadura. A ditadura não nasceu do vácuo, nasceu da República.
Coisas que valem a pena – Sobre o Portugal de hoje
Vasco Pulido Valente em entrevista ao Correio da Manhã (António Ribeiro Ferreira) e ao Rádio Clube Português (Luís Claro).
LC - Disse que se estivesse no lugar de José Sócrates se demitia, que não teria condições para ocupar o cargo. Acha que José Sócrates não tem condições?
- A premissa está errada. Se eu estivesse, eu nunca estaria no lugar de José Sócrates. Isso é uma coisa de imaginação, chamada de imaginação histórica. Mas contando que é um acto de imaginação histórica eu, de facto, se estivesse no lugar de José Sócrates preferia perder as eleições e ir para casa.
LC - Mas porquê?
- Porque ele esgotou as soluções que tinha e ele esgotou o crédito que tinha, sobretudo. Lembra-se do crédito que tinha há quatro anos? O homem inflexível, o reformador, o intransigente, o homem que não parava, o homem que ia mudar tudo e veja o estado em que está o País agora.
ARF - Exacto.
- Sem a reforma do Estado, com o défice muito pior do que tinha, a Justiça no estado em que está, não fez nada, não reformou nada, há o Magalhães e há o simplex e há assim umas coisas. Eu disse essa frase porque o crédito que ele tinha há quatro anos esgotou-se, ele esgotou-se como político, o crédito que ele tinha há quatro anos já não o tem e já não o torna a ter. Já ninguém vai reagir ao engenheiro José Sócrates como reagiu há quatro anos, com esperança, mesmo na direita. Em todo o PS e em grande parte do PSD e da direita. E isso acabou.
LC - Considera a maioria absoluta essencial para o País? Prevê um período de instabilidade se o PS não tiver maioria absoluta?
- Eu não prevejo, eu suspeito que o PS não vai ter maioria absoluta.
LC - Isso é um problema?
- Pode ser que seja um problema, mas não considero que seja um drama. A gente não pode estar a voltar ao partido único com duas cabeças, bicéfalo, o PSD e PS, para a necessidade que agora se está a querer fazer passar de que é preciso uma maioria. Ou seja, nós só podemos viver com partido único. No fundo, o que nos estão a dizer é que nós só podemos viver com um partido único.
ARF - Só somos viáveis com um partido único.
- Portugal só é viável com um partido único. Eu recuso-me a aceitar isso.
LC - Encontra alguma possibilidade, ou haja que é desejável, de alianças no próximo mandato?
- Eu não sei, não sou político, falta-me muita informação sobre o estado do País. Também falta aos políticos, é verdade que sim, mas eles têm maneiras de as arranjar mais facilmente do que eu. Falta-me informação sobre o estado do País, falta-me informação sobre o estado dos partidos, que eles com certeza têm. E só com essa informação é que eu poderia dizer que certas alianças são ou não possíveis.
LC - No caso do PS, historicamente, a coisa não tem resultado bem.
- Há tantas soluções possíveis. Falta discutir. Deixar de fazer disto um drama e discutir. Vamos ver como é que a gente resolve este problema. Calmamente. Tranquilamente vamos ver como. Ou então a gente diz assim: nós só podemos ser governados por um partido. De quatro em quatro anos temos de arranjar um partido. Uma ditadura de quatro anos se não o País não funciona. Não. Recuso isso.
LC - Disse que se estivesse no lugar de José Sócrates se demitia, que não teria condições para ocupar o cargo. Acha que José Sócrates não tem condições?
- A premissa está errada. Se eu estivesse, eu nunca estaria no lugar de José Sócrates. Isso é uma coisa de imaginação, chamada de imaginação histórica. Mas contando que é um acto de imaginação histórica eu, de facto, se estivesse no lugar de José Sócrates preferia perder as eleições e ir para casa.
LC - Mas porquê?
- Porque ele esgotou as soluções que tinha e ele esgotou o crédito que tinha, sobretudo. Lembra-se do crédito que tinha há quatro anos? O homem inflexível, o reformador, o intransigente, o homem que não parava, o homem que ia mudar tudo e veja o estado em que está o País agora.
ARF - Exacto.
- Sem a reforma do Estado, com o défice muito pior do que tinha, a Justiça no estado em que está, não fez nada, não reformou nada, há o Magalhães e há o simplex e há assim umas coisas. Eu disse essa frase porque o crédito que ele tinha há quatro anos esgotou-se, ele esgotou-se como político, o crédito que ele tinha há quatro anos já não o tem e já não o torna a ter. Já ninguém vai reagir ao engenheiro José Sócrates como reagiu há quatro anos, com esperança, mesmo na direita. Em todo o PS e em grande parte do PSD e da direita. E isso acabou.
LC - Considera a maioria absoluta essencial para o País? Prevê um período de instabilidade se o PS não tiver maioria absoluta?
- Eu não prevejo, eu suspeito que o PS não vai ter maioria absoluta.
LC - Isso é um problema?
- Pode ser que seja um problema, mas não considero que seja um drama. A gente não pode estar a voltar ao partido único com duas cabeças, bicéfalo, o PSD e PS, para a necessidade que agora se está a querer fazer passar de que é preciso uma maioria. Ou seja, nós só podemos viver com partido único. No fundo, o que nos estão a dizer é que nós só podemos viver com um partido único.
ARF - Só somos viáveis com um partido único.
- Portugal só é viável com um partido único. Eu recuso-me a aceitar isso.
LC - Encontra alguma possibilidade, ou haja que é desejável, de alianças no próximo mandato?
- Eu não sei, não sou político, falta-me muita informação sobre o estado do País. Também falta aos políticos, é verdade que sim, mas eles têm maneiras de as arranjar mais facilmente do que eu. Falta-me informação sobre o estado do País, falta-me informação sobre o estado dos partidos, que eles com certeza têm. E só com essa informação é que eu poderia dizer que certas alianças são ou não possíveis.
LC - No caso do PS, historicamente, a coisa não tem resultado bem.
- Há tantas soluções possíveis. Falta discutir. Deixar de fazer disto um drama e discutir. Vamos ver como é que a gente resolve este problema. Calmamente. Tranquilamente vamos ver como. Ou então a gente diz assim: nós só podemos ser governados por um partido. De quatro em quatro anos temos de arranjar um partido. Uma ditadura de quatro anos se não o País não funciona. Não. Recuso isso.
28.5.09
Primavera
Parece que enfim a primavera chegou. Isto levou-me, vá-se lá saber porquê, à música barroca. Ando a ouvir Monteverdi e descobri estas imagens de uma encenação fabulosa do Orfeu, com direcção de Jordi Savall. Logo me lembrei do privilégio que foi assistir a uma versão concerto, também dirigida também por Savall, no Teatro Liceo de Salamanca, quando esta cidade foi Capital Europeia da Cultura e eu tive a imensa sorte de por lá viver. Assisti com um grupo de amigos que me visitavam e que não sabiam bem ao que iam. Alguns adormeceram, outros acharam bonito, mas chato, e outros ainda gostaram bastante. Eu gostei muito, mas depois de ver estas imagens fico com uma boa dose de inveja por não ter assistido a uma versão integral, em particular esta.
25.5.09
Coisas de línguas
Depois do inglês técnico apurado, chegou esta coisa de difícil catalogação. Fico na dúvida se é galego com sotaque mirandês ou alentejano com sotaque catalão. Talvez ainda nos espere um franco-argelino com sotaque de Bordéus, ou um alemão com acento vienense da zona do Prater.
21.5.09
In memoriam – João Bénard da Costa (1935 – 2009)
Voz cavernosa, cigarro acesso, discurso sábio e decidido. Assim me foram apresentados alguns dos grandes clássicos da sétima arte. Prosa rica, profunda, culta e apaixonada. Assim se escreveram na nossa língua as mais belas linhas sobre cinema. O tempo verbal passado infelizmente é agora o adequado.
Partiu o Senhor Cinema, partiu para o outro mundo em que acreditava. A imagem afasta-se de uma vasta paisagem em branco e negro e uma sinfonia de Mahler toca ao fundo. No ecrã aparecem vários amigos a receberem-no de braços abertos: James Stewart, John Ford, Vincent Minelli, Grace Kelly, Ingrid Bergman, Farley Granger, Alfred Hitchcock, e muitos e muitos mais. As cores misturam-se com o preto e branco e nenhuma voz se atreve a dizer “corta”. Será uma cena para a eternidade.
Partiu o Senhor Cinema, partiu para o outro mundo em que acreditava. A imagem afasta-se de uma vasta paisagem em branco e negro e uma sinfonia de Mahler toca ao fundo. No ecrã aparecem vários amigos a receberem-no de braços abertos: James Stewart, John Ford, Vincent Minelli, Grace Kelly, Ingrid Bergman, Farley Granger, Alfred Hitchcock, e muitos e muitos mais. As cores misturam-se com o preto e branco e nenhuma voz se atreve a dizer “corta”. Será uma cena para a eternidade.
14.5.09
Haja decoro
A senhora já tinha tentado explicar, com pouco sucesso, a presença simultânea nas eleições para o parlamento europeu e nas autárquicas no Porto. Tentou, mas acho que só fanáticos do partido podem entender tamanho desrespeito pela democracia e pelos eleitores. Depois, disse que a presença nas listas europeias era apenas “para fazer número”, o que bem mostra o seu respeito pelas instituições. Não contente, veio depois, em acção de campanha, justificar que determinadas obras efectuadas no Porto – consta que umas pinturas nuns bairros – foram feitas com dinheiro do Estado, do PS. Não fora a sério, e dito em público, e poderia ser apenas uma brincadeira, infelizmente foi mesmo a sério.
Esta gente acha mesmo que o Estado é o partido e o partido o Estado, esta mesma gente que diz que precisa da maioria absoluta em nome da estabilidade. Já ouvi chamar muitos nomes a isto, estabilidade não me parece o mais adequado, nem como eufemismo para um assalto ao que é de todos nós, por gente sem escrúpulos e sem a menor noção da coisa pública. O Estado não pode ser uma empresa sujeita a OPA’s por parte do poder político, muito menos feita com este descaramento. A senhora Elisa Ferreira vem demonstrando, sem ajuda de oposições, toda a sua falta de decoro. Os eleitores que pensem bem se é esta a maneira certa de fazer política e se esta triste personagem merece o seu voto. Caso mereça, é bem justo chorar por uma democracia em que o povo se comporta uma criança irresponsável.
Esta gente acha mesmo que o Estado é o partido e o partido o Estado, esta mesma gente que diz que precisa da maioria absoluta em nome da estabilidade. Já ouvi chamar muitos nomes a isto, estabilidade não me parece o mais adequado, nem como eufemismo para um assalto ao que é de todos nós, por gente sem escrúpulos e sem a menor noção da coisa pública. O Estado não pode ser uma empresa sujeita a OPA’s por parte do poder político, muito menos feita com este descaramento. A senhora Elisa Ferreira vem demonstrando, sem ajuda de oposições, toda a sua falta de decoro. Os eleitores que pensem bem se é esta a maneira certa de fazer política e se esta triste personagem merece o seu voto. Caso mereça, é bem justo chorar por uma democracia em que o povo se comporta uma criança irresponsável.
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