17.7.09

A (des)graça da (des)ilusão

A notícia da criação de um Museu Ibérico de Arqueologia e Arte em Abrantes deixou-me com enorme expectativa. Não é todos os dias que um museu é criado, ainda mais na nossa terra e com as interessantes colecções que para este se prevêem: Colecção de Arqueologia da Fundação Estrada e doações das colecções pessoais de Maria Lucília Moita e Charters de Almeida. A expectativa aumentou ao saber que havia sido escolhido o Arquitecto Carrilho da Graça para desenhar o edifício. Fiquei a esperar o melhor. E esperei até desesperar perante a maquete apresentada, na qual pensei que havia alguém com muito sentido de humor a querer fazer um qualquer ensaio académico sobre como não implantar um edifício na malha urbana. Infelizmente tratava-se, de facto, do projecto do novo museu abrantino.

Quando discuto arquitectura e o seu diálogo com as cidades, insisto em dizer que mais do que o traço, o que me importa é a volumetria e o enquadramento. Para a harmonia de uma cidade é muito mais lesivo um grande volume bem desenhado, mas mal enquadrado, do que um pequeno edifício feio, mas bem enquadrado. No fundo é também isto que distingue a arquitectura da escultura. Entre as zonas mais sensíveis a estes enquadramentos estão, obviamente, as linhas de festo ou cumeada, ou, em linguagem mais popular, os cimos dos montes. Abrantes é uma cidade que se desenvolveu a partir do topo da colina e em que o relevo é decisivo na sua definição urbanística. Tomam assim importância acrescida as zonas do Castelo e do Convento de São Domingos, quer pelos edifícios, quer pela privilegiada vista que daí se pode usufruir, quer pelo seu impacto em quase todas as vistas para a cidade. Estes edifícios, sábia e humildemente construídos há muitos anos, souberam adaptar-se ao local, mostrando-se bem, mas com bastante pudor, não se impondo à cidade e à paisagem que encontraram.

Tendo em conta o curriculum do Arquitecto Carrilho da Graça, era isto que esperava, um bom traço de arquitectura, elegante e vistoso, que respeitasse o local para o qual era desenhado. Daí a surpresa ao descobrir um paralelepípedo com uma colossal volumetria, que tanto poderia ter sido desenhado para o deserto do Sahara como para uma megacidade como Tóquio. Seguramente não foi desenhado a pensar neste local, fico até com a dúvida se o senhor arquitecto se dignou a visitar Abrantes para além do dia em que veio assinar o contrato. Acho esta dúvida legítima em respeito ao curriculum do Arquitecto Carrilho da Graça e às obras que já nos deixou, além de uma justificação para o tamanho disparate com que quer brindar Abrantes.

No mundo de hoje, os arquitectos estrelas adquiriram uma força sobre os autarcas sedentos de afirmações de poder, cujos paralelos remontam a regimes antigos e de má memória. Basta a sua assinatura para tudo ser tolerado e aplaudido com uma reverência provinciana, de quem se vê perante a possibilidade de ter na sua cidade um edifício “de autor”, a exemplo de Ghery em Bilbau que criou invejas e desejos de réplicas que ainda mais aguçaram o novo-riquismo. Felizmente ainda há quem consiga por os grandes egos na ordem, caso da Baronesa Thyssen que “obrigou” Siza Vieira a alterar o seu projecto para o Passeio do Prado, evitando assim o abate de árvores centenárias para darem lugar a betão, com a ameaça de retirar o museu do edifício em que se encontra. O problema é que “armas” destas não são fáceis de encontrar para travar os projectos.

A cidadania, ainda imberbe em Portugal, vai no entanto crescendo, sendo reconfortante verificar a justa indignação abrantina na adesão à petição que circula na internet – “Petição por uma decisão democrática sobre o Museu Ibérico de Abrantes”, – e agora também em papel, a favor de um adequado debate sobre este projecto.

Que isto faça pensar quem de direito.


in "Cidadãos por Abrantes"

10.7.09

Coisas Geniais

Com a chancela de Martin Scorsese, existe um novo paraíso na web: o site The Auteurs. Cinemateca online com filmes clássicos e actuais fora do circuito mais comercial e rede social à volta do cinema. Já aderi, apesar de agora o tempo escassear para explorar devidamente. Parece-me uma coisa magnífica.

Vale a pena ler

A entrevista, publicada no jornal i, de Maria João Avillez a Manuel Villaverde Cabral.

9.7.09

Estado do blog

Quase abandonado. Muito trabalho, pouco tempo, falta de paciência. A precisar de férias.

3.7.09

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Ontem os toiros do Campo Pequeno saíram mansos e pouco apresentáveis, contudo parece que foram superados por aquele que surpreendentemente surgiu em São Bento. Sentiu-se por lá a falta dos vinte ou trinta persistentes manifestantes com panelas e buzinas que animam as toiradas em Lisboa, assim como sentiremos a falta do ministro Pinho para animar os nossos dias mais cinzentos e macambúzios.

26.6.09

Tirar palavras da boca

"Quem saiba alguma coisa do que é o país percebe a farsa que é a governação em Portugal."

"Gente que mente a toda a hora."

"Esta gente é um nojo."

Medina Carreira em entrevista a Mário Crespo na SIC Notícias.

Campanhas negras

A urdidura do "Freeport" já chegou ao sexto arguido. Parece que poder de Manuela Moura Guedes foi subestimado e ela consegue mandar na PJ e na Procuradoria. Devem ser super-poderes ocultos.

25.6.09

Petição

Este blog associa-se, uma vez mais, a uma petição. Cada vez mais a cidadania a isso obriga, contra a cegueira de poder de quem nos (des)governa. Desta feita é referente à "minha terra", onde uma interessante ideia de criar um Museu Ibérico de Arqueologia e Arte - com um acervo composto por uma valiosa colecção de arqueologia da Fundação Estrada e por peças doadas das suas colecções pessoais pelos artistas Maria Lucília Moita e Charters de Almeida - é ensombrada pelo edifício projectado para acolher o museu.
Está prevista a construção de um paralelepípedo de trinta metros de altura, cerca de 10 andares, com a assinatura do Arquitecto Carrilho da Graça, que vai causar um impacto irreversível na paisagem da cidade, nomeadamente por se situar no topo de uma colina que domina a cidade, estar inserido no centro histórico e ser implantado dentro da cerca do Convento de S. Domingos, datado do século XVI e classificado como Imóvel Interesse Público.

Maquete do projecto

Simulação do impacto do projecto na cidade

Estas imagens mostram bem a demonstração de poder de um autarca e de ego de um arquitecto.

Por tudo isto este blog assinou a petição e pede aos seus leitores que façam o mesmo.

Delírios

Há histórias de gentes ricas que, ao não gostarem da forma como são tratadas por alguma empresa, optam por a comprar. Novidade é haver um primeiro-ministro que queira, utilizando uma empresa de telecomunicações onde o Estado tem uma golden share, comprar uma grupo de comunicação onde lhe é feita supostamente a maior das oposições. Parece que há quem continue a viver numa redoma e a pensar que o povo é burro e não percebe estas negociatas.
Isto a propósito do delírio da PT querer comprar a Media Capital que é dona da TVI.

Campanhas negras

Há mais um arguido no Caso Freeport. A culpa deve ser de Manuela Moura Guedes.

18.6.09

Confrangedor

Foi uma triste noite. Aquele sentimento de vergonha alheia. Sócrates a tentar a humildade e a serenidade na entrevista à SIC. Embaraçoso. Tudo soou a falso, a encenado, a uma cena estragada por um mau actor. Lembrei-me de Diogo Morgado, dos actores dos “Morangos com Açúcar”, de grande parte dos actores portugueses quando fazem cinema. Erros de casting, erros na profissão, gente deslocada, “Lost in Translation”. Pode-se gostar, ou não, de Sócrates, mas a sua versão genuína é coerente. Eu não gosto, já não suporto mesmo, mas admito que faz sentido, ele é assim.
A sua versão delicodoce e calma foi penosa, mas ainda assim a sua genuinidade estava lá, ao manter o conteúdo apesar de camuflar a forma. Tudo assim foi ainda mais falso, pois ver alguém que quer passar por humilde dizer que está muito satisfeito consigo mesmo e que os únicos erros que se lembra, talvez por problemas de memória, são a falta de verbas para a cultura e uns pequenos erros de explicação de algumas reformas, diz tudo sobre a sua humildade.
O pior estava, ainda assim, reservado para o fim, quando escolheu um golpe baixo para dizer o que o distingue de Manuela Ferreira Leite, referindo duas “boutades” da líder do PSD para escarnecer dela e mostrar a sua genuína agressividade e arrogância. Talvez com isto se engane outra vez na forma, porque o povo português parece não gostar de faltas de respeito e Ferreira Leite é, pelo menos, uma senhora vetusta e que se dá ao respeito. Fico curioso de ver um debate entre os dois e de ver se Sócrates, perante Manuela, voltará a comportar-se como uma menino mimado, arrogante, impertinente e mal-educado. É que estas coisas são intrínsecas e só um grande actor pode conseguir superá-las, coisa que ontem se provou que Sócrates não consegue ser.

17.6.09

Acreditar, ou talvez não

Ver Sócrates em versão humilde é tão credível como se Manuela Ferreira fizesse um peeling, um lifting e um implante mamário, aparecendo de roupa justa e sexy a distribuir frenéticos beijos e a saltar exuberante em comícios, apregoando promessas e mostrando um optimismo ébrio.

16.6.09

Jamais

TGV na gaveta. Pelo menos até ver, o bom senso forçado lá chegou ao governo. Confesso um enorme gozo em ver o ministro Lino das certezas a recuar nas suas decisões inabaláveias e definitivas.

O quereres

Sócrates quer maioria absoluta para governar sozinho.
Eu, cá por mim, quero o primeiro prémio do Euromilhões. E até pode nem ser sozinho.

7.6.09

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Bem organizada esta coisa de já estarem a apresentar sondagens para as Legislativas que ... coisa estranha, dão vitória ao PS, assim como todas as que foram feitas antes destas europeias. Acreditará quem quer, mas a ver na exactidão destas...

Vale a pena pensar nisto

4,65% de votos em branco. Talvez desse para eleger um deputado.

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I de repente tudo mudou.

Copyright de um amigo meu no Facebook.

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Hoje pode ser o princípio do fim.

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Afinal é possível.

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A grande diferença entre Rangel e Vital é definitivamente a humildade. Bem à vista no discurso de vencedor de Rangel.