25.9.09

Coincidências

Sócrates elegeu como tema do congresso do PS a perseguição que era vítima com origem no Jornal da Noite da TVI e no Público. Moniz saiu. Moura Guedes foi corrida. O Público foi descredibilizado por um mail que oportunamente surgiu em 3 jornais. A conclusão óbvia é que tudo isto foi uma campanha negra do PSD, aliás, seguindo a máxima de que o normal culpado é o que do "crime" tira proveito.

16.9.09

In memoriam

A carreira de Patrick Swayze passou por um número gigante de xaropes cinematográficos, de interesse mais do que duvidoso, mas bastaria este filme para a sua morte ser sentida.

A fabulosa música de fundo é a versão de Eva Cassidy para "Fields of Gold".

Esmiuçando

Pergunta desconcertante. Graçola estudada de introdução, mudança de postura e resposta séria, convencional e politicamente correcta. Foi com este guião, bem preparado por assessores, que Sócrates se sentou frente a Ricardo Araújo Pereira (RAP). Bom actor, com a bonomia estudada e sorriso complacente. A espontaneidade foi estando ausente e as graçolas foram oscilando entre o estilo Camilo de Oliveira e o “Euro Nico”.

Pergunta desconcertante. Pausa e resposta espontânea, inteligente e irónica. Manuela Ferreira Leite replicou a RAP na mesma linguagem e sem guião. Prestou-se ao improviso e este saiu bem. Conforme os momentos lembrei-me de Monthy Phyton e de “The Office”.
Tenho para mim que o sentido de humor é uma superior forma de inteligência.

Marialvas Republicanos

Para o pai, Nicole Fontaine “daria uma excelente dona de casa”, para o filho, Ferreira Leite é “a outra senhora”. Pobre Maria Barroso, o melhor é fazer queixa à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

11.9.09

11 de Setembro

Convém não esquecer.

O génio

Depois de partilhar connosco o seu problema com os caroços de cereja e a sua propensão assumida para a batota, Carolina Patrocínio brindou-nos com uma questão porventura mais esotérica, ao revelar que sempre votou PS nas legislativas. Parece normal, mas a para-anormalidade vem do facto de nas últimas legislativas a menina ainda não ter 18 anos. Terá votado numa encarnação anterior ou em urnas da Disney? Será caso para aplaudir a coerência do espelho jovem do timoneiro Sousa e grande exemplo da juventude moderna tão querida deste PS.

Informação via "Complexidade e Contradição".

8.9.09

Coisas que se escrevem

Mário Crespo no Jornal de Notícias, imprescindível como se vem tornando hábito.

"Não se pode dizer que de Espanha nem boa brisa nem boa Prisa, porque o clima para este monumental acto censório é da exclusiva responsabilidade de José Sócrates.

35 anos depois da ditadura, digam lá o que disserem, não volta a haver o Jornal de Sexta da TVI e os seus responsáveis foram afastados à força.

No fim da legislatura, em plena campanha eleitoral, conseguiram acabar com um bloco noticioso que divulgou peças fundamentais do processo Freeport.

Sem o jornalismo da TVI não se tinha sabido do DVD de Charles Smith, nem do papel de "O Gordo" que é (também) primo de José Sócrates e que a Judiciária fotografou a sair de um balcão do BES com uma mala, depois de uma avultada verba ter sido disponibilizada pelos homens de Londres.

Sem a pressão pública criada pela TVI o DVD não teria sido incluído na investigação da Procuradoria-geral da República porque Cândida Almeida, que coordena o processo, "não quer saber" do seu conteúdo e o Procurador-geral "está farto do Freeport até aos olhos".

Com tais responsáveis pela Acção Penal, só resta à sociedade confiar na denúncia pública garantida pela liberdade de expressão que está agora comprometida com o silenciamento da fonte que mais se distinguiu na divulgação de pormenores importantes.

É preciso ter a consciência de que, provavelmente, sem a TVI, não haveria conclusões do caso. Não as houve durante os anos em que simulacros de investigação e delongas judiciais de tacticismo jurídico-formal garantiram prolongada impunidade aos suspeitos.

A carta fora do baralho manipulador foi a TVI, que semanalmente imprimiu um ritmo noticioso seguido por quase toda a comunicação social em Portugal. Argumenta-se agora que o estilo do noticiário era incómodo. O que tem que se ter em conta é que os temas que tratou são críticos para o país e não há maneira suave de os relatar.

O regime que José Sócrates capturou com uma poderosa máquina de relações públicas tentou tudo para silenciar a incómoda fonte de perturbação que semanalmente denunciou a estranha agenda de despachos do seu Ministério do Ambiente, as singularidades do seu curriculum académico e as peculiaridades dos seus invulgares negócios imobiliários.

Fragilizado pelas denúncias, Sócrates levou o tema ao Congresso do seu partido desferindo um despropositado ataque público aos órgãos de comunicação que o investigam, causando, pelos termos e tom usados, forte embaraço a muitos dos seus camaradas.

Os impropérios de Sócrates lançados frente a convidados estrangeiros no Congresso internacionalizaram a imagem do desrespeito que o Chefe do Governo português tem pela liberdade de expressão.

O caso, pela sua mão, passou de nacional a Ibérico. Em pleno período eleitoral, a Ibérica Prisa, ignorante do significado que para este país independente tem a liberdade de expressão, decidiu eliminar o foco de desconforto e transtorno estratégico do candidato socialista.

É indiferente se agiu por conta própria ou se foi sensível às muitas mensagens de vociferado desagrado que Sócrates foi enviando. Não interessa nada que de Espanha não venha nem boa brisa nem boa Prisa porque a criação do clima para este monumental acto censório é da exclusiva responsabilidade do próprio Sócrates.

É indiferente se a censura o favorece ou prejudica. O importante é ter em mente que, quem actua assim, não pode estar à frente de um país livre. Para Angola, Chile ou Líbia está bem. Para Portugal não serve."

4.9.09

Coisas normais

1,2 milhões de espectadores em prime-time é algo que uma empresa comercial deve, obviamente, desprezar em nome da uniformidade da informação à hora de jantar. Faz todo o sentido, especialmente ao falarmos de uma estação de televisão que vem primando por um grande cuidado na qualidade dos seus programas. “Much ado about nothing” tudo o que se vem dito sobre o assunto, evidente maledicência já que tudo isto foi normal. Normal também seria que o primeiro-ministro pusesse uma acção por danos morais à Administração da Media Capital, agora que já sabemos que a ordem de saneamento não veio de Espanha.

3.9.09

Negro dias de tirania neo-salazarista

Confirma-se, a negociata que levou à saída de Moniz teve a conclusão esperada: o Jornal Nacional de sexta-feira da TVI acabou. Remove-se assim uma jornalista incómoda em vésperas de eleições. A inspiração de antigas ditaduras parece cegar este governo, que com todo o desplante recorre despudoradamente a métodos de onde a democracia está ausente. Liberdade é palavra vã e só os ingenuamente crédulos podem acreditar na seriedade de intenções das gentes que nos governam. Moura Guedes era do contra e como tal foi silenciada: bravo Manuela.

6.8.09

Estado do blog

Ausente. Primeiro excesso de trabalho, depois curtos dias de férias, agora uma pausa de dois dias para trabalho, depois virá mais uma semana de férias. O blog que se vá aguentando sem mim, só, triste e abandonado. Como o país.

29.7.09

Estado do blog

Este blog anda abandonado como um cão com donos em férias. O pior é que o dono nem sequer começou as férias, simplesmente anda assoberbado de trabalho e encostou o blog como se encosta um livro que não nos apetece ler no momento. Acho que não conseguirei não voltar aqui, ou talvez mude de direcção, ou talvez. Para já irei vindo e finalmente vou de férias no final desta semana. Talvez nas férias me apeteça mais voltar aqui.

17.7.09

Cidadania contra a barbárie

O blog Cidadãos por Abrantes.

A (des)graça da (des)ilusão

A notícia da criação de um Museu Ibérico de Arqueologia e Arte em Abrantes deixou-me com enorme expectativa. Não é todos os dias que um museu é criado, ainda mais na nossa terra e com as interessantes colecções que para este se prevêem: Colecção de Arqueologia da Fundação Estrada e doações das colecções pessoais de Maria Lucília Moita e Charters de Almeida. A expectativa aumentou ao saber que havia sido escolhido o Arquitecto Carrilho da Graça para desenhar o edifício. Fiquei a esperar o melhor. E esperei até desesperar perante a maquete apresentada, na qual pensei que havia alguém com muito sentido de humor a querer fazer um qualquer ensaio académico sobre como não implantar um edifício na malha urbana. Infelizmente tratava-se, de facto, do projecto do novo museu abrantino.

Quando discuto arquitectura e o seu diálogo com as cidades, insisto em dizer que mais do que o traço, o que me importa é a volumetria e o enquadramento. Para a harmonia de uma cidade é muito mais lesivo um grande volume bem desenhado, mas mal enquadrado, do que um pequeno edifício feio, mas bem enquadrado. No fundo é também isto que distingue a arquitectura da escultura. Entre as zonas mais sensíveis a estes enquadramentos estão, obviamente, as linhas de festo ou cumeada, ou, em linguagem mais popular, os cimos dos montes. Abrantes é uma cidade que se desenvolveu a partir do topo da colina e em que o relevo é decisivo na sua definição urbanística. Tomam assim importância acrescida as zonas do Castelo e do Convento de São Domingos, quer pelos edifícios, quer pela privilegiada vista que daí se pode usufruir, quer pelo seu impacto em quase todas as vistas para a cidade. Estes edifícios, sábia e humildemente construídos há muitos anos, souberam adaptar-se ao local, mostrando-se bem, mas com bastante pudor, não se impondo à cidade e à paisagem que encontraram.

Tendo em conta o curriculum do Arquitecto Carrilho da Graça, era isto que esperava, um bom traço de arquitectura, elegante e vistoso, que respeitasse o local para o qual era desenhado. Daí a surpresa ao descobrir um paralelepípedo com uma colossal volumetria, que tanto poderia ter sido desenhado para o deserto do Sahara como para uma megacidade como Tóquio. Seguramente não foi desenhado a pensar neste local, fico até com a dúvida se o senhor arquitecto se dignou a visitar Abrantes para além do dia em que veio assinar o contrato. Acho esta dúvida legítima em respeito ao curriculum do Arquitecto Carrilho da Graça e às obras que já nos deixou, além de uma justificação para o tamanho disparate com que quer brindar Abrantes.

No mundo de hoje, os arquitectos estrelas adquiriram uma força sobre os autarcas sedentos de afirmações de poder, cujos paralelos remontam a regimes antigos e de má memória. Basta a sua assinatura para tudo ser tolerado e aplaudido com uma reverência provinciana, de quem se vê perante a possibilidade de ter na sua cidade um edifício “de autor”, a exemplo de Ghery em Bilbau que criou invejas e desejos de réplicas que ainda mais aguçaram o novo-riquismo. Felizmente ainda há quem consiga por os grandes egos na ordem, caso da Baronesa Thyssen que “obrigou” Siza Vieira a alterar o seu projecto para o Passeio do Prado, evitando assim o abate de árvores centenárias para darem lugar a betão, com a ameaça de retirar o museu do edifício em que se encontra. O problema é que “armas” destas não são fáceis de encontrar para travar os projectos.

A cidadania, ainda imberbe em Portugal, vai no entanto crescendo, sendo reconfortante verificar a justa indignação abrantina na adesão à petição que circula na internet – “Petição por uma decisão democrática sobre o Museu Ibérico de Abrantes”, – e agora também em papel, a favor de um adequado debate sobre este projecto.

Que isto faça pensar quem de direito.


in "Cidadãos por Abrantes"

10.7.09

Coisas Geniais

Com a chancela de Martin Scorsese, existe um novo paraíso na web: o site The Auteurs. Cinemateca online com filmes clássicos e actuais fora do circuito mais comercial e rede social à volta do cinema. Já aderi, apesar de agora o tempo escassear para explorar devidamente. Parece-me uma coisa magnífica.

Vale a pena ler

A entrevista, publicada no jornal i, de Maria João Avillez a Manuel Villaverde Cabral.

9.7.09

Estado do blog

Quase abandonado. Muito trabalho, pouco tempo, falta de paciência. A precisar de férias.

3.7.09

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Ontem os toiros do Campo Pequeno saíram mansos e pouco apresentáveis, contudo parece que foram superados por aquele que surpreendentemente surgiu em São Bento. Sentiu-se por lá a falta dos vinte ou trinta persistentes manifestantes com panelas e buzinas que animam as toiradas em Lisboa, assim como sentiremos a falta do ministro Pinho para animar os nossos dias mais cinzentos e macambúzios.

26.6.09

Tirar palavras da boca

"Quem saiba alguma coisa do que é o país percebe a farsa que é a governação em Portugal."

"Gente que mente a toda a hora."

"Esta gente é um nojo."

Medina Carreira em entrevista a Mário Crespo na SIC Notícias.

Campanhas negras

A urdidura do "Freeport" já chegou ao sexto arguido. Parece que poder de Manuela Moura Guedes foi subestimado e ela consegue mandar na PJ e na Procuradoria. Devem ser super-poderes ocultos.