23.10.09

Afinal Sócrates tem sentido de humor

Só isso justifica a escolha de Santos Silva para o Ministério da Defesa. Fica agora a divertida dúvida se o ministro vai malhar nos generais ou se os generais vão malhar no ministro. No fundo, um jogo da malha militar com potencial de levar a levantamentos de rancho.

20.10.09

Much ado about nothing

Saramago vem sendo notícia por declarações insultuosas à igreja católica. Nenhuma novidade, pois parece que a criatura vive com uma estranha obsessão religiosa, talvez devido a conflitos internos mal resolvidos. O que continuo a não perceber é a importância que lhe é dada. O senhor lançou um livro novo e precisava de publicidade, vai daí criou uma polémica para que se fale dele. Uma vez mais, nenhuma novidade. O que os católicos ainda não perceberam é que a melhor forma de lidar com gente como Saramago é a indiferença. Ele tem direito às suas opiniões, assim como eu tenho direito em o detestar e me recusar a perder tempo com os seus livros. São insultuosas? É claro que são, mas a melhor arma contra o insulto, à falta de um bom par de estaladas, é mesmo a indiferença. Aliás, fosse Saramago tratado com indiferença de há uns anos para cá, e teria por certo vendido muito menos livros em consequência das barbaridades que já disse. Não discuto a sua qualidade como escritor, pois recuso-me a ler os seus livros, agora dar importância às opiniões de alguém com seu curriculum cívico e político é um desmedido acto de estupidez.

1.10.09

Património Imaterial da Humanidade


Astor Piazzola, "Milonga del Angel"

Património Imaterial da Humanidade


Roberto Goyeneche, "La ultima curda"

Ainda há boas notícias

A UNESCO declarou ontem o Tango como Património Imaterial da Humanidade.

Carlos Gardel, "Cuesta abajo"

Um nojo

Fiquei incrédulo ao ouvir António Costa declarar, no “Esmiuça os sufrágios”, que Santana Lopes queria tirar o Instituto Português de Oncologia para o substituir por um parque de diversões. Dito assim, “tout court”, como se fosse uma troca por troca de alguém que achava a diversão mais importante do que o cancro. Esta não é uma interpretação pessoal, ele disse mesmo isto e com esta intenção clara. A coisa não foi sequer uma gaffe, pois pode ler-se num post do blog da candidatura de António Costa: “Enfim, para quê cuidados de saúde quando podemos ter farturas e algodão-doce?” assinado por um tal Tiago Antunes.

É evidente que ontem Santana explicou e respondeu e o mínimo de decência que pode restar a António Costa, depois deste intolerável insulto, devia-o obrigar a um pedido público de desculpas. Há gente que tem de perceber que a política não é um combate de “vale tudo”, nem de boxe tailandês, há um mínimo de civismo e educação. A canalhice é tal que é por estas e por outras que, contra toda a inteligentzia, Santana ainda vale muitos votos. Costa até pode ser melhor candidato do que Santana, mas a continuar assim é bom que se lembre como é que João Soares perdeu as eleições para a Câmara de Lisboa.

30.9.09

Coincidências

O CDS conseguiu no Domingo quase dez por cento de votos. Na terça-feira são feitas buscas a escritórios de advogados por causa das aquisições submarinos nos tempo de Portas como Ministro da Defesa.

29.9.09

Promete

Os próximos tempos vão ser bem divertidos, a ver pelo discurso de Pedro Silva Pereira. Anda tudo acossado. Para quem sentia a falta de Santana temos agora um manancial de possibilidades de casos na convivência Belém, S.Bento.

Aposta

Não ganhei primeira parte da aposta, que ninguém comigo quis fazer. A múmia falou hoje. Já a segunda parte, completamente certa, declarações baças e inconclusivas como é hábito.

28.9.09

Pastel de Belém

O cavaquismo está em exéquias e não devemos deixar a múmia de Belém terminar o seu mandato com dignidade, apenas porque a não merece. Se a direita quer voltar a ser o poder deve começar por procurar de um candidato presidencial.

P.S. Post baseado numa ideia dada por uma amigo ao telefone, enquanto constatávamos que o senhor que está em Belém nunca nos enganou.

Apostas

Acho que um amigo meu me deve uma garrafa de vinho pela aposta em que o CDS ficaria à frente do Bloco. Ofereço-me já para outra aposta, a de que Cavaco só irá falar depois das autárquicas, dificilmente antes do Natal, e que as suas declarações serão baças e inconclusivas como é hábito.

Fair-play

Sócrates outra vez primeiro-ministro é uma visão do horror, mas já me delicio com o fim do “animal feroz” e com a obrigação de diálogo e de humildade que, estou certo, custará a Sócrates mais do que se tivesse perdido as eleições.

25.9.09

A múmia

As declarações são sempre dúbias, para supostamente ler nas entrelinhas da densidade. As aparições distantes e esfíngicas. Cavaco criou uma aura de suposto Deus grego que do Olimpo contempla o povo. As duas maiorias absolutas a isto levaram. O seu partido, pelo qual foi dez anos primeiro-ministro de Portugal, sempre foi tratado como uma companhia desagradável com que tinha de conviver. O egocentrismo sempre regeu a sua postura política, os seus interesses acima dos do partido, os seus interesses acima dos do país, os seus timmings como algo sagrado a pairar sobre tudo. Por isso sacrificou Fernando Nogueira e o levou a perder umas eleições. Por isso toda a sua inacreditável postura no caso das escutas que muito contribuiu para influenciar o resultado destas eleições. À volta anda tudo muito cauteloso em dizer o óbvio, que Cavaco mostrou uma total falta de postura de Estado ao deixar arrastar o caso das escutas sem uma declaração clara e definitiva.
A muitos poderá surpreender, enleados no nevoeiro que emana de Belém, no denso nevoeiro que esconde o vazio, a falta de coragem e de decisão. Talvez o vento leve este nevoeiro e, no final, se descubra a face ocultada de Cavaco, a face escondida por entre as ligaduras que envolvem a múmia, que insiste em não falar e em enviar enigmas crípticos que mais não são, afinal, que a ausência de algo para dizer ou falta coragem para dizer o que deve.

Coincidências

Sócrates elegeu como tema do congresso do PS a perseguição que era vítima com origem no Jornal da Noite da TVI e no Público. Moniz saiu. Moura Guedes foi corrida. O Público foi descredibilizado por um mail que oportunamente surgiu em 3 jornais. A conclusão óbvia é que tudo isto foi uma campanha negra do PSD, aliás, seguindo a máxima de que o normal culpado é o que do "crime" tira proveito.

16.9.09

In memoriam

A carreira de Patrick Swayze passou por um número gigante de xaropes cinematográficos, de interesse mais do que duvidoso, mas bastaria este filme para a sua morte ser sentida.

A fabulosa música de fundo é a versão de Eva Cassidy para "Fields of Gold".

Esmiuçando

Pergunta desconcertante. Graçola estudada de introdução, mudança de postura e resposta séria, convencional e politicamente correcta. Foi com este guião, bem preparado por assessores, que Sócrates se sentou frente a Ricardo Araújo Pereira (RAP). Bom actor, com a bonomia estudada e sorriso complacente. A espontaneidade foi estando ausente e as graçolas foram oscilando entre o estilo Camilo de Oliveira e o “Euro Nico”.

Pergunta desconcertante. Pausa e resposta espontânea, inteligente e irónica. Manuela Ferreira Leite replicou a RAP na mesma linguagem e sem guião. Prestou-se ao improviso e este saiu bem. Conforme os momentos lembrei-me de Monthy Phyton e de “The Office”.
Tenho para mim que o sentido de humor é uma superior forma de inteligência.

Marialvas Republicanos

Para o pai, Nicole Fontaine “daria uma excelente dona de casa”, para o filho, Ferreira Leite é “a outra senhora”. Pobre Maria Barroso, o melhor é fazer queixa à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

11.9.09

11 de Setembro

Convém não esquecer.

O génio

Depois de partilhar connosco o seu problema com os caroços de cereja e a sua propensão assumida para a batota, Carolina Patrocínio brindou-nos com uma questão porventura mais esotérica, ao revelar que sempre votou PS nas legislativas. Parece normal, mas a para-anormalidade vem do facto de nas últimas legislativas a menina ainda não ter 18 anos. Terá votado numa encarnação anterior ou em urnas da Disney? Será caso para aplaudir a coerência do espelho jovem do timoneiro Sousa e grande exemplo da juventude moderna tão querida deste PS.

Informação via "Complexidade e Contradição".

8.9.09

Coisas que se escrevem

Mário Crespo no Jornal de Notícias, imprescindível como se vem tornando hábito.

"Não se pode dizer que de Espanha nem boa brisa nem boa Prisa, porque o clima para este monumental acto censório é da exclusiva responsabilidade de José Sócrates.

35 anos depois da ditadura, digam lá o que disserem, não volta a haver o Jornal de Sexta da TVI e os seus responsáveis foram afastados à força.

No fim da legislatura, em plena campanha eleitoral, conseguiram acabar com um bloco noticioso que divulgou peças fundamentais do processo Freeport.

Sem o jornalismo da TVI não se tinha sabido do DVD de Charles Smith, nem do papel de "O Gordo" que é (também) primo de José Sócrates e que a Judiciária fotografou a sair de um balcão do BES com uma mala, depois de uma avultada verba ter sido disponibilizada pelos homens de Londres.

Sem a pressão pública criada pela TVI o DVD não teria sido incluído na investigação da Procuradoria-geral da República porque Cândida Almeida, que coordena o processo, "não quer saber" do seu conteúdo e o Procurador-geral "está farto do Freeport até aos olhos".

Com tais responsáveis pela Acção Penal, só resta à sociedade confiar na denúncia pública garantida pela liberdade de expressão que está agora comprometida com o silenciamento da fonte que mais se distinguiu na divulgação de pormenores importantes.

É preciso ter a consciência de que, provavelmente, sem a TVI, não haveria conclusões do caso. Não as houve durante os anos em que simulacros de investigação e delongas judiciais de tacticismo jurídico-formal garantiram prolongada impunidade aos suspeitos.

A carta fora do baralho manipulador foi a TVI, que semanalmente imprimiu um ritmo noticioso seguido por quase toda a comunicação social em Portugal. Argumenta-se agora que o estilo do noticiário era incómodo. O que tem que se ter em conta é que os temas que tratou são críticos para o país e não há maneira suave de os relatar.

O regime que José Sócrates capturou com uma poderosa máquina de relações públicas tentou tudo para silenciar a incómoda fonte de perturbação que semanalmente denunciou a estranha agenda de despachos do seu Ministério do Ambiente, as singularidades do seu curriculum académico e as peculiaridades dos seus invulgares negócios imobiliários.

Fragilizado pelas denúncias, Sócrates levou o tema ao Congresso do seu partido desferindo um despropositado ataque público aos órgãos de comunicação que o investigam, causando, pelos termos e tom usados, forte embaraço a muitos dos seus camaradas.

Os impropérios de Sócrates lançados frente a convidados estrangeiros no Congresso internacionalizaram a imagem do desrespeito que o Chefe do Governo português tem pela liberdade de expressão.

O caso, pela sua mão, passou de nacional a Ibérico. Em pleno período eleitoral, a Ibérica Prisa, ignorante do significado que para este país independente tem a liberdade de expressão, decidiu eliminar o foco de desconforto e transtorno estratégico do candidato socialista.

É indiferente se agiu por conta própria ou se foi sensível às muitas mensagens de vociferado desagrado que Sócrates foi enviando. Não interessa nada que de Espanha não venha nem boa brisa nem boa Prisa porque a criação do clima para este monumental acto censório é da exclusiva responsabilidade do próprio Sócrates.

É indiferente se a censura o favorece ou prejudica. O importante é ter em mente que, quem actua assim, não pode estar à frente de um país livre. Para Angola, Chile ou Líbia está bem. Para Portugal não serve."