4.10.06

Será um sinal?

Paulo Portas voltou à gravata, ontem, no “Estado da Arte”.
Irá também voltar à política activa?

Serviço Público

“Portugal de…”, conduzido por Rui Ramos, com Maria Filomena Mónica. Seguirá com outros ilustres portugueses ás terças à noite na RTP1.

Esperança

O novo Plano de Revitalização da Baixa-Chiado, coordenado por Maria José Nogueira Pinto, foi apresentado, na passada segunda-feira, pela Câmara Municipal de Lisboa.
Ao passar os olhos pelo plano fica a esperança de poder ver, finalmente, o Terreiro do Paço sem carros e com a dignidade que merece. Fica a esperança de ver gente a viver na Baixa e de que a mesma deixe de ser, à noite, um deserto de marginalidade. Fica a esperança de que a urbanidade do Chiado e a genuinidade de Alfama e do Castelo desçam as colinas e se encontrem na abandonada Baixa. Fica a esperança de que, pelo menos numa parte, Lisboa recupere dos consecutivos anos de degradação e se torne numa cidade mais civilizada.
Concebido por uma equipa credível (Manuel Salgado, Elísio Summavielle ou Raquel Henriques da Silva, entre outros), podemos ter esperança na qualidade da proposta. Haja esperança que o poder político avance, de facto, com o projecto.

2.10.06

.

Quem um dia disse que o saber não ocupa lugar nunca terá tido de arrumar uma casa a olhar horrorizado para pilhas de livros e discos.

22.9.06

Impensável

Acho que um Hooper é um presente adequado para comemorar os três anos de companhia assídua do Impensável. Muitos parabéns.


Edward Hooper, “A Woman in the Sun”, 1961

Estado do Sítio

Por entre o pó atrás dos armários e as altas e desequilibradas pilhas de livros retiradas das estantes. Armários contra armários, em duelos renhidos pelo escasso espaço. O assumir da acumulação como uma doença de devastadoras consequências. A sala em versão armazém, cheia de coisas conhecidas, mas também muitas esquecidas. A tranquilidade que nos obrigamos como condição para evitar o mergulho janela abaixo. A poesia das mudanças por causa de pequenas obras em casa.

19.9.06

O mundo está perigoso

O fundamentalismo islâmico parece querer-nos cercar de todas as formas: primeiro são as bombas que nos ameaçam a vida a qualquer momento e em qualquer parte do mundo, agora é a vitimização que nos ameaça a liberdade de expressão.
Tornar o choque civilizacional em que nos encontramos numa guerra santa é de um perigo imenso, mas ceder, sem reservas, a um ambiente de constante pressão sobre os valores mais essenciais em que assenta a nossa civilização não será a melhor solução. O medo é, e sempre será, uma demonstração de fraqueza, não só física, mas também de ideais, de convicções e de valores. No momento em que mostremos medo e reverência, em que condicionemos o nosso dia-a-dia e a nossa vida a factores externos, estaremos a mostrar ao mundo que a força, o terror e as ameaças podem vencer, que nos podem vencer. Nesse momento a sociedade pela qual os nossos antepassados lutaram estará a caminho do fim e o que se seguirá é um mistério que prefiro não tentar desvendar.

Será desta?

A presença da Ministra da Educação no “Prós e Contras” de ontem serviu para que, pela primeira vez em muitos anos, passasse a ideia de que esta pasta foi entregue a alguém minimamente sensato e cujo objectivo é melhorar de facto o ensino. Não vou dizer que a Ministra é o máximo, até porque não tenho conhecimento suficiente para o fazer, mas que me pareceu que o seu discurso foi dominado pelo bom senso, isso sim. Como a sensatez é algo que escasseia neste país fiquei satisfeito, talvez seja pouco, talvez não chegue, mas seguramente é um bom caminho. Além disso, é prova da mais elementar sensatez que a Ministra esteja em colisão com os sindicatos de professores, entidades que parecem zelar mais por manter um estado contínuo de PREC do que pelos professores e pelo ensino em Portugal.

18.9.06

Desporto

O futebol em Portugal promete tratar-se de um caso de polícia. Fosse este um país (realmente) civilizado e tudo passaria das escutas desvendadas nos jornais, das claras acusações do presidente de um clube e dos golos de andebol marcados impunemente. Como estamos em Portugal, e já quase nos esquecemos do interminável caso da Casa Pia, tudo acabará em ”águas de bom bacalhau”, com o Major a ser condecorado pelo Estado com uma qualquer ordem de mérito. No campo, onde se devia jogar o futebol segundo as regras e onde alguns ingénuos jogadores persistem em correr atrás da bola, tudo deixa de fazer sentido, tão clara é a batota que envolve tudo isto.

Agradecimento

Ao André Azevedo Alves, de “O Insurgente”, pela simpática referência que fez disparar o Sitemeter.

12.9.06

Pena

A parte final que vi do “Prós e Contras” de ontem chegou. Chegou para lamentar a progressiva senilidade que infelizmente tomou conta do outrora lúcido Dr. Mário Soares. Enfim, a vida prega destas partidas e uma altura há em todos começamos a perder faculdades. Pena é que, apesar disso, se apareça na televisão de forma voluntária e se esteja, com penoso esforço, a debitar inanidades e vulgaridades ao longo de mais de duas horas.

11.9.06

Músicas

Novos sons aqui ao lado. Na Grafonola toca “Lamento no Morro”, da dupla Jobim-Vinicius, interpretado por Vinicius de Moraes, Toquinho e Maria Creuza, ao vivo em “La Fusa”. No Gira-Discos passa “La Soledad”, dos Pink Martini, com um curioso início ao som de Chopin.

Serviço Público

A série de documentários alusivos ao 11 de Setembro na RTP.

Cinco anos depois

Para lembrar, sempre, sem mas.

6.9.06

.


O calor que queima faz-me querer voltar ao meu chapéu-de-sol de riscas azuis e brancas, à areia grossa e ao mar infelizmente calmo. Ás tardes divididas entre imersões marítimas, conversas paisagem, jogos de cartas ou o simples esparramar ao sol.
Com o calor não se consegue pensar, por isso a indolência é a melhor opção, aquela que apetece fazer agora, mas não aqui. Preciso das minhas noites longas com brisa vinda da serra e dos dias no meu chapéu-de-sol azul e branco.
A importância do chapéu-de-sol não é despicienda, para além de parte essencial ao processo de suportar os excessos de temperatura, é essencial na definição estética da “minha” praia, que sem as riscas de várias cores seria mais uma impessoal praia, como tantas outras. Por isso apetecia lá estar.

5.9.06

O Independente

Acabou “O Independente”. Aliás, acabou fisicamente, pois há anos que se arrastava penosamente encostado a um nome. “O Independente”, pelo menos o “meu” Indy, acabou após a saída de Miguel Esteves Cardoso de director. A segunda saída, após ser chamado para tentar inverter a decadência em que o jornal já se encontrava. Ainda assim faz pena, ou como dizia o MEC na última edição, está mal.
A minha geração cresceu com “O Independente” e irremediavelmente dividia-se entre os que o adoravam e os que o detestavam. Ninguém podia ficar indiferente a uma postura nunca antes vista em Portugal, a uma visão conservadora da sociedade que apresentava uma linguagem e um estilo mais revolucionários do que se podia imaginar em sonhos. As grandes campanhas do Bloco, muito cuidadas na imagem e linguagem, são brincadeiras de meninos ao lado do Caderno 3 dos bons tempos.
Os frutos do Indy estão aí, nos blogues e nos jornais, nas revistas e nos livros. Uma nova geração que perdeu o pudor – quer na escrita, quer nas ideias. Ser de direita deixou de ser um estigma a esconder dentro de um armário bem fechado. Escrever de forma desprendida e legível deixou de ser um crime lesa pátria.
A geração Indy mostrou-se, mas talvez pelo demasiado desprendimento e independência passa ainda ao lado da política activa, dos partidos. O anti-cinzentismo ainda não vingou e os órgãos de poder continuam iguais ao que eram em tempos de cavaquismo. Talvez seja melhor assim, talvez seja melhor poder lê-los do que ter de os ver a discursar no parlamento. Fica ainda assim uma réstia de pena, de pena que o país não tenha assimilado mais o que foi o Indy, que não seja mais Indy.

Blogosfera

Os parabéns – atrasados, é claro – por um ano de “Origem das Espécies”.
O agradecimento ao “Sempre a Produzir” pelo link para este estabelecimento.

1.9.06

Diálogos Imaginários

– Charles, estou a cozer e apetece-me ainda menos que o habitual desmanchar malas.
– Não se preocupe menino, para isso é que eu estou aqui.

Agosto


E pronto, com a tradicional ida à Havanesa no fim do mês acabou a saison.