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12.6.08

Crisis? What crisis? – I

Depois de ceder aos pescadores o governo deixou de ter margem de manobra para não negociar com os camionistas. Podia, caso fosse realmente competente, ter negociado mais cedo e poupado aos portugueses o racionamento dos combustíveis ou a ausência de saladas ou frutas. Bolas, afinal estamos no verão e na época das dietas e aposto que os portugueses, em particular as mulheres, não lhe vão perdoar tão cedo a transgressão alimentar a que foram obrigados.

Crisis? What crisis? – II

O protesto é obviamente intolerável, o grave, e preocupante, é que ele seja compreensível.

Crisis? What crisis? – III

Gostei de ouvir falar Rui Moreira, ontem na RTPN, sobre a crise dos combustíveis. Apetecia aplaudir que alguém estava a dizer de forma tão clara algo de evidente: os nossos governos, e não só o actual, apenas governam para grandes empresas (ou agricultores, ou industriais, ou banqueiros, basta acrescentar qualquer actividade). Num país com uma economia muito baseada nas PME’s, não deixa de ser curioso, se não fosse perigoso. Os anos passam e a pequena economia é tratada como algo distante e em vias de extinção, como se a economia de um país – em especial do nosso – pudesse sobreviver apenas com grandes empresas.

Crisis? What crisis? – IV

Quando se diz que na Europa de hoje não há ideias a discutir estamos a tomar atitude da avestruz e a ignorar a realidade. O delírio é mais evidente quando vimos Pinto de Sousa a comparar-nos com a Finlândia ao mesmo tempo que assistimos à “Liga dos Últimos” na RTP. Portugal é cada vez mais um país dividido ao meio, em que o litoral se apresenta com toques cosmopolitas e o interior é cada vez mais um museu antropológico. A culpa é de quem governa porque assumiu, sem a frontalidade de o dizer, que o interior é para abandonar, a agricultura para acabar e o território para desocupar. Nada disto é inevitável ou emana de Bruxelas, é apenas o reflexo do novo-riquismo das gentes que nos governam e que acham mais atractivo inaugurar estradas do que produções de batata e que vêm mais glamour em protocolos com bancos do que em olivais extensivos.
Se discutir isto não é discutir ideias, então eu definitivamente já não sei o que é a política.