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1.7.08

Ainda há futebol!

Acabou um a zero. Podia, devia, ter acabado com três ou quatro contra zero. Esta Alemanha devia ter sido despachada como merecia, com vários golos sem resposta. Ganhou o futebol, desporto que tinha passado ao lado dos vencedores dos últimos europeus e mundiais.
A França foi limpa na primeira fase, a Grécia passou tão despercebida que quase nem me lembrava dela, a Itália perdeu às mãos de quem soube usar as suas cínicas armas, a Alemanha foi andando e chegou até à final. Bastou, chegar à final já foi prémio excessivo para aquele bando de destruidores da arte alheia e aproveitadores da eficácia. Daqui lhes deito a língua de fora, a eles e ao seu treinador com pretensões “fashion”, arrumados que foram pela equipa do velhinho de fato de treino.
Ganharam os nossos vizinhos o que traz sempre alguma irritação. Será evidente que seremos gozados por algum tempo, agora com o argumento que ganharam, sim, eles ganharam e nós nunca ganhamos nada. Teremos de nos aguentar e pensar que antes eles que os alemães. Até porque mereceram, jogaram bem, não deixaram dúvidas sobre a superioridade e a taça está bem entregue. Tive muita pena por Portugal. Tive pena pela Rússia. Felizmente não tive de ter pena do futebol, pois ele acabou por ganhar.

27.6.08

Ainda há futebol?

Numa meia-final ganha uma equipa com tantos golos como remates à baliza, depois de um jogo em que se parecia arrastar adormecida e ausente. Ontem, jogava a grande surpresa do europeu, responsável pelos melhores minutos de futebol que vi nos últimos tempos. Do outro lado uma selecção que ganhara nos quartos finais após um jogo de não futebol, em que conseguiu ter a sorte de marcar um penalty a mais. A primeira não esteve lá, provavelmente ausente em passeios imaginários pelas estepes ou pelas ruas aristocráticas de S. Petersburgo. A segunda desenhou uma obra-prima digna de Picasso, Dali ou Goya. Que jogo fez a Espanha!
Ainda vai havendo futebol, mas resta a inquietação de que esse futebol não ganhe no final, dando razão aos anestesiantes treinadores que pretendem mudar, talvez até estatutariamente, o objectivo do futebol, trocando o de “marcar golos” com o de “não sofrer”. Espanha devia ganhar, mas mais importante ainda é que a Alemanha devia perder. E por muitos e vistosos golos, numa humilhação requintada da arte sobre a eficácia, da civilização sobre a força bruta.

23.6.08

Ainda há futebol?

Nestes tempos em que se torna coisa rara encontrar futebol digno desse nome – ou seja, futebol em que as equipas queiram ganhar marcando golo e não esperando que o mesmo lhes caia do céu num erro dos adversários – o jogo entre a Rússia e a Holanda foi uma pérola. Afinal ainda há quem jogue ao ataque, com gosto, com inteligência, com estética. Fora a Rússia mais competitiva – o que se calhar até estragava tudo – e concretizadora e teria esmagado a Holanda com uma cabazada histórica, tantas foram as oportunidade de golo.
Ontem vi o Espanha – Itália e a euforia acalmou, assim como a esperança no futebol, pois as duas equipas fizeram o possível, e quase o impossível, para não marcar golos, num jogo muito mais do que chato e a que só faltou que falhassem penáltis sucessivos de modo a obrigar os próprios guarda-redes a marcar. Perdeu a Itália, o que foi um grande felicidade, porque dali não vem qualquer esperança enquanto de Espanha ainda poderemos esperar algum futebol. Agora, esperar mesmo, só espero que a Rússia mantenha o nível e esmague também a selecção espanhola, numa desforra dos 4-1. Sem piedade e com grande arte.

12.6.08

Do futebol

Mais um bom jogo. Mais uma vitória. Estranho esta coisa de estar apurado sem confusões, ao segundo jogo, sem sofrimento, sem pensar no resultado dos outros. Não estou habituado a isto, estou mesmo muito preocupado porque algo está diferente neste mundial em que parece que a selecção é uma equipa. Será que quer dizer algo? O meu medo é que queira dizer uma eliminação nos quartos de final. Talvez não, talvez queira dizer que é desta. Talvez seja mesmo desta.